REVIEW | “Unknown Pleasures (Joy Division)”, por Chris Ott (coleção “O Livro do Disco”)

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O livro do disco: “Unknown Pleasures” para se ler.

Já que estivemos falando de livros e presentes de Dia dos Namorados, eis que na data dedicada aos casais no Brasil – o último domingo, dia 12 – minha esposa me apareceu com esse livrinho convidativo: Unknown Pleasures (Joy Division), escrito pelo jornalista Chris Ott e lançado por aqui pela editora Cobogó em sua coleção O Livro do Disco. Como hoje o seminal álbum de estreia de Ian Curtis, Bernard Sumner, Stephen Morris e Peter Hook está completando seu 37aniversário, achei que esse era um momento oportuno para apresentar aqui meu review sobre o livro.

A proposta da coleção O Livro do Disco, segundo a editora, era disponibilizar no Brasil uma série de livros dedicados a álbuns clássicos e influentes do pop nacional e internacional seguindo os moldes da 33⅓ Seriesda Bloomsbury Publishing, que foi a “inventora” da coisa toda. Todavia, enquanto o equivalente brasileiro conta com apenas 11 títulos, que vão de The Velvet Underground & NicoAs Quatro Estações da Legião Urbana, seu irmão gringo mais velho já contabiliza 115 volumes. Aliás, os itens da coleção dedicados aos discos lançados lá foram são traduções dos originais lançados pela Bloomsbury na 33⅓ . Eu até já tinha visto por aí os títulos da Cobogó, mas confesso que não me lembro de ter dado de cara com esse sobre Unknown Pleasures antes. A ficha catalográfica é de 2014, mas a primeira impressão é do ano passado.

9780826415493

O original da espécie

Confesso que fiquei um pouco decepcionado com a apresentação do livro logo de cara. Enquanto os títulos da 33⅓ trazem, sem excessão, a capa do álbum estampada na própria capa do volume, a Cobogó, certamente por questões de direitos de reprodução, optou por um layout que, embora seja bonito e contenha as cores da arte original do LP, é um desastre sob outros aspectos: uma figura abstrata, formada por círculos concêntricos, que possivelmente remete à imagem de um disco de vinil, mas que se destaca de maneira quase imponente, enquanto que, sob ela, de modo bem menos chamativo (como se nem tivesse tanta importância assim), temos o nome da coleção, o título do álbum, o artista e o nome do autor.

Também senti um cheiro forte de cliché quando Ott, crítico musical e ex-colaborador do site (ou seria melhor chamar aquilo de “antro dos malas sem alça”?) Pitchfork, escreveu o seguinte no “Prefácio” redigido  (intencionalmente?) em um dia 18 de maio: “Hoje faz 23 anos que – aos 23 anos – Ian Curtis cometeu suicídio”. Para mim, não podia ser pior. E continua: “Sua voz singular alçou as canções angustiantes do Joy Division…”. Não foi um bom começo, para ser sincero. Só faltou o autor dizer que estava ouvindo “Atmosphere” naquele exato momento em que ele escrevia essas “melosidades”.

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Meu exemplar do dito cujo

Felizmente, tudo muda do primeiro capítulo em diante. Trata-se de um livro bem escrito e baseado em fontes seguras – isso é o mínimo, aliás, que se espera de um bom jornalista. E faço questão de colocar isso em destaque porque estou cansado de ler matérias por aí cheias de informações incorretas. O mais curioso é que Unknown Pleasures (Joy Division) nos entrega mais do que promete – o livro vai muito além do primeiro disco da banda. Tanto que, num total de 110 páginas, Ott só começa a falar realmente do Unknown Pleasures a partir da página 63. O que o leitor que o comprar terá nas mãos é, talvez, a melhor história condensada já escrita do Joy Division. Estou falando algo que está anos-luz à frente do constrangedor (impublicável, aliás) Joy Division / New Order: Nada É Mera Coincidência, de Helena Uehara (editora Landy, 2006, 114 páginas). Está tudo lá: do primeiro show dos Sex Pistols em Manchester (04 de junho de 1976) à trágica morte de Ian Curtis e o lançamento póstumo de Closer (1980), que hoje em dia prefiro a Unknown Pleasures.

Curiosamente, o livro de Chris Ott é uma versão expandida de um artigo que ele havia publicado no Pitchfork, chamado “An ideal for listening” e que havia sido desavergonhadamente republicado (com outro título) no site World In Motion, de David Sultan (um famoso “especulador” no mercado de raridades do New Order e do Joy Division e que atualmente tem sido uma espécie de “mecenas” do baixista Peter Hook). Ott não se queixou da “apropriação indébita” (o próprio deixa isso claro no livro). Mas isso não é bonito. Nos anos 1990, quando eu tinha uma página pessoal sobre o New Order chamada Technique Page, tive a minha “história condensada” da banda (naquela época ainda com informações incorretas ou equivocadas, reconheço) descaradamente copiada e colada no site de uma emissora de rádio – sem que os devidos créditos me fossem dados, é claro.

Para concluir, voltemos ao livro: se você quer uma boa (e confiável) biografia de bolso sobre o Joy Division, essa parece ser a melhor opção. Naturalmente, não substitui a leitura de outros títulos mais volumosos e escritos por quem viveu aquela história diretamente (Peter Hook, Bernard Sumner, Deborah Curtis), mas funciona bem como “passe de entrada”.

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