NEWS | Stephen Morris fala ao The Irish Times sobre ação judicial e a “caixa definitiva” do New Order

560b6-new-order-left-to-right-g-007Por ser uma das atrações do festival Electric Picnic, na Irlanda, o site do jornal The Irish Times publicou, no último dia 27, uma matéria sobre o New Order acompanhada de entrevista feita com o baterista Stephen Morris. Nela, Morris fala sobre a ação que o ex-baixista Peter Hook moveu contra eles nos tribunais e, também, sobre um futuro box set do New Order que promete ser “o definitivo”. O blog traz a seguir a tradução da matéria/entrevista, assinada por Shilta Ganapra.


NEW ORDER: ESQUEÇA AS BRIGAS, TOQUE A MÚSICA.
Separações e processos judiciais à parte, o New Order vem tocando e gravando novamente – e vem ao Electric Picnic.

por Shilta Ganapra

Dado o seu passado, não é surpresa alguma o fato da história recente do New Order ter sido agitada. Os pioneiros do electro alternativo voltam ao Electric Picnic no próximo final de semana. Os dez anos desde a última vez em que tocaram no festival foram definidos por um hiato e, também, por membros que deixaram a banda, por integrantes que retornaram, por processos judiciais e, em setembro do ano passado, por um retorno à boa forma com o seu décimo álbum de estúdio, Music Complete.

O sucesso do disco foi estrategicamente importante. Ele desviou a atenção para longe das disputas legais e de volta para a música enquanto forjava um impressionante equilíbrio entre a busca por novos caminhos e o retorno à sua velha assinatura – hinos para as pistas de dança (para o deleite de fãs em várias partes do mundo).

“O que facilitou nosso caminho de volta à composição foi o fato de termos voltado a tocar ao vivo. E aí percebemos que o material mais dançante era o que mais se destacava”, diz Stephen Morris, baterista do New Order, explicando porque a banda optou por jogar com seus pontos fortes. “Nós pensamos, ‘será que não cairia bem ter um par de músicas novas no set list?’ Então começamos a compor algo novo para tocar nos shows em vez de ir para o estúdio sem ideias e esperamos sair com um álbum em algum momento no futuro.

“Começamos com ‘Singularity’, que fizemos com Tom Rowlands do Chemical Brothers, que também colaborou com a produção”, diz ele. “Então nós fizemos ‘Plastic’ e uma vez que você você tem duas ou três músicas novas era melhor então deixar de se preocupar tanto com os shows e passar a se concentrar mais na preparação de um disco. E a recepção [do álbum] tem sido fantástica”.

O único problema com os elogios é que muitos deles foram indiretos quando vistos à luz das comparações com os dois álbum anteriores da banda, Get Ready e Waiting for the Sirens’ Call. Gravados sem Gillian Gilbert [N.T.: o jornalista se equivocou, pois Get Ready foi gravado com Gillian ainda na banda], a esposa de Morris, esses discos soaram mais indie que o habitual, como demonstram os singles “Crystal” e “Krafty”. Com o benefício da retrospectiva, o que Morris acha da produção do New Order do começo dos anos 2000?

Ele fica indisfarçavelmente em cima do muro.

“Quando se olha para trás não dá para ser objetivo sobre o passado, porque sua opinião é sempre colorida pela sua experiência”, diz Morris. “O disco Waiting for the Sirens’ Call foi como uma maratona. Tínhamos muitas músicas e sabíamos que elas eram boas, mas nós não conseguíamos enxergar o produto final. Get Ready foi o oposto: sabíamos onde queríamos ir, mas não sabíamos como chegar lá.

“Além disso, Get Ready foi o último álbum no qual saímos para gravá-lo”, acrescenta. “Até aquele ponto nós fazíamos alguma coisa em casa e, em seguida, quando queríamos levar o trabalho a sério não havia outro modo de fazê-lo senão gastar uma fábula de dinheiro para alugar um bom estúdio de gravação e permanecer nele pelo tempo que fosse necessário.

“Eu acho que ambos os discos têm boas canções, mas não consigo ouvi-los do mesmo jeito como as outras pessoas os ouvem”.

O mesmo raciocíno se aplica, diz ele, de volta ao final da década de 1970, quando ele começou a tocar bateria com Ian Curtis, Bernard Sumner e Peter Hook na sombria Macclesfield, no norte da Inglaterra. Após quatro anos de shows ao vivo, o Joy Division começou a fazer gravações com o produtor Martin Hannett, que foi responsável tanto por Closer quanto por Unknown Pleasures, e, possivelmente, por aquele som inimitável. “Nós tínhamos uma ideia de como tudo soava em nossas cabeças, que era como soava ao vivo, ou seja, cru e agressivo. Mas Martin pôs para fora outra coisa. Foi um choque. Com Unknown Pleasures todos ficamos – qual é a palavra? – ‘decepcionados’  com o resultado final. Nós ficamos tipo ‘você arruinou as nossas músicas!’”.

O tema Joy Division é agridoce, principalmente por causa da morte prematura de Curtis, em 1980, e agora também por causa da traumática saída de Hook, que está chamando o reformado grupo – completado por Tom Chapman, seu substituto no baixo, e pelo guitarrista Phil Cunningham – de “banda de tributo ao New Order”.

“É tudo muito triste, sabe?”, diz Morris. “Mas Peter parece feliz com o que está fazendo, que é tocar as músicas do New Order e do Joy Division, e isso é bom. E nós estamos seguindo em frente do nosso jeito, o que também é bom”. Mas por estar processando o que resta do New Order por questões envolvendo royalties, Hook não parece tão feliz assim com o que os ex-colegas estão fazendo. “Me parece realmente que não. Nós resolveremos isso de uma maneira ou de outra, mas uma ação judicial é um jeito caro de fazê-lo. Uma das partes vai à falência primeiro”. Morris torce para que não seja o New Order. “Enquanto o taxímetro roda, quem sai ganhando com isso são os advogados, o que é lamentável”.

Sem meios-termos no rompimento de suas relações com os demais, Hook está pondo mais lenha na fogueira com o lançamento de Substance: Inside New Order, seu livro de memórias. O que Morris acha disso?

“Você vai ter que esperar o lançamento do meu livro! Só que eu não vou escrever sobre o Joy Division ou o New Order, já existem muitos livros por aí”, diz ele, enfático. “Eu vivi isso, o que é o suficiente. Eu tentei ler o livro do Bernard, assim como o da Debbie Curtis e o da Lindsay Reade. Há um monte deles. Isso me deixa um pouco irritado. É apenas o ponto de vista de uma pessoa. E quando você escreve uma autobiografia é comum promover-se como um herói – a não ser que você seja brutalmente honesto”.

Enquanto Peter Hook se ocupa com o livro e com seu empreendimento atual, Peter Hook & The Light, o New Order frequenta os festivais de verão. Após o Electric Picnic e, na semana que vem, o Lollapalooza Berlim, seu foco se voltará para um longo e complicado projeto: uma caixa definitiva do New Order. Ela ficou em banho-maria durante anos – o que é compreensível dada a dificuldade de se representar 36 anos de uma música seminal e consistentemente relevante. “É a coisa mais difícil do mundo. Todo mundo tem um grande box set, mas quando se trata do nosso sempre parece que nunca o fazemos direito”, diz Morris. “E eu acho que não se deve fazer nada que não seja pelo menos 99%”.

Peter Hook estará envolvido nesse projeto?

“Peter está em contato com a gravadora, então suponho que nesse aspecto ele está envolvido. Temos que concordar com tudo. Então eu acho que nós apenas temos que enviar uma lista de coisas para ele… e, em seguida, discutir sobre ela depois”.

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NEWS | New Order na América do Sul? Sim!

NewOrderPara2Eu “cantei a pedra” aqui no blog: havia alguns indícios de que o New Order poderia vir à América do Sul ainda este ano, talvez em novembro. Não deu outra: a banda realmente passará por estas bandas com a turnê do álbum Music Complete. O “anúncio” saiu da boca do casal Gillian Gilbert (teclado, guitarra) e Stephen Morris (bateria) em uma entrevista concedida à EITB (Euskal Irrati Telebista), emissora de TV estatal do País Basco, nos bastidores do festival BBK Live, em Bilbao (Espanha), no qual se apresentaram no dia 07 de julho. Na entrevista, publicada na página da EITB no You Tube (ver abaixo), a dupla teve que responder típicas perguntas clichês do tipo “o que vocês acham de Bilbao?”; mas quando foram questionados sobre os planos para o “futuro próximo”, Stephen Morris respondeu: “Prosseguiremos com os festivais… Em seguida, sairemos de férias por algumas semanas. E depois daremos uma passadinha pela América do Sul”. Naturalmente, não disseram nada sobre quais cidades, nem sobre as datas etc. Vale ressaltar que os shows da atual turnê vêm recebendo elogios da imprensa especializada pelo mundo afora – aqui mesmo no blog já publicamos traduções de algumas resenhas. E eu, por experiência própria, vi uma bela amostra em Paris no ano passado. Então, que a América do Sul prepare o seu calor para receber o New Order mais uma vez!

O blog agradece Marcello Dourado e ao Josué “Mr. Disco” pelo envio do vídeo.

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NEWS | Jornalistas relembram noitada de Bernard Sumner com ‘groupies’.

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As jornalistas Miranda Sawyer e Sylvya Patterson. Foto: Samantha Hayley.

O site The Quietus publicou ontem um interessante bate-papo com as jornalistas britânicas Sylvya Patterson e Miranda Sawyer, famosas pelos serviços prestados como entrevistadoras de importantes revistas sobre música e cultura pop, como Smash HitsNew Musical ExpressThe Face, entre outras. Na conversa, comandada por Jude Rogers, Patterson e Sawyer fizeram um balanço, com direito a algumas histórias bem bacanas, de três décadas de entrevistas com diversos nomes do cenário musical inglês e internacional. Ambas têm em comum, além de livros publicados (o de Miranda Sawyer se chama Out of Time e é sobre “crise de meia idade”, e o de Sylvya se intitula I’m Not With the Band, que são suas memórias como jornalista musical), o amor pelo New Order, além de cultivarem com a banda uma relação de proximidade. Sawyer, por exemplo, foi uma das curadoras da caixa de 4 CDs Retro (2002). No troca-troca de figurinhas com Rogers, a duas (em especial Sylvya) comentaram um episódio “tosco” ocorrido em 1986, e relatado em I’m Not With the Band, envolvendo o vocalista e guitarrista Bernard Sumner com groupies. O  blog traz o trecho em questão da conversa, no qual Patterson define o New Order daqueles tempos como “they were punk rock to the absolute bone”, algo que, em português, poderia ser “eles eram punks até a alma” ou “da ponta dos pés ao último fio de cabelo”. O fragmento não é muito extenso, mas ainda assim é divertido…



Vocês também revelaram coisas à respeito da vida privada das bandas de uma maneira que poucos jornalistas o fariam hoje em dia. Tomando por exemplo uma entrevista sua, Sylvya, com o New Order, sua banda favorita, que você menciona no livro, você revelou que foram acordados no meio da noite por um Bernard Sumner que se “divertia” com duas “periguetes”, sem saber que ele tinha esposa e um filho em casa.

S.P.: Deus, foi um verdadeiro desastre. Foi por pura ingenuidade. Isso nunca deveria ter sido autorizado para ser publicado. Eu era nova no cargo, não sabia o que podia escrever e nem conseguia fazê-lo. Não havia nenhum relações públicas nessa viagem, ao contrário dos dias de hoje, nos quais eles estão por toda parte. Tony Wilson estava em algum lugar com eles ali por perto e éramos apenas eu e um fotógrafo igualmente inexperiente chegando ao escritório da gravadora e dizendo “Nós somos do The Hits!”. E eles: “Quem são esses manés?”. Nós éramos apenas crianças batendo à porta para ver se eles nos deixariam entrar. As coisas eram desse jeito naquele tempo.

M.S.: Você escreveria sobre groupies hoje em dia?

S.P.: [balançando a cabeça] Certamente eu não faria mais qualquer outra coisa desse tipo. Era apenas a banda, que estava muito mau humorada, e eu tentando fazer as típicas perguntas bobocas e estúpidas da Smash Hits para lhes chamar a atenção. Você sabe, coisas do tipo, “Bernard, fale sobre ‘Bizarre Love Triangle’… É sobre um triângulo?”. Eles eram punk rock da ponta do pé até o último fio de cabelo. A primeira coisa que disseram foi: “Pergunte-nos qualquer coisa horrível e nós vamos quebrar as suas pernas”.

M.S.: Veja bem, eu sabia que, na verdade, era o humor de Manchester quando eu os entrevistei alguns anos mais tarde, mas você não tinha ideia. Eu sabia que era só “ligar o foda-se”.

S.P.: Mas nós, os jornalistas, não fazemos a cabeça de ninguem. Todos pensam que isso é o que fazemos agora, mas não é verdade. Nós estávamos lá para extrair o melhor dessas pessoas. Quer dizer, se um artista é charmoso, engraçado, fascinante e tem uma história incrível, o que se tem em seguida é uma espécie de carta de amor. É um toma lá, dá cá. Estamos destinados a fazer isso: escrever sobre pessoas. Procure o toma lá, dá cá mais do que qualquer outra coisa.

[a entrevista, na íntegra, pode ser lida AQUI]

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NEWS | New Order: “Disco novo? Pode ser.”

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Imprensa da Catalunha deu destaque à participação do New Order no Sónar 2016.

Já que mencionamos o festival Sónar no nosso último post, aproveitamos a ocasião para trazer ao leitor deste blog o que a imprensa catalã andou publicando sobre a passagem recente do New Order por Barcelona por ocasião do seu maior e mais importante evento de música eletrônica e arte digital. Eu trouxe, direto do site do jornal El Periodico, uma entrevista com Bernard Sumner e Gillian Gilbert feita por Juan M. Freire e publicada no dia do show do New Order no Sónar (sábado passado, 18 de junho) e a crítica do concerto, escrita Jordi Bianciotto e publicada no dia seguinte – ambas já traduzidas. Na entrevista com Freire, nada de muito novo ou diferente, com exceção de uma menção muito, mas muito breve mesmo, sobre o segundo disco do Bad Lieutenant (projeto solo de Sumner), e, também, sobre a (eventual) possibilidade do New Order vir a fazer um outro álbum. Já a crítica feita por Bianciotto destaca as qualidades da atual versão da banda – das “vantagens” de se ter Gillian Gilbert no lugar de Peter Hook à recém-conquistada “grandiosidade sinfônica” de sua música.


NEW ORDER: “UM DISCO NOVO? PODE SER.”
Histórico grupo de dance-rock se apresenta esta noite no Sónar
(por Juan Manuel Freire)

Se olharmos para a cronologia do New Order, a linha é qualquer coisa, exceto reta. O histórico grupo de dance-rock que emergiu das cinzas do Joy Division passou por diversos parênteses; o último foi de 2007, quando o baixista Peter Hook deixou o grupo, a 2011, quando os membros restantes decidiram continuar sem ele – trazendo de volta à banda a tecladista Gillian Gilbert. O El Periódico falou com o seu líder, Bernard Sumner, e com a reincorporada Gilbert, sobre segunda juventude, questões legais e o que faz do New Order um nome tão estimado. A banda toca hoje no Sónar, depois de ter participado, na última quinta-feira, do evento de inauguração patrocidado pela [cervejaria] Estrella Damm.

Como foi, cinco anos após seu último concerto, tocar novamente como New Order, mas com uma nova formação?

SUMNER – O primeiro concerto que nós fizemos foi em Bruxelas. Foi um pouco assustador. Nós não sabíamos se as pessoas aceitariam a nova formação do grupo. Mas depois de dez minutos, nós vimos que tudo sairia bem.

GILBERT – Para mim também foi aterrorizante. Foram doze anos desde a última vez que eu havia tocado ao vivo.

SUMNER – Mas é um pouco como andar de bicicleta…

Um dos momentos mais emocionantes da reunião é quando Gillian toca guitarra durante “Ceremony”, o primeiro single.

GILBERT – É tão emocionante tocar essa música. Ela me leva aos velhos tempos.

SUMNER – É uma pena eu não ter mais a mesma guitarra [usada na época em que a música foi gravada]. Eu gostava mais da antiga! [risos]

Vocês passaram anos dizendo que não era possível reunir a banda. Quando foi que isso se concretizou?

SUMNER – Bem, não é uma reunião… é uma continuação, porque [o New Order] nunca acabou. Em nossas mentes é mais uma continuação do que uma reforma [na banda]. Provavelmente não continuaríamos por causa das questões jurídicas que existiam por trás. Antes de continuarmos era preciso pisar em uma base legal firme.

Estão se saindo melhor agora em comparação com, digamos, 2005?

SUMNER – Sim. É divertido. Tudo está mais fácil.

GILBERT – Nem queríamos planejar uma grande turnê antes de fazer alguns concertos. Não sabíamos como as pessoas reagiriam.

SUMNER – Mas como correu tudo bem, decidimos seguir em frente.

GILBERT – A melhor coisa é que não havia nada para promover, então fizemos tudo por diversão.

Falando em disco… Há um novo disco do Bad Lieutenant [projeto paralelo de Sumner com os membros masculinos do New Order atual] no caminho…

SUMNER – Eu comecei a trabalhar nele, mas agora está em segundo plano. Não posso falar nada sobre o Bad Lieutenant.

Na verdade eu estava interessado em saber se, além disso, é possível que haja um novo álbum do New Order.

SUMNER – Um novo álbum? Acho que sim. Talvez. Mas este ano vamos tocar [ao vivo] até novembro, por isso vai ser difícil. Poderíamos considerar algo então, quem sabe.

Vocês andaram recuperando um material incomum ao vivo, como “Age of Consent” e “5-8-6”. Há algum motivo em particular para essas escolhas?

SUMNER – Fazia muito tempo que não tocávamos em lugares como Viena e as pessoas lá tinham o direito de ouvir os temas mais familiares, como “Blue Monday”, “Temptation” etc. Mas eu também queria satisfazer o fã incondicional e tocar algumas canções um pouco mais obscuras.

O que vocês escutam hoje em dia? Vocês tentam se manter atualizados?

SUMNER – Me fazem muito essa pergunta e, sinto decepcioná-lo, mas não ouço muita música. Eu trabalho o dia todo com música e quando eu me desligo, prefiro ler um livro ou assistir TV, ou fazer algum tipo de trabalho manual. Mas eu gosto do Arcade Fire.

GILBERT – Eu só ouço o que minhas filhas escutam; o problema é ser mãe. Mas eu gosto de Lana Del Rey.

Suponho que saibam que o New Order ressoa em um de cada cinco novos grupos.

SUMNER –  É melhor ser lembrado do que ser esquecido. Além disso, continuamos ativos, fazendo shows.

O que faz do New Order uma banda tão querida? Suas canções são uma experiência transcendente para muitas pessoas.

SUMNER – Eu acredito que é o fato de sermos muito humanos…

GILBERT – Não somos nada pretensiosos. Qualquer um pode embarcar no nosso conceito.

SUMNER – Além disso, fizemos muita merda no passado, o que nos faz humanos.

(entrevista original em catalão AQUI)


NEW ORDER: LITURGIA E CELEBRAÇÃO
O grupo de Manchester ofereceu um inflamado culto aos seus clássicos dos anos 80
(por Jordi Bianciotto)

Seu novo álbum, Music Complete, o primeiro com canções novas em uma década, permite que o New Order passeie pelos festivais como algo mais que uma banda revival, ainda que, no final de contas, o que interessa é escutar os clássicos dos primeiros indies de Manchester e palpar o que ainda resta de pé do legendário Joy Division. Dessa maneira, o New Order continua dando ao público o que ele quer, procurando de modo dramático o ponto de equilíbrio entre sua proverbial sobriedade e seu lado festeiro.

De certo modo, quem sabe saímos ganhando com a substituição de Peter Hook por Gillian Gilbert, já que, ainda que tivéssemos sofrido a perda de seu baixo guerreiro nos instantes finais de “Bizarre Love Triangle” na noite de sábado, sua presença de palco tende a uma certa “euforia hooligan” incompatível com as relíquias sagradas da primeira fase da Factory; em contrapartida, a volta da tecladista trouxe a banda de volta à sua essência eletrônica. Esse New Order de 2016 continua com muitas guitarras (Phil Cunningham está no grupo há quinze anos), mas também com sintetizadores e programações; o som final é uma versão grandiosa, sinfônica, do New Order clássico (mais frugal) da década de 1980.

Repertório encurtado: Canções da nova safra foram orgulhosamente apresentadas ao público – “Singularity”, “Restless”, “Tutti Frutti” e “Plastic” desfilaram com dignidade e, embora venham a ser esquecidas quando a banda sair em turnê em 2020, deram [ao concerto] um fino perfil pop à maneira de outros dois singles do New Order neste novo século, “Crystal” e “Waiting for the Sirens’ Call”. O show foi um pouco mais curto que os demais da turnê e fizeram falta músicas como “Ceremony” e “Love Vigilantes”, embora “Your Silent Face”, o midtempo eletrônico de Power, Corruption and Lies (1983), tenha sido mantida.

A reta final saiu como o previsto, com poucas mudanças em relação às turnês anteriores. Mas por que continuam ignorando um disco tão importante como Technique, de 1989? Isso já era de se esperar, mas não desprezemos “The Perfect Kiss”, “True Faith” (recriada ao estilo techno), a hipnótica “Temptation” e uma das canções mais influentes do pop, “Blue Monday”, com sua cadência robótica, um monumento à emoção através da frieza.

Tampouco deixemos de lado “Love Will Tear Us Apart”, envolta em uma atmosfera de celebração (com direito a “Forever Joy Division” no telão), expansiva até demais, com o clima de festa se impondo à sua natural melancolia – longe de Ian Curtis.

SET LIST SÓNAR BARCELONA 18 JUN 2016
Singularity
Crystal
Restless
Your Silent Face
Tutti Frutti
Bizarre Love Triangle
Waiting for the Sirens’ Call
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Temptation
Blue Monday (encore)
Love Will Tear Us Apart (Joy Division, encore)
[Run. time: 1h30min.]

(crítica original em espanhol AQUI)

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NEWS | MOJO: New Order é a “Banda do Ano” em 2015

266_BowieApós ter dado quatro estrelas (de cinco possíveis) ao álbum Music Complete em agosto deste ano, a revista inglesa Mojo, em sua recém lançada edição #266 (janeiro de 2016), elegeu o New Order a “Banda do Ano” de 2015 e traz uma entrevista com o grupo. Alguns trechos podem ser conferidos aqui. Em um deles, a tecladista Gillian Gilbert diz “Nós tivemos um bocado de sorte com a colaboração da Elly Jackson [aka La Roux] e do Tom Rownlands [Chemical Brothers]. Criou-se um pouco de entusiasmo que eu suponho que havíamos perdido. É como sair em turnê e ver pessoas jovens na plateia, isso lhe dá um impulso”. Stephen Morris, o baterista, por sua vez disse que “A última vez que foi emocionante lançar um disco foi, provavelmente na metade dos anos oitenta, mais ou menos na época do Low Life. Foi realmente esquisito sair com esse disco em turnê e ver a reação [do público] aos números mais eletrônicos e dançantes”. Segundo a revista, a entrevista também contém “pensamentos da banda” à respeito de “certos baixistas”.

Mas a Mojo não ficou “apenas” nisso. Na sua lista dos “50 Melhores Álbuns de 2015”, o disco Music Complete aparece em um digno terceiro lugar, deixando para trás títulos badalados de Blur, Tame Impala, The Libertines e álbuns de dois medalhões do rock: os guitarristas Keith Richards (Rolling Stones) e David Gilmour (ex-Pink Floyd)! A cereja do bolo foi a inclusão da faixa “Restless” no CD-brinde da edição, intitulado Mojo’s Best of 2015. Em outras palavras: para a revista, 2015 foi o ano do New Order.

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NEWS | Tecladista do New Order revela músicas que estarão na turnê

new_orde2Gillian Gilbert, a tecladista do New Order, tem sido bastante requisitada para entrevistas nestes poucos dias que antecedem o lançamento de Music Complete, o décimo álbum de estúdio da banda. No último dia 11 de setembro ela falou com Bill Pearis, editor do site Brooklyn Vegan. Nessa entrevista, Gillian falou de vários assuntos: de como foram escritas algumas canções do novo disco, sobre os ensaios para a turnê que começa em novembro, sua reintegração ao New Order, tecnologia musical, entre outros. Mais uma vez, nosso blog quebrou um galho e traz uma tradução para o português. Boa leitura!


Uma entrevista com Gillian Gilbert, do New Order, sobre o reingresso na banda, o novo LP, Mute Records e muito mais.
por Bill Pearis

O novo álbum do New Order – Music Complete – será lançado no dia 25 de setembro e representa uma série de “primeiros”. É o primeiro disco sem o baixista Peter Hook e o primeiro na nova gravadora, Mute Records. É também o primeiro em quatorze anos a contar com a tecladista Gillian Gibert. Casada com o baterista Stephen Morris (eles têm feito música juntos como a dupla The Other Two), Gilbert saiu da banda durante a produção de Get Ready, de 2001, para cuidar de sua filha. Quando o grupo, com excessão de Hook (que os deixou no final dos anos 2000), foi reformado para shows beneficentes em 2011, Gilbert voltou (a nova formação excursionou pela América do Norte em 2013). Seu regresso também celebra um retorno do New Order às pistas de dança, já que Music Complete é carregado de faíscas do synthpop que marcou algumas de suas canções mais amadas. Com 65 minutos, é também o seu maior álbum de estúdio até esta data.

A Mute vem mantendo Music Complete guardado a sete chaves, com exceção do primeiro single, “Restless”, mas os novaiorquinos poderão ouvi-lo antecipadamente em uma festa de audição no dia 24 de setembro, no Donna. Além de poder ouvir o álbum na íntegra, você também poderá comprar o vinil na mesma noite e haverá cocktails temáticos do New Order. Será livre para maiores de 21 anos, mas a capacidade é limitada.

Em uma pausa nos ensaios da banda na casa de campo / estúdio dela e de Morris em Cheshire, Gillian Gilbert falou sobre estar de volta ao New Order, os planos da turnê, o processo criativo da banda e muito mais.

BV: Então, o que você vem fazendo hoje? Entrevistas como esta?

GG: Não, nós estamos em casa, passamos o dia todo ensaiando no estúdio. Acabamos de terminar, então estamos enrolando agora.

BV: Como estão indo os ensaios?

GG: Estão indo muito bem! Começamos esta semana porque temos um programa de rádio ao vivo que vamos fazer para a BBC daqui há três semanas. Nós não tocamos juntos ao vivo há um ano, por isso é muito estranho aprender tudo de novo. É como “oh, meu Deus…” [risos]

BV: Não apenas reaprender as músicas antigas, mas também tentando descobrir como tocar as músicas novas ao vivo.

GG: Sim, é isso. Nós temos três favoritas que estamos tentando aprender. Está tudo saindo bem.

BV: Quais são as três músicas novas que vocês estão ensaiando?

GG: Nós estamos ensaiando “Restless”, “People on the High Line” e “Tutti Frutti”. E também “Singularity” e “Plastic”, que também estão no [novo] álbum, mas que já havíamos tocado na nossa última turnê. Mas é tudo muito novo ainda.

BV: Aos meus ouvidos, “Tutti Frutti” é o hit do álbum. Seria a minha escolha para o próximo single.

GG: É curioso… [risos] Eu acho que essa é a favorita de todo mundo. É muito irônica e engraçada.

BV: É Bernard personificando Barry White novamente, como em Technique?

GG: Ele fez seu Barry White em “Fine Time”, mas dessa vez não foi ele quem o fez em “Tutti Frutti”. Foi alguem que o Tom Rowlands conhecia de seu trabalho com o Chemical Brothers. Bernard pegou a faixa e disse “não seria bom se tivéssemos alguem falando em italiano sobre ela?”. Então Tom chamou esse cara que ele conhecia. Depois ele tocou a faixa para nós e ficou tão bom que o mantivemos na gravação. Nós não sabemos quem ele é, mas estou muito interessada em conhecê-lo.

BV: Tenho que admitir que a abertura dessa música, a linha de baixo, me lembram “Relax”, do Frankie Goes to Hollywood.

GG: Sim, eu sei. [risos] Inclusive pensamos em fazer algumas camisetas iguais às deles. Talvez tenhamos o mesmo sucesso. Que nada, a deles é imbatível.

BV: Você está de volta à banda a cerca de quatro anos. É como se você nunca tivesse saído?

GG: Não parece que foi há tanto tempo. Mas tem sido algo muito divertido, no entanto. Comparado com quando eu saí do New Order, tem um novo frescor. Todo mundo parece maduro nessa nova formação. Estamos fazendo as coisas a pequenos passos de cada vez. Quando recomeçamos, não sabia como as pessoas iriam reagir. Nós fizemos os shows beneficentes em 2011 para saber como nos sairíamos. Com a saída de Hooky realmente ficou um grande buraco. Mas tem sido muito emocionante e muito libertador. Quando nós saímos em turnê em 2013 não tínhamos  um novo álbum ou algo para promover. Foi um pouco como começar de novo. Agora temos uma gravadora… as coisas mudaram. Não era como voltar para o velho New Order. Eu achava que era hora de voltar. Eu realmente sentia falta. Eu havia feito muitas coisas, mas não classificaria como material da banda. Tem sido divertido voltar a me concentrar na música e na banda.

BV: Quando eu vi o show do Brooklyn em 2013, todos pareciam estar se divertindo mais do que quando eu vi o New Order no Hammersmith Ballroom, em 2006, que não contava com você, mas você sabe o que eu quero dizer.

GG: Eu realmente não sei muito sobre o que aconteceu com Hooky, mas assisti shows anteriores e Bernard me disse que ele não estava muito bem e que a atmosfera não era muito boa. Mas eu acho que quando você olha para nós agora pode dizer que a atmosfera na banda é bastante diferente.

BV: Outra grande mudança, eu acho, é a tecnologia, que é muito diferente, mesmo a partir de Get Ready. Presumo que tenha mudado a maneira de compor e gravar.

GG: Acho que tem muito a ver com isso [a tecnologia]. Nossos próprios pequenos estúdios têm evoluído e não precisamos mais trocá-los por um grande estúdio. Eu me lembro quando fizemos Get Ready, eu ainda estava na banda, e minha filha começava a escola em setembro. O resto da banda estava indo para o estúdio para gravar todas as partes de bateria e mais algumas coisas e eu realmente não queria ir. Mas está tudo mudado agora. Nós fizemos a maior parte deste álbum em nosso próprio estúdio, porque a tecnologia é muito melhor. Existem plug-ins e todas essas coisas. Nós fizemos um monte de coisas em casa que antes não se podia fazer. Isso lhe dá um pouco mais de liberdade para fazer algo diferente. Eu me lembro que no início do New Order, quando nós tínhamos um novo sintetizador ou um novo sequenciador, era preciso explorá-los até o limite, descobrir como funcionavam, e as canções foram criadas dessa forma. Eu acho que era um pouco desse jeito. Agora Bernard pode ir para casa, trabalhar nas letras e nos vocais e só depois trazê-las para o nosso estúdio para colocá-las sobre a música. Há muita novidade acontecendo hoje e que não existia antes no New Order. Nós costumávamos improvisar bastante. Agora podemos levar uma parte gravada para casa, pensar sobre ela, mudar os acordes e depois apresentar o que foi feito. Acho que foi com Tom Rowlands que ficamos todos juntos, trabalhando assim. Porque eu e ele nunca tínhamos trabalhado juntos antes, então foi bom ter ele por perto no início do LP. Ele compôs “Singularity” conosco e nós realmente gostamos dessa faixa. Havia também “Unlearn This Hatred”, que ele e Bernard haviam começado a trabalhar nas letras e nos vocais. Stephen e eu a levamos para casa, mudamos alguma coisa e tínhamos uma par de ideias para trilhas sonoras. Era mais interessante trabalhar nele [o novo álbum] dessa forma, todo mundo trouxe algo para ele. Todos esses pequenos bolsões de ideias que se juntavam.

BV: Vocês reformularam algumas de suas músicas antigas quando saíram em turnê em 2013.

GG: Nós não queríamos parecer retrô e apenas tocar os clássicos. Queríamos, sim, ver se poderíamos fazer algo novo. Os fãs sabem quando você está apenas regurgitando coisas. Tivemos também esses remixes que o Stuart Price fez para algumas canções antigas e nós incorporamos esses arranjos ao vivo. Deu um novo frescor tocar [ao vivo] a perspectiva de outras pessoas sobre as nossas músicas. Nós gostaríamos de fazer mais [esse tipo de coisa] quando começarmos a turnê desta vez.

BV: O arranjo de “5-8-6” que vocês tocaram no Brooklyn era de Stuart Price?

GG: Sim. E foi dele a ideia de abrir o show com “Elegia”, criando uma atmosfera muito agradável. Era um começo inesperado para o show.

BV: Há alguma música que nunca faz parte do set list do New Order e que você gostaria que entrasse?

GG: Sim, claro. Nós tentamos “Thieves Like Us” uma vez, porque eu realmente gosto dessa, mas a questão é a seguinte: Bernard tem um bocado de coisas para cantar e antigamente não era um problema para ele subir [a voz] uma oitava. Agora ele não faz mais isso, sua voz soa mais contida. Particularmente, eu adoraria revisitar Movement. Na época era algo para se deixar na prateleira, mas eu acho que ele soa muito bom hoje em dia. “Procession” eu sempre gostei. Estamos tentando arrastar um pouco mais [do material antigo] para fora [risos]

BV: Estou sempre a espera de ouvir “Dream Attack”, que encerra Technique.

GG: Ah, sim, eu adoro essa também. Nós a tocamos bastante na década de oitenta e no ínicio dos anos 90. Mas eu acho que o Bernard não gosta muito dessa música. “Ela não tem um refrão!” e eu digo “E daí?!”. Os demais membros da banda gostam dela. Vou tentar colocá-la na lista.

BV: Eu gostaria de falar um pouco mais sobre composição. Existe uma mística em torno do New Order, eu nunca estive realmente certo sobre quem compôs o que ou como. Então eu queria saber se você poderia me dar um exemplo de uma ocasião em que uma música do New Order começou com você.

GG: No comecinho, nós costumávamos improvisar um bocado. Mas, em seguida, Bernard entrou com os sequenciadores e veio com algumas linhas de baixo. Quando eu entrei eu não sabia como compor canções e foi completamente fascinante ver como os outros três improvisavam e gravavam tudo. Nós registrávamos tudo em um gravador barato de dois canais, por isso, quando você ia ouvir o resultado, o som não era puro, não era possível diferenciar os instrumentos. Era apenas um som geral que sugeria as notas musicais. Eu me lembro de ter feito a linha de baixo de “Age of Consent” – eram apenas duas notas, mas você pensa “yeah!”. Eu estava tão orgulhosa dessas duas notas. Bernard e Stephen estavam realmente nessa da tecnologia e eu costumava tocar as coisas que Bernard me pedia, porque não havia um sequenciador que pudesse tocar muitas pistas. Então eu tive que aprender a tocar com precisão, fingindo ser um sequenciador, o que foi uma façanha em si. Não há muitas pessoas que podem fazer isso.

BV: Você era o sequenciador humano e Stephen a bateria eletrônica humana.

GG: Ele realmente era assim no começo. Como a tecnologia ficou melhor, você pode fazer mais coisas, mas eu ainda acho que se você tiver uma ideia muito boa, tudo pode girar em torno de duas notas. Como, por exemplo, em “Restless”. Nós fizemos a introdução no piano e, em seguida, Phil [Cunningham, guitarrista] e Tom [Chapman, baixista, substituto de Peter Hook] fizeram o resto, completamente, em cerca de dez minutos. Apenas dissemos “vamos colocar mais um pouco aqui e ali” e, depois, mostramos para o Bernard. Ele adorou e fez os vocais. Mudamos alguma coisa, mas era um lance rápido. Nós tínhamos uma introdução para “Unlearn This Hatred”, mas não se encaixava perfeitamente. Eu sempre gosto de começar com um padrão de acordes, embora, às vezes, eles acabem por se perder e algo novo é colocado por cima.

BV: Nos anos em que esteve fora do New Order você compôs músicas que ficaram guardadas?

GG: Stephen e eu fizemos um pouco de trilhas sonoras, o que é bom porque você não está tentando escrever canções; na verdade, está tentanto agradar o diretor. Assim, você pode fingir ser outra pessoa. Nós fizemos música para um especial da série de mistério Cracker em 2006 que foi todo filmado em Manchester e era como um filme de longa metragem. Na trilha havia uma música do Kasabian. Primeiro nós tentamos copiar o riff do Kasabian, mas não era possível porque há centenas de guitarras, por isso viemos com nosso próprio pequeno pedaço de música que tinha uma sensação semelhante. Por essas coisas você trabalha muito rápido e não tem tempo para pensar. Portanto, temos todos esses “temas” que coletamos. Então, quando nós estávamos com o The Other Two nós apenas pegávamos esses temas e tentávamos transformá-los em canções. E foi assim que “Stray Dog”, que é a música em que Iggy Pop faz um trecho de letra falada, veio a ser. Ela não mudou muito a partir do tema que tinha sido feito. É bom porque lhe dá uma vibe diferente. Isso não é o tipo de coisa ao qual você normalmente chega se estivesse sentado em frente a um computador.

BV: O New Order estará em turnê em novembro – quando vocês estão planejando voltar à América do Norte?

GG: Nós não temos tudo planejado ainda, mas deve ser em algum momento de 2016. Nós queríamos fazer uma turnê antes do Natal, mas que fosse perto de casa. Nos procure no ano que vem.

BV: E, finalmente, você acha que Tony Wilson teria imaginado o New Order assinando com a Mute, que certamente foi uma gravadora rival nos anos oitenta?

GG: Eu acho que ele ia adorar. Eu acho que escolher a Mute foi um aceno para ele. Ela [a Mute] era como a Factory, só que muito bem sucedida. [risos] Eu sei que isso é algo muito feio de se dizer, mas acho que é isso que o Tony estava tentando fazer. Ele queria um selo idependente bem sucedido. Eu realmente acho que teria adorado. E nosso [ex-]empresário, Rob Gretton, teria gostado também.

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NEWS | Folha elogia “Music Complete”: “é puro New Order”

CNfNRrHUYAAb3Z3Hoje um dos maiores jornais em circulação no país, a Folha de São Paulo, trouxe o New Order na capa do suplemento “Folha Ilustrada”. A matéria, intitulada “Música (In)Completa”, tratava do novo rebento da banda, Music Complete, cujo lançamento está programado para o dia 25 deste mês. Dividida em duas partes, a matéria da “Ilustrada” traz uma entrevista com a tecladista Gillian Gilbert, concedida por telefone a Claudia Assef, e uma resenha/crítica do novo álbum assinada por André Barcinski. No bate-papo com Assef, Gillian explicou o significado do título do disco (“você ouve as faixas e elas soam como uma coleção completa do New Order… queríamos recriar a atmosfera que permeava os discos antigos, só que tudo de uma vez”), como é a sensação de gravar um CD sem Peter Hook, com quais discos antigos do New Order ela compara o novo trabalho (“acho que com Technique e Power, Corruption and Lies, são faixas muito diretas”) e como o grupo escolheu as participações especiais que marcam ponto no álbum (Music Complete conta com reforços atuais e do passado, como Elly Jackson, Brandon Flowers e Iggy Pop). No final, ainda soltou, talvez sem querer, uma excelente notícia para os brasileiros: “não sei se podia falar, mas em 2016 iremos ao Brasil”. Já a resenha de Barcinski praticamente navegou pela mesma correnteza por onde trafegaram também os críticos da MoJo, da Uncut e da Q Magazine: o jornalista classificou o disco como “muito bom” (o que equivale a duas estrelas, em um sistema de ranqueamento cuja nota máxima são três). Para André, “a banda continua imbatível na arte de gravar músicas que funcionam tanto na pista quanto no palco” (sobre “Restless” e “People on the High Line”). O crítico diz ainda que

“O disco não aponta nenhum caminho novo ou diferente para o New Order, e nem precisaria: a banda é uma das grandes inovadoras do pop rock dos últimos 35 anos e praticamente escreveu o manual de como agradar simultaneamente a fãs de rock e de música eletrônica. Music Complete não vai mudar a música, como ‘Blue Monday’ fez em 1983, mas é puro New Order, e isso basta”.

Enquanto isso, os fãs continuam de dedos cruzados…

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NEWS | Bernard Sumner (à Stereogum): “era o momento certo de fazer um álbum mais eletrônico”

x-factor-hate-bernard-sumner-590x350O blog sobre música independente e alternativa Stereogum publicou no último dia 25 uma bela entrevista com o vocalista e guitarrista Bernard Sumner, concedida a T. Cole Rachel. Nela, Sumner fala sobre diversos assuntos: o novo álbum – Music Complete, a ser lançado no dia 25 de setembro -, como era fazer música eletrônica no começo dos anos oitenta, o legado do Joy Division, a época em que os shows do New Order eram imprevisíveis graças aos seus porres homéricos e sua percepção sobre Manchester. Trazemos aos leitores essa tradução exclusiva – e vale a pena conferir!


Bernard Sumner fala sobre Music Complete e os fantasmas de Manchester
entrevista à T. Cole Rachel, publicada em 25 de agosto de 2015

STEREOGUM: Irvine Welsh escreveu um ensaio realmente incrível que acompanhou a amostra para a imprensa de Music Complete, do tipo que articula o que muitas pessoas devem sentir com relação à sua música: que é difícil separar os sentimentos sobre a banda dos sentimentos sobre a vida real, simplesmente porque o New Order foi uma grande parte de nossas vidas. Eu tenho escutado o álbum, mas eu não tenho certeza se posso até mesmo tentar ser objetivo sobre isso.

SUMNER: [risos] Bem, obrigado. Torna-se complicado quando você vem fazendo isso há tanto tempo.

STEREOGUM: Vocês todos se mantiveram ocupados durante uma década ou mais desde o lançamento do último álbum; na verdade, você também escreveu um livro durante esse tempo, Chapter and Verse, o que talvez desse a impressão de que não estivesse tão ocupado. Mas não houve algum momento durante esses anos em que você pensou que talvez não voltaria a fazer outro disco do New Order?

SUMNER: Houve momentos em que eu queria ficar longe da banda, tomar um fôlego e parar por um tempo – você sabe, foi quando as relações esquentaram dentro da banda e os problemas com os negócios se mostraram divisivos. Eu estou falando principalmente sobre a Factory Records e The Haçienda. Há um momento em que você quer dar um passo para trás e dizer “ei, o que está acontecendo aqui?”. Mas nunca houve momentos em que eu pensasse que nós não deveríamos continuar. Eu estou com o New Order há tanto tempo que ele está no meu DNA agora. É como um braço ou algo assim, você não pode simplesmente se livrar dele. Eu acho que, talvez, depois que Peter Hook deixou a banda, eu e o Steve [Morris] queríamos dar um passo atrás e fazer outra coisa, porque tudo havia deixado um gosto ruim na boca. Eu saí e fiz, com um cara chamado Jake Evans, um álbum chamado Never Cry Another Tear como Bad Lieutenant. Gillian [Gilbert] ficou doente durante esse tempo e Steve estava cuidando dela, mas depois disso – quando ela melhorou e começou a fazer shows aqui e ali – ele viu que o próximo passo seria fazer música nova. Depois que nossa intermitente turnê terminou seu ciclo de vida natural, parecia ser a hora de fazer um disco.

STEREOGUM: Music Complete é o som clássico do New Order na medida em que equilibra bem guitarras e sintetizadores, embora incline-se mais fortemente para os sintetizadores do que qualquer outra coisa feita por vocês em muito tempo. Ao revisitarem esse som clássico, estão assumindo que foi uma decisão consciente?

SUMNER: Sim, foi uma decisão consciente. Se você pegar Get Ready, Waiting for the Sirens’Call e Lost Sirens, esses três álbuns do New Order foram baseados em guitarras. Havia um par de temas dance neles, mas eles foram preponderantemente orientados pelas guitarras. As músicas surgiam a partir de jammings, um monte delas. Se você me ouvir em uma faixa tocando guitarra, geralmente ela veio de uma jamming. Se você ouvir uma canção predominantemente eletrônica do New Order, ela veio de uma pessoa sentada em frente a um computador, programando-o. Então, temos esses três álbuns à base de guitarras e, se voltar mais atrás, o último álbum que fiz com Johnny Marr [N.T.: ex-guitarrista dos Smiths], como Electronic, ele foi baseado em guitarras. O álbum que fiz com o Bad Lieutenant também foi baseado em guitarras. Então, parecia o momento certo para voltar a fazer um álbum mais eletrônico.

Umas das razões pelas quais fizemos uma pausa na nossa programação foi que houve um período de cerca de cinco anos no qual nós realmente não funcionamos em conjunto. Nós não nos separamos; nós apenas não trabalhamos juntos. Então, quando começamos a trabalhar juntos novamente, parecia lógico não ficar sentado em frente a um computador com um mouse na mão. O que parecia lógico era todos entrarem em uma sala, se sentarem juntos e improvisar, porque há mais interação na banda quando você está fazendo isso.

Esse álbum foi escrito de uma maneira diferente: eu em casa, no meu estúdio, com um computador, uns três sintetizadores e vários plug-ins. Steve e Gillian compõem em seu estúdio caseiro, cheio de sintetizadores modulares vintage. Tom [Chapman] e Phil [Cunningham] escreveriam um pouco também – e isso poderia ser qualquer coisa, de uma canção pronta ou apenas um pedacinho de música. Então, todos traziam as suas ideias e diziam: “Vejam só o que eu trouxe”. Então, alguem diz “certo, eu acho que tenho algo para tocar com isso”. E nós aceitávamos ou rejeitávamos.

STEREOGUM: É interessante pensar em como a tecnologia mudou desde que o New Order começou a fazer discos. Exceto quem estava envolvido naquilo, a maioria das pessoas não entendem o quão difícil era realmente fazer música eletrônica três décadas atrás, em comparação com o relativamente fácil que é agora. Vocês foram pioneiros na forma como os sons eletrônicos foram integrados ao som das guitarras, principalmente porque ninguem estava realmente fazendo isso quando vocês começaram – a tecnologia daquela época não tornava isso muito simples.

SUMNER: Eu acho que naquele tempo, quando começamos a fazer música eletrônica, a nossa imaginação era muito mais avançada que as máquinas que nós estávamos usando. Eu gostaria de ouvir uma música na minha cabeça e tentar gravá-la o mais rápido que eu pudesse, mas às vezes as máquinas não podiam fazer o que estávamos imaginando. Então tínhamos que modificá-las – nós as pegávamos e as customizávamos para que pudéssemos fazer o som que queríamos fazer.  Na verdade, não era realmente para fazer os sons que gostávamos de fazer, mas os ritmos que queríamos para ser mais exato. Era bem legal, era como decifrar um código. Você vinha com “eu tenho uma ideia para uma música!” e, em seguida, você não tinha como concretizá-la em um sintetizador!

Havia um cara com quem costumávamos trabalhar que se chamava Martin Usher e que era basicamente um cientista. Nós tínhamos que levar o equipamento para ele e dizer “nós queremos que ele faça isso”. Seria algo como: nós tínhamos duas máquinas; queríamos ligar a bateria eletrônica em um teclado e fazê-la tocar a partir dele. Martin o modificava para que isso fosse possível. Por isso, lutávamos constantemente com a tecnologia e houve problemas de confiabilidade terríveis com o equipamento quando o utilizávamos ao vivo em turnês e, também, em estúdio.

Muitos desses problemas já foram superados, obviamente. Quando começamos a fazer este disco, eu fiz uma lista de cerca de 25 plug-ins de sintetizadores que estávamos pensando em usar. Então, eu passei umas duas semanas sentado com esses plug-ins, passando por eles, para encontrar os que mais me agradavam. Eu reduzi a lista para quatro e usei apenas estes no álbum. Eu usei o sintetizador de baixo de “Blue Monday” também. Assim, a tecnologia… bem, as pessoas costumavam dizer que o estúdio de gravação era um instrumento e que você podia tocá-lo. Mas hoje em dia o computador e o pacote de software que você usa são um instrumento em si mesmo e você pode tocá-lo. Você não apenas pode tocá-lo, como pode fazer qualquer coisa: pode dobrar ou “esticar” o som ou fazer todo tipo de coisa com sons que não se podia anos atrás. Por isso é bom voltar à eletrônica – a tecnologia avançou, mas em um bom caminho. É confiável e parece boa.

STEREOGUM: New Order é uma banda que, desde o início, operou sob a sombra de um grande legado por causa do Joy Division. Quando se está aí por tanto tempo – e quando se tem esse enorme catálogo de grandes sucessos – como é que isso tudo pesa sobre você quando se sai com algo novo? Você já se sentiu como se estivesse competindo com sua própria história?

SUMNER: Não, eu realmente não penso nisso, porque estamos no presente e imersos na experiência de ser New Order. Eu posso dizer que nos últimos três anos nos sentimos muito enraizados no presente, porque nós estivemos fazendo muitos shows. Eu não sou o tipo de pessoa… como se chama uma pessoa que olha para trás? Uma pessoa que vive de lembranças?

STEREOGUM: Sentimental? Nostálgica?

SUMNER: Sim, eu não sou o tipo de pessoa excessivamente sentimental. Você pode desenterrar entrevistas minhas – tanto no Joy Division quanto no New Order – nas quais, tenho certeza, não digo o que eu acho sobre o passado, porque eu só pensava no presente. Isso é muito verdadeiro. Eu acho que se o presente não é muito agradável, então você tende a relembrar mais. Eu fui menos que infeliz em certas fases de minha vida, então eu acho que você tende a começar a olhar para atrás. Mas, em geral, eu realmente não penso sobre isso. Ainda assim, você não pode realmente escapar de sua própria sombra. É engraçado: não posso deixar de soar como eu quando estou cantando, por razões óbvias, físicas. Mas também não posso deixar de soar como eu quando eu toco guitarra ou teclados, por razões psicológicas menos óbvias. Você é quem você é.

STEREOGUM: Obviamente, a dinâmica da banda mudou radicalmente na última década. Como é que vai ser sair e tocar [ao vivo] essas músicas novas?

SUMNER: Eu acho que vai ser bem legal. Quer dizer, é essencialmente a mesma formação com a qual temos tocado nos últimos dois anos. Eu acho que os outros vão achar ótimo. O difícil será orquestrar as novas músicas. Nós faremos alguns shows em novembro, mas estaremos ocupados até setembro. Então, em setembro nós temos que nos reunir, pegar as músicas do disco [novo], rearranjá-las para cinco músicos para tocá-las. É muito difícil, quando você tem uma bateria programada, como se pode traduzi-la para um baterista ao vivo? É difícil. Se você tem uma linha de baixo sequenciada, mas quer tocá-la em um contrabaixo elétrico, como isso é possível? São coisas assim. É tornar o que seriam oito peças em uma determinada faixa e, em seguida, rearranjá-la para um quinteto. Os ensaios demoram muito tempo porque temos que orquestrar todas essas coisas.

Conversávamos [Sumner e a banda] sobre isso no trem ontem, o Eurostar, de Paris para a Inglaterra – que é um trem muito rápido por sinal -, e nós estávamos falando sobre ensaiarmos tudo isso, e se perguntando sobre como iríamos fazê-lo e se teríamos tempo suficiente. Nós também queremos mudar alguns elementos visuais que vínhamos usando, então é algo que temos que resolver. Portanto, há muito o que fazer em setembro. Tenho medo de setembro.

STEREOGUM: Você gosta de tocar ao vivo? Você é alguem que desfruta mais do estúdio do que estar na estrada?

SUMNER: Eu gosto de ambos. Gosto de tocar ao vivo mais agora do que eu costumava. Eu acredito que a vibe da banda é melhor e eu acho que isso é um grande fator de contribuição. Eu também acho – e isso é mais culpa minha – que é melhor agora porque eu não fico mais tão doido como antes. Eu creio que isso é responsável por alguns shows hit-or-miss [N.T.: expressão que designa algo imprevisível ou susceptível tanto de dar certo quando de dar errado] que fizemos. No caso dos shows ruins, eu estava de ressaca ou miseravelmente fodido. É como são as coisas quando você é jovem, não é? Você é hedonista, certo? Não necessariamente você, mas eu… bem, eu era bem hedonista e desfrutava a vida ao máximo, digamos assim. Conforme você envelhece, passa a ter uma visão mais sóbria da vida. Eu ainda gosto de beber, mas eu estou mais intolerante. Eu vejo as diferenças agora. Estou mais velho e mais sábio. Eu gostaria de beber, mas não gosto de ficar bêbado. Felizmente, sou capaz de fazer isso agora, desenhando uma linha. Devido a isso, eu não fico mais de ressaca ou doente nas turnês e todo o resto. Então eu aproveito mais.

STEREOGUM: Eu visitei Manchester pela primeira vez há dois anos. Alguem do Departamento de Turismo me levou a todos os pontos musicais da cidade: “aqui é onde isso aconteceu; aqui é onde os Smiths tocaram pela primeira vez; aqui é o estacionamento que já foi a Haçienda…”. Como um nerd musical americano que cresceu obcecado com tudo isso, foi surreal. Deve ser interessante para vocês – tanto quanto a história da banda é uma parte emblemática da história de Manchester.

SUMNER: Eu não penso muito sobre isso em termos de nossa música, mas mais em termos de minha infância. Eu cresci em lugar chamado Salford e podia caminhar até o centro de Manchester, a cerca de 20 minutos. Então, eu vivia muito perto do centro. Passei a maior parte da minha infância em torno do centro da cidade, porque não havia muito o que fazer em Salford. Como passei muito tempo em Manchester, eu sempre associo a cidade muito mais à minha infância que à música, mas eu posso entender porque as pessoas que cresceram na música tendem a fazer uma conexão física com a cidade onde ela foi feita. Eu entendo isso. Mas se eu passar pela Haçienda, por exemplo, eu só penso em todos os problemas que nós tivemos lá. E se você passar por lugares como onde a Factory começou, na verdade ele é um pouco triste, porque Tony [Wilson] morreu. Manchester está cheia de fantasmas. Há um monte de fantasmas lá. Se você olhar o lugar onde o Joy Division ensaiava, não tem mais nada lá. Acabou. É isso… fantasmas demais.

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MEMÓRIA | Um raro vislumbre de um mundo privado – Parte I

Hoje trago aqui no blog a primeira parte de uma tradução exclusiva de um dos momentos mais importantes da carreira do New Order na imprensa musical: um artigo / entrevista assinado por Paul Rambali para a edição de julho de 1983 da extinta revista britânica sobre música, moda, cultura e comportamento The Face. A matéria põe foco sobre a banda justamente no momento em que o grupo começava a deixar as sombras do Joy Division com o estouro de “Blue Monday”, o lançamento do LP Power, Corruption and Lies e a parceria com Arthur Baker em “Confusion”. Essa matéria, aliás, teve trechos vergonhosamente copiados ou “conceitualmente plagiados” pelo (hoje) renomado jornalista brasileiro Pepe Escobar para a edição de novembro de 1985 da revista Bizz sem que os devidos créditos às fontes fossem dados.

A segunda parte ainda se encontra em fase de tradução. E a foto do baterista Stephen Morris que ilustra a capa da revista foi tirada por Kevin Cummins.


coverUM RARO VISLUMBRE DE UM MUNDO PRIVADO – Primeira parte
New Order: entrevista a Paul Rambali para The Face, julho de 1983.

Em algum lugar nos arredores do sul de Manchester existe um cemitério. Próximo desse cemitério  temos uma sala de ensaios onde os quatro membros do New Order praticam seus feitiços. E eles entenderam a piada.

“Talvez porque nós soamos tão sombrios… Se é que soamos. As pessoas dizem que sim”.

Peter Hook prefere ser cauteloso com relação a qualquer definição sobre o grupo ou sobre sua música. Ele fica de braços cruzados dedilhando um baixo desplugado. Sobre seu joelho, um formulário de pedido de visto para os EUA para a próxima turnê do New Order.

“Escute isso”, ele grita! “Parece que eles estão atrás de nós: ‘Alguma vez você já ajudou na perseguição de povos por motivos de raça, cor ou credo, incluindo qualquer envolvimento com o Estado Nazista?’”.

O New Order é uma banda nazista? Essa cobrança, que veio à tona antes na imprensa musical, e que foi lançada sobre eles novamente em uma edição recente da revista Private Eye, parece que os flagrou de calças arriadas. Mas afinal, eles são nazistas?

A resposta é negativamente confusa. “Eu não sei”, Hook dá de ombros, “por que todos pensam que somos nazistas?”.

Eles escolheram o nome New Order – que, entre outras coisas, era o termo usado pelo Führer para o que ele pretendia impor ao mundo – porque parecia neutro. “Usaram-no no Tron, mas ninguem chama Walt Disney de nazista”, diz o guitarrista Bernard Sumner – cujo sobrenome real não é Albrecht, como aparece nas capas dos primeiros discos -, que não leva as acusações a sério.

“Você devia ter visto os outros nomes que tivemos na lista”, ele ri. “Temple of Venus… que nem era tão ruim. O que queríamos era transmitir a ideia de mudança, apenas isso”.

Mas eles não estão sendo sinceros. É evidente que não era “apenas isso”. Eles conheciam as conotações da expressão. A mudança se deu a partir de seu antigo nome, Joy Division, garantida pela morte do vocalista Ian Curtis. O nome Joy Division – uma gíria de guerra que se referia às alas dos campos de concentração onde as mulheres judias eram usadas pelos soldados alemães como prostitutas – era fortemente irônico, uma brincadeira mordaz sobre a posição da banda vis a vis a indústria do entretenimento e, talvez, o mundo em geral.

Chamar-se New Order foi, provavelmente, um ato de antagonismo taciturno, parte de uma ação mais ampla para preservar-se das mórbidas fixações da mídia londrina sobre o grupo, seu falecido ex-vocalista, sua música e o que ela certamente representa nas sombras, incluindo a depressão de 1979-1980. Desde então, eles se abrigaram em uma enigmática concha, evitando ser o centro das atenções e se encobrindo num silêncio recluso.

Suas raras, porém sempre lotadas, aparições em Londres foram confinadas em salões irlandeses. As capas de seus discos – ricas extensões planas, lisas e coloridas, com tipografia em negrito e logotipos opacos – contém o mínimo de informação: New Order, título, produtor, gravadora, data. Sua nova integrante, Gillian Gilbert, a namorada de 22 anos do baterista Stephen Morris, juntou-se ao grupo há dois anos, mas ainda tem que ser creditada nas capas.

Por esses e outros motivos, eles têm a fama de serem arredios, insolentes e, no mínimo, difíceis de se entrevistar. Recentemente um colunista da imprensa musical foi convidado para acompanhá-los em turnê no Texas. Seria um bom fundo para uma história, mas havia um problema. O jornalista teria que se bancar sozinho – um pedido sincero de uma banda sem apoio de uma grande gravadora, mas não é o tipo de coisa que a imprensa musical está acostumada a ouvir.

Sua recusa em subir a bordo do carrossel dos negócios e da moda no mundo da música deriva tanto de princípios quanto de um instinto de auto-preservação. Já como um quarteto insular, sua força interior teve que ser testada e endurecida para que eles sobrevivessem de forma convincente à morte de seu vocalista. Praticamente sozinhos entre seus contemporâneos, eles mantêm sua independência. Orgulhosos, teimosos e originais, eles cortejam o ressentimento e – talvez pelas mesmas razões – inspiram devoção.

Sem publicidade, sem vídeos promocionais, sem roupas novas nem fotos na capa, seu último single de 12” vendeu 250 mil cópias na Grã-Bretanha sozinho. “Blue Monday”, uma frágil melodia pregada a uma pesada batida vibrante (e sem conexão aparente com a canção homônima de Fats Domino), recebeu uma truncada, mas ao mesmo tempo arejada versão ao vivo no Top of the Pops – que de maneira significativa alterou sua posição nas paradas.

Por toda Europa, Japão e América do Norte discotecas chiques pulsam ao som de “Blue Monday” – uma versão estendida mixada à mais recente versão novaiorquina de “Planet Rock”. Não é uma mera casualidade que sua música transcenda gostos paroquiais. Ela tem a virtude da simplicidade universal; muitas vezes é pouco mais que uma atmosfera, distinta mas não específica. Os títulos taciturnos das músicas têm uma só palavra – “Ceremony”, “Isolation”, “Transmission”, “Temptation” etc – e são vagos e intercambiáveis à primeira vista, como as capas que elas carregam. Existe um forte sabor de mistério que, tendo eles inventado, não estão com pressa de dissipar.

“O que queremos é apresentar a música sem qualquer lixo periférico em torno dela”, argumenta Bernard Sumner. “Não importa quem tocou o que, ou os instrumentos que usamos ou mesmo quem somos. Se as pessoas gostam da música, isso é o que realmente importa; isso é o que eles estão comprando”.

Seu anonimato autoimposto atingiu esse estágio com o seu novo álbum, no qual apenas aqueles que conhecem a música saberão o que estão comprando. Onde quer que os mantenham, seus corações não estão nas capas dos discos. Desenhado por Peter Saville, o firmemente intitulado Power, Corruption and Lies não traz nenhuma informação além do número de catálogo e um crédito legalmente exigido para as rosas pintadas pelo impressionista francês Fantin-Latour impressas na parte frontal, que também traz uma pequena e falsa escala de cores em um dos cantos. “Peter queria uma pintura clássica na capa”, diz Sumner. “Gostamos da ideia, então ele nos mostrou uma seleção e escolhemos a que queríamos”.

Muita coisa para uma embalagem. Em seus primeiros dois meses de lançamento, o álbum já vendeu 75 mil cópias na Grã-Bretanha, e mais no exterior, especialmente Bélgica, Holanda e Alemanha. O New Order ainda vem sendo abordado para fazer negócios com gravadoras estrangeiras, apesar não ter muitas aberturas na Inglaterra. Em todo caso, eles se contentam em permanecer com o selo independente Factory Products, aberto em 1978 por Tony Wilson, apresentador da emissora de TV Granada.

“Não há um real motivo para nos mudarnos para uma gravadora grande”, diz Sumner. “A vantagem é que eles divulgariam você, te dariam dinheiro para vídeos e publicidade, mas e daí?”. Peter Hook coloca em perspectiva. “Em uma grande gravadora é provável que faríamos o mesmo dinheiro que estamos fazendo agora, mas se vendessemos o que Culture Club vende”.

Quanto eles ganham? Eles pagam a si mesmos um salário de £ 72 para cada um por semana. Mas todos eles dirigem carros último-modelo: Sumner tem um W-Reg Mercedes 200; Stephen Morris possui um Volvo Estate; e Peter Hook é dono de um Audi Coupe, mas sem tração nas quatro rodas – “Oh, eu bem que gostaria. Mas é muito caro”. O resto dos seus ganhos é gasto em equipamentos.

Mas eles dizem que suas vidas pessoais mudaram pouco. Eles ainda vivem nos mesmos lugares: Bernard em Macclesfield, Peter em Moston, Stephen e Gillian em Peel Green. Eles se vestem sobriamente, como sempre o fizeram. Exceto pelo rabo de cavalo de Peter Hook, eles poderiam se passar por jovens bancários suburbanos. Na falta do O-level e de uma grande carreira à espera – estão nisso apenas porque viram os Sex Pistols e o The Clash no Manchester’s Free Trade Hall em 1976 -, o futuro deles poderia ter sido mais comum.

Bernard, Peter e Ian Curtis se conheceram na Salford Grammar School. Aproveitando aquele momento em 1976 com seu amigo Terry – atualmente um técnico de som – e, mais tarde, com Stephen Morris, que tinha acabado de ser expulso da King’s College, em Macclesfield, eles formaram um grupo chamado Warsaw. Inspirados pelo título da canção “Warszawa”, do álbum Low de David Bowie, o Warsaw fez apropriados ruídos ameaçadores dando seus primeiros passos nos acordes sujos e primários do punk rock. Essa energia foi consumida rapidamente.

No final de 1977 essa experiência chegou ao fim. O Warsaw foi para o Pennine Sound Studios em dezembro e reapareceu poucos dias depois como Joy Division e com um EP chamado An Ideal for Living que caiu sobre as sensibilidades moldadas pelo rock progressivo e avant-garde do início dos anos setenta, mas enterradas pelo purgatório cultural punk. Sentindo uma espécie de unidade desesperada nessas gravações, Tony Wilson assinou o Joy Division com o seu novo selo e o grupo começou a trabalhar com o engenheiro de som dos estúdios Strawberry, Martin Hannett.

Mas não sem um curioso interlúdio. Eles caíram nas mãos do DJ de northern soul Richard Searling, que queria que eles gravassem um cover de “Keep On Keepin’ On”, de N. F. Porter – e que ele planejou vender para o selo TK, uma subsidiária da RCA. “Nós tentamos fazer, mas a gente não dava a mínima para versões cover”, relembra Sumner. “De um certo modo, nós o fizemos”, diz Hook. “Nós aprendemos o riff, que foi o máximo que conseguimos fazer, e o usamos em ‘Interzone’”.

No lugar da versão cover, eles levaram cinco dias no estúdio com Searling gravando seu próprio material. As fitas, que mais tarde compraram de volta por £ 1 mil, foram virtualmente demos de seu primeiro álbum. Seu grande momento foi a contribuição de Martin Hannett à sua música: as estruturas e o clima distintivos já estavam lá, a música era completa. Mas a banda lutava contra a sua natural introversão. Eles não tinham restrições, o que mais tarde permitiriam que fervilhassem tão insidiosamente nas mentes dos ouvintes.

Hannett, que trabalhou como químico, trouxe sua obsessão por eletrônica para a mesa de mixagem. Caixas com os mais novos brinquedos de estúdio chegavam dos Estados Unidos. Enquanto o grupo ensaiava, Hannett os equipava. Ele os colocou na linha, indo contra a maré mixando a voz e a guitarra atrás do baixo e da bateria, dando uma definição eletronicamente reforçada às suas arestas irregulares. As primeiras gravações com ele na produção apareceram no EP A Factory Sample, de 1978. Um álbum, Unknown Pleasures, apareceu um ano depois. Esparso, estatuesco, monolítico, como uma vasta paisagem desolada, era musicalmente original e emocionalmente angustiante.

Com o single “Temptation”, lançado no ano passado, o New Order rompeu com Hannett e começou a produzir seus próprios discos. Foi uma decisão consensual, dizem eles, complicada pelo fato de que Hannett estava processando a Factory Records por causa do funcionamento da empresa do qual ele também era diretor (isso já teria sido resolvido fora dos tribunais). A banda não nega que aprendeu com ele.

“Desde cedo ele nos ensinou o que fazer”, diz Hook. “Aprendemos a real física da gravação com ele, apesar de que poderíamos ter aprendido isso com qualquer um. Afinal, não havia muito compromisso de ambos os lados”.

“Produzir nós mesmos nos dá mais satisfação”, acrescenta Sumner. “Sabemos o que queremos e podemos fazê-lo. Com Martin muitas vezes as músicas acabaram diferentes, às vezes melhores, às vezes não. Nós sempre sabemos como queremos que elas soem. A nossa forma de compor uma canção é a começar por improvisar na sala de ensaios. Em seguida, tocá-la ao vivo. Às vezes você não tem nenhuma letra então tudo o que você tem é um punhado de baboseiras. Então você ouve as fitas ao vivo, escreve mais algumas palavras, volta e ensaia um pouco mais. Pelo tempo que levamos para gravá-la dá para saber bem como vai ficar”.

“Nós gastamos uma quantidade enorme de tempo juntos aqui”, comenta Hook. “Mas nós somos preguiçosos. Nós nos sentamos aqui até que ficamos tão entediados que, de repente, surge uma ideia”.

Tipicamente, eles não sentem necessidade de quaisquer opiniões externas sobre sua carreira ou sua música. “Eu não acho que as pessoas estejam em condições de nos dar conselhos”, diz Hook. “Uma carreira é um futuro planejado”, afirma Stephen Morris. “Não há nenhum plano para o futuro.  Nós não fazemos o que achamos que vai dar certo. Nós fazemos o que queremos fazer”.

No entanto, eles confiaram a mixagem final e os overdubs de uma música chamada “Confusion” à Arthur Baker, produtor de Afrika Bambaataa e Rocker’s Revenge. “Confusion” foi escrita e gravada no estúdio de Baker em Nova Iorque em três semanas de fevereiro passado, após uma introdução feita pela Factory dos EUA. “É um experimento”, diz Hook. “Estamos em posição de fazer isso agora”. Um experimento sobre o qual parece haver alguma apreensão. “Isso é porque não o ouvimos ainda”.

(continua em um próximo post!)

 

NEWS | Sumner dá mais detalhes sobre próximo CD do New Order na Classic Pop Magazine

Screen-Shot-2015-05-21-at-17.11.04-216x300Na edição junho / julho da Classic Pop Magazine, do grupo editorial britânico Anthem Publishing, a coluna “The Godfathers of Pop” (trad.: Padrinhos do Pop) traz uma entrevista com o vocalista e guitarrista do New Order, Bernard Sumner, que revela mais um pouco sobre o próximo (e ainda sem título divulgado) álbum da banda, cujo lançamento está previsto para setembro/outubro deste ano. Na entrevista, além de ter confirmado o posto de Craig Silvey na mixagem, Sumner disse que, excetuando as faixas produzidas por Tom Rowlands (Chemical Brothers), a maior parte do disco foi produzido pelo próprio New Order – um bom sinal, haja vista que os melhores LPs do grupo foram justamente aqueles produzidos por eles mesmos. Além disso, o músico diz que a Mute Records, atual gravadora do New Order, quer um álbum de 10 faixas, mas que eles possuem algo entre 14 e 15 canções e que faziam questão de finalizar todas elas. Isso é um indicativo de que poderemos ter singles com b-sides e não apenas remixes, já que é pouco provável que o CD saia com quinze músicas. Apesar de ter sido publicada este mês, é possível notar que a entrevista foi feita algum tempo antes, pois o disco já está em finalização.

Informação adicionada às 16:15 (08 Jun 2015): fontes (que eu não posso revelar) afirmam que tiveram acesso a um remix de uma das faixas do novo álbum feito pelo DJ e produtor Andrew Weatherall, que já trabalhou com o New Order em outros singles como “World in Motion” e “Regret”. O título da canção não foi revelado, mas supõe-se que virá a ser o primeiro single a ser lançado e que não se trata de nenhuma das músicas já apresentadas ao vivo pela banda – “Singularity” e “Plastic”. Descreveram a faixa como sendo no estilo do Underworld. É esperar para ver…

Trazemos ao leitor do blog a entrevista traduzida e, também, o link de acesso à versão original em inglês.


O que inspirou o novo ábum?

Voltamos a fazer shows e eles foram ficando cada vez melhores. Estávamos curtindo tanto quanto o público, então o álbum parecia ser a próxima coisa lógica a fazer.

Você está satisfeito com os resultados obtidos até agora?

O álbum soa brilhante. Eu sou um homem muito modesto, se não fosse eu diria “é ok”. Mas estamos à vésperas de terminá-lo e com cerca de duas faixas e meia para escrever. Mixamos cerca de sete faixas, por isso deve estar concluído na primavera ou pelo outono, talvez setembro ou outubro.

Um número conciso de faixas então?

Na verdade nós temos cerca de 14 ou 15 faixas. A gravadora quer 10, mas eu tenho que terminar todas elas. Me incomoda não poder terminar algo. Se eu só fizer as 10 faixas, sei que isso vai me chatear pelos próximos 10 anos.

Em termos sonoros, o New Order teve fases diferentes. Com qual delas esse álbum se compara?

É mais eletrônico que os dois últimos. É [música] eletrônica bruta, mas com arestas sólidas, como a velha escola do New Order. Há um par de faixas de guitarras também, mas que realmente te espetam os olhos. Eu acho que vai surpreender as pessoas.

Com quem vocês trabalharam?

Tom Rowlands, dos Chemical Brothers, está envolvido em algumas faixas, mas a maior parte foi produzida por nós mesmos e mixada por Craig Silvey. Descobrimos que foi um processo agradável, embora tivéssemos trabalhado durante um longo período e em lugares diferentes.

O que inspirou suas letras?

Acho que as letras tendem a ser tanto sobre o amor quanto sobre queixas. Quando se é jovem, é tudo sobre retaliação e quanto a obter suas próprias coisas. Agora, as canções são sobre ter um dia de merda, como alguem bater no meu carro ou não conseguir uma ereção.

Escrever músicas é um processo diferente para você nos dias de hoje?

Sempre depende da música. Eu escrevo sobre a atmosfera, que é derivada da música. A música sempre vem em primeiro lugar, antes das letras.

Vocês apresentarão as músicas novas ao vivo antes do álbum sair?

Não, nós não estamos em turnê, porque estivemos tocando ao vivo nos últimos três anos, por isso este ano foi totalmente devotado à gravação do álbum. Em seguida, faremos uma pausa para recarregar nossas baterias. Mas podemos fazer algo no outono.

Como você se sente sobre a campanha recente para fazer da casa de Ian Curtis em Macclesfield um museu?

Eu estou dividido. Obviamente é bom para honrar Ian, mas outra parte de mim acha que é um pouco macabro. Para mim, é um local de tristeza.

Que música você tem ouvido?

Estou ouvindo o novo álbum do New Order, eu trabalho doze horas por dia nele, começando ao meio dia e terminando meia noite; nos finais de semana eu estou lá com a minha língua de fora. Eu me levanto, ando em linha reta até o estúdio, fico puto em torno das sete horas da noite e quando eu não posso mais beber eu vou para a cama. Que é cerca da meia noite. É como a vida de um estudante, mas com dinheiro.

Portanto, este é seu álbum alcoólico?

Eu bebo somente no trabalho. É o oposto de ser um policial. A bebida não me faz criativo, é apenas para me fazer esquecer de mim mesmo e essa é a essência da criatividade. Eu bebo vinho nesses dias, rosé ou branco. O tinto me faz sentir sede e cansaço, como se eu tivesse um prego de nove polegadas na minha cabeça.

Então, podemos esperar uma bebida oficial do New Order, ou uma garrafa de vinho barato, como fizeram Madness, ou Tony Hadley?

O mais engraçado é que nos propuseram algo assim. Não é o meu negócio, mas eu não estou descartando o meu próprio conjunto de roupa íntima ou fragrância.

Em breve será a vez do New Order receber o Lifetime Achievement Awards. Como se sente?

Eu não me importo. Eu fui convidado para dar um desses nos NME Awards recentemente e eu pensei que eles haviam dito Slade, mas na verdade disseram Suede. Eu tive que reescrever meu discurso – eu estava esperando Noddy Holder. Mas o Suede é uma banda muito boa.