REVIEW | New Order em álbum beneficente: “Stand as One: Glastonbury Live 2016”

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Stand as One: iniciativa da Oxfam.

Em agosto deste ano, o New Order voltou a Worthy Farm, em Pilton (Inglaterra), para o que veio a ser sua quarta participação no tradicional Festival de Glastonbury, um dos maiores da Europa. A banda foi uma das principais atrações do Other Stage, por onde também passaram (não necessariamente nos mesmos dias) outros nomes de peso da cena alternativa, como James, Editors, Disclosure, CHVRCHES e LCD Soundsystem. Mas, no exato momento em que o New Order se apresentava, o outro palco, chamado Pyramid, recebia uma das maiores vozes do pop britânico na atualidade: ninguem menos que Adele. Todavia, para os veteranos de Manchester e seus fãs, foi como se a cantora-celebridade e seu público nem estivessem em Worthy Farm. Como em 2014 no Lollapalooza, em São Paulo, quando a plateia teve que escolher entre os representantes da velha guarda indie e um Arcade Fire no auge da popularidade, o New Order fez (de novo) um show digno de sua história e importância para uma audiência que sabia bem o que (ou melhor, quem) queria ver. 

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O show do New Order chegou a ficar um tempo no You Tube – e quem viu, curtiu. Quem não viu, restam agora dois consolos: de um lado, os incontáveis vídeos amadores feitos por quem esteve lá e que ainda estão disponíveis por aí; de outro, um “reles” registro oficial em áudio cedido pela própria banda para um recém-lançado CD beneficente da Oxfam (organização criada em 1942 para dar ajuda humanitária aos povos oriundos de países prejudicados por conflitos). Dedicado à memória de Jo Cox, ativista britânica e integrante do Partido Trabalhista inglês assassinada em junho, e com o propósito de arrecadar fundos para os projetos da Oxfam de auxílio a refugiados, Stand as One: Glastonbury Live 2016 (Parlophone) traz 16 contribuições de artistas que se apresentaram no festival este ano (a versão em MP3 para download contém três faixas a mais).

O New Order colaborou com uma excelente versão ao vivo de um de seus maiores sucessos: “Bizarre Love Triangle”. Presente em todos os set lists da banda, esse clássico de 1986, famoso pelos diversos remixes e reinterpretações que ganhou ao longo dos anos, aqui aparece com a sua mais recente roupagem: um arranjo novo, produzido a partir de um remix feito por Richard X. De tempos em tempos, o New Order atualiza alguns itens de seu catálogo para as apresentações ao vivo. Foi assim com “5-8-6” (que não foi tocada na última edição do Glastonbury), “True Faith” e “Waiting for the Sirens’ Call”. Se não fosse por esse “detalhe”, corria o risco do New Order soar como uma banda cover de si mesmo. Ainda assim, há quem não goste e que preferiria ouvi-los tocar as suas músicas exatamente do jeito como elas são em estúdio.

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Vale a pena conferir a excelente versão ao vivo de “Bizarre Love Triangle” em Stand as One

Esse é o caso, por exemplo, do Editors, que ofereceu para Stand as One uma versão da ótima “Munich” do jeitinho como ela é no álbum de estreia da banda britânica (a faixa só está disponível na versão download). Mas sendo esse um de seus melhores singles, a escolha pode ser considerada acertada. Tão certa, aliás, quanto a inclusão de uma “versão de arena” bem poderosa de “Starlight”, do power trio Muse (com direito a plateia cantando junto a plenos pulmões). Ao lado deles na categoria “auge da carreira”, temos o Coldplay, outra atração do Pyramid Stage, com “Birds”, cuja guitarra soa como The Edge (U2). Da turma que está em ascenção, destaque para as contribuições dos Foals (“What Went Down”) e CHVRCHES (“Bury It”). Todavia, esqueçam a bobagem pretensiosa e chata chamada “Saeglópur”, a cortesia dos islandeses do Sigur Rós. Façam o mesmo com “Eyes Shut” (Years & Years) e “Right Here” (Jess Glyne).

No disco, a ausência sentida foi justamente a da atração mais badalada do festival este ano, Adele. Não há uma faixa sequer de seu show em Stand as One. Será que ela não foi chamada a contribuir? Teria havido problemas com o licenciamento de suas músicas? Ou foi algo a ver com posições políticas? Enfim, não se sabe. O fato é que a inclusão de algum título do seu set list certamente valorizaria mais o disco do que as contribuições de artistas sem grande público em termos internacionais como John Grant, Laura Mvula e Baaba Maal (com todo respeito a eles e seus fãs). Por outro lado, fico feliz em ver o New Order dando uma força nessa questão que, além de importante, está na ordem do dia. E para quem justamente está mais interessado nas questões humanitárias que mobilizaram o projeto Stand as One do que nas músicas, vale a pena mencionar o convidativo preço do CD: £ 9,99 (sem as despesas de envio). O disco pode ser encomendado AQUI.

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