FATOS | Kevin Hewick: o que ele tem a ver com o New Order?

Kevin Hewick performing live in the early -80sA história todos conhecem: no dia 18 de maio de 1980 um tal de Ian Curtis, um garoto então com 23 anos, pôs fim a sua própria vida. Com esse ato, lançou sobre as cabeças dos três colegas com os quais tinha uma banda de considerável sucesso local uma nuvem negra. Afinal, Curtis não era apenas o letrista e vocalista, mas também uma espécie de timoneiro do grupo. Essa banda, que se chamava Joy Division, estava prestes a dar um importante passo rumo ao estrelato: era véspera da viagem aos Estados Unidos, onde fariam uma turnê (a primeira em solo americano). O suicício do talentoso cantor e poeta frustou os planos dos membros remanescentes – Bernard Sumner, o guitarrista, Peter Hook, o baixista, e Stephen Morris, o sujeito que fazia rufar os tambores – e, também, da sua mítica e igualmente cultuada gravadora independente – Factory Records.

A tragédia, contudo, não os impediu de seguirem em frente. Todavia, Sumner, Hook e Morris optaram por deixar para trás o nome Joy Division. Entretanto, a nova denominação, New Order, escolhida para sugerir a ideia de mudança, só veio a ser verdadeiramente adotada em setembro de 1980, quando finalmente partiram para América, agora para apresentar material novo.  Só que antes disso, em junho, ou seja, um mês depois da morte de Ian Curtis, o trio remanescente do que outrora era conhecido como Joy Division fez sua estreia em uma sessão de estúdio. Com a intenção de ajudá-los, Tony Wilson, o fundador da Factory Records, resolveu escalá-los para ser a banda de apoio em estúdio de uma das aquisições do selo: um cantor e compositor de Leicester, em East Midlands (uma região no centro da Inglaterra), chamado Kevin Hewick.

As sessões de gravação do proto-New Order com Kevin Hewick aconteceram nos Graveyard Studios em Church Lane, Prestwick, local onde inclusive alguns registros do Joy Division haviam sido feitos. O produtor escolhido para capturar nas bobinas o som que rolou ali era ninguem menos que Martin Hannett, o “Quinto Joy Division”, o homem que contribuiu decisivamente para a definição da identidade sonora da banda. Hewick, acompanhado de Bernard, Peter e Steve, gravou apenas duas faixas: “Haystack” e “A Piece of Fate”. A primeira foi oficialmente lançada nas compilações A Factory Quartet, da Factory, e From Brussels With Love, editada originalmente em cassete na Belgica em 1980 pela gravadora Les Disques du Crépuscule, selo fundado por Michel Duval e por Annik Honoré, ex-amante de Ian Curtis. O ábum foi reeditado em vinil diversas vezes em anos posteriores e a edição mais recente dele que se conhece é o CD remasterizado da LTM Recordings, de 2007. O fato é que “Haystack” é considerada por muita gente a primeira faixa gravada e lançada pelo New Order, embora, de fato, ela não tivesse sido escrita pela banda (que, como já informamos, sequer tinha adotado esse nome na época) e aparece nos lançamentos originais creditada exclusivamente a Hewick. Em compensação, a edição em CD de From Brussels With Love da LTM traz a música creditada a “Kevin Hewick & New Order”, embora não deixe de especificar para o comprador desavisado: “Escrita por: Kevin Hewick. Tocada por: New Order”.

A Factory Quartet From Brussels With Love

Por outro lado, “A Piece of Fate” nunca viu a luz do dia, sabe-se lá o por que. Até hoje a versão original gravada pela dobradinha Hewick / New Order continua perdida por aí, provavelmente embaixo de alguma camada grossa de poeira, o que faz dela um dos grandes tesouros perdidos da banda. Entretanto, anos mais tarde Kevin regravou essa canção e a rebatizou com o nome “No Miracle”, lançando-a finalmente em 1993. Mas essa segunda gravação nada tem a ver com o New Order ou teve algum envolvimento de qualquer um dos integrantes da banda. Isso não significa que depois das sessões de junho de 1980 ele nunca mais teve qualquer contato que aqueles que um dia foram seus escudeiros no começo de sua carreira: no dia 15 de dezembro de 2007 ele, ao lado do ex-baixista do New Order, Peter Hook, e também na companhia de Section 25, Crispy Ambulance e The Names, participou do show “A Factory Night (Once Again)” no Plan K, em Bruxelas. A partir daí, Hewick marcou presença em várias outras apresentações pela Europa com Hooky e o SXXV. Ele também abriu concertos de Peter Hook & The Light em 2012.

Um mês após as gravações com Kevin, o que em breve viria a se chamar New Order se abrigou no Western Works Studio, em Sheffield. No quartel-general dos colegas do Cabaret Voltaire, começaram a produzir seu primeiro material sem Ian Curtis (e ainda sem Gillian Gilbert também). E de lá saíram com sua primeira fita demo, também já bastante conhecida entre os fãs. Mas isso, meus caros, já é uma outra história…

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