REVIEW | Show do New Order no Radio City recebe elogios do New York Times

O recente concerto de abertura da mini-turnê americana do New Order, ocorrido no Radio City Music Hall, Nova Iorque, no último dia 10 de março, mereceu atenção de um dos mais importantes jornais dos Estados Unidos: o New York Times. Jon Pareles, o mesmo jornalista e crítico musical que em 1989 escreveu o famoso artigo “New Order keeps marching on its own mystery”, citado por Peter Saville no documentário New Order Story com o equivocado título “How cold is coldness?”, assinou uma elogiosa resenha sobre o show. O título original, isto é, o que saiu na edição impressa do jornal, era “Ainda uma máquina hipnótica de emoções reprimidas”, mas houve uma ligeira alteração na sua publicação on line, que é a versão que serviu de base para a tradução que apresentamos a seguir.


NEW ORDER: AINDA UMA MÁQUINA DE EMOÇÕES REPRIMIDAS
por Jon Pareles, 11 de março de 2016

O New Order começou em 1980 em meio a crises de ordem política e pessoal, mas reagindo bem contra ambas. A banda foi formada por integrantes do Joy Division depois que, tristemente, seu vocalista e líder, Ian Curtis, cometeu suicídio. Enquanto isso, a Grã-Bretanha estava mergulhada em uma profunda depressão que trouxe desemprego e transtornos trabalhistas. Por instinto, a banda respondeu com uma música organizada, sistemática e aparentemente imperturbável, mesmo que suas letras continuassem sombrias. O New Order prosseguiu com o minimalismo punk-rock, mas deixou de lado o ruído e a dissonância para acrescentar incansáveis e flutuantes batidas programadas de baterias eletrônicas, cobertas por guitarras rock e pela dance music eletrônica, e de uma maneira que, desde então, inspiraria imitadores.

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Crédito foto: Brooklyn Vegan.

A banda fez os fãs se lembrarem de suas origens quando realizou um show com ingressos esgotados na quinta-feira (10/03) no Radio City Music Hall. Tudo começou com “Singularity”, de seu álbum de 2015, Music Complete, a primeira coleção de músicas inéditas em uma década; a canção confessa, “Para os amigos que não estão aqui… Nós derramamos nossas lágrimas”, assim como o vídeo que acompanha a performance, que exibe cidades sombrias, a agitação da juventude e a moda provocadora da era punk. Em seguida, tocaram uma música que o Joy Division escreveu antes da morte de Curtis, mas que se tornou o primeiro single do New Order: “Ceremony”. A banda encerrou o concerto – como excederam o tempo previsto, tiveram que cortar do set o final programado, que era “Blue Monday” – com a obra-prima do Joy Division, “Love Will Tear Us Apart”, enquanto o telão proclamava: “Joy Division Para Sempre”.

Entretanto, na maior parte do show o New Order esteve fora da sombra do Joy Division. A identidade que o New Order construiu para si mesmo substituiu as escuras trincheiras do Joy Division com padrões intrincados: a mistura de batidas eletrônicas com a incansável percussão ao vivo de Stephen Morris, linhas de baixo que emergem como fortes contrapontos melódicos (muitas  delas criadas por Peter Hook, que deixou o New Order em 2007; seu substituto é Tom Chapman), e uma complaexa malha de guitarras e teclados. Seu set de duas horas transitou entre guitarras oscilantes, canções com raízes punk e sons eletrônicos, mas inclinou-se mais para a pista de dança.

Mais próximo da dance music do que do rock, o New Order não oferece solos de guitarra; suas passagens instrumentais simplesmente destacam os componentes individuais do mecanismo que impulsiona as canções. Enquanto isso, os telões, os efeitos estroboscópicos e as luzes que percorreram todas as paredes e o teto do interior do Radio City também deram ao concerto uma atmosfera club.

As constantes mudanças tecnológicas na dance music e a pressão dos próprios imitadores da banda mantiveram o New Order atento. A banda atualiza continuamente o núcleo rítmico das músicas do auge de sua carreira nos anos 1980 e que representam os pontos altos de seus concertos. Em “Temptation”, por exemplo, ecoaram os violoncelos de “Street Hassle”, de Lou Reed, em sua introdução. E o grupo abraça sua própria longevidade e todos os estilos que abordou ao longo dos anos, desde o som disco de “Tutti Frutti” a uma homenagem ao Kraftwerk – tanto no telão quanto na música – em “Plastic”, também de Music Complete, uma canção cínica sobre ser famoso e artificial.

Existe uma constância no som do New Order que se torna hipnótica ou simplesmente mecânica; em alguns momentos, a afluência de imagens dos vídeos no telão estava conduzindo o show tanto quanto a música. Mas quando o grupo retorna à pulsante e dançante tríade de favoritas dos anos 1980 – “The Perfect Kiss”, “True Faith” e “Temptation” – tudo ficou em sincronia, da iluminação aos sintetizadores, além dos vocais de Bernard Sumner. Por alguns instantes, ele deixou de lado sua maneira contida de cantar para gritar sobre o paredão eletrônico, assumindo o entusiasmo que o New Order esconde tão cuidadosamente.


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