REVIEW | New Order, ao vivo no Teatro Caupolicán (Chile, 09.01.2019)

img_8213Após a rocambolesca história envolvendo problemas no translado de seu equipamento da Cidade do México até Santiago, eis que o New Order finalmente cumpriu, há exatamente uma semana, a promessa de repor o show cancelado no Chile em novembro do ano passado. De quebra, a banda ainda conseguiu encaixar na sequência uma data em Miami para viabilizar o retorno ao Novo Continente.

Mas o assunto aqui é o concerto em Santiago e, mais uma vez, a banda foi recebida pelos chilenos sobre o palco do Teatro Caupolicán, ex-Teatro Monumental. Com capacidade para 4.500 pessoas, o Caupolicán foi fundado em 1939 e desde o começo foi idealizado para abrigar importantes apresentações artísticas – e até mesmo desportivas. Já acolheu artistas muito distintos como Iron Maiden, Air Supply, Peter Frampton, NOFX, Duran Duran, Simply Red, The Prodigy e, é claro, New Order. Mas o estado bastante envelhecido de suas instalações contrasta com a beleza das fotos de divulgação postadas em seu site oficial…

Apesar do prazo para venda de ingressos ter sido estendido em função do adiamento do show, o New Order regressou ao Caupolicán sem que todas as entradas tivessem sido vendidas, o que não quer dizer que a banda tocou para um tatro vazio. Muito pelo contrário, aliás. Se não foi um concerto sold out, certamente chegaram bem perto disso. Todavia, os chilenos parecem gostar de chegar bem em cima da hora porque, em um piscar de olhos, o lugar passou de vazio a abarrotado poucos instantes antes do grupo pisar no palco. 

Com relação ao show, o New Order fez a espera valer a pena e apresentou ao público uma performance daquelas dificeis de se colocar defeito. Gillian Gilbert até tocou uma nota errada no solo de teclado de “Age of Consent” e Bernard Sumner foi Bernard Sumner ao substituir um verso de “Ceremony” por uma “bronca cantada” para o pessoal da iluminação (ele trocou “travel first and lean towards this time” por “turn the fucking light off quickly”), mas isso foi tudo em meio ao que poderíamos chamar de “falhas”. De resto, foi um show redondinho.

Apesar da reclamação de “Barney” sobre a luz, o set de iluminação e os vídeos exibidos nos telões de led de alta definição mostraram o quanto a banda conseguiu se desenvolver em termos de efeitos visuais, uma vez que antes da saída do baixista Peter Hook (em 2007) esse era um aspecto pouco valorizado pelo New Order. Se o vocalista não parecia tão contente assim com um foco de luz direto no seu rosto em “Ceremony”, por outro lado não escondia uma alegria genuína por estar ali diante daquela plateia. Nem ele, nem o guitarrista/tecladista Phil Cunnigham e o baixista atual, Tom Chapman. Os chilenos não puseram o Caupolicán abaixo de tanto pular e cantar por milagre, o que deixou o grupo muito descontraído e à vontade (é claro que não poderíamos chegar a essa conclusão se olhássemos apenas para uma estatuesca Gillian Gilbert, ou para um Stephen Morris quase que totalmente encoberto por sua bateria).

O som estava perfeito da primeira à última música, com os instrumentos soando equilbrados e muito bem separados uns dos outros; o set list foi acertado porque conseguiu balancear hits (apenas “Regret” ficou de fora), músicas mais recentes (foram cinco faixas do disco Music Complete, de 2015), favoritas dos fãs (como “Sub-Culture” e “Vanishing Point”), canções do Joy Division (no bis) e até uma surpresa (“World”, cuja última vez que havia sido tocada foi no Brasil, em 2014), tudo em duas horas e meia de show. Somando todos esses acertos, a apresentação beirou a perfeição.

Com o show encerrado e o Caupolicán ficando vazio, eu e um colega de New Order Brasil encontramos o Andy Robinson, um dos managers da banda, no curralzinho lá no fundo da pista onde ficam o engenheiro de som e chefe da iluminação. Eu disse a ele: “Andy, dentre os shows do New Order que eu tive a oportunidade de assistir, esse foi um dos melhores”. E ele respondeu: “Mas isso foi graças a vocês [o público]”.

Quanta modéstia!

SET LIST:
Singularity
Ceremony
Age of Consent
Crystal
Academic
Your Silent Face
Tutti Frutti
Sub-Culture
Bizarre Love Triangle
Vanishing Point
World (The Price of Love)
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Blue Monday
Temptation
Atmosphere (Joy Division – encore)
Decades (Joy Division – encore)
Love Will Tear Us Apart (Joy Division – encore)

P.S.: Sob a mesa controladora do chefe da iluminação havia um set list… Eu o puxei e perguntei se poderia ficar com ele. A resposta foi “sim”. De volta ao hotel, descobri que era o set list do show de Buenos Aires no ano passado! O que estava fazendo ali (já que o repertório em Santiago teve pequenas mudanças), sinceramente não sei…

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