REVIEW | New Order ao vivo no MIF/2017 (live streaming)

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Foto: reprodução (instagram.com/neworderofficial)

A quarentena decorrente da pandemia do novo coronavírus gerou uma espécie de “surto secundário”: a explosão de uma gama de atrações liberadas na internet por meio das lives e dos streamings. E no meio de tanto conteúdo disponibilizado de hora em hora para públicos de todos os perfis e preferências, os fãs do New Order não foram esquecidos. Ao longo desta semana a banda anunciou em suas redes sociais que hoje, às 19:30 do horário britânico (15:30 aqui no Brasil), um show do grupo seria exibido via streaming no You Tube.

O concerto em questão era uma das cinco noites da “residência” que a banda fez nos antigos estúdios da emissora de televisão Granada durante a edição de 2017 do Manchester International Festival, um evento que, aliás, os homenageou naquele ano. Os shows dessa curta temporada diferiam daqueles de uma turnê “regular” do New Order: eles subiram ao palco com uma “orquestra de sintetizadores” formada por doze jovens tecladistas estudantes da Royal Northern College of Music regidos pelo maestro Joe Duddell e com projeções e efeitos de iluminação criados pelo artista visual Liam Gillick. Esse ambicioso projeto gerou dois produtos: um documentário sobre a produção, intitulado Decades (exclusivo do canal SKY Arts UK), e um belíssimo disco ao vivo.

Muitos fãs ficaram animados com a possibilidade de ver (e não apenas ouvir) um desses shows na íntegra. Mas a expectativa se transformou em leve frustração quando, na verdade, o canal do MIF exibiu uma versão incompleta do concerto que já estava hospedada no You Tube desde 2017. Aliás, o vídeo em questão ainda estava disponível no canal até poucos instantes antes de sua reexibição no live streaming. Além de começar com uma entrevista com Liam Gillick, o show teve toda a sequência inicial e a encore cortados. Ao todo, tivemos o vislumbre de apenas seis músicas: “Shellshock”, “Guilt is a Useless Emotion”, “Sub-Culture”, “Bizarre Love Triangle”, “Vanishing Point” e “Plastic”. Se não era o que muita gente esperava, foi no mínimo divertido ver os comentários dos internautas, que variavam entre a indignação e perguntas sobre se aquele show estava “acontecendo ao vivo de verdade” (sim, muita gente realmente achou que o New Order mandou às favas o lockdown e fez um show aberto ao público, vê se pode…).

Controvérsias à parte, quem não havia visto esse vídeo antes pôde conferir uma apresentação muito diferente e original em pelo menos três aspectos. Em primeiro lugar, todas as partes que nas versões originais (ou mesmo nos shows habituais) eram “tocadas” por máquinas (sequencers, baterias eletrônicas e samplers) foram executadas ao vivo (isto é, manualmente) pelo reforço dos doze tecladistas. Em segundo, o palco continha uma grande estrutura ao fundo que abrigava os músicos da “orquestra” e sobre a qual Gillick projetava formas geométricas em movimento e que aludiam o estilo minimalista que sempre caracterizou a comunicação visual do grupo. E para arrematar: o repertório consistia basicamente em canções menos conhecidas, lados B ou temas que não eram tocados ao vivo há muitos anos.

Na opinião deste que escreve, o vídeo editado pelos produtores do evento até que consegue satisfazer a curiosidade de quem não sabia exatamente do que se tratava – ou que sabia mas nunca tinha visto. É claro que aqueles que não estavam tão a par assim da proposta enviaram centenas de mensagens perguntando por “Blue Monday” ou “Regret”. De qualquer modo, a breve amostra de 37 minutos infelizmente deixou aquele famoso gosto de quero mais na nossa boca, apesar de que algumas tomadas, certos ângulos e a edição de imagens tenham deixado a desejar. Certamente, o material exibido hoje está longe de ser digno de um lançamento em DVD ou BluRay. Um consolo pelo menos para quem achou que o streaming de hoje era “só mais do mesmo”: duas lives, uma durante e outra depois da exibição. Na primeira o guitarrista/tecladista Phil Cunningham e o baixista Tom Chapman respondiam pelo Twitter perguntas de fãs sobre o show; na segunda, Liam Gillick, Peter Saville (ex-designer das capas dos discos do New Order) e o DJ Dave Haslam bateram um papo entre si e com os internautas. Menos mal.

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REVIEW | Unsealing “Electronic” (Parlophone 1994 Vinyl Re-issue) + unboxing “Use Hearing Protection”

Já faz um tempinho que alguns leitores fiéis deste blog (sim, eles existem!) vêm me cobrando novos posts e atualizações e peço desculpas a eles por escrever tão pouco de uns tempos para cá, mas a verdade é que depois que um filho passa a fazer parte da nossa rotina aquele tempo “livre” que nós temos de quando em vez (ou seja, aquele tempo que nos resta quando não estamos trabalhando) vem sendo usado de maneira bem diferente. Por isso, resolvi publicar este post “dois em um” sobre as últimas aquisições para a minha coleção: a caixa Use Hearing Protection: Factory Records 1978-1980 (lançada no final do ano passado) e o relançamento em vinil do homônimo disco de estreia do Electronic, o extinto projeto paralelo de Bernard Sumner em parceria com o ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr.

Para começar, relatarei uma desatenção de minha parte. Quando o relançamento da estreia do Electronic foi anunciado, o press release disseminado pelas redes sociais dizia que se tratava de uma edição limitada prensada em vinil branco com venda exclusiva pela store virtual da Rhino Records UK… que, por sua vez, não envia para o Brasil! Eu já estava me preparando para acionar meus contatos no exterior para pedir aquela mãozinha amiga quando então acessei o site da Amazon UK e vi o LP disponível para pré-venda. Não pensei duas vezes: em vez de molestar mais uma vez meus “sócios” gringos, encomendei na Amazon mesmo. Porém, quando o disco chegou, eis a surpresa: o vinil não era branco. Sim, era um bolachão preto Normalzinho da Silva. Voltei lá no anúncio da Amazon para conferir e… é, não havia qualquer menção de que se tratava de um long play branco ou que fosse uma edição limitada. A empolgação com a possibilidade de poder comprar o disco sem ter que recorrer a “esquemas” com os chegados lá de fora me fez esquecer que itens exclusivos da loja virtual da Rhino SÃO REALMENTE EXCLUSIVOS! Além disso, não havia me dado o trabalho de pesquisar sobre uma eventual edição convencional acessível nas melhores lojas do ramo (como a Amazon).

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Mas agora falando do álbum… Electronic já havia ganho outras três reedições lançadas, respectivamente, em 1994, 2013 e 2014: a primeira foi uma versão em compact disc lançada pela Parlophone com uma nova capa (lembrando que o álbum original saiu pela Factory Records), a segunda encarnou em um CD duplo remasterizado (e recheado de extras) e a última e mais recente aparição foi em vinil de 180 gramas (e baseada na remasterização do ano anterior). A nova edição traz a capa da versão de 1994 da Parlophone (que nunca havia saído em vinil antes), mas o áudio é o do remaster de 2013 enquanto que o tracklist é o do 180 gramas de 2014  (que trazia “Getting Away With It” como faixa bônus). No disco laser duplo de sete anos atrás, a nova masterização soa ok. Quer dizer, funciona bem no CD. Já no vinil… Bem, eu nunca pus para ouvir o LP de 2014, de maneira que achei que pelo menos desta vez eu deveria colocar para tocar a recém adquirida reedição (ainda que não fosse a de vinil branco que eu tanto ansiava obter). A primeira coisa que me chamou a atenção foi o volume um tanto baixo. O mesmo problema, aliás, do relançamento em long play de Get Ready (New Order), em 2015. Trocando em miúdos: foi uma dupla frustração.

Mas o assunto agora é o filet mignon, a super-ultra-luxuosa caixa Use Hearing Protection, que por sua vez foi concebida para celebrar o quadragésimo aniversário de nascimento do selo Factory Records. Deixarei de lado a novela que foi importar esse bibelô para me concentrar no que realmente interessa. Limitada em 4.000 cópias numeradas, Use Hearing Protection nos presenteia com edições facsimile (réplicas perfeitas) dos dez primeiros itens / objetos produzidos (e catalogados) pela Factory entre 1978 e 1980, além de alguns bônus bem interessantes. Um dos principais atrativos do box set é, sem qualquer sombra de dúvida, o EP duplo A Factory Sample (FAC 2), relançado de modo oficial pela primeiríssima vez (e disponível única e exclusivamente com a caixa) e com sua estilosa capa confeccionada em PVC. Para quem não sabe, A Factory Sample possui os dois primeiros registros do Joy Division na Factory, as canções “Digital” e “Glass”, além de faixas de Durutti Column, Cabaret Voltaire do comediante John Dowie.

Além de A Factory Sample, o pacote contém outros itens em vinil: “All Night Party” (FAC 5), single de estreia do A Certain Ratio; “Electricity” (FAC 6), primeiro compacto do Orchestral Manoeuvres in the Dark; Unknown Pleasures (FACT 10), o clássico début do Joy Division em LP; e “Big Noise From the Jungle”, um single de 12″ dos Tiller Boys que deveria ter sido lançado pela Factory com o código de catálogo FAC 3 mas que acabou sendo editado originalmente pelo selo New Hormones em 1980. Para completar a lista dos dez primeiros “produtos” catalogados da gravadora, temos ainda pôsteres dos primeiros shows realizados no Factory Club (FAC1, FAC 3 e FAC 4), um papel de carta timbrado num envelope personalizado (FAC 7), um rascunho / sketch do projeto (não concretizado) de um “ábaco menstrual” (FAC 8) e um DVD com o filme No City Fun (FAC 9), baseado em um artigo publicado no fanzine “City Fun” de Liz Naylor, com direção de Charles Salem e trilha-sonora do Joy Division.

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Dentre os extras, a caixa brinda os fãs com dois CDs inteiros de entrevistas I-N-É-D-I-T-A-S do Joy Division (concedidas em 1979 à escritora e cineasta canadense Marry Harron) e um livro de 60 páginas com texto de James Nice (LTM Recordings e Factory Benelux), fotos de Kevin Cummins e entrevistas com Joy Division, Tony Wilson e Rob Gretton. É de arregalar os olhos.

Mas qual é a impressão geral? Se deixarmos de lado o “conceito” por trás da caixa (reunir o que foi produzido pela Factory Records nos seus dois primeiros anos de existência, do FAC 1 ao FAC 10), há itens dentro do pacote que são, sim, dispensáveis… a começar por mais uma edição de Unknown Pleasures, um disco que todo mundo tem e que já foi relançado de todas as maneiras possíveis. O rascunho do projeto do “ábaco menstrual” e o papel de carta / envelope são verdadeiras extravagâncias que só se justificam por causa do tema do box set. Sendo assim, parece coisa de maluco pagar uma quantia nada amigável por Use Hearing Protection para se conseguir uma cópia facsimile de A Factory Sample. Entretanto se considerarmos o livro, o CD duplo de entrevistas inéditas e o filme No City Fun em DVD pela primeira vez, temos um pacote recheado de atrativos suficientes para satisfazer o mais apaixonado, ávido e bem remunerado fã do Joy Division. Ainda assim, pode-se dizer que todo o conjunto vale a pena mesmo se o potencial comprador também for um interessado nas outras bandas incluídas na caixa, principalmente o OMD e o A Certain Ratio (como é o meu caso, sobretudo com relação ao ACR). Afinal, não venha me dizer que existem tantos entusiastas assim dos Tiller Boys!

Agora, que se preparem os fãs porque 2020 promete uma verdadeira sangria nas contas bancárias (ainda mais com o dólar atingindo a estratosfera): “só” para começar teremos uma edição comemorativa de 40 anos do Closer (Joy Division) e a Definitive Edition de Power, Corruption and Lies (New Order). E pode ter certeza de que não vai ficar só nisso. Business as usual!

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NEWS | New Order anuncia turnê conjunta com os Pet Shop Boys

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Poster oficial da The Unity Tour

A grande notícia desta semana foi o anúncio de uma turnê conjunta do New Order e dos Pet Shop Boys pela América do Norte em setembro deste ano. A novidade já percorreu os quatro cantos do mundo e os detalhes sobre datas e locais podem ser encontrados nos sites oficiais e nas redes sociais das respectivas bandas. Por isso, preferimos aqui sintetizar as expectativas dos fãs em torno da The Unity Tour (título da turnê) em três “perguntinhas inocentes”. Então vamos a elas…

Como são as duas bandas ao vivo?
No palco os Pet Shop Boys apostam em apresentações teatrais, com cenários, trocas de figurino, além de bailarinos e números de dança. O vocalista Neil Tennant tem presença de palco, mas ele não faz o tipo Mick Jagger. Já o tecladista Chris Lowe fica lá na dele, paradão, executando as músicas. O New Order, por sua vez, é mais low profile ao vivo. No passado suas atuações costumavam ser irregulares e, ainda por cima, a banda teimava em não tocar seus hits (dentre eles “Blue Monday”). Mas o grupo mudou bastante faz um bom tempo. O carisma de Peter Hook (que deixou o New Order em 2007) faz falta, mas a força de seu catálogo e uma mãozinha dos efeitos visuais (um recurso outrora ignorado) vêm garantindo ingressos esgotados e críticas positivas em geral. Um ponto fraco são os vocais de Bernard Sumner.

É possível que as duas bandas se juntem no palco?
O que se sabe até agora é que o New Order e os Pet Shop Boys se alternarão no posto de headliner ao longo da turnê, mas o mero anúncio da The Unity Tour criou expectativas com relação a um eventual “bloco Electronic” (projeto paralelo de Sumner ao lado do ex-Smiths Johnny Marr e que contou com a colaboração de Tennant e Lowe no álbum de estreia). Se isso acontecer (e não descartamos que aconteça, pois Bernard já subiu ao palco em um show de Marr para tocarem juntos o maior hit do projeto, o single “Getting Away With It”), é mais provável que ocorra durante a performance dos PSB e não da do New Order. Parece haver um tipo de acordo – não se sabe se tácito ou explícito – dentro do N.O. com relação à não se incluir no set e nas encores músicas dos projetos paralelos de seus integrantes.

Essa tour pode vir ao Brasil?
Todo mundo torce por isso. Os Pet Shop Boys já estiveram aqui sete vezes; já o New Order seis. Trocando em miúdos: ambas as bandas têm muita consciência do tamanho do mercado na América Latina e, nos últimos anos, tornaram os intervalos entre as vindas ao continente cada vez menores (de 2014 para cá o New Order veio a cada dois anos, para ficar num exemplo). Então, sonhar com a The Unity Tour por essas bandas não parece delírio, principalmente se sua passagem pela América do Norte for bem sucedida (e há grandes chances disso acontecer). Convenhamos: essa turnê é uma jogada de marketing esplêndida. Considerando que tocarão nos EUA e no Canadá em setembro (com uma data apenas no comecinho de outubro) e que as duas bandas não têm por enquanto shows agendados logo em seguida, ainda há possibilidade, por questões logísticas, de se incluir datas na América do Sul na sequência. Mas, por enquanto, não passa de chute ou palpite desse que lhes escreve.

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NEWS | New Order em “Mulher Maravilha 1984” e relançamento da estreia do Electronic

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Gal Gadot como Mulher Maravilha

Os últimos dias foram bem animados para os fãs do New Order. No final de semana passado foi divulgado um trailer do próximo filme da Mulher Maravilha que veio embalado por uma “cinematográfica” versão de “Blue Monday” –  e que, pelo visto, fará parte de sua trilha-sonora. Intitulado Mulher Maravilha 1984, o filme dirigido por Patty Jenkins se passa, como o próprio título sugere, na década de 1980, o que certamente explica o uso de “Blue Monday” na trilha. O novo arranjo feito para turbinar a mais nova aventura da super-heroína da editora DC Comics é assinado pelo grupo L’Orchestra Cinematique, mas a versão que aparece no trailer é uma espécie de remix de autoria de Sebastian Böhm, um compositor e produtor musical alemão com um largo currículo de trabalhos para vídeos promocionais tanto de filmes e séries quando de grandes marcas do setor automotivo, como BMW, Audi, Porsche e Mercedes Benz. Nos instantes finais do trailer, há um pequeno trecho da versão original gravada e lançada pelo New Order em 1983. Mulher Maravilha 1984 tem estreia prevista para junho do ano que vem.

A outra novidade é que o auto-intitulado álbum de estreia do Electronic – duo formado nos anos 1990 por Bernard Sumner (New Order) e Johnny Marr (ex-The Smiths) – ganhará mais uma reedição pela Rhino Records UK. Com lançamento marcado para janeiro de 2020 somente em formato vinil, Electronic virá com uma capa de cor preta (igual ao reissue em CD da Parlophone Records editado em 1994) e com um LP de cor branca. Será uma edição limitada e vendida exclusivamente pela store da Rhino UK na internet – que, diga-se de passagem, não faz envios para o Brasil. E já tem preço de pré-venda: £ 17 (aproximadamente R$ 92 pelo câmbio de hoje).

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Foto: reprodução (Rhino UK)

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NEWS | Stephen Morris em documentário sobre ex-baterista do Kraftwerk e do Neu!

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Klaus Dinger: um dos heróis de Stephen Morris

Stephen Morris, a “bateria eletrônica humana” do New Order, é um dos grandes nomes do pop que concederam depoimentos para o documentário The Heart is a Drum, dirigido pelo sueco Jacob Frössén. O filme conta história de Klaus Dinger, cultuado baterista alemão que ficou conhecido como uma das metades do duo Neu! (seu parceiro era o guitarrista Michael Rother) na década de 1970 e que faleceu em 2008. Antes de lançar três álbuns essenciais com o Neu! (existe um quarto LP de estúdio, mas isso é outra história), Dinger havia feito parte do Kraftwerk quando o grupo ainda não era a usina de força eletrônica que veio a se tornar depois. Com o fim do Neu!, Klaus formou o La Düsseldorf com seu irmão, Thomas Dinger, e com Hans Lampe, chegando a conquistar um respeitável sucesso comercial na Europa.

Dinger tornou-se famoso por seu estilo repetitivo e pulsante de tocar bateria, um estilo que ficou conhecido como motorik (termo que não agradava ao baterista, que preferia rotular sua maneira de tocar como Apache beat). Sua batida e o som visionário do Neu! (cuja influência se faz notar em bandas como Joy Division, Sonic Youth e até mesmo Radiohead) chamaram a atenção de medalhões como David Bowie e Iggy Pop (que também aparece no documentário) quando os dois estiveram em Berlim nos anos setenta. Stephen Morris em diversas ocasiões afirmou que se inspirou não apenas na bateria de Dinger, mas também na de outro medalhão do gênero que ficou conhecido como krautrock: Jaki Liebezeit, do Can (morto em 2017). Além dele (Morris) e de Iggy Pop, estrelam The Heart is a Drum o cantor Bob Gillespie (Primal Scream), a baixista Kim Gordon (Sonic Youth) e Wolfgang Flür (ex-Kraftwerk).

 

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Poster de The Heart is a Drum

De acordo com o diretor: “No final dos anos noventa eu li uma entrevista do Klaus Dinger em uma revista na qual ele falou à respeito de uma namorada sueca que ele conheceu em 1971 e com quem havia passado férias na Suécia no verão daquele mesmo ano. Nessa entrevista, ele também falou à respeito de sua relação com a bateria e, uma vez que eu também sou baterista, acabei ficando bastante intrigado. Eu acredito que isso é uma conexão com a Suécia e o fato dele ter ido até um lago perto de Södertälje – um lugar onde eu passei minhas férias muitas vezes – para gravar os sons aquáticos de ‘Lieber Honig’ e ‘Im Glück’ [canções do álbum de estreia do Neu!] me deixou fascinado”. 

Em entrevista concedida a Mike Norton em julho deste ano para o jornal Bristol Live, Stephen Morris foi perguntado sobre quem seria seu baterista favorito. E ele assim respondeu: “Klaus Dinger, do Neu!. Ele foi minha maior influência, com suas poucas viradas de bateria. Neu! foi uma das primeiras bandas que eu ouvi e que me fez pensar que eu podia tocar daquele jeito”.

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Stephen Morris em The Heart is a Drum: herdeiro do estilo motorik

The Heart is a Drum teve hoje uma premiére no Reino Unido em uma das salas de cinema do Barbican, um descolado centro cultural em Londres. Produzido pela Swedish National Television (SNT) e financiado pela The Malik Bendjelloul Memorial Foundation, o documentário pode ser visto no You Tube (com áudio em alemão e sem legendas), porém com um outro (e um tanto quanto exótico) título: Klaus Dinger – Urvater des Techno (trad.: “Klaus Dinger, o Padrinho do Techno”). Se você curte Joy Division e New Order e nunca ouviu o Neu!, eu pergunto: tá esperando o que?

Infelizmente, não há indícios de que o filme virá a ser exibido no Brasil…

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NEWS | Banda de fãs russos do New Order lança CD produzido por Stephen Hague

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Celeste, oálbum de estreia do Joi Noir. Foto: reprodução.

Coisas do mundo das redes sociais… Um belo dia uma banda de nome pitoresco chamado Joi Noir passou a seguir o perfil do blog New Order BR FAC533 no Instagram (@neworderbrfac533). Além de curtir os posts, o perfil do Joi Noir (@joinoir) passou a deixar comentários divulgando seu álbum de estreia, intitulado Celeste, e sempre fazendo questão de frisar que o disco foi produzido por Stephen Hague, que tem em seu currículo o próprio New Order. A partir daí, passei a prestar mais a atenção nas postagens da banda, feitas em sua totalidade pela vocalista Olga Gallo (que parece ser também a “cara pública” do Joi Noir). Algumas delas trazem fotos de seus integrantes posando ao lado de alguns de nossos heróis aqui do blog, como Bernard Sumner e Peter Hook, com direito a discos autografados pelos mesmos, o que demonstra que a turma do Joi Noir também é bastante ligada na Nova Ordem. Os vídeos publicados no Instagram não desmentem essa impressão: é possível notar sem muito esforço ecos do Joy Division e do New Order no som deles. Em poucos dias a troca de comentários e de mensagens via direct se transformou em um hábito. E ontem o carteiro deixou na minha caixa de correio uma cópia em CD autografada (com dedicatória!) de Celeste. Nada mais justo do que dar a eles um pequeno espaço aqui no blog.

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Olga e Igor com Bernard Sumner, Peter Hook e seus discos autografados. Foto: reprodução (Instagram)

A história do Joi Noir, do seu nascimento até o lançamento do primeiro disco, merece destaque. Seus integrantes são russos, mas a banda foi formada na República do Congo (!!!) em 2014, mais precisamente em Pointe-Noire. O nome do grupo não apenas se baseou em sua localidade de origem, mas também nas iniciais dos nomes de seus membros fundadores: o baterista Jack Kuznetsov (o “J”), a vocalista Olga Gallo (de onde saiu a letra “O”) e o guitarrista Igor Plotnikov (que forneceu o “I”). Do Congo a banda se mudou para Kuala Lumpur, na Malásia, onde Jack acabou deixando a banda, sendo então substituído por um baterista malasiano chamado Mie Apache. Foi em Lumpur que essa formação começou a trabalhar nas gravações demo do material que mais tarde faria parte de Celeste. O grupo utilizou a Malásia como base durante um tour pelo Sudeste Asiático e pelo Japão até que em 2017 Olga e Igor se mudaram para Barcelona (onde estão instalados até hoje) e se converteram no núcleo permanente da banda. Nessa época, as demos do Joi Noir caíram nas mãos de Stephen Hague, que gostou do som, amou a voz de Olga Gallo, e decidiu dar uma força para a dupla aceitando co-produzir seu álbum de estreia. Olga e Igor se transladaram para Hastings, na Grã Bretanha, onde fizeram as gravações de Celeste acrescidos de músicos britânicos e do próprio Hague, que tocou baixo e teclado em algumas faixas. A formação que tocou no CD, com exceção do produtor, teve também uma breve existência sobre os palcos.

Lançado no dia 20 de setembro deste ano pela Galago Records nos formatos streaming, LP (vinil branco, edição limitada) e CD, Celeste é um disco com credenciais para agradar não apenas fãs do New Order, mas também todos os amantes de estilos como o pós-punk e a new wave. O som do Joi Noire transita por influências facilmente identificáveis de New Order, Siouxsie & The Banshees, Pretenders e Pixies. Ainda que sejam uma banda de rock alternativo, várias faixas do álbum poderiam circular tranquilamente pelas FMs da vida. Esse é o caso, por exemplo, de “Wild Way Hope”, que é também o single de estreia de Celeste.  “Loved You Now” é outra que cairia muito bem no rádio. Mas os grandes destaques do CD, na minha humilde opinião, são “Crashers” (quiçá a melhor canção do disco), “Excited” (com uma introdução que lembra “A Means to an End” do Joy Division), “Amber” e “Sample and Hold” (ambas verdadeiras cápsulas do tempo que nos levam de volta aos anos 1980). Em suma, não é um disco difícil de se gostar e ele cresce a cada nova audição. Para fins de comparação, pode-se dizer que o Joi Noir é aquilo que o She Wants Revenge tentou ser e não conseguiu, além de se juntar a esforços louváveis de revitalização do pop com ares oitentistas de bandas como White Lies e Editors.

E não podemos nos esquecer da “cereja do bolo”! As fotos usadas na capa do disco (desenhada pelo artista gráfico Andrew Vella) foram feitas por Andy Earl, renomado fotógrafo que já clicou Johnny Cash, Duran Duran, Spandau Ballet, Gary Numan, Eurythmics, Simple Minds, Mike Oldfield, Robert Plant, The Cranberries, Pet Shop Boys, Simply Red e muitos outros!

Pessoalmente falando, o maior ganho que eu tive com Celeste foi encurtar o contato com pessoas que, como eu, compartilham o amor pelo New Order – e que declararam esse amor em um disco produzido por um cara que deu uma mãozinha em clássicos como “True Faith” e “Regret”. Considerando os itinerários seguidos por Olga e Igor – da fria Rússia à ensolarada Barcelona, passando por África e Ásia – esse encontro propiciado pelas redes sociais é um exemplo das voltas que o mundo dá.

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Minha cópia autografada de Celeste. Love is hope!

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NEWS | Encaixotando Joy Division e New Order

Como se já não bastasse a edição definitiva de Movement e o álbum ao vivo So It Goes.., o ano de 2019 ficará conhecido como aquele dedicado ao lançamento de materiais do New Order e do Joy Division em luxuosos box sets. Na verdade, essa é a tendência atual do mercado – enquanto o downloadstreaming sao voltados para o público médio, as edições premium limitadas (e caras) destinam-se à satisfação de fãs e colecionadores. Além das duas caixas citadas, listamos aqui outros quatro combos encaixotados que podem interessar os amantes dessas duas bandas. Então vambora…

STUMM433 (Vários Artistas, Mute Records): Parte da série comemorativa de 40 anos do selo Mute iniciada no ano passado, trata-se de uma caixa de cinco CDs trazendo artistas antigos e atuais da gravadora (dentre eles, o New Order) interpretando, cada um à sua maneira, a música/experimento 4’33” (lê-se “quatro minutos e trinta e três segundos”) do compositor de vanguarda John Cage (1912-1992). Apresentada ao piano pela primeira vez em 1952, consiste em quatro minutos e meio de silêncio – ou quase. Nenhuma nota musical é tocada, o que conta são os sons e ruídos aleatórios do ambiente – o “som do silêncio” – fazendo com que a cada “execução” o resultado final seja sempre diferente. O projeto da Mute é deveras extravagante, afinal são cinco discos inteiros de “silêncio”… entretanto, parte da renda obtida com as vendas da caixa será doada para a British Tinnitus Association, uma entidade dedicada à prevenção, tratamento e difusão de informações sobre uma doença conhecida em português como tinido (ou acufeno). Trata-se da mesma doença da qual sofreu, por anos, o baterista Craig Gill, do Inspiral Carpets, que suicidou-se em 2016 (ele sofria de uma depressão decorrente do tinido). Dentre os demais intérpretes da “canção” temos, além do New Order , bandas como  Depeche Mode, A Certain Ratio, Cabaret Voltaire, Erasure, Nitzer Ebb, The Normal, The Afghan Whigs, Laibach e muitas outras. Link para pré-venda: http://mute.com/mute/stumm433-pre-order-now 

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ALWAYS NOW (Section 25, Factory Benelux): Lançado originalmente pela Factory Records em 1981, o álbum de estreia do Section 25 acaba de ganhar pela Factory Benelux (uma espécie de sucursal belga da Factory que sobreviveu à falência da matriz) uma edição remasterizada com uma caminhão de extras. É uma caixa com cinco LPs, sendo que as primeiras mil cópias foram produzidas com vinis coloridos (preto, transparente, cinza, amarelo e vermelho). Um dos discos contém uma preciosa jam da banda ao lado do New Order, gravada ao vivo na Universidade de Reading (Inglaterra) no dia 8 de maio de 1981. O box pode ser adquirido diretamente no site da Factory Benelux: https://www.factorybenelux.com/always_now_fbn3_045.html

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USE HEARING PROTECTION: FACTORY RECORDS 1978-1979 (Vários Artistas, Rhino Records): Com lançamento anunciado para outubro deste ano, essa lindíssima caixa trará edições facsimile dos dez primeiros itens/produtos lançados pela Factory Records, do icônico poster da primeira “Noite da Factory” no Russel Club, em Manchester (FAC-1), até o LP de estreia do Joy Division, Unknown Pleasures (FAC-10), passando ainda pelo EP duplo A Factory Sample (que contém as faixas “Digital” e “Glass”, do Joy Division, além de canções do Cabaret Voltaire, do Durutti Column e do comediante John Dowie), os singles “Electricity” (OMD) e “All Night Party” (A Certain Ratio), outros dois posteres, um DVD e um livro de 60 páginas. Como bônus, esse box set promete um single de 12″ dos Tiller Boys (planejado, mas nunca lançado) e dois CDs recheados de entrevistas do Joy Division. A caixa é uma exclusividade da Rhino UK (o que quer dizer que ela só poderá ser encomendada na store virtual da gravadora) e sua edição é limitada em 4.000 cópias. O preço é salgadíssimo: £ 180 (aproximadamente R$ 856). Link da pré-venda: http://store.rhino.co.uk/uk/use-hearing-protection-factory-records-1978-79-limited-edition-box.html

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FACTORY RECORDS: COMMUNICATIONS 1978-92 (Vários Artistas, Rhino Records): A Rhino UK também promete para novembro desse ano uma segunda caixa, dessa vez com oito LPs contendo material de vários artistas do cast da Factory e abrangendo os 14 anos de vida da gravadora. A tiragem é limitada em apenas 500 unidades, mas o preço é um pouco mais “amigável”: £ 127 (cerca de R$ 605). Esse box foi originalmente lançado no formato CD em 2009 e continha quatro discos e um belíssimo livreto (além disso, a Rhino lançou em edições passadas do Record Store Day dois samplers em vinil de 10″ com gravações que não faziam parte da caixa). Em Communications 1978-92 o New Order contribui com oito faixas, o Joy Division com quatro, o Electronic (projeto solo do vocalista/guitarrista Bernard Sumner), o Revenge (do agora ex-baixista Peter Hook) e o The Other Two (duo formado pelo casal Stephen Morris / Gillian Gilbert) com uma cada um. Todas em versões de estúdio que o público já está careca de ouvir. No mais, versões originais de bandas como OMD, A Certain Ratio, Section 25, James, Happy Mondays, Durutti Column, The Wake, 52nd Street e muitos outros. A quem interessar possa: http://store.rhino.co.uk/uk/factory/factory-communications-1978-92-limited-edition-silver-8lp.html/

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