REVIEW | ∑(No, 12k, Lg, 17Mif) New Order + Liam Gillick: So It Goes..

DD45102A-FF63-48E4-A5C9-2FABB462DDE0Uma olhadela protocolar no tracklist do mais novo disco ao vivo do New Order, o quase impronunciável ∑(No, 12k, Lg, 17Mif) New Order + Liam Gillick: So It Goes.. (que doravante chamaremos apenas de So It Goes..), pode fazer qualquer um pensar que não se trata de um lançamento para não iniciados ou para aqueles que só conhecem a banda pelos grandes sucessos. Mas será que é isso mesmo? Examinemos um pouco mais de perto antes de chegarmos a conclusões precipitadas.

So It Goes.. é o registro da “residência” de cinco noites nos antigos estúdios da emissora de TV Granada durante o Manchester International Festival (MIF) de 2017, realizado entre os dias 04 e 21 de julho daquele ano. O New Order era um dos homenageados do festival (com direito a uma exposição dedicada ao seu legado intitulada True Faith) e para as suas apresentações ao vivo naquele que foi o cenário de sua primeira aparição na televisão (ainda como Joy Division, em 1978) a banda se juntou ao artista visual local Liam Gillick (que tem obras expostas no MoMA de Nova Iorque) e a uma “orquestra” de sintetizadores formada por doze jovens alunos da Royal Northern College of Music com o objetivo de transformar aqueles concertos em uma experiência singular. O New Order e seu time auxiliar de músicos tocariam em uma espécie de palco-instalação que interagiria às luzes e às projeções criadas por Gillick.

Mas as surpresas iam além… o New Order apresentaria um repertório baseado apenas em canções que há anos não eram tocadas ao vivo e que incluía, também, lados B. Ou seja, nada de hits (a única excessão seria “Bizarre Love Triangle”). Além disso, em vez de sequencers samplers, todas as partes programadas outrora executadas no palco com a ajuda de máquinas seriam tocadas ao vivo com o auxílio da orquestra de tecladistas da RNCM, sob regência do maestro Joe Duddell.

O empreendimento recebeu elogios rasgados da imprensa europeia e ainda gerou um documentário chamado Decades, produzido pela Sky Arts, e que se concentra justamente no processo de criação do show apresentado no MIF 2017. O disco que acaba de sair contém, na íntegra, o concerto do dia 13 de julho de 2017, além de incluir canções pinçadas das performances dos dias 06 e 15/07 como faixas bônus. Lançado pela Mute Records, So It Goes.. pode ser encontrado nos formatos CD duplo, box set com três LPs (edição limitada), digital downloadstreaming. O belíssimo projeto gráfico faz valer a pena o investimento nas edições físicas, principalmente o box set. Não há previsão de lançamento no Brasil.

221C33D0-4D94-416C-A4BC-9808E0F2544B

BDD3EAD5-2269-4681-B67D-3044B94C0793

De volta ao tracklist, aqui temos o New Order percorrendo todas as suas fases: do Joy Division ao seu último disco de estúdio, Music Complete, de 2015. Algumas versões ao vivo não são menos que emocionantes. É o caso, por exemplo de “Disorder” (tocada com absoluta perfeição), “Dream Attack” (uma das melhores faixas de Technique, de 1989), “Sub-Culture” (talvez a mais bela recriação de um arranjo já operada pela banda) e “In a Lonely Place” (lado B do single de estreia do New Order). Tudo maravilhosamente bem tocado e, principalmente, bem gravado. Mesmo canções pouco badaladas de seu catálogo, como “Ultraviolence” ou “All Day Long”, ou temas do pouco inspirado disco Waiting for the Sirens’ Call (2005), como “Who’s Joe” e “Guilt Is a Useless Emotion”, ganharam um novo frescor em So It Goes… O set termina melancólico, porém belo, com versões cheias de alma de “Your Silent Face” e “Decades”. A três faixas-bônus são caprichos, verdadeiros mimos para os fãs: “Elegia”, “Heart and Soul” e uma versão surpreendentemente fantástica “Behind Closed Doors”, b-side de “Crystal” (2001) e talvez a única música dentre as de So It Goes.. que jamais havia sido tocada ao vivo pelo New Order antes (*).

Talvez o único ponto “negativo” do disco seja a voz de Bernard Sumner. Sempre faltou brilho em seus vocais, mas a idade (Sumner tem 63 anos) bateu à sua porta e sua voz hoje soa bastante cansada, às vezes até um pouco fora do tom em algumas músicas. Mas aí já seria exigir demais de quem nunca se destacou no manejo do microfone, ainda que tenha assumido o posto que outrora pertenceu ao mítico Ian Curtis.

So It Goes.. é, de longe, o melhor disco ao vivo do New Order, mesmo sem pérolas como “Ceremony”, “Blue Monday”, “True Faith” ou “Regret”. É um disco que mostra que a banda possui um repertório consistente para além dos grandes êxitos – e que ganhou uma roupagem atraente o bastante para despertar o interesse de quem não conhece profundamente a banda. Para os fãs de longa data, o álbum é um presente, quase um agradecimento por tantos anos de apaixonada e fiel devoção. Em entrevistas recentes, seus integrantes afirmaram que não há planos para um novo álbum de inéditas em vista e que, por enquanto, prosseguirão apenas fazendo shows. Todavia, se por acaso o seu catálogo terminasse por aqui, So It Goes.. seria (por que não?) um belíssimo canto do cisne.

Visite também nosso Instagram:
http://instagram.com/neworderbrfac553 Instagram

(*) Na verdade, “Times Change”, faixa que abre o CD, também nunca foi tocada ao vivo antes… entretanto, tanto essa (em versão instrumental) quanto “Elegia” aqui são tocadas apenas pelos músicos da “orquestra de sintetizadores”, sem participação da banda.

 

 

 

NEWS | Um passarinho me contou…

IMG_1333Não se trata de uma informação oficial, mas veio de uma fonte segura – o que é o bastante para deixar os fãs animados. Um contato mais do que confiável do blog teria conversado com um membro do road crew do New Order na semana passada durante o Riot Fest, em Chicago, evento no qual a banda se apresentou, e ele teria dito que está nos planos de Sumner, Gilbert, Morris, Cunningham e Chapman para 2018 uma excursão pela Europa com o espetáculo que produziram especialmente para o Festival Internacional de Manchester este ano. Para quem não sabe do que se trata, foram cinco apresentações nas quais o New Order foi acompanhado no palco por uma “orquestra” de doze sintetizadores tocados por jovens músicos da Northern College of Music regidos pelo maestro Joe Duddell e que contou também com cenografia e efeitos visuais assinados pelo conceituado artista multimídia Liam Gillick. Nesses shows, realizados nos antigos estúdios da TV Granada (Manchester), o grupo substituiu o manjado set recheado de hits por um repertório concentrado em canções que a banda não tocava ao vivo há anos.

Esses shows receberam aclamação tanto da crítica quanto do público e ganharam bastante destaque na imprensa europeia. Algumas faixas apresentadas nesses concertos foram integradas ao set da mais recente passagem do New Order pelos Estados Unidos. O contato do blog nos disse ainda que cidades como Berlim e Viena estão na mira da banda para essa tour europeia no ano que vem. A seguir apresentamos, por álbum, a relação das músicas que foram tocadas este ano durante o Festival Internacional de Manchester e que poderão fazer parte desses tão ansiosamente aguardados shows em 2018:

Power, Corruption & Lies (1983): “Ultraviolence” e “Your Silent Face”.
Low Life (1985): “Elegia” e “Sub-Culture”.
Brotherhood (1986): “Bizarre Love Triangle” e “All Day Long”.
Substance (1987): “Shellshock”.
Technique (1989): “Vanishing Point” e “Dream Attack”.
Republic (1993): “Times Change” (versão instrumental).
Get Ready (2001): “Behind Closed Doors” (lado-B do single “Crystal”).
Waiting for the Sirens’ Call (2005): “Who’s Joe” e “Guilt is a Useless Emotion”.
Music Complete (2015): “Plastic”
——————————-
Joy Division: “Disorder”, “Decades” e “Heart and Soul”.

Visite também nosso Instagram:
http://instagram.com/neworderbrfac553

 

NEWS | Bernard Sumner fala sobre como serão os shows do New Order no Festival Internacional de Manchester, em junho e julho

JS113757995

Foto: Divulgação MIF 2017.

O blog traz hoje uma uma tradução livre de uma matéria publicada no site do jornal Manchester Evening News no dia 09 de março deste ano e que cobriu o evento de lançamento do Festival Internacional de Manchester 2017 no Mayfield Depot. Nesse evento, o vocalista e guitarrista do New Order, Bernard Sumner, falou um pouco sobre como serão os shows que a banda fará no festival com a colaboração do maestro e arranjador Joe Duddell, do artista visual Liam Gillick e de uma “orquestra” de 12 sintetizadores tocados por alunos da Royal Northern College of Music.



NEW ORDER FALA SOBRE EMOÇÃO NOS SHOWS QUE ACONTECERÃO NOS ANTIGOS ESTÚDIOS DA TV GRANADA NO MIF DE 2017
Bernard Sumner, do New Order, falou no lançamento do MIF 2017 e explicou o quão emocionante será para a banda tocar nos velhos estúdios da TV Granada

Bernard Sumner, a estrela do New Order, falou sobre a emoção de tocar nos tão ansiosamente aguardados shows que o grupo fará no Festival Internacional de Manchester nos antigos estúdios da TV Granada.

A banda de Manchester recriará algumas de suas canções mais antigas apoiada por uma “orquestra” de doze sintetizadores para o que pode vir a ser um dos ingressos mais procurados do MIF [N.T.: sigla em inglês do festival].

Ontem, ao falar no lançamento do festival no antigo Mayfield Depot, o vocalista disse que esses shows terão grande repercussão devido às ligações que a banda possui com a TV Granada, que foi onde o chefe da Factory Records, Anthony Wilson, trabalhou.

Foi nos velhos estúdios da emissora que o grupo, então como Joy Division, estreou na TV em 1978, no programa Granada Reports.

Após a trágica morte do vocalista Ian Curtis, em 1980, a banda passou a se chamar New Order e se tornou uma das mais aclamadas e influentes dos últimos quarenta anos.

Bernard disse: “Estamos ansiosos para tocar nos velhos estúdios da TV Granada porque a nossa primeira chance do tocar na televisão foi no programa do Tony Wilson, que se eu não me engano era o Granada Reports, no qual apresentamos ‘Shadowplay’, do Joy Division. Essa foi a nossa estreia na televisão, então a Granada está em nossos corações e, claro, tem a relação com Tony, que mais tarde se tornou o chefe da nossa gravadora, a Factory”.

“No começo, achávamos que o Mayfield Depot tinha um grande potencial como local para esses shows, mas depois que vimos os estúdios da TV Granada achamos que faria mais sentido tocar lá. Daria um toque especial”, completou Bernard.

Os cinco concertos que o New Order fará no festival foram intitulados de So It Goes…, uma referência a um programa de TV apresentado por Wilson nos anos 1970 na emissora.

A banda se apresentará no palco 1 dos estúdios em junho e julho acompanhados por doze músicos do Royal Northern College of Music e dos efeitos visuais criados pelo artista Liam Gillick.

O New Order reduziu seu catálogo a um set list com cerca de doze músicas, mas Sumner disse que bastaram apenas dois dias para repassar seu antigo material.

“Nós estamos por aí faz um tempo… e fizemos um monte de músicas”, disse ele. “Mas o Festival Internacional de Manchester queria que fizéssemos algo que fosse diferente do nosso set habitual. Foi assim que surgiu a ideia de tocar músicas que normalmente não costumamos tocar e que pegaríamos essas canções, dividiríamos em suas micro partes, como cacos de um espelho em pedaços, e usaríamos os músicos da Royal Northern College of Music. E esses componentes foram arranjados pelo Joe Duddell.

“Haverá doze músicos tocando sintetizadores. Nós vamos desconstruir as músicas e o Joe irá reconstruí-las para que os alunos [da Royal Northern College of Music] possam tocá-las melhor do que nós!”

Sobre como serão os shows, Bernard faz mistério – embora tenha revelado que “Blue Monday” não fará parte do set.

Ele disse: “Liam Gillick é amigo de Peter Saville, e como Peter sempre esteve bastante envolvido com a gente, ele veio com umas ideias fantásticas. Vai ser um set bem interessante, mas eu não posso dizer nada mais além disso.

“O aspecto técnico é o que há de mais difícil. Mas bastaram dois ensaios para tudo funcionar”.

Visite também nosso Instagram:
http://instagram.com/neworderbrfac553 Instagram