NEWS | Stephen Morris fala ao The Irish Times sobre ação judicial e a “caixa definitiva” do New Order

560b6-new-order-left-to-right-g-007Por ser uma das atrações do festival Electric Picnic, na Irlanda, o site do jornal The Irish Times publicou, no último dia 27, uma matéria sobre o New Order acompanhada de entrevista feita com o baterista Stephen Morris. Nela, Morris fala sobre a ação que o ex-baixista Peter Hook moveu contra eles nos tribunais e, também, sobre um futuro box set do New Order que promete ser “o definitivo”. O blog traz a seguir a tradução da matéria/entrevista, assinada por Shilta Ganapra.


NEW ORDER: ESQUEÇA AS BRIGAS, TOQUE A MÚSICA.
Separações e processos judiciais à parte, o New Order vem tocando e gravando novamente – e vem ao Electric Picnic.

por Shilta Ganapra

Dado o seu passado, não é surpresa alguma o fato da história recente do New Order ter sido agitada. Os pioneiros do electro alternativo voltam ao Electric Picnic no próximo final de semana. Os dez anos desde a última vez em que tocaram no festival foram definidos por um hiato e, também, por membros que deixaram a banda, por integrantes que retornaram, por processos judiciais e, em setembro do ano passado, por um retorno à boa forma com o seu décimo álbum de estúdio, Music Complete.

O sucesso do disco foi estrategicamente importante. Ele desviou a atenção para longe das disputas legais e de volta para a música enquanto forjava um impressionante equilíbrio entre a busca por novos caminhos e o retorno à sua velha assinatura – hinos para as pistas de dança (para o deleite de fãs em várias partes do mundo).

“O que facilitou nosso caminho de volta à composição foi o fato de termos voltado a tocar ao vivo. E aí percebemos que o material mais dançante era o que mais se destacava”, diz Stephen Morris, baterista do New Order, explicando porque a banda optou por jogar com seus pontos fortes. “Nós pensamos, ‘será que não cairia bem ter um par de músicas novas no set list?’ Então começamos a compor algo novo para tocar nos shows em vez de ir para o estúdio sem ideias e esperamos sair com um álbum em algum momento no futuro.

“Começamos com ‘Singularity’, que fizemos com Tom Rowlands do Chemical Brothers, que também colaborou com a produção”, diz ele. “Então nós fizemos ‘Plastic’ e uma vez que você você tem duas ou três músicas novas era melhor então deixar de se preocupar tanto com os shows e passar a se concentrar mais na preparação de um disco. E a recepção [do álbum] tem sido fantástica”.

O único problema com os elogios é que muitos deles foram indiretos quando vistos à luz das comparações com os dois álbum anteriores da banda, Get Ready e Waiting for the Sirens’ Call. Gravados sem Gillian Gilbert [N.T.: o jornalista se equivocou, pois Get Ready foi gravado com Gillian ainda na banda], a esposa de Morris, esses discos soaram mais indie que o habitual, como demonstram os singles “Crystal” e “Krafty”. Com o benefício da retrospectiva, o que Morris acha da produção do New Order do começo dos anos 2000?

Ele fica indisfarçavelmente em cima do muro.

“Quando se olha para trás não dá para ser objetivo sobre o passado, porque sua opinião é sempre colorida pela sua experiência”, diz Morris. “O disco Waiting for the Sirens’ Call foi como uma maratona. Tínhamos muitas músicas e sabíamos que elas eram boas, mas nós não conseguíamos enxergar o produto final. Get Ready foi o oposto: sabíamos onde queríamos ir, mas não sabíamos como chegar lá.

“Além disso, Get Ready foi o último álbum no qual saímos para gravá-lo”, acrescenta. “Até aquele ponto nós fazíamos alguma coisa em casa e, em seguida, quando queríamos levar o trabalho a sério não havia outro modo de fazê-lo senão gastar uma fábula de dinheiro para alugar um bom estúdio de gravação e permanecer nele pelo tempo que fosse necessário.

“Eu acho que ambos os discos têm boas canções, mas não consigo ouvi-los do mesmo jeito como as outras pessoas os ouvem”.

O mesmo raciocíno se aplica, diz ele, de volta ao final da década de 1970, quando ele começou a tocar bateria com Ian Curtis, Bernard Sumner e Peter Hook na sombria Macclesfield, no norte da Inglaterra. Após quatro anos de shows ao vivo, o Joy Division começou a fazer gravações com o produtor Martin Hannett, que foi responsável tanto por Closer quanto por Unknown Pleasures, e, possivelmente, por aquele som inimitável. “Nós tínhamos uma ideia de como tudo soava em nossas cabeças, que era como soava ao vivo, ou seja, cru e agressivo. Mas Martin pôs para fora outra coisa. Foi um choque. Com Unknown Pleasures todos ficamos – qual é a palavra? – ‘decepcionados’  com o resultado final. Nós ficamos tipo ‘você arruinou as nossas músicas!’”.

O tema Joy Division é agridoce, principalmente por causa da morte prematura de Curtis, em 1980, e agora também por causa da traumática saída de Hook, que está chamando o reformado grupo – completado por Tom Chapman, seu substituto no baixo, e pelo guitarrista Phil Cunningham – de “banda de tributo ao New Order”.

“É tudo muito triste, sabe?”, diz Morris. “Mas Peter parece feliz com o que está fazendo, que é tocar as músicas do New Order e do Joy Division, e isso é bom. E nós estamos seguindo em frente do nosso jeito, o que também é bom”. Mas por estar processando o que resta do New Order por questões envolvendo royalties, Hook não parece tão feliz assim com o que os ex-colegas estão fazendo. “Me parece realmente que não. Nós resolveremos isso de uma maneira ou de outra, mas uma ação judicial é um jeito caro de fazê-lo. Uma das partes vai à falência primeiro”. Morris torce para que não seja o New Order. “Enquanto o taxímetro roda, quem sai ganhando com isso são os advogados, o que é lamentável”.

Sem meios-termos no rompimento de suas relações com os demais, Hook está pondo mais lenha na fogueira com o lançamento de Substance: Inside New Order, seu livro de memórias. O que Morris acha disso?

“Você vai ter que esperar o lançamento do meu livro! Só que eu não vou escrever sobre o Joy Division ou o New Order, já existem muitos livros por aí”, diz ele, enfático. “Eu vivi isso, o que é o suficiente. Eu tentei ler o livro do Bernard, assim como o da Debbie Curtis e o da Lindsay Reade. Há um monte deles. Isso me deixa um pouco irritado. É apenas o ponto de vista de uma pessoa. E quando você escreve uma autobiografia é comum promover-se como um herói – a não ser que você seja brutalmente honesto”.

Enquanto Peter Hook se ocupa com o livro e com seu empreendimento atual, Peter Hook & The Light, o New Order frequenta os festivais de verão. Após o Electric Picnic e, na semana que vem, o Lollapalooza Berlim, seu foco se voltará para um longo e complicado projeto: uma caixa definitiva do New Order. Ela ficou em banho-maria durante anos – o que é compreensível dada a dificuldade de se representar 36 anos de uma música seminal e consistentemente relevante. “É a coisa mais difícil do mundo. Todo mundo tem um grande box set, mas quando se trata do nosso sempre parece que nunca o fazemos direito”, diz Morris. “E eu acho que não se deve fazer nada que não seja pelo menos 99%”.

Peter Hook estará envolvido nesse projeto?

“Peter está em contato com a gravadora, então suponho que nesse aspecto ele está envolvido. Temos que concordar com tudo. Então eu acho que nós apenas temos que enviar uma lista de coisas para ele… e, em seguida, discutir sobre ela depois”.

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