NEWS | Tecladista do New Order revela músicas que estarão na turnê

new_orde2Gillian Gilbert, a tecladista do New Order, tem sido bastante requisitada para entrevistas nestes poucos dias que antecedem o lançamento de Music Complete, o décimo álbum de estúdio da banda. No último dia 11 de setembro ela falou com Bill Pearis, editor do site Brooklyn Vegan. Nessa entrevista, Gillian falou de vários assuntos: de como foram escritas algumas canções do novo disco, sobre os ensaios para a turnê que começa em novembro, sua reintegração ao New Order, tecnologia musical, entre outros. Mais uma vez, nosso blog quebrou um galho e traz uma tradução para o português. Boa leitura!


Uma entrevista com Gillian Gilbert, do New Order, sobre o reingresso na banda, o novo LP, Mute Records e muito mais.
por Bill Pearis

O novo álbum do New Order – Music Complete – será lançado no dia 25 de setembro e representa uma série de “primeiros”. É o primeiro disco sem o baixista Peter Hook e o primeiro na nova gravadora, Mute Records. É também o primeiro em quatorze anos a contar com a tecladista Gillian Gibert. Casada com o baterista Stephen Morris (eles têm feito música juntos como a dupla The Other Two), Gilbert saiu da banda durante a produção de Get Ready, de 2001, para cuidar de sua filha. Quando o grupo, com excessão de Hook (que os deixou no final dos anos 2000), foi reformado para shows beneficentes em 2011, Gilbert voltou (a nova formação excursionou pela América do Norte em 2013). Seu regresso também celebra um retorno do New Order às pistas de dança, já que Music Complete é carregado de faíscas do synthpop que marcou algumas de suas canções mais amadas. Com 65 minutos, é também o seu maior álbum de estúdio até esta data.

A Mute vem mantendo Music Complete guardado a sete chaves, com exceção do primeiro single, “Restless”, mas os novaiorquinos poderão ouvi-lo antecipadamente em uma festa de audição no dia 24 de setembro, no Donna. Além de poder ouvir o álbum na íntegra, você também poderá comprar o vinil na mesma noite e haverá cocktails temáticos do New Order. Será livre para maiores de 21 anos, mas a capacidade é limitada.

Em uma pausa nos ensaios da banda na casa de campo / estúdio dela e de Morris em Cheshire, Gillian Gilbert falou sobre estar de volta ao New Order, os planos da turnê, o processo criativo da banda e muito mais.

BV: Então, o que você vem fazendo hoje? Entrevistas como esta?

GG: Não, nós estamos em casa, passamos o dia todo ensaiando no estúdio. Acabamos de terminar, então estamos enrolando agora.

BV: Como estão indo os ensaios?

GG: Estão indo muito bem! Começamos esta semana porque temos um programa de rádio ao vivo que vamos fazer para a BBC daqui há três semanas. Nós não tocamos juntos ao vivo há um ano, por isso é muito estranho aprender tudo de novo. É como “oh, meu Deus…” [risos]

BV: Não apenas reaprender as músicas antigas, mas também tentando descobrir como tocar as músicas novas ao vivo.

GG: Sim, é isso. Nós temos três favoritas que estamos tentando aprender. Está tudo saindo bem.

BV: Quais são as três músicas novas que vocês estão ensaiando?

GG: Nós estamos ensaiando “Restless”, “People on the High Line” e “Tutti Frutti”. E também “Singularity” e “Plastic”, que também estão no [novo] álbum, mas que já havíamos tocado na nossa última turnê. Mas é tudo muito novo ainda.

BV: Aos meus ouvidos, “Tutti Frutti” é o hit do álbum. Seria a minha escolha para o próximo single.

GG: É curioso… [risos] Eu acho que essa é a favorita de todo mundo. É muito irônica e engraçada.

BV: É Bernard personificando Barry White novamente, como em Technique?

GG: Ele fez seu Barry White em “Fine Time”, mas dessa vez não foi ele quem o fez em “Tutti Frutti”. Foi alguem que o Tom Rowlands conhecia de seu trabalho com o Chemical Brothers. Bernard pegou a faixa e disse “não seria bom se tivéssemos alguem falando em italiano sobre ela?”. Então Tom chamou esse cara que ele conhecia. Depois ele tocou a faixa para nós e ficou tão bom que o mantivemos na gravação. Nós não sabemos quem ele é, mas estou muito interessada em conhecê-lo.

BV: Tenho que admitir que a abertura dessa música, a linha de baixo, me lembram “Relax”, do Frankie Goes to Hollywood.

GG: Sim, eu sei. [risos] Inclusive pensamos em fazer algumas camisetas iguais às deles. Talvez tenhamos o mesmo sucesso. Que nada, a deles é imbatível.

BV: Você está de volta à banda a cerca de quatro anos. É como se você nunca tivesse saído?

GG: Não parece que foi há tanto tempo. Mas tem sido algo muito divertido, no entanto. Comparado com quando eu saí do New Order, tem um novo frescor. Todo mundo parece maduro nessa nova formação. Estamos fazendo as coisas a pequenos passos de cada vez. Quando recomeçamos, não sabia como as pessoas iriam reagir. Nós fizemos os shows beneficentes em 2011 para saber como nos sairíamos. Com a saída de Hooky realmente ficou um grande buraco. Mas tem sido muito emocionante e muito libertador. Quando nós saímos em turnê em 2013 não tínhamos  um novo álbum ou algo para promover. Foi um pouco como começar de novo. Agora temos uma gravadora… as coisas mudaram. Não era como voltar para o velho New Order. Eu achava que era hora de voltar. Eu realmente sentia falta. Eu havia feito muitas coisas, mas não classificaria como material da banda. Tem sido divertido voltar a me concentrar na música e na banda.

BV: Quando eu vi o show do Brooklyn em 2013, todos pareciam estar se divertindo mais do que quando eu vi o New Order no Hammersmith Ballroom, em 2006, que não contava com você, mas você sabe o que eu quero dizer.

GG: Eu realmente não sei muito sobre o que aconteceu com Hooky, mas assisti shows anteriores e Bernard me disse que ele não estava muito bem e que a atmosfera não era muito boa. Mas eu acho que quando você olha para nós agora pode dizer que a atmosfera na banda é bastante diferente.

BV: Outra grande mudança, eu acho, é a tecnologia, que é muito diferente, mesmo a partir de Get Ready. Presumo que tenha mudado a maneira de compor e gravar.

GG: Acho que tem muito a ver com isso [a tecnologia]. Nossos próprios pequenos estúdios têm evoluído e não precisamos mais trocá-los por um grande estúdio. Eu me lembro quando fizemos Get Ready, eu ainda estava na banda, e minha filha começava a escola em setembro. O resto da banda estava indo para o estúdio para gravar todas as partes de bateria e mais algumas coisas e eu realmente não queria ir. Mas está tudo mudado agora. Nós fizemos a maior parte deste álbum em nosso próprio estúdio, porque a tecnologia é muito melhor. Existem plug-ins e todas essas coisas. Nós fizemos um monte de coisas em casa que antes não se podia fazer. Isso lhe dá um pouco mais de liberdade para fazer algo diferente. Eu me lembro que no início do New Order, quando nós tínhamos um novo sintetizador ou um novo sequenciador, era preciso explorá-los até o limite, descobrir como funcionavam, e as canções foram criadas dessa forma. Eu acho que era um pouco desse jeito. Agora Bernard pode ir para casa, trabalhar nas letras e nos vocais e só depois trazê-las para o nosso estúdio para colocá-las sobre a música. Há muita novidade acontecendo hoje e que não existia antes no New Order. Nós costumávamos improvisar bastante. Agora podemos levar uma parte gravada para casa, pensar sobre ela, mudar os acordes e depois apresentar o que foi feito. Acho que foi com Tom Rowlands que ficamos todos juntos, trabalhando assim. Porque eu e ele nunca tínhamos trabalhado juntos antes, então foi bom ter ele por perto no início do LP. Ele compôs “Singularity” conosco e nós realmente gostamos dessa faixa. Havia também “Unlearn This Hatred”, que ele e Bernard haviam começado a trabalhar nas letras e nos vocais. Stephen e eu a levamos para casa, mudamos alguma coisa e tínhamos uma par de ideias para trilhas sonoras. Era mais interessante trabalhar nele [o novo álbum] dessa forma, todo mundo trouxe algo para ele. Todos esses pequenos bolsões de ideias que se juntavam.

BV: Vocês reformularam algumas de suas músicas antigas quando saíram em turnê em 2013.

GG: Nós não queríamos parecer retrô e apenas tocar os clássicos. Queríamos, sim, ver se poderíamos fazer algo novo. Os fãs sabem quando você está apenas regurgitando coisas. Tivemos também esses remixes que o Stuart Price fez para algumas canções antigas e nós incorporamos esses arranjos ao vivo. Deu um novo frescor tocar [ao vivo] a perspectiva de outras pessoas sobre as nossas músicas. Nós gostaríamos de fazer mais [esse tipo de coisa] quando começarmos a turnê desta vez.

BV: O arranjo de “5-8-6” que vocês tocaram no Brooklyn era de Stuart Price?

GG: Sim. E foi dele a ideia de abrir o show com “Elegia”, criando uma atmosfera muito agradável. Era um começo inesperado para o show.

BV: Há alguma música que nunca faz parte do set list do New Order e que você gostaria que entrasse?

GG: Sim, claro. Nós tentamos “Thieves Like Us” uma vez, porque eu realmente gosto dessa, mas a questão é a seguinte: Bernard tem um bocado de coisas para cantar e antigamente não era um problema para ele subir [a voz] uma oitava. Agora ele não faz mais isso, sua voz soa mais contida. Particularmente, eu adoraria revisitar Movement. Na época era algo para se deixar na prateleira, mas eu acho que ele soa muito bom hoje em dia. “Procession” eu sempre gostei. Estamos tentando arrastar um pouco mais [do material antigo] para fora [risos]

BV: Estou sempre a espera de ouvir “Dream Attack”, que encerra Technique.

GG: Ah, sim, eu adoro essa também. Nós a tocamos bastante na década de oitenta e no ínicio dos anos 90. Mas eu acho que o Bernard não gosta muito dessa música. “Ela não tem um refrão!” e eu digo “E daí?!”. Os demais membros da banda gostam dela. Vou tentar colocá-la na lista.

BV: Eu gostaria de falar um pouco mais sobre composição. Existe uma mística em torno do New Order, eu nunca estive realmente certo sobre quem compôs o que ou como. Então eu queria saber se você poderia me dar um exemplo de uma ocasião em que uma música do New Order começou com você.

GG: No comecinho, nós costumávamos improvisar um bocado. Mas, em seguida, Bernard entrou com os sequenciadores e veio com algumas linhas de baixo. Quando eu entrei eu não sabia como compor canções e foi completamente fascinante ver como os outros três improvisavam e gravavam tudo. Nós registrávamos tudo em um gravador barato de dois canais, por isso, quando você ia ouvir o resultado, o som não era puro, não era possível diferenciar os instrumentos. Era apenas um som geral que sugeria as notas musicais. Eu me lembro de ter feito a linha de baixo de “Age of Consent” – eram apenas duas notas, mas você pensa “yeah!”. Eu estava tão orgulhosa dessas duas notas. Bernard e Stephen estavam realmente nessa da tecnologia e eu costumava tocar as coisas que Bernard me pedia, porque não havia um sequenciador que pudesse tocar muitas pistas. Então eu tive que aprender a tocar com precisão, fingindo ser um sequenciador, o que foi uma façanha em si. Não há muitas pessoas que podem fazer isso.

BV: Você era o sequenciador humano e Stephen a bateria eletrônica humana.

GG: Ele realmente era assim no começo. Como a tecnologia ficou melhor, você pode fazer mais coisas, mas eu ainda acho que se você tiver uma ideia muito boa, tudo pode girar em torno de duas notas. Como, por exemplo, em “Restless”. Nós fizemos a introdução no piano e, em seguida, Phil [Cunningham, guitarrista] e Tom [Chapman, baixista, substituto de Peter Hook] fizeram o resto, completamente, em cerca de dez minutos. Apenas dissemos “vamos colocar mais um pouco aqui e ali” e, depois, mostramos para o Bernard. Ele adorou e fez os vocais. Mudamos alguma coisa, mas era um lance rápido. Nós tínhamos uma introdução para “Unlearn This Hatred”, mas não se encaixava perfeitamente. Eu sempre gosto de começar com um padrão de acordes, embora, às vezes, eles acabem por se perder e algo novo é colocado por cima.

BV: Nos anos em que esteve fora do New Order você compôs músicas que ficaram guardadas?

GG: Stephen e eu fizemos um pouco de trilhas sonoras, o que é bom porque você não está tentando escrever canções; na verdade, está tentanto agradar o diretor. Assim, você pode fingir ser outra pessoa. Nós fizemos música para um especial da série de mistério Cracker em 2006 que foi todo filmado em Manchester e era como um filme de longa metragem. Na trilha havia uma música do Kasabian. Primeiro nós tentamos copiar o riff do Kasabian, mas não era possível porque há centenas de guitarras, por isso viemos com nosso próprio pequeno pedaço de música que tinha uma sensação semelhante. Por essas coisas você trabalha muito rápido e não tem tempo para pensar. Portanto, temos todos esses “temas” que coletamos. Então, quando nós estávamos com o The Other Two nós apenas pegávamos esses temas e tentávamos transformá-los em canções. E foi assim que “Stray Dog”, que é a música em que Iggy Pop faz um trecho de letra falada, veio a ser. Ela não mudou muito a partir do tema que tinha sido feito. É bom porque lhe dá uma vibe diferente. Isso não é o tipo de coisa ao qual você normalmente chega se estivesse sentado em frente a um computador.

BV: O New Order estará em turnê em novembro – quando vocês estão planejando voltar à América do Norte?

GG: Nós não temos tudo planejado ainda, mas deve ser em algum momento de 2016. Nós queríamos fazer uma turnê antes do Natal, mas que fosse perto de casa. Nos procure no ano que vem.

BV: E, finalmente, você acha que Tony Wilson teria imaginado o New Order assinando com a Mute, que certamente foi uma gravadora rival nos anos oitenta?

GG: Eu acho que ele ia adorar. Eu acho que escolher a Mute foi um aceno para ele. Ela [a Mute] era como a Factory, só que muito bem sucedida. [risos] Eu sei que isso é algo muito feio de se dizer, mas acho que é isso que o Tony estava tentando fazer. Ele queria um selo idependente bem sucedido. Eu realmente acho que teria adorado. E nosso [ex-]empresário, Rob Gretton, teria gostado também.

Visite também nosso Instagram:
http://instagram.com/neworderbrfac553 Instagram

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s