NEWS | Casa onde Ian Curtis viveu (e morreu) se transformará num museu dedicado ao Joy Division

334“A necrofilia da arte tem adeptos em toda parte”, já dizia a bem sacada letra da música do Pato Fu. Um músico e empresário radicado em Tel-Aviv chamado Hadar Goldman arrematou por £190 mil a casa onde Ian Curtis, falecido vocalista do Joy Division, viveu sua vida de casado, além de ter se enforcado com a corda do varal na cozinha, na Barton Street, em Macclesfield (Grande Manchester). Goldman, que tem 48 anos, diz ter sido um grande fã do Joy Division na juventude e que decidiu comprar a casa depois que ouviu dizer que um grupo de fãs não conseguiu arrecadar a quantia necessária para arrematar o imóvel. A ideia do empresário é transformar a casa de Barton Street em um museu dedicado ao Joy Division.

No fórum Dry 201Message Pub, do site (hoje “paradão”) NewOrderOnLine, as reações não foram muito entusiasmadas. O usuário “Michael Monkhouse” escreveu, com ironia: “É o meu tipo de sujeito… Tem grana suficiente para alimentar a África e com que ele gasta? Joy Division”. Já “Fotzepolitic” preferiu ser mais abrangente: “Acho que estou um pouco cansado de todo esse revival do Joy Division nos últimos anos”. Curiosamente, no Message Board do site Joy Division Central não há, até o momento em que escrevo estas pretinhas, tópico algum aberto para a discussão dessa novidade. Entretanto, quem se pronunciou oficialmente sobre essa história do museu foi Bernard Sumner. Segundo o ex-guitarrista do Joy, a ideia de comprar a casa para criar um museu é “macabra” e ele descreve o projeto como sendo um “monumento ao suicídio”. Goldman reagiu às críticas de Sumner dizendo que “Eu não quero que seja um memorial, mas, sim, uma coisa viva, uma fábrica produtiva – um catalizador para a arte e a criatividade, não um santuário gótico. É assim que se transforma a tragédia em algo criativamente positivo”.

De uma certa maneira, o museu de Goldman seria o segundo em Macclesfield dedicado ao Joy Division. Na galeria de arte Charles Roe House existe um espaço de exposições chamado Incubation inteiramente dedicado ao JD.

Cá entre nós: mesmo eu sendo fã – e não do tipo “Zunfus Trunchus que eu nem conhecia virou meu star no outro dia” como a maior parte da rapaziada que desfila com camisetas do disco Unknown Pleasures por aí -, me sinto hoje bastante entediado com esse “revival do Joy Division”. O lance bacana com o New Order é que eles colocam o Joy no que considero o lugar certo, sem oportunismos: não mais do que três (às vezes quatro) músicas em seus shows. Isso já é respeitar e reverenciar, na medida adequada, o legado de sua primeira encarnação.

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