ENTREVISTA | Por dentro do primeiro álbum do New Order sem Peter Hook

No post de hoje eu trago a tradução de uma matéria publicada originalmente no site da versão gringa da revista Rolling Stone no dia 21 de janeiro deste ano. Em entrevista concedida à DJ e jornalista musical Puja “Senari” Patel, Bernard Sumner e Stephen Morris falaram um pouco sobre o disco novo que o New Order vem preparando (o primeiro sem o baixista original Peter Hook) e com previsão de lançamento ainda este ano, talvez no comecinho do outono europeu. Para variar, a autora da matéria não fez o seu dever de casa com o devido rigor: disse que desde que a banda voltou a fazer shows, apenas uma única música nova foi apresentada – no caso, “Plastic”. Na verdade, o New Order, em sua atual formação, já apresentou duas. A outra, “Singularity”, fez sua estreia durante a turnê sulamericana do ano passado.

No final da matéria traduzida, incorporamos um vídeo de “Plastic” gravado ao vivo Bill Graham Civic Auditorium, San Francisco (Califórnia, EUA), no dia 11 de julho do ano passado. Créditos do vídeo: Baby J.



Por dentro do primeiro álbum do New Order sem seu baixista fundador Peter Hook
Ícones dance iniciam um novo capítulo: “Nós nos tornamos compositores”

cropped-new-order2.jpg

Por Puja Patel | 21 de janeiro de 2015.

Quando o New Order saiu em turnê no verão passado – três anos depois de anunciar que voltaria a se apresentar para shows beneficentes – a banda tocou uma única faixa nova em meio a um set repleto de grandes clássicos. O grupo havia trabalhado na música, intitulada “Plastic”, entre os shows que deveriam ser seus últimos; e agora ela (a canção) fará parte do seu décimo álbum. “Os shows foram muito bem recebidos e nós os desfrutamos muito”, disse Bernard Sumner, 59 anos, vocalista e guitarrista. “Parecia ser a coisa lógica a se fazer”.

O baterista Stephen Morris diz que o novo material “tem sido preparado a pequenos passos desde 2011”, mas a partir de dezembro do ano passado ele seus companheiros começaram a se mover mais rapidamente, sendo estes os primeiros registros desde que o baixista Peter Hook deixou a banda em 2007. A atual formação saúda o retorno de Gillian Gilbert, tecladista que tocou pela última vez em Get Ready, de 2001, e adiciona membros do Bad Lieutenant, Phil Cunningham e Tom Chapman. Sumner diz que a nova configuração tornou a banda mais flexível, pemitindo que diferentes membros se desloquem entre guitarras, teclados e vocais de apoio. “As linhas ficaram um pouco mais indefinidas do que costume”, diz ele, “Nós nos tornamos mais compositores do que instrumentistas”.

Ainda assim, as gravações se tornaram menos glamurosas do que nos tempos em que a banda curtia suas noitadas no Haçienda em Manchester, ou quando um apressado Arthur Baker levou uma recém-gravada fita de “Confusion” direto para a cabine do DJ na Funhouse, em Nova Iorque. “Costumávamos tocar por horas, improvisando no estúdio, até encontrarmos alguma coisa – um segundo que fosse – o que não era tão ruim”, diz Morris. “E, em seguida, saíamos em busca do outro segundo que poderíamos acrescentar. Agora nós nos tornamos um pouco mais profissionais durante as gravações, para melhor ou para pior. Nós ficamos mais simples”.

Ele e Gillian Gilbert – os dois se casaram em 1994 – passaram a última década aumentando sua família em uma fazenda nos arredores de Manchester, e a banda que uniu o casal mais uma vez tomou conta da sua casa. “Eu e Gillian temos longas conversas sobre música o tempo todo quando deveríamos estar fazendo outras coisas”, diz Morris, cuja filha Tilly toca teclados em uma banda chamada Hot Vestry. “É como se fosse, ‘céus, lá vamos nós de novo!’  Uma vez assisti a um box set do ‘Breaking Bad’ e nos mantivemos totalmente em silêncio enquanto isso. Estamos a espera de uma outra distração para nos tirar a atenção do tema New Order novamente”.

Em Londres, o processo criativo de Sumner é um pouco mais insular. “Está chuvoso, frio e úmido lá fora”, ele diz. “E está escuro. É um bom momento para compor”.

Morris ri com conhecimento de causa quando ouve isso: “Isso explica boa parte do conteúdo da banda, não é mesmo? Bernard gosta de ficar sozinho enquanto compõe – a sós com seu vinho”.

A banda completou, até agora, duas faixas: “Plastic” e “Restless”, que apresentam Tom Rowlands, dos Chemical Brothers. Morris diz que o disco vai se manter fiel ao som do New Order, mas deve tirar vantagem do que há de mais novo em técnicas de programação de bateria e sintetizadores, acrescentando que ele acha que “a produção musical está indo no sentido inverso agora”.

“Muita gente começou a usar material da era analógica, apesar desses equipamentos não terem memória de armazenamento”, explica ele. “Eu posso brincar com sintetizadores modulares porque se pode criar um som por acidente. Há algo espontâneo nisso, o que quer dizer você realmente não tem nada a ver com isso”.

A nostalgia de Morris é particularmente cativante se considerarmos a influência esmagadora de sua banda nos últimos quinze anos de electro e dance-punk. Com igual paixão, ele elogia a bateria do krautrock de Neu! e Can e a geração mais jovem que se apropriou das inovações do New Order para o novo milênio. “Eu absolutamente amo James Murphy e a DFA Records”, diz Morris. “Nós excursionamos com o Holy Ghost! e foi fantástico, tudo o que fazem é incrível. É o que fazíamos anos atrás, só que eles estão fazendo isso agora”.

Sumner acrescenta: “Eu não acho que você pode dizer que alguem está fazendo o que o New Order faz, mas os músicos são todos influenciados por suas coleções de discos. Nossas primeiras influências foram Bowie, Iggy Pop e Kraftwerk e, antes disso, compositores como Neil Young. Em vez de mudar as coisas de uma forma negativa, as bandas influenciadas pelo New Order estão dando ao nosso som uma nova vida”.

Apropriadamente, a banda estará lançando seu novo álbum – em algum momento no outono – pela Mute Records, lar de uma lista de artistas eletrônicos como Zola Jesus, Arca e Depeche Mode. O fundador do selo, Daniel Miller, atua como mesa de som informal da banda. “Eu acho que jamais o terminaremos se não tivermos alguem para nos dizer quando parar”, diz Morris. “É difícil deixar algo no qual você vem trabalhando”. Quando o disco sair, Sumner diz que os fãs devem esperar um som bastante eletrônico, com guitarras melódicas e “um toque de orquestra”.

“Algumas pessoas podem dizer que a música eletrônica é fria e pouco romântica”, diz Sumner, referindo-se a “Blue Monday” como um exemplo de como a música pode ser, ao mesmo tempo, robótica e enérgica. “Isso é verdade de alguma forma, mas agora um computador é capaz de traduzir exatamente o que seu cérebro está pensando. Isso é emocionante. É o que estávamos tentando alcançar na década de oitenta”.

Anúncios

1 comentário

  1. Pingback: NEWS | Falando no homem… | FAC 553

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s