REVIEW | New Order ao vivo no Espaço das Américas, São Paulo (01.12.2016)

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Cheers! Vamos brindar a mais um show do New Order no Brasil.

Para mim, ir a um show do New Order não é apenas ir a um concerto dessa que é a minha banda favorita há quase três décadas (vinte e oito anos para ser mais exato). Na verdade, é bem mais do que isso. Significa reencontrar amigos de várias partes do Brasil com os quais tenho coisas em comum (a banda entre elas); é me aventurar, com esses mesmos amigos, no encontro com nossos ídolos no aeroporto para tirar uma foto ou conseguir um autógrafo; é o “aquecimento” antes do show em algum bar; é o pós-show, com direito a invasões furtivas ao backstage para estar tête-à-tête com a banda mais uma vez; são os posts em série nos fórums da internet e, agora, no WhatsApp para discutir exaustivamente sobre qual seria o set list “perfeito”; é fazer novas amizades durante o papo com desconhecidos na fila para entrar no show…

Por tudo isso, confesso: não é tão fácil fazer uma resenha “objetiva” e “isenta” sobre qualquer apresentação ao vivo do New Order (ou sobre qualquer outra coisa relacionada à banda). Mas eu bem que tento. Espero poder retratar o que eu vi – e minhas impressões à respeito – não somente da maneira mais sincera ou honesta possível, mas também com justiça. Sim, justiça. Nem sempre o que leio na imprensa “de verdade”, como as resenhas e críticas escritas por profissionais, pode ser considerado justo.

Convicta de sua “legitimidade”, com frequência a chamada “crítica espcializada” ignora o reconhecimento do público e avalia um show de rock ou qualquer outro espetáculo com base no seu próprio gosto – ou, então, em um hipotético “perfil médio”. O que eu quero dizer com isso é: de um lado, o sucesso de audiência é menosprezado; de outro, se espera sempre que o artista que está ali dando o melhor de si sobre o palco, mas à sua própria maneira, aja de acordo algum tipo (falso ou ilusório) de “protocolo” ou “manual”. Não é raro ler uma crítica sobre um show do New Order na qual se pode ter a impressão de que o escritor do texto parecia frustrado ou decepcionado (muito mais do que o público) por não ter estado, ao longo de duas horas, diante de mais um grupo de roqueiros saltitantes como o U2, ou os Rolling Stones, ou o Green Day… Quem conhece a história do New Order sabe muito bem: a banda sempre foi um ponto fora da curva. Inclusive ao vivo. 

O maior atrativo em um show do New Order é o seu próprio catálogo, repleto canções que resistiram à passagem do tempo e que ajudaram a formatar tanto o pop eletrônico quanto o indie rock contemporâneos. Qualquer outro tipo de “distração” no palco, como as telas de led e os novos efeitos de iluminação que, quem sabe, tenham sido concebidos como substitutos do único integrante que genuinamente atraía os olhares da plateia – o ex-baixista Peter Hook – pouco ou nada acrescenta ao essencial: a música. Além disso, sempre foi parte do “charme” do New Order essa atitude meio “tô nem aí” que alguns não iniciados interpretam como desanimação ou falta de presença de palco.

Evidentemente, não foi diferente nessa última passagem da banda pelo Brasil (ocorrida na última quinta-feira, no Espaço das Américas) – o New Order pouco interagiu com o público. Gillian Gilbert de vez em quando encarava a plateia e, não mais do que uma ou duas vezes, liberou um sorriso e um tchauzinho para aqueles nas primeiras filas que gritavam incansavelmente seu nome; Bernard “Barney” Sumner arriscou, de modo bem mais contido do que nas ocasiões anteriores, aquele rebolado risível (até mesmo para os fãs) quando não estava com sua guitarra em punho; Tom Chapman, o baixista que pegou a vaga de Peter Hook, é quem parecia ser o mais “saidinho”: várias vezes aproximou-se da beirada do palco e fez algumas poses mais fotogênicas durante seus solos. Mas nada, evidentemente, que lembrasse as “macaquices” de Hook.

Já que falei em justiça, que ela então seja feita. Tom Chapman já está visivelmente mais à vontade e entrosado com a banda. Sua atuação foi impecável, tanto nas canções do último álbum – Music Complete – quanto no material mais antigo. Considerando sua ingrata condição, eu digo sem qualquer constrangimento que ele se saiu tão bem que eu não senti a falta de Peter Hook. E esse sentimento não era exclusivamente meu. Ouvi muitos comentários a esse respeito durante a saída do show. Um amigo me disse naquele dia, horas antes do concerto, que nós éramos como “filhos de pais separados”. Chapman seria uma espécie de “nova namorada do papai” ou uma madastra – tem gente que não gosta ou não aceita, mas também existem aqueles, como eu (e a maioria, felizmente) que pensa “ah, ela é bem legal, eu gosto dela”. E a vida continua. E o New Order também. Um pouco mudado, é verdade… mas quem não muda com o passar dos anos?

Bom, mas sobre o show… considerando que a casa estava lotada – como em geral tem sido as apresentações da banda alhures – é de se supor que entre fãs “doentes” haviam, também, aqueles que foram ao Espaço das Américas tendo como referências apenas os grandes sucessos. Shows de bandas veteranas, via de regra, são assim. Isso talvez explique porque o New Order vem optando por fazer apresentações mais conservadoras e “seguras”, dentre as quais a última em São Paulo não foi uma exceção. A banda exibiu exatamente o mesmo que vem mostrando pelos quatro cantos do mundo ao longo dessa turnê: uma combinação equilibrada do créme de la créme de Music Complete (seis músicas no total), lançado no ano passado, seus antigos clássicos e um par de canções do Joy Division. Nada de obscuridades e lados B. É o que acontece quando seu repertório é conhecido tanto pelos fãs de bandas cult quanto por aquela parcela do público de quem já se ouviu algo do tipo: “New Order? Ah, mas não é a banda que canta aquela música ‘Everytime I see you falling’? Pô, me amarro neles”

Concentrar o show nos maiores sucessos, incluindo os do Joy Division – esta talvez seja a maior de todas as concessões que o New Order vem fazendo há um bom tempo, o que é surpreendente se considerarmos que o grupo ficou universalmente famoso por não fazer concessões. Mas, diferente de Peter Hook, que segue em uma carreira solo que celebra exclusivamente o passado, o New Order (ainda) olha para frente. E vem colhendo os frutos: as músicas novas, ao contrário do esperado, contaram com uma reação que fez jus à excelente receptividade que o último álbum vem recebendo. Todas – todas mesmo – foram cantadas pelo público. “Singularity” abriu o show após o P.A. anunciar a entrada da banda com “Das Rheingold: Vorspiel”, de Richard Wagner; “Academic”, a terceira música do set, soou brilhante com seus resquícios de “Dream Attack” (faixa do álbum Technique, de 1989); “Restless” até teve seu refrão entoado a plenos pulmões pela audiência, mas minha opinião pessoal é a de que, dentre as faixas de Music Complete, ela é a mais fraca ao vivo; “Tutti Frutti” e “People on the High Line” inauguraram a segunda e mais dançante parte do show; “Plastic”, acompanhada de uma orgia de efeitos visuais (outra concessão feita pela versão atual do New Order), fez Bernard Sumner apontar para o público enquanto cantava “It’s official… You’re fantastic… You’re so special… So iconic”, em um de seus raros momentos de interação com o público que lotou o Espaço das Américas.

Mas é óbvio e ululante que os melhores momentos do show aconteceram todas as vezes em que o New Order engatou a marcha à ré. A primeira grande explosão de êxtase foi com “Regret”, a segunda da noite; “The Perfect Kiss”, que figurou entre as mais pedidas pelo público, também fez a temperatura subir em níveis estratosféricos; “Bizarre Love Triangle”, como de praxe, passou no teste de popularidade (rivalizando com “Regret” nesse quesito). Teve também “Crystal”, uma versão repaginada de “True Faith” e, poderosa como sempre, a histórica “Blue Monday”. Aliás, esse foi um momento particularmente importante para mim. “Blue Monday” foi o começo de tudo, a minha porta de entrada no tema New Order. Eu estava tão feliz por estar ali e por ter tido a oportunidade de vê-los mais uma vez que não consegui segurar os olhos marejados, o nó na garganta e o disparar do coração. Esse é o poder da música – o poder de nos levar de volta ao passado e de nos reconectar ao sentimento primordial que eclodiu naquela já distante primeira experiência. Esse sentimento, pessoal e intransferível, crítico de música algum consegue captar em um show. Por isso mesmo as resenhas dos jornais e das revistas são tão frias – e tão imprecisas também.

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Minha única foto do show, durante “Regret”: preferi saborear o show a tirar “zilhões” de fotos…

Voltando ao show… O set chegou ao fim com a obrigatória “Temptation” (a canção mais executada ao vivo pelo New Order), com Gillian tocando “Street Hassle”, de Lou Reed, no teclado. A banda deixou o palco para voltar muito pouco tempo depois e dar seu bis. Todo mundo já sabia o que ia acontecer: era a hora de celebrar o Joy Division. A banda sacou uma emocionante versão de “Decades”, que retornou recentemente ao repertório dos shows depois de 29 anos fora. Imagens de Ian Curtis no telão reforçavam o clima de tributo. Em seguida, vieram com a esperada “Love Will Tear Us Apart”, normalmente escalada para fechar a noite. Isto é, normalmente não quer dizer sempre. O New Order abriu uma exceção e presenteou o público com mais uma música. Numa atitude que chegou a lembrar seus velhos tempos de “do contra”, em vez de terminar sua apresentação com mais um de seus hits (o que seria uma escolha óbvia e natural) o grupo fez sua saideira, vejam só, com uma das faixas novas: “Superheated”. E o público aceitou numa boa. O telão exibiu a letra para todos cantarem junto – e o recado foi prontamente entendido pelos presentes. Em alusão aos últimos versos, Bernard Sumner deu a má notícia ao público após o derradeiro acorde: “It’s over!”. E assim terminaram duas horas de êxtase aprovadas pela plateia. A única aprovação que importa, aliás. “Obrigado mais uma vez, São Paulo! Vocês foram ótimos!”, agradeceu Sumner. Ora, Barney, nós é que agradecemos.

Há dez anos, eu vi meu primeiro show do New Order, em São Paulo; dez anos depois, eu voltaria a São Paulo para vê-los pela décima vez – e provavelmente a última. Talvez as lágrimas durante “Blue Monday” tivessem externalizado, também, o sentimento de despedida. Não cabe aqui esclarecer os motivos – a vida é assim, com o tempo outras coisas passam a exigir sua atenção e, de repente, você não está mais tão disponível para se dedicar às antigas paixões com a mesma intensidade. Por isso, encerro esta “resenha” com um relato: na fila para entrar no Espaço das Américas, uma garota de 18 anos, que foi sozinha de Curitiba a São Paulo, acabou se enturmando conosco (a “diretoria” do New Order Brasil). No final do show, entre tantas mãos que, na grade, disputavam um dos set lists colados com fita isolante no assoalho do palco, foi ela quem conseguiu por as suas naquele pedaço amassado de papel. Ela chorou de tanta alegria. Pouco tempo mais tarde, lá nos fundos, numa saída para o estacionamento, mais uma explosão de felicidade: ela conseguiu que e banda autografasse seu set list. Eu vi o brilho nos olhos dela. Eu achei algo bonito de se ver.

É isso aí: hora de passar a bola para essa garotada. Eu tive o bastante disso e, sinceramente, não tenho do que reclamar – aproveitei bastante. Bom saber que o New Order ainda desperta na molecada a mesma paixão que despertaou em mim 28 anos atrás. Enfim, é isso, it’s over

…mas só depois do show do Peter Hook.

SET LIST:
Singularity
Regret
Academic
Crystal
Restless
Your Silent Face
Tutti Frutti
People on the High Line
Bizarre Love Triangle
Waiting for the Sirens’ Call
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Blue Monday
Temptation
Decades [encore]
Love Will Tear Us Apart [encore]
Superheated [encore]

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NEWS | Agora é oficialíssimo: New Order fará apresentação única em São Paulo

14359173_1143696022364763_5547020002201229780_nComo diz o ditado: “onde há fumaça, há fogo”. Sites como Popload (do jornalista Lúcio Ribeiro) e Midiorama publicaram há pouco que o New Order virá, sim, ao Brasil em dezembro deste ano. Após a confirmação dos concertos em Santigado (Chile, dia 04/12) e Bogotá (Colômbia, 07/12, como atração do festival Sónar), chegou a vez de São Paulo aparecer no roteiro. O show está marcado para o dia 01 de dezembro no Espaço das Américas e terá o DJ Gui Boratto na abertura. O show do New Order faz parte do “projeto” Live Music Rocks, dedicado a trazer para o Brasil nomes importantes da música. Dentre os que já vieram pela plataforma, destacam-se Morrissey, Kiss, The Cure e Noel Gallagher. Os patrocinadores são a SKY e Budweiser. Os ingressos começarão a ser vendidos no dia 14 de outubro no site Livepass.com.br. O show do New Order coincidirá com a apresentação da banda solo do ex-baixista Peter Hook, o The Light, no Teatro Rival, Rio de Janeiro. Já que os cariocas não terão o New Order mais uma vez, fica o dilema: ver Peter Hook ou pegar um avião para São Paulo. Santa Escolha, Batman!

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NEWS | Cheiro de Brasil no ar: New Order voltará à América do Sul em dezembro

NewOrderPara2Eis que agora é oficial: ontem e hoje foram anunciados dois concertos do New Order aqui na América do Sul. O primeiro será em Santiago (Chile), no Teatro Caupolicán, no dia 04 de dezembro; o segundo será na edição colombiana do festival Sónar, no centro de convenções Corferias, em Bogotá, três dias depois. Com isso, aumentam as chances de outros países da região entrarem no circuito, como Argentina e, é claro, o Brasil. Todavia, os fãs do continente têm motivos para se desesperar com a falência à vista: a vinda do New Order coincide com a turnê de Peter Hook e o seu The Light pela América do Sul. Para se ter uma ideia, “Hooky” se apresentará no mesmo Teatro Caupolicán no dia 07 de dezembro; e entre os dias 01 e 06/12 ele estará aqui em Terra Brasilis para se apresentar no Rio, em Porto Alegre e em São Paulo. As chances de uma eventual data no Brasil cair bem entre os shows no Chile e Bogotá é grande, pois o mais lógico seria o New Order finalizar a tour na Colômbia e de lá retornar para a Europa. Mas nada foi divulgado ainda com relação ao retorno da banda por estas praças. Dedos cruzados!

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REVIEW | New Order em álbum beneficente: “Stand as One: Glastonbury Live 2016”

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Stand as One: iniciativa da Oxfam.

Em agosto deste ano, o New Order voltou a Worthy Farm, em Pilton (Inglaterra), para o que veio a ser sua quarta participação no tradicional Festival de Glastonbury, um dos maiores da Europa. A banda foi uma das principais atrações do Other Stage, por onde também passaram (não necessariamente nos mesmos dias) outros nomes de peso da cena alternativa, como James, Editors, Disclosure, CHVRCHES e LCD Soundsystem. Mas, no exato momento em que o New Order se apresentava, o outro palco, chamado Pyramid, recebia uma das maiores vozes do pop britânico na atualidade: ninguem menos que Adele. Todavia, para os veteranos de Manchester e seus fãs, foi como se a cantora-celebridade e seu público nem estivessem em Worthy Farm. Como em 2014 no Lollapalooza, em São Paulo, quando a plateia teve que escolher entre os representantes da velha guarda indie e um Arcade Fire no auge da popularidade, o New Order fez (de novo) um show digno de sua história e importância para uma audiência que sabia bem o que (ou melhor, quem) queria ver. 

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O show do New Order chegou a ficar um tempo no You Tube – e quem viu, curtiu. Quem não viu, restam agora dois consolos: de um lado, os incontáveis vídeos amadores feitos por quem esteve lá e que ainda estão disponíveis por aí; de outro, um “reles” registro oficial em áudio cedido pela própria banda para um recém-lançado CD beneficente da Oxfam (organização criada em 1942 para dar ajuda humanitária aos povos oriundos de países prejudicados por conflitos). Dedicado à memória de Jo Cox, ativista britânica e integrante do Partido Trabalhista inglês assassinada em junho, e com o propósito de arrecadar fundos para os projetos da Oxfam de auxílio a refugiados, Stand as One: Glastonbury Live 2016 (Parlophone) traz 16 contribuições de artistas que se apresentaram no festival este ano (a versão em MP3 para download contém três faixas a mais).

O New Order colaborou com uma excelente versão ao vivo de um de seus maiores sucessos: “Bizarre Love Triangle”. Presente em todos os set lists da banda, esse clássico de 1986, famoso pelos diversos remixes e reinterpretações que ganhou ao longo dos anos, aqui aparece com a sua mais recente roupagem: um arranjo novo, produzido a partir de um remix feito por Richard X. De tempos em tempos, o New Order atualiza alguns itens de seu catálogo para as apresentações ao vivo. Foi assim com “5-8-6” (que não foi tocada na última edição do Glastonbury), “True Faith” e “Waiting for the Sirens’ Call”. Se não fosse por esse “detalhe”, corria o risco do New Order soar como uma banda cover de si mesmo. Ainda assim, há quem não goste e que preferiria ouvi-los tocar as suas músicas exatamente do jeito como elas são em estúdio.

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Vale a pena conferir a excelente versão ao vivo de “Bizarre Love Triangle” em Stand as One

Esse é o caso, por exemplo, do Editors, que ofereceu para Stand as One uma versão da ótima “Munich” do jeitinho como ela é no álbum de estreia da banda britânica (a faixa só está disponível na versão download). Mas sendo esse um de seus melhores singles, a escolha pode ser considerada acertada. Tão certa, aliás, quanto a inclusão de uma “versão de arena” bem poderosa de “Starlight”, do power trio Muse (com direito a plateia cantando junto a plenos pulmões). Ao lado deles na categoria “auge da carreira”, temos o Coldplay, outra atração do Pyramid Stage, com “Birds”, cuja guitarra soa como The Edge (U2). Da turma que está em ascenção, destaque para as contribuições dos Foals (“What Went Down”) e CHVRCHES (“Bury It”). Todavia, esqueçam a bobagem pretensiosa e chata chamada “Saeglópur”, a cortesia dos islandeses do Sigur Rós. Façam o mesmo com “Eyes Shut” (Years & Years) e “Right Here” (Jess Glyne).

No disco, a ausência sentida foi justamente a da atração mais badalada do festival este ano, Adele. Não há uma faixa sequer de seu show em Stand as One. Será que ela não foi chamada a contribuir? Teria havido problemas com o licenciamento de suas músicas? Ou foi algo a ver com posições políticas? Enfim, não se sabe. O fato é que a inclusão de algum título do seu set list certamente valorizaria mais o disco do que as contribuições de artistas sem grande público em termos internacionais como John Grant, Laura Mvula e Baaba Maal (com todo respeito a eles e seus fãs). Por outro lado, fico feliz em ver o New Order dando uma força nessa questão que, além de importante, está na ordem do dia. E para quem justamente está mais interessado nas questões humanitárias que mobilizaram o projeto Stand as One do que nas músicas, vale a pena mencionar o convidativo preço do CD: £ 9,99 (sem as despesas de envio). O disco pode ser encomendado AQUI.

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NEWS | Boas e más notícias…

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Peter Hook voltará ao Brasil com seu The Light este ano

Após uma pausa para férias, nosso blog volta com todo o gás trazendo as últimas novidades. A primeira é a confirmação da vinda de Peter Hook, ex-baixista do Joy Division e do New Order, à América do Sul este ano. Com a banda The Light, “Hooky” trará em dezembro seu mais recente e bem sucedido show, Performing the albums ‘Substance’ by Joy Division and New Order, para o Brasil, além de Argentina, Chile e Uruguai. Por aqui, serão três concertos: Teatro Rival, no Rio de Janeiro (01/12); Bar Opinião, em Porto Alegre (03/12); e Cine Jóia, São Paulo (06/12). Até momento, a venda de ingressos está disponível apenas para a apresentação no Cine Jóia. E os cariocas poderão comemorar finalmente, já que desde 2011, com Perform Joy Division’s ‘Unknown Pleasures’ (com o qual pôs o Circo Voador abaixo), que Peter Hook não toca na Cidade Maravilhosa.

A má notícia é para quem esperava que o New Order também confirmasse sua vinda à América do Sul em 2016. Fontes seguras do blog estiveram pessoalmente em contato com o management da banda após apresentação no Flow Festival, Finlândia, no dia 14 último e confirmaram que estava em curso, sim, negociações para uma turnê sulamericana que aconteceria em novembro (conforme chegamos a publicar). Entretanto, o New Order abortou por ora os planos de vir tocar por aqui, em princípio porque queriam diminuir o ritmo das viagens nesse momento. De acordo com as fontes, essa decisão foi da banda e a contragosto do management, que disse ainda: “talvez no ano que vem”.

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NEWS | Peter Hook anunciará datas para a América do Sul

Light-Logo-300x300A novidade foi divulgada ontem: em sua conta no Twitter, o ex-baixista do Joy Division e do New Order, Peter Hook, publicou um post com a hashtag “#Substance2016” e no qual disse que nos próximos dias seriam divulgadas as datas de uma turnê pela a América do Sul. Em suas próprias palavras: “Nós temos algumas novas datas da turnê para anunciar em breve – dessa vez na América do Sul!”. A hashtag “#Substance2016” nos dá a entender de que ele deverá trazer para estas bandas seu show mais recente, no qual toca, na íntegra, os álbuns/coletâneas Substance do New Order e do Joy Division, lançados, respectivamente, em 1987 e 1988.

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Peter Hook já esteve aqui no Brasil com sua banda-tributo The Light em outras três ocasiões: na primeira, em 2011, tocou o álbum Unknown Pleasures (1979), do Joy Division; na segunda, dois anos depois, após um rápido set de canções do JD, apresentou os LPs MovementPower, Corruption and Lies, do New Order, entremeados por todos os singles lançados pela banda entre 1981 e 1983, incluindo “Blue Monday”; na terceira, em 2014, ele “homenageou” o New Order mais uma vez tocando os discos Low Life (1985) e Brotherhood (1986), além de singles como “Thieves Like Us”, “Shellshock” e “True Faith”. O The Light é formado, além de “Hooky”, por seu filho, Jack Bates (baixo), Andy Poole (teclados) e dois antigos colegas dos tempos do Monaco (projeto paralelo ao New Order nos anos 1990), David Potts (guitarra e vocais) e Paul Kehoe (bateria).

PETER HOOK & THE LIGHT / Discografia (somente formato físico):

  • Perform Unknown Pleasures Live at Goodwood (2010)
  • 1102 | 2011 (EP, 2011)
  • Unknown Pleasures Live in Australia (2011)
  • Joy Division’s Unknown Pleasures and Closer Live at Hebden Bridge (2015)
  • New Order’s Movement and Power, Corruption and Lies Live at Hebden Bridge (2015)
  • New Order’s Low Life and Brotherhood Live at Hebden Bridge (2015)
  • So This Is Permanence

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NEWS | “Por que todos ainda amam o New Order?” Site australiano responde.

Hoje o site australiano de notícias News publicou uma crítica/resenha sobre o primeiro dos quatro concertos que o New Order fez na Opera House, em Sydney, como parte das programações do Vivid Live Festival. É curioso, para dizer o mínimo, que o News tenha dado sua palavra à respeito exatamente um mês após a realização da apresentação; além do delay, também chama a atenção não terem considerado os dois shows que o New Order realizou, pelo mesmo evento e no mesmo lugar, acompanhado pela Australian Chamber Orchestra – experiência única na história do grupo. Em todo caso, trouxe, de lambuja para os leitores, uma tradução “meio mais ou menos” (faço o melhor que posso), da crítica escrita por Kathy McCabe.


VIVID LIVE SYDNEY: NEW ORDER SACODE A GALERA NA NOITE DE ABERTURA
Up, down, turn around [“suba, desça, dê a volta”], New Order manteve o público de pé em sua alegre abertura do Vivid Live na Opera House de Sydney na noite passada.
por Kathy McCabe, News Corp. Australia Network

O show, como em ocasiões amplificadas pela prestigiada sala de concertos, começou com o público se balançando entusiasticamente em seus assentos, se aquecendo como a banda, e com canções que alternavam entre o material mais familiar e temas do seu recente álbum de “retorno à boa forma”, Music Complete.

Aqueles que mal podiam se conter em suas poltronas se mudaram para dançar nos corredores laterais, mas no momento em que chegaram à metade do show, com “Tutti Frutti”, boa parte da plateia ficou de pé e dançou como se mais nada importasse.

“Quem poderia imaginar que uma música sobre sorvete seria tão popular?”, disse o vocalista Bernard Sumner, pedindo mais palmas ao público.

Quando a banda soltou “Bizarre Love Triangle” uns dois temas adiante, a sala estava lotada de gente radiante e feliz dançando e cantando alto porque, como todas as outras músicas do New Order, ela descreve o Homem Comum.

A voz de Sumner e o som arrasta-pé-disco-gótico, que fazem com que todos se sintam como se nunca tivessem sido maus dançarinos, é outro motivo pelo qual o New Order continua sendo uma banda tão querida para os filhos da década de 1980.

Então, quando o vocalista passou o microfone para um membro da plateia na primeira fila para cantar o refrão de “Bizarre Love Triangle”, você não diria que não era ele mesmo cantando se tivesse fechado seus olhos.

O amargurado ex-baixista Peter Hook não fez falta porque Tom Chapman tocou aquelas linhas [de baixo] marcantes como se fosse o cara mais sortudo do mundo.

E o resto da banda, incluindo os membros originais Stephen Morris e Gillian Gilbert, ao lado do multi-instrumentista Phil Cunningham, parecia igualmente satisfeito por fazer esse concerto na Opera House de Sydney. Privilegiados que apreciam visitas regulares aos seus salões sob as velas dos barcos esquecem o grande negócio que é quando nomes internacionais se apresentam por lá.

Ainda que o set fosse polvilhado por faixas de Music Complete, incluindo “Singularity”, “Restless”, “Academic”, “Plastic” e “Superheated”, nossos botões de nostalgia foram pressionados para valer pela familiaridade gloriosa de seus clássicos.

“Blue Monday” e “True Faith” imediatamente transportaram o público de volta para aquela pista de dança de sua juventude onde luzes estroboscópicas e sistemas de som pulsavam alimentando um total abandono melhor do que qualquer Disco Biscuits [N.T.: jam band da Filadélfia que também faz um blend de rock e música eletrônica] jamais poderia.

Eles completaram um círculo iniciado com Music Complete e concluído com a banda de cujas cinzas o New Order surgiu após a morte prematura do vocalista do Joy Division, Ian Curtis.

“Cermony” veio cedo no set, mas “Temptation” e “Love Will Tear Us Apart” vieram no final.

Após a completa impossibilidade de sua inclusão no Future Music Festival, em 2012, o New Order está de volta a Sydney exatamente onde deveria estar, tocando para as exatas pessoas que querem vê-los.

SET LIST:
Singularity
Ceremony
Academic
Crystal
Restless
1963
Your Silent Face
Tutti Frutti
People on the High Line
Bizarre Love Triangle
Waiting for the Sirens’Call
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Temptation
Blue Monday (encore)
Love Will Tear Us Apart (encore)
Superheated (encore)

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NEWS | New Order: “Disco novo? Pode ser.”

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Imprensa da Catalunha deu destaque à participação do New Order no Sónar 2016.

Já que mencionamos o festival Sónar no nosso último post, aproveitamos a ocasião para trazer ao leitor deste blog o que a imprensa catalã andou publicando sobre a passagem recente do New Order por Barcelona por ocasião do seu maior e mais importante evento de música eletrônica e arte digital. Eu trouxe, direto do site do jornal El Periodico, uma entrevista com Bernard Sumner e Gillian Gilbert feita por Juan M. Freire e publicada no dia do show do New Order no Sónar (sábado passado, 18 de junho) e a crítica do concerto, escrita Jordi Bianciotto e publicada no dia seguinte – ambas já traduzidas. Na entrevista com Freire, nada de muito novo ou diferente, com exceção de uma menção muito, mas muito breve mesmo, sobre o segundo disco do Bad Lieutenant (projeto solo de Sumner), e, também, sobre a (eventual) possibilidade do New Order vir a fazer um outro álbum. Já a crítica feita por Bianciotto destaca as qualidades da atual versão da banda – das “vantagens” de se ter Gillian Gilbert no lugar de Peter Hook à recém-conquistada “grandiosidade sinfônica” de sua música.


NEW ORDER: “UM DISCO NOVO? PODE SER.”
Histórico grupo de dance-rock se apresenta esta noite no Sónar
(por Juan Manuel Freire)

Se olharmos para a cronologia do New Order, a linha é qualquer coisa, exceto reta. O histórico grupo de dance-rock que emergiu das cinzas do Joy Division passou por diversos parênteses; o último foi de 2007, quando o baixista Peter Hook deixou o grupo, a 2011, quando os membros restantes decidiram continuar sem ele – trazendo de volta à banda a tecladista Gillian Gilbert. O El Periódico falou com o seu líder, Bernard Sumner, e com a reincorporada Gilbert, sobre segunda juventude, questões legais e o que faz do New Order um nome tão estimado. A banda toca hoje no Sónar, depois de ter participado, na última quinta-feira, do evento de inauguração patrocidado pela [cervejaria] Estrella Damm.

Como foi, cinco anos após seu último concerto, tocar novamente como New Order, mas com uma nova formação?

SUMNER – O primeiro concerto que nós fizemos foi em Bruxelas. Foi um pouco assustador. Nós não sabíamos se as pessoas aceitariam a nova formação do grupo. Mas depois de dez minutos, nós vimos que tudo sairia bem.

GILBERT – Para mim também foi aterrorizante. Foram doze anos desde a última vez que eu havia tocado ao vivo.

SUMNER – Mas é um pouco como andar de bicicleta…

Um dos momentos mais emocionantes da reunião é quando Gillian toca guitarra durante “Ceremony”, o primeiro single.

GILBERT – É tão emocionante tocar essa música. Ela me leva aos velhos tempos.

SUMNER – É uma pena eu não ter mais a mesma guitarra [usada na época em que a música foi gravada]. Eu gostava mais da antiga! [risos]

Vocês passaram anos dizendo que não era possível reunir a banda. Quando foi que isso se concretizou?

SUMNER – Bem, não é uma reunião… é uma continuação, porque [o New Order] nunca acabou. Em nossas mentes é mais uma continuação do que uma reforma [na banda]. Provavelmente não continuaríamos por causa das questões jurídicas que existiam por trás. Antes de continuarmos era preciso pisar em uma base legal firme.

Estão se saindo melhor agora em comparação com, digamos, 2005?

SUMNER – Sim. É divertido. Tudo está mais fácil.

GILBERT – Nem queríamos planejar uma grande turnê antes de fazer alguns concertos. Não sabíamos como as pessoas reagiriam.

SUMNER – Mas como correu tudo bem, decidimos seguir em frente.

GILBERT – A melhor coisa é que não havia nada para promover, então fizemos tudo por diversão.

Falando em disco… Há um novo disco do Bad Lieutenant [projeto paralelo de Sumner com os membros masculinos do New Order atual] no caminho…

SUMNER – Eu comecei a trabalhar nele, mas agora está em segundo plano. Não posso falar nada sobre o Bad Lieutenant.

Na verdade eu estava interessado em saber se, além disso, é possível que haja um novo álbum do New Order.

SUMNER – Um novo álbum? Acho que sim. Talvez. Mas este ano vamos tocar [ao vivo] até novembro, por isso vai ser difícil. Poderíamos considerar algo então, quem sabe.

Vocês andaram recuperando um material incomum ao vivo, como “Age of Consent” e “5-8-6”. Há algum motivo em particular para essas escolhas?

SUMNER – Fazia muito tempo que não tocávamos em lugares como Viena e as pessoas lá tinham o direito de ouvir os temas mais familiares, como “Blue Monday”, “Temptation” etc. Mas eu também queria satisfazer o fã incondicional e tocar algumas canções um pouco mais obscuras.

O que vocês escutam hoje em dia? Vocês tentam se manter atualizados?

SUMNER – Me fazem muito essa pergunta e, sinto decepcioná-lo, mas não ouço muita música. Eu trabalho o dia todo com música e quando eu me desligo, prefiro ler um livro ou assistir TV, ou fazer algum tipo de trabalho manual. Mas eu gosto do Arcade Fire.

GILBERT – Eu só ouço o que minhas filhas escutam; o problema é ser mãe. Mas eu gosto de Lana Del Rey.

Suponho que saibam que o New Order ressoa em um de cada cinco novos grupos.

SUMNER –  É melhor ser lembrado do que ser esquecido. Além disso, continuamos ativos, fazendo shows.

O que faz do New Order uma banda tão querida? Suas canções são uma experiência transcendente para muitas pessoas.

SUMNER – Eu acredito que é o fato de sermos muito humanos…

GILBERT – Não somos nada pretensiosos. Qualquer um pode embarcar no nosso conceito.

SUMNER – Além disso, fizemos muita merda no passado, o que nos faz humanos.

(entrevista original em catalão AQUI)


NEW ORDER: LITURGIA E CELEBRAÇÃO
O grupo de Manchester ofereceu um inflamado culto aos seus clássicos dos anos 80
(por Jordi Bianciotto)

Seu novo álbum, Music Complete, o primeiro com canções novas em uma década, permite que o New Order passeie pelos festivais como algo mais que uma banda revival, ainda que, no final de contas, o que interessa é escutar os clássicos dos primeiros indies de Manchester e palpar o que ainda resta de pé do legendário Joy Division. Dessa maneira, o New Order continua dando ao público o que ele quer, procurando de modo dramático o ponto de equilíbrio entre sua proverbial sobriedade e seu lado festeiro.

De certo modo, quem sabe saímos ganhando com a substituição de Peter Hook por Gillian Gilbert, já que, ainda que tivéssemos sofrido a perda de seu baixo guerreiro nos instantes finais de “Bizarre Love Triangle” na noite de sábado, sua presença de palco tende a uma certa “euforia hooligan” incompatível com as relíquias sagradas da primeira fase da Factory; em contrapartida, a volta da tecladista trouxe a banda de volta à sua essência eletrônica. Esse New Order de 2016 continua com muitas guitarras (Phil Cunningham está no grupo há quinze anos), mas também com sintetizadores e programações; o som final é uma versão grandiosa, sinfônica, do New Order clássico (mais frugal) da década de 1980.

Repertório encurtado: Canções da nova safra foram orgulhosamente apresentadas ao público – “Singularity”, “Restless”, “Tutti Frutti” e “Plastic” desfilaram com dignidade e, embora venham a ser esquecidas quando a banda sair em turnê em 2020, deram [ao concerto] um fino perfil pop à maneira de outros dois singles do New Order neste novo século, “Crystal” e “Waiting for the Sirens’ Call”. O show foi um pouco mais curto que os demais da turnê e fizeram falta músicas como “Ceremony” e “Love Vigilantes”, embora “Your Silent Face”, o midtempo eletrônico de Power, Corruption and Lies (1983), tenha sido mantida.

A reta final saiu como o previsto, com poucas mudanças em relação às turnês anteriores. Mas por que continuam ignorando um disco tão importante como Technique, de 1989? Isso já era de se esperar, mas não desprezemos “The Perfect Kiss”, “True Faith” (recriada ao estilo techno), a hipnótica “Temptation” e uma das canções mais influentes do pop, “Blue Monday”, com sua cadência robótica, um monumento à emoção através da frieza.

Tampouco deixemos de lado “Love Will Tear Us Apart”, envolta em uma atmosfera de celebração (com direito a “Forever Joy Division” no telão), expansiva até demais, com o clima de festa se impondo à sua natural melancolia – longe de Ian Curtis.

SET LIST SÓNAR BARCELONA 18 JUN 2016
Singularity
Crystal
Restless
Your Silent Face
Tutti Frutti
Bizarre Love Triangle
Waiting for the Sirens’ Call
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Temptation
Blue Monday (encore)
Love Will Tear Us Apart (Joy Division, encore)
[Run. time: 1h30min.]

(crítica original em espanhol AQUI)

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NEWS | Onde há fumaça… New Order pode voltar ao Brasil em novembro.

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New Order em São Paulo (2014). Foto de Jéssica Mangaba/VEJA.

Por enquanto, é só especulação – mas os fãs poderão começar hoje mesmo com as orações, as oferendas aos orixás, ou mesmo com o cruzar dos dedos. Um antigo contato dos tempos do fórum em espanhol do site New Order On Line (nada de nomes, ok?) teria falado com Gillian Gilbert (teclado, guitarra), que supostamente lhe disse que o New Order voltaria à América do Sul em novembro deste ano. Evidentemente, isso não é o bastante para nos dar 100% de segurança, mesmo assim há algum fundamento por trás desse “vazamento”. Eu explico…

No dia 08 de setembro do ano passado, em entrevista concedida à Folha de São Paulo às vésperas do lançamento do álbum Music Complete, Gillian disse à jornalista Claudia Assef que nosso país estava na mira da banda mais uma vez: não sei se podia falar, mas em 2016 iremos ao Brasil”A suposta data da vinda à América do Sul também faz total sentido. Em novembro deste ano, o festival de música eletrônica e arte digital Sónar passará por São Paulo, Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile) e Bogotá (Colômbia), como parte de sua tour pelo mundo – e o New Order foi uma das atrações do Sónar Barcelona (o original) deste ano (o show foi ontem). No ano passado, artistas que estiveram na edição barcelonesa, como Hot Chip e Chemical Brothers, também tocaram nas edições pela América do Sul.

Isso quer dizer que temos motivos para esperar por boas notícias em breve. Vamos aguardar.

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RELATO | Atrás do New Order em Lima

no15O show do New Order em Paris em novembro do ano passado, sobre o qual já relatei em outros posts, não foi o primeiro que “caiu no meu colo” durante uma viagem por motivos profissionais. Isso já havia acontecido em abril de 2013, quando essa mesma formação do New Order (Bernard Sumner, Gillian Gilbert, Stephen Morris, Phil Cunningham e Tom Chapman) voltou à América do Sul para duas apresentações: uma em Lima, Peru, e outra em Bogotá, Colômbia (esta última como atração do festival Estereo Picnic). Eu participaria de um encontro / congresso latinoamericano de profissionais da minha área em Lima e o calendário do evento coincidiu com a data da apresentação do New Order na Explanada Sur do Estadio Monumental, na capital peruana. Só que, ao contrário de Paris, eu tive companhia brasileira nesse show. Parcerias de outros carnavais do grupo New Order Brasil tambem estavam de passagens e ingressos comprados para curtir o show em Lima: Ricardo, Marcelo, Andréa, Robertão e Luis Sobrinho. Belo time.

Exceto eu, todos se hospedaram na região de Miraflores. Eu era o único no Centro Histórico, mas me instalei lá por questões de praticidade: o congresso no qual estava inscrito aconteceria em espaços espalhados por diversos pontos da parte antiga da cidade, então era mais cômodo me estabelecer nessa área do que ficar em um lugar mais afastado. Mas foi uma ótima escolha por outros motivos também, como hospedagem mais barata, proximidade com diversos pontos de interesse turístico (a Plaza Mayor, a Casona da Universidade de San Marcos, a Catedral e outras igrejas do período colonial, balcones restaurados e conservados, museus, um polo gastronômico etc) e um ponto de venda e resgate de ingressos da Teleticket a cinco minutos a pé do meu hotel, dentro de um grande supermercado. Inclusive, quando estive lá para buscar meu bilhete, reparei que o quisque era todo coberto por pôsteres de shows de diversos artistas, locais e internacionais – o que me fez perguntar à atendende se não haveria algum do show do New Order sobrando para me dar. Infelizmente, não havia nenhum (não havia sequer um fixado no quiosque), mas a moça achou em uma gaveta dois flyers (os últimos) que gentimente me ofereceu no lugar do pôster.

Flyers

Flyers oficiais do show em Lima

Na noite do show, fui me encontrar com Ricardo, Marcelo e Robertão no hotel em que estavam hospedados, em Miraflores. De lá pegaríamos um táxi para o Estadio Monumental, que ficava bem longe ali. Andrea estava lá desde o começo da tarde, pois queria garantir para si um excelente lugar (na grade, em frente ao palco, é claro). Luis Sobrinho apareceria por lá depois. Só nos veríamos todos já no interior do setor “Blue Monday” (o de preço mais salgado, mas era o que compreendia as primeiras fileiras da pista). Quando nos encontramos lá dentro, Andréa já havia conseguido demarcar seu “território” no gargarejo. Em uma rápida conversa, nos disse que dentre as poucas coisas que havia conseguido discernir enquanto ouvia a passagem de som do lado de fora, teve a impressão de ter escutado “World” (se a tocaram ou não no soundcheck, não fez diferença, pois também não a tocaram no show). Enquanto o público ia chegando, bem devagar, demos uma sacada no lugar. Era estranho uma banda se apresentar do lado de fora de um estádio de futebol em vez do lado de dentro!

No dia anterior, os Killers tinham tocado no Monumental, mas “literalmente falando”. Já a Explanada Sur del Estadio Monumental, onde o New Order tocaria naquela noite, é um espaço aberto ao lado do estádio que não pertence ao complexo esportivo (ao contrário de uma área de estacionamento que também é usada para shows e eventos e com a qual costuma ser confundida muitas vezes). Na Explanada Sur já se apresentaram nomes como Guns N’ Roses, Placebo, The Cranberries, David Guetta e Aerosmith. Não sei ao certo qual a capacidade máxima do lugar, nem quantas pessoas estiveram no show do New Order, mas o fato é que a Explanada demorou bastante a ficar cheia (convenhamos que o trânsito lá fora não ajudava nem um pouco) e o concerto, que deveria ter começado às 21:00, teve início com uma hora de atraso. Enquanto esperávamos, eu matei minha fome com uma espécie de choripán peruano, acompanhado de uma garrafa de Inca Cola. Ainda antes do show começar, fui reconhecido por um grupo de chilenos que faziam parte do fórum em espanhol do NOOL (New Order On Line), que eu também frequentava – e eles acabaram se juntando a nós. Foi muito legal ter a companhia deles.

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New Order Brasil em Lima!

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NOOLers brasileiros e chilenos

Às 22:00 o show finalmente começou. Foi aí que me dei conta de que o lugar, enfim, havia ficado cheio. Esse foi o segundo show que eu assisti com a formação atual do New Order – o primeiro foi em São Paulo, no Sambódromo do Anhembi, em 2011, pouquíssimas semanas depois da banda voltar à ativa reformulada. A apresentação em Lima, ao contrário da de São Paulo, desceu redonda. O time estava mais entrosado, o som era melhor e a plateia estava com aquela empolgação típica de primeira vez (o New Order nunca havia tocado lá). Ninguem parecia se importar com a ausência de um certo Peter Hook. Mas para nós, que tínhamos visto o grupo outras vezes, o concerto teve outros aspectos interessantes. Eles tocaram “Touched by the Hand of God” (com um novo arranjo), que não era apresentada ao vivo desde 2002; também foi o début ao vivo de “I’ll Stay With You”, faixa de Lost Sirens. Pela reação (explosiva!) do público, os pontos altos foram “Regret”, “Ceremony” e “Bizarre Love Triangle”, cantadas a plenos pulmões. Porém, nada foi tão curioso, pelo menos para os meus olhos, do que ver os peruanos pogando (fazendo a famosa “roda punk”) em “The Perfect Kiss” e “Temptation”!

O melhor da noite, no entanto, foi o after gig. Depois que o show acabou nós não fomos embora…Quer dizer, pelo menos não todos nós. Eu, Marcello, Andréa e Robertão ficamos. Os demais se foram junto com a multidão. Quando a Explanada Sur já estava bem vazia, nós nos misturamos com a turma do staff (afinal, além da entourage, um show envolve um grupo imenso de prestadores de serviços locais) e, sem sermos notados, fomos parar na grande área atrás do palco. Marcello e eu montamos guarda no que parecia ser um dos acessos ao backstage – nos pareceu ser um lugar estratégico para nos posicionarmos, pois havia acabado de estacionar uma van ali bem em frente e, em seguida, uns caras montaram uma espécie de corredor até o veículo com aquelas grades de organizar fila, com direito a “leão de chácara” para fazer a segurança. Nos ocorreu que em breve a banda poderia passar por esse corredor para entrar na van. Enquanto isso, Andréa e Robertão adotaram outra estratégia e se enfiaram por uma espécie de beco – e desapareceram nas sombras! Enquanto esperávamos próximo à van, a única figura “conhecida” que nos deu o ar da graça foi a engenheira de som, Dian Barton. Para não perder a oportunidade, nós a convidamos para tirar uma foto conosco e, em seguida, perguntamos se a banda ainda estava no camarim e se ela poderia quebrar um galho e dar um jeito da gente entrar… A resposta foi algo como um diplomático, mas pouco convincente “Eh… fiquem aqui que eu vou ver com a Rebecca [Boulton, do management da banda]”.

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Com a sound engineer Dian Barton, no backstage

É claro que ela nos deixou lá em pé comendo mosca, até que Andréa reapareceu no meio das sombras daquele beco dizendo “Psiu! Psiu! Aí é a maior furada, venham comigo!”. Nós a seguimos no ato por dentro de um corredorzinho estreito, mas curto. Quando saímos dele, voilá! Estávamos no backstage! “Enquanto vocês estavam lá a gente conseguiu chegar até aqui e encontramos o Andy. Eles nos ofereceu água e cerveja e ficou conversando com a gente. Disse que logo logo vem alguem da banda vir aqui falar conosco”, disse Andréa. O “Andy” em questão é o Andy Robinson, o outro empresário do New Order. Andréa já havia conversado com ele um dia antes, na coletiva de imprensa. Minutos depois, quem aparece para dar uma palavrinha com a gente? A “bateria eletrônica humana”: Stephen Morris (o único, aliás, a sair do camarim). Pura simpatia. Com muita paciência, humildade e carisma, conversou com todos nós e nos deu autógrafos (ele assinou o canhoto do meu ingresso e um lote imenso de encartes de CDs do Robertão). Ele não ficou muito tempo – logo chegaram uns caras que entraram no camarim com caixas e mais caixas de pizza. Stephen foi atrás e nenhum outro New Order saiu de lá depois. Mas já estava de bom tamanho. O show tinha sido ótimo, tivemos a sorte de ver e conversar com Stephen Morris e ainda saímos de lá com uma informação preciosa que Andréa colheu com o Andy Robinson: o horário do voo da banda para Bogotá no dia seguinte.

Somente Marcello, eu e Robertão estivemos de plantão no aeroporto para vê-los. Não sei se era um esquema especial para aquele dia (por causa do New Order), mas somente quem tinha viagem marcada para aquela data poderia entrar no salão de check in. Tivemos que contar com a cara-de-pau do Marcello, que mostrou para o funcionário do aeroporto a reserva dele, que na verdade era para o dia seguinte, e como se fosse para nós três, só que contando para que o sujeito não pegasse o papel para ler. Felizmente, obtivemos sucesso e entramos. Também não demorou muito para que a banda aparecesse. Abordamos primeiro o Bernard Sumner (enquanto isso os demais passaram batidos em direção ao guichê da companhia aérea). Barney também foi gente finíssima. Mas eles estavam já meio atrasados, então nada de muita conversa, nem autógrafos – somente fotos. “Agora tenho que correr para o check in, pessoal. Um abraço!”. Mesmo assim, fomos atrás porque como os demais se adiantaram, talvez conseguíssimos falar com mais alguem. E esse alguem foi Gillian Gilbert, vencedora do troféu Doçura-Fofura. Nessa altura, Steve já estava quase no salão de embarque de tanta pressa! Mas Gillian foi simpática, paciente e posou para fotos conosco com toda a simplicidade e humildade que existe no mundo. Infelizmente, não foi desta vez que demos uma moral para o Phil Cunningham e o Tom Chapman. Ficou para o ano seguinte.

As histórias dos shows do New Order pela América do Sul em 2014 merecem, pelo menos, uns dois posts! Aos poucos, com calma, vou colocando tudo “no papel” para publicar – com direito a fotos, é claro. Por hora, dexarei vocês curtindo um pouco da repercussão dos shows do New Order em Lima na imprensa local.

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