NEWS | Banda de fãs russos do New Order lança CD produzido por Stephen Hague

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Celeste, oálbum de estreia do Joi Noir. Foto: reprodução.

Coisas do mundo das redes sociais… Um belo dia uma banda de nome pitoresco chamado Joi Noir passou a seguir o perfil do blog New Order BR FAC533 no Instagram (@neworderbrfac533). Além de curtir os posts, o perfil do Joi Noir (@joinoir) passou a deixar comentários divulgando seu álbum de estreia, intitulado Celeste, e sempre fazendo questão de frisar que o disco foi produzido por Stephen Hague, que tem em seu currículo o próprio New Order. A partir daí, passei a prestar mais a atenção nas postagens da banda, feitas em sua totalidade pela vocalista Olga Gallo (que parece ser também a “cara pública” do Joi Noir). Algumas delas trazem fotos de seus integrantes posando ao lado de alguns de nossos heróis aqui do blog, como Bernard Sumner e Peter Hook, com direito a discos autografados pelos mesmos, o que demonstra que a turma do Joi Noir também é bastante ligada na Nova Ordem. Os vídeos publicados no Instagram não desmentem essa impressão: é possível notar sem muito esforço ecos do Joy Division e do New Order no som deles. Em poucos dias a troca de comentários e de mensagens via direct se transformou em um hábito. E ontem o carteiro deixou na minha caixa de correio uma cópia em CD autografada (com dedicatória!) de Celeste. Nada mais justo do que dar a eles um pequeno espaço aqui no blog.

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Olga e Igor com Bernard Sumner, Peter Hook e seus discos autografados. Foto: reprodução (Instagram)

A história do Joi Noir, do seu nascimento até o lançamento do primeiro disco, merece destaque. Seus integrantes são russos, mas a banda foi formada na República do Congo (!!!) em 2014, mais precisamente em Pointe-Noire. O nome do grupo não apenas se baseou em sua localidade de origem, mas também nas iniciais dos nomes de seus membros fundadores: o baterista Jack Kuznetsov (o “J”), a vocalista Olga Gallo (de onde saiu a letra “O”) e o guitarrista Igor Plotnikov (que forneceu o “I”). Do Congo a banda se mudou para Kuala Lumpur, na Malásia, onde Jack acabou deixando a banda, sendo então substituído por um baterista malasiano chamado Mie Apache. Foi em Lumpur que essa formação começou a trabalhar nas gravações demo do material que mais tarde faria parte de Celeste. O grupo utilizou a Malásia como base durante um tour pelo Sudeste Asiático e pelo Japão até que em 2017 Olga e Igor se mudaram para Barcelona (onde estão instalados até hoje) e se converteram no núcleo permanente da banda. Nessa época, as demos do Joi Noir caíram nas mãos de Stephen Hague, que gostou do som, amou a voz de Olga Gallo, e decidiu dar uma força para a dupla aceitando co-produzir seu álbum de estreia. Olga e Igor se transladaram para Hastings, na Grã Bretanha, onde fizeram as gravações de Celeste acrescidos de músicos britânicos e do próprio Hague, que tocou baixo e teclado em algumas faixas. A formação que tocou no CD, com exceção do produtor, teve também uma breve existência sobre os palcos.

Lançado no dia 20 de setembro deste ano pela Galago Records nos formatos streaming, LP (vinil branco, edição limitada) e CD, Celeste é um disco com credenciais para agradar não apenas fãs do New Order, mas também todos os amantes de estilos como o pós-punk e a new wave. O som do Joi Noire transita por influências facilmente identificáveis de New Order, Siouxsie & The Banshees, Pretenders e Pixies. Ainda que sejam uma banda de rock alternativo, várias faixas do álbum poderiam circular tranquilamente pelas FMs da vida. Esse é o caso, por exemplo, de “Wild Way Hope”, que é também o single de estreia de Celeste.  “Loved You Now” é outra que cairia muito bem no rádio. Mas os grandes destaques do CD, na minha humilde opinião, são “Crashers” (quiçá a melhor canção do disco), “Excited” (com uma introdução que lembra “A Means to an End” do Joy Division), “Amber” e “Sample and Hold” (ambas verdadeiras cápsulas do tempo que nos levam de volta aos anos 1980). Em suma, não é um disco difícil de se gostar e ele cresce a cada nova audição. Para fins de comparação, pode-se dizer que o Joi Noir é aquilo que o She Wants Revenge tentou ser e não conseguiu, além de se juntar a esforços louváveis de revitalização do pop com ares oitentistas de bandas como White Lies e Editors.

E não podemos nos esquecer da “cereja do bolo”! As fotos usadas na capa do disco (desenhada pelo artista gráfico Andrew Vella) foram feitas por Andy Earl, renomado fotógrafo que já clicou Johnny Cash, Duran Duran, Spandau Ballet, Gary Numan, Eurythmics, Simple Minds, Mike Oldfield, Robert Plant, The Cranberries, Pet Shop Boys, Simply Red e muitos outros!

Pessoalmente falando, o maior ganho que eu tive com Celeste foi encurtar o contato com pessoas que, como eu, compartilham o amor pelo New Order – e que declararam esse amor em um disco produzido por um cara que deu uma mãozinha em clássicos como “True Faith” e “Regret”. Considerando os itinerários seguidos por Olga e Igor – da fria Rússia à ensolarada Barcelona, passando por África e Ásia – esse encontro propiciado pelas redes sociais é um exemplo das voltas que o mundo dá.

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Minha cópia autografada de Celeste. Love is hope!

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