MEMÓRIA | Às vésperas das Olimpíadas de 2016, canção oficial da Seleção Inglesa na Copa de 1990 comemora 25 anos

world-in-motion“Esta deve ser a gota d’água para os fãs do Joy Division” (Bernard Sumner, New Musical Express, 1990).

Deve ter sido mesmo. Ou não. Na época em que Sumner deu essa declaração o New Order já era conhecido por derrubar mitos à respeito de si mesmo. Com “World in Motion”, single lançado exatamente há 25 anos, derrubaram mais um: o de que uma banda tão respeitada pela crítica e famosa por ter conseguido alcançar sucesso sem fazer concessões ao showbiz seria capaz de lançar um disco propositalmente comercial, como pura piada. Todavia, “World in Motion” foi bem mais que o tema oficial da Seleção Inglesa de futebol para o Mundial de 1990, na Itália; foi o primeiro e único single do New Order a atingir o primeiro lugar da parada mainstream no Reino Unido e, também, seu último trabalho pela gravadora que lhe abriu as portas quando ainda atendiam pelo nome Joy Division: a mítica Factory.

Lembro-me como se fosse hoje: um certo dia, bem no comecinho do Mundial da Itália (a Copa nesse ano havia começado no dia 08 de junho), eu acordei pela manhã bem cedo (sem necessidade, pois nessa época eu estudava no turno da tarde) e, ao final do “Bom Dia Brasil”, na Rede Globo, foi exibido o tal do “Bom Dia Itália”; naquela edição, o programa fez meu coração pulsar mais forte quando noticiou que sairia naquele mesmo dia, na Inglaterra, a canção nova que o New Order havia feito para a Seleção Inglesa, com direito à exibição de rápidos segundos do vídeo promocional (ver ao final do post), acompanhado do som. Não deu para sacar muita coisa, mas fiquei naquela expectativa: “Será que vai tocar no rádio? Vai sair em algum LP novo?”. Naquela época eu ainda não tinha muito a noção desse lance de existirem singles que não eram lançados em álbuns, logo levei ainda bastante tempo para um dia conseguir ouvir “World in Motion” de cabo a rabo.

As histórias por trás de “World in Motion” são curiosas. Tudo começou quando o baterista Stephen Morris pediu que Tony Wilson, o dono da Factory, pregasse uma peça nos demais integrantes da banda sugerindo um projeto entre a English Football Association e o New Order. Porém, Tony levou a coisa a sério, vendeu à FA a ideia da banda fazer uma música e, em seguida, disse ao grupo que tinha sido a Federação que levantou essa proposta! O que era, inicialmente, uma brincadeira de Morris, com a cumplicidade de sua parceira, a tecladista Gillian Gilbert, virou outra coisa. Um ano antes a dupla estava envolvida em outro projeto, cujo prazo estourou. No entanto, alguma coisa desse trabalho pode ser aproveitada: o ponto de partida de “World in Motion” foi uma peça musical em que os dois estavam desenvolvendo (como a dupla The Other Two) para o programa Reportage, da BBC. Além disso, juntou-se à banda o comediante, ator e apresentador de TV Keith Allen para dar uma força na composição.

A “cereja do bolo”, no entanto, foi a participação de jogadores do próprio escrete inglês, como Paul Gascoigne, Peter Beardsley, Des Walker e, principalmente, John Barnes, como “backing vocals”. Barnes teve uma atuação particularmente destacada, já que ele cantou o famigerado trecho do “rap” – cuja letra ele mesmo escreveu e cantou de uma vez só, num único take!

Na Copa do Mundo de 2002 (Coreia do Sul / Japão), o single foi relançado pela London Records, tendo “Such a Good Thing” (sobra de estúdio do álbum Get Ready) como b-side, e a canção foi escolhida como tema oficial para o Mundial pela BBC Radio Five Live. Embora não obtendo o mesmo desempenho de outrora nas paradas, “World in Motion” se firmou como a “Canção de Copa do Mundo” favorita dos ingleses, título que ela não perdeu até hoje.

Quando eu tive o single nas mãos pela primeira vez, eu não conseguia parar de ouvir – nem de repetir “We’re playing for England…”. Mas o tempo foi passando, os ouvidos foram ficando mais exigentes e, naturalmente, o disco hoje está (muito) longe de estar entre os meus favoritos do New Order. Ainda assim, eu tenho todas as versões oficiais dele: vinil de 7″, vinil de 12″ e os dois CDs singles (o original de 1990 e o relançamento de 2002, pela London).

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