REVIEW | Peter Hook & The Light ao vivo no Audio Club, SP (10.10.2018)

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Foto: Yuri Murakami (Music Drops)

Num bar bem próximo ao Audio Club, em São Paulo, algumas horas antes do show do Peter Hook & The Light, um grupo de fãs que dividia uma mesa havia chegado a uma melancólica conclusão: que fazer ininterruptas turnês pelo mundo tocando os velhos sucessos em palcos minúsculos e para pequenas audiências era algo um tanto quanto deprimente para quem havia feito parte de uma banda que outrora foi sinônimo de vanguarda.

Provavelmente muitas pessoas pelo mundo afora compartilham esse mesmo sentimento. Mas basta Peter Hook entrar em cena e começar a palhetar seu baixo (sempre colocado à altura dos joelhos) para esse lamento desaparecer. Como já dissemos aqui no blog em ocasiões anteriores, Hook conhece bem as armas que tem e sabe usá-las com destreza. Ele tem carisma e presença de palco, o que faz com que boa parte da plateia nem se incomode tanto com o fato de que seus vocais são sofríveis e que, ainda por cima, ele não consegue tocar baixo e cantar ao mesmo tempo (coube a Yves Altana a tarefa de dar aquele par extra de mãos nas quatro cordas). Além disso, ao contrário da versão atual de sua ex-banda, ele oferece ao público porções bem mais generosas de clássicos do Joy Division, para o delírio de uma nova geração de fãs que surgiu no rastro do revival em torno do grupo nas últimas décadas. E de quebra suas turnês vêm percorrendo quase a totalidade do extenso catálogo que ele ajudou a construir ao longo de trinta anos. Em outras palavras: Hook é o sujeito que costuma entrar em campo com o jogo já ganho.

Mas no palco do Audio o que se viu ao longo de duas horas e meia de performance foi uma apresentação com vários altos e baixos. Comecemos pela sonorização: no set de abertura, totalmente dedicado ao Joy Division, o som estava tinindo e “no talo”; mas foi só entrar no repertório do New Order, mais eletrônico e cheio de camadas, que os problemas aqui e ali começaram a aparecer. Embora os baixos elétricos de Hook e Altana soassem bem potentes, os grooves eletrônicos de certas faixas eram praticamente inaudíveis. Em “Fine Time” e “All the Way”, por exemplo, algumas linhas de teclado também soavam muito baixas. Uma bela versão de “Run” foi lamentavelmente prejudicada em seus instantes finais por um apagão (literalmente falando) no sintetizador do tecladista Martin Rebelski. No bis – estelar – as coisas pareciam mais bem equilibradas novamente nesse aspecto, para sorte do público (que, diga-se de passagem, não lotou a casa).

Com relação à parte musical, havia chegado a vez de Peter Hook revisitar em solo brasileiro os álbuns Technique (1989) e Republic (1993). De um lado, um disco que muitos consideram a obra-prima do New Order e que veio a ser o último lançado pela banda na gravadora Factory; de outro, um LP bem sucedido comercialmente, puxado por um single poderoso, mas que contém um repertório bastante irregular em termos de qualidade.  Ao vivo, Hook e sua banda até que se esforçaram para oferecer à plateia uma versão de Technique digna do seu sucesso e de sua importânciamas poucos foram os momentos de brilho no bloco dedicado ao álbum. Dentre eles, “Round and Round”, “Vanishing Point” e “Dream Attack”.

Curiosamente, o disco mais fraco – Republic – ganhou do The Light uma interpretação mais competente que seu badalado antecessor. Entretanto muitos nem perceberam. Durante o bloco de canções do disco muita gente saiu da pista e foi para o bar ou simplesmente ficou perambulando pela casa, tirando selfies e jogando conversa fora. Uma versão pouco animada do clássico “Regret” (que abriu essa terceira parte do show) pode ter plantado uma semente de dúvida no público. Todavia, quem não arredou o pé curtiu boas e bem executadas versões de “World”, “Spooky”, “Young Offender”, “Liar” e “Times Change”. A decepção foi “Avalanche”, faixa que encerra Republic: em vez de tocada ao vivo, teve sua versão original de estúdio lançada no P.A. para servir de pausa para respirar antes da apoteótica encore.

No bis, “Hooky” e o The Light voltaram ao palco com sangue nos olhos. “Blue Monday”, mesmo com seu groove soando baixo, fez a pista lotar novamente. E o que rolou em seguida foi um bailão daqueles: “Ceremony”, “Temptation”, “True Faith” e, como gran finale, “Love Will Tear Us Apart”.

Considerando os resultados desiguais entre as canções dos álbuns tocados na íntegra (desta tour e, também, das outras anteriores), o ideal seria que Peter Hook e seus colegas do The Light fizessem um show só de canções escolhidas a dedo, como costumam fazer no set abertura dedicado ao Joy Division e nas encores. Isso resultaria num concerto bem mais equilibrado e sem o risco de ter a pista esvaziada em alguns momentos. Afinal, convenhamos: será que o público estaria mesmo interessado em ouvir, na próxima turnê, o disco Waiting for the Sirens’ Call da primeira à última faixa?

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REVIEW | “New Order’s Technique & Republic Live in London” (Peter Hook and The Light)

largeAcaba de sair pelo selo Live Here Now (e através da plataforma direct to fan Pledge Music) uma amostra do que está para vir na quarta-feira próxima, dia 10 de outubro, no palco do Audio, em São Paulo: New Order’s Technique & Republic Live in London, o novo CD (triplo) de Peter Hook e seus fiéis escudeiros do The Light, e cujo repertório cobre, na íntegra, os dois LP’s de sua ex-banda que atingiram o topo da parada de álbuns na Inglaterra em 1989 e 1993, respectivamente, além de um set só de músicas de outro antigo grupo seu, um certo Joy Division.

O disco e a subjacente turnê que já está percorrendo a América Latina (Hook toca amanhã em Buenos Aires) representam mais uma etapa do projeto iniciado pelo baixista em 2010, que é o de tocar ao vivo todos os álbuns e singles já lançados pelo Joy Division e pelo New Order e em ordem cronológica. Agora chegou a vez de Technique Republic, além de compactos como “World in Motion”. O show que acabou de sair em CD foi gravado no Electric Ballroom, em Candem Town (arredores de Londres) no dia 28 de setembro deste ano. Como de costume, a qualidade da gravação produzida pela equipe da Live Here Now é impecável – e se mantém dentro do atual “conceito” de registros ao vivo que soam quase como se fossem gravações de estúdio. Entretanto, o som excessivamente limpo, destituído daquela “sujeira” natural típica de um concerto ao vivo – os urros da plateia, reverberações, ecos etc. – pode às vezes colocar em relevo aquilo que seria preferível não se ouvir direito, que pode ser um grave sem muita potência (um dos grandes males de quase todos os discos ao vivo do The Light) ou os vocais sofríveis de Peter Hook.

Com relação a esse segundo quesito, vale dizer que até não foi uma má ideia convocar o guitarrista David Potts para dar um reforço extra em muitas músicas – e, convenhamos, tal estratégia foi a salvação em algumas faixas. Mas na maioria das vezes o intento não logra êxito e Potts, cujo timbre vocal é mais semelhante ao de Bernard Sumner (vocalista e guitarrista do New Order) que o de Hook, não consegue resolver a parada. “Regret” sem a voz (ainda que sem brilho e já bastante cansada) de Sumner definitivamente não funciona. O baixista parece não ter feito direito os seus cálculos e desconsiderou que Technique Republic talvez sejam os discos do New Order cujas as músicas mais teriam sido especialmente projetadas para se adequarem ao tom de Bernard (uma preocupação virtualmente inexistente em LP’s anteriores). E uma vez que a banda optou por não mexer muito nos arranjos, temos aquela incômoda sensação de que alguem está tentando fazer peças quadradas passarem através de buracos redondos.

Com relação aos aspectos estritamente musicais, temos altos e baixos ao longo do disco. Mas tais oscilações pouco têm a ver com as recentes mudanças na formação do The Light. Nos teclados, a vaga de Andy Poole (que estava na banda desde 2010) foi preenchida por Martin Rebelski (ex-Doves); no segundo baixo, Yves Altana substitui Jack Bates, filho de Hook, que por ora está a prestar serviços ao Smashing Pumpkins. O set de abertura do show, composto só de músicas do Joy Division, desce redondo – sendo esse o material mais exaustivamente tocado por Peter Hook e o The Light ao longo desses últimos oito anos (fora o extra de que o timbre grave da voz do baixista se encaixa melhor no repertório do JD), não existem ressalvas a serem feitas aqui. Ao todo são três pedradas punk (“No Love Lost”, “Warsaw” e “Leaders of Men”), “Digital” e seu interminável refrão, a soturna “Autosuggestion” e a clássica “Transmission”. Um começo de show desses faz “Fine Time”, de Technique, parecer um anticlímax, sobretudo porque a versão do The Light nos faz ter a estranha sensação de que falta algo… Stephen Morris, talvez? Ou Bernard Sumner emulando Barry White com a ajuda do vocoder?

“Fine Time” realmente soa aqui como prenúncio da destruição de um álbum clássico, mas a sequência formada por “All the Way”, “Loveless” e “Round and Round” consegue apagar temporariamente a má impressão inicial, com destaque para a última. Infelizmente, o crescendo é interrompido por fracas versões de “Guilty Partner” e “Run”. Todavia, Hook e sua banda conseguem se recuperar com boas execuções de “Mr. Disco”, “Vanishing Point” e “Dream Attack”. Apesar de uma competente sequência final, a versão para os palcos da maior obra-prima do New Order passa longe da apoteose que o público espera.

Por incrível que pareça, Republic, considerado um disco inferior e desequilibrado, se saiu melhor nesse registro ao vivo que seu gabaritado antecessor. Como dissemos anteriormente, esqueça a versão do The Light para “Regret”. Por outro lado, os ouvintes se surpreenderão com ótimas interpretações de singles como “World” e “Spooky”, ou de faixas menos badaladas como “Young Offender” e “Times Change” (o único rap já gravado pelo New Order); “Liar” surpreendentemente soa aqui muito melhor que a gravação original; já “Ruined in a Day”, que ganhou um belíssimo arranjo que mesclou partes de versão original com trechos do (excelente) remix feito pela dupla K-Klass em 1993, perdeu alguns pontos por causa de uma constrangedora atuação de Hook como vocalista (para variar…); e misteriosamente a performance de Republic se encerra com uma decente execução de “Special”, já que inexplicavelmente o tema instrumental “Avalanche”, que conclui a versão de estúdio do álbum, ficou de fora do tracklist (a presente resenha foi feita a partir de uma versão para download adquirida oficialmente no site da Pledge Music).

Já as músicas do bis – aquelas escolhidas a dedo para todo mundo cantar junto – não ficaram fora do disco, é claro: “World in Motion”, “Blue Monday”, “Temptation” e “Love Will Tear Us Apart” (Joy Division) fazem o gran finale. Com uma sequência dessas quase é possível esquecer os tropeços encontrados aqui e ali ao longo desse New Order’s Technique & Republic Live in London. Para os fãs mais viscerais é um item que muito provavelmente não poderá faltar na coleção. Já para os não tão obcecados assim, é certo de que não deve suscitar grande procura. Afinal, para o público médio interessa muito mais ver Peter Hook em ação no palco – com toda a força de seu carisma –  do que ouvi-lo em um CD ao vivo. E ele saciará essa nossa necessidade mais uma vez na quarta-feira. Até lá.

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REVIEW | “New Order: Decades”, um documentário com poucas surpresas

no-920x584No dia 22 de setembro, o canal Sky Arts exibiu na Inglaterra o documentário New Order: Decades. Dirigido por Mike Christie (um premiado diretor de documentários para TV paga) e produzido pela Caravan Productions especialmente para o canal, Decades explora o processo de criação do show So It Goes – uma série de cinco concertos produzidos originalmente para a edição do ano passado do Festival Internacional de Manchester através de uma parceria entre o New Order, o maestro Joe Duddell e o artista visual Liam Gillick e que foram reapresentados em versão levemente estendida em Turim (Itália) e Viena (Áustria) em maio deste ano. O conceito original por trás de So It Goes era o seguinte: o New Order apresentaria em um palco especialmente desenhado (e construído nos antigos estúdios da Granada TV) doze canções de seu vasto catálogo escolhidas dentre aquelas raramente tocadas ao vivo (hits como “Blue Monday” ficariam de fora), na companhia de uma “orquestra de sintetizadores” formada por doze estudantes da Royal Northern School of Music (regidos por Duddell) e com efeitos visuais projetados por Gillick. Além de falar do processo criativo colaborativo, Decades perpassa também um pouco da história da banda e traz algumas performances registradas em Viena.

A escolha dos estúdios da extinta Granada TV (uma emissora de televisão sediada em Manchester) para a realização dos cinco concertos originais não foi aleatória. Naquele mesmíssimo local a banda, ainda como Joy Division, fez sua primeira aparição na tevê. Foi no programa Granada Reports, apresentado pelo repórter televisivo Tony Wilson (1950-2007), em 20 de setembro de 1978. Mais tarde Wilson os assinaria com sua gravadora, a Factory Records – e o resto é história. O documentário começa seis semanas antes do primeiro concerto, com a banda voltando às instalações da Granada TV e contando como tudo aconteceu naquele já longínquo setembro de 78. Há, inclusive, uma cena inusitada: nas paredes dos estúdios se lê “Love Will Tear Us Apart, September 20 1978, Joy Division TV debut”, mas o vocalista e guitarrista do New Order, Bernard Sumner, adverte que existe um erro ali – e com a palavra passada ao baterista Stephen Morris, o público descobre que, em vez de “Love Will Tear Us Apart”, foi “Shadowplay” o tema tocado pelo JD em sua estreia na televisão.

Mas isso não chega a ser novidade alguma para fãs de longa data (inclusive o vídeo está disponível no You Tube). Aliás, toda vez que Decades revisita a biografia da banda praticamente nada é acrescentado ao que já se sabe sobre o New Order. De inédito mesmo temos maiores explicações de como o show foi desenvolvido em termos técnico-musicais. Cada uma das canções escolhidas foi “desmontada”, com a devida separação de suas micropartes, e estas foram rearranjadas por Duddell para que pudessem ser tocadas, cada uma, exclusivamente por um único músico. O resultado foi o seguinte: partes originalmente sequenciadas ou programadas seriam executadas 100% ao vivo. Isso mesmo: no sequencers. Além disso, foi ideia de Sumner a construção de uma estrutura atrás da banda para abrigar a “orquestra de sintetizadores” que lembrasse uma parede e, dessa forma, evocar a ideia de um wall of sound. Esses detalhes são, pelo menos para o fã mais geek, preciosos, assim como as cenas de ensaios, com destaque para uma filmada em Cheshire, no estúdio caseiro de Morris, e na qual o New Order toca uma vibrante versão de “Disorder”, do Joy Division.

Mas o que dá água na boca mesmo são cinco performances completas registradas no Museums Quartier, em Viena, durante o Wien Festwochen 2018: “Plastic”, “Sub-Culture”, “Bizarre Love Triangle”, “Your Silent Face” e “Decades” (Joy Division). Dito de outra forma, o melhor de Decades é quando as palavras são deixadas temporariamente de lado para dar lugar à ação. Com essas amostras é possível vislumbrar como tudo funciona (bem) na prática. O problema é que quando se chega ao final de Decades é impossível não ficar com a sensação de que teria sido bem melhor se a produção fosse um film concert com o show completo em vez de um documentário com poucas surpresas. Todavia, não há informações sobre um eventual lançamento da íntegra do concerto, nem a respeito de quando a Sky pretende exibir o documentário para seus assinantes no Brasil.

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REVIEW | “AfterParty” (ShadowParty remix EP)

027ede03106bab00c49dd3a889b5b371No embalo de uma mini-turnê compreendida entre os dias 08 e 15 de setembro, o ShadowParty, banda / projeto paralelo de integrantes do New Order (Phil Cunningham e Tom Chapman) e do Devo (Josh Hager e Jeff Friedl), lançou recentemente nos formatos streaming e digital download um EP chamado AfterParty que contém remixes de duas faixas de seu álbum de estreia lançado em julho deste ano: “Reverse the Curse” e “Present Tense”.

O lançamento foi puxado por uma premiére do remix que Gillian Gilbert e Stephen Morris, do New Order, fizeram para “Reverse the Curse” assinando como The Other Two (projeto paralelo de Gilbert e Morris nascido nos anos 1990). A divulgação em primeira mão do remix do The Other Two foi feita pela Clash Magazine em seu site na última sexta-feira, dia 07 de setembro. Recentemente, a dupla falou de sua colaboração com o ShadowParty em entrevista concedida durante o Festival N6, em Portmeirion.

Em uma primeira e apressada audição, o remix não impressionou muito, não. Todavia, a remistura do The Other Two cresce a cada nova tentativa. Mas quem acertou a mão mesmo em “Reverse the Curse” foi o A Certain Ratio – em vez de um remix propriamente dito, a banda gravou um arranjo totalmente novo, com destaque para a bateria cheia de swing de Donald “Dojo” Johnson. O problema é que quando entram os vocais de Denise Johnson (irmã de Donald, vocalista do ACR e convidada especial no álbum do ShadowParty) parece que estamos ouvindo, na verdade, um novo (e ótimo) single do A Certain Ratio.

Já o último dos três remixes de “Reverse the Curse” é de autoria de Derek Miller, produtor e DJ conhecido também pela alcunha Outernationale – e que já lançou um bom EP de regravações e remixes de músicas do Joy Division chamado Atmosphere lançado pela Haçienda Records (gravadora de propriedade de Peter Hook) e que conta com Paul Haig (ex-Josef K) nos vocais. Mas voltando ao remix… a releitura de Miller / Outernationale é tão recomendável quanto seu EP-tributo ao JD.

Sobre os dois remixes de “Present Tense” em AfterParty… O primeiro, que atende pelo nome “Stereotype Remix”, é feito sob medida para embalos de sábado à noite, sendo, portanto, o mais dançante entre todos do EP. Todavia, é o remix mais “comum” e no qual transbordam os clichês das pistas. A outra versão, que atende por “Beg, Steal or Borrow Remix”, segue uma linha muito próxima, mas tem um clima  mais “viajante” e, por essa razão, oferece uma perspectiva um pouco melhor.

O saldo geral é bastante positivo. Não é nada com pinta de alta rotação no smartphone, entretanto AfterParty nos arranca mais sorrisos de aprovação do que o álbum epônimo de estreia. O que em outras palavras quer dizer que, neste caso, os remixes funcionam melhor que as versões originais. Vale destacar que não há previsão de lançamento do EP em um versão física. Talvez nem precise.

Ouça o EP completo no Spotify.

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REVIEW |CD de estreia do ShadowParty (New Order + Devo)

SharedImage-81403O que acontece quando bandas veteranas e bem sucedidas resolvem dar um break nas suas atividades? A resposta é simples: seus integrantes continuam produzindo música e fazendo shows em projetos solo ou em parceria com outros músicos.

É bem esse o caso dessa turma que se juntou para formar um novo grupo. Phil Cunningham (guitarra, teclados) e Tom Chapman (baixo), ambos do New Order, resolveram unir forças com Josh Hager (guitarra, teclados) e Jeff Friedl (bateria), que tocam no Devo. Dessa união nasceu o ShadowParty. Em comum entre as duas duplas está o fato de serem incorporações recentes em suas respectivas bandas (se bem que, no caso de Cunningham, lá se vão dezessete anos com o New Order, primeiro como músico contratado e, depois, como membro efetivo).

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Se você espera que o som do ShadowParty seja uma mistura de New Order com Devo, é melhor deixar para lá tal expectativa. Se por um lado a banda compartilha com essas formações das antigas o gosto pela mistura entre rock e música eletrônica, cabe dizer que o ShadowParty, musicalmente falando, está mais para o N.O. do que para o Devo. Aliás, a sombra do New Order paira sobre o auto-intitulado álbum de estreia de diversas maneiras. O disco (cuja versão em vinil tem uma “capa-raspadinha” que esconde uma mensagem em código) acaba de ser lançada pela Mute Records, atual etiqueta do combo de Manchester. E não para por aí: na lista de convidados especiais, temos a cantora Denise Johnson (A Certain Ratio, Primal Scream) e o maestro e arranjador Joe Duddell, e ambos ostentam currículos como colaboradores do New Order.

Outra presença ilustre no disco – e que nada tem a ver com o New Order desta vez – é o guitarrista Nick McCabe, ex-The Verve. Cabe aqui deixar bem claro que McCabe não faz parte oficialmente do ShadowParty, entretanto a imprensa gringa vem escrevendo sobre eles como se fossem um “supergrupo” formado por músicos do Devo, do New Order e, também, do Verve, o que, além de incorreto, parece coisa de jornalismo marrom.

E o disco? É bom? A mesma imprensa lá de fora vem fazendo elogios ao álbum. De nossa parte aqui do blog, o que temos a dizer é: não está com essa bola toda, não. É um disco bastante irregular e desequilibrado. As faixas “Celebrate” e “Present Tense” até foram escolhas acertadas para singles, mas fora essas duas é bem difícil pinçar uma terceira que cumpra bem esse papel. Há bons momentos aqui e ali, como em “Reverse the Curve”, “Vowel Movement” e “The Valley”; medianos como “Sooner or Later”; descartáveis como “Truth” e “Taking Over”; e sonolentos como “Marigold” e “Even So”.

Mas, no geral, a estreia do ShadowParty pode ser classificada como “esquecível”. É um daqueles álbuns que você ouve umas três ou quatro vezes no máximo e depois deixa para lá. Até vale alguma coisa como um descompromissado exercício de férias para o quarteto, mas não é nada que deva de fato ser levado a sério – pelo menos não em termos de uma carreira duradoura. Se bem que, no caso de Chapman e Cunningham, as férias nem estão sendo tão longas assim. Neste mês o New Order está excursionando pelos EUA e em novembro eles aterrissam de novo na América do Sul.

 

REVIEW | Avaliamos “NOMC15”, o novo ao vivo do New Order

C6z6n2VWcAYX3reAntes de mais nada, alguns esclarecimentos. Originalmente, o novo disco ao vivo do New Order, intitulado NOMC15 (uma espécie de “sigla” para New Order Music Complete 2015), deveria ter saído anteontem. Todavia, poucos dias atrás os clientes que fizeram o pre-order do álbum no site da plataforma Pledge-Music foram informados do adiamento do lançamento para o dia 16 de junho. A notícia só não foi um banho de água fria completo porque a Pledge-Music garantiu que esses clientes teriam acesso ao download do álbum antes que os formatos físicos (CD duplo e vinil triplo transparente) finalmente fossem lançados. Dito e feito: ao abrir minha caixa de e-mails na sexta-feira, eis que encontrei o link para baixá-lo nos formatos de arquivo MP3 e FLAC. Joia!

Aqueles que já estão acostumados com a plataforma Pledge-Music (o que não é o meu caso) não se surpreenderam com o adiamento. Para quem não sabe do que estamos falando, seguem aqui mais algumas explicações: a Pledge-Music é uma plataforma direct-to-fan, isto é, ela permite que artistas produzam e comercializem seu trabalho por fora do esquema das grandes gravadoras ou dos conglomerados de mídia; através dessa plataforma, músicos e bandas podem distribuir seus discos diretamente aos fãs, ou contar com uma mãozinha deles para financiar novos projetos, um sistema um tanto quanto parecido com o crowdfunding. Todavia, segundo relatos, as mudanças nas datas de lançamento são comuns, infelizmente.

Por trás de NOMC15 está a “gravadora” Live Here Now (ex-Abbey Road Live Here Now), que se vem se notabilizando há alguns anos por gravações ao vivo de altíssima qualidade sonora que são distribuídas/comercializadas poucos instantes após o fim dos shows, com capa/arte e tudo o mais (graças a um super-esquema de produção), ou vendidas diretamente ao público via plataformas como a Pledge-Music. Essa não foi a primeira vez que o New Order lançou um disco ao vivo pela Live Here Now – o álbum Live at the London Troxy foi produzido nesse esquema (aliás, vale dizer que ele acabou de ser relançado).

NOMC15 contém a segunda noite da banda no Brixton Academy, Londres, bem no comecinho da turnê do álbum Music Complete, em novembro de 2015. Tive a sorte e o privilégio de ver o show de estreia dessa tour em Paris umas duas semanas antes. Os set lists foram idênticos e lembro-me bem de ter pensado, logo após a saída do show, que o concerto, exatamente daquele jeito como eu havia visto, daria um bom registro ao vivo. Mas a razão me dizia que se a banda tivesse que escolher um show da nova turnê para lançar, certamente não seria um dos primeiros, já que isso não é muito comum.

Mas pode se dizer que o show da noite de 17 de novembro de 2015 foi escolhido a dedo pelo New Order. Foi uma apresentação inspirada, numa casa lotada e com um “bônus”: a cantora Elly Jackson, que participou de duas faixas de Music Complete (“Tutti Frutti” e “People on the High Line”), subiu ao palco para cantá-las na companhia dos veteranos. Um diferencial importante, haja vista que em todos os demais shows da turnê ela foi (e vem sendo ainda) substituída por playbacks. Há coisas que, para o bem ou para o mal, a tecnologia musical não consegue reproduzir – dentre elas o calor e o feeling de uma voz humana ao vivo.

Vale mencionar que o New Order adquiriu uma certa “má fama” quando o assunto é performances ao vivo. Para muita gente, o grupo “é muito bom em disco, mas fraco no palco”. Essa “impopularidade” com relação aos shows não chega a ser uma completa uma injustiça. A banda era mesmo um tanto desleixada nesse aspecto – para não dizer punk. Para piorar, o New Order detestava dar bis – e não poucas foram as vezes que promotores e produtores incluíram a seguinte advertência ao público na bilheteria: “AVISO: talvez o grupo não toque ‘Blue Monday’!”. Na verdade, os mais fanáticos adoravam isso… Mas o New Order já não é mais assim há bastante tempo. Eles tocam praticamente o mesmo set list todas as noites, com tudo muito bem ensaiadinho (os erros são cada vez mais raros); eles agora dão encores e tocam “Blue Monday” sempre. É esse New Order que nos oferece esse NOMC15.

Uma das tarefas mais ingratas de um disco ao vivo é tentar reproduzir a atmosfera de um show para aqueles que não estavam lá. Ingrata, não… é praticamente impossível. Todavia, existem alguns que até chegam perto. Mas para isso existe um “segredo”: um pouco de “sujeira” na gravação ajuda. Bootlegs, em princípio, parecem toscos (muitos são registrados com gravadores simplórios por alguem da plateia), mas conseguem, graças a essa mesma falta de apuro técnico, nos “teletransportar” quase que por mágica para o meio do público. Ora, mas qual o motivo de tanta divagação? Digamos o seguinte: os avanços tecnológicos nem sempre conseguem transformar uma performance fantástica em um álbum ao vivo de igual nível. NOMC15 é soberbamente bem gravado e mixado; entretanto, às vezes mais parece que estamos a ouvir um disco de estúdio com algum som de plateia de vez em quando do que um memorável concerto.

A alta qualidade sonora chega, às vezes, a esterilizar algumas canções. Três exemplos: “Crystal”, “Ceremony” e “True Faith”. Pude assistir in loco as mesmas versões e arranjos de NOMC15 em Paris (tenho, inclusive, uma gravação pirata desse show) e, acreditem: os ruídos, os urros da plateia, a reverberação, o eco, etc, todas essas “imperfeições” engrandecem esses temas. Por outro lado, é preciso reconhecer que, em outros casos, o som cristalino e bem definido nos ajuda a “descobrir” detalhes que muitas vezes nos escapam quando estamos em frente às paredes de P.A.’s e misturados à multidão. “Waiting for the Sirens’ Call” seria um belo exemplo: a faixa teve o seu arranjo reconstruído para essa turnê tendo como base um remix feito pela banda italiana Planet Funk; o que no show não passa de um momento morno (daqueles que muita gente  aproveita para ir pegar uma bebida no bar), se transformou, no disco, em uma grandiosa apoteose de sintetizadores. O mesmo vale para uma das mais novas: (a excelente) “Plastic”.

A lista de músicas até que resume bem a trajetória da banda: temas novos (cinco ao todo: as três já citadas mais “Singularity” e “Restless”), os grandes hits (“Bizarre Love Triangle”, “The Perfect Kiss”, “Temptation”, “Crystal”, “True Faith” e, é claro, “Blue Monday”), canções menos famosas (“5-8-6” e “Your Silent Face”), obscuridades (“Lonesome Tonight”, lado B do single “Thieves Like Us” e uma das surpresas da turnê) e, evidentemente, um par de temas do Joy Division (“Atmosphere” e “Love Will Tear Us Apart”). Fãs mais radicais e “malas” lamentarão a ausência de canções de Movement, mas o que realmente vem fazendo falta são faixas do disco mais perfeito e bem sucedido da banda: Technique, de 1989. Talvez a recusa de tocar as músicas desse LP seja um resquício daquele antigo New Order…

Para os caçadores de pelo em ovo, alguns discretíssimos tropeços aqui e ali podem ser encontrados, sim!, como uma batida errada em “Ceremony” (coisa rara em se tratando de Stephen Morris, “a bateria eletrônica humana”), um teclado entrando ligeiramente atrasado em “Tutti Frutti”… Se eles não existissem, não seria o New Order, é claro. Mas não passam de gotas insignificantes num oceano de pontos a favor – em outras palavras, o saldo geral em NOMC15 é positivo. Até mesmo o som do baixo de Tom Chapman, mixado um tanto atrás dos demais instrumentos (o que é um retrocesso em matéria de New Order), não chega a nos fazer sentir desesperadamente a falta de Peter Hook (por estranho que isso possa parecer). Mas é certo que os detratores do New Order “certinho” vão discordar disso veementemente.

O correto é dizer que NOMC15 é um disco que reflete tanto a transformação do New Order em artistas completos (que jogam bem tanto em estúdio quanto ao vivo) quanto o crescimento e amadurecimento de seu público – ou, melhor dizendo, da parte dele que quer ver sua banda favorita fazendo bonito no palco, ainda que um tanto burocraticamente e sem a espontaneidade e a atitude de outrora. É como diz a primeira linha do refrão de “Times Change” (trad.: “os tempos mudam”): “A vida nunca mais será a mesma”

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REVIEW | Avaliamos os novos discos ao vivo de Peter Hook & The Light

Peter_Hook_Digi-600x425Peter Hook deve gostar muito de ouvir o tilintar das caixas registradoras… afinal, que razão ele teria para pegar três shows seus com o The Light (seu atual grupo) e lançá-los distribuídos em seis CDs (dois álbuns duplos e dois simples), ou ainda em nove discos de vinil (avulsos)? Não, caro leitor, você não leu errado: são meia dúzia de discos laser e uma novena de LPs.

A última vez que me lembro de ter visto algo assim foi quando a New State Recordings lançou, em 2006, uma coleção de doze singles de vinil contendo remixes clássicos e recentes de faixas do New Order. Conheço gente que até hoje não conseguiu completar a coleção devido à dificuldade para se conseguir os doze discos juntos. Quem ficou babando pelos novos lançamentos do The Light vem passando por um perrengue parecido. Eu explico…

Quando Hook anunciou o lançamento, foi dito que as versões em vinil dos álbuns Unknown Pleasures Live in Leeds, Closer Live in Manchester, Movement Live in Dublin e Power, Corruption and Lies Live in Dublin seriam edições limitadas produzidas exclusivamente para o Record Store Day 2017 (ocorrido no último dia 22 de abril). Só que muita gente se queixou de que não havia uma loja sequer entre as inscritas no evento que possuísse em estoque os nove discos (coloridos, faltou dizer). Resultado: mesmo quem estava disposto a abrir a carteira e fazer tamanha extravagância acabou não obtendo êxito. Até este momento não sei ao certo o que dizer sobre essa bizarra estratégia comercial.

Entretanto, como as edições em CDs já chegaram em nossas mãos, foi possível fazer uma avaliação dos novos lançamentos para o blog. Será que valem a pena? Bom, leiam as análises individuais de cada álbum e tirem suas próprias conclusões!

Unknown Pleasures Tour 2012 – Live in Leeds (☆☆☆): Este registro do show realizado dia 29 de novembro de 2012 no The Cockpit, uma popular casa noturna que fechou suas portas em 2014, é o terceiro lançamento oficial de uma versão ao vivo completa do álbum Unknown Pleasures (isso se não colocarmos na conta o CD triplo So This Is Permanence, que apresenta Peter Hook e o The Light interpretando em uma única noite todo o repertório gravado pelo Joy Division). No mínimo isso revela o quanto o disco é estimado pelo baixista. Todavia, se eu tiver que escolher a melhor das três versões ao vivo de Unknown Pleasures, fico com Live in Australia, de 2011. De interessante em Live in Leeds é o fato de Hook nos brindar com um set mais longo e que inclui uma seleção mais variada de faixas de outros períodos do Joy Division, abrangendo desde a fase punk com “The Drawback” e “Warsaw” até canções de Closer. Todavia, essas faixas reaparecem em versões melhores no disco Closer Tour 2011: Live in Manchester (a exceção talvez seja “Atrocity Exhibition”…).  Aqui, de uma maneira geral, falta um pouco de punch. Na ocasião em que o show no The Cockpit foi gravado, Nat Wason ainda era o guitarrista do The Light. Destaques: “Disorder”, “New Dawn Fades”, “Shadowplay”, “Interzone”, “Atrocity Exhibition”, “Something Must Break”.

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Unknown Pleasures Live in Leeds

Closer Tour 2011 – Live in Manchester (☆☆☆☆): também com Nat Wason na guitarra, aqui temos o The Light apresentando uma razoável versão da obra-prima do Joy Division no FAC 251 The Factory, um clube do qual Peter Hook é sócio e que fica no prédio que outrora sediava o quartel-general da Factory Records. Tal como Live in Leeds, é um CD duplo – o que quer dizer que além do álbum Closer tocado na íntegra temos diversas outras faixas do Joy Division. “From Safety to Where…?” transformou-se de cara em uma das minhas favoritas. Mas vamos com calma! Até chegarmos nela temos ainda que passar por uma ótima versão da instrumental “Incubation” (que abre o disco), além de “Dead Souls” (apenas “ok”) e “Autosuggestion” (em versão superior a aquela apresentada no ano passado aqui no Brasil). Dentre as canções de Closer, destacamos “Atrocity Exhibition”, “Colony” (interpretada na voz arrepiante de Rowetta, dos Happy Mondays) e “The Eternal”. Cabe aqui mencionarmos uma certa dificuldade do baterista Paul Kehoe de emular o estilo “rápido, porém lento” de Stephen Morris no Joy Division – o que ficou evidente, por exemplo, na arrastada interpretação de “Passover” e numa versão “sem-sangue-nos-olhos” de “Novelty”. Por sua vez, “Decades”, minha faixa favorita de Closer, não chegou aos pés da apoteótica versão que o New Order vem apresentando em seus shows. No balanço geral, é um disco melhor que Unknown Pleasures Live in Leeds. Vale a pena também por “These Days”,  “Warsaw” e pelos vocais guturais de Hook em “Transmission”.

Movement Tour 2013 – Live in Dublin (☆☆☆☆): Inexplicavelmente, esse show gravado no dia 22 de novembro de 2013 no The Academy, em Dublin, foi dividido em dois CDs simples, cada um deles trazendo uma interpretação completa de um álbum do New Order. Este, com foco em Movement (primeiro LP da banda), abre com uma seleção de sete faixas do Joy Division. Talvez a intenção de Hook tenha sido evidenciar a ligação, em termos musicais, entre o JD e o som do New Order em seu álbum de estreia. Em Movement Live in Dublin, temos versões ainda melhores de “Incubation”, “Autosuggestion” e “The Drawback”, mas a falta de brilho em canções como “Passover” e “Wilderness” se repete. Só que desta vez o guitarrista não é mais Nat Wason, mas, sim, um velho companheiro de Hook: David Potts (ex-Revenge e ex-Monaco). Fãs mais ardorosos do rancoroso baixista que me perdoem, mas ainda não nasceu uma versão de “Ceremony” feita pelo The Light que realmente me agrade – e o mesmo digo para a clássica “Dreams Never End”. Entretanto, as interpretações de “Procession” e “Cries and Whispers” são dignas de elogios e aplausos, assim como quase toda releitura de Movement, com destaque para “Truth”, “Senses”, “Chosen Time” e “Doubts Even Here”.

Power, Corruption and Lies Tour 2013 – Live in Dublin (☆☆☆☆): Aqui temos a continuação do show cuja primeira parte foi incluída no CD anterior. Com exceção de “Love Will Tear Us Apart”, que encerra o disco, o resto é puro New Order. O álbum começa com uma versão espectacular e arrebatadora de “Everything’s Gone Green” – single originalmente lançado em 1981, logo após Movement, e que é considerado por Peter Hook (e, também, pelos seus ex-colegas de banda) o primeiro lampejo do som clássico do N.O. Sem muita enrolação, o disco segue com “Age of Consent”, faixa que dá início à interpretação do The Light para Power, Corruption and Lies. Apesar de ortodoxas, isto é, com arranjos muito próximos aos da gravações originais de estúdio, as versões ao vivo desse Live in Dublin possuem um incontestável frescor, o que faz desse CD o melhor entre os quatro. Todavia, um dos raros pontos fracos aqui são os vocais de Hook. A voz do baixista até que se ajusta um pouco melhor ao repertório do Joy Division ou ao material inicial do New Order. Mas não é o caso, por exemplo, de “Leave Me Alone”, “True Faith” (todavia impecável na parte instrumental) e “Temptation”. O disco inclui ainda um registro de “Blue Monday” que é bastante representativo de uma das grandes “falhas” desse pacote lançamentos ao vivo: a falta de um grave mais “cheio” e poderoso. Cabem aqui menções honrosas para “The Village” e “Ultraviolence”.

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Closer Live in Manchester (no alto), Movement Live in Dublin (esquerda) e Power, Corruption and Lies Live in Dublin (à direita).

Os discos vêm embalados em bonitos estojos tipo digipak cujas artes recriam ou reciclam, com muito bom gosto, os projetos gráficos dos álbuns originais. Entretanto, surpreende o fato de que nenhum deles traz encartes / libretos com fotos dos shows ou textos. Também é de se estranhar que não existem créditos para o artista gráfico (ou escritório de design) responsável pela parte visual, o que sugere que as capas podem ter sido produzidas pelo departamento de arte da própria gravadora (Westworld Recordings). Esse “desleixo” é algo a se lamentar, principalmente porque as capas ficaram realmente muito boas.

Depois de incontáveis coletâneas de gravações de estúdio, agora chegou a vez do mercado ficar abarrotado de álbuns ao vivo com o material do Joy Division e do New Order – não podemos nos esquecer que no mês que vem chega NOMC15, registro de um show da turnê do disco Music Complete feito em Londres em 2015. E o New Order já tem outros três discos ao vivo oficiais em seu catálogo: BBC Radio One Live in Concert (1992), Live at the London Troxy (2012) e Live at Bestival (2013). Pelo visto, se depender de Peter Hook os fãs de ambas as bandas terão discos ao vivo para mais umas duas gerações.

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NOTA: É com profundo pesar e tristeza que publico este post, já que ontem mais uma vez a loucura e o desprezo pela liberdade e pela vida ganharam as manchetes. Manchester chora as vítimas da insensatez, da ignorância e da falta de escrúpulos daqueles que querem impor aos outros, através da violência e do medo, sua enviesada e distorcida visão de mundo. Minhas condolências às famílias dos mortos no ataque à Manchester Arena. E registro aqui minha torcida pela recuperação dos feridos. Foi a música que primeiro me conectou a Manchester; agora, o que me conecta à cidade é a solidariedade e a empatia.