REVIEW | “Music Complete (Wrapping Cloth ‘Furoshiki’ Box Set)”

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O “Music Complete” da terra (e dos tempos?) de Ultraman

Recentemente, o último álbum do New Order ganhou no Japão uma nova edição em uma bela (e um tanto quanto exótica) caixa. Intitulada Wrapping Cloth Box Set, essa última versão do disco Music Complete lançada na Terra do Sol Nascente pela Traffic Records (que representa a banda para o selo Mute no Japão) foi especialmente criada para promover a passagem do New Order pelo país do National Kid e do Ultraman em maio deste ano. Originalmente, essa edição havia sido planejada para ser distribuída/comercializada exclusivamente nos shows que o grupo faria nos dias 25 e 27 na capital japonesa (o local foi o Shinkiba Studio Coast). Entretanto, por motivos não explicados, a Traffic, aos poucos, expandiu o mercado: disponibilizou cópias para um evento para convidados (e com participação do New Order) em Shibuya; em seguida, colocou-as a venda na Tower Records Japan; e, finalmente, “liberou geral”. Ainda assim, trata-se de uma edição limitada – mas o número total de cópias não foi divulgado.

Se você achou a edição Deluxe Vinyl Box Set, com nada menos que oito discos de vinil coloridos, “extravagante”, prepare-se agora: Wrapping Cloth Box Set contém o álbum Music Complete no formato cassete (isso mesmo, você não leu errado!), acompanhado dos seus três primeiros singles – “Restless”, “Tutti Frutti” e “Singularity” – em CD; e para adicionar um “charme especial”, a caixa, que é no estilo clamshell, vem dentro de um furoshiki, isto é, uma espécie de “embrulho” tradicional que os japoneses fazem com panos (nesse caso, o que foi usado traz a capa de Music Complete estampada nele). Eis então o primeiro ponto forte dessa nova edição: o designer Peter Saville conseguiu, com maestria, produzir uma das melhores recriações de seu próprio trabalho, desta vez adaptando-o à cultura do país do lançamento – o que quer dizer que é como se os japoneses estivessem recebendo do New Order e de seu artista gráfico um presente segundo seus próprios costumes. Genial.

Mas por que Music Complete em cassete? Estaríamos, após a “volta do vinil”, ante os primeiros lampejos de um possível revival das fitinhas? Bom, talvez não seja bem isso. Este blog tem seu próprio palpite – ou melhor, sua própria teoria. É provável que o verdadeiro objetivo da caixa seja vender, sob forma de um pacote atraente, os CDs singles. Vamos aos fatos: o compact disc laser, formato de mídia digital criado pela Philips e pela Sony no comecinho da década de 1980, está em crise. No Japão, a queda nas vendas impactou a produção. Entre 2001 e 2011, por exemplo, houve uma redução de cerca de 40% na produção japonesa de discos laser de áudio (dados divulgados pela agência de notícias EFE). Quando o assunto são singles, a “encrenca” é maior. As gravadoras ainda os lançam por questões pro forma, como no caso dos álbuns, mas vendem muito, muito pouco (apesar de serem bem baratos). Tanto que hoje em dia os downloads, os streamings e até mesmo os vinis contribuem bem mais para colocar um single nas paradas que os CDs. Provavelmente, essa Wrapping Cloth Box Set foi a estratégia encontrada pela Traffic Records não somente para divulgar os shows do New Order no Japão, mas também para assegurar a venda, “numa tacada só”, em um luxuoso bundle, de três CDs singles. O álbum Music Complete seria, na verdade, somente uma “isca”, um golpe de marketing; e na compra de um box set com três discos o fã levaria como um “brinde” ou “mimo” a fita, um objeto vintage de função quase “decorativa” e cujo verdadeiro significado seria simbólico ou afetivo.

Prestando bem a atenção nos disquinhos da caixa, os fãs e colecionadores perceberão que há (sutis) motivos para encomendá-la que não seja apenas seu belíssimo visual, além do tal “brinde”. Os CDs possuem remixes que NÃO fazem parte dos tracklists de seus correspondentes ocidentais. “Tutti Frutti”, por exemplo, inclui a versão “Takkyu Ishino Remix”, outrora disponível apenas no 12” japonês, e “Tom Rowlands Remix”, usado como B-side do “Singularity” europeu; também é o caso do “Agoria Dub” de “Restless”, que só era conhecido por um lançamento não oficial no site DirrtyRemixes; e “JS Zeiter Remix Instrumental”, este totalmente inédito em qualquer edição de “Singularity” (não confundir com “JS Zeiter Dub”, pois são remixes diferentes). Provavelmente a Traffic Records “liberou” a venda desse box ao perceber que haveria interesse dos fãs de fora do Japão em comprá-lo para obter essas “exclusividades” das edições nipônicas.

De um modo geral, é um belo item/pacote. Contudo, ele possui pontos positivos que são, ao mesmo tempo, negativos. O primeiro deles é com relação ao visual: é bem verdade que a ideia da caixa vir embalada num furoshiki é brilhante, mas é preciso desembrulhá-la com atenção, procurando observar bem como foram feitos a dobradura e o laço que arremata no final, caso contrário não será possível fechá-la / reembalá-la exatamente da mesma maneira, o que pode comprometer sua apresentação – em outras palavras, é tudo muito bonito, mas dá um trabalhão danado! Além disso, até não é uma má ideia, se a suposição do blog estiver correta, fazer do cassete de Music Complete mais um “presente” ou “brinde” que objeto principal; todavia, uma vez que hoje em dia poucos no mundo possuem tape decks em operação para poder, eventualmente, realizar o fetiche de ouvir o New Order do século XXI em uma fita, era de se esperar que, seguindo o exemplo das edições em vinil, houvesse um cartão com um código para que se possa baixar o álbum em formato digital – sem isso, é preciso ter, obrigatoriamente, o disco em outra mídia. Da versão digital de Music Complete, foram incluídos no box set apenas o booklet do CD e um livreto que costuma acompanhar a maior parte das edições japonesas e que contém as letras das músicas em dois idiomas: inglês e japonês.

Pode-se supor que com Deluxe Vinyl Box Set e Complete Music, esse Wrapping Cloth “Furoshiki” Box Set deve concluir a série de edições de luxo / especiais do álbum Music Complete. Com a atual crise da indústria fonográfica, expressa principalmente na queda nas vendas de CDs, os produtos premium ou deluxe, orientados para fãs e colecionadores, ainda que sejam caros e se limitem a um número mais reduzido de cópias, costumam se salvar – e a razão disso é porque oferecem ao consumidor uma experiência que não se restringe apenas à música. Muitas vezes, são praticamente objetos de arte. De uma certa maneira, o New Order foi pioneiro nisso ao apresentar seus discos com capas inteligentes desde a década de 1980. Uma característica que, pelo visto, a banda não perdeu.

O blog aproveita a ocasião para agradecer ao amigo Marcelo Danno, outro grande fã do New Order, pela ajuda transoceânica na aquisição da caixa. Isso mostra que New Order BR FAC 553 vem cumprindo seu papel de aproximar os aficcionados por essa que é uma das bandas mais importantes e influentes de sua geração.

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REVIEW | Avaliamos “Complete Music” (New Order)

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Capa de “Complete Music”

Quando o New Order anunciou o lançamento de Music Complete, seu décimo álbum de estúdio, ninguem esperava grande coisa. Seu antecessor, Lost Sirens, de 2012, uma espécie de mini-LP produzido a partir de sobras de estúdio do já por si só pouco inspirado Waiting for the Sirens’ Call (2005), parecia ser a pá de cal que faltava para encerrar o enterro de uma banda que, além de ter perdido um dos seus principais integrantes, não fazia mais nada além de passar o chapéu em shows tão lotados de fãs nostálgicos quanto de grandes sucessos. Apesar da notícia da assinatura do contrato com a legendária gravadora Mute ter causado algum burburinho – principalmente depois que uma declaração mal interpretada obrigou James “LCD Soundsystem” Murphy a desmentir em nota rumores de que o grupo iria para a DFA Records -, ninguem esperava não mais que uma grande faixa apenas, três ou quatro canções “ok” e o restante só de fillers.

Mas, supreendentemente, o New Order fez bem mais que isso. Mesmo com um grande desfalque (o baixista Peter Hook, apartado desde 2007), a banda fez um disco nada menos que impecável e digno da reputação construída ao longo do mais de três décadas. Depois de uma trinca de álbuns mais orgânicos, baseados em guitarras, o New Order estava de volta com o batidão pop-dançante-eletrônico que ajudou a popularizar. Todavia, Music Complete, lançado em setembro do ano passado, não foi feito apenas para se dançar. O disco era um exemplo da rica paleta sons do New Order.

Uma das versões de Music Complete era uma edição limitada em vinil com oito discos coloridos que continha, além do álbum em sua versão original, todas as suas onze faixas com outra mixagem que as deixavam mais longas – em alguns casos até com o dobro da duração. Chamados de extended mixes, esses remixes eram um mimo exclusivo para fãs mais capitalizados e ávidos por itens de colecionador. Mas supostamente pensando no público médio, a Mute Records resolveu reunir essas versões extended em um CD duplo, batizado de Complete Music.

É interessante observar que, de acordo com o formato, esse material pode adquirir um sentindo completamente diferente. Como parte de uma edição limitada, os remixes de um álbum inteiro distribuídos por vários discos de vinil dentro de uma caixa são um autêntico “bônus de luxo”; mas quando transformados em um “álbum independente”, o que se tem é uma “versão alternativa” do disco original e que, de certa forma, concorre com ele. O problema é que, especificamente nesse caso, Complete Music leva uma desvantagem: ele nasceu de um CD irrepreensível. E remixes, como sabemos, são empreendimentos de risco – podem tanto elevar uma obra a um outro nível como destruí-la completamente. É como pisar em ovos.

Felizmente, a proposta por trás das versões estendidas das canções de Music Complete nem era tanto a de reinterpretá-las, que é o que a maioria dos remixers faz hoje em dia. A ideia era basicamente alongar as faixas. Pense, por exemplo, nos extended mixes de “The Perfect Kiss”, “Bizarre Love Triangle” e “True Faith”. A intenção era recriar aquele tipo de remix de oito ou nove minutos dos singles do New Order na década de 1980. Porém, em Complete Music, temos resultados variados. Em geral, em boa parte ele não chega a superar o seu progenitor (“Restless”, “Unlearn This Heatred”, “Singularity”, “Tutti Frutti”, “Academy”); todavia, ele também nos oferece algumas recriações dignas das originais – faixas pouco badaladas, como “The Game” e “Stray Dog” (esta com a voz de Iggy Pop soando ainda mais profunda e calorosa), são boas surpresas. “People on the High Line”, por sua vez, ganhou músculos extras em seus grooves, além de cowbells adicionais. Mas o ponto alto, sem dúvidas, é “Plastic”: evocando seus mais antigos inspiradores (Moroder, Kraftwerk), o remix é uma autêntica trip com direito a bumbo “no talo” e vocoders. É tarefa ingrata escolher qual o melhor – o mix original ou o extended.

Quem pensou que Complete Music era uma jogada de marketing para vender as faixas bônus da caixa de vinis para um outro perfil de público, certamente subestimou o tino para negócios de Daniel Miller, o dono da Mute. O CD traz, no lugar dos extended mixes originais de “Nothing But a Fool” e “Superheated”, versões ineditas dessas faixas, rotuladas como extended mix 2. Trata-se de uma isca para fisgar, também, quem já havia comprado o box set. A estratégia foi além: de lambuja, quando se adquire o Complete Music o fã recebe um código para baixar o disco com os mixes originais. Deu tão certo que Music Complete voltou para o Top 20 da parada britânica de álbuns. No ano passado, ele atingiu o segundo lugar.

A capa do novo CD também é, de certa forma, um remix do projeto gráfico de Music Complete. Basicamente, o conceito e a arte são os mesmos, mas agora traduzidos em uma embalagem de papelão que imita uma capa de LP em miniatura, além de apresentar uma paleta de cores mais diversificada e vibrante.

Complete Music não é o que se pode chamar de item indispensável. Na verdade, é um disco absolutamente supérfluo e que nada acrescenta à discografia da banda, inclusive como conceito (o New Order já havia lançado discos de remixes e versões extended antes). É um item feito sob medida para saciar a sede e a extravagância dos completists, sempre ávidos a não deixar buracos em suas coleções. A verdade é que Music Complete, na sua versão original, simplesmente se basta por méritos próprios. O New Order provou, quando ninguem mais esperava, que ainda tinha lenha para queimar e fez uma boa fogueira. Complete Music tem um que de exibicionismo – algo do tipo “vejam agora que podemos fazer com esse fogo”, e, com ele, ao invés de produzir calor ou de preparar alimentos, acenderam fogos de artifício. Bonito, sem dúvida. Mas não passa de pirotecnia.

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PÍLULAS | Da nova caixa (japonesa) do New Order aos 36 anos da morte de Ian Curtis

Aqui no blog não abrimos mão das “rapidinhas”… Quem não gosta, não é mesmo?

  • A Traffic Records, selo que atualmente representa o New Order para a Mute Records no Japão, finalmente liberou fotos da edição Wrapping Cloth Box Set do álbum Music Complete. Para quem não sabe do que estamos falando, trata-se de uma caixa feita sob medida para os colecionadores e que inclui o Music Complete em cassete (não, você não leu errado!) e três CDs singles, “Restless”, “Tutti Frutti” (uma edição exclusiva com o “Takkyu Ishino Remix”) e “Singularity”. A caixinha, feita no formato clamshell, vem embalada com uma famosa técnica japonesa de embrulho em tecido chamada furoshiki. O pano que cobre a caixa vem estampado com a mesma arte da capa do disco, criada por Peter Saville e Paul Hetherington. Será um mimo para poucos: é uma edição limitada produzida especialmente para a visita do New Order ao Japão este mês. Algumas unidades serão vendidas na banquinha de merchandise no local das duas apresentações marcadas (dias 25 e 27, no Shinkiba Studio Coast), por “módicos”‎ ¥ 6.000 (algo em torno de R$ 193 pelo câmbio de hoje); outras poucas estarão disponíveis em um sorteio no dia 26 na loja da Tower Records em Shibuya, onde o New Order conversará com fãs sortudos que conseguirem um convite. Um passarinho já me contou que uma dessas no eBay não vai sair por menos de £ 120 (a fortuna de R$ 624). Olhando as fotos, é impossível não querer ter um box desses, mesmo sem ter onde tocar a fitinha cassete. E precisa?
  • Do outro lado do Atlântico, se não for dia 19 de maio, é quase… Mas aqui ainda é dia 18 e faz 36 anos que Ian Curtis, a voz do Joy Division, cometeu suicídio – e mudou a história dos colegas Bernard Sumner, Stephen Morris e Peter Hook. Fotos dele pipocaram no Instagram o dia inteiro, sempre acompanhadas de legendas impregnadas daquele tom de solenidade, ou com clichês do tipo “Rest In Peace” ou “always missed”… Se, a partir da tragédia, não tivesse acontecido uma outra e bem sucedida história – a transformação do Joy Division em uma outra banda muito boa e influente, o New Order, além da conquista do merecido sucesso, talvez eu sentisse realmente falta do velho Ian. Não sou o único que pensa assim. Abaixo, a conversa que rolou hoje no grupo do New Order Brasil no WhatsApp:

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REVIEW | “Music Complete” japanese limited edition

R-7507771-1442921701-5540.jpegEnquanto a store virtual europeia do New Order não libera a edição Deluxe Vinyl Box Set de Music Complete (o que só vai acontecer no dia 06 de novembro), já temos em mãos uma edição limitada do novo álbum vinda da longínqua terra de National Kid e Ultraman. Trata-se de um pack ou bundle que inclui o CD Music Complete, mais um adesivo com a arte da capa do disco e uma camiseta exclusiva feita pelo badalado designer de moda japonês Kazuki Kuraishi (The Fourness). Vale mencionar que essa edição limitada é exclusiva das lojas Amazon Japan, HMV Japan e Tower Records. Como de costume, nosso blog analisou essa edição em detalhes. Na torcida para que gostem de novo vídeo.

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