REVIEW | Coletânea “Substance” celebra 30 anos hoje

cd-duplo-ingles-new-order-substance-importado-D_NQ_NP_468511-MLB20589450448_022016-FQuão relevante pode ser uma coletânea no âmbito da obra de um artista ou até mesmo para além dela? Pode um disco que reúne material já lançado por um cantor ou banda ter um significado e uma importância tão grandes – ou maiores até – que a de álbum de canções inéditas?

Há quem despreze os discos compilatórios – e existem razões para isso. Na maioria das vezes eles representam uma maneira fácil das gravadoras amealharem um bocado de dinheiro resumindo em um único título uma carreira de sucesso. É uma forma de vender um artista para um outro perfil de publico – o que só tem interesse por grandes sucessos – ou de fazer os fãs mais fiéis comprarem novamente aquilo que eles já possuem.

Todavia, algumas coletâneas conseguem algo mais do que arrecadar milhões. Querem um exemplo? Legend, que reúne os grandes êxitos de Bob Marley & The Wailers, se transformou em algo muito maior que o “o disco de reggae mais vendido de todos os tempos”. Ele está na lista dos 500 Maiores Álbuns da revista Rolling Stone, que é nada menos que o maior guia de cultura pop da face da Terra. Além disso, ele introduziu milhares pessoas à música de Marley e, muito provavelmente, ao próprio universo do reggae. Tudo isso faz dele um disco essencial – aquele item que deveria se fazer obrigatório em qualquer discoteca que se preze.

Nessa mesma lista dos 500 Maiores Álbuns da História da Rolling Stone encontramos uma outra super-coletânea. Lançado há exatos trinta anos, Substance, álbum duplo que reúne todos os singles de doze polegadas do New Order lançados entre 1981 e 1987, é outro exemplo de uma compilação que foi além das vendagens milionárias. Páginas dedicadas ao disco foram publicadas não somente nas tradicionais revistas e tabloides sobre música, mas também na Playboy e até mesmo no influente Village Voice. O Album Guide, também publicado pela Rolling Stone, o descreve como “puro prazer”, além de considerá-lo “um guia para o pop da década de 1980”. Para Thomas Erlewine, do site AllMusic.com, Substance “é o trabalho mais bem-sucedido e inovador do New Order uma vez que expandiu a noção do que uma banda de rock’n roll, e particularmente uma banda de rock indie, pode fazer”. Em 1989, o LP foi incluído na famosa Enciclopédia da Música Popular editada por Collin Larkin. Não é pouca coisa.

Muito do êxito de Substance tem a ver com a própria reputação que o New Order construiu em torno de seus singles de doze polegadas. Para o crítico musical Robert Christgau, o disco “apresenta a disciplina e a química de uma banda cujo estilo musical é potencializado pelas mixagens em seus 12 polegadas”. Há quem diga que uma das idiossincrasias do grupo é o fato do New Order nunca ter feito um grande álbum (algo do qual eu e muita gente por aí discorda), mas que, em contrapartida, teria produzido em série singles arrebatadores do calibre de “Temptation”, “Confusion”, “Blue Monday”, “Bizarre Love Triangle”, “True Faith”, entre outros.

Mas parte do que tornou Substance um disco de forte apelo foi o fato de que todo o material incluído nele não havia sido lançado em um long play antes. Nos primeiros anos, o New Order tinha por hábito não incluir os singles nos seus álbuns. Por essa razão, canções como “Ceremony”, “Everything’s Gone Green”, “Thieves Like Us” e a já citada “Blue Monday” apareceram pela primeira vez em um disco cheio somente quando do lançamento de Substance. Isso representa dois terços do álbum. O outro terço é constituído por faixas que até saíram em outros discos de estúdio, a exemplo de “The Perfect Kiss” e “Bizarre Love Triangle”, mas aqui elas aparecem em versões remixadas e/ou estendidas até então disponíveis exclusivamente nos singles de doze polegadas.

Mesmo assim, para que tudo coubesse em dois bolachões foi preciso passar a tesoura em algumas músicas. “Shellshock” e “Sub-Culture” foram editadas; na versão em CD foram limados 40 segundos da apoteótica sequência final de “The Perfect Kiss”; “Temptation” e “Confusion” foram inteiramente regravadas especialmente para o disco. Nada disso, no entanto, diminuiu o brilho da coletânea que, só nos Estados Unidos, vendeu mais de dois milhões de cópias.

Outro grande mérito de Substance é do retratar com precisão o processo de transição musical operado pela banda – da sonoridade sombria e depressiva dos primeiros anos (e que mantinha o New Order mais na linha de sua encarnação anterior, o Joy Division) ao batidão eletrônico. O disco tem algo para diferentes gostos, do pós-punk ao electrofunk.

A ideia de lançar Substance, como era de se esperar, partiu do chefe da gravadora da banda na época, a Factory Records. Tony Wilson, que também era repórter e apresentador de TV na emissora Granada, de Manchester, havia comprado um novo e caro brinquedo: um Jaguar equipado com um CD player, uma novidade para a época. Tony pensou: “e se eu pudesse ouvir todos os singles do New Order de uma só vez no meu carro?”. Assim nasceu Substance. Segundo o agora ex-baixista Peter Hook: “nós fizemos Substance porque Tony queria ouvir todos os singles do New Order em seu carro… o que foi uma ótima razão se considerarmos o sucesso desse disco”.

A aposta no álbum foi tão grande que a Factory produziu uma edição promocional com capa em formato gatefold diferente da original e limitada em mil cópias numeradas para distribuir de graça para os funcionários da gravadora e os amigos mais chegados. Além disso, havia diferenças entre as edições de Substance lançadas na Inglaterra: em CD os dois LP’s aparecem juntos em um único disco, ao mesmo tempo em que traz um segundo compact disc só com lados B; na versão britânica do cassete foram incluídos faixas extras como “Dub-Vulture”, “Shellcock”, “I Don’t Care” e “True Dub” (esta última somente em uma edição ultralimitada). Substance também foi transformado em uma coletânea de vídeos lançada nos formatos VHS e videolaser (somente no Japão) em 1989, mesmo ano em que a gravadora DG Discos editou oficialmente na Argentina o obscuro Substance II, que nada mais era que o disco de lados B da edição em CD transformado em vinil duplo. Tanto o The Gatefold Substance quanto Substance II e as edições em cassete inglesas são hoje valiosas peças de colecionador.

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Para todos os gostos… De cima para baixo, da esquerda para a direita: Substance (o original), Substance II (só lados B, lançado na Argentina) e The Gatefold Substance (promo).

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The Gatefold Substance

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Substance II

A capa de Substance, criada por Peter Saville (para variar), também tem sua própria história. Em meados da década de 1980, Saville havia se lançado na tarefa de recriar/reimaginar a utopia modernista. Sentindo que a arte e o design estavam, naquela altura, à beira de um novo momento, ele concluiu que o futuro de ambos seria mais orgânico e menos linear. Com relação a esse aspecto peculiar das artes visuais, o designer começou a se interessar pela geometria da natureza. Em parceria com o fotógrafo Trevor Key, Saville passou a se dedicar à produção de uma série de imagens contemporâneas a partir da natureza, ou como o próprio artista gráfico descreveu, “de flores para a decoração do lobby da IBM no ano 2000”. Assim nasceram diversos estudos feitos com base em formas naturais que eram fotografadas e recoloridas através de uma técnica chamada dichromat. Desse modo nasceram as capas de singles como “True Faith” (1987) e “Touched by the Hand of God” (1988), além, é claro, do projeto gráfico para Substance – cada um dos vinis vinha guardado em uma capa individual (a do LP 1 traz uma flor, enquanto a do LP 2 é ilustrada por um coral), com ambas abrigadas no interior de uma capa maior onde se lê apenas o nome da banda, o título do disco e o ano com tipografia em alto relevo negra.

O New Order apresentou Substance ao vivo na íntegra (isto é, exatamente as mesmas faixas do disco e na mesma ordem) uma única vez. Foi no Irvine Meadows, Califórnia, dia 12 de setembro de 1987. Atualmente, o briguento Peter Hook e seu novo grupo, o The Light, vêm rodando o mundo em uma turnê no qual executam não apenas o álbum do New Order, como também o irmão homônimo e mais novo dedicado ao Joy Division. Esse show passou aqui pelo Brasil em dezembro do ano passado (e eu, obviamente, marquei presença).

Dando uma lida nos comentários na conta do blog no Instagram, o post sobre o trigésimo aniversário de Substance trouxe hoje declarações como: “foi o álbum em que tudo começou para mim”, “foi o meu primeiro disco do New Order”, “uma das melhores coletâneas”, “foi crucial na minha adolescência” e “há trinta anos esse disco mudou muitas vidas para sempre, incluindo a minha”. Todas essas frases traduzem o exato sentimento que o autor deste blog tem com relação a esse álbum. Ele também foi a minha porta de entrada no som do New Order e ajudou a me guiar para todo o resto: Joy Division, Manchester, Nova Iorque, Haçienda etc. Ele é meu desert island record. É por causa de Substance que hoje me dedico a escrever com paixão sobre essa turma que veio lá do noroeste da Inglaterra…

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MEMÓRIA | Os 35 anos de “Movement”.

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Movement: o álbum “maldito” de estreia que comemora 35 anos.

“Fazer Movement foi um grande esforço, porque estávamos apáticos, apagados e no fundo do poço, o que era de se esperar porque a morte de Ian ainda estava fresca na memória (…) Tudo era difícil e diferente do Joy Division porque sem Ian algo havia se perdido, algo que nunca mais voltaria (…) A dinâmica havia mudado totalmente, era frustrante, tudo era diferente”.

 

Essas foram palavras de Bernard Sumner em seu livro de memórias, Chapter and Verse: New Order, Joy Division and Me (Bantam Press, 2014, 343 paginas), sobre o primeiro LP do New Order, Movement, lançado há exatos 35 anos. Disco “maldito”, os membros da banda constumam se referir a ele como the difficult one [trad.: “o difícil”], o que o depoimento de Sumner claramente confirma. O New Order não toca uma faixa sequer desse álbum desde 1989. Sumner jura que só o escutou depois de pronto uma única vez e, desde então, nunca mais conseguiu fazê-lo de novo. Os demais integrantes, por outro lado, costumam ser mais condescendentes com ele. O ex-baixista Peter Hook, em entrevista concedida aqui mesmo no Brasil à revista Bizz em 1988, disse: “Em Movement foi a primeira coisa que fizemos do zero (…) Tínhamos pouquíssimo tempo para compor, pois era importante para nós não parar e também porque tudo o que aconteceu foi tamanho choque que tínhamos que nos manter ocupados. Por isso quisemos gravar o mais rápido possível. É até hoje o único LP que fizemos assim, tão rápido. E isso transparece. Ficou um pouco confuso em certas partes. Mesmo assim, acho um bom disco. A tecladista Gillian Gilbert, reintegrada ao grupo em 2011 após dez anos “sabáticos”, disse no ano passado ao site Brooklyn Vegan o seguinte: “Particularmente, eu adoriaria revisitar Movement. Na época era algo para se deixar na prateleira, mas acho que ele soa muito bom hoje em dia”.

A já citada revista Bizz, na ocasião do lançamento do disco no Brasil (com quase dez anos de atraso), certamente foi mais gentil nas críticas ao LP do que a imprensa musical gringa em 1981. “O New Order preservava a sonoridade sombria e a aura misteriosa que envolvia o Joy Division enquanto buscava nas entrelinhas uma trilha musical própria. Mesmo as canções que mais rescendiam o som do Joy não deixavam de trazer lampejos de criatividade vindos de um grupo em busca de seu rumo musical. Em resumo, para os fãs de longa data é um disco essencial. Para quem conheceu o New Order pós-‘Blue Monday’, talvez apenas um disco esquisito para completar a coleção”. Todavia, quando o álbum saiu na Inglaterra pela Factory Records, deu munição para todos aqueles que vinham achincalhando o New Order e que acusavam o grupo de explorar oportunisticamente o que eles mesmos haviam criado, só que como Joy Division.

Realmente, pouca coisa em Movement remete ao som “clássico” do New Order. A resenha da Bizz não se equivocou quando disse que a busca por uma nova sonoridade não passava da mera insinuação. A sombra do Joy Division, tal como uma nuvem negra, pairava sobre as cabeças da Nova Ordem. “É um disco que carece de identidade, ele não tem uma cara própria”, disse Sumner em sua autobiografia, na qual ele confessa ainda que “Eu nunca havia cantado antes, de maneira que, no começo, eu me baseava em Ian, porque isso era o que eu conhecia. Levou tempo para encontrar meu próprio estilo como vocalista”. O envolvimento de Martin Hannett com a produção de Movement também ajuda entender o problema da “carência de identidade”. Hannett, que tinha sido um dos grandes responsáveis pelo sucesso dos discos do Joy Division, ajudando o grupo a criar, em estúdio, uma atmosfera e uma sonoridade únicas, não confiava na capacidade dos membros remanescentes de produzir canções do mesmo nível sem Ian Curtis. Ele não deu qualquer sinal de entusiasmo ou empolgação com o novo material e o tempo todo forçava a barra para que tudo o que eles fizessem pudesse soar o mais próximo possível do que tinham feito como Joy Division, embora a banda estivesse inclinada a encontrar um novo estilo. “O que nós queríamos em Movement era mais percussão. Martin ainda estava naquelas de colocar distorção em tudo. Mas nós queríamos que soasse mais limpo e mais pesado, em vez de tão delicado e leve. Nós pedimos para o Chris [Nagle, engenheiro de som] aumentar o volume da bateria para fazê-la soar mais grave, rotunda e pesada. Quando Martin voltou para o estúdio, ele perguntou ‘Vocês fizeram isso?’ e nós respondemos ‘Sim!’. ‘Ok, passemos para a faixa seguinte’. Ele não estava interessado em ouvir o que nós fazíamos. Não queria saber. Tivemos muitas brigas com ele. Discutimos muito sobre ‘Truth’ e ‘Everything’s Gone Green’, porque em ambas queríamos que a bateria eletrônica e os sintetizadores soassem mais fortes e mais altos”.

A relação com Hannett realmente se deteriorou durante as gravações de Movement. O produtor criticava – ou desprezava – tudo o que eles faziam. Bernard Sumner teve que regravar os vocais de uma música nada menos que quarenta e três vezes simplesmente porque ele não conseguia “soar como Ian” o suficiente. Para piorar a situação, Martin tinha entrado fundo na cocaína e, totalmente alucinado, chegou a trancafiá-los literalmente no estúdio, condicionando a liberação da banda à composição de uma música que fosse “realmente decente”. Como havia feito com os álbuns do Joy Division, Hannett cuidou sozinho da mixagem do álbum, vetando completamente a participação do New Order no processo. Ele, inclusive, se recusou a fazer um test pressing com a mixagem que o grupo havia feito com a ajuda de Chris Nagle para ouvir como soaria em disco. A “versão” de Hannett para Movement, para a decepção da banda, foi a que acabou sendo lançada.

Todavia, o primeiro LP do New Order tem momentos dignos de nota. “Dreams Never End”, a faixa que abre o disco, além de ser a canção mais “solar” de um trabalho predominantemente sombrio e introspectivo, é também uma grande composição: sua longa introdução foi o prenúncio de uma prática que se tornaria recorrente e cada vez mais bem desenvolvida no som do New Order (vide produções posteriores, como “Blue Monday”, “Thieves Like Us” e “The Perfect Kiss”); a inclusão de um “refrão de guitarra” no lugar de um refrão (vocal) de verdade é outro ponto forte.

A depressiva “Truth” também representou para o New Order um largo passo dado em direção ao futuro: ela foi a primeira canção da banda a usar uma bateria eletrônica programável (uma Doctor Rhythm DR55, da Boss) no lugar de uma bateria acústica convencional. “Chosen Time”, por sua vez, também antecipa, ainda que timidamente, o som que estaria por vir: a batida no estilo disco (porém “distorcida” pelos truques de estúdio de Hannett) e o riff de teclado, que soa como um sequenciador, são autênticos esboços das vindouras estripulias musicais no universo da electronic dance music. Por outro lado, faixas como “The Him” e “Doubts Even Here” mais parecem outtakes de Closer (1980), do Joy Division. Aliás, vale lembrar que os experimentos com sintetizadores e percussão eletrônica começaram, de fato, ainda nos tempos do Joy – sendo assim, Movement representa o estágio seguinte de um processo que, de certa forma, já havia sido desencadeado.

Assim chegamos a outro ponto de destaque: a capa do LP. Produzida por Peter Saville, que tinha sido o responsável pelo design dos vinis do Joy Division, ela é a recriação de um pôster originalmente desenhado em 1932 pelo artista futurista italiano Fortunato Depero. Como um clássico exemplo das apropriações feitas pelo punk e pela new wave no campo do design, a citação ao futurismo feita por Saville se ajustava de diferentes maneiras. Em primeiro lugar, representava uma conexão com o interesse crescente da banda pela tecnologia musical, já que o movimento futurista valorizava o desenvolvimento industrial e técnico-científico. Além disso, o futurismo recorria a sobreposição de imagens, traços e pequenas deformações para transmitir a ideia de movimento e dinamismo. Aqui se evidenciam os links com a mudança de nome e a perseguição de um novo estilo, bem como com próprio o título do álbum. Intencionalmente ou não, a capa feita por Saville também pode ter contribuído com o estigma de “banda nazista” que cercava o New Order (“fama” que os perseguiu por um bom tempo e que começou ainda nos tempos do Joy Division), pois a primeira geração do futurismo exaltava a guerra e a violência, além do fato de terem existido afinidades ideológicas entre o movimento e o fascismo na Itália.

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“Remixando” a arte: a capa de Movement é inspirada em pôster do futurista italiano F. Depero.

No entanto, a criação de uma capa com base em um pôster – os futuristas abraçavam a propaganda como forma de comunicação e de ligação entre a arte e o design – foi a abordagem perfeita: que maneira melhor de apresentar uma mídia de massas (o disco de vinil) senão com uma arte que remete a um cartaz/anúncio?

Entretanto, mesmo com alguns méritos, do som à capa, Movement sempre teve dificuldade para conseguir algum prestígio. A revista Sounds o classificou como “absolutamente desastroso”. Para o New Musical Express, trata-se de um disco “terrivelmente maçante”. Bernard Sumner sempre declarou que se arrepende do seu lançamento e que preferia tê-lo regravado naquela época se tivessem tido tempo e dinheiro disponíveis para isso. Dentre os membros da banda, Peter Hook parece ter sido o único a dar-lhe, de fato, algum valor quando decidiu sair em turnê com seu atual grupo, o The Light, para tocá-lo ao vivo na íntegra (ao lado do segundo álbum do New Order, Power, Corruption and Lies, de 1983). Em 2008, o álbum foi relançado em CD com áudio remasterizado e um disco recheado de extras – singles e lados B’s lançados na mesma época. Cinco anos depois, reapareceu em uma edição limitada em 300 cópias feitas em vinil transparente, sendo que 100 delas foram distribuídas de brinde durante a semana de reinauguração da loja de discos HMV da Oxford Street, Londres. Com Movement é assim: há quem ache, como Sumner, que o bom mesmo é ficar longe dele; e há também quem aposte na sua reavaliação. De que lado você está?

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MEMÓRIA | “Brotherhood” (New Order) comemora 30 anos hoje

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O quarto LP do New Order foi lançado há trinta anos

Há exatos trinta anos, o New Order lançava (pela Factory Records) Brotherhood, seu quarto LP. Produzido pela própria banda e gravado em três estúdios diferentes – o Jam, em Londres; o Windmill Lane, em Dublin (Irlanda); e o Amazon, em Liverpool -, o disco representou uma pequena queda em um gráfico (hipotético, evidentemente) que vinha mostrando uma linha ascendente. Comparado com o seu antecessor, o magnífico Low Life (1985), que havia alcançado o sétimo lugar na parada britânica de álbuns, Brotherhood ficou duas posições abaixo. Na parada dos 200 Melhores Álbuns da revista americana Billboard, ele não repetiu, muito menos superou, o bravo 94o lugar conquistado por Low Life; em vez disso, foi o número 161. Todavia, o quarto rebento do New Order trazia o single “Bizarre Love Triangle”, que estourou nos Estados Unidos e na Austrália, abriu portas para o grupo na América do Norte (no Brasil também foi um enorme sucesso, só que um pouquinho mais tarde) e hoje, tendo se tornado um dos maiores hits da banda e um clássico da década de oitenta, é peça obrigatória nos shows. E a revista Rolling Stone a colocou na sua lista das 500 Maiores Músicas de Todos os Tempos.

Mas a verdade é que “Bizarre Love Triangle” ficou mais conhecida pelo remix produzido por Shep Pettibone, e que posteriormente foi incluído em Substance (1987), do que pela versão original que abre o lado B de Brotherhood. Este, por sua vez, foi concebido em meio a uma disputa entre o vocalista e guitarrista Bernard Sumner e o baixista Peter Hook com relação à direção que o New Order deveria seguir em termos musicais. Esse, aliás, deve ter sido o começo das divergências entre os dois. E isso talvez explique porque soaram um pouco menos inspirados nesse disco. Sumner, que de todos os quatro foi o que mais mergulhou de cabeça na experimentação com sintetizadores e nos ritmos dance, queria fazer um LP totalmente eletrônico; “Hooky” foi contra, pois ele era o grande defensor do lado mais rock do grupo, além de achar de que o New Order deveria continuar sendo uma mistura desses dois estilos.

Bernard Sumner acabou perdendo a queda de braço com o baixista simplesmente porque eles não tinham músicas totalmente eletrônicas o suficiente para preencher um álbum inteiro. Pelo contrário, as faixas nessa vertente que eles possuíam dariam, no máximo, a metade de um disco. O material que faltava foi formado, basicamente, por canções mais “roqueiras”, com o mínimo ou simplesmente nada de sintetizadores. A diferença entre os dois materiais era tão grande que a banda resolveu separá-los em cada lado do vinil: o lado A era o rock; o lado B era o dance. A escolha do título – Brotherhood, que em português quer dizer “fraternidade” ou “irmandade” – era uma espécie de “piada interna” porque representava exatamente o oposto do clima de divisão que se instalou ao longo da produção do álbum.

É praticamente desnecessário dizer que o lado de Brotherhood favorito de Sumner é o B, enquanto que o de Peter Hook é o A… Quer dizer, mais ou menos. Mais recentemente, por ocasião dos shows em que o agora ex-baixista, com sua banda The Light, vinha tocando os discos Low Life e Brotherhood na íntegra, Hooky andou declarando que atualmente ele vem gostando mais do lado B. Na verdade, no vinil, o número de faixas rock é maior que o de canções eletrônicas: são cinco contra quatro respectivamente. Porém, quando o álbum foi lançado em CD, se estabeleceu o equilíbrio: como faixa-bônus, após “Every Little Counts” (música que encerra a edição em vinil), foi adicionado o single “State of the Nation”.

Parte do que viria ser Brotherhood já existia em 1985 e era tocado ao vivo. O caso mais conhecido é o de “As It Is When It Was”, que a princípio seria uma canção que deveria ter feito parte de Low Life. Uma versão dela dessa época pode ser vista/ouvida em Pumped Full of Drugs, um home video ao vivo gravado no Japão. “Weirdo” e “Broken Promise” também já eram conhecidas das audiências dos concertos, enquanto a clássica “Bizarre Love Triangle” fez sua estreia, ainda como tema instrumental, em uma apresentação no The Pavillon, na cidade de Hemel Hempstead, no leste da Inglaterra, no dia 11 de novembro de 1985. Outras músicas, como “Every Little Counts” (uma espécie de hit não oficial do New Order, mas que não é tocada nos shows desde 1989), nasceram durante a produção do LP. Inclusive, essa faixa rendeu uma história curiosa. Ela se encerra repentinamente com um som que parece o de uma agulha de toca-discos sendo arrastada sobre o vinil, fazendo aquele ruído “arranhado” e estridente. Para alertar os consumidores, que poderiam pensar que talvez tivessem comprado um álbum com defeito de fabricação, a gravadora brasileira (a WEA) pôs um aviso no rótulo do lado B: “Música com efeito especial”. Provavelmente essa era uma maneira de evitar trocas desnecessárias ou devoluções. O baterista Stephen Morris explicou que a intenção inicial era encerrar “Every Little Counts” com um “efeito especial” diferente em cada formato de Brotherhood: na versão cassete, haveria o som de fita se “embolando” no cabeçote e, no CD, uma espécie de “tic-tic”. Essa ideia, infelizmente, acabou não sendo levada adiante.

A capa de Brotherhood, como quase todas dos discos do New Order, é um capítulo à parte. Como de costume, a direção de arte foi assinada pelo designer gráfico Peter Saville. A fotografia ficou a cargo de Trevor Key (um colaborador regular de Saville naquela época). Em seu livro de memórias, Chapter and Verse (Bantam Press, 2014, 343 páginas), Bernard Sumner escreveu: “Nós nos demos muito bem com Saville e ainda nos damos. Mas ele tem muito pouco tempo às vezes. Uma vez nós estávamos em Heathrow [N.T.: aeroporto localizado nos arredores de Londres], prestes a embarcar em um avião, e ele chegou correndo, ofegante, com um cigarro na mão e dizendo ‘Esta é a capa de Brotherhood. Gostaram?’ (…) Nos tempos do vinil, quando as pessoas compravam os discos, a arte das capas era muito importante porque representava a banda e seu gosto. Nossa opinião era de que se você comprasse um disco com uma grande capa você estaria levando duas obras de arte pelo preço de uma”.

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Diferentes versões da capa de “Brotherhood”

Para a capa de Brotherhood, Saville usou uma fotografia, feita no estúdio de Key, de uma folha metálica de zinco-titânio submetida ao calor para que sua superfície deformasse. A técnica foi inspirada nos experimentos que o artista plástico neodadaísta francês Yves Klein fazia com os quatro elementos essenciais (fogo, água, ar e terra). Mas aqui se verifica, também, um retorno às influências do ready made e da found art. As inscrições que aparecem na capa são, na verdade, as informações de catalogação do fabricante da folha de metal – no meio das quais, curiosamente, aparece um “1986”, o ano de lançamento do álbum. Uma tiragem limitada da primeira prensagem de Brotherhood na Inglaterra possuía um efeito metálico real que posteriormente foi repetido na primeira edição em CD lançada pela Factory na Inglaterra e, anos mais tarde, na reedição da London Records pela série New Order Collection. As atuais edições remasterizadas em vinil e CD trazem um remake da arte original que apenas emula de forma grosseira o efeito. Todas as demais edições lançadas ao longo dos anos e no resto do mundo trazem a versão “econômica” (e pouco atrativa) da capa. Mas nada se compara com o que a WEA fez em 1987, quando lançou o disco no Brasil: a gravadora adicionou um “New Order” em maiúsculas e negrito bem na frente, descaracterizando o trabalho original. Isso, inclusive, chegou a causar mal estar no ano seguinte, quando a banda descobriu a “façanha” durante sua primeira passagem pelo país para shows.

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Placa de zinco-titânio utilizada para a produção da capa de “Brotherhood”: influência do artista plástico Yves Klein. 

Jean-Yves de Neufville chamou a atenção para a capa de Brotherhood na crítica/resenha que escreveu para a revista Bizz por ocasião do lançamento do álbum (na Inglaterra): “na prateleira da loja, não vá confundi-la com aquelas placas que separam os discos por ordem alfabética (…) É o New Order transmitindo sua não-imagem para obrigarem as pessoas a se concentrarem na sua música. Só nos resta obedecer”. No mesmo texto, Neufville classifica o disco como sendo “o mais recente e melhor da banda” e que possui “uma aparente simplicidade que esconde uma produção sofisticada”. Curiosamente, ao longo dos anos, Brotherhood foi sistematicamente atacado pelos fãs por justamente possuir uma produção mais “fraca” e “preguiçosa” em comparação com os demais itens da discografia da banda: sua engenharia de som e sua mixagem sempre foram alvo de críticas. Mesmo assim, particularmente no Brasil, o LP tem um imenso fã clube que chega inclusive a colocá-lo acima de uma obra-prima como Technique (1989).

A verdade é que Brotherhood divide opiniões até hoje. Para Q Magazine, que publicou uma resenha/crítica retrospectiva sobre o disco em 1993, o álbum “sofre com a ausência de grandes canções, com a exceção de ‘Bizarre Love Triangle'”. Posição não muito distante da de Josh Modell, do site de entretenimento A.V. Club: “um grande desconhecido do catálogo ofuscado por um single estrondoso”. John Bush, do site AllMusic.com, o vê de outra forma e disse que “para o bem ou para o mal, este New Order não tinha mais nada a provar, exceto continuar fazendo boa música”. David Quantick, da Uncut, escreveu que “era o New Order se tornando New Order e se alguem tinha o direito de não ser mais o Joy Division, esse alguem eram eles”. O baterista Stephen Morris fez coro junto aos críticos: em entrevista dada ao site Noisey este ano, disse que o disco “foi feito de um jeito esquizofrênico porque estávamos tentando colocar os sintetizadores de um lado e as guitarras de outro, o que não funcionou… Eu acho melhor quando se mistura um pouco mais”. Mistura na qual, à parte alguns errinhos aqui e ali, o New Order se tornou um dos principais especialistas.

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MEMÓRIA | Primeiro single do New Order comemora 35 anos

Há exatos 35 anos, era lançado pela Factory Records, um selo independente de Manchester, cidade do norte da Inglaterra, o primeiro disco do New Order. Não era ainda um álbum com uma coleção inteira de músicas, mas um single. No lado A, tínhamos uma tema pós-punk de primeira, com um riff esparso de guitarra, o baixo em destaque e uma bateria marcial; já o lado B nos presenteava com um tema mais soturno e depressivo, com camadas de teclados que sugeriam, ao mesmo tempo, atmosferas fantasmagóricas e etéreas que despertavam sentimentos que se confundiam entre o medo e o pesar. Assim eram “Ceremony”, a hoje clássica canção do lado A, e “In a Lonely Place”, a melancólica sinfonia eletrônica registrada no lado B.

O single, batizado apenas de “Ceremony”, também conhecido como “FAC 33” (seu número de catálogo segundo o mitológico sistema de catalogação da Factory), foi o cordão umbilical que ligou o recém nascido New Order à sua encarnação anterior – o Joy Division. “Ceremony” e “In a Lonely Place” foram as duas últimas canções que Bernard Sumner (guitarra, teclado), Peter Hook (baixo) e Stephen Morris (bateria) escreveram ao lado de Ian Curtis, a voz e o lirismo do Joy Division. Quando Curtis saiu de cena tirando sua própria vida, em maio de 1980, isso não significou o fim da linha para os outros três. Todavia, eles sentiam que não seria a mesma coisa ser Joy Division sem aquele pelo qual sempre tiveram profunda e real amizade. Mudar o nome do grupo parecia ser uma opção lógica. E assim o fizeram – eles passaram a se chamar New Order, uma sugestão do empresário, Rob Gretton. O passo seguinte seria escrever músicas novas – e, por que não, finalizar as outras duas em que estavam trabalhando quando Ian ainda estava vivo.

Eles possuíam fitas de ensaio das duas canções. Em ambas, a maior dificuldade era transcrever o que Ian cantava, já que a qualidade das gravações deixava muito a desejar. Essas fitas vieram a público pela primeira vez em 1997, através do box set quádruplo de CDs Heart and Soul, dedicado ao catálogo e às raridades do Joy Division. Anos mais tarde, em 2011, seria lançado especialmente para o Record Store Day um EP em vinil de 12 polegadas (edição limitada em apenas 800 cópias) que trouxe, no lado A, as versões de estúdio gravadas pelo New Order e, no lado B, essas gravações caseiras, mas desta vez com “In a Lonely Place” completa (em Heart and Soul a gravação está cortada). Vale ressaltar que antes de “Ceremony” finalmente ser levada ao estúdio pelo New Order, ela já havido sido tocada ao vivo pelo Joy Division no dia 02 de maio de 1980 no High Hall da Universidade de Birmingham – aliás, ela (a música) chegou a fazer parte da passagem de som antes do show! Já “In a Lonely Place” nunca foi executada ao vivo pelo Joy Division – isso só viria a ser feito depois que a banda já tinha se tornado New Order.

“Ceremony” e “In a Lonely Place” foram incorporadas aos shows do New Order, figurando ao lado de canções novas em folha, como “Truth” e “Dreams Never End”. Em geral, o material que a banda compôs após a mudança não era tão diferente do que faziam como Joy Division. E no caso de temas como “Truth”, se notava que o grupo estava prosseguindo em uma rota que o JD já vinha tomando: em direção ao uso cada vez mais frequente dos sintetizadores. Isso não estava evidente apenas no último tema escrito pelo Joy Division, “In a Lonely Place”, como também em várias outras faixas, como “Isolation”, “Decades”, “As You Said” ou “The Eternal”. Em todo caso, nos primeiros meses de New Order eles ainda não tinham “o” vocalista e essa função era dividida entre os três. “Ceremony”, por exemplo, era cantada nos shows pelo baterista Stephen Morris; já “In a Lonely Place” ficava a cargo de Sumner, que é quem viria a se fixar no cargo em definitivo.

Foi durante a turnê norteamericana que o Joy Division teve que cancelar devido à morte de Ian Curtis que o New Order gravou seu primeiro single. Aconteceu quando, em setembro de 1980, a banda estava de passagem por Nova Jersey, onde fizeram um show no Maxwell’s (já fizemos um post sobre esse concerto). As gravações foram feitas nos Eastern Artists Recording Studio e tiveram como produtor Martin Hannett – o homem por trás da produção de todo o material do Joy Division na Factory. A escolha de “Ceremony” como single parecia óbvia – apesar de letra, era uma música mais upbeat. “Dreams Never End” também teria sido uma boa opção (e em outro momento chegou a ser cogitada a ser lançada como single), mas acabou reservada para ser tornar a (excelente) opening track de álbum de estréia do New Order, Movement, lançado em novembro de 1981. Colocar “In a Lonely Place” no lado B também parecia lógico, já que ela era uma música “irmã”. Bernard Sumner assumiu os vocais nas duas faixas.

A Factory somente lançaria o disco no dia 06 de março de 1981. O single saiu em dois formatos no vinil: compacto e 12 polegadas. A capa do vinil grande, feita por Peter Saville (como de costume), com seu fundo verde-musgo e uma tipografia em tom de cor que lembra o dourado, tem um aspecto ou uma leve semelhança com os tradicionais livros de hinos religiosos ingleses. Além disso, a banda já estava um tanto mudada a essa altura. Ela havia deixado de ser um trio para se transformar em um quarteto. Se juntou aos três egressos do Joy Division a namorada de Morris, Gillian Gilbert, ex-Inadequates (banda punk que ensaiava em uma sala ao lado da do Joy Division), e que passou a dar uma ajudinha a Bernard Sumner na guitarra e nos teclados. Ela havia sido incorporada ao grupo ainda no ano anterior, quando Sumner já estava se estabelecendo como o dono do microfone. Com a sua entrada, eis que acontece algo surpreendente: o New Order decide fazer uma nova gravação de “Ceremony”, agora com Gillian fazendo uma segunda guitarra. A nova versão foi lançada em setembro de 1981, novamente com “In a Lonely Place” como b-side, mas ao contrário daquela, esta não foi regravada. A nova “Ceremony” foi lançada apenas em vinil de 12 polegadas, ganhou uma capa nova e daí em diante foi considerada “a versão definitiva”: foi ela que passou a ser incluída em todas as coletâneas e compilações, com exceção de uma, Singles (2006), que foi quando a gravação original foi lançada em CD pela primeiríssima vez. Ela retornaria em 2008 na versão remasterizada e expandida do álbum Movement, tendo sido incluída no CD bonus. A diferença entre as duas: enquanto a primeira é uma gravação mais rude, mais grosseira (pelo menos para os padrões de Hannett), a segunda (também produzida por Hannett!) tem um som mais limpo, os instrumentos estão mais bem gravados, os tom-tons da bateria de Morris estão distribuídos pelo estéreo e passam ora da esquerda para direita, da direita para a esquerda…

Mas é a versão original que conta como marco histórico, essa é que é a grande verdade. Sem falar que ela tem, mesmo com os seus “defeitos”, um grande séquito de fãs (eu não estou entre eles, prefiro a segunda versão). Ainda me lembro, quando a primeiríssima gravação ainda era desconhecida da maior parte do público brasileiro, que muita gente caiu na pegadinha que se espalhou pelos programas de compartilhamento de músicas de que era uma “versão de estúdio perdida” de “Ceremony” com Ian Curtis nos vocais!!! Quantas discussões tive no hoje falecido Orkut tentando esclarecer as pessoas que tal gravação não existe e que elas estavam diante pura e simplesmente da primeira versão feita pelo New Order. Hoje o mal entendido está desfeito. Só não suporto quando leio por aí que cada vez que o New Order toca “Ceremony”, está tocando um “cover do Joy Division”. Fala aqui com a minha mão, fala…

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