REVIEW | “New Order’s Technique & Republic Live in London” (Peter Hook and The Light)

largeAcaba de sair pelo selo Live Here Now (e através da plataforma direct to fan Pledge Music) uma amostra do que está para vir na quarta-feira próxima, dia 10 de outubro, no palco do Audio, em São Paulo: New Order’s Technique & Republic Live in London, o novo CD (triplo) de Peter Hook e seus fiéis escudeiros do The Light, e cujo repertório cobre, na íntegra, os dois LP’s de sua ex-banda que atingiram o topo da parada de álbuns na Inglaterra em 1989 e 1993, respectivamente, além de um set só de músicas de outro antigo grupo seu, um certo Joy Division.

O disco e a subjacente turnê que já está percorrendo a América Latina (Hook toca amanhã em Buenos Aires) representam mais uma etapa do projeto iniciado pelo baixista em 2010, que é o de tocar ao vivo todos os álbuns e singles já lançados pelo Joy Division e pelo New Order e em ordem cronológica. Agora chegou a vez de Technique Republic, além de compactos como “World in Motion”. O show que acabou de sair em CD foi gravado no Electric Ballroom, em Candem Town (arredores de Londres) no dia 28 de setembro deste ano. Como de costume, a qualidade da gravação produzida pela equipe da Live Here Now é impecável – e se mantém dentro do atual “conceito” de registros ao vivo que soam quase como se fossem gravações de estúdio. Entretanto, o som excessivamente limpo, destituído daquela “sujeira” natural típica de um concerto ao vivo – os urros da plateia, reverberações, ecos etc. – pode às vezes colocar em relevo aquilo que seria preferível não se ouvir direito, que pode ser um grave sem muita potência (um dos grandes males de quase todos os discos ao vivo do The Light) ou os vocais sofríveis de Peter Hook.

Com relação a esse segundo quesito, vale dizer que até não foi uma má ideia convocar o guitarrista David Potts para dar um reforço extra em muitas músicas – e, convenhamos, tal estratégia foi a salvação em algumas faixas. Mas na maioria das vezes o intento não logra êxito e Potts, cujo timbre vocal é mais semelhante ao de Bernard Sumner (vocalista e guitarrista do New Order) que o de Hook, não consegue resolver a parada. “Regret” sem a voz (ainda que sem brilho e já bastante cansada) de Sumner definitivamente não funciona. O baixista parece não ter feito direito os seus cálculos e desconsiderou que Technique Republic talvez sejam os discos do New Order cujas as músicas mais teriam sido especialmente projetadas para se adequarem ao tom de Bernard (uma preocupação virtualmente inexistente em LP’s anteriores). E uma vez que a banda optou por não mexer muito nos arranjos, temos aquela incômoda sensação de que alguem está tentando fazer peças quadradas passarem através de buracos redondos.

Com relação aos aspectos estritamente musicais, temos altos e baixos ao longo do disco. Mas tais oscilações pouco têm a ver com as recentes mudanças na formação do The Light. Nos teclados, a vaga de Andy Poole (que estava na banda desde 2010) foi preenchida por Martin Rebelski (ex-Doves); no segundo baixo, Yves Altana substitui Jack Bates, filho de Hook, que por ora está a prestar serviços ao Smashing Pumpkins. O set de abertura do show, composto só de músicas do Joy Division, desce redondo – sendo esse o material mais exaustivamente tocado por Peter Hook e o The Light ao longo desses últimos oito anos (fora o extra de que o timbre grave da voz do baixista se encaixa melhor no repertório do JD), não existem ressalvas a serem feitas aqui. Ao todo são três pedradas punk (“No Love Lost”, “Warsaw” e “Leaders of Men”), “Digital” e seu interminável refrão, a soturna “Autosuggestion” e a clássica “Transmission”. Um começo de show desses faz “Fine Time”, de Technique, parecer um anticlímax, sobretudo porque a versão do The Light nos faz ter a estranha sensação de que falta algo… Stephen Morris, talvez? Ou Bernard Sumner emulando Barry White com a ajuda do vocoder?

“Fine Time” realmente soa aqui como prenúncio da destruição de um álbum clássico, mas a sequência formada por “All the Way”, “Loveless” e “Round and Round” consegue apagar temporariamente a má impressão inicial, com destaque para a última. Infelizmente, o crescendo é interrompido por fracas versões de “Guilty Partner” e “Run”. Todavia, Hook e sua banda conseguem se recuperar com boas execuções de “Mr. Disco”, “Vanishing Point” e “Dream Attack”. Apesar de uma competente sequência final, a versão para os palcos da maior obra-prima do New Order passa longe da apoteose que o público espera.

Por incrível que pareça, Republic, considerado um disco inferior e desequilibrado, se saiu melhor nesse registro ao vivo que seu gabaritado antecessor. Como dissemos anteriormente, esqueça a versão do The Light para “Regret”. Por outro lado, os ouvintes se surpreenderão com ótimas interpretações de singles como “World” e “Spooky”, ou de faixas menos badaladas como “Young Offender” e “Times Change” (o único rap já gravado pelo New Order); “Liar” surpreendentemente soa aqui muito melhor que a gravação original; já “Ruined in a Day”, que ganhou um belíssimo arranjo que mesclou partes de versão original com trechos do (excelente) remix feito pela dupla K-Klass em 1993, perdeu alguns pontos por causa de uma constrangedora atuação de Hook como vocalista (para variar…); e misteriosamente a performance de Republic se encerra com uma decente execução de “Special”, já que inexplicavelmente o tema instrumental “Avalanche”, que conclui a versão de estúdio do álbum, ficou de fora do tracklist (a presente resenha foi feita a partir de uma versão para download adquirida oficialmente no site da Pledge Music).

Já as músicas do bis – aquelas escolhidas a dedo para todo mundo cantar junto – não ficaram fora do disco, é claro: “World in Motion”, “Blue Monday”, “Temptation” e “Love Will Tear Us Apart” (Joy Division) fazem o gran finale. Com uma sequência dessas quase é possível esquecer os tropeços encontrados aqui e ali ao longo desse New Order’s Technique & Republic Live in London. Para os fãs mais viscerais é um item que muito provavelmente não poderá faltar na coleção. Já para os não tão obcecados assim, é certo de que não deve suscitar grande procura. Afinal, para o público médio interessa muito mais ver Peter Hook em ação no palco – com toda a força de seu carisma –  do que ouvi-lo em um CD ao vivo. E ele saciará essa nossa necessidade mais uma vez na quarta-feira. Até lá.

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NEWS | Tem mais do mesmo vindo por aí…

IMG_2606O ex-baixista do New Order, Peter Hook, anunciou recentemente em suas redes sociais que estará a caminho pelo selo Live Here Now um novo CD ao vivo do The Light com os álbuns Unknown Pleasures e Closer, ambos do Joy Division, tocados na íntegra. Para quem já perdeu a conta, com esse “novo” disco serão sete itens no catálogo do The Light com o mesmo repertório. O futuro rebento será gravado em Londres, no Roundhouse, dia 18 deste mês (os ingressos já se encontram esgotados), e a pré-venda na plataforma Pledge Music já está disponível. A única diferença com relação aos lançamentos anteriores é que o novo CD, que será triplo, trará algumas músicas do New Order de lambuja.

IMG_2607Falando em New Order… o álbum ao vivo NOMC15, lançado em meados deste ano com exclusividade pela Live Here Now / Pledge Music, acaba de ser “relançado” e disponibilizado nas melhores lojas (físicas e virtuais) do ramo na Europa, nos EUA e no Japão. Quem se adiantou e comprou o disco na pré-venda no site da Pledge Music levou para casa um CD duplo embalado em uma caixinha digipak ou um LP triplo prensado em vinil transparente (ou os dois juntos em um combo que incluía também camiseta e pôster). As atuais reedições, para a tristeza dos mais atrasados, estão disponíveis apenas em vinil comum preto (LP) e em estojo de acrílico simples (CD). O tracklist, no entanto, é rigorosamente o mesmo.

REVIEW | Em detalhes: “The Haçienda Classiçal” (Graeme Park, Mike Pickering, Peter Hook & Manchester Camerata)

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Peter Hook: sugando Haçienda até o bagaço.

Peter Hook, ex-baixista do Joy Division e do New Order, é o feliz proprietário da marca “The Haçienda” desde que o lendário nightclub que outrora funcionava na Whitworth Street (Manchester) fechou suas portas em 1997. Isso quer dizer que ele detém o controle sobre o licenciamento do nome para todo tipo de projeto ou produto. E ele faz questão de dizer em toda parte que, ao contrário do que andou sendo dito pelos seus ex-sócios no empreendimento (os membros remanescentes do New Order), a compra da marca foi feita legalmente.

Desde a aquisição, que se deu em um leião promovido pelos liquidatários da casa noturna após seu fechamento, Hook vem arrecadando algum dinheiro com o valor histórico que fora acumulado por um dos berços da (sub)cultura rave – talvez como forma de recuperar os milhões que escorreram pelo ralo enquanto o clube existiu. Não deixa de ser irônico o fato do Haçienda lhe render mais lucro hoje, quando não mais existe, do que durante os quinze anos em que esteve em atividade.

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O prédio que abrigava The Haçienda antes de ser demolido e transformado em um edifício de apartamentos.

Além do livro que escreveu sobre as desventuras em torno de sua criação e de seu gerenciamento (The Haçienda: How Not to Run a Club, Simon & Schuster, 2010, 368 páginas), que veio a ser o primeiro de uma trilogia (que, aliás, acabou de ser completada com Substance: Inside New Order, Simon & Schuster, 2016, 768 páginas), Peter Hook foi um dos curadores de três coletâneas que reuniram os grandes hits que lotavam a pista de dança do Haçienda: The Haçienda Classics (2006), The Haçienda Acid House Classics (2009) e Haçienda: 30 (2012). Isso sem contar, ainda, os “eventos Haçienda” e a criação de uma gravadora chamada Haçienda Records.

Mas o projeto mais ambicioso em torno do legado de seu antigo estabelecimento, sem dúvidas, foi o concerto/turnê The Haçienda Classical. Idealizado por Paul Fletcher, que foi promoter do Haçienda, e por Graeme Park e Mike Pickering, dois antigos e proeminentes disc-jockeys da casa, a proposta era fundir, ao vivo, DJ set e orquestra para reinterpretar sucessos de A Guy Called Gerald, Black Box, T-Coy, 808 State e, é claro, New Order. Com participações especiais, como Shaun Ryder, Bez e Rowetta (Happy Mondays), além do próprio Peter Hook, o concerto fez sua estreia no Bridgewater Hall, Manchester, em fevereiro deste ano. Em seguida, o show viajou pela Inglaterra. Foi um sucesso de público e, também, de crítica.

O passo seguinte e natural era transformar o projeto em um álbum. Recém-lançado pela gravadora Sony Classical, braço da Sony especializado em música clássica, The Haçienda Classiçal (isso mesmo, com cedilha no “classical” também) tenta reproduzir em disco o bom resultado obtido nas salas de espetáculos. Com Hook na produção executiva, o CD traz a mesma orquestra de câmara que se apresentou nos shows, a Manchester Camerata, que também participou do último álbum do New Order, Music Complete. Rowetta também embarcou nessa, assim como Yvonne Shelton, ex-vocalista do Secret Society; ambas somaram suas vozes às do AMC Gospel Choir, um dos corais mais conceituados da atualidade.

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O CD The Haçienda Classiçal

Ao todo, The Haçienda Classiçal traz vinte faixas mixadas por Mike Pickering e Graeme Park de modo contínuo, como em uma festa ou rave. Mas nenhuma das bases utilizadas pelos DJ’s são originais: o que não podia ser reproduzido pela orquestra, como sons de sequencers e baterias eletrônicas, foi recriado (o tecladista Andy Poole, da banda Peter Hook & The Light, foi o responsável pelas programações). Isso pode vir a decepcionar muita gente, já que algumas canções mais parecem versões de videokê – só que com o som de uma grande orquestra colocado por cima.

Uma das faixas que ficaram com essa “cara” foi justamente uma das grandes pérolas da música eletrônica em todos os tempos: “Blue Monday”, do New Order. Mesmo com Peter Hook tocando seu baixo e, vá lá, cantando também, o resultado final ficou aquém das expectativas. Todavia, isso não significa que o álbum não tenha lá seus destaques: “Someday”, originalmente gravada e lançada por Ce Ce Rogers em 1987, certamente é um deles. E talvez o seja justamente por ter dispensado a tal base eletrônica de videokê em favor de uma abordagem que privilegiou quase que integralmente instrumentos musicais reais – não apenas os da orquestra, por si só bem pronunciados, como também os cymbals dos percussionistas Chris Crulks e Inder “Goldfinger” Matharu, músicos que também brilham em “I’ll Be Your Friend”, de Robert Owens. Mas um dos momentos de glória da dupla no CD é, de longe, a releitura de “Voodoo Ray”, de A Guy Called Gerald.

A maior parte dos temas escolhidos para esse encontro entre a dance music e a música clássica vêm do subgênero house (ou seja, há uma fartura daqueles inconfundíveis riffs de “piano”, como no caso de “Rich in Paradise”, dos italianos do F.P.I. Project, ou “Strings of Life”, do Rhythim Is Rhythim). Não há “coincidência” alguma aqui: a fase considerada “áurea” do Haçienda foi o finzinho da década de 1980 e o começo dos anos noventa, período marcado pela explosão do house em todas as suas variantes: italo house, acid house, deep house etc. Curiosamente, os “clássicos” do clube são, em sua grande maioria, one hits de projetos musicais efêmeros que, logo depois de estourarem um single de sucesso, desapareceram tão rápido quanto surgiram. Então, é de se admirar que uma casa que, em seus primórdios, tocava de tudo – punk, new wave, northern soul e até mesmo reggae -, além de ter servido também como espaço para shows ao vivo, tenha conhecido seu momento de glória durante uma espécie de “febre de verão” (no sentido de coisa passageira); nesse caso, foi o que ficou mundialmente famoso como “Segundo Verão do Amor”.

A questão é que para muita gente esse verão nunca terminou. E no que depender de Peter Hook, ele não tem prazo previsto para acabar mesmo. Todavia, alguem deveria dizer a ele que não é todo projeto musical que funciona bem em disco. Gravações originais ou remixes (principalmente), sem sombra de dúvidas, pedem para ser relançados em coletâneas de tempos em tempos. Já o audacioso conceito recital-meets-rave parece funcionar melhor em concertos ao vivo – sua transposição para o estúdio diminuiu drasticamente o impacto sonoro e o transformou num daqueles CDs que a gente põe para ouvir quando está lavando a louça ou quando está tirando o pó dos móveis. Ou seja, além de dispensar uma maior atenção, ajuda a passar mais rápido o tempo de nossas tarefas domésticas. Resumindo: em vez de nos transportar de volta para a Manchester de 1989, The Haçienda Classiçal, o álbum, nos teleporta para uma festa careta de yuppies de meia idade num apartamento – na melhor das hipóteses – ou para um show do Celebrare – na pior delas.

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REVIEW | Avaliamos o relançamento de “Singles”

new-order-singlesLá pelos idos de1986/1987, o falecido “Mr. Manchester”, Tony Wilson, na época repórter e apresentador da Granada TV e chefe da gravadora Factory Records, comprou um Jaguar novo em folha e equipado com um CD player. Para saciar a sua vontade de poder ouvir todos os singles do New Order enquanto dirigia seu novo (e caro) “brinquedo”, a banda e seu selo conceberam o álbum Substance (agosto de 1987), o ducentésimo lançamento da Factory (FACT 200). O coneito por trás do disco (duplo) era o seguinte: reunir em um mesmo título todos os singles de 12” que o New Order havia lançado, desde o primeiro – “Ceremony”, de 1981 – até o mais recente – “True Faith”, de julho de 1987. Foi um grande sucesso: cerca de 2 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos.

Embora tenha álbuns em diversas listas de “Melhores Discos de Todos os Tempos” – Low Life (1985) e Technique (1989) são os que mais frequentemente aparecem -, o New Order se notabiizou mesmo pelos grandes singles de 12” gravou, sendo que alguns deles não faziam parte de um LP até Substance aparecer. Inclusive, a banda detém o recorde do formato: “Blue Monday” é, até hoje, o single de doze polegadas mais vendido de todos os tempos. Mas por que a escolha dos 12”? Na década de 1980 esse formato (o mesmo diâmetro de um long play) alcançou uma popularidade até então inédita, sobretudo porque possibilitava o lançamento de versões estendidas (acima de 5 minutos) ou remixadas das músicas de trabalho, o que contribuiu para sua larga utilização pelos DJs nos clubs. Os finais alongados ou demoradas passagens instrumentais facilitavam a vida daqueles que queriam fazer experimentos com as “carrapetas” enquanto o público suava na pista de dança. A musica do New Order parecia ter sido feita sob medida para esse formato.

Mas o bom e velho disco compacto, de sete polegadas, não tinha sido abandonado ainda. Devido ao seu menor diâmetro, os artistas daquela época frequentemente o utilizavam para lançar versões editadas e mais curtas de suas músicas para facilitar a veiculação nas rádios. Em torno de 3’30” e 4’00″ (aproximadamente), essas versões eram conhecidas como 7” Mix (“mixagem para sete polegadas”), 7” Edit (“editada para sete polegadas”) ou Radio Edit (“editada para rádio”) e também eram usadas nos vídeos promocionais. Com o surgimento do CD, a prática de lançar faixas editadas para os meios de comunicação não foi deixada de lado. Por isso, quase vinte anos mais tarde (2005), quando anunciaram que seria lançada uma nova coletânea de singles (e atualizada com tudo o que foi lançado de 1987 em diante), mas dessa vez com as versões editadas, os fãs pularam de alegria: uma parte nada insignificante desse material não havia sido lançada em formato digital ainda.

Singles foi criado como um contraponto ou complemento à proposta de Substance. Enquanto um disco era dedicado aos 12” e suas versões estendidas, o outro se concentrava nos compactos ou versões curtas lançadas em CD. A ideia era genial. Mas na época em que foi lançado, Singles não entregou o que vendeu. Diversas faixas eram, na verdade, album versions ou edits novos feitos exclusivamente para a coletânea. Em 2008, quando saíram as edições remasterizadas e expandidas dos álbums do New Order do período Factory, muita gente pensou “agora vai!” – mas, novamente, muita coisa ficou de fora, o que deixou os fãs frustrados. Melhor dizendo: irritados.

Mas Singles está de volta. A coletânea acaba de ser relançada – não apenas em CD duplo, seu formato original, como também na forma de um lindo (e dispendioso) box set de quatro vinis de 180 gramas. O press realease tenta justificar o relançamento: “Uma década após seu primeiro lançamento, Singles foi refinado para se transformar em uma digna representação da história da banda. O renomado Frank Arkwright remasterizou o material em Abbey Road a partir de cópias de alta qualidade das masters. Além da adição de ‘’I’ll Stay With You”, de Lost Sirens (2013), inclui os single edits e mixagens corretas de “Nineteen63”, “Run 2”, “Bizarre Love Triangle”, “True Faith”, “Confusion” e “Perfect Kiss”. O resultado é uma atualização da versão anterior do álbum”.

Fora a inclusão de “I’ll Stay With You”, algo sem propósito se considerarmos de que se trata de uma música que nunca foi lançada em single, a versão remasterizada e atualizada de Singles certamente vai arrancar um sorriso de satisfação até do fã mais exigente. Para começar, o trabalho feito por Frank Arkwright, que já havia remasterizado o material do Joy Division, é irrepreensível – está anos luz à frente do som demasiado alto e irritantemente estridente das Collector’s Editions dos álbuns do período 1981-1989. O outro ponto forte é a apresentação da caixa com os quatro LPs (vide fotos): aqui Peter Saville reinterpretou sua própria criação com um indefectível toque de luxo e requinte. Aliás, parece que o designer ultimamente vem dando o seu melhor no formato box set – vide as versões “encaixotadas” do álbum Music Complete.

Se há algum “defeito” a ser mencionado em Singles é que, mais uma vez, nem todas as versões das faixas estão corretas. Os edits de “Confusion” e “The Perfect Kiss”, por exemplo, não são os originais encontrados nos vinis de 7” lançados na Inglaterra na década de 1980; “Blue Monday”, como na edição anterior, aparece em sua apoteótica versão de pouco mais de sete minutos (a gravação editada fora rejeitada pela banda e até o presente momento continua existindo apenas em um raríssimo compacto promocional lançado no Japão em 1983); todavia, agora temos “Run 2” finalmente em formato digital.

Para quem deseja completar o catálogo do New Order em CD, pode se dizer que Singles chega quase lá, o que já é o suficiente para ser recomendado. Com relação ao box set de quatro LPs, fica a pergunta: vale o quanto pesa? A resposta é sim: é aquele tipo de item engrandece e embeleza uma boa coleção. E essa nova edição parece ser um bom prenúncio de que finalmente teremos, em um futuro próximo, “a” caixa do New Order (o baterista Stephen Morris disse em entrevistas recentes que a banda está preparando o que virá a ser o seu box set “definitivo” da banda). Depois do balde de água fria que foi o cancelamento de Recycle e o fiasco dos álbuns remasterizados e expandidos em CD, fica a esperança de que os fãs serão, enfim, recompensados pela longa espera!

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REVIEW | New Order em álbum beneficente: “Stand as One: Glastonbury Live 2016”

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Stand as One: iniciativa da Oxfam.

Em agosto deste ano, o New Order voltou a Worthy Farm, em Pilton (Inglaterra), para o que veio a ser sua quarta participação no tradicional Festival de Glastonbury, um dos maiores da Europa. A banda foi uma das principais atrações do Other Stage, por onde também passaram (não necessariamente nos mesmos dias) outros nomes de peso da cena alternativa, como James, Editors, Disclosure, CHVRCHES e LCD Soundsystem. Mas, no exato momento em que o New Order se apresentava, o outro palco, chamado Pyramid, recebia uma das maiores vozes do pop britânico na atualidade: ninguem menos que Adele. Todavia, para os veteranos de Manchester e seus fãs, foi como se a cantora-celebridade e seu público nem estivessem em Worthy Farm. Como em 2014 no Lollapalooza, em São Paulo, quando a plateia teve que escolher entre os representantes da velha guarda indie e um Arcade Fire no auge da popularidade, o New Order fez (de novo) um show digno de sua história e importância para uma audiência que sabia bem o que (ou melhor, quem) queria ver. 

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O show do New Order chegou a ficar um tempo no You Tube – e quem viu, curtiu. Quem não viu, restam agora dois consolos: de um lado, os incontáveis vídeos amadores feitos por quem esteve lá e que ainda estão disponíveis por aí; de outro, um “reles” registro oficial em áudio cedido pela própria banda para um recém-lançado CD beneficente da Oxfam (organização criada em 1942 para dar ajuda humanitária aos povos oriundos de países prejudicados por conflitos). Dedicado à memória de Jo Cox, ativista britânica e integrante do Partido Trabalhista inglês assassinada em junho, e com o propósito de arrecadar fundos para os projetos da Oxfam de auxílio a refugiados, Stand as One: Glastonbury Live 2016 (Parlophone) traz 16 contribuições de artistas que se apresentaram no festival este ano (a versão em MP3 para download contém três faixas a mais).

O New Order colaborou com uma excelente versão ao vivo de um de seus maiores sucessos: “Bizarre Love Triangle”. Presente em todos os set lists da banda, esse clássico de 1986, famoso pelos diversos remixes e reinterpretações que ganhou ao longo dos anos, aqui aparece com a sua mais recente roupagem: um arranjo novo, produzido a partir de um remix feito por Richard X. De tempos em tempos, o New Order atualiza alguns itens de seu catálogo para as apresentações ao vivo. Foi assim com “5-8-6” (que não foi tocada na última edição do Glastonbury), “True Faith” e “Waiting for the Sirens’ Call”. Se não fosse por esse “detalhe”, corria o risco do New Order soar como uma banda cover de si mesmo. Ainda assim, há quem não goste e que preferiria ouvi-los tocar as suas músicas exatamente do jeito como elas são em estúdio.

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Vale a pena conferir a excelente versão ao vivo de “Bizarre Love Triangle” em Stand as One

Esse é o caso, por exemplo, do Editors, que ofereceu para Stand as One uma versão da ótima “Munich” do jeitinho como ela é no álbum de estreia da banda britânica (a faixa só está disponível na versão download). Mas sendo esse um de seus melhores singles, a escolha pode ser considerada acertada. Tão certa, aliás, quanto a inclusão de uma “versão de arena” bem poderosa de “Starlight”, do power trio Muse (com direito a plateia cantando junto a plenos pulmões). Ao lado deles na categoria “auge da carreira”, temos o Coldplay, outra atração do Pyramid Stage, com “Birds”, cuja guitarra soa como The Edge (U2). Da turma que está em ascenção, destaque para as contribuições dos Foals (“What Went Down”) e CHVRCHES (“Bury It”). Todavia, esqueçam a bobagem pretensiosa e chata chamada “Saeglópur”, a cortesia dos islandeses do Sigur Rós. Façam o mesmo com “Eyes Shut” (Years & Years) e “Right Here” (Jess Glyne).

No disco, a ausência sentida foi justamente a da atração mais badalada do festival este ano, Adele. Não há uma faixa sequer de seu show em Stand as One. Será que ela não foi chamada a contribuir? Teria havido problemas com o licenciamento de suas músicas? Ou foi algo a ver com posições políticas? Enfim, não se sabe. O fato é que a inclusão de algum título do seu set list certamente valorizaria mais o disco do que as contribuições de artistas sem grande público em termos internacionais como John Grant, Laura Mvula e Baaba Maal (com todo respeito a eles e seus fãs). Por outro lado, fico feliz em ver o New Order dando uma força nessa questão que, além de importante, está na ordem do dia. E para quem justamente está mais interessado nas questões humanitárias que mobilizaram o projeto Stand as One do que nas músicas, vale a pena mencionar o convidativo preço do CD: £ 9,99 (sem as despesas de envio). O disco pode ser encomendado AQUI.

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NEWS | People on the High Line: vendas “bombaram” no primeiro dia

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“People on the High Line”: vendas indo bem logo no primeiro dia

Como são as coisas: quando o New Order e sua atual gravadora, a Mute Records, anunciaram que “People on the High Line” seria o quarto single do álbum Music Complete, lançado há quase um ano, muita gente reclamou. Mesmo quem gostava da faixa (este blog, por exemplo, chegou a citá-la como um dos destaques do disco na resenha que foi publicada aqui) achava que ela não era a melhor escolha. Havia muitas apostas para “Plastic”, enquanto “Academic” tinha um imenso fã-clube fazendo torcida por ela. Bernard Sumner chegou a declarar, em um entrevista logo após o lançamento do disco, que “People on the High Line” era uma de suas favoritas para virar single, mas que a banda havia rejeitado sua indicação. Por isso, ninguem entendeu muito bem porque, “de repente”, eles resolveram mudar de ideia. Mas o fato é que, na prática, a escolha parece ter sido muito acertada: “High Line” literalmente “bombou” no seu lançamento – e o vídeo promocional, que será escolhido em um concurso, sequer foi lançado ainda!

No site Mutebank, lojinha virtual da Mute Records, o bundle (pacote) promocional com vinil 12″ e CD pelo preço camarada de £ 13 esgotou no mesmo dia; aliás, não há mais uma cópia sequer em CD para contar história (todas já se esgotaram) e o site agora aguarda a reposição dos estoques do vinil. O estoque da Amazon britânica também evaporou em poucas horas e até o momento em que escrevo estas linhas apenas um de seus vendedores parceiros/associados possuía cópias disponíveis – e as estava vendendo por extorsivas £ 11 (o CD) e £ 22 (vinil de 12″). Por sorte, consegui encomendá-los por £ 6 e £ 8, respectivamente, no site da Norman Records, mas ainda assim terei que aguardar a reposição do estoque dos vinis (só o CD estava disponível para pronta entrega).

E isso porque ninguem gostou da escolha de “People on the High Line” como novo single…

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NEWS | “People on the High Line” para todos os gostos

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Capa do 12″ de “People on the High Line”.

Foram divulgados mais detalhes sobre o próximo single do New Order, “People on the High Line” (29/07), o quarto saído do décimo e mais recente álbum da banda, Music Complete (Mute Records, 2015). Em primeiro lugar, soltaram os tracklists do vinil de 12″ (que dessa vez terá a cor branca) e do CD (que trará outro ícone na capa, vide foto ao lado); além disso, no dia 09 de setembro será lançado em edição limitada (2.000 cópias) um picture disc cortado no formato do ícone que será usado na capa do 12″ e do digital single download (imagem ainda não divulgada). Esse disquinho terá, no lado A, a versão “Richard X Video Mix”, e, no lado B, o “Claptone Radio Edit”. Não há informações ainda a respeito desses mixes serem incluídos no pacote de downloads.

Enquanto isso, o site DirrtyRemixes.com fez a gentileza de disponibilizar de graça três remixes de “People on the High Line” para os fãs irem se aquecendo: “Richard X Extended Mix”, “Richard X Radio Edit” e “Claptone Remix” (sim, o próprio, aquele que havia saído dias atrás como digital single download exclusivo, porém pago, no site Beatport). O “Extended Mix” de Richard X não é novidade – é o mesmo do Deluxe Vinyl Box Set e do CD duplo Complete Music; já sua “contraparte”, a versão edit, a princípio só sairia no dia 29 deste mês com o lançamento do CD single. Os downloads podem ser feitos AQUI. Agradecemos o amigo Felipe, do New Order Brasil, pela dica!

PEOPLE ON THE HIGH LINE / Tracklist (oficial):

VINIL 12″ BRANCO
Lado A: Claptone 12″ Remix
Lado B: Extended Mix

CD SINGLE
01. Richard X Radio Edit
02. Claptone Remix
03. LNTG Can’t Get Any Higher Remix
04. Planet Funk Remix
05. Extended Mix
06. Hybrid Remix
07. Hybrid Armchair Mix

LIMITED SHAPED 7″ PICTURE DISC (somente 09/09)
Lado A: Richard X Video Mix
Lado B: Claptone Radio Edit

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REVIEW | “Singularity” (single)

CeUye1EUIAAtoTA“Singularity” foi a primeira faixa do material que a banda estava escrevendo para o álbum Music Complete a ser apresentada publicamente. Isso aconteceu ao vivo, no dia 30 de março de 2014, em Santiago, no palco Playstation, enquanto encerravam a segunda noite da edição chilena do festival Lollapalooza com o Soundgarden (que estava em outro palco). Eu estava lá – e mal podia acreditar que, pela primeira vez, pude assistir o début de uma música antes mesmo dela ser lançada. Me recordo de, no dia seguinte, ter encontrado o vocalista e guitarrista Bernard Sumner no aeroporto Arturo Merino Benítez, quando a banda estava para embarcar em um voo a caminho da Argentina, e de ter dito a ele de que eu havia gostado muito da “música nova” (o que era a mais absoluta verdade, ainda que o som do show em Santiago estivesse muito ruim). Barney, que estava autografando meus encartes dos CDs Singles e Live at Bestival 2012, levantou a cabeça, arregalou os olhos, abriu um largo sorriso de satisfação e disse, com toda a simplicidade que há no mundo: “Yeah, que bom que você gostou!”.

Por causa da foto de um set list de ajuste entre iluminação e BPMs (batidas por minuto) que caiu na internet, instantaneamente a música ficou conhecida como “Drop the Guitar” – um título, alías, com toda pinta de provisório. Mas a banda não demorou muito para divulgar, em seu próprio site oficial, que seu nome verdadeiro era “Singularity”. No final de semana seguinte, em São Paulo (Autódromo de Interlagos), Bernard Sumner pegou o microfone e encerrou de vez a história antes de tocá-la novamente: “Esta se chama ‘Singularity’ e não ‘Drop the Guitar’, como andam dizendo por aí. Procurem na Wikipedia!”.

Da primeira apresentação ao público, em março de 2014, ao seu lançamento como single, em março de 2016, se passaram dois anos. De lá para cá, “Singularity” assumiu uma posição alta no repertório da banda: além de ter derrubado “Crystal” do posto de opener dos shows, ela é hoje uma das músicas de Music Complete que os fãs mais gostam. Recentemente, a banda apresentou uma versão ao vivo irrepreensível no The Late Show with Stephen Colbert que ganhou destaque no site da revista Rolling Stone. Todavia, como single, “Singularity” recebeu da atual gravadora da banda, a Mute Records de Daniel Miller, o mesmo tratamento dos dois anteriores, “Restless” e “Tutti Frutti”: primeiro saiu uma versão editada disponível no formato digital single download, seguido da divulgação do vídeo promocional e do áudio de um ou dois remixes no canal oficial da banda no You Tube, até que, finalmente, vieram os lançamentos em formatos físicos (CD e clear vinyl de 12″ colorido).

“Singularity” não traz nenhum lado B, somente remixes (os últimos singles do New Order a trazerem b-sides foram “Here to Stay” e o re-issue de “World in Motion”, ambos em 2002). Se no passado um remix costumava ser, via de regra, apenas um rearranjo dos elementos originalmente contidos na versão oficial, hoje em dia é uma autêntica reinterpretação, uma faixa “nova” construída a partir de alguns pedaços – samples – da canção original. Nesse terceiro single de Music Complete, o New Order recrutou para o seu time de colaboradores gente como Steve Dub, Erol Alkan, Mark Reeder, J. S. Zeiter e a banda Liars.

Pessoalmente, apesar de gostar muito de “Singularity”, sempre tive a impressão de que não era uma música lá muito fácil de se remixar. Opinião compartilhada, aliás, por um dos remixers escalados para essa empreitada (Mark Reeder). O engenheiro de som Craig Silvey, por exemplo, errou a mão na hora de passar a tesoura na gravação original para criar a versão “Single Edit”. Não que a culpa fosse dele – mas eu acho muito difícil encontrar pontos apropriados na faixa onde se pode fazer uma edição sem que a intervenção cirúrgica não pareça muito evidente. O mesmo já não se pode dizer da versão estendida. O DJ californiano Steve Dub ficou com o trabalho mais fácil – alongar a música em vez de encurtá-la – e se deu melhor. Seu “Extended Mix” é o mesmo que foi incluído na edição Deluxe Vinyl Box Set de Music Complete e o resultado final não é menos que magnífico.

O produtor musical e DJ Erol Alkan é, sem sombra de dúvida, um dos nomes badalados dentre os escolhidos para turbinar “Singularity”. Por ter sido durante tanto tempo o DJ residente do club londrino Trash, que também já recebeu shows de bandas como LCD Soundsystem e Bloc Party, e por ter remixado faixas de Hot Chip e Chemical Brothers, suas contribuições estavam entre as mais aguardadas entre os fãs gringos dos New Order. Todavia, seus “Stripped Remix” e “Extended Rework” não estariam, ao meu ver, entre os mehores remixes de “Singularity”. Não são ruins, todavia. Apenas ok. O “escorregão” fica por conta mesmo do “Liars Remix”: a banda nova-iorquina assinou um remix que, embora conserve grande parte dos elementos da gravação original, peca pela falta de imaginação. A tentativa de emular um som mais dark, como se quisessem prolongar a atmosfera soturna da introdução do mix oficial, soa estéril e fútil. Resumindo: esquecível (ele é uma espécie de bonus track na versão download do single, que pode ser obtida através de uma senha/código que acompanha a edição em vinil de 12″).

Por outro lado, quem curte techno vai viajar nos remixes de J. S. Zeiter, que também atende pelo nome de MCMLXV. Ele nos oferece seu “J. S. Zeiter Remix” (disponível na versão em CD) e sua contraparte predominantemente instrumental, “J. S. Zeiter Dub” (incluída no vinil). Não chegam a ser memoráveis, mas os considero melhores que os remixes do super-idolatrado Erol Alkan, principalmente a versão dub. Mas a “cereja do bolo” mesmo são as reinterpretações de Mark Reeder (“Duality Remix” e “Individual Remix”). Reeder merece mesmo um pouco mais de destaque aqui. Ele é um velho conhecido do New Order – na verdade, ele é um amigo próximo desde os tempos do Joy Division. Naquela época ele fazia parte de uma banda chamada Shark Vegas, mas ainda na década de 1980 ele se mudou para a Alemanha Ocidental, onde se tornou um representante da Factory Records e, também, produtor musical, DJ e dono da gravadora Mastermind for Success. É de Reeder e de outro DJ, o húngaro Corvin Dalek, a primeiríssima versão de “Crystal” (já com os vocais de Barney Sumner), que viria a se tornar um hit do New Order. Além disso, Reeder é a figura central do filme B-Movie: Lust and Luxury in West Berlin 1979-1989, que mistura imagens documentais e reconstituídas para traçar uma espécie de painel musical e cultural da outrora Berlim Ocidental, do punk à Love Parade, e que foi usado na montagem no vídeo promocional de “Singularity”.

O “Duality Remix” é surpreendentemente curto para os padrões de hoje – a versão disponível no CD está editada e possui 3’49”, enquanto que a gravação que acompanha o download tem 4’57”. Apesar da pequena duração, esse remix é um gigante. Seguramente, é o melhor de todos. Já o “Individual Remix” não é uma versão estendida do anterior. Pelo contrário, é um remix totalmente diferente, ainda que possua trechos e partes que remetam ao “Duality”. Trata-se de uma versão mais elaborada e complexa, mas peca justamente por dispensar a concisão e a perfeição objetiva da outra. Mesmo assim, é uma pérola.  Heil Mark Reeder!

Como bonus track, o CD e o 10 Track Audio Download (adquirido não apenas via código que acompanha o vinil, mas também através de download pago direto) trazem o remix de Tom Rowlands (Chemical Brothers) para “Tutti Frutti” e que havia sido disponibilizado para ser baixado de graça em dezembro do ano passado como “presente de Natal” para os fãs.

Para finalizar: a edição em vinil de 12″ de “Singularity” contém ainda um “brinde” um tanto quanto curioso. Trata-se de uma folha de papel branca impressa com um diagrama causal do buraco negro, acompanhado de um texto explicativo. De acordo com a astronomia, um buraco negro se forma quando uma estrela em colapso gravitacional desaba sua massa em direção ao seu próprio centro, tornando-se capaz de atrair ou “sugar” para o interior desse ponto toda matéria próxima. O buraco negro seria um exemplo de “singularidade gravitacional” (sacaram a conexão?). Observando com atenção o diagrama causal do buraco negro, se descobre com facilidade qual foi a inspiração do designer Peter Saville para a capa de “Singularity”.

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NEWS | Clipe completo e “pre-order” de “Singularity” já estão na rede

No post de ontem divulgamos o teaser do vídeo promocional de “Singularity” que o New Order havia liberado em suas redes sociais. Mas os fãs nem precisaram esperar muito pelo clipe completo: a banda e sua gravadora fizeram o lançamento oficial hoje em seus respectivos canais no You Tube e no Vimeo. Conforme havíamos dito antes, o vídeo de “Singularity” é uma colagem de imagens editadas do filme B-Movie: Sound & Lust in West Berlin, dirigido por Klaus Maek, Jörg Hoppe e Heiko Lange, além do que já vinha sendo usado pelo New Order no telão durante a execução ao vivo da faixa desde que a turnê do CD Music Complete começou em novembro do ano passado. Uma outra boa novidade é que depois de uns dias misteriosamente fora do ar, os links de acesso à pré-venda das edições físicas de “Singularity” reapareceram na lojinha virtual da Mute Records (www.mutebank.co.uk). O comprador pode optar por levar apenas o vinil 12″(roxo) ou o CD maxi single, ou ainda um bundle (pacote) com os dois mais um código/senha para baixar todos os remixes. A data de lançamento foi atualizada para o dia 25 de março. Vale ressaltar que a versão em CD incluirá o remix de Tom Rowlands para “Tutti Frutti” que havia sido disponibilizado de graça para download no ano passado, no Natal. Abaixo temos os tracklist completos:

PURPLE 12″ VINYL
Singularity (Extended Mix)
Singularity (Mark Reeder Individual Remix)
Singularity (Erol Alkan’s Extended Rework)
Singularity (JS Zeiter Dub)

CD MAXI SINGLE
Singularity (Single Edit)
Singularity (Extended Mix)
Singularity (Erol Alkan’s Stripped Remix)
Singularity (Mark Reeder Duality Remix)
Singularity (JS Zeiter Remix)
Tutti Frutti (Tom Rowland’s Remix)

DOWNLOAD (VIA CODE WITHIN THE 12″)
Singularity (Single Edit)
Singularity (Extended Mix)
Singularity (Erol Alkan’s Extended Rework)
Singularity (Erol Alkan’s Stripped Remix)
Singularity (Mark Reeder Duality Remix)
Singularity (Mark Reeder Individual Remix)
Singularity (JS Zeiter Remix)
Singularity (Liars Remix)
Tutti Frutti (Tom Rowland’s Remix)

VÍDEO:

New Order – Singularity (Official Video) from Mute on Vimeo.

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REVIEW | New Order na “MOJO” número 266 (janeiro 2016)

266_Bowie-collectors-coverNosso video review de hoje dá uma folheada na mais recente edição da MOJO (#266, janeiro de 2016). Apesar de David Bowie ser a estrela de capa, a revista deu muita bola para o New Order: além de eleita “Banda do Ano”, o disco Music Complete foi para o pódio na escolha dos cinquenta melhores álbuns de 2015 e “Restless” foi incluída no CD que vem de brinde com a revista. Os detalhes são contados no vídeo. Para variar, torço para que gostem.

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