DISCOS | “Que ‘Substance’ preto é esse?”

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Substance II: não é lenda urbana

No dia 27 de março, postei uma foto no perfil deste blog no Instagram que continha os álbuns do New Order em vinil, de Movement (1981) a Music Complete (2015). Dentre as coletâneas, apenas Substance (1987) estava representada. Todavia, algumas pessoas notaram que bem ao lado do famoso álbum duplo de capa branca, havia um “outro” Substance, só que com as cores invertidas, como se fosse um “negativo”. O usuário @childerico não resistiu e perguntou, “na lata”: “Epa!!! Que Substance preto é esse???”. Diante da curiosidade – e perplexidade – desse e de outros followers, resolvi fazer, dois dias depois, um post exclusivo sobre esse disco. Meu objetivo era justamente intrigar mais pessoas.

O LP em questão se chama Substance II. E, realmente, pouca gente ouviu falar dele ou já pôs os olhos nesse vinil. O sucesso foi enorme. Foi o post com o maior número de “curtidas” desde que o nosso Instagram foi ao ar. “Never seen it before!” [trad.: “Nunca vi esse antes!”] foi o comentário mais comum. A follower @beccas_vinyl escreveu assim: “Thanks for showing me something new today”. [trad.: “Obrigado por me mostrar algo novo hoje”] Mas apesar do espanto da maioria, é claro que há quem conheça o “irmão” do Substance “branco”: além dos colecionadores de raridades do New Order espalhados pelo mundo, temos também os… argentinos! Sim, nuestros hermanos. Na verdade, estamos falando de um disco que foi lançado única e exclusivamente na Argentina. Mas por que apenas os argentinos foram presenteados com uma “sequência” ou “parte II” da celebrada coletânea de singles de uma das mais importantes e influentes bandas mancunianas?

Bem, em primeiro lugar, Substance II não é propriamente um “outro” Substance. Ficou confuso? Expliquemos: na verdade, trata-se de um vinil duplo que reúne os mesmos b-sides que foram incluídos no “disco 2” da versão em CD de Substance. Em 1989, ano em que o Substance II foi lançado na Argentina, o compact disc já marcava sua presença nos mercados europeu, japonês e norteamericano, mas não na América Latina (o boom do formato no continente só aconteceria em meados da década de 1990). Foi quando a DG Discos, gravadora argentina que detinha os direitos sobre o catálogo do New Order no país, teve uma sacada que faltou à BMG Ariola aqui no Brasil: lançar o disco de lados B em outro LP duplo que complementasse o álbum de lados A. Também foi uma grande ideia a “capa negativa”, isto é, com a inversão das cores da capa original, além do “II” no lugar do “1987”. Todavia o álbum não tinha encartes (os vinis vinham abrigados em envelopes de papel couché pretos recortados no centro para que os selos, de cor vermelha, ficassem visíveis) e a foto do coral manipulada com a técnica do dichromat feita pelo Trevor Key, usada no encarte que guardava o LP 1 do Substance original, foi empregada na contracapa. Não há créditos para o autor do remix do projeto gráfico criado originalmente por Peter Saville, mas provavelmente deve ter sido obra do departamento de arte da própria DG Discos.

Aliás, cabem aqui algumas palavras sobre a DG. A gravadora porteña pertence à DG Producciones, empresa de produção de espetáculos de propriedade do produtor e representante artístico local Daniel Grinsbank, um sujeito que está no ramo da música há muitos anos e de muitas maneiras: ele já foi DJ (tinha um programa de rock na emissora de rádio Del Pueblo), manager e foi o responsável pelo famoso show gratuito dos Stones no Rio de Janeiro em 2006! Com a DG Discos, além de LPs do New Order, lançou no mercado argentino o fino da bossa do pós-punk: Victorialand (Cocteau Twins), Friends (The Bolshoi), In the Flat Field (Bauhaus), Express (Love and Rockets), Spleen and Ideal (Dead Can Dance), o disco homônimo dos Throwing Muses, entre outros.

A primeira vez que eu ouvi falar no Substance II foi justamente em 1989, com 12 anos de idade. A TV da sala (da casa de meus pais) estava ligada no programa Vibração, que era apresentado pelo skatista Cesinha Chaves, e exibido numa Rede Record ainda não comandada pelo “bispo” Edir Macedo. Eu curtia muito o programa – foi através dele que eu vi pela primeira vez clipes do New Order. Pois então… na ocasião eu não peguei todos os detalhes, só me recordo do Cesinha falar do Substance II e das “cores invertidas” da capa. Fiquei pensando que se tratava de um lançamento para breve no Brasil. Me empolguei. Mas o tempo foi passando e nada desse disco por estas bandas. Foi quando me passou pela cabeça que poderia ter saído apenas “lá fora”, mas eu nem cogitava a possibilidade de ser uma edição exclusivamente argentina… Com o passar dos anos, o disco tinha virado uma “lenda urbana” para mim (alguns amigos me diziam que o Substance II  era invenção da minha cabeça). Foi a chegada da internet que me fez descobrir que o álbum de fato existia – além de todo o resto que expliquei aqui. Mas daí até eu conseguir pôr minhas mãos em uma cópia foi um longo caminho.

Porém, desde que isso aconteceu, ofertas por ele começaram a vir de todos os lados…

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NEWS | Raridades natalinas do New Order são relançadas em CD

fac51bCaçadores de obscuridades do New Order, atenção: a gravadora belga Les Disques du Crépuscule, originalmente fundada por Michel Duval e Annik Honoré (a falecida ex-groupie de um certo Ian Curtis) em 1980, lançará em formato digital, pela primeiríssima vez, duas raras faixas gravadas pelo New Order em 1981 que haviam sido editadas em um flexi-disc promocional dado como brinde em um evento natalino na Haçienda em 1982. Foram distribuídas, na época, apenas 4.400 cópias do disquinho que ficou conhecido como X-Mas Flexi (FAC 51b). As faixas se chamam “Rocking Carol” (um tradicional tema de natal tcheco) e “Ode to Joy” (isso mesmo, é a própria “Ode à Alegria” de Beethoven). Como o flexi-disc não creditava o autor das performances, durante muitos anos ninguem soube exatamente quem estava por trás dessas duas soturnas reinterpretações eletrônicas, até que um dia foi confirmado que o New Order era o responsável pelas gravações. As duas canções reaparecem agora em uma versão expandida em CD duplo da compilação Ghosts of Christmas Past, que a Les Disques du Crépuscule havia lançado originalmente em vinil há 34 anos. Todavia, as faixas não estão creditadas ao New Order, mas, sim, à Be Music – antiga editora musical de propriedade da banda que também serviu de “pseudônimo” para os seus integrantes quando estes estavam envolvidos com o trabalho de outros artistas como produtores, remixers ou mesmo como músicos convidados. As gravações estão longe – e põe longe nisso – de serem obras primas e servem mais para saciar a curiosidade daqueles que têm interesse específico sobre o desenvolvimento do grupo no campo da música eletrônica. Vale mencionar também que Ghosts of Chritsmas Past traz outros nomes conhecidos entre os fãs do New Order, como The Durutti Column, Cabaret Voltaire, The Wake, Thick Pigeon, além de uma “curiosa” canção do duo grego Marsheaux: “We Met Bernard Sumner at a Christmas Party” (trad.: “Nós conhecemos o Bernard Sumner em uma festa de Natal”), que também não fazia parte da compilação original.

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