DIY |Fazendo meu próprio CD ao vivo personalizado do New Order

WARNING: This project is for my personal enjoyment only and I’m just sharing with the readers my own experience on the process. I will not sale any copies from that work. Please, do not insist. The artwork is just inspired by Saville design as the following text explains. This blog respects New Order’s copyrights and their partners.

asset (2)Em novembro do ano passado eu tirei a sorte grande: por motivos profissionais, fui a Paris e, de quebra, além da oportunidade de crescer no meu campo de trabalho e expandir meus horizontes, pude conhecer uma bela e charmosa cidade e, também, ver o show de estreia da turnê do álbum Music Complete, do New Order. Eu já havia visto a banda ao vivo fora do Brasil outras vezes – Lima, Santiago e Montevidéu -, mas essa ocasião foi a primeira em solo europeu. Foi, portanto, um momento especial. Por essa razão fui ao show (realizado no elegante Casino de Paris) preparado para trazer para o Brasil uma lembrança: por debaixo de um sobretudo, escondi um gravador e um microfone para registrar aquela apresentação na íntegra.

Nos últimos dias, até por uma questão de relaxamento e higiene mental, resolvi que essa recordação não deveria se resumir a arquivos de áudio guardados em um HD junto a centenas de outros shows do New Order. Seria bom se esse material ganhasse “vida”, isto é, materialidade. Algo que eu pudesse também ver e manusear – e até mesmo mostrar a um amigo enquanto contasse histórias sobre a viagem e o show. Então decidi fazer por contra própria meu disco ao vivo personalizado do New Order, no formato box set, que batizei de Musique Complète, que nada mais é do que Music Complete em francês. Resolvi compartilhar aqui no blog todo o processo de produção, desde a gravação até a elaboração e confecção da parte visual, na qual experimento um pouco do que aprendi sobre design (pelo menos em termos de ideias e conceitos) com os desenhistas industriais que tenho na família. O que não vou compartilhar, de maneira alguma, é a minha gravação do show. Além do valor sentimental, não é objetivo do blog oferecer cópias de qualquer material – oficial ou não. E certamente há outras gravacões piratas desse concerto à solta pela rede, de modo que não se faz necessário insistir pela minha e nem que eu comercialize réplicas do meu projeto pessoal Musique Complète – ele não está a venda!

O equipamento que utilizei para gravar o show foi: (a) um gravador digital estéreo Sony ICD-PX440 (ajustado em “Modo Cena: Performance Musical”); (b) microfone estéreo Sony ECM-CS10. Tudo muito simples e barato perto dos Roland R-05 que alguns fãs gringos do New Order usam, mas eles bem que ficariam surpresos com o resultado que eu obtive. O segredo do meu “sucesso”, dizem, foi o meu microfone (de boa qualidade). Bom, voltando à gravação: o Sony ICD-PX440, quando configurado para “Performance Musical”, se ajusta automaticamente para fazer o registro em MP3 a 192kbps. É o melhor que ele pode fazer, infelizmente. Mas a gravação ainda teria que passar pelos processos de “mixagem” e “masterização” no “estúdio”: um Macbook Air equipado com um Mac OS X Yosemite 10.10.5 rodando o Audacity 2.1.2. Havia ainda trabalho a ser feito.

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O pequeno Sony ICD-PX440: chupa essa Roland R-50!!!

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O ECM-CS10: a dica de ouro foi não economizar no microfone.

No Audacity, a primeira coisa que fiz foi aumentar o gain (ganho) do áudio em +2 dB (dois decibeis). Se eu subisse mais do que isso, além de produzir distorção, eu seria mais um bravo soldado na chamda loudness war (masterização e lançamento de gravações de digitais com volume cada vez mais alto) e, dessa maneira, eu “mataria” a gravação. No caso dessa, o charme dela é justamente seu caráter “caseiro” e “pirata” – sua imperfeição é parte de sua qualidade, ainda que um som baixo demais não seja algo de fato desejável. No mais, apliquei o noise reduction (remoção de ruídos) e subi levemente os graves, estes sempre os mais prejudicados em gravações “clandestinas”. Com esses ajustes, um único grande arquivo MP3 a 192kbps se transformou em dezenove arquivos WAV a 320kbps. Joinha!

Amostra: New Order, “True Faith” (ao vivo no Casino de Paris, 04 de novembro de 2016).

Para transferi-los para os CDs, utilizei o iTunes na versão 12.3.3 – usei o próprio programa para subir um pouquinho mais o ganho na transferência para a mídia física (mas não muito!) e para dar mais um reforço aos graves através do equalizador na opção bass amplifier. O resultado, experimentado num CD player Tascam CD200 ligado a um pré-amplificador + amplficador de potência + pré-equalizador Unic AC800 e a um equalizador Behringer Ultragraph Pro FBQ1502 não foi menos que excelente. Resolvidas as questões de gravação, mixagem, masterização, etc, havia chegado a hora de cuidar da parte visual.

A arte produzida para o projeto teve como inspiração o álbum Music Complete. Criado por Peter Saville e executado por Paul Hetherington, o conceito que foi batizado de Techno Tudor contém características que se tornaram preponderantes nas capas dos discos do New Order: minimalismo, color blocks, logotipos opacos e destaque para a tipografia, mix de texturas, grandes espaços “vazios” ou “em branco” (tidos como “sem função” no design pop tradicional, mas amplamente valorizados por Saville). Procuramos reproduzir esses elementos introduzindo, é claro, um toque pessoal. O importante é que o produto final resultasse em algo próximo ao que a experiência de um álbum do New Order propõe: um deleite não apenas para a audição, mas também para a visão e para o tato. Uma segunda inspiração foi uma edição limitada em 300 cópias do CD BBC Radio One: Live in Concert (1992) produzido em um estojo de madeira. Esse conceito, no entanto, foi obra do estúdio de design Mental Block, porém inspirado nos trabalhos de Saville.

Referências para a arte de nosso Musique Complète

Para a “capa frontal”, desenhei um arranjo de linhas negras espessas e cores que remetiam à capa do álbum Music Complete, algo que se situa entre as fachadas da arquitetura Tudor (conhecidas como fachwerk ou enxaimel) e os quadros de Piet Mondrian. Entretanto, por motivos óbvios, os “espaços vazios” entre as linhas foram preenchidos com as cores da bandeira da França (azul, branco e vermelho). Em uma faixa lateral de fundo incolor (ou branco, se preferir assim) no lado esquerdo, escrevi New Order: Musique Complète utilizando a mesma tipografia escolhida por Saville e Hetherington no CD Music Complete, a AG Schoolbook – e que por sua vez foi empregada em todas as partes textuais da arte. Essa parte do projeto gráfico foi impressa sobre papel fotográfico glossy adesivo de 135g, aplicado sobre a tampa de uma caixa feita de medium-density fiberboard (MDF, ou “fibra de madeira de média densidade”).

A arte inclui também os itens que se encontram dentro da caixa. Um deles é uma espécie de “encarte” de 11,5cm x 22,5cm (altura x largura) dobrado no meio, como uma capa simples – ou seja, sem ser do tipo libreto – de um CD album case. Esse encarte contém, na sua parte frontal, os dizeres New Order: Musique Complète. En Directe dans le Casino de Paris Mercredi 4 Novembre 2015. Na parte traseira, ou “contracapa”, digamos, temos o tracklist completo dos dois discos. Quando o encarte é aberto, há apenas um New Order: Musique Complète na página da esquerda, com alinhamento vertical ao centro, mas horizontalmente alinhado mais próximo à linha da dobra, enquanto que a página da direita encontra-se completamente vazia. Além de corresponder ao minimalismo típico dos trabalhos de Saville com o New Order, visualmente ficou estiloso (a intenção, na verdade, era outra… mas um “feliz acidente” na impressão resultou em algo menos “careta” do que eu tinha em mente no início). O encarte foi feito em papel canson branco (textura granulada) de 130g/m2. Não foi uma escolha aleatória: a origem do papel canson é… francesa!

Além do encarte, a caixinha traz três “postais” (chamemos assim por falta de um nome mais apropriado). Todos os três foram impressos em papel fotográfico matte (ou seja, fosco) de 170g, com medidas de 10cm x 15cm (altura x largura). No primeiro incluí uma reprodução da arte da capa, nosso Techno Tudor à francesa, porém sem qualquer informação textual; no segundo, pus uma foto que fiz do show no Casino de Paris (nela aparece toda a banda durante a execução de “Ceremony”); o terceiro e último é, na verdade, um “segundo encarte” que contém os créditos do nosso CD duplo.

Para proteger os discos, utilizei envelopes plásticos para CDs transparentes de espessura média, de 132mm x 123mm (altura x largura) e 10g. A aba dos envelopes foram retiradas com um estilete para que se transformassem em holders. Na parte frontal de cada um deles, fixei uma arte em fundo branco de 9cm x 9cm feita com o papel adesivo – em uma se lê Disque UN (disco um) e, na outra, Disque DEUX (disco dois). O UN eu destaquei em negrito azul, enquanto que o DEUX foi evidenciado em negrito vermelho. Além de uma vez mais fazer alusão às cores da bandeira da França, era também uma forma de remeter aos holders / encartes do LP Substance (1987). Para completar, eu fiz para cada holder um inlay de papel canson (o mesmo que usei no encarte) de 11,3cm x 11,3cm, cada um contendo a lista de faixas dos respectivos discos.

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Os encartes do LP duplo “Substance”: por possuírem as mesmas cores da bandeira da França serviram de referência para os holders dos CDs.

O resultado final ficou exatamente como pretendido. Além de bonito para os olhos, a caixa reúne diferentes texturas: a do aglomerado, a do papel com brilho, a do papel canson e a do papel fotográfico fosco. A cereja do bolo foi a inclusão, como “brinde”, do pin badge que os Vikings – grupo de fãs europeus hardcore do New Order que segue a banda por todos os lugares – fizeram para essa tour (e que me deram de presente na noite do show em Paris).

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MY STUFF | Nova aquisição

RSDI got it!  Item anunciado, item adquirido. Aqui mesmo no blog, no post retrasado, eu noticiei que a Radiation Records, tradicional loja alternativa de discos em Roma, Itália, lançaria um picture disc de 7″ exclusivo do Joy Division (“Love Will Tear Us Apart” + “Leaders of Men”) como parte de uma lista off catalogue (não oficial) de edições especiais para o Record Store Day 2015. A notícia sobre esse vinilzinho vazou no Dry 201 Message Pub faltando pouco menos de uma semana para o RSD e, felizmente, chegou na hora certa: meu cunhado está de férias pela Itália! Fiz a encomenda e hoje ele deu um pulo lá na Radiation para conseguir uma das 500 cópias disponíveis do compacto do Joy Division (a minha é a de número 59). Graças a ele, não vou precisar recorrer ao eBay – nem morrer em uma grana fabulosa. Valeu, cunhado! Quando o disco estiver em minhas mãos, vai rolar um review.

MY STUFF | Meus discos autografados pelo New Order

BLTautoUm dos meus grandes orgulhos como fã de Joy Division e New Order é ter uma respeitável coleção de discos das duas bandas que reúne, além dos álbuns oficiais, singles, EPs, bootlegs, edições limitadas e raridades, etc. Há quem considere isso perda de tempo hoje em dia – para que entulhar a casa de vinis e CDs, sem contar o enorme dispêndio financeiro, quando se pode baixar tudo na internet e, em seguida, armazenar sua coleção no seu HD ou em uma “nuvem”?

Para os moderninhos de plantão, eu digo o seguinte: não é a mesma coisa. Para um fã de verdade, correr atrás daquela edição limitada numerada a mão lançada só no Japão é como sair à caça de um tesouro perdido: é perseguir seu rastro, procurando pistas aqui e ali (soltando uma boa grana no meio do caminho, evidentemente), até conquistar o privilégio de estar entre aqueles poucos que puderam pôr os olhos e as mãos naquele Santo Graal. É meio que bancar o Indiana Jones.

Uma peça de coleção adquire valor ainda maior – e não me refiro necessariamente ao valor financeiro – quando está assinada pelo(s) autore(s). Para os colecionadores de MP3, lamento informar que ainda não é possível autografar arquivos de áudio. Não teria muito cabimento pedir, por exemplo, que o Bernard Sumner ou o Peter Hook autografassem o meu iPod… Felizmente, isso não foi preciso. Hoje tenho quatro discos assinados por diferentes configurações do New Order. Os singles de 7″ de “Bizarre Love Triangle” (1986) e “Blue Monday ’88” (1988) estão autografados pelo New Order clássico, aquele que aprendemos a amar desde sempre: além de Sumner e Hook, Gillian Gilbert e Stephen Morris. Mas na capa do CD Singles, de 2005, temos, alem dos quatro, a assinatura de Phil Cunningham, que substituiu Gillian durante seu afastamento sabático. Como o disco abrange toda a produção da banda entre 1981 e 2005, nada mais natural que a assinatura do Phil estivesse incluída junto às dos demais. Por fim, temos uma edição japonesa do álbum Live at Bestival 2012 autografada pela formação atual, já sem Peter Hook, e com Tom Chapman no baixo.

As assinaturas de Sumner, Gilbert, Morris, Cunningham e Chapman foram colhidas no ano passado durante a turnê sulamericana do New Order (que passou pelas edições chilena, argentina e brasileira do festival Lollapalooza e pelo festival uruguaio Rock’N’Fest), em março/abril. Já as de Peter Hook foram adicionadas posteriormente, também no ano passado, durante sua vinda ao Brasil com o show Performs New Order’s Low Life & Brotherhood Live.

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MY STUFF | “Engraved steel keyrings”

DSCN0823_FotorComo as coisas eram mais difíceis na década de 1980… Singles e EPs do Joy Division e do New Order somente nas lojas que vendiam discos importados (como a hoje extinta Modern Sound, em Copacabana), onde se pagavam verdadeiras fortunas; ou através daqueles poucos amigos ou “conhecidos” que viajavam para o exterior. O mesmo valia para as camisetas: hoje é moleza ver por aí a garotada vestida de Unknown Pleasures, mas naquela época só dava mesmo era camiseta do Iron Maiden e olhe lá. Se bem que, outro dia, vi uma NÃO OFICIAL (ou seja, não licenciada) em uma loja de um shopping de um bairro nobre aqui do Rio custando mais de R$ 100. Bom, mas pelo menos você hoje pode encontrar uma camiseta do Joy Division num shopping – mas, felizmente, existem outras piratas (bem legais) mais baratas por aí. E a internet tornou mais fácil o acesso ao material musical (físico ou digitalizado, pago ou “gratuito”).

E não apenas isso… Tecnologias novas e cada vez mais baratas / acessíveis vêm popularizando uma série de produtos e serviços que vem ajudando fãs dos mais variados artistas e das mais diversas mídias a ter uma coleção sem limites de quinquilharias personalizadas (ok, estamos aumentando a quantidade de lixo no mundo, mas o indivíduo alcunhado de “fã”, seja lá do que ou de quem, não prima muito por essa qualidade conhecida como “bom senso”). Graças, por exemplo, a invenção de impressoras com cabeçotes de impressão de ponta de diamante, pode-se imprimir, gravando microssulcos imperceptíveis ao olhar e insensíveis ao tato, imagens detalhadas, em alta definição, sobre aço inoxidável. Foi com essa técnica que criei, com uma ajuda de minha esposa, esse chaveiro personalizado do álbum Technique (1989), do New Order. Ah, antes que alguem pergunte: não estão à venda. Um eu fiz para mim mesmo; o outro é para dar de presente.