NEWS | MOJO: New Order é a “Banda do Ano” em 2015

266_BowieApós ter dado quatro estrelas (de cinco possíveis) ao álbum Music Complete em agosto deste ano, a revista inglesa Mojo, em sua recém lançada edição #266 (janeiro de 2016), elegeu o New Order a “Banda do Ano” de 2015 e traz uma entrevista com o grupo. Alguns trechos podem ser conferidos aqui. Em um deles, a tecladista Gillian Gilbert diz “Nós tivemos um bocado de sorte com a colaboração da Elly Jackson [aka La Roux] e do Tom Rownlands [Chemical Brothers]. Criou-se um pouco de entusiasmo que eu suponho que havíamos perdido. É como sair em turnê e ver pessoas jovens na plateia, isso lhe dá um impulso”. Stephen Morris, o baterista, por sua vez disse que “A última vez que foi emocionante lançar um disco foi, provavelmente na metade dos anos oitenta, mais ou menos na época do Low Life. Foi realmente esquisito sair com esse disco em turnê e ver a reação [do público] aos números mais eletrônicos e dançantes”. Segundo a revista, a entrevista também contém “pensamentos da banda” à respeito de “certos baixistas”.

Mas a Mojo não ficou “apenas” nisso. Na sua lista dos “50 Melhores Álbuns de 2015”, o disco Music Complete aparece em um digno terceiro lugar, deixando para trás títulos badalados de Blur, Tame Impala, The Libertines e álbuns de dois medalhões do rock: os guitarristas Keith Richards (Rolling Stones) e David Gilmour (ex-Pink Floyd)! A cereja do bolo foi a inclusão da faixa “Restless” no CD-brinde da edição, intitulado Mojo’s Best of 2015. Em outras palavras: para a revista, 2015 foi o ano do New Order.

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NEWS | MEN publica detalhes sobre litígio envolvendo Peter Hook e New Order

560b6-new-order-left-to-right-g-007O site do jornal Manchester Evening News publicou hoje uma longa matéria revelando detalhes sobre o processo movido nos tribunais pelo baixista Peter Hook contra seus ex-colegas de New Order. De acordo com o texto, de autoria de James Brewster, o músico (também conhecido como “Hooky”) teria perdido cerca de £ 2,3 milhões devido a “táticas desleais” cometidas por Bernard Sumner (voz, guitarra), Gillian Gilbert (teclado, guitarra) e Stephen Morris (bateria, teclado) – sem contar, obviamente, as despesas com o processo. De acordo com o advogado do ex-New Order, Mark Wyeth, tais “manobras” comerciais e financeiras teriam ocorrido de maneira clandestina até finalmente se tornarem conhecidas. Em 2011, Sumner e Morris criaram uma nova empresa – a New Order Ltd. – para licenciar o uso do nome da banda até 2021. Além de ter ocorrido sem o conhecimento prévio de Peter Hook (pelo menos é essa a versão sustentada pelo advogado que representa a sua causa), a criação da New Order Ltd. gerou, em quatro anos, uma renda de aproximadamente £ 7,8 milhões. Os demais integrantes se defendem: alegam que o baixista recebe uma justa participação na divisão dos royalties e que sua campanha para processá-los não vai dar em nada, a não ser ameaçar todos eles com contas “potencialmente desastrosas” com advogados que rondariam a casa de £ 1 milhão.

Atualmente, pela New Order Ltd. Peter Hook tem direito a uma participação de 1,25% em divisão de royalties. Todavia, ele reivindica 12,5%, o que incluiria receber quantias pelos shows que a banda vem fazendo atualmente e pelo merchandising. Em outras palavras, ele quer embolsar dinheiro até mesmo de uma camiseta do novo álbum, Music Complete. Em 1992, no rastro do fim da Factory Records, a banda criou a empresa Vitalturn Company Ltd. para administrar todos os direitos envolvendo o nome New Order, sendo que Hook é co-proprietário de 25% da companhia, enquanto os demais detém os 75% restantes. Ainda hoje, a Vitalturn recebe um depósito anual da ordem de £ 1 milhão de royalties pelo catálogo do New Order. Porém, com a criação da nova empresa pelos antigos companheiros e o deslocamento do licenciamento da marca para as mãos da nova companhia, Hooky começou a ver seus lucros caírem enquanto os dos demais não parava de crescer. No jargão legal, seria um caso de apropriação indébita. Nas palavras do advogado do baixista, “foi como se George Harrison e Ringo Starr se reunissem na casa de um deles em uma noite de sexta-feira para agir em conjunto e alienar Paul McCartney da sua participação nos Beatles”. O músico acredita que, vencendo o processo, estaria restaurando os “bens desviados” da Vitalturn.

Inicialmente, as intenções de Peter Hook eram ou impedir que o trio Sumner-Morris-Gilbert prosseguisse como New Order, ou, então, poder retornar ao grupo. Entretanto, o juiz que vem tratando do caso, David Cooke, rejeitou tais motivações. No caso de um suposto retorno ao New Order, o juiz Cooke sentenciou que uma eventual volta de Hook ocorreria “a despeito dos réus, que estão prosseguindo de modo bem sucedido com suas carreiras com o uso do nome [New Order], enquanto ele [Peter Hook] não está mais autorizado a participar” e que “os réus não o convidariam para tocar com eles no futuro”. Em virtude desse fato, Hook teria optado em “obter alguma vantagem do Sr. Sumner e do resto da banda”. Leia-se: dinheiro. Mas tudo isso não era, afinal, para “restaurar os bens desviados da Vitalturn”?

Ou seja, com tudo às claras agora, chega ao fim o baile de máscaras: todo o discurso de Peter Hook sobre respeito ao legado do New Order acabou de cair por terra. Isso quer dizer o seguinte: por ele, Sumner pode até chamar a banda de Joy Division agora, se quiser… Desde que lhe pague um bom dinheiro por isso.

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NEWS | Sumner dá mais detalhes sobre próximo CD do New Order na Classic Pop Magazine

Screen-Shot-2015-05-21-at-17.11.04-216x300Na edição junho / julho da Classic Pop Magazine, do grupo editorial britânico Anthem Publishing, a coluna “The Godfathers of Pop” (trad.: Padrinhos do Pop) traz uma entrevista com o vocalista e guitarrista do New Order, Bernard Sumner, que revela mais um pouco sobre o próximo (e ainda sem título divulgado) álbum da banda, cujo lançamento está previsto para setembro/outubro deste ano. Na entrevista, além de ter confirmado o posto de Craig Silvey na mixagem, Sumner disse que, excetuando as faixas produzidas por Tom Rowlands (Chemical Brothers), a maior parte do disco foi produzido pelo próprio New Order – um bom sinal, haja vista que os melhores LPs do grupo foram justamente aqueles produzidos por eles mesmos. Além disso, o músico diz que a Mute Records, atual gravadora do New Order, quer um álbum de 10 faixas, mas que eles possuem algo entre 14 e 15 canções e que faziam questão de finalizar todas elas. Isso é um indicativo de que poderemos ter singles com b-sides e não apenas remixes, já que é pouco provável que o CD saia com quinze músicas. Apesar de ter sido publicada este mês, é possível notar que a entrevista foi feita algum tempo antes, pois o disco já está em finalização.

Informação adicionada às 16:15 (08 Jun 2015): fontes (que eu não posso revelar) afirmam que tiveram acesso a um remix de uma das faixas do novo álbum feito pelo DJ e produtor Andrew Weatherall, que já trabalhou com o New Order em outros singles como “World in Motion” e “Regret”. O título da canção não foi revelado, mas supõe-se que virá a ser o primeiro single a ser lançado e que não se trata de nenhuma das músicas já apresentadas ao vivo pela banda – “Singularity” e “Plastic”. Descreveram a faixa como sendo no estilo do Underworld. É esperar para ver…

Trazemos ao leitor do blog a entrevista traduzida e, também, o link de acesso à versão original em inglês.


O que inspirou o novo ábum?

Voltamos a fazer shows e eles foram ficando cada vez melhores. Estávamos curtindo tanto quanto o público, então o álbum parecia ser a próxima coisa lógica a fazer.

Você está satisfeito com os resultados obtidos até agora?

O álbum soa brilhante. Eu sou um homem muito modesto, se não fosse eu diria “é ok”. Mas estamos à vésperas de terminá-lo e com cerca de duas faixas e meia para escrever. Mixamos cerca de sete faixas, por isso deve estar concluído na primavera ou pelo outono, talvez setembro ou outubro.

Um número conciso de faixas então?

Na verdade nós temos cerca de 14 ou 15 faixas. A gravadora quer 10, mas eu tenho que terminar todas elas. Me incomoda não poder terminar algo. Se eu só fizer as 10 faixas, sei que isso vai me chatear pelos próximos 10 anos.

Em termos sonoros, o New Order teve fases diferentes. Com qual delas esse álbum se compara?

É mais eletrônico que os dois últimos. É [música] eletrônica bruta, mas com arestas sólidas, como a velha escola do New Order. Há um par de faixas de guitarras também, mas que realmente te espetam os olhos. Eu acho que vai surpreender as pessoas.

Com quem vocês trabalharam?

Tom Rowlands, dos Chemical Brothers, está envolvido em algumas faixas, mas a maior parte foi produzida por nós mesmos e mixada por Craig Silvey. Descobrimos que foi um processo agradável, embora tivéssemos trabalhado durante um longo período e em lugares diferentes.

O que inspirou suas letras?

Acho que as letras tendem a ser tanto sobre o amor quanto sobre queixas. Quando se é jovem, é tudo sobre retaliação e quanto a obter suas próprias coisas. Agora, as canções são sobre ter um dia de merda, como alguem bater no meu carro ou não conseguir uma ereção.

Escrever músicas é um processo diferente para você nos dias de hoje?

Sempre depende da música. Eu escrevo sobre a atmosfera, que é derivada da música. A música sempre vem em primeiro lugar, antes das letras.

Vocês apresentarão as músicas novas ao vivo antes do álbum sair?

Não, nós não estamos em turnê, porque estivemos tocando ao vivo nos últimos três anos, por isso este ano foi totalmente devotado à gravação do álbum. Em seguida, faremos uma pausa para recarregar nossas baterias. Mas podemos fazer algo no outono.

Como você se sente sobre a campanha recente para fazer da casa de Ian Curtis em Macclesfield um museu?

Eu estou dividido. Obviamente é bom para honrar Ian, mas outra parte de mim acha que é um pouco macabro. Para mim, é um local de tristeza.

Que música você tem ouvido?

Estou ouvindo o novo álbum do New Order, eu trabalho doze horas por dia nele, começando ao meio dia e terminando meia noite; nos finais de semana eu estou lá com a minha língua de fora. Eu me levanto, ando em linha reta até o estúdio, fico puto em torno das sete horas da noite e quando eu não posso mais beber eu vou para a cama. Que é cerca da meia noite. É como a vida de um estudante, mas com dinheiro.

Portanto, este é seu álbum alcoólico?

Eu bebo somente no trabalho. É o oposto de ser um policial. A bebida não me faz criativo, é apenas para me fazer esquecer de mim mesmo e essa é a essência da criatividade. Eu bebo vinho nesses dias, rosé ou branco. O tinto me faz sentir sede e cansaço, como se eu tivesse um prego de nove polegadas na minha cabeça.

Então, podemos esperar uma bebida oficial do New Order, ou uma garrafa de vinho barato, como fizeram Madness, ou Tony Hadley?

O mais engraçado é que nos propuseram algo assim. Não é o meu negócio, mas eu não estou descartando o meu próprio conjunto de roupa íntima ou fragrância.

Em breve será a vez do New Order receber o Lifetime Achievement Awards. Como se sente?

Eu não me importo. Eu fui convidado para dar um desses nos NME Awards recentemente e eu pensei que eles haviam dito Slade, mas na verdade disseram Suede. Eu tive que reescrever meu discurso – eu estava esperando Noddy Holder. Mas o Suede é uma banda muito boa.

LANÇAMENTO | Premiére de documentário “incomum” sobre o Haçienda será no festival de Glastonbury

hacienda_text33“No dia 25 de novembro de 2000, no galpão de um armazém no centro de Manchester, 69 lotes do Haçienda foram leiloados…”

Foi isso mesmo. A maior parte de quem foi até lá conseguir os últimos souvenirs da lendária boate, desastrosamente administrada e financiada pela Factory Records e pelo New Order, saiu com tábuas da pista de dança. Um sortudo faturou o globo de espelhos, mas teve gente que levou para casa coisas mais graúdas – de luzes de emergência ao balcão do bar, incluindo até ao mictório! Pois bem, um diretor de filmes, Chris Hughes (mais um feliz proprietário de um pedaço daquele clube), resolveu, em 2013, rastrear esses itens e seus nostálgicos donos – e coletar suas histórias. O que Hughes queria saber era: com o que essas pessoas tinham ficado e o que tais objetos representava para elas. Na verdade, essa se tornou uma maneira completamente original de se contar a história do Haçienda: com base na memória afetiva dos seus antigos habitués.

O resultado é o documentário intitulado Do You Own a Dancefloor?, que, traduzido para o português, se chamaria “Você Tem Uma Pista de Dança?”. O filme foi feito em memória a Tony Wilson, ex-dono da Factory e falecido em 2007 em razão de um câncer nos rins. Por causa disso, o propósito do documentário é arrecadar fundos para o Kidneys for Life, uma instituição sem fins lucrativos voltada para o combate ao câncer renal. A premiére do filme será amanhã, dia 09 de maio, no festival de Glastonbury, na tenda Groovy Movie Cinema. Depois ele entra em cartaz num circuito hiper-restrito na Inglaterra até viajar para Montreal, onde será exibido em Setembro. Possibilidade de ser exibido por aqui? Mmmmm… Acho que não vai rolar.

NOVIDADES | Novo álbum do New Order está em fase final de mixagem

IMG-20150506-WA0000Boas novas para nós, fãs do New Order. Em sua conta no Twitter, o guitarrista e tecladista Phil Cunningham, incorporado oficialmente à banda em 2005, época do CD Waiting for the Sirens’ Call, divulgou uma foto de um técnico de costas trabalhando em um estúdio, acompanhada dos seguintes dizeres: “Mixagem final do álbum do New Order prosseguindo em Londres”. Isso quer dizer que a fase de gravações já terminou e que agora chegou a hora dos retoques finais. Naturalmente, do término da mixagem até o lançamento, há uma considerável distância – em outras palavras, todos os detalhes da pós-produção, como masterização, desenvolvimento e escolha da arte da capa, seleção da faixa que será usada como primeiro single, envio das fitas multipistas para produtores e DJs produzirem os remixes, serviços gráficos e por aí vai. Considerando que, ainda em seu Twitter, Phil respondeu a um fã que a banda está programando shows no Reino Unido para o final do ano, nosso palpite é que o álbum, sem título divulgado ainda, saia, talvez, em outubro (com o primeiro single pintando na área no finzinho da primeira quinzena de setembro). Vale lembrar que tem gente interessante e de gabarito envolvida nesse novo CD: Tom Rowlands, dos Chemical Brothers, Craig Silvey, que já prestou seus serviços para o Arcade Fire, e Jim Spencer, cujo currículo envolve, além do próprio New Order, The Charlatans, Paul Weller, Oasis e muitos outros.

LANÇAMENTO | Livro de memórias de Peter Hook sobre o Joy Division acaba de sair no Brasil

42887499No esteio do lançamento, no ano passado, da edição nacional de Touching From a Distance, a biografia de Ian Curtis e o Joy Division escrita por Deborah Curtis (Edições Ideal, 328 páginas), a editora Seoman, do Grupo Editorial Pensamento, pôs nas livrarias esta semana nossa versão em português de Unknown Pleasures: Inside Joy Division, escrito e lançado pelo ex-baixista Peter Hook em 2012, porém com o subtítulo alterado para o pomposo “A Biografia Definitiva da Cult Band Mais Influente de Todos os Tempos” (que mais parece inspirado naqueles insuportáveis livros de títulos quilométricos da editora Sextante). A capa foi baseada na edição paperback (brochura) norteamericana (ou seja, é diferente da original inglesa) e no Brasil o livro foi publicado com um prefácio escrito por Edgard Scandurra, guitarrista do Ira! e o homem por trás da banda-de-um-homem-só eletrônica Benzina. Uma amostrazinha do prefácio (muito bom, aliás) e do primeiro capítulo podem ser conferidos AQUI. De quebra, a editora ainda disponibilizou no You Tube um clipe / trailler de lançamento do livro estrelando o próprio Peter Hook dedilhando um baixolão! (ver abaixo)


O livro veio em boa hora, haja vista que Touching From a Distance – ou (argh!) Tocando à Distância – é muito mais uma biografia sobre o Ian Curtis que a história do Joy Division. Além disso, Unknown Pleasures é divertidíssimo e arranca umas boas risadas do leitor (por mais “estranho” que isso possa parecer quando se trata de JD). De quebra, a editora nacional está com uma oferta exclusiva em parceria com a Livraria Cultura: somente no site da loja foi disponibilizada uma edição especial limitada em 1.000 cópias numeradas e “assinadas” pelo Peter Hook (é um autógrafo digital), encadernadas em capa dura, sendo que os primeiros 300 clientes ainda levam de brinde uma camiseta. Encomendamos uma edição dessas para um review aqui no blog (só não sabemos se estamos entre os 300 sortudos que faturarão a camiseta).

Já que a editora Seoman tomou essa belíssima iniciativa, fica o pedido para que traduzam, também, o primeiro livro de Hooky, Haçienda: How to Not Run a Club (difícil, né?), e o que o baixista lançará este ano sobre o New Order. E já que estamos falando em livros, em comemoração aos seus sessenta anos a editora de arte Thames & Hudson Publishers relançará no dia 05 de maio próximo o volume Factory Records: The Complete Graphic Album (FAC 461), um belíssimo trabalho de compilação de toda a comunicação visual produzida para os diversos projetos da Factory Records (capas de discos, pôsteres e cartazes, flyers etc). Vale a dica.

IMPRENSA | Bernard Sumner fala sobre a gravação do novo álbum do New Order na MOJO

No comecinho deste ano, a revista MOJO também publicou uma matéria, assinada por Ian Harrison, falando das gravações do que virá a ser o décimo álbum de estúdio do New Order (sem título definido ainda), e o primeiro sem o idolatrado baixista Peter Hook. Trata-se, na verdade, de uma entrevista com Bernard Sumner incluída no editorial “15FOR2015”, que lista os quinze principais acontecimentos ou lançamentos esperados para este ano. O disco do New Order figurou a posição número 2. De interessante, ficamos sabendo que o engenheiro de som Craig Silvey, que trabalhou com Arctic Monkeys (Suck It and See), Arcade Fire (The Suburbs e Reflektor), The National (Trouble Will Find Me), Nine Inch Nails (“Closer to God”, single) e Portishead (Third), também está envolvido no projeto. A seguir, disponibilizamos uma tradução da matéria.


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#2: NEW ORDER
A banda mais célebre de Manchester combate uma tábua de passar roupa, alista um Chemical Brother e volta com uma música nova após uma década.

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Quando MOJO procurou pelo líder do New Order, Bernard Sumner, ele revelou que uma tábua de passar roupa havia acabado de cair sobre sua cabeça. Mas mesmo isso não pôs fim ao seu entusiasmo depois de tocar o primeiro mix de uma música nova – “Restless” – na noite anterior, feita com o engenheiro de som do Arcade Fire e do Arctic Monkeys, Craig Silvey. “Foi simplesmente do caralho! Realmente excitante, uma experiência emocionante”, diz ele. “É um pouco do que eu gosto – fazer algo criativo, começando do nada”.

Após três anos trabalhando ao vivo, a reformada banda agora está preenchendo esse vazio do nada com oito novas faixas e mais ainda por vir para o seu décimo álbum. As músicas começaram a tomar forma em janeiro de 2014: bateria, baixo e guitarra são gravadas no estúdio caseiro do percussionista Stephen Morris, em Macclesfield; vocais, programações e sintetizadores são adicionados nas instalações de Sumner, ao sul de Manchester.

“Quando temos uma faixa que é realmente inspiradora, dá bastante trabalho”, explica ele, acrescentando que a escuridão do inverno inglês o deixa mais produtivo, escrevendo em uma mesa voltada para uma parede para ter o mínimo de distração. “São as minhas impressões a partir da música que dão origem à primeira linha das letras, depois a segunda e assim por diante. Mas tenho que admitir que o processo de escrita tem sido fragmentado e sem sentido, realmente mais difícil do que sair em turnê”.

A banda irá produzir as canções finalizadas, incluindo “Unlearn This Hatred” e uma outra, cujo título provisório é “Tutti Frutti”, além de duas faixas supervisionadas por Tom Rowlands, dos Chemical Brothers. “Nós sempre contratamos produtores por duas razões”, diz Sumner, “porque nós os respeitamos e porque eles acrescentam algo a uma faixa, além de tirarem fora toda a merda e de serem políticos”. Os relatos de que seriam produzidos por James Murphy foram, diz ele, um mal entendido em uma entrevista on line quando a banda na verdade estava se referindo à sua assinatura de contrato com a gravadora Mute.

Educadamente, mas com firmeza, Bernard diz não querer chamar a atenção sobre possíveis temas (“liricamente, eu sou um impressionista, você deixa a pessoa escutar e fazer o resto, então ela se torna parte do processo”), mas confirma que o baixo de algumas músicas soa familiar, como no material altigo da banda. “Sim, há um pouco disso. Eu não quero menosprezar essa pessoa [ele está se referindo ao ex-baixista do New Order, Peter Hook], mas muita gente sabe tocar baixo. [O álbum] consiste em uma série de elementos, alguns eletrônicos, alguns acústicos, alguma mistura, como o Arcade Fire faz. O New Order é uma banda híbrida”.

Ele espera que o álbum saia na Primavera. “É um renascimento?”, ele pergunta. “É como se fossemos revelar nossa nova direção e fazermos nossa odisseia jazz? Não. Mas nos sentimos revitalizados, pelos shows terem ido tão bem e pela atmosfera positiva na banda. Acho isso perfeitamente natural neste momento. O contrato com a Mute é de apenas um álbum, não quisemos assinar com nosso sangue porque queríamos ver como iria funcionar e como o trabalho vai progredir em estúdio. Se nós gostarmos, haverá mais LPs, com certeza”.

Ian Harrison

 

ENTREVISTA | Por dentro do primeiro álbum do New Order sem Peter Hook

No post de hoje eu trago a tradução de uma matéria publicada originalmente no site da versão gringa da revista Rolling Stone no dia 21 de janeiro deste ano. Em entrevista concedida à DJ e jornalista musical Puja “Senari” Patel, Bernard Sumner e Stephen Morris falaram um pouco sobre o disco novo que o New Order vem preparando (o primeiro sem o baixista original Peter Hook) e com previsão de lançamento ainda este ano, talvez no comecinho do outono europeu. Para variar, a autora da matéria não fez o seu dever de casa com o devido rigor: disse que desde que a banda voltou a fazer shows, apenas uma única música nova foi apresentada – no caso, “Plastic”. Na verdade, o New Order, em sua atual formação, já apresentou duas. A outra, “Singularity”, fez sua estreia durante a turnê sulamericana do ano passado.

No final da matéria traduzida, incorporamos um vídeo de “Plastic” gravado ao vivo Bill Graham Civic Auditorium, San Francisco (Califórnia, EUA), no dia 11 de julho do ano passado. Créditos do vídeo: Baby J.



Por dentro do primeiro álbum do New Order sem seu baixista fundador Peter Hook
Ícones dance iniciam um novo capítulo: “Nós nos tornamos compositores”

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Por Puja Patel | 21 de janeiro de 2015.

Quando o New Order saiu em turnê no verão passado – três anos depois de anunciar que voltaria a se apresentar para shows beneficentes – a banda tocou uma única faixa nova em meio a um set repleto de grandes clássicos. O grupo havia trabalhado na música, intitulada “Plastic”, entre os shows que deveriam ser seus últimos; e agora ela (a canção) fará parte do seu décimo álbum. “Os shows foram muito bem recebidos e nós os desfrutamos muito”, disse Bernard Sumner, 59 anos, vocalista e guitarrista. “Parecia ser a coisa lógica a se fazer”.

O baterista Stephen Morris diz que o novo material “tem sido preparado a pequenos passos desde 2011”, mas a partir de dezembro do ano passado ele seus companheiros começaram a se mover mais rapidamente, sendo estes os primeiros registros desde que o baixista Peter Hook deixou a banda em 2007. A atual formação saúda o retorno de Gillian Gilbert, tecladista que tocou pela última vez em Get Ready, de 2001, e adiciona membros do Bad Lieutenant, Phil Cunningham e Tom Chapman. Sumner diz que a nova configuração tornou a banda mais flexível, pemitindo que diferentes membros se desloquem entre guitarras, teclados e vocais de apoio. “As linhas ficaram um pouco mais indefinidas do que costume”, diz ele, “Nós nos tornamos mais compositores do que instrumentistas”.

Ainda assim, as gravações se tornaram menos glamurosas do que nos tempos em que a banda curtia suas noitadas no Haçienda em Manchester, ou quando um apressado Arthur Baker levou uma recém-gravada fita de “Confusion” direto para a cabine do DJ na Funhouse, em Nova Iorque. “Costumávamos tocar por horas, improvisando no estúdio, até encontrarmos alguma coisa – um segundo que fosse – o que não era tão ruim”, diz Morris. “E, em seguida, saíamos em busca do outro segundo que poderíamos acrescentar. Agora nós nos tornamos um pouco mais profissionais durante as gravações, para melhor ou para pior. Nós ficamos mais simples”.

Ele e Gillian Gilbert – os dois se casaram em 1994 – passaram a última década aumentando sua família em uma fazenda nos arredores de Manchester, e a banda que uniu o casal mais uma vez tomou conta da sua casa. “Eu e Gillian temos longas conversas sobre música o tempo todo quando deveríamos estar fazendo outras coisas”, diz Morris, cuja filha Tilly toca teclados em uma banda chamada Hot Vestry. “É como se fosse, ‘céus, lá vamos nós de novo!’  Uma vez assisti a um box set do ‘Breaking Bad’ e nos mantivemos totalmente em silêncio enquanto isso. Estamos a espera de uma outra distração para nos tirar a atenção do tema New Order novamente”.

Em Londres, o processo criativo de Sumner é um pouco mais insular. “Está chuvoso, frio e úmido lá fora”, ele diz. “E está escuro. É um bom momento para compor”.

Morris ri com conhecimento de causa quando ouve isso: “Isso explica boa parte do conteúdo da banda, não é mesmo? Bernard gosta de ficar sozinho enquanto compõe – a sós com seu vinho”.

A banda completou, até agora, duas faixas: “Plastic” e “Restless”, que apresentam Tom Rowlands, dos Chemical Brothers. Morris diz que o disco vai se manter fiel ao som do New Order, mas deve tirar vantagem do que há de mais novo em técnicas de programação de bateria e sintetizadores, acrescentando que ele acha que “a produção musical está indo no sentido inverso agora”.

“Muita gente começou a usar material da era analógica, apesar desses equipamentos não terem memória de armazenamento”, explica ele. “Eu posso brincar com sintetizadores modulares porque se pode criar um som por acidente. Há algo espontâneo nisso, o que quer dizer você realmente não tem nada a ver com isso”.

A nostalgia de Morris é particularmente cativante se considerarmos a influência esmagadora de sua banda nos últimos quinze anos de electro e dance-punk. Com igual paixão, ele elogia a bateria do krautrock de Neu! e Can e a geração mais jovem que se apropriou das inovações do New Order para o novo milênio. “Eu absolutamente amo James Murphy e a DFA Records”, diz Morris. “Nós excursionamos com o Holy Ghost! e foi fantástico, tudo o que fazem é incrível. É o que fazíamos anos atrás, só que eles estão fazendo isso agora”.

Sumner acrescenta: “Eu não acho que você pode dizer que alguem está fazendo o que o New Order faz, mas os músicos são todos influenciados por suas coleções de discos. Nossas primeiras influências foram Bowie, Iggy Pop e Kraftwerk e, antes disso, compositores como Neil Young. Em vez de mudar as coisas de uma forma negativa, as bandas influenciadas pelo New Order estão dando ao nosso som uma nova vida”.

Apropriadamente, a banda estará lançando seu novo álbum – em algum momento no outono – pela Mute Records, lar de uma lista de artistas eletrônicos como Zola Jesus, Arca e Depeche Mode. O fundador do selo, Daniel Miller, atua como mesa de som informal da banda. “Eu acho que jamais o terminaremos se não tivermos alguem para nos dizer quando parar”, diz Morris. “É difícil deixar algo no qual você vem trabalhando”. Quando o disco sair, Sumner diz que os fãs devem esperar um som bastante eletrônico, com guitarras melódicas e “um toque de orquestra”.

“Algumas pessoas podem dizer que a música eletrônica é fria e pouco romântica”, diz Sumner, referindo-se a “Blue Monday” como um exemplo de como a música pode ser, ao mesmo tempo, robótica e enérgica. “Isso é verdade de alguma forma, mas agora um computador é capaz de traduzir exatamente o que seu cérebro está pensando. Isso é emocionante. É o que estávamos tentando alcançar na década de oitenta”.

RSD 2015 | Radiation Records lançará picture disc exclusivo do Joy Division em série limitada para o Record Store Day deste ano

92780A loja de discos italiana Radiation Records vai dar sua própria contribuição ao Record Store Day este ano (que será no próximo sábado, dia 18 de abril): lançará um picture disc de 7″ do Joy Division com as faixas “Love Will Tear Us Apart” (lado A) e “Leaders of Men” (lado B). A bolachinha não está relacionada entre os lançamentos anunciados para 2015 no site do RSD – trata-se, na verdade, de um lançamento exclusivo da Radiation (porém devidamente licenciado, segundo a loja). A edição, como todas para o “Dia da Loja de Discos”, é limitada. E, neste caso, é limitadíssima: 500 cópias numeradas à mão. Curiosamente, já existe um sete polegadas circulando por aí, da Cleopatra Records, com outtakes de “Love Will Tear Us Apart” e “Leaders of Men”…  Bem, o vinil da Cleopatra, em cor cinza ou branco, sai por US$ 9. Já o da Radiation, depois que as 500 cópias se esgotarem na loja física no próximo sábado… no eBay você vai pagar uma fortuna incalculável só pela foto do Ian Curtis impressa no lado A e um número escrito à mão no lado B.

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