NEWS | “Drama? Que drama?” New Order fala à Magnet

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New Order

Com uma mãozinha da turma do fórum Dry 201 Message Pub, chegamos a essa matéria/entrevista sobre o New Order e o novo álbum, Music Complete, fisgada na seção Features do site da revista Magnet (especializada em pop/rock alternativo). Na conversa com Neil Ferguson, dá para perceber o quanto a banda passa bem longe da baixaria quando o assunto é Peter Hook; o mesmo não se pode dizer de Hook quando o tema é New Order.

Quem se surpreender com a declaração de Bernard Sumner quando ele diz que gostaria que a história da banda tivesse sido menos interessante certamente não se imaginou no lugar dele e dos outros quando eventos como o suicídio de Ian Curtis, a falência da Factory Records ou os rios de dinheiro que escorreram pelos ralos da Haçienda tiveram lugar em suas vidas.

Bom, deixemos de lado a enrolação e, mais uma vez, espero que o leitor goste da humilde tradução.


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“Drama? Que drama? Não houve drama algum. Nós tivemos, sim, três anos ótimos. Passamos bem longe do drama, para ser honesto. Não é tudo perfeito sempre, o que não seria realista, mas na maior parte do tempo tem sido ótimo”.

Bernard Sumner, antigo guitarrista do Joy Division, depois líder do New Order, está se referindo a Music Complete, o primeiro álbum de material novo em dez anos. Sumner é completamente seco e calculista em suas respostas – o oposto do baterista Stephen Morris, que é espirituoso, amável e vagamente confuso -, mas torna-se animado quando Magnet tem a ousadia de sugerir que pode ter havido certo grau de drama devido à saída do baixista Peter Hook e as subsequentes e muito confusas acusações públicas que vieram à tona através da imprensa musical. Mas por agora Sumner não tem nada a declarar sobre isso e faz questão de salientar o quão relativamente indolor foi fazer o novo ábum.

O próprio fato de que Music Complete foi concluído parece nada menos que um pequeno milagre. Afinal, não faz muito tempo que Morris disse ao The Guardian que ele não via futuro para o New Order e que estaria tudo acabado. Mas então o que aconteceu? O que aconteceu foi que o ex-produtor de vídeos e ex-chefe da Factory Records nos EUA Michael Shamberg ficou gravemente doente, e a banda – reunida com a tecladista Gillian Gilbert – se juntou para um show beneficente a fim de cobrir os custos médicos de Shamberg. “E tudo correu bem”, diz Sumner. “Ninguem parecia se importar que não havia Hooky e a coisa é, se você estiver em uma banda, a próxima coisa que você faz é escrever um novo material. E foi o que nós fizemos”.

O resultado é Music Complete. De longe, ele é bem mais eletrônico que os últimos discos – uma decisão deliberada, diz Sumner, em grande parte sugestão de Gillian – e conta com a participação de nomes como Brandon Flowers (The Killers), Elly Jackson (La Roux) e Iggy Pop, que soa apropriadamente como uma espécie de pregador em um poema musicado de Sumner intitulado “Stray Dog”. Convidados à parte, ainda é quintessencialmente um álbum do New Order, com tudo o que isso implica: pop perfeito que contorna a linha tênue entre o sublime e o ridículo. Há ecos de Giorgio Moroder, Yello e Chic. Há grooves propulsores, musculares, elegantes, furtivos e sensuais (“Singularity”, “Plastic”). Há momentos de brilho transcendente (“Nothing But a Fool”, “Academic”) nos quais a banda confronta os aspectos robóticos e frios da música eletrônica com temperamentos como melancolia e generosidade romântica, algo que por muito tempo têm sido características do melhor New Order.

Às vezes há uma sensação persistente de que a banda persegue o seu próprio passado. Pode até não alcançar as alturas vertiginosas de, digamos, um Technique (álbum de 1989), mas Music Complete ainda é muito mais atraente do que qualquer um poderia ter razoavelmente esperado. Quanto aos obstinados dissidentes reclamando sobre a ausência de Peter Hook e sua patenteada teatralidade barata? Não espere muita simpatia por parte de Morris.

“Bem, não é New Order sem Gillian?”, ele pergunta. “Ninguem se importava com isso. Seria New Order sem mim? Seria New Order sem Bernard? Posso entender por que algumas pessoas se sentem assim. Sempre existe alguem que diz: ‘bem, isso é errado’. Você tem apenas que seguir em frente. Não há nenhuma resposta para isso, realmente. Quero dizer, nós poderíamos ter dito ‘oh, não há nada em vista’, o que parece idiota depois de termos passado pela perda de um vocalista e, mesmo assim, termos escolhido continuar. Simplesmente não parecia certo”.

Sumner, por sua vez, parece muito mais otimista com relação a todo ar confuso; ele não quer “apontar um dedo”, mas admite que, no estúdio, foi tudo muito menos tenso sem seu antigo baixista. “Quando Hooky ainda estava conosco, era como se houvesse ratos em uma cama”. Ele está ansioso para falar sobre o retorno de Gillian e suas contribuições. “Ela era uma influência calmante?”, diz Sumner. “Não, não, eu não diria isso. Ela é muito mais uma colaboradora”.

O que diz Morris? “Que diferença faz? Para mim significa que o chá não estava sobre a mesa quando eu voltava do trabalho para casa! [Risos] Oh, Deus, isso é uma coisa terrível de se dizer. Ela certamente vai me dar um tapa!”.

Mais do que tudo, continua sendo uma coisa maravilhosa apenas o fato de ainda termos o New Order por aí. Eles passaram por morte, drogas, bebida, a beira da falência e o colapso da gravadora – e sobreviveram com a sanidade e o senso de humor intactos. A história deles é um grande drama-comédia-tragédia, mas eles continuam imperiosos, inescrutáveis e frios, quase nortistas profissionais, com um detector de baboseiras embutido que faria os sem talento morrerem de vergonha. Em suma, quer se goste ou não, eles deveriam se tornar tesouros nacionais britânicos. Que é algo com o qual Sumner consegue viver.

“Tem sido uma estrada rochosa, isso é certo”, ele diz com considerável modéstia. “O que contribui para uma história interessante – eu gostaria que tivesse sido um pouco menos interessante, para ser honesto. Mas eu prefiro ser chamado de ‘Tesouro Nacional’ do que de merda”.

– Neil Ferguson

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