NEWS | New Order na América do Sul? Sim!

NewOrderPara2Eu “cantei a pedra” aqui no blog: havia alguns indícios de que o New Order poderia vir à América do Sul ainda este ano, talvez em novembro. Não deu outra: a banda realmente passará por estas bandas com a turnê do álbum Music Complete. O “anúncio” saiu da boca do casal Gillian Gilbert (teclado, guitarra) e Stephen Morris (bateria) em uma entrevista concedida à EITB (Euskal Irrati Telebista), emissora de TV estatal do País Basco, nos bastidores do festival BBK Live, em Bilbao (Espanha), no qual se apresentaram no dia 07 de julho. Na entrevista, publicada na página da EITB no You Tube (ver abaixo), a dupla teve que responder típicas perguntas clichês do tipo “o que vocês acham de Bilbao?”; mas quando foram questionados sobre os planos para o “futuro próximo”, Stephen Morris respondeu: “Prosseguiremos com os festivais… Em seguida, sairemos de férias por algumas semanas. E depois daremos uma passadinha pela América do Sul”. Naturalmente, não disseram nada sobre quais cidades, nem sobre as datas etc. Vale ressaltar que os shows da atual turnê vêm recebendo elogios da imprensa especializada pelo mundo afora – aqui mesmo no blog já publicamos traduções de algumas resenhas. E eu, por experiência própria, vi uma bela amostra em Paris no ano passado. Então, que a América do Sul prepare o seu calor para receber o New Order mais uma vez!

O blog agradece Marcello Dourado e ao Josué “Mr. Disco” pelo envio do vídeo.

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NEWS | New Order: “Disco novo? Pode ser.”

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Imprensa da Catalunha deu destaque à participação do New Order no Sónar 2016.

Já que mencionamos o festival Sónar no nosso último post, aproveitamos a ocasião para trazer ao leitor deste blog o que a imprensa catalã andou publicando sobre a passagem recente do New Order por Barcelona por ocasião do seu maior e mais importante evento de música eletrônica e arte digital. Eu trouxe, direto do site do jornal El Periodico, uma entrevista com Bernard Sumner e Gillian Gilbert feita por Juan M. Freire e publicada no dia do show do New Order no Sónar (sábado passado, 18 de junho) e a crítica do concerto, escrita Jordi Bianciotto e publicada no dia seguinte – ambas já traduzidas. Na entrevista com Freire, nada de muito novo ou diferente, com exceção de uma menção muito, mas muito breve mesmo, sobre o segundo disco do Bad Lieutenant (projeto solo de Sumner), e, também, sobre a (eventual) possibilidade do New Order vir a fazer um outro álbum. Já a crítica feita por Bianciotto destaca as qualidades da atual versão da banda – das “vantagens” de se ter Gillian Gilbert no lugar de Peter Hook à recém-conquistada “grandiosidade sinfônica” de sua música.


NEW ORDER: “UM DISCO NOVO? PODE SER.”
Histórico grupo de dance-rock se apresenta esta noite no Sónar
(por Juan Manuel Freire)

Se olharmos para a cronologia do New Order, a linha é qualquer coisa, exceto reta. O histórico grupo de dance-rock que emergiu das cinzas do Joy Division passou por diversos parênteses; o último foi de 2007, quando o baixista Peter Hook deixou o grupo, a 2011, quando os membros restantes decidiram continuar sem ele – trazendo de volta à banda a tecladista Gillian Gilbert. O El Periódico falou com o seu líder, Bernard Sumner, e com a reincorporada Gilbert, sobre segunda juventude, questões legais e o que faz do New Order um nome tão estimado. A banda toca hoje no Sónar, depois de ter participado, na última quinta-feira, do evento de inauguração patrocidado pela [cervejaria] Estrella Damm.

Como foi, cinco anos após seu último concerto, tocar novamente como New Order, mas com uma nova formação?

SUMNER – O primeiro concerto que nós fizemos foi em Bruxelas. Foi um pouco assustador. Nós não sabíamos se as pessoas aceitariam a nova formação do grupo. Mas depois de dez minutos, nós vimos que tudo sairia bem.

GILBERT – Para mim também foi aterrorizante. Foram doze anos desde a última vez que eu havia tocado ao vivo.

SUMNER – Mas é um pouco como andar de bicicleta…

Um dos momentos mais emocionantes da reunião é quando Gillian toca guitarra durante “Ceremony”, o primeiro single.

GILBERT – É tão emocionante tocar essa música. Ela me leva aos velhos tempos.

SUMNER – É uma pena eu não ter mais a mesma guitarra [usada na época em que a música foi gravada]. Eu gostava mais da antiga! [risos]

Vocês passaram anos dizendo que não era possível reunir a banda. Quando foi que isso se concretizou?

SUMNER – Bem, não é uma reunião… é uma continuação, porque [o New Order] nunca acabou. Em nossas mentes é mais uma continuação do que uma reforma [na banda]. Provavelmente não continuaríamos por causa das questões jurídicas que existiam por trás. Antes de continuarmos era preciso pisar em uma base legal firme.

Estão se saindo melhor agora em comparação com, digamos, 2005?

SUMNER – Sim. É divertido. Tudo está mais fácil.

GILBERT – Nem queríamos planejar uma grande turnê antes de fazer alguns concertos. Não sabíamos como as pessoas reagiriam.

SUMNER – Mas como correu tudo bem, decidimos seguir em frente.

GILBERT – A melhor coisa é que não havia nada para promover, então fizemos tudo por diversão.

Falando em disco… Há um novo disco do Bad Lieutenant [projeto paralelo de Sumner com os membros masculinos do New Order atual] no caminho…

SUMNER – Eu comecei a trabalhar nele, mas agora está em segundo plano. Não posso falar nada sobre o Bad Lieutenant.

Na verdade eu estava interessado em saber se, além disso, é possível que haja um novo álbum do New Order.

SUMNER – Um novo álbum? Acho que sim. Talvez. Mas este ano vamos tocar [ao vivo] até novembro, por isso vai ser difícil. Poderíamos considerar algo então, quem sabe.

Vocês andaram recuperando um material incomum ao vivo, como “Age of Consent” e “5-8-6”. Há algum motivo em particular para essas escolhas?

SUMNER – Fazia muito tempo que não tocávamos em lugares como Viena e as pessoas lá tinham o direito de ouvir os temas mais familiares, como “Blue Monday”, “Temptation” etc. Mas eu também queria satisfazer o fã incondicional e tocar algumas canções um pouco mais obscuras.

O que vocês escutam hoje em dia? Vocês tentam se manter atualizados?

SUMNER – Me fazem muito essa pergunta e, sinto decepcioná-lo, mas não ouço muita música. Eu trabalho o dia todo com música e quando eu me desligo, prefiro ler um livro ou assistir TV, ou fazer algum tipo de trabalho manual. Mas eu gosto do Arcade Fire.

GILBERT – Eu só ouço o que minhas filhas escutam; o problema é ser mãe. Mas eu gosto de Lana Del Rey.

Suponho que saibam que o New Order ressoa em um de cada cinco novos grupos.

SUMNER –  É melhor ser lembrado do que ser esquecido. Além disso, continuamos ativos, fazendo shows.

O que faz do New Order uma banda tão querida? Suas canções são uma experiência transcendente para muitas pessoas.

SUMNER – Eu acredito que é o fato de sermos muito humanos…

GILBERT – Não somos nada pretensiosos. Qualquer um pode embarcar no nosso conceito.

SUMNER – Além disso, fizemos muita merda no passado, o que nos faz humanos.

(entrevista original em catalão AQUI)


NEW ORDER: LITURGIA E CELEBRAÇÃO
O grupo de Manchester ofereceu um inflamado culto aos seus clássicos dos anos 80
(por Jordi Bianciotto)

Seu novo álbum, Music Complete, o primeiro com canções novas em uma década, permite que o New Order passeie pelos festivais como algo mais que uma banda revival, ainda que, no final de contas, o que interessa é escutar os clássicos dos primeiros indies de Manchester e palpar o que ainda resta de pé do legendário Joy Division. Dessa maneira, o New Order continua dando ao público o que ele quer, procurando de modo dramático o ponto de equilíbrio entre sua proverbial sobriedade e seu lado festeiro.

De certo modo, quem sabe saímos ganhando com a substituição de Peter Hook por Gillian Gilbert, já que, ainda que tivéssemos sofrido a perda de seu baixo guerreiro nos instantes finais de “Bizarre Love Triangle” na noite de sábado, sua presença de palco tende a uma certa “euforia hooligan” incompatível com as relíquias sagradas da primeira fase da Factory; em contrapartida, a volta da tecladista trouxe a banda de volta à sua essência eletrônica. Esse New Order de 2016 continua com muitas guitarras (Phil Cunningham está no grupo há quinze anos), mas também com sintetizadores e programações; o som final é uma versão grandiosa, sinfônica, do New Order clássico (mais frugal) da década de 1980.

Repertório encurtado: Canções da nova safra foram orgulhosamente apresentadas ao público – “Singularity”, “Restless”, “Tutti Frutti” e “Plastic” desfilaram com dignidade e, embora venham a ser esquecidas quando a banda sair em turnê em 2020, deram [ao concerto] um fino perfil pop à maneira de outros dois singles do New Order neste novo século, “Crystal” e “Waiting for the Sirens’ Call”. O show foi um pouco mais curto que os demais da turnê e fizeram falta músicas como “Ceremony” e “Love Vigilantes”, embora “Your Silent Face”, o midtempo eletrônico de Power, Corruption and Lies (1983), tenha sido mantida.

A reta final saiu como o previsto, com poucas mudanças em relação às turnês anteriores. Mas por que continuam ignorando um disco tão importante como Technique, de 1989? Isso já era de se esperar, mas não desprezemos “The Perfect Kiss”, “True Faith” (recriada ao estilo techno), a hipnótica “Temptation” e uma das canções mais influentes do pop, “Blue Monday”, com sua cadência robótica, um monumento à emoção através da frieza.

Tampouco deixemos de lado “Love Will Tear Us Apart”, envolta em uma atmosfera de celebração (com direito a “Forever Joy Division” no telão), expansiva até demais, com o clima de festa se impondo à sua natural melancolia – longe de Ian Curtis.

SET LIST SÓNAR BARCELONA 18 JUN 2016
Singularity
Crystal
Restless
Your Silent Face
Tutti Frutti
Bizarre Love Triangle
Waiting for the Sirens’ Call
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Temptation
Blue Monday (encore)
Love Will Tear Us Apart (Joy Division, encore)
[Run. time: 1h30min.]

(crítica original em espanhol AQUI)

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NEWS | “Drama? Que drama?” New Order fala à Magnet

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New Order

Com uma mãozinha da turma do fórum Dry 201 Message Pub, chegamos a essa matéria/entrevista sobre o New Order e o novo álbum, Music Complete, fisgada na seção Features do site da revista Magnet (especializada em pop/rock alternativo). Na conversa com Neil Ferguson, dá para perceber o quanto a banda passa bem longe da baixaria quando o assunto é Peter Hook; o mesmo não se pode dizer de Hook quando o tema é New Order.

Quem se surpreender com a declaração de Bernard Sumner quando ele diz que gostaria que a história da banda tivesse sido menos interessante certamente não se imaginou no lugar dele e dos outros quando eventos como o suicídio de Ian Curtis, a falência da Factory Records ou os rios de dinheiro que escorreram pelos ralos da Haçienda tiveram lugar em suas vidas.

Bom, deixemos de lado a enrolação e, mais uma vez, espero que o leitor goste da humilde tradução.


NEW ORDER: O JEITO MANCUNIANO
O New Order se orgulha de ter sobrevivido a todos os vícios e passos em falsos pelos quais foram conhecidos

“Drama? Que drama? Não houve drama algum. Nós tivemos, sim, três anos ótimos. Passamos bem longe do drama, para ser honesto. Não é tudo perfeito sempre, o que não seria realista, mas na maior parte do tempo tem sido ótimo”.

Bernard Sumner, antigo guitarrista do Joy Division, depois líder do New Order, está se referindo a Music Complete, o primeiro álbum de material novo em dez anos. Sumner é completamente seco e calculista em suas respostas – o oposto do baterista Stephen Morris, que é espirituoso, amável e vagamente confuso -, mas torna-se animado quando Magnet tem a ousadia de sugerir que pode ter havido certo grau de drama devido à saída do baixista Peter Hook e as subsequentes e muito confusas acusações públicas que vieram à tona através da imprensa musical. Mas por agora Sumner não tem nada a declarar sobre isso e faz questão de salientar o quão relativamente indolor foi fazer o novo ábum.

O próprio fato de que Music Complete foi concluído parece nada menos que um pequeno milagre. Afinal, não faz muito tempo que Morris disse ao The Guardian que ele não via futuro para o New Order e que estaria tudo acabado. Mas então o que aconteceu? O que aconteceu foi que o ex-produtor de vídeos e ex-chefe da Factory Records nos EUA Michael Shamberg ficou gravemente doente, e a banda – reunida com a tecladista Gillian Gilbert – se juntou para um show beneficente a fim de cobrir os custos médicos de Shamberg. “E tudo correu bem”, diz Sumner. “Ninguem parecia se importar que não havia Hooky e a coisa é, se você estiver em uma banda, a próxima coisa que você faz é escrever um novo material. E foi o que nós fizemos”.

O resultado é Music Complete. De longe, ele é bem mais eletrônico que os últimos discos – uma decisão deliberada, diz Sumner, em grande parte sugestão de Gillian – e conta com a participação de nomes como Brandon Flowers (The Killers), Elly Jackson (La Roux) e Iggy Pop, que soa apropriadamente como uma espécie de pregador em um poema musicado de Sumner intitulado “Stray Dog”. Convidados à parte, ainda é quintessencialmente um álbum do New Order, com tudo o que isso implica: pop perfeito que contorna a linha tênue entre o sublime e o ridículo. Há ecos de Giorgio Moroder, Yello e Chic. Há grooves propulsores, musculares, elegantes, furtivos e sensuais (“Singularity”, “Plastic”). Há momentos de brilho transcendente (“Nothing But a Fool”, “Academic”) nos quais a banda confronta os aspectos robóticos e frios da música eletrônica com temperamentos como melancolia e generosidade romântica, algo que por muito tempo têm sido características do melhor New Order.

Às vezes há uma sensação persistente de que a banda persegue o seu próprio passado. Pode até não alcançar as alturas vertiginosas de, digamos, um Technique (álbum de 1989), mas Music Complete ainda é muito mais atraente do que qualquer um poderia ter razoavelmente esperado. Quanto aos obstinados dissidentes reclamando sobre a ausência de Peter Hook e sua patenteada teatralidade barata? Não espere muita simpatia por parte de Morris.

“Bem, não é New Order sem Gillian?”, ele pergunta. “Ninguem se importava com isso. Seria New Order sem mim? Seria New Order sem Bernard? Posso entender por que algumas pessoas se sentem assim. Sempre existe alguem que diz: ‘bem, isso é errado’. Você tem apenas que seguir em frente. Não há nenhuma resposta para isso, realmente. Quero dizer, nós poderíamos ter dito ‘oh, não há nada em vista’, o que parece idiota depois de termos passado pela perda de um vocalista e, mesmo assim, termos escolhido continuar. Simplesmente não parecia certo”.

Sumner, por sua vez, parece muito mais otimista com relação a todo ar confuso; ele não quer “apontar um dedo”, mas admite que, no estúdio, foi tudo muito menos tenso sem seu antigo baixista. “Quando Hooky ainda estava conosco, era como se houvesse ratos em uma cama”. Ele está ansioso para falar sobre o retorno de Gillian e suas contribuições. “Ela era uma influência calmante?”, diz Sumner. “Não, não, eu não diria isso. Ela é muito mais uma colaboradora”.

O que diz Morris? “Que diferença faz? Para mim significa que o chá não estava sobre a mesa quando eu voltava do trabalho para casa! [Risos] Oh, Deus, isso é uma coisa terrível de se dizer. Ela certamente vai me dar um tapa!”.

Mais do que tudo, continua sendo uma coisa maravilhosa apenas o fato de ainda termos o New Order por aí. Eles passaram por morte, drogas, bebida, a beira da falência e o colapso da gravadora – e sobreviveram com a sanidade e o senso de humor intactos. A história deles é um grande drama-comédia-tragédia, mas eles continuam imperiosos, inescrutáveis e frios, quase nortistas profissionais, com um detector de baboseiras embutido que faria os sem talento morrerem de vergonha. Em suma, quer se goste ou não, eles deveriam se tornar tesouros nacionais britânicos. Que é algo com o qual Sumner consegue viver.

“Tem sido uma estrada rochosa, isso é certo”, ele diz com considerável modéstia. “O que contribui para uma história interessante – eu gostaria que tivesse sido um pouco menos interessante, para ser honesto. Mas eu prefiro ser chamado de ‘Tesouro Nacional’ do que de merda”.

– Neil Ferguson

NEWS | Gillian Gilbert volta a soltar sua voz em single de dupla dance

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Novo single do Koishii & Hush terá participação de Gillian Gilbert nos vocais

Essa notícia é para aqueles que se tornaram fãs incondicionais da voz da tecladista do New Order: Gillian Gilbert será a vocalista convidada no próximo single da dupla anglo-canadense de produtores dance Koishii & Hush, intitulado “Lifetime”. Previsto para ser lançado no dia 03 de fevereiro, “Lifetime” tem tudo para matar a saudade do público, que não tem uma amostra de Gillian ao microfone desde Superhighways (1999), o segundo e derradeiro álbum do The Other Two (“os outros dois”), projeto que ela mantinha paralelamente ao New Order ao lado de Stephen Morris, maridão e também baterista da banda. Vale lembrar que antes do The Other Two a tecladista (que também é guitarrista) já havia mostrado sua voz em algumas faixas de seu grupo titular, como “Doubts Even Here”, de Movement (1981), e “Avalanche”, de Republic (1993).

A dupla Koishii & Hush é formada por Simon Langford, ex-integrante do Dreamcatcher e do SoulSeekers, e Alex Sowyrda. Eles já produziram remixes para uma série de artistas, como Mick Jagger, Erasure, Yazoo, Danny Elfman, INXS e Fuzzbox. Em seus singles autorais, eles costumam ter convidados nos vocais, a exemplo de Sarah Blackwood, do Dubstar (em “Rules and Lies”), e John Taylor, baixista do Duran Duran (“C’est Tout Est Noir”). Snipets (pequenos trechos) de “Lifetime” e seus remixes, mas sem os trechos vocais de Gillian, já podem ser ouvidos no site da Amazon inglesa. E para quem nunca ouviu a Sra. Morris soltar o gogó, segue abaixo uma amostra:

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NEWS | Tecladista do New Order revela músicas que estarão na turnê

new_orde2Gillian Gilbert, a tecladista do New Order, tem sido bastante requisitada para entrevistas nestes poucos dias que antecedem o lançamento de Music Complete, o décimo álbum de estúdio da banda. No último dia 11 de setembro ela falou com Bill Pearis, editor do site Brooklyn Vegan. Nessa entrevista, Gillian falou de vários assuntos: de como foram escritas algumas canções do novo disco, sobre os ensaios para a turnê que começa em novembro, sua reintegração ao New Order, tecnologia musical, entre outros. Mais uma vez, nosso blog quebrou um galho e traz uma tradução para o português. Boa leitura!


Uma entrevista com Gillian Gilbert, do New Order, sobre o reingresso na banda, o novo LP, Mute Records e muito mais.
por Bill Pearis

O novo álbum do New Order – Music Complete – será lançado no dia 25 de setembro e representa uma série de “primeiros”. É o primeiro disco sem o baixista Peter Hook e o primeiro na nova gravadora, Mute Records. É também o primeiro em quatorze anos a contar com a tecladista Gillian Gibert. Casada com o baterista Stephen Morris (eles têm feito música juntos como a dupla The Other Two), Gilbert saiu da banda durante a produção de Get Ready, de 2001, para cuidar de sua filha. Quando o grupo, com excessão de Hook (que os deixou no final dos anos 2000), foi reformado para shows beneficentes em 2011, Gilbert voltou (a nova formação excursionou pela América do Norte em 2013). Seu regresso também celebra um retorno do New Order às pistas de dança, já que Music Complete é carregado de faíscas do synthpop que marcou algumas de suas canções mais amadas. Com 65 minutos, é também o seu maior álbum de estúdio até esta data.

A Mute vem mantendo Music Complete guardado a sete chaves, com exceção do primeiro single, “Restless”, mas os novaiorquinos poderão ouvi-lo antecipadamente em uma festa de audição no dia 24 de setembro, no Donna. Além de poder ouvir o álbum na íntegra, você também poderá comprar o vinil na mesma noite e haverá cocktails temáticos do New Order. Será livre para maiores de 21 anos, mas a capacidade é limitada.

Em uma pausa nos ensaios da banda na casa de campo / estúdio dela e de Morris em Cheshire, Gillian Gilbert falou sobre estar de volta ao New Order, os planos da turnê, o processo criativo da banda e muito mais.

BV: Então, o que você vem fazendo hoje? Entrevistas como esta?

GG: Não, nós estamos em casa, passamos o dia todo ensaiando no estúdio. Acabamos de terminar, então estamos enrolando agora.

BV: Como estão indo os ensaios?

GG: Estão indo muito bem! Começamos esta semana porque temos um programa de rádio ao vivo que vamos fazer para a BBC daqui há três semanas. Nós não tocamos juntos ao vivo há um ano, por isso é muito estranho aprender tudo de novo. É como “oh, meu Deus…” [risos]

BV: Não apenas reaprender as músicas antigas, mas também tentando descobrir como tocar as músicas novas ao vivo.

GG: Sim, é isso. Nós temos três favoritas que estamos tentando aprender. Está tudo saindo bem.

BV: Quais são as três músicas novas que vocês estão ensaiando?

GG: Nós estamos ensaiando “Restless”, “People on the High Line” e “Tutti Frutti”. E também “Singularity” e “Plastic”, que também estão no [novo] álbum, mas que já havíamos tocado na nossa última turnê. Mas é tudo muito novo ainda.

BV: Aos meus ouvidos, “Tutti Frutti” é o hit do álbum. Seria a minha escolha para o próximo single.

GG: É curioso… [risos] Eu acho que essa é a favorita de todo mundo. É muito irônica e engraçada.

BV: É Bernard personificando Barry White novamente, como em Technique?

GG: Ele fez seu Barry White em “Fine Time”, mas dessa vez não foi ele quem o fez em “Tutti Frutti”. Foi alguem que o Tom Rowlands conhecia de seu trabalho com o Chemical Brothers. Bernard pegou a faixa e disse “não seria bom se tivéssemos alguem falando em italiano sobre ela?”. Então Tom chamou esse cara que ele conhecia. Depois ele tocou a faixa para nós e ficou tão bom que o mantivemos na gravação. Nós não sabemos quem ele é, mas estou muito interessada em conhecê-lo.

BV: Tenho que admitir que a abertura dessa música, a linha de baixo, me lembram “Relax”, do Frankie Goes to Hollywood.

GG: Sim, eu sei. [risos] Inclusive pensamos em fazer algumas camisetas iguais às deles. Talvez tenhamos o mesmo sucesso. Que nada, a deles é imbatível.

BV: Você está de volta à banda a cerca de quatro anos. É como se você nunca tivesse saído?

GG: Não parece que foi há tanto tempo. Mas tem sido algo muito divertido, no entanto. Comparado com quando eu saí do New Order, tem um novo frescor. Todo mundo parece maduro nessa nova formação. Estamos fazendo as coisas a pequenos passos de cada vez. Quando recomeçamos, não sabia como as pessoas iriam reagir. Nós fizemos os shows beneficentes em 2011 para saber como nos sairíamos. Com a saída de Hooky realmente ficou um grande buraco. Mas tem sido muito emocionante e muito libertador. Quando nós saímos em turnê em 2013 não tínhamos  um novo álbum ou algo para promover. Foi um pouco como começar de novo. Agora temos uma gravadora… as coisas mudaram. Não era como voltar para o velho New Order. Eu achava que era hora de voltar. Eu realmente sentia falta. Eu havia feito muitas coisas, mas não classificaria como material da banda. Tem sido divertido voltar a me concentrar na música e na banda.

BV: Quando eu vi o show do Brooklyn em 2013, todos pareciam estar se divertindo mais do que quando eu vi o New Order no Hammersmith Ballroom, em 2006, que não contava com você, mas você sabe o que eu quero dizer.

GG: Eu realmente não sei muito sobre o que aconteceu com Hooky, mas assisti shows anteriores e Bernard me disse que ele não estava muito bem e que a atmosfera não era muito boa. Mas eu acho que quando você olha para nós agora pode dizer que a atmosfera na banda é bastante diferente.

BV: Outra grande mudança, eu acho, é a tecnologia, que é muito diferente, mesmo a partir de Get Ready. Presumo que tenha mudado a maneira de compor e gravar.

GG: Acho que tem muito a ver com isso [a tecnologia]. Nossos próprios pequenos estúdios têm evoluído e não precisamos mais trocá-los por um grande estúdio. Eu me lembro quando fizemos Get Ready, eu ainda estava na banda, e minha filha começava a escola em setembro. O resto da banda estava indo para o estúdio para gravar todas as partes de bateria e mais algumas coisas e eu realmente não queria ir. Mas está tudo mudado agora. Nós fizemos a maior parte deste álbum em nosso próprio estúdio, porque a tecnologia é muito melhor. Existem plug-ins e todas essas coisas. Nós fizemos um monte de coisas em casa que antes não se podia fazer. Isso lhe dá um pouco mais de liberdade para fazer algo diferente. Eu me lembro que no início do New Order, quando nós tínhamos um novo sintetizador ou um novo sequenciador, era preciso explorá-los até o limite, descobrir como funcionavam, e as canções foram criadas dessa forma. Eu acho que era um pouco desse jeito. Agora Bernard pode ir para casa, trabalhar nas letras e nos vocais e só depois trazê-las para o nosso estúdio para colocá-las sobre a música. Há muita novidade acontecendo hoje e que não existia antes no New Order. Nós costumávamos improvisar bastante. Agora podemos levar uma parte gravada para casa, pensar sobre ela, mudar os acordes e depois apresentar o que foi feito. Acho que foi com Tom Rowlands que ficamos todos juntos, trabalhando assim. Porque eu e ele nunca tínhamos trabalhado juntos antes, então foi bom ter ele por perto no início do LP. Ele compôs “Singularity” conosco e nós realmente gostamos dessa faixa. Havia também “Unlearn This Hatred”, que ele e Bernard haviam começado a trabalhar nas letras e nos vocais. Stephen e eu a levamos para casa, mudamos alguma coisa e tínhamos uma par de ideias para trilhas sonoras. Era mais interessante trabalhar nele [o novo álbum] dessa forma, todo mundo trouxe algo para ele. Todos esses pequenos bolsões de ideias que se juntavam.

BV: Vocês reformularam algumas de suas músicas antigas quando saíram em turnê em 2013.

GG: Nós não queríamos parecer retrô e apenas tocar os clássicos. Queríamos, sim, ver se poderíamos fazer algo novo. Os fãs sabem quando você está apenas regurgitando coisas. Tivemos também esses remixes que o Stuart Price fez para algumas canções antigas e nós incorporamos esses arranjos ao vivo. Deu um novo frescor tocar [ao vivo] a perspectiva de outras pessoas sobre as nossas músicas. Nós gostaríamos de fazer mais [esse tipo de coisa] quando começarmos a turnê desta vez.

BV: O arranjo de “5-8-6” que vocês tocaram no Brooklyn era de Stuart Price?

GG: Sim. E foi dele a ideia de abrir o show com “Elegia”, criando uma atmosfera muito agradável. Era um começo inesperado para o show.

BV: Há alguma música que nunca faz parte do set list do New Order e que você gostaria que entrasse?

GG: Sim, claro. Nós tentamos “Thieves Like Us” uma vez, porque eu realmente gosto dessa, mas a questão é a seguinte: Bernard tem um bocado de coisas para cantar e antigamente não era um problema para ele subir [a voz] uma oitava. Agora ele não faz mais isso, sua voz soa mais contida. Particularmente, eu adoraria revisitar Movement. Na época era algo para se deixar na prateleira, mas eu acho que ele soa muito bom hoje em dia. “Procession” eu sempre gostei. Estamos tentando arrastar um pouco mais [do material antigo] para fora [risos]

BV: Estou sempre a espera de ouvir “Dream Attack”, que encerra Technique.

GG: Ah, sim, eu adoro essa também. Nós a tocamos bastante na década de oitenta e no ínicio dos anos 90. Mas eu acho que o Bernard não gosta muito dessa música. “Ela não tem um refrão!” e eu digo “E daí?!”. Os demais membros da banda gostam dela. Vou tentar colocá-la na lista.

BV: Eu gostaria de falar um pouco mais sobre composição. Existe uma mística em torno do New Order, eu nunca estive realmente certo sobre quem compôs o que ou como. Então eu queria saber se você poderia me dar um exemplo de uma ocasião em que uma música do New Order começou com você.

GG: No comecinho, nós costumávamos improvisar um bocado. Mas, em seguida, Bernard entrou com os sequenciadores e veio com algumas linhas de baixo. Quando eu entrei eu não sabia como compor canções e foi completamente fascinante ver como os outros três improvisavam e gravavam tudo. Nós registrávamos tudo em um gravador barato de dois canais, por isso, quando você ia ouvir o resultado, o som não era puro, não era possível diferenciar os instrumentos. Era apenas um som geral que sugeria as notas musicais. Eu me lembro de ter feito a linha de baixo de “Age of Consent” – eram apenas duas notas, mas você pensa “yeah!”. Eu estava tão orgulhosa dessas duas notas. Bernard e Stephen estavam realmente nessa da tecnologia e eu costumava tocar as coisas que Bernard me pedia, porque não havia um sequenciador que pudesse tocar muitas pistas. Então eu tive que aprender a tocar com precisão, fingindo ser um sequenciador, o que foi uma façanha em si. Não há muitas pessoas que podem fazer isso.

BV: Você era o sequenciador humano e Stephen a bateria eletrônica humana.

GG: Ele realmente era assim no começo. Como a tecnologia ficou melhor, você pode fazer mais coisas, mas eu ainda acho que se você tiver uma ideia muito boa, tudo pode girar em torno de duas notas. Como, por exemplo, em “Restless”. Nós fizemos a introdução no piano e, em seguida, Phil [Cunningham, guitarrista] e Tom [Chapman, baixista, substituto de Peter Hook] fizeram o resto, completamente, em cerca de dez minutos. Apenas dissemos “vamos colocar mais um pouco aqui e ali” e, depois, mostramos para o Bernard. Ele adorou e fez os vocais. Mudamos alguma coisa, mas era um lance rápido. Nós tínhamos uma introdução para “Unlearn This Hatred”, mas não se encaixava perfeitamente. Eu sempre gosto de começar com um padrão de acordes, embora, às vezes, eles acabem por se perder e algo novo é colocado por cima.

BV: Nos anos em que esteve fora do New Order você compôs músicas que ficaram guardadas?

GG: Stephen e eu fizemos um pouco de trilhas sonoras, o que é bom porque você não está tentando escrever canções; na verdade, está tentanto agradar o diretor. Assim, você pode fingir ser outra pessoa. Nós fizemos música para um especial da série de mistério Cracker em 2006 que foi todo filmado em Manchester e era como um filme de longa metragem. Na trilha havia uma música do Kasabian. Primeiro nós tentamos copiar o riff do Kasabian, mas não era possível porque há centenas de guitarras, por isso viemos com nosso próprio pequeno pedaço de música que tinha uma sensação semelhante. Por essas coisas você trabalha muito rápido e não tem tempo para pensar. Portanto, temos todos esses “temas” que coletamos. Então, quando nós estávamos com o The Other Two nós apenas pegávamos esses temas e tentávamos transformá-los em canções. E foi assim que “Stray Dog”, que é a música em que Iggy Pop faz um trecho de letra falada, veio a ser. Ela não mudou muito a partir do tema que tinha sido feito. É bom porque lhe dá uma vibe diferente. Isso não é o tipo de coisa ao qual você normalmente chega se estivesse sentado em frente a um computador.

BV: O New Order estará em turnê em novembro – quando vocês estão planejando voltar à América do Norte?

GG: Nós não temos tudo planejado ainda, mas deve ser em algum momento de 2016. Nós queríamos fazer uma turnê antes do Natal, mas que fosse perto de casa. Nos procure no ano que vem.

BV: E, finalmente, você acha que Tony Wilson teria imaginado o New Order assinando com a Mute, que certamente foi uma gravadora rival nos anos oitenta?

GG: Eu acho que ele ia adorar. Eu acho que escolher a Mute foi um aceno para ele. Ela [a Mute] era como a Factory, só que muito bem sucedida. [risos] Eu sei que isso é algo muito feio de se dizer, mas acho que é isso que o Tony estava tentando fazer. Ele queria um selo idependente bem sucedido. Eu realmente acho que teria adorado. E nosso [ex-]empresário, Rob Gretton, teria gostado também.

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NEWS | Folha elogia “Music Complete”: “é puro New Order”

CNfNRrHUYAAb3Z3Hoje um dos maiores jornais em circulação no país, a Folha de São Paulo, trouxe o New Order na capa do suplemento “Folha Ilustrada”. A matéria, intitulada “Música (In)Completa”, tratava do novo rebento da banda, Music Complete, cujo lançamento está programado para o dia 25 deste mês. Dividida em duas partes, a matéria da “Ilustrada” traz uma entrevista com a tecladista Gillian Gilbert, concedida por telefone a Claudia Assef, e uma resenha/crítica do novo álbum assinada por André Barcinski. No bate-papo com Assef, Gillian explicou o significado do título do disco (“você ouve as faixas e elas soam como uma coleção completa do New Order… queríamos recriar a atmosfera que permeava os discos antigos, só que tudo de uma vez”), como é a sensação de gravar um CD sem Peter Hook, com quais discos antigos do New Order ela compara o novo trabalho (“acho que com Technique e Power, Corruption and Lies, são faixas muito diretas”) e como o grupo escolheu as participações especiais que marcam ponto no álbum (Music Complete conta com reforços atuais e do passado, como Elly Jackson, Brandon Flowers e Iggy Pop). No final, ainda soltou, talvez sem querer, uma excelente notícia para os brasileiros: “não sei se podia falar, mas em 2016 iremos ao Brasil”. Já a resenha de Barcinski praticamente navegou pela mesma correnteza por onde trafegaram também os críticos da MoJo, da Uncut e da Q Magazine: o jornalista classificou o disco como “muito bom” (o que equivale a duas estrelas, em um sistema de ranqueamento cuja nota máxima são três). Para André, “a banda continua imbatível na arte de gravar músicas que funcionam tanto na pista quanto no palco” (sobre “Restless” e “People on the High Line”). O crítico diz ainda que

“O disco não aponta nenhum caminho novo ou diferente para o New Order, e nem precisaria: a banda é uma das grandes inovadoras do pop rock dos últimos 35 anos e praticamente escreveu o manual de como agradar simultaneamente a fãs de rock e de música eletrônica. Music Complete não vai mudar a música, como ‘Blue Monday’ fez em 1983, mas é puro New Order, e isso basta”.

Enquanto isso, os fãs continuam de dedos cruzados…

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OPINIÃO | O “Fator Gillian”

new_orde2Num show do New Order no Troxy, Londres, no dia 10 de dezembro de 2011, o terceiro da banda após sua controversa “reforma”, os fãs na plateia cantavam “Gillian! Gillian!” para dar as boas vindas à hoje Sra. Morris. A última vez que ela havia se apresentado ao vivo na capital inglesa com o New Order foi no Alexandra Palace, na virada do ano de 1998 para o de 1999. Mas esse mesmo coro já havia acontecido uma semana antes, no Brasil, durante a apresentação da banda na edição nacional do Ultra Music Festival. Nesse caso, fazia 23 anos que os brasileiros não recebiam a tecladista com o New Order em palcos daqui (em 2006 o grupo veio com Phil Cunningham em seu lugar).

Apesar de suas conhecidas timidez e discrição, de algum modo Gillian Gilbert conseguiu se fazer notar, pois manifestações como essas, em razão de seu retorno à banda após quinze anos sabáticos (ou quase), mostram que os fãs lhe reservaram um lugar especial em seus corações. Todavia, enquanto Gillian esteve fora, nunca se ouviu ou se leu que o New Order não era mais New Order sem ela como hoje se costuma dizer com relação à saída do baixista e membro-fundador Peter Hook. Inclusive hoje, quando a mídia impressa e on line dedica algumas linhas ao novo álbum do New Order – Music Complete, a ser lançado no dia 25 deste mês – diz-se sempre que será o primeiro disco da banda sem Hook em vez de se dizer que será aquele que celebrará a volta de Gilbert.

A explicação mais básica e rasteira para isso seria a força de um certo machismo ainda persistente no meio roqueiro. Essa resposta é tentadora e converge com a atual onda politicamente correta que infecta a opinião pública na atualidade. Mas no caso específico do New Order, essa diferença de tratamento teria outras causas. A primeira delas é que Peter Hook seria um “membro original” do New Order e, assim como Bernard Sumner (voz e guitarra) e Stephen Morris (bateria), remanescente do Joy Division. Gillian, por sua vez, só teria sido incorporada à banda algum tempo depois. A segunda é que Gilbert só teria entrado para o New Order para dar uma mãozinha à Bernard na guitarra e nos teclados, já que ele não conseguia ou tinha muita dificuldade de cantar e tocar qualquer um dos dois instrumentos ao mesmo tempo.

Peter Hook tem sido um contumaz propagador dessas versões. Segundo declaração dada a Andrew Harrison para o especial de 21 páginas da Q Magazine deste mês, Hook veio com “Ela só fazia qualquer coisa que Barney lhe dissesse (…) ela realmente não contribuiu musicalmente com nada que eu consiga me lembrar”. Todavia, o próprio Harrison fez questão de frisar em seu texto que ele “precisava saber o quanto disso é sincero e o quanto é a posição dele [Hook] diante do processo judicial”.

O “processo judicial” ao qual Harrison se refere é a ação que Peter Hook moveu nos tribunais contra seus ex-colegas com o intuito de impedi-los de prosseguir usando o nome New Order. Esse é o ponto. Hook vem desmerecendo e desqualificando Gillian publicamente em suas entrevistas como estratégia a ser usada no julgamento. Dessa forma, na visão do ex-baixista, o “novo New Order”, agora um quinteto, apenas teria DOIS membros fundadores e/ou fundamentais (Sumner e Morris), enquanto os outros três (Gilbert, Cunningham e o baixista franco-inglês Tom Chapman), além de não serem integrantes originais, não tiveram contribuição criativa/musical na definição do som da banda. Curiosamente, o baixista e compositor Roger Waters tentou estratégia semelhante para impedir que o guitarrista David Gilmour e o baterista Nick Mason continuassem usando o nome Pink Floyd, na década de 1980. Mas, como todos sabem, Waters não ganhou a causa.

Substituto de Gillian nos teclados e na segunda guitarra por quase uma década (e agora seu parceiro na banda), Phil Cunningham tem uma opinião diversa com relação à contribuição da tecladista no New Order. Conforme declarou à mesma edição da Q Magazine, “Ela nos traz um pouco de calma. Melodicamente, ela adiciona coisas que nós não tivemos por um tempo”. Mas talvez a melhor análise sobre o papel de Gilbert venha de fora – em uma matéria do site Sound On Sound sobre as gravações de “True Faith” e “1963” (março/2005), o produtor Stephen Hague traçou um perfil de Gillian que difere daquele que vem sendo propagado por Hook.

“Gillian não executou nenhuma ideia minha ao longo das gravações. Houve apenas um momento em que eu disse ‘amanhã nós vamos trabalhar em suas partes de teclado’, e ela disse ‘ok, ótimo’. No dia seguinte, quando finalmente foi a sua vez, ela tinha um monte de ideias formadas para ambas as faixas. Apenas selecionamos os sons e os gravamos, com ela tocando-os todos com as mãos. Foi tão indolor… Embora ela parecesse estar em um silêncio distraído no fundo da sala dia após dia, ela tinha planejado completamente suas partes para as músicas. É uma verdadeira alegria trabalhar com ela”.

O que Hague teve o privilégio de ver in loco no estúdio chegava para o público e para a crítica musical sob forma de discos acabados, o que não eclipsa de modo algum os méritos de Gillian. Como bem observou o já citado Andrew Harrison,

“As pessoas que dizem que não é New Order sem Hooky nunca reclamaram que não é New Order sem Gillian. E ainda que Hook estivesse certo sobre os talentos dela, ela inegavelmente trouxe algo especial para a banda, uma sensibilidade diferente, mais aberta. Os discos do New Order com Gillian Gilbert são melhores que os discos sem ela e Music Complete é um deles”.

Querem uma prova? Comparem clássicos como Low Life (1985), Brotherhood (1986) e Technique (1989), ou mesmo o sombrio Movement (1981) e o orgânico Get Ready (2001), com os pouco inspirados Waiting for the Sirens’ Call (2005) e Lost Sirens (2013). Não há o que discutir. As famosas linhas de baixo de Peter Hook não foram suficientes para dar brilho ou viço aos dois últimos discos – que, coincidência ou não, são justamente os que Gillian não participou.

Bernard Sumner chegou uma vez a admitir, durante o festival Area-One, na Califórnia, em 2001, que a ausência da tecladista era sentida: “nós obviamente sentimos falta dela”. Isso foi dito uma década antes da banda se reunir sem Peter Hook e trazer Gilbert de volta!  Mas é Stephen Morris quem, em declaração à Q, sentenciou de uma vez por todas:

“Pegue um bando de rapazes e eles farão uma coisa. Mas coloque uma mulher junto deles e teremos algo diferente. Não é apenas banda, é vida”.

E que Peter Hook nos perdoe, mas o FAC 553 assina embaixo.

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