NEWS | “Por que todos ainda amam o New Order?” Site australiano responde.

Hoje o site australiano de notícias News publicou uma crítica/resenha sobre o primeiro dos quatro concertos que o New Order fez na Opera House, em Sydney, como parte das programações do Vivid Live Festival. É curioso, para dizer o mínimo, que o News tenha dado sua palavra à respeito exatamente um mês após a realização da apresentação; além do delay, também chama a atenção não terem considerado os dois shows que o New Order realizou, pelo mesmo evento e no mesmo lugar, acompanhado pela Australian Chamber Orchestra – experiência única na história do grupo. Em todo caso, trouxe, de lambuja para os leitores, uma tradução “meio mais ou menos” (faço o melhor que posso), da crítica escrita por Kathy McCabe.


VIVID LIVE SYDNEY: NEW ORDER SACODE A GALERA NA NOITE DE ABERTURA
Up, down, turn around [“suba, desça, dê a volta”], New Order manteve o público de pé em sua alegre abertura do Vivid Live na Opera House de Sydney na noite passada.
por Kathy McCabe, News Corp. Australia Network

O show, como em ocasiões amplificadas pela prestigiada sala de concertos, começou com o público se balançando entusiasticamente em seus assentos, se aquecendo como a banda, e com canções que alternavam entre o material mais familiar e temas do seu recente álbum de “retorno à boa forma”, Music Complete.

Aqueles que mal podiam se conter em suas poltronas se mudaram para dançar nos corredores laterais, mas no momento em que chegaram à metade do show, com “Tutti Frutti”, boa parte da plateia ficou de pé e dançou como se mais nada importasse.

“Quem poderia imaginar que uma música sobre sorvete seria tão popular?”, disse o vocalista Bernard Sumner, pedindo mais palmas ao público.

Quando a banda soltou “Bizarre Love Triangle” uns dois temas adiante, a sala estava lotada de gente radiante e feliz dançando e cantando alto porque, como todas as outras músicas do New Order, ela descreve o Homem Comum.

A voz de Sumner e o som arrasta-pé-disco-gótico, que fazem com que todos se sintam como se nunca tivessem sido maus dançarinos, é outro motivo pelo qual o New Order continua sendo uma banda tão querida para os filhos da década de 1980.

Então, quando o vocalista passou o microfone para um membro da plateia na primeira fila para cantar o refrão de “Bizarre Love Triangle”, você não diria que não era ele mesmo cantando se tivesse fechado seus olhos.

O amargurado ex-baixista Peter Hook não fez falta porque Tom Chapman tocou aquelas linhas [de baixo] marcantes como se fosse o cara mais sortudo do mundo.

E o resto da banda, incluindo os membros originais Stephen Morris e Gillian Gilbert, ao lado do multi-instrumentista Phil Cunningham, parecia igualmente satisfeito por fazer esse concerto na Opera House de Sydney. Privilegiados que apreciam visitas regulares aos seus salões sob as velas dos barcos esquecem o grande negócio que é quando nomes internacionais se apresentam por lá.

Ainda que o set fosse polvilhado por faixas de Music Complete, incluindo “Singularity”, “Restless”, “Academic”, “Plastic” e “Superheated”, nossos botões de nostalgia foram pressionados para valer pela familiaridade gloriosa de seus clássicos.

“Blue Monday” e “True Faith” imediatamente transportaram o público de volta para aquela pista de dança de sua juventude onde luzes estroboscópicas e sistemas de som pulsavam alimentando um total abandono melhor do que qualquer Disco Biscuits [N.T.: jam band da Filadélfia que também faz um blend de rock e música eletrônica] jamais poderia.

Eles completaram um círculo iniciado com Music Complete e concluído com a banda de cujas cinzas o New Order surgiu após a morte prematura do vocalista do Joy Division, Ian Curtis.

“Cermony” veio cedo no set, mas “Temptation” e “Love Will Tear Us Apart” vieram no final.

Após a completa impossibilidade de sua inclusão no Future Music Festival, em 2012, o New Order está de volta a Sydney exatamente onde deveria estar, tocando para as exatas pessoas que querem vê-los.

SET LIST:
Singularity
Ceremony
Academic
Crystal
Restless
1963
Your Silent Face
Tutti Frutti
People on the High Line
Bizarre Love Triangle
Waiting for the Sirens’Call
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Temptation
Blue Monday (encore)
Love Will Tear Us Apart (encore)
Superheated (encore)

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NEWS | New Order: “Disco novo? Pode ser.”

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Imprensa da Catalunha deu destaque à participação do New Order no Sónar 2016.

Já que mencionamos o festival Sónar no nosso último post, aproveitamos a ocasião para trazer ao leitor deste blog o que a imprensa catalã andou publicando sobre a passagem recente do New Order por Barcelona por ocasião do seu maior e mais importante evento de música eletrônica e arte digital. Eu trouxe, direto do site do jornal El Periodico, uma entrevista com Bernard Sumner e Gillian Gilbert feita por Juan M. Freire e publicada no dia do show do New Order no Sónar (sábado passado, 18 de junho) e a crítica do concerto, escrita Jordi Bianciotto e publicada no dia seguinte – ambas já traduzidas. Na entrevista com Freire, nada de muito novo ou diferente, com exceção de uma menção muito, mas muito breve mesmo, sobre o segundo disco do Bad Lieutenant (projeto solo de Sumner), e, também, sobre a (eventual) possibilidade do New Order vir a fazer um outro álbum. Já a crítica feita por Bianciotto destaca as qualidades da atual versão da banda – das “vantagens” de se ter Gillian Gilbert no lugar de Peter Hook à recém-conquistada “grandiosidade sinfônica” de sua música.


NEW ORDER: “UM DISCO NOVO? PODE SER.”
Histórico grupo de dance-rock se apresenta esta noite no Sónar
(por Juan Manuel Freire)

Se olharmos para a cronologia do New Order, a linha é qualquer coisa, exceto reta. O histórico grupo de dance-rock que emergiu das cinzas do Joy Division passou por diversos parênteses; o último foi de 2007, quando o baixista Peter Hook deixou o grupo, a 2011, quando os membros restantes decidiram continuar sem ele – trazendo de volta à banda a tecladista Gillian Gilbert. O El Periódico falou com o seu líder, Bernard Sumner, e com a reincorporada Gilbert, sobre segunda juventude, questões legais e o que faz do New Order um nome tão estimado. A banda toca hoje no Sónar, depois de ter participado, na última quinta-feira, do evento de inauguração patrocidado pela [cervejaria] Estrella Damm.

Como foi, cinco anos após seu último concerto, tocar novamente como New Order, mas com uma nova formação?

SUMNER – O primeiro concerto que nós fizemos foi em Bruxelas. Foi um pouco assustador. Nós não sabíamos se as pessoas aceitariam a nova formação do grupo. Mas depois de dez minutos, nós vimos que tudo sairia bem.

GILBERT – Para mim também foi aterrorizante. Foram doze anos desde a última vez que eu havia tocado ao vivo.

SUMNER – Mas é um pouco como andar de bicicleta…

Um dos momentos mais emocionantes da reunião é quando Gillian toca guitarra durante “Ceremony”, o primeiro single.

GILBERT – É tão emocionante tocar essa música. Ela me leva aos velhos tempos.

SUMNER – É uma pena eu não ter mais a mesma guitarra [usada na época em que a música foi gravada]. Eu gostava mais da antiga! [risos]

Vocês passaram anos dizendo que não era possível reunir a banda. Quando foi que isso se concretizou?

SUMNER – Bem, não é uma reunião… é uma continuação, porque [o New Order] nunca acabou. Em nossas mentes é mais uma continuação do que uma reforma [na banda]. Provavelmente não continuaríamos por causa das questões jurídicas que existiam por trás. Antes de continuarmos era preciso pisar em uma base legal firme.

Estão se saindo melhor agora em comparação com, digamos, 2005?

SUMNER – Sim. É divertido. Tudo está mais fácil.

GILBERT – Nem queríamos planejar uma grande turnê antes de fazer alguns concertos. Não sabíamos como as pessoas reagiriam.

SUMNER – Mas como correu tudo bem, decidimos seguir em frente.

GILBERT – A melhor coisa é que não havia nada para promover, então fizemos tudo por diversão.

Falando em disco… Há um novo disco do Bad Lieutenant [projeto paralelo de Sumner com os membros masculinos do New Order atual] no caminho…

SUMNER – Eu comecei a trabalhar nele, mas agora está em segundo plano. Não posso falar nada sobre o Bad Lieutenant.

Na verdade eu estava interessado em saber se, além disso, é possível que haja um novo álbum do New Order.

SUMNER – Um novo álbum? Acho que sim. Talvez. Mas este ano vamos tocar [ao vivo] até novembro, por isso vai ser difícil. Poderíamos considerar algo então, quem sabe.

Vocês andaram recuperando um material incomum ao vivo, como “Age of Consent” e “5-8-6”. Há algum motivo em particular para essas escolhas?

SUMNER – Fazia muito tempo que não tocávamos em lugares como Viena e as pessoas lá tinham o direito de ouvir os temas mais familiares, como “Blue Monday”, “Temptation” etc. Mas eu também queria satisfazer o fã incondicional e tocar algumas canções um pouco mais obscuras.

O que vocês escutam hoje em dia? Vocês tentam se manter atualizados?

SUMNER – Me fazem muito essa pergunta e, sinto decepcioná-lo, mas não ouço muita música. Eu trabalho o dia todo com música e quando eu me desligo, prefiro ler um livro ou assistir TV, ou fazer algum tipo de trabalho manual. Mas eu gosto do Arcade Fire.

GILBERT – Eu só ouço o que minhas filhas escutam; o problema é ser mãe. Mas eu gosto de Lana Del Rey.

Suponho que saibam que o New Order ressoa em um de cada cinco novos grupos.

SUMNER –  É melhor ser lembrado do que ser esquecido. Além disso, continuamos ativos, fazendo shows.

O que faz do New Order uma banda tão querida? Suas canções são uma experiência transcendente para muitas pessoas.

SUMNER – Eu acredito que é o fato de sermos muito humanos…

GILBERT – Não somos nada pretensiosos. Qualquer um pode embarcar no nosso conceito.

SUMNER – Além disso, fizemos muita merda no passado, o que nos faz humanos.

(entrevista original em catalão AQUI)


NEW ORDER: LITURGIA E CELEBRAÇÃO
O grupo de Manchester ofereceu um inflamado culto aos seus clássicos dos anos 80
(por Jordi Bianciotto)

Seu novo álbum, Music Complete, o primeiro com canções novas em uma década, permite que o New Order passeie pelos festivais como algo mais que uma banda revival, ainda que, no final de contas, o que interessa é escutar os clássicos dos primeiros indies de Manchester e palpar o que ainda resta de pé do legendário Joy Division. Dessa maneira, o New Order continua dando ao público o que ele quer, procurando de modo dramático o ponto de equilíbrio entre sua proverbial sobriedade e seu lado festeiro.

De certo modo, quem sabe saímos ganhando com a substituição de Peter Hook por Gillian Gilbert, já que, ainda que tivéssemos sofrido a perda de seu baixo guerreiro nos instantes finais de “Bizarre Love Triangle” na noite de sábado, sua presença de palco tende a uma certa “euforia hooligan” incompatível com as relíquias sagradas da primeira fase da Factory; em contrapartida, a volta da tecladista trouxe a banda de volta à sua essência eletrônica. Esse New Order de 2016 continua com muitas guitarras (Phil Cunningham está no grupo há quinze anos), mas também com sintetizadores e programações; o som final é uma versão grandiosa, sinfônica, do New Order clássico (mais frugal) da década de 1980.

Repertório encurtado: Canções da nova safra foram orgulhosamente apresentadas ao público – “Singularity”, “Restless”, “Tutti Frutti” e “Plastic” desfilaram com dignidade e, embora venham a ser esquecidas quando a banda sair em turnê em 2020, deram [ao concerto] um fino perfil pop à maneira de outros dois singles do New Order neste novo século, “Crystal” e “Waiting for the Sirens’ Call”. O show foi um pouco mais curto que os demais da turnê e fizeram falta músicas como “Ceremony” e “Love Vigilantes”, embora “Your Silent Face”, o midtempo eletrônico de Power, Corruption and Lies (1983), tenha sido mantida.

A reta final saiu como o previsto, com poucas mudanças em relação às turnês anteriores. Mas por que continuam ignorando um disco tão importante como Technique, de 1989? Isso já era de se esperar, mas não desprezemos “The Perfect Kiss”, “True Faith” (recriada ao estilo techno), a hipnótica “Temptation” e uma das canções mais influentes do pop, “Blue Monday”, com sua cadência robótica, um monumento à emoção através da frieza.

Tampouco deixemos de lado “Love Will Tear Us Apart”, envolta em uma atmosfera de celebração (com direito a “Forever Joy Division” no telão), expansiva até demais, com o clima de festa se impondo à sua natural melancolia – longe de Ian Curtis.

SET LIST SÓNAR BARCELONA 18 JUN 2016
Singularity
Crystal
Restless
Your Silent Face
Tutti Frutti
Bizarre Love Triangle
Waiting for the Sirens’ Call
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Temptation
Blue Monday (encore)
Love Will Tear Us Apart (Joy Division, encore)
[Run. time: 1h30min.]

(crítica original em espanhol AQUI)

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MEMÓRIA | Reading Festival 1993: um show histórico

A falência da Factory Records foi decretada no dia 27 de novembro de 1992. Na ocasião, a gravadora já havia encomendado a produção de algumas cópias em cassete de um pre mix das faixas (ainda em versões instrumentais) do novo álbum que o New Order estava preparando, Republic. A Factory chegou, inclusive, a catalogar essa fita com o código FACT 300. Não mais do que cinco cópias foram feitas e hoje elas estariam sob zelosa proteção de colecionadores anônimos. Como se sabe, Republic acabou não saindo pela gravadora criada em 1978 pelo repórter a apresentador de TV Tony Wilson (1950-2007). Segundo Bernard Sumner, vocalista e guitarrista do New Order, o grupo acabou assinando com a London Records por dois motivos: 1) a gravadora quitaria a gigantesca dívida que a Factory tinha com a banda; 2) a London bancaria o término de Republic. O disco acabou sendo oficialmente lançado apenas em maio do ano seguinte.

Republic não foi escrito e gravado unicamente sob o peso dos últimos suspiros da Factory – e da monstruosa dívida que a gravadora tinha com o New Order: a boate Haçienda, da qual a banda e a Factory eram sócios, também passava por dias difíceis, o que incluía problemas financeiros também. Para muita gente, Republic é um disco que foi feito para socorrer a Factory (o que não deu certo), a Haçienda e, evidentemente, o próprio New Order. No documentário New Order Story, de 1993, o baterista Stephen Morris deu a seguinte declaração: “Estamos em Montreux, para participar do festival de jazz daqui… O que nunca nos ocorreu… Para salvar nossas vidas, talvez?”. Apesar de questionado por Sumner, que o corrige dizendo “Não. Estamos aqui porque Quincy [Jones] nos pediu”, a fala de Morris não deixa de ser reveladora.

Seja como for, Republic até teve um excelente desempenho na Inglaterra, ficando em primeiro lugar na parada de álbuns – e se mantendo nessa posição por 19 semanas. O single “Regret” foi um grande sucesso. Mas a turnê de promoção do disco acabou sendo uma das mais curtas da história da banda: todos os shows se concentraram entre os meses de junho e agosto de 1993. O último concerto, realizado no Reading Festival (Inglaterra), acabou sendo não apenas o mais aclamado da turnê, mas entrou para a história como um dos melhores da carreira do New Order. Além disso, ele se tornou emblemático porque representa o melhor período do grupo em matéria de performances ao vivo.

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Poster oficial com o ‘line up’ do Reading Festival 1993

O New Order foi o headliner da terceira e última noite do festival, ocorrida no dia 29 de agosto de 1993. No mesmo dia, se apresentariam no palco onde a banda tocaria nomes como Dinossaur Jr., Lemonheads, The Breeders e até os super-virtuoses (e malas!) do Primus. Na ocasião, havia rumores de que o New Order se separaria. Os boatos foram desmentidos por Bernard Sumner durante o show – diante da plateia, ele pegou o microfone e disse “Não se deve acreditar em tudo o que se lê na imprensa”. Mas essa declaração seria bem menos lembrada do que a famosa mudança que Sumner fez na letra de “True Faith”, citando de maneira maldosa o (hoje) falecido Rei do Pop: “When I was a very small boy… Michael Jackson played with me… Now that we’ve grown up together… He is playing with my willy” [trad.: “Quando eu era um garotinho… Michael Jackson brincava comigo… Agora que nós estamos crescidos… Ele brinca com meu pinto”].

O set list merece destaque – equilibrado, misturava de forma adequada os hits, músicas novas e um par de canções menos badaladas, mas de valor afetivo para os fãs. Os críticos e resenhistas, não apenas lá de fora, mas daqui do Brasil também, elegeram o show do New Order como sendo o melhor daquela edição do festival. O mais interessante é que existem registros desse show. Desde a filmagem amadora (vide o vídeo acima, com “True Faith”), até gravação soundboard do áudio. Para se ter uma ideia, esse concerto foi tocado em um programa da Rádio Transamérica (101,3 FM) do Rio de Janeiro (eu cheguei a gravá-lo em uma fitinha cassete). Além disso, um dos discos piratas ao vivo mais famosos do New Order, inclusive por causa da excelente qualidade sonora, é um CD intitulado Electronic Ecstasy… e que consiste no show (incompleto) do Reading Festival ’93.

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O show repercutiu até na imprensa brasileira!

Além disso, em seus arquivos, a BBC possui no formato CD discos de transcrição de um programa apresentado na Radio 1 por Mark Goodier no qual o show foi tocado. É extremamente difícil desviar um disco desses dos porões da BBC para as mãos de um colecionador, mas felizmente eu tive essa sorte. Como no CD pirata Electronic Ecstasy, o show está incompleto (faltam “Dream Attack”, “As It Is When It Was”, “True Faith” e “Bizarre Love Triangle”), mas o som é de altíssima qualidade.

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Bootleg do show em Reading

Considerando que o New Order lançou oficialmente duas músicas desse show no disco número 4 da caixa Retro (2002) – “Regret” e “As It Is When It Was” -, não deixa de ser surpreendente o fato do concerto nunca ter virado um disco ao vivo legítimo. Aliás, é ainda mais surpreendente se considerarmos as reações dos integrantes da banda diante das gravações existentes. Sumner, em uma ocasião, disse: “Eu me lembro de alguem tocar um disco pirata desse show em uma loja de roupas e de soar fantástico”; o agora ex-baixista Peter Hook foi mais enfático: “Quando eu ouvi as fitas do show, eu quase chorei… Eu pensei ‘porra, que desperdício!'”. Dave Thompson, autor de True Faith: An Armchair Guide to New Order, tem uma teoria própria para explicar o motivo pelo qual a apresentação no Reading Festival ’93 não teria sido lançada oficialmente na íntegra. Segundo ele, “fãs e colecionadores preferem ver e ouvir uma performance mais antiga… mas eles [referindo-se à banda] certamente curtem mais esse [o show em Reading]. Sou fã e colecionador, mas adoraria ver esse show virar um disco ao vivo oficial e torço para que isso um dia aconteça.

Curiosamente, o livro de Thompson, uma referência em matéria de detalhes sobre tudo o que foi gravado e lançado (ou não) pelo New Order, vacilou ao mostrar o set list incompleto do show. A lista inteira é essa aqui: “Ruined in a Day”, “Regret”, “Dream Attack”, “Round and Round”, “World”, “As It Is When It Was”, “Everyone Everywhere”, “True Faith”, “Bizarre Love Triangle”, “Temptation”, “The Perfect Kiss”, “Fine Time” e “Blue Monday”. Por outro lado, o livro revela que após o show cada membro do New Order foi para a sua casa e eles não se comunicaram mais entre si durante cinco anos. Sim, de fato o tempo provou que não houve separação para valer (em 1998 eles fariam outro show incrível em Reading e esse, felizmente, saiu em DVD), mas o longo hiato após uma curtíssima turnê de um álbum feito sob nuvens negras diz claramente que o clima na banda não era dos melhores. Mesmo assim, foi o período em que exibiram sua melhor forma no palco – e o ponto culminante foi o show de 29 de agosto de 1993.

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MEMÓRIA | Uma noite em Nova Jersey

NEW ORDER

No lugar do Joy Division, o New Order: Sumner, Morris (juntos na foto) e Hook vão para os EUA sem Ian Curtis em setembro de 1980.

A história todos conhecem: em maio de 1980, quando o Joy Division estava às vésperas de fazer seu primeiro tour pelos Estados Unidos, Ian Curtis, o jovem e também talentoso vocalista e letrista, tirou sua própria vida na casa onde viveu seu desastroso casamento, em Barton Street (Macclesfield, Grande Manchester). Mesmo desolados, seus companheiros, Bernard Sumner (guitarra e teclado), Peter Hook (baixo) e Stephen Morris (bateria) decidiram continuar – na semana seguinte ao funeral já estavam ensaiando uma canção nova, partindo de um riff escrito por Hook. Estava nascendo “Dreams Never End”, a primeira de um novo lote de músicas. O Joy Division havia ficado para trás – foi enterrado junto com Ian Curtis. No horizonte à frente, os três remanescentes miravam o futuro, mas agora como New Order.

Exceto os fãs fiés e de longa data, o público médio pensa que Gillian Gilbert, então namorada do baterista de Stephen Morris, teria sido imediatamente convidada para tocar teclados e guitarra na nova banda. Mas não foi assim. Gillian fez sua estreia no New Order em novembro de 1980, em um concerto no Squat, em Manchester. Antes de ser incorporada ao grupo, o New Order existiu durante um breve período como um trio. Além disso, nesse curto espaço de tempo entre o segundo concerto, em Liverpool, e o último antes do ingresso de Gillian, em Boston (EUA), Sumner, Hook e Morris se revezavam na função de vocalista (o primeiro show, no Beach Club, em Manchester, foi totalmente instrumental).

Apesar do cancelamento dos shows do Joy Division na América do Norte (havia um concerto agendado no Canadá também), o New Order com três integrantes pegou um avião, atravessou o Atlântico e foi para os Estados Unidos fazer um punhado de apresentações. O primeiro, na cidade de Hoboken, em Nova Jersey, dia 20 de setembro de 1980, é particularmente interessante. Essa apresentação aconteceu no Maxwell’s, um tradicional bar e music venue local, no qual muitas outras bandas de sucesso já tocaram: R.E.M., Pixies e Smashing Pumpkins estão entre elas.

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A fachada atual do Maxwell’s, em Hoboken (Nova Jersey). Hoje o local se chama Maxwell’s Tavern.

Mas o que torna o show do Maxwell’s particularmente especial? Em primeiro lugar, talvez tenhamos que admitir que muito do interesse em torno desse concerto se deve ao fato dele ter sido gravado e pirateado – se não fosse por isso, ele perderia metade do seu “charme”. Recentemente, um novo bootleg chamado Grieving in the Dark (2014) o trouxe à tona novamente. Muitas vezes uma coisa ou fato adquire significado ou valor histórico simplesmente por estar documentado.

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Um dos LPs piratas do show no Maxwell’s: “Grieving in the Dark” (2014).

Para início de conversa, esse foi o único show da viagem pelos Estados Unidos no qual banda tocou com seu equipamento original. Antes do concerto seguinte, no Hurra’s, em Nova Iorque, a banda foi literalmente saqueada: os instrumentos e demais equipamentos foram roubados. Para realizar o próximo show, o grupo teve que sair às pressas para comprar tudo novamente. E acabaram levando gato por lebre: Bernard, por exemplo, levou uma guitarra Gibson ES-335 de segunda mão pensando que fosse nova, enquanto Peter Hook comprou uma guitarra barítono acreditando ser um baixo de seis cordas (ele só tomou conhecimento do engano quando percebeu que não conseguia afinar o instrumento).

O segundo detalhe acerca desse show diz respeito ao revezamento nos vocais. Quem já teve oportunidade de ouvir as primeiras gravações demo do New Order, feitas nos Western Works Studio, em Sheffield, julho de 1980, deve ter estranhado por exemplo, a voz do baterista Stephen Morris em “Truth” e, principalmente, em “Ceremony”. No Maxwell’s, a banda tocou um set de oito músicas, mas Bernard Sumner, justamente aquele que viria a ser o vocalista em tempo integral, cantou apenas em “In a Lonely Place”. O tecladista nessa canção era Stephen Morris, que cedeu a vaga de baterista para uma drum machine. Alguem aí consegue imaginar “In a Lonely Place” tocada com uma bateria eletrônica? Pois é, mas isso um dia já aconteceu…

Nas demais músicas, Morris e Peter Hook se alternaram nos vocais. “Cries and Whispers”, “Mesh” e “Dreams Never End”, por exemplo, foram cantadas por Hook (a última continuaria a ser cantada pelo baixista mesmo depois de Sumner ter sido eleito o vocalista oficial); “Procession”, “Truth” e “Ceremony” contaram com a voz de Steve. “Procession”, aliás, é outro caso curioso. Trata-se de uma versão embrionária ainda, executada com bateria eletrônica no lugar da bateria acústica. Ao que tudo indica, também não era lá muito fácil para o Steve tocar bateria e cantar ao mesmo tempo. De um modo geral, as músicas desse set ainda não se parecem totalmente com suas versões definitivas, sobretudo no que diz respeito às letras.

Mas, pelas contas do leitor, falta ainda uma música. Sim, é verdade, mas essa é um caso à parte. Nesse show, a banda tocou uma canção pela primeira e única vez. Cantada por Peter Hook, ela segue a formação básica de guitarra-baixo-bateria e soa um tanto à beira do punk rock. Como nenhum dos integrantes havia anunciado o nome dela ao microfone, ela ficou conhecida ao longo dos anos com nomes genéricos nada criativos como “Untitled” (sem título) e “Unreleased Track” (faixa nunca lançada). O mistério em torno do nome dela foi solucionado quando, em 2008, foi lançado 1 Top Class Manager (Anti-Archivists, 220 páginas), um livro com scans dos cadernos de anotações do finado ex-empresário do Joy Division e do New Order, Rob Gretton. Segundo as notas de Gretton, essa música se chamaria “Hour”.

Do repertório desse período inicial do New Order, apenas “Homage” (que não fez parte do set list do Maxwell’s, mas foi tocada em outros shows e aparece na fita demo do Western Works Studio) e a desafortunada “Hour” (que não resistiu à sua primeira apresentação pública e imediatamente caiu), não foram gravadas e lançadas mais tarde. “Ceremony” e “In a Lonely Place”, começaram a ser criadas quando Ian Curtis ainda estava vivo, mas se transformaram no primeiro single do New Order, em 1981; “Dreams Never End” e “Truth” entrariam no LP de estreia, Movement, lançado no mesmo ano; “Procession” ganharia um compacto próprio, também em ’81, mas reapareceria no ano seguinte ao lado de “Mesh” no EP Factus 8 (também conhecido como 1981-1982); “Cries and Whispers” entraria no lado B do single “Everything’s Gone Green”, lançado na Bélgica pela Factory Benelux.

Bom, chega de tanto falatório… Quem quiser curtir o show no Maxwell’s, Hoboken (NJ), 20 de setembro de 1980 (mesmo sendo uma gravação pirata com todas as falhas e falta de qualidade típicas do gênero), pode descarregá-lo AQUI.

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MEMÓRIA | Registros do New Order no Brasil em 1988

bizz-junhode1988neworderMe lembro com nitidez como se fosse hoje. Dentre os diversos assuntos que naturalmente poderiam emergir entre os primeiros colocados de uma fila para se assistir ao show do New Order no Vivo Rio, no dia 16 de novembro de 2006, uma antiga – e até mesmo meio esquecida – “lenda urbana” ressuscitou: a extinta emissora de TV Manchete, cuja sede ficava ali bem perto do local do concerto, teria exibido um especial com a apresentação do New Order no ginásio do Maracanãzinho, ocorrida no dia 25 de novembro de 1988. Todavia, por motivos “desconhecidos” ou “inexplicáveis”, o canal o teria feito sem chamadas na sua programação e em uma faixa de horário pouco frequentada por expectadores, a do “corujão” (depois da meia noite). Isso explicaria duas coisas: em primeiro lugar, porque tão pouca gente teria visto o especial (e esses “sortudos” juram até a morte que viram); em segundo, porque dentre os poucos afortunados que decidiram ficar acordados até mais tarde nesse dia, aqueles abastados que naquela época já dispunham de aparelhos de videocassette não estariam devidamente preparados para fazer um registro do show.

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A favor da lenda urbana está o fato da Rede Manchete ter gravado os shows de The Cure – também no Maracanãzinho, dia 28 de março de 1987 – e Echo & The Bunnymen – Canecão, dia 11 de maio de 1987 -, tendo, em seguida, exibido especiais de ambos (mas em horário nobre e com chamada na programação). Contra a lenda, algumas questões sem resposta: por que a Manchete teria optado, dessa vez, por exibir o show “de surpresa” e, sobretudo, em um horário de baixíssima audiência? Essa teria sido mesmo a causa de ninguem ter conseguido gravar o show? Se o concerto do New Order tivesse sido mesmo mostrado na TV, ainda que sem aviso e em um horário para “insones”, não é estranho o fato de não ter sido gravado por ninguem e, anos depois, ter ido parar no You Tube, como os especiais do Cure e do Echo? A prova dos nove está no acervo de 5.500 fitas da Manchete, hoje nas mãos da Fundação Padre Anchieta / TV Cultura – que já digitalizou quase a totalidade do material, mas que só poderá fazer uso dele a partir de 2053, quando essas gravações finalmente se tornarão de domínio público.

O mais curioso é que essa história voltou à baila em uma época bem diferente – em 2006 o You Tube já estava aí propagando, em comunhão com o acesso cada vez mais amplo às câmeras digitais, o conceito de broadcast yourself (algo como “faça você mesmo sua rádio/teledifusão”). Além disso, canais de internet que passaram a transmitir os shows via live streaming acabaram tendo seus vídeos capturados com a proliferação de programinhas e aplicativos destinados a esse fim. Em outras palavras, no século XXI tornou-se bem mais fácil produzir, disseminar e/ou reunir registros dos shows de seus artistas favoritos. Eu mesmo tenho gravações em áudio e vídeo digitais, de alta qualidade e proveniente de excelentes fontes, de todas as passagens do New Order pela América do Sul de 2006 para cá. Mas em 1988, particularmente no Brasil, já seria muita sorte conseguir entrar em um show com uma câmera fotográfica (algo que hoje está incorporado a qualquer telefone celular), quem dirá com um walkman ou um gravador de cassette. Mas houve quem tivesse conseguido essa proeza…

Imaginem a surpresa que foi quando, um belo dia, caiu em minhas mãos (e faz um bom bocado de anos isso), a gravação do show do New Order no ginásio do Gigantinho, em Porto Alegre, no dia 28 de novembro de 1988. Quando eu vi, mal pude acreditar. Apesar da qualidade rudimentar da gravação (e, também, da digitalização, que passava longe dos 320kbps), o registro era autêntico: não somente a ordem das músicas obedecia à do set list do concerto, como se podia ouvir o vocalista/guitarrista Bernard Sumner agradecendo as palmas e os urros da plateia com “obrigado”. No vídeo abaixo lhes apresento uma perfomance de “Sub-Culture” extraída da referida gravação e que confirma o que estou dizendo. Todavia, não existem informações sobre quem apertou o “REC” naquela noite, há 27 anos, nem sobre quem disseminou isso. De qualquer forma, foi um favorzaço feito, em especial, para os fãs do Brasil.

As suspeitas sobre a autoria dessa gravação recaem sobre uma figura que ficou muito conhecida entre os fãs de baladas eletrônicas nos anos oitenta e noventa – o DJ e radialista José Roberto Mahr, o homem por trás do famoso programa de rádio “Novas Tendências”, além de notório fã do New Order. Reza a lenda de que ele teria registrado todos os shows da passagem da banda pelo Brasil naquele ano – incluindo filmagens. Essa história já me foi confirmada por duas fontes diferentes: uma delas é um certo DJ da noite indie carioca (que, inclusive, disse já ter visto as fitas na casa do próprio Mahr) e a outra é uma figura já bastante conhecida entre fãs brasileiros do New Order desde os tempos dos canais de discussão no extinto mIRC e que atendia costumeiramente pelo nickname “Denial_1963” (nada de nomes sem a autorização dos citados, certo?). Isso por si só não prova que o registro de Porto Alegre ’88 que caiu na rede é de autoria de J. R. Mahr. Entretanto, em uma edição de seu programa (transmitido pela Rádio Cidade FM), ainda em 1988, ele tocou metade do set do terceiro show da banda no Ginásio do Ibirapuera (03 de dezembro), tendo prometido aos ouvintes tocar o restante do show no programa da semana seguinte, o que acabou não acontecendo. Nosso codinome “Denial_1963” havia gravado em cassete o programa com a primeira parte e, na segunda metade da década de 1990, transformou sua velha e gasta fitinha em um CD-R. Os arquivos digitalizados foram parar, depois, na rede. O vídeo a seguir mostra “Touched by the Hand of God” (finalizada com mais um “obrigado” de Sumner) – notem que a gravação é ainda mais precária, mas é um tesouro (a data do show mostrada no vídeo, no entanto, está incorreta). Anos mais tarde, “Denial_1963” teria “esbarrado” com Mahr por aí e lhe perguntado por que a segunda metade do show não tinha sido tocada no programa. A resposta recebida foi a que a qualidade do registro era muito ruim e “constrangedora”.

O fato é que, além do lendário, porém até hoje não comprovado, “especial da Manchete” e, também, das gravações piratas supracitadas, a turnê brasileira do New Order em 1988 gerou pelo menos um registro oficial que foi lançado em disco. Trata-se de um cover (excelente) de “Sister Ray”, do Velvet Underground, que fez parte do set da primeira noite do grupo no Ibirapuera, dia 01 de dezembro de ’88 (ver próximo vídeo). A faixa foi lançada no LP Like a Girl, I Want to Keep You Coming, uma coletânea de 1989 produzida pelo coletivo Giorno Poetry Systems (John Giorno, William Burroughs, Brion Gysin, Allen Ginsberg, John Cage) através de seu selo homônimo e que misturava música alternativa (Debbie Harry, David Byrne, Rollins Band, New Order) e poesia. A qualidade de som dessa versão de “Sister Ray” é soundboard, isto é, profissional, e segundo os créditos no disco, foi gravada em DATdigital audio tape – por “Oz” (Keith “Oz” McCormick, engenheiro de som e técnico de P.A. da banda naquela época). Naquela turnê, a revista Bizz levantou uma lista do equipamento trazido pelo New Order para o Brasil, o que incluía “quatro gravadores multipista digitais” que seriam usados pelo grupo para “registro pessoal”. Naturalmente, a Bizz cometeu um equívoco: os gravadores digitais multitrack só surgiriam no mercado em 1992 (os chamados ADAT – Alesis Digital Audiotape), enquanto que os gravadores DAT da Sony (que eram os que foram usados aqui) eram 2-track (dois canais). Bem, o fato é que o New Order tem seu próprio registro dos shows, mas infelizmente esse material deve estar sendo colonizado por fungos em algum depósito, haja vista que, de 1988 para cá, mais nada além de “Sister Ray” veio a ver a luz do dia.

Bom, esses são os registros que se têm conhecimento da passagem do New Order pelo solo brasileiro há quase trinta anos. Dentre lendas urbanas e fitas ameaçadas de morte pela ação do tempo, o que está ao alcance dos fãs até o momento é, em termos de quantidade (e de qualidade também), mixaria se compararmos com a chuva de streamingstorrents e de vídeos no You Tube de shows recentes à disposição hoje. Mas essa facilidade dos dias atuais torna as precárias e cacofônicas gravações das velhas fitinhas verdadeiros tesouros inestimáveis para os fãs.

Bem, só que o problema com os tesouros é que eles não costumam ser compartilhados…

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NEWS | New Order faz aparição surpresa em show da dupla de apresentadores do “The Infinite Monkey Cage”

p02gshylPor essa ninguem esperava: ontem a dupla que apresenta o programa The Infinite Monkey Cage na BBC Radio 4, o professor de física Brian Cox e o comediante Robin Ince, teve como convidado surpresa em seu show intitulado Brian and Robin’s Christmas Compendium of Reason, no Hammersmith Apollo, o New Order. A banda subiu ao palco e tocou quatro músicas: “Plastic”, “Your Silent Face”, “Bizarre Love Triangle” e “Temptation”. Em “Your Silent Face”, o professor Brian Cox, que nos anos oitenta foi tecladista das bandas Dare e D:Ream, chegou a assumir os sintetizadores – e não fez feio!

O programa The Infinite Monkey Cage estreou em 2008 e consiste em apresentar assuntos científicos de forma irreverente e popular. A primeira vez que Cox e Ince realizaram seu show Christmas Compendium of Reason, que mistura comédia (com temas científicos) e números musicais, foi no ano passado, quando contaram com a participação do The Cure. Desta vez, além da visita do New Order, o show teve como objetivo a arrecadação de fundos para a ONG Médicos Sem Fronteiras.

Vale lembrar, também, que ontem foi o lançamento do single “Tutti Frutti”, o segundo saído do álbum Music Complete, nas versões CD e vinil de 12″.

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REVIEW | Show: New Order, Casino de Paris, 04/11/2015

IMG_0483O que levou o New Order a escolher Paris como ponto de partida para a sua mini-turnê europeia que inaugura os trabalhos de divulgação (no palco) de seu mais recente trabalho – o até agora (muito) bem recebido Music Complete – é um segredo reservado somente à banda e seu management. Todavia, o que importa para o escritor deste blog é que uma feliz coincidência, ou golpe de sorte, me colocou no lugar e na hora certos. Uma viagem a trabalho me deu a oportunidade de realizar um velho “fetiche”: mesmo já tendo visto o New Order oito vezes, com e sem Peter Hook, dentro e fora do Brasil, eu nunca assisti a um show do grupo em solo europeu. Bem, o grande sonho mesmo era ver os caras “jogando em casa”, em Manchester, mas quem aqui está em condições de esnobar um show em Paris?

Chamar o presente texto de review seria muita presunção. Ele não preenche os devidos requisitos para isso – para início de conversa, nem tem a imparcialidade necessária. Contudo, já vi muita gente por aí escrever sobre discos e shows sem qualquer conhecimento sobre aquilo que está a avaliar para o público. E muitas vezes o ego do crítico é tão grande que ele assume posições indevidas e vai a um espetáculo acreditando que os músicos em um palco estão ali suando sob os holofotes para satisfazer a eles (os críticos), como em uma audição particular, e não ao público que pagou para vê-los. Não sou crítico profissional, mas acho que mesmo tratando de uma matéria sobre a qual sou deveras suspeito, se eu simplesmente me limitar a dizer o que achei bom e o que eu achei ruim, acho que vou parecer bem menos picareta que muito “crítico de música” por profissão.

Comecemos pelo venue. O Casino de Paris, localizado na Rue de Clichy, num ponto entre as estações de metrô Liège e Saint Lazare, tem a companhia de teatros e cafés, o que confere um ar boêmio ideal para um show. Quando eu cheguei, exatamente às 20:00, muitos grupos faziam seus warm ups nesses templos de boa bebida (vinho e pints) e sanduíches na baguette. Nem fiquei muito tempo do lado de fora. Logo no hall de entrada, já se podia ouvir o som do show de abertura (a banda era o Hot Vestry, cuja tecladista, Tilly, é filha de Stephen Morris e Gillian Gilbert). Quando finalmente acessei a pista, percebi que estava a assistir os minutos finais da apresentação do HV. Os instantes finais desse show e, também da apresentação do DJ Tintin serviram para duas coisas: para que eu arrumasse um bom lugar (nem precisava ser no gargarejo, já passei dessa fase) e para olhar melhor o interior da casa. O Casino de Paris é bem menor do que aparenta nas fotos espalhadas pela internet. Em alguns momentos, cheguei a pensar que era do tamanho do Circo Voador (Rio de Janeiro) ou até mesmo menor. Segundo a Wikipedia, a capacidade do fosse (pista) é de 1.800 pessoas. A capacidade total atual do Circo, a título de comparação, é de 2.800. Achei pouco para o New Order.

Outro problema: o palco era muito baixo. Aliás, um problemão em termos de visibilidade dependendo de onde se está na pista, ou da sua estatura. É bem verdade que eu prefiro shows indoor, mas custava acreditar que bandas como Coldplay e New Order haviam sido escaladas para tocar ali – com todo respeito ao valor histórico e à riqueza arquitetônica do lugar.

Bom, mas o Casino deixou uma impressão positiva em um aspecto importante: excelente acústica. Essa qualidade ficou evidente em todas as apresentações da noite: Hot Vestry, DJ Tintin e, salve salve, New Order. A outra coisa boa é que a casa estava lotada pelo menos – era um concerto sold out, isto é, com todos os ingressos vendidos (e tinha gente do lado de fora caçando ingresso de tudo quanto era jeito, pois chegaram até a me perguntar se eu tinha um sobrando para vender). Ficou evidente que o New Order precisava de um lugar mais espaçoso, por melhor que o Casino de Paris pudesse ser.

Mas como o que importa mesmo é o jogo com a bola rolando, vamos ao show. Confesso que fui esperando mais do mesmo: a banda entrando em cena ao som de alguma trilha de spaghetti western de Ennio Morricone, “Elegia” (de Low Life) como intro “substituta” para “Crystal” (que tem sido a opener dos shows há anos), depois “Regret”… Como reprises da Sessão da Tarde. Só que não. Pelo menos não desta vez. Ou pelo menos não será mais assim ao longo dessa nova turnê. Após uma intro diferente, que não consegui identificar, o New Order subiu ao palco sem muita conversa e escolheu como cartão de visitas um dos grandes temas de sua mais recente safra: “Singularity”.

Aposta alta, eu diria. Mas saíram ganhando. Funcionou muito bem como canção de abertura e, olhando a reação do público ao redor, tive a impressão que eu não fui o único a aprovar a escolha. Fora a execução, perfeita, o som estava tinindo, “brilhante”… E no lugar do vídeo chinfrim que havia sido produzido para a faixa quando ela foi incorporada ao set list no ano passado – antes de Music Complete ver a luz do dia – eles usaram imagens editadas de B-Movie: Lust & Sound in West Berlin 1979-1989, do trio Jörg A. Hoppe, Klaus Maeck e Heiko Lange. As cenas do filme pareciam dialogar muito bem com versos do tipo “We’re working for a wage / I’m living for today / On a giant piece of dirt / Spinning in the universe”. Aliás, falando em vídeo, outra mudança: em vez de um único telão de led ao fundo, este agora é complementado por telas laterais dispostas diagonalmente (ver foto), o que resulta em um efeito cênico bem mais belo e atraente.

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No esteio de “Singularity” tivemos uma sequência de velhos números “infalíveis”, todos executados com a mais absoluta perfeição: “Ceremony” (será sempre um dos pontos altos do show), “Crystal” (caiu do topo do set list, mas não ficou má nessa posição), “Age of Consent” (que Tom Chapman, o substituto de Peter Hook, toca com igual maestria, e que fique registrado isso) e a versão de “5-8-6” turbinada com uma mãozinha do DJ e produtor Stuart Price (que retornou ao repertório de shows do New Order em 2011 para nunca mais sair). A surpresa aqui foi terem puxado “5-8-6” mais para a “primeira parte” do show, na qual tradicionalmente predominam os temas mais rock. É, parece que a banda anda inclinada a quebrar algumas de suas próprias regras novamente

Após esse bloco de clássicos, eles retornaram ao Music Complete com “Restless”. Eu adoro essa música, mas tal como na apresentação em Maida Vale para o BBC 6 Live há algumas semanas, existem algumas coisas nela que, pelo menos no meu ponto de vista, fazem com que ela entre no famoso hall das “Grandes Canções de Estúdio do New Order Que Não Soam Bem Ao Vivo”. No começo, parecia meio lenta e arrastada… Levou tempo para ela entrar no mesmo pique do disco, com aquela “pegada” ligeira. Mas chegou lá. Porém, não gosto das guitarras. É legal, em termos visuais, ver o Phil Cunningham empunhando uma linda Gretsch, mas eu ainda prefiro o dedilhado no violão da versão original. As guitarras elétricas, com seus acordes “chá-com-pão” banais, encobriam o baixo de Tom Chapman e as lindíssimas frases de teclado de Gillian Gilbert. Tome um 6,5 e olhe lá!

Mas vejam como são as coisas. Para quem achou, antes do show começar, que o máximo que poderia haver de surpresa era o New Order tocar músicas do novo disco, quem poderia imaginar que eles desenterrariam um lado B de 1984?! Meu queixo quase foi ao chão quando ouvi Tom Chapman tocar em seu baixo Rickenbacker a introdução de “Lonesome Tonight” (vi Peter Hook, o autor original do riff, tocar essa com o The Light, mas confesso que não me emocionou tanto quanto desta vez que vi com New Order… e com o Tom em seu lugar). Tudo conspirou para sair perfeito: até mesmo Bernard Sumner, afeito a lambanças em músicas que estão há muito tempo sem tocar, não desafinou, não errou a letra, nem errou nas suas partes de guitarra. Valeu, Barney.

Aliás, eu preciso dizer algo à respeito de Sumner. Achei a atitude de palco dele diferente da que havia me acostumado a ver nos shows que o New Order realizou na América do Sul. Pelas bandas daqui (ops, de lá, ato falho, esqueci que estou nas Zoropa), muito populismo: na Argentina, “We love the beef!”; no Chile, “We love the wine!”; no Brasil, “We love caipirinha! But not the traffic jam!”. Fora os sorrisinhos e as piadinhas troll. O Barney que eu vi aqui em Paris fazia um tipo mais sério e frio, sem muita comunicação com a plateia.

Quando finalmente soltaram “Your Silent Face”, para um bom entendedor uma música basta. Para quem nunca reparou, aqui vai um “segredo”: ela é aquela música “calma” que cria uma espécie de “pausa” para a plateia recuperar as suas baterias, porque, depois dela, costuma ser a hora do ballroom, do batidão. Não deu outra: o New Order colocou na pista a dobradinha mais dançante de Music Complete: “Tutti Frutti” e “People on the High Line”. Na primeira, Sumner finalmente cometeu o primeiro grande erro da noite entrando um pouco tarde com a voz, se desencontrando em seguida com os vocais pré-gravados de Elly “La Roux” Jackson. Mas pouco depois ele conseguiu encaixar a voz e a letra nos lugares certos e a música transcorreu até o fim sem mais nenhum problema – e acompanhada por um vídeo cheio de imagens com cores berrantes que irremediavelmente remetiam ao álbum Technique (1989). Aqui cabe dizer uma coisa: “Tutti Frutti” não é a minha favorita do novo LP, mas não tem como não reconhecer que a faixa se encaminha para a sua canonização junto a outros clássicos do repertório da banda. Não é exagero. Era só olhar ao redor para perceber o quanto o público realmente ama essa canção.

Já em “People on the High Line”, outra que teve que trazer Elly Jackson em versão virtual / sampleada, foi perfeição da primeira à última nota. O destaque vai, sem dúvida nenhuma, para a “cozinha”: Stephen Morris e Tom Chapman. O que se ouve no disco soa ainda melhor ao vivo. Mas nessa hora foi impossível não pensar em Peter Hook. Não, não pensamentos do tipo “ah, que falta que ele faz”. Foi algo do tipo “vendo Morris e Chapman tão bem entrosados assim parecem que eles tocam tanto tempo juntos quanto Morris e Hook tocaram”. Foi tão bom, mas tão bom, que eu gostaria que o Daft Punk tivesse assistido essa versão de “People on the High Line” só para convidar Tom Chapman e Stephen Morris para tocarem no seu próximo disco.

Meus olhos testemunharam uma ampla aprovação das músicas novas no show. Mas vejam que detalhe curioso: haviam se passado dez músicas e nenhuma do Joy Division havia sido tocada – e eles já estavam no bloco de faixas mais dance. Eu mal podia acreditar no que eu estava presenciando… Da mesma forma como mal pude acreditar com o que eles fizeram com “Bizarre Love Triangle”: tocaram-na com um novo arranjo, com base no remix feito por Richard X em 2005. Pode parecer “heresia”, mas o fato é que soou muito melhor ao vivo que a já desgastada e sem brilho versão que vinha sendo tocada, com pouquíssimas modificações, desde 1998. A mesma ousadia valeu para a faixa seguinte, “Waiting for the Sirens’ Call”. Enquanto a versão original foi estruturada sobre uma base de guitarra-baixo-bateria, tendo os teclados e os sintetizadores apenas como “ornamentos”, no Casino de Paris a banda apresentou-a com nova roupagem se apropriando do remix “Planet Funk”. Ninguem no local parecia incomodado com mais esse “sacrilégio”. Pelo contrário, tive a sensação nítida de que a banda ganhou pontos com isso.

E aí veio a quinta e última música de Music Complete da noite: “Plastic”. Uma música que eu acho ótima. O problema é que, após o enorme impacto da sequência “Tutti Frutti”, “People On the High Line”, e os remakes/remixes de “Bizarre Love Triangle” e “Waiting for the Sirens’Call”, ela não arrancou oh!‘s e ah!‘s de ninguem. Uma pena, porque também foi tocada com absoluta precisão. Talvez o melhor lugar para ela seja mais para o início do show.

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Daí para frente… Agora sim, tudo mais do mesmo. “The Perfect Kiss”, “True Faith” e, encerrando o set, “Temptation”. Em “True Faith”, fora uns synths extras na introdução e uma “paradinha” no terço final da música, é o mesmo arranjo apresentado desde 2011, com base nos remixes do Shep Pettibone e do Paul Oakenfold. Já em “Temptation”, a banda toda se perdeu no começo, os instrumentos se desencontraram e o constrangimento se instalou nos rostos de toda a banda, mas depois todo mundo “se entendeu” de novo e faixa seguiu seu rumo – apoteótico, como sempre. A pausa antes da encore foi uma das mais curtas que eu já vi. Ela começou com “Blue Monday” – a pérola que faltou no bloco dance. E depois, é claro, não podia ser diferente: o espaço do Joy Division permaneceu garantido e o show terminou com “Atmosphere” e “Love Will Tear Us Apart” (esta última com os graves reverberando e estourando, foi a única “derrapada” no som, que esteve sempre impecável).

Fiquei feliz de ver o New Order com um show diferente daquele que vinha apresentando desde 2011. O repertório mostra que a banda conseguiu um equilíbrio bem razoável entre o material novo, os antigos sucessos (alguns com nova roupagem), um pouco de Joy Division para agradar quem faz questão e até “raridades” de seu catálogo. É claro que, ao longo dos próximos meses, esse set list a seguir pode sofrer alterações, mas como fã eu já vejo que essa lista aí já daria um bonito disco ou DVD ao vivo. Mas, falando especificamente do concerto em Paris, dos que eu vi, esse seguramente está entre os três melhores.

SET LIST:
Singularity
Ceremony
Crystal
Age of Consent
5-8-6
Restless
Lonesome Tonight
Your Silent Face
Tutti Frutti
People On the High Line
Bizarre Love Triangle (Richard X Remix)
Waiting for the Sirens’ Call (Planet Funk Remix)
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Temptation
Blue Monday (encore)
Atmosphere (encore)
Love Will Tear Us Apart (encore)

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REVIEW | New Order ao vivo no BBC 6 Music

11931144_1629938237286468_1293883471_nHoje foi um dia especial para os fãs do New Order: a banda fez sua primeira performance ao vivo após o lançamento de seu novo álbum, Music Complete, no histórico complexo de Maida Vale, da British Broadcasting Corporation. Apesar de ter sido um show de apenas uma hora e para uma seleta plateia, a maioria menos afortunada teve a chance de acompanhar tudo pela BBC Radio 6 Music (inclusive on line), com apresentação de Lauren Laverne. Como era de se esperar, a banda misturou clássicos com material do novo disco, dando ao público uma amostra do que virá pela frente na turnê que terá início no dia 04 do mês que vem, em Paris. Nas linhas a seguir, um modesto parecer do blog sobre o aperitivo de hoje.

E logo de cara vieram com uma das novas: “Singularity”. E começaram bem. Uma versão impecável e vibrante, demonstrando um New Order cheio de gás. Desde sua primeira execução pública no Chile ano passado até figurar em Music Complete, a faixa nitidamente ganhou corpo, o que se confirmou nessa excelente versão ao vivo. Em seguida, tocaram “5-8-6”, com aquele mesmo arranjo reformulado por Stuart Price e que vem sendo apresentado nos shows desde que o grupo voltou à ativa “reformado” em 2011. Tudo indica que deverá permanecer no repertório durante a turnê que está para começar.

E então chegou a hora e a vez do novo single… Ao vivo, “Restless” ganhou uma introdução ainda mais etérea, com synths reforçados, mas é quando a banda toda entra em ação que se percebe que algumas coisas parecem não funcionar bem. Primeiro, vem uma estranha sensação de que a música soa ligeiramente mais “lenta” ou “arrastada” do que no CD. As guitarras se impõem no primeiro plano sem apresentarem nada além dos acordes da música – algo bem diferente da abordagem discreta, minimalista e clean, mas bem mais funcional, da versão de estúdio. E a voz de Sumner, que vem caindo aos pedaços ano após ano, denunciou o quanto ele andou contando com uma mãozinha do autotune no último álbum.

Mas nada que “Bizarre Love Triangle” não resolva. Embora seja aquele mesmo arranjo das últimas turnês, com um groove minguado e um bass drum que você leva quase a música inteira para encontrar, é um ícone das pistas e um hino da década de 1980. Mas já está na hora de repaginar em grande estilo essa canção, tal como fizeram com outras (a exemplo da já comentada “5-8-6”). Todavia, “Bizarre Love Triangle” foi o convite para dançar, já que ela deu início ao bloco das músicas para “balançar o esqueleto”. Na sequência, com a participação de Elly “La Roux” Jackson, chamada ao palco por Bernard Sumner, vieram “Tutti Frutti” e “People on the High Line” – ambas fiéis às versões de estúdio. A segunda, especialmente, foi a melhor música nova ao vivo dessa apresentação.

Daí em diante, só clássico: “True Faith”, “Blue Monday” e “Temptation”. Mas nada de novo nas três. São as mesmas versões das últimas turnês do “New Order quinteto” – e que, ao contrário da de “Bizarre Love Triangle”, são ótimas. A impressão que o show de hoje no Maida Vale passou é que as músicas novas, de um modo geral, não vão desagradar os espectadores ao longo da turnê enquanto os velhos sucessos, mesmo sendo versões repaginadas há algum tempo, não trarão mais nenhuma mudança ou novidade. Agora e esperar a turnê começar de verdade – e torcer para que ela passe pelo Brasil.

SET LIST:
1. Singularity
2. 5-8-6
3. Restless
4. Bizarre Love Triangle
5. Tutti Frutti
6. People on the High Line
7. True Faith
8. Blue Monday
9. Temptation

Para assistir no BBC iPlayer (inclui entrevista): http://bbc.in/1VJXYU8

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NEWS | Peter Hook promete tocar ao vivo em show único todo material do Joy Division

sothisisPara marcar o aniversário dos 35 anos da morte de Ian Curtis, a legendária voz do Joy Division, outro egresso da banda, o baixista Peter Hook, anunciou que realizará com o The Light (grupo que formou após seu rompimento com o New Order) um show na Christ Church, em Macclesfield (na Grande Manchester), no qual tocará todo o material do JD. Isto quer dizer: os álbuns Unknown Pleasures e Closer na íntegra, além das sobras de estúdio editadas no LP duplo Still (que também era ao vivo), além de faixas lançadas em singles, EPs e compilações da Factory Records ou de outras gravadoras. Além de ser uma celebração da vida e obra de Curtis, o supershow está sendo organizado para apoiar duas entidades, a Epilepsy Society e a Churches Conservation Trust. O concerto vem sendo anunciado com o sugestivo nome So This Is Permanence, que, coincidência ou não, também é o título do livro lançado no ano passado com os manuscritos de Ian Curtis. O presente blog tem um palpite: caridades e homenagens à parte, acreditamos que esse show tem de tudo para ser gravado e, em seguida, lançado em algum formato, como por exemplo a série de concertos em Hebden Bridge, que foram transformados em três CDs duplos pelo selo Abbey Road Live Here Now para venda exclusiva em seu site.