RELATO | Um dia em Manchester

20-21-june-2012-053“E no sexto dia Deus criou Manchester…”

Recentemente, tirei um tempo da minha viagem de férias para fazer algo que, como fã de New Order e Joy Division, sempre sonhei: passar um dia em Manchester para explorar em sua paisagem urbana a história e a geografia do som que há quase três décadas tem sido a trilha-sonora da minha vida. Na verdade, acho que escolhi Londres como destino das férias como desculpa para, enfim, poder saciar essa vontade. Ainda que eu pretendesse não admitir a verdade (ao contrário do que estou fazendo agora), o objetivo, desde o começo, sempre foi Manchester. Esse sonho, aliás, ganhou força em novembro do ano passado durante uma estadia em Paris: além de ter visto meu primeiro show do New Order em solo europeu, um dos momentos mais importantes da viagem foi quando eu pus os pés no lendário Les Bains Douches, onde o Joy Division já havia tocado (o show, após anos nas mãos dos piratas, acabou ganhando lançamento oficial em CD e vinil, em 2001). Os minutos que passei em sua galeria de antigos pôsteres de concertos com os olhos fixos no cartaz do show que o Joy Division lá fez em 18 de dezembro de 1979 foram decisivos para essa escolha. 

Manchester, é claro, não deu ao mundo apenas Joy Division e New Order. A lista a seguir é de respeito: Hollies, Buzzcocks, The Smiths, Simply Red, Happy Mondays, Stone Roses, Oasis, Chemical Brothers. Tem coisa nova rolando na cidade, é claro – Blossoms é a nova sensação por aquelas bandas. Muito já se gastou de papel e tinta sobre sua cena musical e o seu legado: Shadowplayers: The Rise and Fall of Factory Records, de James Nice (Aurum Press, 2010, 432 páginas), From Joy Division to New Order: The True Story of Anthony H. Wilson and Factory Records, de Mick Middles (Virgin Books, 2002, 320 páginas), I Swear I Was There: Sex Pistols, Manchester and The Gig That Changed the World, de David Nolan (IMP, 2006, 192 páginas), The North Will Rise Again: Manchester Music City 1976-1996, de John Robb (Aurum Press, 2010, 400 páginas) e Manchester, England: The Story of a Pop Cult City, de Davi Haslam (Fourth Estate, 2000, 351 páginas) são alguns dos títulos mais conhecidos. Não é exagero dizer que Manchester é uma das grandes capitais mundiais do pop ao lado de Londres, Nova Iorque, Detroit e Seattle. Liverpool? Só se for no Guiness Book (que lhe deu o título de “Cidade do Pop” por causa de uma única banda).

Só que meu equivalente ao Hajj (peregrinação à Meca que os muçulmanos são obrigados a fazer pelo menos uma vez na vida) ou ao Caminho de Santiago de Compostela – guardadas as devidas proporções nos mais variados sentidos – não começou de fato em Manchester, mas em Londres. Fazia parte da minha programação na Square Mile uma ida à belíssima National Gallery. Para que? Eu queria ver com os meus próprios olhos o quadro A Basket of Roses, de Ignace Henri Jean Fantin-Latour (1836-1904), pintado em 1890, e usado pelo designer Peter Saville na capa do segundo álbum do New Order, Power, Corruption and Lies, de 1983 (e considerada um dos trabalhos mais relevantes do artista gráfico). Aliás, eu queria algo mais do que apenas ver o quadro: além de ser fotografado com ele usando uma camiseta do disco que o traz em sua capa, eu queria repetir o gesto de Saville de 33 anos atrás e comprar um cartão-postal com uma reprodução da obra na gift shop do museu (o que consegui fazer). Essa história do postal merece um parênteses.

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Poder, corrupção e mentiras na National Gallery, em Londres

Com o título do álbum na cabeça – “poder, corrupção e mentiras” – Saville foi à National Gallery procurar um retrato de algum príncipe que pudesse usar na capa do disco. A intenção era, a partir da associação entre o nome do LP e o retrato usado na embalagem, fazer uma referência a Maquiavel. Bom, a ideia não era de fato tão boa assim e ele acabou desistindo dela no meio do tour pelo museu. Mas antes de ir embora, o designer entrou casualmente na lojinha de lembranças, onde pegou aleatoriamente um cartão-postal. Sua namorada na época, em tom de brincadeira, lhe disse: “Por que você não usa esse aqui na capa?”. Era um postal de A Basket of Roses. Os olhos de Saville brilharam – enfim, ele havia encontrado um “rosto” para Power, Corruption and Lies. Segundo ele, “as flores sugeriam a maneira pela qual o poder, a corrupção e as mentiras se infiltram nas nossas vidas, porque elas são sedutoras”. A justaposição entre a pintura figurativa e realista de Fantin-Latour com “textos” impressos em um código de cores criado por Saville para sugerir a ideia de uma linguagem que só poderia ser decifrada/decodificada por máquinas (como, por exemplo, um código de barras) foi a forma simbólica de retratar a “tensão” entre as duas faces do som do New Order (acústica/artesanal/manual e eletrônica/industrial/autômata) e de transmitir de modo subliminar a seguinte mensagem: por trás de máquinas que apenas aparentemente fazem tudo sozinhas (sequenciadores, drum machines) existem seres humanos… Bom, explicações à parte, o fato é que eu posso me considerar um sujeito de muita sorte: o dia escolhido para ir à National Gallery coincidiu com o único dia da semana (quarta-feira) em que a sala onde o Basket of Roses está exposto fica aberta à visitação – e eu nem sabia disso!

Enfim, com a foto feita e o postal guardado na mala junto com outros suvenires da viagem, eu só viria a pegar o trem para Manchester dois dias depois. No caminho, bastou passar por Macclesfield, terra natal de Ian Curtis e Stephen Morris, para já sentir aquele frio na barriga. Com a chegada em Manchester, a surpresa veio imediatamente após deixar a Piccadilly Station: embora eu não soubesse exatamente o que esperar, descobri uma cidade, em termos urbanísticos, muito diferente de Londres. Seu conjunto arquitetônico me deixou muito impressionado: edifícios como o do Town Hall, em Albert Square, o da Central Library, ou os dos hotéis Palace e Midland são verdadeiros deleites para os olhos. Se eu tivesse pesquisado um pouco mais, talvez tivesse me programado para ficar pelo menos mais um dia na cidade para poder ir além de seu roteiro musical.

Minha “peregrinação” em Manchester teve como primeiro ponto cardeal o que talvez é o mais sagrado dos lugares para quem, como eu, é ligado em música e cultura pop: o Free Trade Hall. Hoje funciona nele um hotel, mas originalmente o edifício foi erguido para eventos públicos, discursos políticos e concertos de música clássica (que ocorriam no Grande Pavilhão). O Free Trade Hall foi palco, em 1966, da primeira (e infame) apresentação de Bob Dylan com instrumentos elétricos – o que fez com que ele fosse vaiado e chamado de “Judas” pela plateia. Outros nomes importantes do rock tocaram lá: Frank Zappa, Pink Floyd e Genesis são alguns deles. Mas foi no pavilhão menor, chamado Lesser Free Trade Hall, que aconteceu o show que, segundo David Nolan, “mudaria o mundo”: o famoso concerto dos Sex Pistols no dia 04 de junho de 1976. O resto é história: havia apenas 40 pessoas no auditório, dentre elas Bernard Sumner e Peter Hook (Joy Division, New Order), Mick Hucknall (Frantic Elevators, Simply Red), Stephen Morrissey (The Smiths), Mark E. Smith (The Fall), Kevin Cummins (fotógrafo de rock), Paul Morley (jornalista e fundador da ZTT Records), Tony Wilson e Alan Erasmus (criadores do Factory Club e da Factory Records); sem falar nos organizadores do show, Pete Shelley e Howard Devoto, que formariam os Buzzcocks. Enfim, eram os nomes que ajudariam a colocar Manchester no mapa-mundi da música popular no anos seguintes.

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Free Trade Hall

Bem perto dali, encontramos outro “monumento” da história da música pop da cidade: a Manchester Central, antiga estação de onde partiam os trens para Londres antes da Piccadilly Station e que hoje é um parque de exposições, o Manchester Central Convention Complex. A mudança de função desse espaço aconteceu no final da década de 1970, quando ele recebeu o nome pelo qual ficou mais conhecido: Greater Manchester Exhibition Centre, ou pura e simplesmente “G-MEX”. O local foi palco, em 1986, dos shows do Festival of the Tenth Summer, um evento organizado por Tony Wilson e a Factory Records para celebrar os dez anos do famoso concerto dos Sex Pistols na cidade. Ao longo de um dia inteiro, se apresentaram nomes locais como New Order, The Smiths, OMD, The Fall e até bandas de cidades “amigas”, como Cabaret Voltaire (de Sheffield). O álbum ao vivo dos Smiths, Rank, que foi gravado no National Ballroom, Kilburn, em 23 de outubro daquele ano, traz no interior de sua capa uma foto feita no show do Festival of the Tenth Summer: garotos da plateia pelejando pela camisa do vocalista Morrissey. Eu tenho um LP pirata da apresentação feita pelo New Order chamado Solitude – nele, podemos ouvir “Ceremony” com a participação especial de Ian McCulloch, do Echo & The Bunnymen, nos vocais.

Mais alguns minutos de caminhada e, em seguida, fui parar em uma localidade conhecida como Knot Mill – outro lugar que podemos chamar de “místico”, para dizer o mínimo. Ali ficava o T. J. Davidson’s Rehearsal Studios, a famosa sala onde o Joy Division ensaiava e preparava novas canções. O T. J. Davidson’s ficou mais conhecido por ter sido o cenário para o vídeo promocional de “Love Will Tear Us Apart”. Se o prédio que outrora serviu de quartel-general para o Joy Division hoje não está mais lá (foi derrubado), por outro lado a construção onde um dia funcionou o Boardwalk, a casa noturna que lançou Stone Roses, The Charlatans, Happy Mondays, James e Oasis, continua de pé (mas atualmente servindo a outros desígnios). Há um vídeo de cerca de 30 segundos no You Tube publicado em 2010 que supostamente mostra o T. J. Davidson’s mas que, na verdade, exibe a fachada do antigo Boardwalk. Outra informação relevante: Tony Wilson chegou a morar ali em Knot Mill, em um apartamento localizado bem em frente ao edifício onde viria a ser o Boardwalk (inaugurado em 1986).

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Knot Mill: o edifício do Boardwalk (dir.) ainda está lá; o T. J. Davidson’s Rehearsal Studios, que ficava à esquerda e ao lado do prédio “10A”, não.

Naturalmente, um dos momentos mais melancólicos foi quando dei de cara com o edifício que hoje está de pé onde antes havia o mítico nightclub The Haçienda, também conhecido como “FAC 51”. O que torna a tristeza ainda maior é o fato do residencial de cor ocre se chamar The Haçienda Apartments (o jornalista Zeca Camargo também já escreveu sobre essa lamentável metamorfose). O condomínio vertical pode ter herdado o nome, mas não a história. Tinha gente que viajava até duas horas de carro até Manchester para curtir uma noitada no Haçienda. Nas suas origens, era um misto de boate e casa de shows onde se podia desfrutar de uma rica paleta de sons: punk, new wave, indie, disco, reggae, black music, northern soul. Depois, se tornou o epicentro da explosão do techno e da acid house na Europa. Na Canal Street, nos fundos do atual prédio, um artista local chamado Stewy eternizou seus grandes momentos em uma timeline gravada em metal, começando pela sua inauguração em 21 de maio de 1982. Sob comando da Factory Records, mas financiado pelo New Order, o lugar também viveu dias difíceis: foi palco da primeira morte por overdose de ecstasy publicamente reconhecida e cenário de brigas entre gangues, com direito a tiroteios em seu interior. Vários objetos que pertenciam a Haçienda hoje fazem parte do acervo do Manchester Museum of Science and Industry.

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Haçienda como era originalmente (e como nunca deveria ter deixado de ser).

A parada seguinte foi numa… loja da Tesco?! Não exatamente. O local onde hoje temos uma filial da famosa cadeia britânica de supermercados e comércio varejista – na verdade parte do belíssimo St. James Buildings – um dia foi outra casa noturna importante durante a era punk em Manchester: o Rafters. Ali aconteceu, no dia 14 de abril de 1978, o Chiswick Challenge, o lendário concurso de bandas organizado pela Stiff Records. O Joy Division se apresentou no concurso ao lado de outras 16 bandas, sendo a última a tocar (quando o local já estava praticamente vazio). Todavia, sua apresentação foi tão “intensa” que impressionaria Tony Wilson (quando este ainda era repórter da Granada TV) e, também, o DJ da casa, Rob Gretton. Rob se tornaria, desse ponto em diante, o empresário do Joy Division, mantendo essa função também com o New Order até sua morte, em 1999. O Rafters fechou suas portas em 1983.

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O antigo Rafters, agora transformado em Tesco

O roteiro não poderia deixar de contemplar o número 112 da Princess Street. Hoje, nesse endereço funciona a nova casa noturna e sala de concertos dirigida por Peter Hook (ex-baixista do Joy Division e do New Order), The Factory Manchester (“FAC 251”). No passado, a mesma construção abrigou o quartel-general da Factory Records. No atual site do Factory Manchester, se lê: “FAC 251: escritório da Factory Records… Construído por Tony Wilson. Projetado por Ben Kelly. Pago pelo New Order. Falido pelos Happy Mondays”. A porta de ferro com o logotipo da gravadora ainda está lá; Tony Wilson, de certa forma, também – através do stencil feito pelo já citado Stewy. Aliás, o Wilson foi – e sempre será – o grande personagem. Brian Epstein? Que me perdoem os fãs dos Beatles (eu adoro os Fab Four, que fique claro!), mas a história do seu empresário não foi parar no cinema (pelo menos não ainda). Ele também não ganhou um poema musicado em sua homenagem (“St. Anthony”, por Mike Garry e Joe Duddell) transformado em single beneficente que alcançou o primeiro lugar na parada inglesa. Não existe nenhum “Sr. Liverpool”, mas existiu um “Mr. Manchester”.

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O fim do “passeio” foi no Northern Quarter. O objetivo: ver e fotografar os mosaicos no Affecks Palace e as placas na calçada da Oldham Street. Precisei de uma ajudinha dos vendedores da Vinyl Revival para localizá-los. Os mosaicos fazem referência não apenas à história e o cenário musicais da cidade, mas, sinceramente, os ídolos do futebol ou as outras personalidades locais não me interessavam. Eu queria ver mesmo o mosaico com a turma da Factory (Martin Hannett, Tony Wilson, Alan Erasmus, Peter Saville, Rob Gretton), o outro com o pulsar CP1919 da capa de Unknown Pleasures, do Joy Division, aquele com o Sex Pistols, o Meat Is Murder dos Smiths, o Top of the Pops… Depois dos mosaicos, compras na Vinyl Revival (decorada com pôsteres originais da Factory Records, da Haçienda e do New Order, alguns deles autografados) e na Vinyl Exchange, e, finalmente, Oldham Street e suas placas que fazem referências aos principais marcos musicais da cidade: Buzzcocks (a primeira banda punk de Manchester), Short Circuit: Live at the Electric Circus (vinil de 10” da Virgin com o primeiro registro do Joy Division gravado ao vivo na noite de fechamento/despedida do Electric Circus), Factory Records etc.

O tour apenas parecia ter chegado ao fim… Na volta para a Piccadilly Station, parei em um restaurante qualquer da estação com minha esposa para comermos antes da volta para Londres e o que vejo dentro do estabelecimento? Um enorme pôster em forma de mapa de rede de metrô no qual as linhas e as estações são batizadas com títulos de álbuns e músicas dos Smiths.

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Essa é Manchester: uma cidade orgulhosa, que exalta não somente suas conquistas no campo da indústria e da tecnologia (o noroeste da Inglaterra foi o berço da Revolução Industrial), mas que também reconhece a contribuição de seus artistas populares. Isso aparece representado não apenas por meio da street art, mas também está materialmente certificado através das placas comemorativas – heritage awards – da PRS (Perfoming Right Society, uma espécie de ECAD britânico), como as que estão fixadas na Haçienda e no Boardwalk. Para mim, foi uma oportunidade de poder ver e tocar o que eu havia aprendido a amar e cultuar através dos discos, dos livros, das revistas e dos documentários. De fato, existe algo em Manchester que é único e exclusivo. Ou, como certa vez disse Tony Wilson: “This is Manchester, we do things differently here”.

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NEWS | Pílulas (fevereiro 2016)

Nas nossas “pílulas” do mês de fevereiro trazemos duas notas para você, leitor e fã, continuar se atualizando sobre as últimas novidades do New Order ou em torno de tópicos relacionados à banda. Esperamos, uma vez mais, atingir nosso objetivo: informar e aumentar o fã-clube. Boa leitura.

  • Em meio a divulgação dos locais e das datas da mini turnê que acontecerá em março nos Estados Unidos, o New Order confirmou hoje em suas redes sociais que o próximo single saído do álbum Music Complete será mesmo “Singularity”. A data oficial de lançamento não foi confirmada, embora especula-se que seja durante o mês de março também, coincidindo então com a tour norteamericana. Enquanto isso, a banda liberou no seu canal oficial no You Tube um clipe de áudio da versão “Extended Mix” que fará parte do single e exibiu uma variação da capa, que, com exceção do fundo negro, possui cores diferentes daquela do vinil de 12″que aparece no catálogo de pré-venda da Amazon britânica (e que já mostramos aqui em outro post).
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Outra versão para o artwork da capa de “Singularity”

  • Na próxima sexta-feira, dia 05, será realizado no Bridgewater Hall, Manchester, a primeiríssima apresentação do espetáculo musical Haçienda Classical. Trata-se de uma proposta ousada: dois ex-DJs do mítico club Haçienda (que pertencia ao New Order e à Factory Records), Mike Pickering e Graeme Park, vão reviver em suas carrapetas o créme de la créme que sacudiu a pista de dança da legendária casa noturna acompanhados de uma orquestra ao vivo – a Manchester Camerata (a mesma que participou do single-tributo a Tony Wilson, falecido ex-dono da Factory, em agosto do ano passado). A dupla também contará com a participação de vocalistas convidados (não divulgados). Posteriormente esse show viajará pela Inglaterra até o mês de julho. Vale lembrar que possivelmente o ex-baixista do New Order, Peter Hook, está envolvido nessa empreitada, uma vez que ele tem o controle sobre o licenciamento da marca FAC 51 The Haçienda, e, ao lado de Pickering e Park, já foi curador de compilações de faixas que se tornaram clássicos da casa. Pickering, por sua vez, assinou a curadoria do CD Club, que é o disco #03 do box-set Retro, do New Order, e que se dedica apenas a remixes de faixas da banda.
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Cartaz oficial da noite de estreia do Haçienda Classical

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NEWS | Peter Hook detona “Restless” e Bernard Sumner em seu blog

IMG-20150812-WA0000Após um post no qual disse que “muitas faixas desse disco [Music Complete, o próximo lançamento do New Order] eram destinadas ao segundo álbum do Bad Lieutenant” e que o “New Order acabou como uma atitude ou estilo de vida [em 1993, com o CD Republic]. Nos tornamos um grupo como outro qualquer. E uma vez que Rob [Gretton, falecido ex-empresário da banda] se foi, o New Order foi enterrado com ele”, um amargurado e raivoso Peter Hook atacou de novo em seu blog ontem. O ex-baixista detonou sem dó e piedade o novo single da atual versão do New Order, “Restless”, e chamou o guitarrista e vocalista Bernard Sumner de “mentiroso” e “idiota de merda”. A tradução, na íntegra, do post vem a seguir:


Parece que Deus existe!

O novo single do “New Odour” [N.T.: “novo odor”] é uma porcaria. Obrigado, meus grandes poderes!

Bem, não é uma porcaria, é apenas ok… como eu imaginei. Devo admitir que me preparar para ouvi-lo foi um momento muito estranho. Mas eu o ouvi e soa exatamente como eu pensei que soaria… um disco solo de Barney Sumner. Ele realmente está no controle. O refrão é bastante cativante, mas não é tão bom quanto qualquer outro single que já gravamos… Oh, exceto “Jetstream”… outro single solo de Barney.

Estou satisfeito.

É sem alma e Barney ainda consegue soar entediado enquanto canta (deveria ser chamado de “Careless” [N.T.: “desleixado”], porque é assim que soa). O baixo é relegado a um papel de apoio, do jeito como ele gosta. Aliás, tudo tem papel de apoio. A bateria começa bem, mas o padrão complicado é perturbador. A música inteira parece programada para caber em uma polegada de sua vida (eu aposto que o computador ficou superaquecido). Eu acho que [o lançamento do single] foi adiado por várias semanas, ou por meses, fazendo todo mundo esperar até que todos os overdubs possíveis tivessem se esgotado, deixando todo mundo maluco no processo. É  um pouco sem vida, muito parecido com o grupo.

Eu lamento pelos fãs… por esperarem 10 anos por algum material com o nosso nome e receberem isso. Me dá a sensação de que fizeram por fazer, é supercicial (foi exatamente por isso que eu deixei o grupo em 2007). “A Nova Roupa do Imperador” me vem à mente.

Agora esses pobres coitados têm que fazer a divulgação e fingir o quanto eles gostaram de fazer isso etc etc, que todos estavam integralmente envolvidos e blá blá blá… e que tudo está ótimo, muito melhor do que antes. É como aquelas atrizes de novela que aparecem no Lorraine [N.T.: programa de celebridades da TV britânica] que sempre dizem “Ah, sim, nós somos uma grande famíia feliz no estúdio de gravação”.

Uma farsa, assim como foi em Get Ready e Sirens’… Deus me perdoe. Devo admitir de que não sinto falta da mentira, da pretensão, do mito e da pantomima que todo o grupo vende.

Estava lendo a entrevista do Barney à MOJO e vou respondê-lo em breve. Estou realmente farto de ver esse bastardo mentir sobre toda a história do nome Haçienda. Ele é um idiota de merda, bem como um (alegadamente) mentiroso; é hora de vocês saberem a verdade e eu vou escrever para  MOJO e fornecer as provas.

Minha mulher me diz para deixar de lado, para parar e me concentrar sobre o quanto eu gosto do que eu faço agora e não levar em conta os outros. Eu sei que ela está certa. Mas até que o caso seja resolvido eu não posso deixar isso para lá, não até que a justiça seja feita. O que eles fizeram comigo é repugnante, roubando o que foi justamente meu pelas minhas costas enquanto eu estava em turnê na China, sem qualquer envolvimento meu [N.T.: certamente Hooky está se referindo à reunião do New Order sem uma “oficialização” de sua saída], esperando apenas que eu aceitasse resignadamente. SEM CHANCE! Depois de 31 anos de suor, sangue e lágrimas, o que você faria?

Usaram a desculpa de que eu toco Joy Division e de que tomei o nome Haçienda para justicar a vocês, fãs, de que eles estavam certos em voltar com o New Order sem mim. Isso simplesmente não é verdade.

Como eu disse antes, o Bad Lieutenant [N.T.: projeto solo de Sumner criado após a separação do New Order em 2007] havia tocado ao vivo músicas do Joy Division e do New Order antes de mim e o nome Haçienda foi comprado por Rob Gretton [N.T.: falecido ex-empresário da banda] em um leilão público em 1997 realizado pelos liquidatários da boate após sua falência. Eu fico doente de tanto repetir isso, me sinto como uma formiga chutando um elefante… mas eu vou continuar chutando até que todos sintam.

Eles deveriam ser boicotados por todos os fãs do New Order… eles não merecem seu apoio. Eles são ladrões. “Ladrões como eles” [N.T.: “Thieves Like Them”, trocadilho com o título da música “Thieves Like Us” do New Order, que quer dizer “ladrões como nós”] he he he. 😉


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LANÇAMENTO | Premiére de documentário “incomum” sobre o Haçienda será no festival de Glastonbury

hacienda_text33“No dia 25 de novembro de 2000, no galpão de um armazém no centro de Manchester, 69 lotes do Haçienda foram leiloados…”

Foi isso mesmo. A maior parte de quem foi até lá conseguir os últimos souvenirs da lendária boate, desastrosamente administrada e financiada pela Factory Records e pelo New Order, saiu com tábuas da pista de dança. Um sortudo faturou o globo de espelhos, mas teve gente que levou para casa coisas mais graúdas – de luzes de emergência ao balcão do bar, incluindo até ao mictório! Pois bem, um diretor de filmes, Chris Hughes (mais um feliz proprietário de um pedaço daquele clube), resolveu, em 2013, rastrear esses itens e seus nostálgicos donos – e coletar suas histórias. O que Hughes queria saber era: com o que essas pessoas tinham ficado e o que tais objetos representava para elas. Na verdade, essa se tornou uma maneira completamente original de se contar a história do Haçienda: com base na memória afetiva dos seus antigos habitués.

O resultado é o documentário intitulado Do You Own a Dancefloor?, que, traduzido para o português, se chamaria “Você Tem Uma Pista de Dança?”. O filme foi feito em memória a Tony Wilson, ex-dono da Factory e falecido em 2007 em razão de um câncer nos rins. Por causa disso, o propósito do documentário é arrecadar fundos para o Kidneys for Life, uma instituição sem fins lucrativos voltada para o combate ao câncer renal. A premiére do filme será amanhã, dia 09 de maio, no festival de Glastonbury, na tenda Groovy Movie Cinema. Depois ele entra em cartaz num circuito hiper-restrito na Inglaterra até viajar para Montreal, onde será exibido em Setembro. Possibilidade de ser exibido por aqui? Mmmmm… Acho que não vai rolar.