REVIEW | 1981-82 Singles Re-issue

assetQuando o New Order anunciou, ainda no ano passado, que relançaria em 2019 seu álbum de estreia – Movement – em uma luxuosa caixa contendo um LP, dois CDs, um DVD e um livro, a banda aproveitou a oportunidade para comunicar aos fãs que os singles de 12″ originalmente editados no mesmo período (1981-1982) também seriam relançados em vinis de 180 gramas e com áudio remasterizado. Esses singles, de acordo com o grupo, sairiam aos poucos algumas semanas antes de Movement: Definitive Edition ir para as lojas. Os relançamentos em questão eram: as duas gravações de “Ceremony” (cada uma em um vinil), “Everything’s Gone Green” e “Temptation”.

Assim como a edição encaixotada do Movement, sobre a qual este blog já resenhou, os quatro singles em questão já estão na mão. E o papel do FAC 553 agora é trazer aos fãs lusófonos do New Order nossas impressões sobre eles. Então vamos lá…

Comecemos pelos dois 12″ de “Ceremony”. Um deles (o de capa verde) contém uma primeira versão gravada pelo New Order nos estúdios Eastern Artists Recordings, Nova Jersey, em 1980, durante a primeira excursão do grupo (ainda um trio na ocasião) pelos EUA (ou mais especificamente por uma pequena parte da Costa Leste). Durante a mesma sessão de estúdio, a banda gravaria também “In a Lonely Place”, que entraria no Lado B. Ambas canções foram escritas pouco antes de Ian Curtis por fim à sua vida e encerrar o capítulo Joy Division, de maneira que as duas foram as primeiras faixas a fazerem parte do repertório do New Order. Um mix alternativo (e inédito) dessa gravação de “Ceremony” foi incluído no CD de extras de Movement: Definitive Edition. Originalmente, esse single tinha sido programado para ser lançado em janeiro de 1981, mas a verdade é que ele terminou só saindo em março. A segunda versão da música, agora com Gillian Gilbert incorporada à banda, foi lançada em setembro de 1981 e trazia uma capa diferente, com fundo cor de “creme” e uma faixa vertical azul. Seu lado B também traz “In a Lonely Place”, mas é a mesma gravação lançada em março de 81. Os dois re-issues são bem fieis aos originais – ou quase. A capa da “versão 2”, como vocês poderão perceber, foi grosseiramente modificada.

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Não foi a primeira vez que a Warner tirou uma “licença poética” e modificou o projeto gráfico de um disco do New Order por ocasião de um relançamento. Em 2009, quando os cinco primeiros LP’s de estúdio foram relançados, as capas de Power, Corruption and Lies (1983), Low Life (1985) e Brotherhood (1986) sofreram alterações – ou, melhor dizendo, foram barateadas. Infelizmente, isso deverá acontecer novamente em relançamentos vindouros. Uma fonte segura do blog creditada como “colaborador” em Movement: Definitive Edition (e cuja identidade manteremos em sigilo) já nos adiantou isso. Naturalmente, nada até agora se compara ao absurdo cometido em + / – Singles 1978-1980, caixa de vinis de 7″ do Joy Division lançada em 2010 com um formato mais ou menos no modelo da Singles Box dos Smiths, só que com fotos das artes originais impressas sobre capas de fundo branco em vez de réplicas perfeitas das capinhas oficiais!

Melhor “sorte” tiveram as reedições de “Everything’s Gone Green” e “Temptation”, cujas capas permanecem fidedignas às das versões originais lançadas, respectivamente, em 1981 e 1982. Essas duas canções merecem um parênteses. Lançadas após Movement, elas representam as primeiras tentativas de aproximação com os ritmos dance eletrônicos. Comparadas com o que vieram a fazer depois, como o arrasa-quarteirão “Blue Monday”, são faixas que soavam tão aventureiras quanto, digamos assim, rudes. Em suas atuais versões remasterizadas, soam agora mais polidas, o que sob certa perspectiva pode ser considerado uma “perda” frente ao valor histórico das mixagens outrora incluídas nas primeiras fitas master. Mas isso, na verdade, é uma questão de gosto – ou de opinião. Da parte deste que escreve o presente review, a melhor gravação de “Everything’s Gone Green” ainda é aquela do vinil brasileiro de Substance (1987). Mas como se chama isso mesmo? Memória afetiva, certo?

Não teria feito mal algum se esses relançamentos tivessem seguido uma tendência atual do mercado: a inclusão, em cada vinil, de um passe para baixar versões digitais dessas gravações, uma vez que não há sinais de que esses singles ganhem eventuais contra-partes em CD. Mas, de um modo geral, os fãs não têm mais do que reclamar. Finalmente o catálogo do New Order vem recebendo um tratamento digno da enorme influência que lhe é creditada. Completists certamente jamais deixarão de lado sua obsessão de reunir todas as variações possíveis desses singles, mas se não for esse o seu caso você já não precisará mais recorrer ao eBay para obter cópias de segunda mão.

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