NEWS | Sai o vídeo promocional de “Restless” (e fizemos nossa avaliação sobre o single e o clipe)

Clipe RestlessHoje os fãs do New Order tiveram uma grata surpresa: após a divulgação, cinco dias atrás, de um sample de 15 segundos do vídeo promocional de “Restless”, o novo single, finalmente foi feito seu lançamento oficial no canal do grupo no You Tube. Produzido e dirigido por um coletivo espanhol chamado NYSU, o vídeo de “Restless” conserva a tradição do New Order de clipes incomuns. Aqui no blog aproveitamos a onda desse lançamento para publicar nossas impressões sobre a faixa e seu respectivo vídeo.

Após sua apresentação oficial no programa Chris Evans Breakfast Show, “Restless”, canção escolhida para ser o primeiro single do próximo álbum do New Order, Music Complete, foi lançada no “formato” digital single download no último dia 29 de julho. A Amazon britânica passou a disponibilizar a faixa por £0,69 em sua versão editada, tal como apresentada durante a transmissão de Chris Evans e no canal oficial da banda no You Tube. Entretanto, aqueles que encomendaram Music Complete na pré-venda pela loja virtual do New Order puderam baixar a album version, ligeiramente mais longa, que também está disponível na iTunes Store por US$2,19. A gravadora prometeu, para o dia 09 de outubro, o lançamento “Restless” em CD e vinil recheados de remixes.

O lançamento do novo single foi cercado de bastante expectativa. Não apenas porque a banda e sua nova gravadora, a Mute Records, vêm sendo eficientes nesse começo de divulgação de Music Complete (o álbum só sai dia 25 de setembro), mas também, por razões óbvias, porque seria a primeira canção de estúdio nova que o público ouviria sem o baixo marcante e inconfundível de Peter Hook – desde sempre uma parte fundamental no som do grupo (descontando, é claro, as primeiras apresentações ao vivo das igualmente novas “Singularity” e “Plastic”, respectivamente durante as turnês pelas Américas do Sul e do Norte no ano passado).

Pois bem… Então, o que dizer sobre “Restless”? O que se viu nas redes sociais já era esperado: o primeiro single do “novo” New Order dividiu opiniões. Tinha a turma do “o pior do New Order com o Peter Hook é milhões de vezes melhor do que isso”. Mas essa perspectiva não carece de muito crédito por ser muito passional e exagerada. Em geral, no cálculo das proporções, os votos favoráveis a “Restless” levaram um pequena margem de vantagem. Ainda assim, dentro desse segmento, houve quem dissesse: “ok, a faixa é legal, mas eu esperava por algo superior”. Havia ainda aqueles que disseram “é uma boa música, mas deveriam ter escolhido ‘Singularity’ como primeiro single.

Aí chegamos a um ponto crucial. Se for possível fazer uma análise objetiva a respeito de “Restless”, essa seria: na contramão do mau agouro, o novo single soa como New Order ou, melhor ainda, com o New Order antigo; excetuando aquele estilo de baixo agudo e melódico que arrastou fãs ardorosos até aqui, todos os outros “clichês” pelos quais a banda se tornou famosa na década de 1980 estão lá, intactos, frescos como nunca. Parece que estamos ouvindo alguma faixa perdida de Technique (1989), como “All the Way” ou “Guilty Partner”. Todavia, a impressão que “Restless” transmite nas primeiras audições é que, mesmo sendo uma típica boa canção “neworderiana”, daquelas que nos coloca um sorriso matreiro no canto do rosto, ela não soa “poderosa o bastante”, ou pelo menos não à primeira vista, para justificar sua escolha como primeiro single de um novo álbum. Em suma, “Restless” daria uma (muito) boa album track, mas nada mais do que isso. Será?

Com o tempo, você vai se dando conta que o New Order armou para cima de todo mundo uma grande pegadinha. Quando se chega ao final de “Restless”, a perplexidade diante de uma opção tão “questionável” conduz a uma praticamente irresistível nova audição. E depois outra. E mais outra. A cada nova tentativa, a faixa vai soando melhor, ao ponto de… ao ponto de… quase candidatar-se a clássico. Quanto mais se ouve “Restless”, melhor ela parece e mais se gosta dela. Se alguem na primeira tentativa chegou, inclusive, a projetar mentalmente o baixo de Peter Hook nela, como estratégia para preencher um suposto “vazio” nessa canção, que esse alguem esteja seguro de que essa necessidade praticamente desaparece com o tempo. Depois de alguns dias ouvindo de novo e de novo, já é possível achar que a escolha da banda, afinal, não teria sido tão equivocada assim. “Restless” fica na cabeça, gruda… um bom single não deveria ser assim?

Se “Restless” vai recolocar o New Order nas paradas de sucessos, isso já é outra história. Mas os ingredientes necessários estão todos ali, muito bem dosados e mixados. Pelo fato de ser aquele tipo de música que cresce aos poucos em vez de arrebatar logo de cara (como no caso de tiros de canhão como “Blue Monday”, “Bizarre Love Triangle” ou “Regret”), talvez leve mais tempo para se transformar em um hit. E depois que Music Complete sair, também saberemos se o disco oferece afinal opções melhores ou não. Se bem que isso talvez não importe mais tanto assim.

Com relação ao ótimo, porém quase indecifrável à primeira vista, vídeo correspondente, produzido pelo já citado coletivo NYSU, temos tradições preservadas: um vídeo do New Order sem o New Order e, como de costume, não convencional. Se você ainda não entendeu o que queremos dizer com “vídeo não convencional”, procure no You Tube clipes mais antigos da banda como “True Faith”, “Touched by the Hand of God”, “Fine Time”, “Run 2”, “Round and Round”, “Spooky” ou “Crystal”. No caso de “Restless”, temos uma justaposição de referências e elementos que se desenrolam a partir de um pacto de sangue entre jovens: fantasia medieval, erotismo, raves, hedonismo, traição. Em outras palavras, seu desenvolvimento narrativo e sua estética são totalmente pós-modernos – o que não é algo novo quando se trata dos vídeos promocionais do New Order.

Em suma, o New Order pós-Hook dá a impressão de estar indo bem nesse começo de divulgação do seu novo rebento porque, apesar da perda daquelas magníficas linhas de baixo, parece ter optado por não se reinventar ou não operar grandes mudanças, tanto no som quanto na sua comunicação visual, o que certamente deixará os fãs mais tranquilos e satisfeitos.

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