NEWS | Stephen Morris em documentário sobre ex-baterista do Kraftwerk e do Neu!

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Klaus Dinger: um dos heróis de Stephen Morris

Stephen Morris, a “bateria eletrônica humana” do New Order, é um dos grandes nomes do pop que concederam depoimentos para o documentário The Heart is a Drum, dirigido pelo sueco Jacob Frössén. O filme conta história de Klaus Dinger, cultuado baterista alemão que ficou conhecido como uma das metades do duo Neu! (seu parceiro era o guitarrista Michael Rother) na década de 1970 e que faleceu em 2008. Antes de lançar três álbuns essenciais com o Neu! (existe um quarto LP de estúdio, mas isso é outra história), Dinger havia feito parte do Kraftwerk quando o grupo ainda não era a usina de força eletrônica que veio a se tornar depois. Com o fim do Neu!, Klaus formou o La Düsseldorf com seu irmão, Thomas Dinger, e com Hans Lampe, chegando a conquistar um respeitável sucesso comercial na Europa.

Dinger tornou-se famoso por seu estilo repetitivo e pulsante de tocar bateria, um estilo que ficou conhecido como motorik (termo que não agradava ao baterista, que preferia rotular sua maneira de tocar como Apache beat). Sua batida e o som visionário do Neu! (cuja influência se faz notar em bandas como Joy Division, Sonic Youth e até mesmo Radiohead) chamaram a atenção de medalhões como David Bowie e Iggy Pop (que também aparece no documentário) quando os dois estiveram em Berlim nos anos setenta. Stephen Morris em diversas ocasiões afirmou que se inspirou não apenas na bateria de Dinger, mas também na de outro medalhão do gênero que ficou conhecido como krautrock: Jaki Liebezeit, do Can (morto em 2017). Além dele (Morris) e de Iggy Pop, estrelam The Heart is a Drum o cantor Bob Gillespie (Primal Scream), a baixista Kim Gordon (Sonic Youth) e Wolfgang Flür (ex-Kraftwerk).

 

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Poster de The Heart is a Drum

De acordo com o diretor: “No final dos anos noventa eu li uma entrevista do Klaus Dinger em uma revista na qual ele falou à respeito de uma namorada sueca que ele conheceu em 1971 e com quem havia passado férias na Suécia no verão daquele mesmo ano. Nessa entrevista, ele também falou à respeito de sua relação com a bateria e, uma vez que eu também sou baterista, acabei ficando bastante intrigado. Eu acredito que isso é uma conexão com a Suécia e o fato dele ter ido até um lago perto de Södertälje – um lugar onde eu passei minhas férias muitas vezes – para gravar os sons aquáticos de ‘Lieber Honig’ e ‘Im Glück’ [canções do álbum de estreia do Neu!] me deixou fascinado”. 

Em entrevista concedida a Mike Norton em julho deste ano para o jornal Bristol Live, Stephen Morris foi perguntado sobre quem seria seu baterista favorito. E ele assim respondeu: “Klaus Dinger, do Neu!. Ele foi minha maior influência, com suas poucas viradas de bateria. Neu! foi uma das primeiras bandas que eu ouvi e que me fez pensar que eu podia tocar daquele jeito”.

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Stephen Morris em The Heart is a Drum: herdeiro do estilo motorik

The Heart is a Drum teve hoje uma premiére no Reino Unido em uma das salas de cinema do Barbican, um descolado centro cultural em Londres. Produzido pela Swedish National Television (SNT) e financiado pela The Malik Bendjelloul Memorial Foundation, o documentário pode ser visto no You Tube (com áudio em alemão e sem legendas), porém com um outro (e um tanto quanto exótico) título: Klaus Dinger – Urvater des Techno (trad.: “Klaus Dinger, o Padrinho do Techno”). Se você curte Joy Division e New Order e nunca ouviu o Neu!, eu pergunto: tá esperando o que?

Infelizmente, não há indícios de que o filme virá a ser exibido no Brasil…

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OPINIÃO | O som do New Order

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Parafernália eletrônica: o estúdio caseiro de Stephen Morris e Gillian Gilbert em Derbyshire.

Synthpop? New wave? Electropop?

Afinal como definir o som do New Order? Alguem que curte a banda já parou para pensar nisso?

Como fã, é algo sobre o qual costumo refletir de vez em quando. Os rótulos que abrem o presente texto estão entre os que mais encontro nas matérias “especializadas” – mas eles são precisos? Será mesmo que o emprego de sintetizadores, programações, samplers, melodias pop e batidas dançantes – fora o fato de ser da década de 1980 – é o que basta para colocar o New Order no mesmo saco onde estão Pet Shop Boys, Yazoo, Soft Cell, Erasure ou Information Society? Sou da seguinte opinião: não. Acho, por exemplo, que Bernard Sumner, Peter Hook, Gillian Gilbert e Stephen Morris (a agora Phil Cunningham e Tom Chapman) sempre jogaram em outro time, do qual fazem parte nomes como Cabaret Voltaire, PiL, Section 25, Simple Minds, Beloved e Primal Scream, por exemplo. Em outras palavras, o New Order nunca teria se afastado do rock – ou melhor, nunca teria deixado de ser uma banda de rock. Ou, como explica o escritor Michael Butterworth em seu livro The Blue Monday Diaries (Plexus, 2015, 189 páginas): “Outros artistas vêm fazendo música sintetizada sequenciada há alguns anos, mas esta é talvez a primeira vez que uma banda de rock usa essas técnicas no coração da sua música”.

Quem somos nós, por exemplo, para discordar das palavras do agora ex-baixista Peter Hook? Em depoimento dado a Lori Majewski e Johnathan Bernstein para o livro Mad World (Harry Abrams, 2014, 320 páginas), ele disse o seguinte: “Bernard e Stephen, em particular, estavam muito interessados nos experimentos com tecnologia. Eu, por outro lado, tenho que admitir que não estava tão interessado nisso. Eu prefiro rock. Foi a combinação entre meu desejo de estar em uma banda de rock e eles querendo ser uma banda disco que nos deu nosso som único”. Para o site da Gibson, em 2013, ele deixou bem claro que Power, Corruption & Lies ainda é sobre a real química de uma banda”.

Os experimentos com sintetizadores e com técnicas de manipulação dos sons em estúdio começaram ainda nos tempos em que a banda se chamava Joy Division. Em 1978, por ocasião de uma tentativa frustrada de gravar um álbum para a RCA nos estúdios Arrow, em Manchester, os produtores John Anderson, Bob Auger e Richard Searling tentaram introduzir teclados (tocados por um músico contratado) no som da banda. A reação não foi positiva. Todavia, a história prova que os quatro rapazes do Joy Division foram se mostrando (ou na verdade eram) menos refratários às experimentações eletrônicas do que pareciam ser originalmente. Como se sabe, Ian Curtis era um grande fã de Kraftwerk e foi o responsável por apresentar o disco Trans-Europe Express (1977) aos demais integrantes. O álbum do Kraftwerk era ouvido com frequência durante os ensaios; além disso, era um costume da banda colocá-lo para tocar no P.A. antes dos shows. Por sua vez, o baterista Stephen Morris já assumiu publicamente ter sido influenciado pela batida motorik de outras bandas alemãs de krautrock como Can e Neu!. Em suas próprias palavras:

“Como baterista, Klaus Dinger [do Neu!] foi muito importante para mim, ele me ensinou como fazer um riff durar uma vida inteira! Eu nunca tinha ouvido nada como aquilo antes. Eu era ligado no krautrock, então eu comprava qualquer coisa que vinha da Alemanha. Gostava da maneira como eles faziam montagens musicais, com pedaços de som ambiente… Quando ouvi, pensei ‘se eu tivesse uma banda, eu queria que soasse assim tão aventureiro’. Tago-Mago, do Can, é outro disco que soa como nenhum outro. Posteriormente, apareceram coisas que tentavam soar parecidas, mas ele continua sendo original. Eu costumava fazer cópias em cassete dele para ouvir no campo, sentado na grama”.

Outros discos ajudam a entender bastante a inclinação que já existia no Joy Division para a música eletrônica. Um deles, sem sombra de dúvidas, é Low, de David Bowie (1977), principalmente o Lado B (totalmente preenchido por faixas instrumentais baseadas em sintetizadores). Todos conhecem bem a história: a primeira denominação da banda, Warsaw, foi inspirada no título da canção “Warszawa”, de Low. Mas Bernard Sumner, em sua autobiografia, Chapter and Verse (Bantam Press, 2014, 343 páginas), confessou que o álbum de Bowie lhes forneceu mais do que um nome e que, na verdade, todos eles eram “ligados” no som desse disco. Outra história que todos já estão carecas de saber é que Ian Curtis, na noite de seu suicídio, estava a ouvir The Idiot, de Iggy Pop (1977). Sumner costuma se lembrar que The Idiot foi o disco que Ian lhe mostrou de bate-pronto na primeira ocasião em esteve na casa dele – e que ficou “alucinado” com o que tinha ouvido. Como todo mundo também já sabe, esse é um “álbum irmão” de Low, tendo sido, inclusive, produzido por David Bowie. Ambos foram gravados em Berlim (sacaram a conexão?) e expressam o interesse da dupla na época pelo som eletrônico/experimental de Neu!, Can e Kraftwerk. Aliás, o próprio Iggy Pop definiu The Idiot como “o encontro entre James Brown e o Kraftwerk”. Uma de suas músicas se chama “Nightclubbing”. Profético?

Mas é importante dizer que o maior estímulo que o Joy Division recebeu para se aventurar nesse território veio daquele que seria seu produtor em definitivo, ou praticamente seu “quinto membro”: Martin “Zero” Hannett. Como uma espécie de Lee Perry mancuniano, Hannett os encorajou no uso de sintetizadores e no emprego do estúdio como “instrumento”. Stephen Morris deu seus primeiros passos no uso de percussão eletrônica adicionando ao seu kit de bateria um Syndrum e um Synare, ambos usados em faixas de Unknown Pleasures (1979) como “Insight”, “Shadowplay” e “She’s Lost Control”; já Bernard Sumner comprou um exemplar da revista Electronics Today que trazia um kit do tipo “monte você mesmo” para construir seu próprio sintetizador Powertran Transcendent 2000. Hannett, por sua vez, costumava usar tape loops para tratar notas musicais através de filtros de modo a conseguir obter ecos e delays digitais; além disso, o produtor tinha o hábito de enviar o som captado da bateria para um alto-falante pendurado no banheiro do porão do estúdio, onde o som era gravado novamente por um único microfone para, em seguida, receber mais efeitos. Isso sem falar na utilização de samples incomuns, como sons de elevadores se movimentando, vidros se partindo etc.

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A revista “Electronics Today”: faça você mesmo!

O encontro das influências absorvidas através dos discos que eles ouviam com essa verve experimental de seu produtor deu origem a uma coleção de faixas que já insinuava o som que estaria por vir como New Order: “She’s Lost Control (12” Version)”, “Isolation”, “As You Said”, “These Days” e mesmo “Love Will Tear Us Apart”. Quando Ian Curtis faleceu, no dia 18 de maio de 1980, a banda já estava “sacando” o trabalho que a cantora disco Donna Summer vinha fazendo em parceria com outro mago da música eletrônica da época: o tecladista e produtor italiano Giorgio Moroder. Se Ian tivesse permanecido vivo tempo suficiente para ir aos Estados Unidos com a banda, certamente ele não teria escapado da “conversão” que aconteceria em Nova Iorque. Stephen Morris chegou a dizer à revista Bizz na década de 1980: “Tenho certeza de que o Joy Division faria as coisas que estamos fazendo agora”. Mas, afinal, o que aconteceu com essa turma na América?

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Giorgio Moroder

Naturalmente, a primeira turnê pelos Estados Unidos não ocorreu como planejada. A morte de Curtis adiou os planos e banda só pisaria em solo americano já como New Order. A primeira passagem foi bem curta e aconteceu ainda em 1980 sem a tecladista Gillian Gilbert e com os três remanescentes do Joy Division se revezando na função de vocalista. A segunda, já com a formação clássica e com Bernard Sumner ocupando o posto de cantor em definitivo (sendo substituído pelo baixista Peter Hook apenas em “Dreams Never End”) foi no ano seguinte. Durante essas viagens, uma jovem judia novaiorquina que havia sido contratada para trabalhar como promoter dos shows, Ruth Polsky, lhes apresentou o melhor das noites de Manhattan. Ela os arrastou para o circuito local de clubes e casas noturnas como Danceteria, Peppermint Lounge e Area. Não havia lugares desse tipo em Manchester, nem tampouco o tipo de música eletrônica dance que se tocava neles. Uma música, aliás, que nem lhes chegava a ser totalmente estranha: ela resultava da maneira como os DJs negros de Nova Iorque se apropriavam da música dos alemães do Kraftwerk. “Os clubes que frequentávamos nos influenciaram bastante naquilo que viríamos a fazer”, disse Stephen Morris à MTV Europeia em 1993. “Minhas influências mudaram totalmente em um ano”, completou Sumner em entrevista ao mesmo programa.

Em seu livro, Sumner disse também que “Fiz em Nova Iorque um amigo DJ chamado Frank Callari, hoje falecido. Era um cara grande, mas afetuoso, e que saiu em turnê com a gente em uma ocasião. Ele me mandava fitas cassete das emissoras de rádio novaiorquinas. Naquela época não havia emissoras de música dance na Inglaterra, então ele me enviava essas fitas das americanas, que eram genais e refletiam uma verdadeira cultura musical. Também tinha um amigo em Berlim chamado Mark Reeder e naquela época ele era o homem da Factory Records na Alemanha. Ele me mandava discos de 12 polegadas de dance music de todas as partes da Europa”.

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Flyer da boate Danceteria (NY)

A medida em que descobriam novos sons e ampliavam seu gosto musical, eles também aprofundavam seu relacionamento com a tecnologia. No verão de 1981, no Marcus Music Studios, em Londres, nascia uma peça que seria fundamental no desenvolvimento do “som do New Order”. Stephen Morris encontrou em algum canto do estúdio um sintetizador Oberheim e decidiu conectá-lo a uma bateria eletrônica. Segundo Sumner, “quis a sorte que a drum machine pusesse em funcionamento o sintetizador num ritmo que se encaixava perfeitamente com o som da bateria; soava fenomenal, como Giorgio Moroder, só que muito mais barato! Nos dias de hoje isso parece uma bobagem, mas não havia muitos sintetizadores que pudessem fazer isso naquela época – normalmente eram tocados com as mãos como um instrumento tradicional, ou com um sequenciador rudimentar, porém caro. Entretanto, com aquele pequeno Oberheim se podia obter o som do teclado e o ritmo da bateria eletrônica. (…) Foi assim que fizemos ‘Everything’s Gone Green’, nossa primeira tentativa de por um pé na música eletrônica dance.

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Sintetizador Oberheim OB-Xa: por trás do som de “Everything’s Gone Green” (1981)

Se no primeiro LP como New Order, Movement (1981), ainda soavam muito próximos do Joy Division, apesar do farto uso de sintetizadores, com os discos que fizeram em seguida, como o já citado “Everything’s Gone Green”, além dos singles “Temptation”, “Blue Monday”, “Confusion” e dos álbums Power, Corruption & Lies (1983) e Low Life (1985), eles se tornaram precursores de duas vertentes do pop: o dance rock (também chamado de dance-oriented rock ou D.O.R.) e o alternative dance. A primeira teria surgido na década de 1980 no esteio do esgotamento da primeira leva do punk rock e da disco music. Michael Campbell, em seu livro Popular Music in America (Arizona State University, 2013, 432 páginas), define o dance rock como uma fusão entre o pós-punk e o gênero que ficou conhecido como pós-disco (forma embrionária de dance music eletrônica); no livro, Campbell cita Robert Christgau, para o qual o D.O.R. é um “termo guarda-chuva” que teria sido inventado por DJs na década de 1980 e que designa uma música praticada por músicos de rock influenciados pela soul music da Filadélfia, pelo funk e pelo som disco e que misturavam esses estilos musicais com o rock e a dance music.

Já o alternative dance é um parente muito próximo do dance rock. Trata-se de uma mistura entre o rock indie / alternativo e a dance music pós-disco. De acordo com o site AllMusic.com, “o alternative dance funde as estruturas melódicas do rock alternativo com batidas eletrônicas, sintetizadores e samples. Os artistas e bandas dessa vertente geralmente são indentificados através de uma assinatura musical muito própria (o som característico do baixo do Peter Hook, por exemplo), pelos sons e texturas (o uso simultâneo de bateria ao vivo e eletrônica, como faz Stephen Morris) ou pela fusão de elementos musicais específicos; além disso, frequentemente assinam com selos alternativos ou independentes (Factory Records; Mute). O New Order é sempre citado como o primeiro grupo do gênero porque seus discos do período 1982-1983 propunham o encontro do pós-punk com o som de bandas eletrônicas como o Kraftwerk.

Em termos históricos, a direção escolhida pela banda se mostrou acertada. Ao contrário de contemporâneos como o Depeche Mode, o New Order ignorou completamente a tsunami grunge que varreu as praias musicais na década de 1990; optaram por assistir, do alto de algum camarote do seu mítico club Haçienda, a molecada pular e suar na pista de dança ao som de suas criaturas: Happy Mondays, 808 State, Stone Roses, The Charlatans (a cena que ficou mundialmente conhecida como Madchester), além de outros seguidores do ritmo baggy, como The Soup Dragons, Ocean Colour Scene e o Blur dos primeiros anos. Resumindo: bandas de rock com batidas dançantes. Sua influência pode ser sentida e ouvida em vários outros grupos e artistas que vieram depois: Moby, The Chemical Brothers, Sub-Sub, Prodigy, Doves, The Killers, Hot Chip, Factory Floor, The Horrors e uma penca de grupos nu rave.

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The Killers: o New Order inspira o som dos anos 2000

Eles definiram o som que está na moda nestes anos 2000. “Muitos dos melhores e mais emocionantes músicos da safra mais recente estão, de alguma forma, em dívida com o New Order”, escreveu Martyn Young para o site DIY Magazine em agosto do ano passado. “No panteão das bandas britânicas, poucas têm a mesma história e o legado duradouro do New Order. Começando como Joy Division, o grupo de Manchester tem estado na vanguarda da parte mais emocionante, inovadora e bonita da música pop que você poderia imaginar. (…) É difícil precisar quanto risco o New Order correu no começo, quando abandonou o tradicional punk rock em favor do experimentalismo eletrônico. Mas a atitude deles era a de assumir riscos, o que permitiu que mais e mais bandas ao longo da história se soltassem para mudar as coisas de vez em quando”, concluiu Young. “Se soltar”, nesse caso, é dar as costas a uma série de “ideologias” velhas e ultrapassadas: que “roqueiros” devem se manter bem longe da “profana” dance music, que a técnica e o virtuosismo são as supremas virtudes, que não dá para ser “artístico” e pop ao mesmo tempo ou que a guitarra elétrica tem que ser o instrumento dominante no rock.

Impossível encerrar este post sem dar algum crédito a Tony Wilson e sua lendária a gravadora, a Factory Records, sem os quais o New Order não teria sido New Order. “Éramos profundamente políticos por não termos a propriedade sobre os nossos grupos”, disse Tony certa vez ao jornalista Garry Weaser (The Guardian). “A gravadora não é dona de nada, os músicos são proprietários de sua música e de tudo o que fazem. Todos os artistas estão livres para se foder” era o que estava escrito no lendário “contrato” assinado a sangue com o Joy Division, em 1978. “A outra coisa foi que nos dois primeiros anos tínhamos esse negócio de não-promoção. Não havia nenhuma promoção. Não tínhamos assessoria de imprensa. Era tudo sobre não tratar a música como mercadoria”. A Factory faliu em 1992 – ela foi “banida” do ecossistema hostil e implacável dos negócios para entrar na História.

“A revolução criada pelo Joy Division [no final da década de 1970, em Manchester], estando no centro de tudo, inspirou a participação de muitas pessoas… e a não diferenciar dance de rock” (Tony Wilson, 2007).

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REVIEW | Avaliamos a caixa “B-Box: Lust & Sound In West Berlin”

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Unboxing the B-Box

Fazia um bom tempo que não se publicava aqui no blog um video review, mas o lançamento da caixa B-Box, um item luxuoso (e de tiragem limitada) que propõe uma verdadeira imersão no universo do fime/documentário B-Movie: Lust & Sound in West Berlin 1978-1989, parecia ser um ótimo motivo para ficar em frente a câmera e apertar o “REC”. Dirigido por Jörg A. Hoppe, Klaus Maeck, Heiko Lange e Miriam Dehne, o filme é um registro do cenário musical e cultural de vanguarda da antiga Berlim Ocidental ao longo da década de 1980 e que procura revelar o que despertou o fascínio de gente como David Bowie, Iggy Pop ou Nick Cave, que gravaram trabalhos importantes e inspiradores enquanto estiveram por aquelas bandas, como LowThe IdiotTender Prey. O filme foi construído a partir do que foi capturado pela câmera de Mark Reeder, músico e produtor que deixou Manchester (Inglaterra) em 1978 para ir a Berlim encontrar seus ídolos do krautrock (como Edgar Froese, do Tangerine Dream) e que por lá acabou ficando. Além de se tornar o representante da Factory Records na então Alemanha Ocidental, tornando-se doravante o responsável por divulgar o Joy Division e o A Certain Ratio, Reeder trabalhou com nomes locais como Blixa Bargeld (Einstürzende Neubauten, Nick Cave & The Bad Seeds),  Die Toten Hosen e Malaria!, e teve suas próprias bandas (Die Unbekannten e Shark Vegas). A caixa é uma experiência completa através de diferentes mídias: o filme, a trilha sonora, livro… Maiores detalhes no vídeo e, também, na galeria de fotos. Já sobre a relação entre Reeder/B-Movie e o Joy Division ou o New Order, é só dar uma conferida em um post que fizemos anteriormente.



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