NEWS | New Order: o que vem por aí

Picture1O New Order anunciou hoje em suas redes sociais e, também, em seu site oficial que lançará lá fora no dia 30 de novembro (mesmo dia em que o grupo se apresentará em Uberlândia, no Triângulo Mineiro) uma inédita edição em vinil da coletânea Total: From Joy Division to New Order. O disco foi lançado originalmente em CD em 2011 e se diferenciou dos demais álbuns compilatórios da banda por incluir também faixas do Joy Division. Além disso, na época em que foi lançado Total trazia a público pela primeira vez uma das sobras de estúdio de Waiting for the Sirens’ Call (2005), a canção “Hellbent”.

Outra boa novidade é que o livro de memórias do baterista Stephen Morris já tem título, capa e data lançamento divulgados. De acordo com a Amazon britânica, Record Play Pause está previsto para sair em fevereiro do ano que vem. A edição capa dura tem preço de lançamento estimado em £16 (aproximadamente R$ 77, sem contar despesas de envio). A editora que lançará o livro é a Constable. O texto de descrição da Amazon (em tradução livre) diz assim:

“O livro de Stephen Morris não será aquela típica autobiografia que normalmente tende a ser recheada de malícia porém pobre em matéria de música. Parte memórias, parte história auditiva, será um texto híbrido na voz irônica e espirituosa de Stephen, uma narrativa dupla sobre o que é crescer no noroeste da Inglaterra nos anos 1970 e sobre como a música realmente funciona. Ele também explorará o que é fazer parte de uma banda mítica e também a ideia de como você se torna o que você é.” 

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Nós aqui do blog diremos o seguinte: agora só falta o livro da Gillian Gilbert…

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REVIEW | Tudo sobre “Substance: Inside New Order”, de Peter Hook

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Stephen Morris, que terá as memórias de sua carreira como baterista do Joy Division e do New Order lançada em 2018 pela editora Constable, disse o seguinte em uma entrevista recentemente publicada ao Irish Times: “Quando você escreve uma autobiografia, é comum promover-se como um heroi – a não ser que você seja brutalmente honesto”. Morris está certo. Também não é difícil encontrar aqueles autores que se colocam no papel de “pobre vítima” – este seria o caso, por exemplo, de Deborah Curtis em seu livro Touching From a Distance, biografia do seu finado marido, Ian Curtis, a eterna voz do Joy Division. O tom impresso por Deborah nas páginas de seu livro é a da viúva apartada e alienada pela política “namoradas e esposas ficam de fora” supostamente praticada pela banda.

O mais recente livro de memórias de Peter Hook, ex-baixista do New Order (e que também fundou o Joy Division), não chega a ser um caso de autoindulgência. Capítulo final de uma trilogia que se iniciou com The Haçienda: How Not to Run a Club (2010, 368 páginas) e, em seguida, passou por Unknown Pleasures: Inside Joy Division (2013, 252 páginas), o novo volume, intitulado Substance: Inside New Order (Simon & Schuster, 768 páginas!), se dedica a escrutinar nos mínimos detalhes a história do New Order, dando ao leitor livre acesso à “privacidade” da banda de uma maneira que somente um ex-integrante sem papas na língua, como é o caso de Hook, poderia fazer.

Entretanto, não é porque o músico não se coloca no papel de heroi, ou de vítima, que ele não destila alguma dose de veneno endereçado diretamente aos seus ex-colegas, hoje desafetos. Segundo Hook, o guitarrista e vocalista Bernard Sumner, por exemplo, é um “babaca” (adjetivo usado sem qualquer economia ao longo do livro) mau humorado que não gosta de ser contrariado (tudo tinha que ser feito sempre da maneira como ele queria) e que, com o tempo, tornou-se um “ditador” que pôs fim à democracia que existia dentro do grupo; Steve Morris, por sua vez, é retratado como um tipo “estranho” ou “esquisitão”, dono de uma personalidade excêntrica.

Já a tecladista Gillian Gilbert… bem, para Peter Hook ela seria menos do que nada. De acordo com o baixista, ela pouco teria contribuído musicalmente com a banda e, na verdade, seu papel no New Order se limitava a tocar nos teclados e na guitarra o que tinha sido escrito por Sumner. Hook vai além: diz que ele e Bernard sempre nutriram o desejo de “convidá-la a se retirar”, mas nunca tiveram coragem de fazê-lo por ela ser a companheira de Morris. Com base nessa constrangedora situação, Hook aconselha: “jamais tenha um casal na banda”.

É importante sublinhar que Substance: Inside New Order, vai, é claro, além do rancor que o autor guarda de seus ex-parceiros. Peter Hook brinda os fãs com detalhes e histórias sobre as gravações dos álbuns da banda, além de comentários sobre cada faixa; conta causos sobre as turnês, o que inclui inúmeros relatos sobre tumultos e motins nos shows (a frase mais ouvida pela banda era “vocês jamais voltarão a tocar aqui de novo”); satisfaz os leitores mais nerds com explicações e minúcias sobre os instrumentos e equipamentos usados pelo New Order ao longo de sua carreira; e escancara até mesmo segredos sobre sua vida pessoal e íntima, como a relação conturbada com a atriz cômica britânica Caroline Aherne, falecida em julho deste ano.

Substance é uma autêntica (e verdadeira, até que se prove o contrário) história de sexo, drogas e rock’n roll: aventuras com groupies, o consumo (excessivo) de substâncias legais e ilegais, além de histórias por trás das músicas, marcam ponto em quantidades generosas no novo livro de Peter Hook. É uma obra de fõlego em ambos os sentidos: tanto para Hook, que se lançou na hercúlea tarefa de contar a história do New Order da maneira mais completa e rica possível, quanto para os leitores, que terão pela frente uma exaustiva jornada de leitura.

E talvez o maior problema do livro seja justamente esse: no afã de escancarar a “intimidade” da banda em todas as suas facetas, dos momentos divertidos/engraçados às tensões e conflitos, Hook talvez tenha exagerado um pouco na mão e preencheu pelo menos 1/3 (ou mais até) de sua magnus opus literária com muitos casos irrevelantes, de problemas na aduana devido a erros no preenchimento das declarações dos equipamentos ao susto por causa de uma aranha (“do tamanho da minha mão”, diz o baixista) no quarto de engenheiro de som Mike Johnson em um hotel na Austrália. O livro está repleto de histórias assim, o que pode tornar a leitura mais cansativa. No começo o leitor até se diverte, mas à media em que histórias desse tipo se sucedem ocupando grandes espaços da narrativa entre os episódios e acontecimentos de maior significância é impossível não se sentir um pouco entediado. Algo do tipo “ok, Hooky, outra boa história, engraçada mesmo, mas já passei da metade do livro e… quando é que você finalmente vai falar de acid house e Technique?”. Mais ou menos por aí.

Uma outra “falha” detectada é o fato dele não ter entrado em muitos detalhes sobre como eles foram influenciados pela cena club de Nova Iorque no comecinho da década de 1980. Nesse sentido, a autobiografia de Bernard Sumner, Chapter and Verse: New Order, Joy Division and Me (Bantam Press, 2014, 313 páginas), tão criticada publicamente por Hook, é bem mais esclarecedora. Afinal, esse foi um momento-chave na trajetória da banda – e que ajuda a entender como o New Order teria saído das sombras do Joy Division. Hook não aprofunda – pelo menos não tanto quanto Sumner – sobre o impacto que casas noturnas como Paradise Garage, Fun House e Danceteria provocaram no grupo e em sua música.

Mas uma grande qualidade de Substance é que o livro é recheado de fotos do acervo pessoal de Peter Hook. Existem três seções de fotografias coloridas que mostram Hook com o New Order, com amigos e colaboradores, com os músicos de seus projetos solo (Revenge, Monaco e The Light), com os filhos e a atual esposa etc. Há imagens no corpo do texto também (em preto e branco), sendo que algumas delas são pôsteres e ingressos de shows e anúncios de sintetizadores.

Resumindo: é impossível uma obra de tamanha magnitude não conter alguns “pecados” aqui e ali; todavia, não restam dúvidas de que Substance é, até o presente momento, a obra mais completa (em termos de volume de informações) sobre o New Order. No entanto, ela representa um ponto de vista, ou melhor, a história tal como teria sido vivida e experimentada por Peter Hook. Como disse Stephen Morris na mesma entrevista citada no primeiro parágrafo, [uma biografia] é apenas o ponto de vista de uma pessoa… Quando se olha para trás não dá para ser objetivo sobre o passado, porque sua opinião é sempre colorida pela sua experiência”. É importante ter isso em mente quando ler não apenas o livro de Hook, mas qualquer outra (auto)biografia. 

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NEWS | Livro de Peter Hook sobre o New Order sai em outubro deste ano

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Peter Hook promete “a verdade” sobre o New Order

Agora é oficial: o tão aguardado livro do (ex-)baixista Peter Hook sobre o New Order já tem a sua data de lançamento marcada. Intitulado Substance: Inside New Order, vai sair na Inglaterra, pela editora Simon & Schuster no dia 06 de outubro. A edição de capa dura terá 928 páginas (!!!) e o preço sugerido pelo editor será de aproximadamente £20 (cerca de R$ 86 pelo câmbio de hoje). “Hooky” promete um livro mais “verdadeiro” que Chapter and Verse, autobiografia do vocalista e guitarrista Bernard Sumner publicada pela Bantam Press em 2014. Em entrevista concedida ao site Skiddle.com e divulgada anteontem, o baixista disse:

“Fiquei bastante surpreso com o livro do Barney porque, na minha opinião, ele disse um monte de mentiras e eu até o tinha em má conta com algumas coisas, mas não por ser mentiroso. E isso me deixou chocado. Quando eu li o livro fiquei surpreso porque ele conseguiu despachar trinta anos de New Order em cem páginas. Olhei para o glossário e vi que eu estava em 66 delas, sendo chamado de lixo [N.T.: isso, absolutamente, NÃO É VERDADE]. Meu novo livro é sobre a história do New Order. Ele [o livro] diz a verdade e eu acho que as pessoas que leram os livros do Joy Division e do Haçienda tirarão suas próprias conclusões. Eu nunca fui acusado ou chamado de mentiroso a respeito de qualquer coisa a ver com isso. Eu simplesmente disse a verdade sobre o que aconteceu. O livro sobre o New Order, que vai sair em breve, vai fazer exatamente o mesmo. Logo, as pessoas serão capazes de tirar suas próprias conclusões e pensar por si mesmas”.

Substance: Inside New Order, que já teve o título cogitado para Power, Corruption and Lies, já se encontra disponível para pré-venda em diversos sites, como o da Amazon inglesa, mas na loja virtual Recordstore pode ser encomendada uma edição limitada que virá assinada pelo próprio Peter Hook – a exemplo do que foi feito com os livros anteriores, The Haçienda: How to Not Run a Club (2010) e Unknown Pleasures: Inside Joy Division (2013). Abaixo, o blog oferece a tradução do press release oficial do livro.


Dois álbuns aclamados e uma iminente turnê pela América do Norte – o Joy Division tinha o mundo aos seus pés. Então, na véspera desse passeio e do início do que certamente poderia ter sido uma história de sucesso internacional, o conturbado vocalista da banda, Ian Curtis, se matou.

“Nós realmente não pensamos sobre isso depois. Simplesmente aconteceu. Um dia estávamos no Joy Division, então nosso vocalista se matou e em seguida, quando nos reunimos novamente, éramos uma nova banda…” (Peter Hook)

Essa banda era o New Order. Seu som característico – uma inovadora fusão de pós-punk e electro – abriu caminho para a explosão da dance music nos anos oitenta e deu-lhes a fama de ser uma das bandas mais influentes de sua geração. Apesar do sucesso, a banda sempre foi um choque entre o visionário e o volátil e suas relações eram repletas de tensões.

Conhecido por não conhecer tabus, Peter Hook conta de modo abrangente toda a história do grupo, repleta de ultrajantes anedotas e incluindo cada set list, itinerário de turnê e detalhes sobre cada equipamento eletrônico usado para forjar o som que mudou o rumo da música popular.

O autor: Peter Hook nasceu em Salford, em 1956. Ele foi membro fundador do Joy Division e do New Order e agora excursiona tocando a música de ambos os grupos com sua banda ‘Peter Hook and The Light’. Ele também é DJ e promove o concerto The Haçienda Classical pelo mundo. Peter vive em Cheshire com sua esposa, Rebecca, e os filhos, Heather, Jack e Jessica, e seus cães de estimação, Wilma e Bo.

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REVIEW | “Unknown Pleasures (Joy Division)”, por Chris Ott (coleção “O Livro do Disco”)

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O livro do disco: “Unknown Pleasures” para se ler.

Já que estivemos falando de livros e presentes de Dia dos Namorados, eis que na data dedicada aos casais no Brasil – o último domingo, dia 12 – minha esposa me apareceu com esse livrinho convidativo: Unknown Pleasures (Joy Division), escrito pelo jornalista Chris Ott e lançado por aqui pela editora Cobogó em sua coleção O Livro do Disco. Como hoje o seminal álbum de estreia de Ian Curtis, Bernard Sumner, Stephen Morris e Peter Hook está completando seu 37aniversário, achei que esse era um momento oportuno para apresentar aqui meu review sobre o livro.

A proposta da coleção O Livro do Disco, segundo a editora, era disponibilizar no Brasil uma série de livros dedicados a álbuns clássicos e influentes do pop nacional e internacional seguindo os moldes da 33⅓ Seriesda Bloomsbury Publishing, que foi a “inventora” da coisa toda. Todavia, enquanto o equivalente brasileiro conta com apenas 11 títulos, que vão de The Velvet Underground & NicoAs Quatro Estações da Legião Urbana, seu irmão gringo mais velho já contabiliza 115 volumes. Aliás, os itens da coleção dedicados aos discos lançados lá foram são traduções dos originais lançados pela Bloomsbury na 33⅓ . Eu até já tinha visto por aí os títulos da Cobogó, mas confesso que não me lembro de ter dado de cara com esse sobre Unknown Pleasures antes. A ficha catalográfica é de 2014, mas a primeira impressão é do ano passado.

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O original da espécie

Confesso que fiquei um pouco decepcionado com a apresentação do livro logo de cara. Enquanto os títulos da 33⅓ trazem, sem excessão, a capa do álbum estampada na própria capa do volume, a Cobogó, certamente por questões de direitos de reprodução, optou por um layout que, embora seja bonito e contenha as cores da arte original do LP, é um desastre sob outros aspectos: uma figura abstrata, formada por círculos concêntricos, que possivelmente remete à imagem de um disco de vinil, mas que se destaca de maneira quase imponente, enquanto que, sob ela, de modo bem menos chamativo (como se nem tivesse tanta importância assim), temos o nome da coleção, o título do álbum, o artista e o nome do autor.

Também senti um cheiro forte de cliché quando Ott, crítico musical e ex-colaborador do site (ou seria melhor chamar aquilo de “antro dos malas sem alça”?) Pitchfork, escreveu o seguinte no “Prefácio” redigido  (intencionalmente?) em um dia 18 de maio: “Hoje faz 23 anos que – aos 23 anos – Ian Curtis cometeu suicídio”. Para mim, não podia ser pior. E continua: “Sua voz singular alçou as canções angustiantes do Joy Division…”. Não foi um bom começo, para ser sincero. Só faltou o autor dizer que estava ouvindo “Atmosphere” naquele exato momento em que ele escrevia essas “melosidades”.

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Meu exemplar do dito cujo

Felizmente, tudo muda do primeiro capítulo em diante. Trata-se de um livro bem escrito e baseado em fontes seguras – isso é o mínimo, aliás, que se espera de um bom jornalista. E faço questão de colocar isso em destaque porque estou cansado de ler matérias por aí cheias de informações incorretas. O mais curioso é que Unknown Pleasures (Joy Division) nos entrega mais do que promete – o livro vai muito além do primeiro disco da banda. Tanto que, num total de 110 páginas, Ott só começa a falar realmente do Unknown Pleasures a partir da página 63. O que o leitor que o comprar terá nas mãos é, talvez, a melhor história condensada já escrita do Joy Division. Estou falando algo que está anos-luz à frente do constrangedor (impublicável, aliás) Joy Division / New Order: Nada É Mera Coincidência, de Helena Uehara (editora Landy, 2006, 114 páginas). Está tudo lá: do primeiro show dos Sex Pistols em Manchester (04 de junho de 1976) à trágica morte de Ian Curtis e o lançamento póstumo de Closer (1980), que hoje em dia prefiro a Unknown Pleasures.

Curiosamente, o livro de Chris Ott é uma versão expandida de um artigo que ele havia publicado no Pitchfork, chamado “An ideal for listening” e que havia sido desavergonhadamente republicado (com outro título) no site World In Motion, de David Sultan (um famoso “especulador” no mercado de raridades do New Order e do Joy Division e que atualmente tem sido uma espécie de “mecenas” do baixista Peter Hook). Ott não se queixou da “apropriação indébita” (o próprio deixa isso claro no livro). Mas isso não é bonito. Nos anos 1990, quando eu tinha uma página pessoal sobre o New Order chamada Technique Page, tive a minha “história condensada” da banda (naquela época ainda com informações incorretas ou equivocadas, reconheço) descaradamente copiada e colada no site de uma emissora de rádio – sem que os devidos créditos me fossem dados, é claro.

Para concluir, voltemos ao livro: se você quer uma boa (e confiável) biografia de bolso sobre o Joy Division, essa parece ser a melhor opção. Naturalmente, não substitui a leitura de outros títulos mais volumosos e escritos por quem viveu aquela história diretamente (Peter Hook, Bernard Sumner, Deborah Curtis), mas funciona bem como “passe de entrada”.

REVIEW | Avaliamos a caixa “B-Box: Lust & Sound In West Berlin”

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Unboxing the B-Box

Fazia um bom tempo que não se publicava aqui no blog um video review, mas o lançamento da caixa B-Box, um item luxuoso (e de tiragem limitada) que propõe uma verdadeira imersão no universo do fime/documentário B-Movie: Lust & Sound in West Berlin 1978-1989, parecia ser um ótimo motivo para ficar em frente a câmera e apertar o “REC”. Dirigido por Jörg A. Hoppe, Klaus Maeck, Heiko Lange e Miriam Dehne, o filme é um registro do cenário musical e cultural de vanguarda da antiga Berlim Ocidental ao longo da década de 1980 e que procura revelar o que despertou o fascínio de gente como David Bowie, Iggy Pop ou Nick Cave, que gravaram trabalhos importantes e inspiradores enquanto estiveram por aquelas bandas, como LowThe IdiotTender Prey. O filme foi construído a partir do que foi capturado pela câmera de Mark Reeder, músico e produtor que deixou Manchester (Inglaterra) em 1978 para ir a Berlim encontrar seus ídolos do krautrock (como Edgar Froese, do Tangerine Dream) e que por lá acabou ficando. Além de se tornar o representante da Factory Records na então Alemanha Ocidental, tornando-se doravante o responsável por divulgar o Joy Division e o A Certain Ratio, Reeder trabalhou com nomes locais como Blixa Bargeld (Einstürzende Neubauten, Nick Cave & The Bad Seeds),  Die Toten Hosen e Malaria!, e teve suas próprias bandas (Die Unbekannten e Shark Vegas). A caixa é uma experiência completa através de diferentes mídias: o filme, a trilha sonora, livro… Maiores detalhes no vídeo e, também, na galeria de fotos. Já sobre a relação entre Reeder/B-Movie e o Joy Division ou o New Order, é só dar uma conferida em um post que fizemos anteriormente.



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NEWS | Pílulas: “Singularity” chegou ao topo das paradas e fãs poderão produzir o próximo clipe do New Order

Neste post trazemos, uma vez mais, notícias frescas relacionadas ao New Order em pequenas doses para deixar os leitores do blog por dentro de tudo o que envolve a nossa banda favorita. Deixemos de lado os preâmbulos e vamos logo às boas novas…

  • Se o quarto lugar de “Tutti Frutti” na parada britânica de singles físicos já tinha sido um excelente resultado, o desempenho de “Singularity” foi ainda melhor. O terceiro single saído do álbum Music Complete chegou ao topo da UK Physical Singles Chart (lembrando que, atualmente, a parada britânica se divide em outros formatos “não físicos”, como o digital download e o streaming, além de haver também a “parada geral”, que congrega todos os formatos). “Singularity” derrubou do primeiro lugar o novo single dos Pet Shop Boys, “The Pop Kids”. O guitarrista e tecladista Phil Cunningham fez questão de comemorar o feito em seu Twitter.
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“Singularity” no topo da UK Physical Singles Charts

  • E já que o assunto é “Singularity”… Acaba de sair na Alemanha, em DVD e Blu-Ray, o filme meio documentário / meio reconstituição B-Movie: Lust and Sound in West Berlin 1978-1989 (o clipe de “Singularity” é uma colagem de cenas extraídas do filme). Junto com B-Movie foram lançados um livro – B-Book – e a trilha-sonora do filme – B-Music -, que traz nomes como Westbam, Richard Butler (Psychedelic Furs, Love Spit Love), Die Toten Hosen, Mark Reeder / Shark Vegas, Edgard Froese (do Tangerine Dream, falecido no ano passado), Iggy Pop e Joy Division, este com uma versão reconstructed de “Komakino”. Ou, se preferir, é possível optar por uma caixa, B-Movie: Gesamtbox, com o filme (DVD + Blu-Ray), a trilha-sonora (LP + CD duplos), o livro (brochura) e mais alguns “mimos” como uma bolsa, uma palheta, um abridor de garrafas, um bottom badge e três prints. O filme tem duas opções de idioma, alemão e inglês, e legendas apenas em francês; nos extras, há uma entrevista com Bernard Sumner, guitarrista e membro fundador do Joy Division e do New Order.
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B-Movie para todos os gostos!

  • E como falamos em clipe… O New Order fez um convite inusitado para os fãs. Foi aberto um concurso para o vídeo promocional do que virá a ser o quarto (e, talvez, o último) single do álbum Music Complete, que será “People on the High Line” (outra faixa com a participação de Elly “La Roux” Jackson). O prêmio para o(s) criador(es) do clipe escolhido será de US$ 8.000! No site http://genero.tv/neworder os interessados poderão conferir requisitos, regras e, naturalmente, baixar a versão “Radio Edit” gratuitamente para usar na criação do vídeo. Essa é uma iniciativa muito interessante. No You Tube ou no Vimeo é possível conferir fan made videos de canções do New Order, como “Mr. Disco”, “Primitive Notion” (que não possuem vídeos promocionais) e até mesmo “Tutti Frutti” (que possui um clipe oficial).

NEW ORDER ~ Tutti Frutti [Fan Video] from sound.TV on Vimeo.

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REVIEW | Livro: “The ‘Blue Monday’ Diaries”, de Michael Butterworth

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Michael Butterworth: testemunha da criação de um clássico

“Outros artistas vêm fazendo música sintetizada sequenciada há alguns anos, mas esta é talvez a primeira vez  que uma banda de rock  usa essas técnicas no coração de sua música. Eles estão experimentando muitas coisas que lhes são novas – novas, inclusive, para o engenheiro de som”.

O fragmento acima vai de encontro do que sempre pensei à respeito do New Order: apesar de ser contemporâneo de grupos que também faziam um tipo de música sintetizada, como Depeche Mode, Ultravox, OMD ou Yazoo, o (outrora) quarteto oriundo de Manchester, que nasceu forjado no seio de uma tragédia, é outra coisa. É uma banda híbrida – encontro entre o rock, a música eletrônica e a “profana” disco music. Ouçam atentamente Power, Corruption & Lies, o segundo álbum do New Order, lançado em 1983: nele Bernard Sumner (voz e guitarra), Gillian Gilbert (teclado e guitarra), Peter Hook (baixo) e Stephen Morris (bateria e teclado) não apenas deram forma definitiva ao seu som, como também criaram algo que, de fato, pouco se assemelhava ao que os outros estavam fazendo. Não soava como Construction Time Again, ou You and Me Both, por exemplo.

Aliás, o autor da citação que introduz este texto teve o privilégio de acompanhar de perto, como uma “mosca na parede”, o dia-a-dia das gravações de Power, Corruption & Lies e, também, do que viria a ser o single de 12 polegadas mais vendido de todos os tempos: “Blue Monday”. Michael Butterworth (Manchester, b. 1947), conhecido na Inglaterra pelos seus contos e romances de ficção científica, e, também, como um dos fundadores da editora e distribuidora de livros Savoy, foi o cara certo no lugar e na hora certos. Ele foi testemunha ocular do momento em que o New Order se convertia, enfim, naquela banda – conexão entre o rock e a música dance, e situada na fronteira entre o pop e o avant garde. Seu “diário de bordo” de tudo o que rolou no Britannia Row Studios, em Londres, ficou registrado em quatro cadernos. Recentemente redescobertos, serviram de base para um item doravante obrigatório para os fãs: The Blue Monday Diaries: In the Studio With New Order (Plexus, 189 páginas).

Antes de mais nada, Butterworth procura explicar para o leitor que por trás da história do seu diário sobre o New Order trabalhando em estúdio existem alguns precedentes – o que o obriga a recuar no tempo até a década de 1970, em Manchester. O que muita gente não sabe é que existia na cidade um circuito de livrarias alternativas que tinha uma estreita relação com a cena musical local. Canções do Joy Division, primeira encarnação do New Order, e de outras bandas “do pedaço”, como The Fall e A Certain Ratio costumavam “frequentar” os alto falantes do sistemas de som interno das lojas de livros. Stephen Morris e o finado Ian Curtis eram clientes dessas livrarias antes mesmo do Joy Division existir. Foi nesse contexto que o autor teve o primeiro contato com a banda. Mais tarde, quando já tinham se transformado em New Order, não foi difícil convencer o grupo e seu empresário, Rob Gretton, a aceitá-lo como companhia no estúdio para a realização de um projeto: um livro sobre o New Order (o que acabou não acontecendo naquela época por desistência dos editores).

Algo marcante em The Blue Monday Diaries é, sem dúvida, a minúcia e a riqueza de detalhes. Todavia, o afã do autor de transcrever para o livro absolutamente tudo o que foi registrado em seus cadernos, inclusive as mais irrelevantes observações, faz com que ele caia em redundâncias indubitavelmente descartáveis. Por exemplo, incontáveis vezes Butterworth se detém em informações dispensáveis, como o que os membros da banda estão vestindo, de que cor, se tem estampa (e como ela é) etc. Ele também descreve quase todas as idas com a banda ao estúdio pela manhã: a que horas, quem estava na direção do carro, qual percurso fizeram e se pararam em algum lugar antes; Michael também sempre relata inúmeras vezes a volta do estúdio para o apartamento alugado em Londres e, a cada vez, informa ao leitor quem foi para cama primeiro, a que horas, quem ficou acordado até mais tarde e por aí vai. E mais: cada momento que alguem da banda ou Rob colocava um baseado, um comprimido de speed (anfetamina) ou um tablete de LSD na boca foi devidamente narrado no livro. Por fim, outra repetição irritante eram as constantes comparações que Butterworth insistia em fazer entre o mercado editorial e a indústria musical.

Mas fora essa lista de “mais do mesmo”, sobra algo bom? A resposta é sim. Aprende-se bastante sobre o modus operandi da banda naqueles tempos – tanto no que diz respeito ao processo criativo (como escreviam as músicas e as letras) quanto com relação à produção em estúdio (não se esqueçam que Butterworth documentou o momento em que o New Order já estava produzindo seus próprios discos). Como qualquer outra banda, suas músicas nasciam em uma sala de ensaios e a partir de jams (improvisos), que eram gravadas; no meio do “caos”, encontravam cinco segundos que lhes pareciam interessantes e resolviam desenvolver algo mais elaborado a partir daí, mas sem uma letra; com a música pronta, os sequenciadores, drum machines, isto é, toda a parte techno, entravam depois, no estúdio. Tudo o que iria ser feito em um dia de gravação era previamente decidido de forma consensual e democrática. As letras via de regra vinham no final.

Outro ponto a favor do livro é a maneira como ele ilumina melhor o papel ou as qualidades individuais de cada um dos membros. Bernard Sumner, por exemplo, é o principal arranjador da banda e, junto com Stephen Morris, está sempre às voltas com a “domesticação” dos instrumentos eletrônicos. Mas é particularmente interessante o modo como Butterworth descreve Gillian Gilbert – justo ela que, atualmente, tem sido alvo de ataques ferozes do baixista Peter Hook, hoje fora da banda (ele insiste em dizer que Gillian nunca trouxe alguma contribuição para o New Order). Observando-a trabalhar em um overdub para a faixa “Ecstasy”, o autor escreveu:

“Ela começa a tocar uma animada linha de baixo no Moog [Source], que é corrigida na fita multicanal por Mark. Na maior parte do tempo ela está perfeita e intencionalmente imóvel, de pernas cruzadas, enquanto seus dedos tocam com entusiasmo. Ela se mantém no ritmo e o persegue, bordando-o com padrões compactos e curtos que me fazem lembrar saltos em um jogo de amarelinha. Ela é amorosa, carinhosa e, de repente, vejo porque Rob queria que ela fizesse parte do grupo. Se eu fosse aquela batida [da música], eu ficaria feliz em ser pego por ela”.

Mas se existe um grande mérito nesse livro, mais do que ser um making of de um grande single e de um belíssimo álbum, é o de servir como documento de como era fazer música eletrônica há 34 anos. Hoje com um laptop, um software e alguns plug ins, se pode produzir um álbum inteiro de pop eletrônico sem sequer precisar da infraestrutura de um grande estúdio de gravação, o que era impossível em 1982/1983. The Blue Monday Diaries mostra a luta de Barney, Stephen, Gillian e Peter para conseguir dominar o que hoje equivaleria ao Homem de Neanderthal para a espécie humana, só que com nomes estranhos que pareciam saídos de antigos filmes sci-fi: Sequential Circuits Prophet V, Powertran ETI 1024 Custom Built Sequencer, E-Mu Systems Emulator… São comuns no livro os relatos de problemas de mal funcionamento de toda essa parafernália e, igualmente, de como era difícil manipulá-los. Mas é claro que, com o passar dos anos, o New Order acompanhou as viradas da tecnologia musical. Durante muito tempo eles levaram para os palcos parte do equipamento usado em estúdio, como os sequenciadores. Atualmente eles usam gravadores hard disk multipista, o que significa que os sequenciadores foram aposentados, pelo menos para uso nos shows.

The Blue Monday Diaries só não leva uma nota dez porque Butteworth é bastante chegado em divagações – dentre elas, destacam-se aquelas nas quais o autor procura convencer o leitor de supostas conexões existentes entre a música do New Order (e a do Joy Division também) com a ficção científica, seu habitat natural. Além disso, a Savoy, sua antiga empresa do ramo editorial (e que também chegou a se aventurar pela indústria musical), ganhou espaço muito além do merecido no livro. Em alguns momentos, cheguei a me perguntar se estava a ler sobre New Order/”Blue Monday”/PC&L ou sobre Butterworth/Savoy/mercado literário/sci-fi. Em todo caso, pelas qualidades já citadas, é uma obra recomendável e que pode ser considerada um warm up para o livro de memórias sobre o New Order que Peter Hook dever lançar ainda este ano – e que deve acrescentar mais detalhes sobre as gravações, de “Blue Monday”, Power, Corruption & Lies e de outras faixas e álbuns.

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