NA COLA | Acompanhamos Peter Hook de perto no Rio de Janeiro no mês passado

10926373_10152486557266854_4059317414061041065_nA última vez que o lendário baixista – e também DJ de vez em quando – Peter Hook esteve no Rio de Janeiro foi em junho de 2011 na companhia do seu atual grupo, o The Light, com o qual vem rodando o mundo tocando ao vivo o repertório de suas duas ex-bandas titulares, o Joy Division e o New Order. De lá para cá, somente nossos sempre mais afortunados vizinhos de São Paulo e os inesperadamente sortudos goianos (em 2013) tiveram esse privilégio. Só que agora os cariocas puderam ir às forras: desta vez, a cidade fundada por Estácio de Sá, e que assoprou 450 velas este ano, foi a única a ser contemplada nesse seu mais recente retorno ao Brasil.

Todavia, a ocasião que o trouxe de volta à terra “descoberta” por Gaspar de Lemos foi um tanto distinta das anteriores. Hooky foi um dos convidados do VII Rio Music Conference, um evento realizado entre os dias 04 e 06 de fevereiro no Hotel Pestana Altântica Rio, em frente ao mar da Praia de Copacabana. O VII RMC foi um encontro do setor de entretenimento, com foco na cultura da música eletrônica, e que se propôs a reunir profissionais e empresas desse segmento para discutir oportunidades de investimento nesse mercado. Durante o dia, a conferência realizou painéis, workshops e palestras; à noite, vinculado ao evento, acontecia o Club Week: bares e casas noturnas locais se tornaram co-anfitriões do RMC e apresentaram algumas atrações convidadas pelos organizadores. E foi assim que Peter Hook entrou na história: além de ter sido convidado para um Q & A mediado pelo radialista, DJ e jornalista alemão Jonty Skrufff, na conferência, ele também foi escalado para um DJ set na boate CAVE, em Copacabana. O primeiro compromisso foi na tarde do dia 04 de fevereiro e o segundo na noite do dia 05.

Lá estávamos nós de novo – eu (Luis Aracri) e Marcello Dourado, representando a turma do New Order Brasil para acompanhar de perto e documentar esses dois dias de passagem de Peter Hook pelo Rio de Janeiro.

No dia da abertura da conferência, cheguei ao Hotel Pestana antes do meu “comparsa”, isso lá por volta de 13:00. Pelo telefone, o setor de eventos do hotel havia me dito que o credenciamento começaria às 14:00, o que não era verdade. Quando eu pus os pés no hall de entrada, o credenciamento já estava em curso. Ok, sem problemas, não havia filas, nem tumulto. Tudo estava calmo e tranquilo – e os inscritos ainda chegavam aos poucos. Esperei pelo amigo no salão-restaurante do Pestana almoçando. Com a sua chegada, assim que terminei o almoço passamos um tempo olhando o movimento, primeiro do lado de fora do hotel, em seguida do lado de dentro… e tudo prosseguia no maior sossego. Mas o tempo passou rápido e já eram quase 15:30, horário marcado para o painel de abertura, que seria sucedido pelo Q & A com Peter Hook. Então, era hora de sairmos em busca de um bom lugar na plateia.

A sala “Fusion Energy Drink”, que era onde deveríamos estar, era um auditório no piso “C” do hotel, que para a ocasião foi rebatizado de Mainstream. Quando achávamos que teríamos que colocar a toda prova nosso inglês de cursinho, já que a maior parte do cast do evento era de estrangeiros, tivemos uma grata surpresa: a organização disponibilizou fones de ouvido acompanhados de receptores para aqueles que necessitavam da ajudinha da tradução simultânea. Muito bem sacado. Então, após pegarmos nossos fones (que também captavam a música ambiente), entramos na sala e nos posicionamos, cada um, em seus “devidos lugares”: Marcello, nosso “Michael Shamberg”, escolheu um lugar discreto no meio da plateia para que pudesse filmar sem chamar muito a atenção, enquanto eu me estabeleci propositalmente na primeira fila, à esquerda e “no corredor”, para fotografar tudo munido de uma Nikon DX D3100 (uma DSLR entry level) com uma objetiva de 35mm f1.8 (os fotógrafos profissionais estavam “armados” com caríssimas lentes zoom, mas optei por uma objetiva de distância focal fixa porque era a lente mais clara que eu tinha, ou melhor, que pude comprar…).

A conferência de abertura, que seria realizada por Claudio Miranda Filho (RMC) e João Anzolin (da Hot Content) não começou pontualmente. O atraso no voo de Sampa para o Rio e o trânsito do aeroporto até a Zona Sul impediram que Anzolin chegasse na hora marcada. Felizmente (e bota felizmente nisso!), o bla bla bla de abertura não durou mais do que uns dez minutos. Logo em seguida, Miranda Filho convocou Peter Hook, que já estava no auditório e sentado ao fundo da plateia, para ir à mesa no tablado. Palmas para ele, é claro! Porém, ainda faltava uma pessoa: Jonty Skrufff. O mais absurdo é Skrufff estava hospedado no mesmo hotel da conferência, o que tornou um tanto injustificável sua falta de pontualidade. Uma figuraça com um modelito que mais parecia todo tingido com tinta de marca-texto amarelo se encarregou de fazer umas perguntinhas preliminares, uma enrolaçãozinha básica para o tempo passar enquanto o verdadeiro mediador escalado pela organização não dava o ar da graça.

Claudio M. Filho convoca Peter Hook à mesa.

“Para a nossa alegria!!!”, Jonty Skrufff não nos fez esperar muito. E o que se viu durante aproximadamente uma hora tinha mais a cara de uma entrevista careta do que a “sabatina” que havia sido anunciada. Skrufff, cumprindo mais o papel de jornalista, fez o dever de casa com disciplina tipicamente alemã, apesar do seu look alternativo e despojado: leu os livros que Hooky escreveu – How Not To Run A Club: The Haçienda e Unknown Pleasures: Inside Joy Division –, embora tivesse assumido que não teve tempo para completar a leitura, além de diversas outras entrevistas anteriores, e foi à mesa com um roteiro de questões pronto, impresso em folhas de papel. Tudo muito certinho.

Tão certinho que Skrufff evitou o que todos os outros jornalistas no mundo inteiro vêm fazendo há meses: perguntas que levassem Peter Hook a descer a lenha nos seus ex-colegas de New Order. Ainda assim, dava para subentender nas entrelinhas do discurso de Hooky que, para ele, o New Order acabou depois que ele rompeu com Bernard Sumner e os outros. Ou seja, não foi preciso dizer explicitamente, tal como o fez em outras ocasiões, que ele não reconhece a atual formação da banda como New Order.

Houve apenas dois momentos em que ele realmente atirou pedras contra seus ex-companheiros. Na primeira ocasião, ele disse que o nightclub The Haçienda, que o New Order era co-proprietário, acumulou uma dívida de £ 14.000, isso sem falar nos honorários dos advogados que tentavam livrar a banda de um processo por fraude fiscal; a única forma de sair dessa enrascada era arregaçar as mangas e fazer um disco, sair em turnê etc. Mas, de acordo com Hooky, “Bernard não gosta de trabalhar, é um preguiçoso. Ele gosta, sim, é de ficar no estúdio, isso lhe dá prazer. Mas quando o assunto é fazer turnês, promover um disco ou qualquer outra coisa, ele se mostra bastante difícil. Quando o New Order saía em turnê você o via correndo atrás das menininhas, sorrindo, tudo parecia ótimo, mas quando voltava para hotel estava puto, reclamava de tudo e dizia que queria voltar para casa”. Em outra parte, quando perguntado sobre o “vazio” deixado por Ian Curtis após a sua morte, sobrou para Gillian Gilbert o deselegante comentário: “Nem de longe Gillian conseguiu preencher o vazio deixado por Ian”.

Muitas perguntas – e respostas – caíram no lugar comum, isto é, não eram nada mais que reciclagens (nos melhores casos) do que todo mundo está careca de ler a anos. Mas, vez por outra, saía da boca de Hooky alguma coisa que realmente valia a pena. Como, por exemplo, quando ele contou uma história sobre o single “Confusion”, de 1983. A canção foi gravada em Nova Iorque em um estúdio no qual James Brown vinha trabalhando (provavelmente se tratava da gravação do álbum Bring It On!) e ficou disponibilizado para o New Order por apenas dezesseis horas. A banda trabalhou intensivamente, com a ajuda do produtor Arthur Baker (e de um certo John Robie como engenheiro de som), em três turnos de quatro horas. Quando terminaram de gravar, Baker levou o rolo de fita com a canção ainda sem a mixagem final para a casa noturna Fun House e o pôs nas mãos de um dos DJs da casa, John “Jellybean” Benitez, que não perdeu tempo: tocou a fita no seu set naquela noite, mixando-a ali mesmo na cabine, na hora. Se a pista de dança permanecesse cheia e com todo mundo dançando, isso seria interpretado como sinal de aprovação e aquela mixagem feita ao vivo pelo DJ se tornaria  a definitiva – e é ela a que está no lado A do EP de 12”.

Hooky também arrancou risadas do público ao contar algumas histórias sobre as trapalhadas dele e do resto da banda na administração do Haçienda. Em uma delas, o baixista disse que teve que procurar pessoalmente o chefe de polícia em Manchester para implorar ajuda com relação ao problema das gangues e da violência dentro do nightclub. Para sua surpresa, o sujeito teria dito que o período do dia em que seus homens mais gostavam de trabalhar era o das 22:00 às 03:00 da manhã do dia seguinte – justamente quando a bandidagem da cidade estava toda dentro da boate deles.

Enfim, o Q & A até poderia ter sido melhor se tivessem dado mais espaço para a participação do público presente. Infelizmente, isso não aconteceu. E isso foi graças ao Jonty Skrufff, que bem poderia ser chamado de Jonty “Skroto”, que se empolgou em sua entrevista particular com Hooky até que se deu conta de que estava em cima da hora dele participar de outro painel em outra sala. Em razão disso, Skrufff passou o microfone a apenas duas pessoas na plateia e, em seguida, encerrou o bate-papo.

Jonty “Skroto” entrevista Peter Hook… e não deixa mais ninguem falar.

Após a salva de palmas, havia chegado a hora da tietagem. Saltei na frente e pedi para ele assinar, com dedicatória, meus exemplares de How Not To Run a Club e Inside Joy Division. Alguem apareceu com uma cópia do LP Closer. Mas a maioria queria mesmo era tirar fotos com o ídolo. Peter Hook atendeu a todos com gentileza e simpatia. Mas a jornada do primeiro dia ainda não havia terminado – haveria mais à noite.

“Vocë de novo, garoto?! Mas qual seu nome mesmo?”

“Paulo Coelho que se cuide!”

“Hooky, o mês é fevereiro!”

“We made history, not money”

“Eu juro que essa é a última, Hooky” (e cruzo os dedos)

A partir das 21:00 estava programado no terraço / piscina do hotel um cocktail e uma welcome party para alguns dos convidados do evento: dentre eles os DJs Camilo Rocha (Brasil) e Miss Melera (Holanda), além de, é claro, Peter Hook. Nós estávamos nessa, evidentemente. Mas nem tudo saiu como deveria: em primeiro lugar, uma pancada de chuva obrigou o público a se espremer nas poucas áreas cobertas do terraço; em segundo, não havia cocktail algum – se  alguém quisesse comer ou beber, que pedisse e pagasse no bar da piscina (por sorte, no comecinho da noite eu e Marcello fomos no restaurante ao lado do hotel e nos abastecemos com chopp, bolinhos de bacalhau, croquetes de carne e gurjões de frango, o que foi uma ótima ideia considerando que no hotel uma água mineral custa o mesmo que uma Stella Artois).

Quando chegamos, já havia um DJ tocando – que depois descobrimos ser o tal do Camilo Rocha. Isso levantou as suspeitas de que Peter Hook poderia fazer o mesmo, por mais estranho que isso possa parecer (tocar em sua própria festa de boas vindas). Mas foi isso mesmo o que aconteceu: quando Hooky apareceu, trazia em suas mãos um case branco para CDs. Ele se posicionou ao lado do DJ, o cumprimentou e, batendo com os dedos no relógio, fazia um gesto como quem queria dizer “amigo, acabou sua hora, agora é a minha vez”. Que bela surpresa: um DJ set exclusivo! (e antes do “oficial”, que seria no dia seguinte).

Não que tenha sido uma exibição de gala. Aliás, como DJ, Peter Hook é um excelente baixista. Mas pelo menos quem, como eu, estava naquela posição privilegiada (cerca de um metro e meio de uma mixing desk que devia estar mais ou menos na altura do meu abdome), pôde constatar uma coisa: apesar do que já chegou a ser propagado em vários sites pela internet, ele não é uma fraude nas carrapetas. Hooky realmente faz as mixagens ao vivo, embora dê suas escorregadelas de quando em vez nas passagens. Com relação ao seu set, ele é um amálgama de coisas bem variadas: novos sons eletrônicos, remixes de bandas indie e até mesmo itens do seu próprio catálogo: do Joy Division, tocou a versão robótico-metálica de “She’s Lost Control” (a mesma de Substance) e seu próprio remix para a versão de “Love Will Tear Us Apart” que regravou com o Beatmode em 2012 para o selo Looking Glass; do New Order, um remix não oficial de “Blue Monday” e “Krafty (Morel’s Pink Noise Vocal Mix)”. Mas em geral o público presente não parecia nem aí – todos estavam mais preocupados em beber, tirar selfies à beira da piscina e “fazer uma social”. Mas havia um seleto grupo de fãs, que inclusive estava na sala “Fusion” à tarde, que fazia questão de ficar ali bem perto do ídolo, filmando, tirando fotos, ou simplesmente curtindo aquela proximidade. Foram quase 45 minutos de discotecagem – bastante até para quem nem esperava por isso. Marcello filmou tudo, enquanto eu tentava buscar os melhores ângulos para nosso acervo. No final, Hooky posou para minha câmera dando um “joinha” e ainda assinou desengonçadamente minha credencial.

Como não nos interessava participar dos outros dois dias de evento, tudo o que nos restava era aguardar a noite do dia seguinte para irmos a CAVE assistir o DJ set para valer. Os inscritos no RMC tinham um passe livre para entrar na boate (uma maldita pulseirinha que ficou atada em nossos pulsos desde o dia anterior por determinação do credenciamento). Dessa vez, teríamos a companhia de mais um membro do New Order Brasil, o Igor Cerqueira, que por não ter se inscrito na conferência teve que desembolsar R$ 80 pelo ingresso (pouco para quem já pagou para ver o New Order, mas muito para se entrar em um club / casa noturna em Copacabana).

A CAVE abriria as suas portas às 23:00 – e a apresentação de Peter Hook estava programada para acontecer entre 01:00 e 02:00 da manhã do dia seguinte. Já que os alertas de tempestade não haviam se concretizado (ao longo de toda a quinta-feira a Prefeitura do Rio, através da mídia, colocou a cidade em “Estado de Atenção”), fizemos nosso aquecimento (uns goles de Skol, mais aguada do que nunca) em um “pé sujo” na Raul Pompéia, bem pertinho dali.

Já passava de meia noite quando decidimos entrar na casa e tudo o que encontramos lá dentro depois que chegamos à pista (modesta por sinal) eram alguns gatos pingados dançando timidamente ao som do primeiro DJ da noite, o Leozinho, do Warung Beach Club (Santa Catarina).O povo foi chegando bem devagar – e ninguem tinha pinta de frequentador de balada eletrônica, de rave, ou de qualquer outra coisa desse gênero. Num lugar onde costumeiramente quem bate o ponto costuma vir “na beca” (i.e., com roupas de grife), pele bronzeada e corpos trabalhados na academia, camisetas do Joy Division, saias pretas de bolinhas brancas, a palidez das peles e até algumas barrigas proeminentes (no caso das espécimes do sexo masculino) denunciavam que aquela gente que estava invadindo território alheio veio ver Peter Hook. Quando ele apareceu, passando no meio de todo mundo até chegar à cabine dos DJs (que não era isolada da pista, nem tampouco estava muito acima do público), antes mesmo que conseguisse subir para assumir seu posto atendeu os fãs com a mesma paciência e simpatia do dia anterior.

O lugar foi ficando cheio. Não chegou a ficar lotado, mas não foi um fiasco de público. Parece que mesmo fora do seu habitat natural – o palco de um show de rock – Hooky consegue chamar a atenção para si. Vamos aos fatos: não tem outra explicação, ele é uma lenda viva da música popular há mais de três décadas. Quando o DJ Leozinho deixou a mesa de som e Peter Hook a assumiu, ovação e palmas. Let’s rock the fuckin’ house! (oops, perdão Bernard)Para nós – digo eu e Marcello – que assistimos a pequena amostra que ele deu no welcome party na noite anterior, uma parte significativa de seu playlist não representou uma grande surpresa. Tivemos reprises de “Song 2”, do Blur, “Krafty (Morel’s Pink Noise Vocal Mix)”, do New Order, de “She’s Lost Control (12” Version)”, do Joy Division (que, convenhamos, não funciona bem no seu set), o remix de Hooky para sua versão de “Love Will Tear Us Apart” com o Beatmode, entre outras. Desta vez, aliás, ele parece ter se dado conta de que o público na pista era formado, basicamente, por fãs de Joy Division e New Order, então a partir de determinado ponto, se concentrou em agradá-lo. Além do divertido mashup “Hang Up On Blue Monday”, que colocou os vocais de Madonna no lugar dos de Bernard Sumner em “Blue Monday”, ele também tocou o famoso remix do Crystal Method para “Bizarre Love Triangle” (assumidamente um de seus favoritos).

A pista estava fervendo – nem tanto pelo talento de Hooky nas carrapetas, mas mais pela seleção de canções que falavam mais aos corações e mentes dos que estavam presentes do que as obscuridades e/ou novidades eletrônicas que passaram pelos seus CDJs. “Personal Jesus” do Depeche Mode (outra em versão remixada) também foi uma boa escolha, mas por um momento ele descambou para a “farofada” quando sacou “Sweet Dreams (Are Made of This)” do Eurhythmics e “Boys Don’t Cry” do Cure… e em suas versões originais!

Infelizmente, a “Madchester” foi representada apenas por uma música dos Happy Mondays (“24 Hour Party People”). Hooky também celebrou o punk com “London Calling”, do Clash, e “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones (eu, que estava de frente para ele nesse momento, olhei nos olhos dele e disse “põe os Sex Pistols aí!”… ele fez aquele gesto de quem diz “espera só”, mas ficou só na promessa). Para satisfazer seu próprio ego, além da ânsia dos que estavam presentes, ele pôs mais algumas coisas da sua própria discografia na roda: do Joy Division, tocou ainda “Transmission”, “Disorder” e “Love Will Tear Us Apart (Don Gehman Mix)” introduzida pela versão “barroca” do String Quartet (a mais bela sacada da noite); do New Order, soltou um remix obscuro e bem hard de “Blue Monday” para fechar seu set. Daquele ponto em diante, era Miss Melera que comandaria a festa.

Havia gente esperando a estrela da noite descer da cabine para pedir fotos e autógrafos, mas dessa vez não rolou. Hooky abaixou a cabeça e saiu com pressa, sem atender os clamores dos que não tiveram sorte (ou oportunidade) de tietá-lo antes. Essa foi a deixa para sairmos dali (eram 03:00 da manhã). Vimos o local esvaziar rapidamente e então, nos perguntamos: “quem vai ficar aqui então para assistir essa Miss Melera?”. A resposta veio quando já estávamos do lado de fora da CAVE – havia uma respeitável fila do lado de fora para entrar e, a julgar pelo banho de loja do pessoal, aqueles pareciam ser os verdadeiros habitués da casa. A noite, na verdade, mal tinha começado. Sabe de nada, inocente…

Foi muito divertido, mas Hooky ainda está longe de ser um DJ de mão cheia. Sem falar que soa um tanto egocêntrico e autoindulgente tocar seu próprio material quando ele exerce esse papel – é como se estivesse a jogar confetes em si mesmo, ainda que, em muitos casos (principalmente quando se trata de New Order), as versões apresentadas sejam remixes, ou seja, releituras feitas por terceiros (algo que ele, quem diria, já chegou a odiar na década de 1980, e um dos motivos era porque os produtores e os DJs que remixavam as músicas do New Order sempre tiravam suas linhas de baixo do mix final). Já que parece ser impossível qualquer acerto entre ele e o que restou do New Order, o jeito é ficar na espera para que ele volte ao Rio com o que realmente interessa: um show. Se bem que, um passarinho no RMC nos contou que poderemos ter surpresas em 2016… É esperar para ver.

 

Peter Hook cumprimenta Camilo Rocha… ou é o contrário?

Hooky espera a sua vez de comandar as carrapetas.

 

“Tudo joinha, Hooky?”

 Na CAVE, fazendo careta para a minha câmera (e usando a mesa camisa do dia anterior).

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