REVIEW | “Music Complete: Remix EP”

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Mais do mesmo… Music Complete: Remix EP

No último dia 07 de abril o New Order divulgou através de suas redes sociais o lançamento de um novo EP com remixes de cinco faixas de seu último trabalho de estúdio, o álbum Music Complete. Sob o título Music Complete: Remix EP, o novo título foi disponibilizado apenas no formato streaming (Spotify e You Tube) e digital music download para clientes da Apple Store. O “disco” teria sido lançado como parte da campanha de divulgacão da próxima tour pelos Estados Unidos, que começará no dia 13 de abril, em Nova Iorque, e que contará também com uma participação no festival Coachella. Não há informações sobre algum eventual lançamento em formato físico do EP (e nosso “radar” não detectou ainda a existência de algum CD promo exclusivo).

Em sua divulgação direta via Twitter e Instagram, os fãs são informados que Music Complete: Remix EP contém remixes “raros e inéditos”, mas há um pouco de “exagero” nisso. De inédito, “People on the High Line (Purple Disco Machine Remix)”, com sua pegada house, assinado pela dupla alemã Purple Disco Machine, e “Academic (Mark Reeder’s Akademix)”, do produtor Mark Reeder, um amigo e colaborador de longa data do New Order. Os três remixes restantes não são necessariamente “raros”, como veremos a seguir.

“The Game (Mark Reeder Spielt Mit Version)”, também produzido por Reeder, já havia sido lançado no ano passado em sua forma editada na coletânea A Symbol of Cosmic Order, da gravadora dinamarquesa Stella Polaris (existem rumores de que os remixes do Mark Reeder nesse novo EP podem reaparecer em uma nova coletânea do produtor em breve). Por sua vez, “Tutti Frutti (Takkyu Ishino Remix)” já era conhecido por ter sido incluído na versão japonesa do vinil de 12″ e, também, na caixa Wrapping Cloth ‘Furoshiki’ Box Set de Music Complete (também lançada exclusivamente no Japão e comentada aqui no blog). “Restless (Agoria Dub)”, de Sébastien Devaud, além de também fazer parte da mesma caixa editada na Terra do Sol Nascente, chegou a ser disponibilizada pelo site DirrtyRemixes.

De um modo geral, os remixes escolhidos para compor o EP são muito bons – com exceção, talvez, de “People on the High Line”. Todavia, a questão é: qual o senso de propósito desse lançamento? De 2015 para cá temos visto um bocado de remixes de Music Complete por aí, para todos os gostos, bolsos e formatos. Seria muito mais interessante, por exemplo, que o anunciado disco ao vivo NOMC15 viesse acompanhado de um respectivo DVD ou Blu-Ray, por exemplo, ou que os concertos na Opera House de Sidney com a Australian Chamber Orchestra ganhassem um lançamento caprichado. Será que realmente um EP de remixes lançado via streaming vai ajudar a vender mais ingressos de uma meia dúzia de shows nos EUA?

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NEWS | Mark Reeder lança remix de “The Game”

THEGAME_MARK REEDERTrês dias antes do lançamento do single “People on the High Line”, o quarto saído do álbum Music Complete, a gravadora dinamarquesa Stella Polaris Music, especializada em música eletrônica downtempo e, também, promotora de um festival dedicado ao gênero, soltou para download pago um remix de Mark Reeder (produtor e DJ, ex-Frantic Elevators, ex-Die Unbekannten e ex-Shark Vegas) para “The Game” intitulado “Mark Reeder Spielt Mit Stella Polaris Edit”. A faixa faz parte de uma coletânea do selo intitulada A Symbol of Cosmic Order, que conforme a tradição da gravadora, está sendo lançada durante mais uma edição de seu festival homônimo (que começou no dia 29 de julho, na cidade de Kolding, e terminará no dia 07 de agosto, em Frederiksberg). Suas compilações são disponibilizadas para venda nos locais do evento, em bancas; ao final dele, podem ser encontradas nas lojas de discos físicas ou virtuais, como a Gaffa Shop, uma de suas parceiras. Infelizmente, o fato de terem liberado uma versão “edit” do remix agora não significa que o álbum A Symbol of Cosmic Order contém uma versão “extended” – na verdade, o mix creditado no disco é mesmo do digital single download lançado no último dia 26/07. Abaixo, deixamos para você ouvir um pequeno audio sample de 35 segundos. Dê sua opinião.

New Order & Mark Reeder:
The Game [Mark Reeder Spielt Mit Stella Polaris Edit] / Audio sample – 35s.
(©2016 – All rights reserved / Todos os direitos reservados)

O blog agradece a contribuição de Felipe Siqueira, do New Order Brasil.

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REVIEW | Avaliamos a caixa “B-Box: Lust & Sound In West Berlin”

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Fazia um bom tempo que não se publicava aqui no blog um video review, mas o lançamento da caixa B-Box, um item luxuoso (e de tiragem limitada) que propõe uma verdadeira imersão no universo do fime/documentário B-Movie: Lust & Sound in West Berlin 1978-1989, parecia ser um ótimo motivo para ficar em frente a câmera e apertar o “REC”. Dirigido por Jörg A. Hoppe, Klaus Maeck, Heiko Lange e Miriam Dehne, o filme é um registro do cenário musical e cultural de vanguarda da antiga Berlim Ocidental ao longo da década de 1980 e que procura revelar o que despertou o fascínio de gente como David Bowie, Iggy Pop ou Nick Cave, que gravaram trabalhos importantes e inspiradores enquanto estiveram por aquelas bandas, como LowThe IdiotTender Prey. O filme foi construído a partir do que foi capturado pela câmera de Mark Reeder, músico e produtor que deixou Manchester (Inglaterra) em 1978 para ir a Berlim encontrar seus ídolos do krautrock (como Edgar Froese, do Tangerine Dream) e que por lá acabou ficando. Além de se tornar o representante da Factory Records na então Alemanha Ocidental, tornando-se doravante o responsável por divulgar o Joy Division e o A Certain Ratio, Reeder trabalhou com nomes locais como Blixa Bargeld (Einstürzende Neubauten, Nick Cave & The Bad Seeds),  Die Toten Hosen e Malaria!, e teve suas próprias bandas (Die Unbekannten e Shark Vegas). A caixa é uma experiência completa através de diferentes mídias: o filme, a trilha sonora, livro… Maiores detalhes no vídeo e, também, na galeria de fotos. Já sobre a relação entre Reeder/B-Movie e o Joy Division ou o New Order, é só dar uma conferida em um post que fizemos anteriormente.



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WHO IS? | Mark Reeder: o homem da Factory (e do New Order) na Alemanha

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Mark Reeder: de Manchester a Berlim

Já dissemos isso aqui em outra ocasião, mas não custa nada repetir: o sucesso de um artista solo ou banda não depende apenas de talento. Um pouco de sorte cai bem, é claro, mas ter pessoas certas atuando nos bastidores, fora da luz dos holofotes, também faz a diferença. Que o digam os Beatles: sim, eles eram geniais e carismáticos, mas a história deles teria sido a mesma sem Brian Epstein, George Martin ou Geoffrey Emerick? Talvez não. Quando se fala de Joy Division e New Order, impossível não mencionar Tony Wilson, Rob Gretton ou Martin Hannett. Para o bem ou para o mal. Ao longo da história dessas duas bandas, outros nomes mais ou menos ilustres foram deixando sua marca. Um exemplo é Arthur Baker, o DJ e produtor norteamericano que com a seminal “Confusion” ajudou o New Order criar um blend de synth pop inglês e puro eletrofunk negro novaiorquino. O resultado foi eternizado em vinil.

Falaremos mais de Arthur Baker em outra ocasião. O personagem deste post é outro. Ele atende por Reeder. Mark Reeder. Mas quem ele é? Como Baker, ele é produtor musical. Bom, pelo menos é isso o que ele é hoje na maior parte de seu tempo. Entretanto, Reeder tem um longo currículo de serviços prestados à música – o que inclui vínculos sólidos e permanentes com o New Order. Assim como Baker.

Reeder, como o New Order, é de Manchester (norte da Inglaterra). Em 1977, ele criou, ao lado de Mick Hucknall (do Simply Red), a banda punk Frantic Elevators. O primeiro contato com o membros do Warsaw (versão embrionária do Joy Division) aconteceu nessa época, período no qual vinha se formando em Manchester uma cena punk cuja explosão fora detonada por uma histórica apresentação dos Sex Pistols na cidade. Mas Reeder não ficou muito tempo com os Frantic Elevators (que, na verdade, sequer duraram muito) e, no ano seguinte, mudou-se para a Berlim Ocidental. A transferência para a (hoje extinta) República Federal da Alemanha, no entanto, deu início ao relacionamento que perdura até os dias de hoje: Reeder se transformou no representante da Factory Records em solo alemão e a promoção de bandas como Joy Division e A Certain Ratio estava em suas mãos.

Em 1981, quando o Joy Division já havia se transformado em New Order, Reeder passou a administrar três carreiras simultâneas: homem da Factory na Alemanha Ocidental, engenheiro de som de bandas locais como Malaria! e Die Toten Hosen, e integrante (como guitarrista e tecladista) de um novo grupo, chamado Die Unbekannten (“o desconhecido”), formado com Alistair Gray (nos vocais) e Tommy Wiedler (ex-Nick Cave & The Bad Seeds, na bateria). O Die Unbekannten se transformaria, pouco tempo mais tarde, no Shark Vegas, com Wiedler sendo substituído por Leo Walter e, também, com a aquisição de um novo integrante, o baixista e tecladista Helmut Wittler. Com o Shark Vegas, Mark Reeder saiu em turnê com o New Order pela Europa Ocidental em 1984 (Alemanha Ocidental, Áustria, Suíça, Holanda e Bélgica).

Mas até então, nada de colaborações em estúdio. Isso só viria a ocorrer, pela primeira vez, em 1986: o single de maior sucesso do Shark Vegas, “You Hurt Me”, foi produzido pelo vocalista e guitarrista do New Order, Bernard Sumner, que também contribuiu com um trecho de guitarra. O disco seria lançado pela Factory Records e, também, pelo selo da banda Die Toten Hosen. “You Hurt Me” foi uma peça-chave não apenas na consolidação da relação Reeder-Factory-New Order, como também aprofundou a amizade entre o músico-produtor radicado na Alemanha e Sumner, que vinha sendo cultivada desde os tempos em que Mark promovia o Joy Division em solo germânico. “You Hurt Me” hoje está disponível em CD em diversas coletâneas, dentre elas Twice As Nice: Be Music, DoJo, Mark Kamins & Arthur Baker Productions, lançada pela LTM Recordings em 2004.

Reeder também foi um personagem fundamental por trás do single responsável pelo retorno triunfal do New Order no começo do século XXI. Em 1999, o produtor era o feliz proprietário da gravadora de música eletrônica Mastermind For Success (ou simplesmente MFS), que ele havia criado no começo da década de 1990 quando comprou, do próprio bolso, a infraestrutura da gravadora estatal da antiga Alemanha Oriental; nessa época, o selo de Reeder andava meio em baixa depois que sua maior revelação, um certo Paul Van Dyk, decidiu deixar a gravadora. Para dar uma força ao amigo, Bernard Sumner gravou os vocais, sem instrumentos, de uma canção inédita e a deu de presente para Reeder. Este pôs a gravação nas mãos de uma nova aposta sua, um DJ húngaro chamado Corvin Dalek, que mixou os vocais de Sumner a uma faixa instrumental de sua autoria que estava engavetada desde 1997. Dalek mostrou o resultado a Reeder, que gostou do que ouviu e ajudou o jovem DJ a fazer alguns ajustes finais na faixa. Chamaram-na de “Crystal”. Nascia um clássico.

Reeder procurou Sumner para lhe mostrar o que ele e Dalek tinham feito. O vocalista do New Order ficou impressionado, para dizer o mínimo. Porém, a “mão invisível” do destino agiu nessa hora. Antes que Reeder e Dalek transformassem sua demo track em uma versão definitiva e a lançassem, com direito a remixes, Sumner, ingenuamente, a mostrou para o A&R (“artistas e repertório”) da London Records (gravadora do New Order na época), Pete Tong. Este, consciente do enorme potencial do que tinha acabado de ouvir, não perdeu tempo: correu para o telefone, ligou para Reeder e disse “Você não pode lançar essa faixa!”. Ele insistiu para que Mark persuadisse Sumner a gravar “Crystal” com o New Order. Por força do poder econômico (a grande gravadora de Londres versus o selo alternativo de Berlim), Tong conseguiu mais do que isso: “convenceu” Reeder a engavetar a demo mix feita por Dalek e ele e a lançar os remixes dessa versão apenas depois que a versão do New Order fosse lançada. É a lei do dinheiro. Mas o resto é história: “Crystal” atingiu o #8 na parada britânica de singles, #1 na parada Hot Dance Singles Sales da revista Billboard (EUA) e ajudou a colocar o álbum Get Ready (2001) em sexto lugar na Inglaterra. A versão “original” hoje pode ser encontrada em um dos álbuns “solo” de Reeder: Collaborator, de 2014 (Factory Benelux).

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12″ com remixes de Corvin Dalek para sua “versão original” de “Crystal” com Mark Reeder (lançado após versão do New Order)

O imbroglio envolvendo “Crystal” não abalou a relação Reeder/Sumner, ou Reeder/New Order. Em 2009, dois anos após a tensa separação do New Order (marcada por desentendimentos públicos com o hoje ex-baixista Peter Hook), saiu o primeiro e único álbum do Bad Lieutenant, Never Cry Another Tear (Triple Echo Records), grupo que Bernard Sumner formou com os guitarristas Phil Cunningham (ex-Marion, New Order) e Jake Evans (ex-Rambo & Leroy). Mark, a pedido de Sumner, remixou os dois singles do “Bad Loo”: “Sink or Swin” e “Twist of Fate”. Essas versões foram posteriormente incluídas em uma outra compilação de remixes de Reeder, Five Point One (2011). Aliás, tanto Five Point One quanto Collaborator são dois discos altamente recomendáveis – o blog assina embaixo.

Este ano, Mark Reeder voltou a dar o ar da graça para os fãs do New Order. Ele foi um dos responsáveis pelos remixes do último e mais recente single da banda, “Singularity”, o terceiro saído do álbum Music Complete, lançado no ano passado. “Singularity” acabou alcançando o primeiro lugar da parada britânica de singles físicos (CD e vinil). A escalação de Reeder não foi por acaso. Para promover o single, foi feito um vídeo contendo cenas extraídas do filme alemão B-Movie: Lust and Sound in West Berlin 1978-1989, lançado no ano passado. O personagem principal da película é o próprio Reeder. Dirigido por Jörg Hoppe, Klaus Maeck, Heiko Lange e Miriam Dehne, é um filme experimental, que mescla imagens documentais e outras reconstituídas, mas dispostas cronologicamente, e que retrata o desenvolvimento não apenas de uma cena musical, mas de todo um caldo cultural, que vai do punk até a Love Parade (maior festa de música eletrônica da Alemanha) e a criação da MFS. Mark também esteve diretamente envolvido na trilha-sonora do filme, como curador e, também, estrela de várias faixas. Uma versão “reconstruída” de “Komakino”, do Joy Division, foi incluída. Junto com lançamento do filme em DVD e Blu Ray, foi lançada também a trilha-sonora em CD e LP duplos. 

Reeder é mais um elo da conexão New Order – Alemanha que começou, evidentemente, com Ian Curtis, ainda nos tempos do Joy Division, e sua obsessão por tudo o que vinha de lá (como o Kraftwerk, por exemplo). Porém, para ficarmos apenas na nossa paróquia, recomendamos uma espiada nos trabalhos do moço com outros artistas como John Foxx, Depeche Mode, Marsheaux, Anne Clark ou Westbam. Vale a conferida.

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REVIEW | “Singularity” (single)

CeUye1EUIAAtoTA“Singularity” foi a primeira faixa do material que a banda estava escrevendo para o álbum Music Complete a ser apresentada publicamente. Isso aconteceu ao vivo, no dia 30 de março de 2014, em Santiago, no palco Playstation, enquanto encerravam a segunda noite da edição chilena do festival Lollapalooza com o Soundgarden (que estava em outro palco). Eu estava lá – e mal podia acreditar que, pela primeira vez, pude assistir o début de uma música antes mesmo dela ser lançada. Me recordo de, no dia seguinte, ter encontrado o vocalista e guitarrista Bernard Sumner no aeroporto Arturo Merino Benítez, quando a banda estava para embarcar em um voo a caminho da Argentina, e de ter dito a ele de que eu havia gostado muito da “música nova” (o que era a mais absoluta verdade, ainda que o som do show em Santiago estivesse muito ruim). Barney, que estava autografando meus encartes dos CDs Singles e Live at Bestival 2012, levantou a cabeça, arregalou os olhos, abriu um largo sorriso de satisfação e disse, com toda a simplicidade que há no mundo: “Yeah, que bom que você gostou!”.

Por causa da foto de um set list de ajuste entre iluminação e BPMs (batidas por minuto) que caiu na internet, instantaneamente a música ficou conhecida como “Drop the Guitar” – um título, alías, com toda pinta de provisório. Mas a banda não demorou muito para divulgar, em seu próprio site oficial, que seu nome verdadeiro era “Singularity”. No final de semana seguinte, em São Paulo (Autódromo de Interlagos), Bernard Sumner pegou o microfone e encerrou de vez a história antes de tocá-la novamente: “Esta se chama ‘Singularity’ e não ‘Drop the Guitar’, como andam dizendo por aí. Procurem na Wikipedia!”.

Da primeira apresentação ao público, em março de 2014, ao seu lançamento como single, em março de 2016, se passaram dois anos. De lá para cá, “Singularity” assumiu uma posição alta no repertório da banda: além de ter derrubado “Crystal” do posto de opener dos shows, ela é hoje uma das músicas de Music Complete que os fãs mais gostam. Recentemente, a banda apresentou uma versão ao vivo irrepreensível no The Late Show with Stephen Colbert que ganhou destaque no site da revista Rolling Stone. Todavia, como single, “Singularity” recebeu da atual gravadora da banda, a Mute Records de Daniel Miller, o mesmo tratamento dos dois anteriores, “Restless” e “Tutti Frutti”: primeiro saiu uma versão editada disponível no formato digital single download, seguido da divulgação do vídeo promocional e do áudio de um ou dois remixes no canal oficial da banda no You Tube, até que, finalmente, vieram os lançamentos em formatos físicos (CD e clear vinyl de 12″ colorido).

“Singularity” não traz nenhum lado B, somente remixes (os últimos singles do New Order a trazerem b-sides foram “Here to Stay” e o re-issue de “World in Motion”, ambos em 2002). Se no passado um remix costumava ser, via de regra, apenas um rearranjo dos elementos originalmente contidos na versão oficial, hoje em dia é uma autêntica reinterpretação, uma faixa “nova” construída a partir de alguns pedaços – samples – da canção original. Nesse terceiro single de Music Complete, o New Order recrutou para o seu time de colaboradores gente como Steve Dub, Erol Alkan, Mark Reeder, J. S. Zeiter e a banda Liars.

Pessoalmente, apesar de gostar muito de “Singularity”, sempre tive a impressão de que não era uma música lá muito fácil de se remixar. Opinião compartilhada, aliás, por um dos remixers escalados para essa empreitada (Mark Reeder). O engenheiro de som Craig Silvey, por exemplo, errou a mão na hora de passar a tesoura na gravação original para criar a versão “Single Edit”. Não que a culpa fosse dele – mas eu acho muito difícil encontrar pontos apropriados na faixa onde se pode fazer uma edição sem que a intervenção cirúrgica não pareça muito evidente. O mesmo já não se pode dizer da versão estendida. O DJ californiano Steve Dub ficou com o trabalho mais fácil – alongar a música em vez de encurtá-la – e se deu melhor. Seu “Extended Mix” é o mesmo que foi incluído na edição Deluxe Vinyl Box Set de Music Complete e o resultado final não é menos que magnífico.

O produtor musical e DJ Erol Alkan é, sem sombra de dúvida, um dos nomes badalados dentre os escolhidos para turbinar “Singularity”. Por ter sido durante tanto tempo o DJ residente do club londrino Trash, que também já recebeu shows de bandas como LCD Soundsystem e Bloc Party, e por ter remixado faixas de Hot Chip e Chemical Brothers, suas contribuições estavam entre as mais aguardadas entre os fãs gringos dos New Order. Todavia, seus “Stripped Remix” e “Extended Rework” não estariam, ao meu ver, entre os mehores remixes de “Singularity”. Não são ruins, todavia. Apenas ok. O “escorregão” fica por conta mesmo do “Liars Remix”: a banda nova-iorquina assinou um remix que, embora conserve grande parte dos elementos da gravação original, peca pela falta de imaginação. A tentativa de emular um som mais dark, como se quisessem prolongar a atmosfera soturna da introdução do mix oficial, soa estéril e fútil. Resumindo: esquecível (ele é uma espécie de bonus track na versão download do single, que pode ser obtida através de uma senha/código que acompanha a edição em vinil de 12″).

Por outro lado, quem curte techno vai viajar nos remixes de J. S. Zeiter, que também atende pelo nome de MCMLXV. Ele nos oferece seu “J. S. Zeiter Remix” (disponível na versão em CD) e sua contraparte predominantemente instrumental, “J. S. Zeiter Dub” (incluída no vinil). Não chegam a ser memoráveis, mas os considero melhores que os remixes do super-idolatrado Erol Alkan, principalmente a versão dub. Mas a “cereja do bolo” mesmo são as reinterpretações de Mark Reeder (“Duality Remix” e “Individual Remix”). Reeder merece mesmo um pouco mais de destaque aqui. Ele é um velho conhecido do New Order – na verdade, ele é um amigo próximo desde os tempos do Joy Division. Naquela época ele fazia parte de uma banda chamada Shark Vegas, mas ainda na década de 1980 ele se mudou para a Alemanha Ocidental, onde se tornou um representante da Factory Records e, também, produtor musical, DJ e dono da gravadora Mastermind for Success. É de Reeder e de outro DJ, o húngaro Corvin Dalek, a primeiríssima versão de “Crystal” (já com os vocais de Barney Sumner), que viria a se tornar um hit do New Order. Além disso, Reeder é a figura central do filme B-Movie: Lust and Luxury in West Berlin 1979-1989, que mistura imagens documentais e reconstituídas para traçar uma espécie de painel musical e cultural da outrora Berlim Ocidental, do punk à Love Parade, e que foi usado na montagem no vídeo promocional de “Singularity”.

O “Duality Remix” é surpreendentemente curto para os padrões de hoje – a versão disponível no CD está editada e possui 3’49”, enquanto que a gravação que acompanha o download tem 4’57”. Apesar da pequena duração, esse remix é um gigante. Seguramente, é o melhor de todos. Já o “Individual Remix” não é uma versão estendida do anterior. Pelo contrário, é um remix totalmente diferente, ainda que possua trechos e partes que remetam ao “Duality”. Trata-se de uma versão mais elaborada e complexa, mas peca justamente por dispensar a concisão e a perfeição objetiva da outra. Mesmo assim, é uma pérola.  Heil Mark Reeder!

Como bonus track, o CD e o 10 Track Audio Download (adquirido não apenas via código que acompanha o vinil, mas também através de download pago direto) trazem o remix de Tom Rowlands (Chemical Brothers) para “Tutti Frutti” e que havia sido disponibilizado para ser baixado de graça em dezembro do ano passado como “presente de Natal” para os fãs.

Para finalizar: a edição em vinil de 12″ de “Singularity” contém ainda um “brinde” um tanto quanto curioso. Trata-se de uma folha de papel branca impressa com um diagrama causal do buraco negro, acompanhado de um texto explicativo. De acordo com a astronomia, um buraco negro se forma quando uma estrela em colapso gravitacional desaba sua massa em direção ao seu próprio centro, tornando-se capaz de atrair ou “sugar” para o interior desse ponto toda matéria próxima. O buraco negro seria um exemplo de “singularidade gravitacional” (sacaram a conexão?). Observando com atenção o diagrama causal do buraco negro, se descobre com facilidade qual foi a inspiração do designer Peter Saville para a capa de “Singularity”.

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NEWS | Clipe completo e “pre-order” de “Singularity” já estão na rede

No post de ontem divulgamos o teaser do vídeo promocional de “Singularity” que o New Order havia liberado em suas redes sociais. Mas os fãs nem precisaram esperar muito pelo clipe completo: a banda e sua gravadora fizeram o lançamento oficial hoje em seus respectivos canais no You Tube e no Vimeo. Conforme havíamos dito antes, o vídeo de “Singularity” é uma colagem de imagens editadas do filme B-Movie: Sound & Lust in West Berlin, dirigido por Klaus Maek, Jörg Hoppe e Heiko Lange, além do que já vinha sendo usado pelo New Order no telão durante a execução ao vivo da faixa desde que a turnê do CD Music Complete começou em novembro do ano passado. Uma outra boa novidade é que depois de uns dias misteriosamente fora do ar, os links de acesso à pré-venda das edições físicas de “Singularity” reapareceram na lojinha virtual da Mute Records (www.mutebank.co.uk). O comprador pode optar por levar apenas o vinil 12″(roxo) ou o CD maxi single, ou ainda um bundle (pacote) com os dois mais um código/senha para baixar todos os remixes. A data de lançamento foi atualizada para o dia 25 de março. Vale ressaltar que a versão em CD incluirá o remix de Tom Rowlands para “Tutti Frutti” que havia sido disponibilizado de graça para download no ano passado, no Natal. Abaixo temos os tracklist completos:

PURPLE 12″ VINYL
Singularity (Extended Mix)
Singularity (Mark Reeder Individual Remix)
Singularity (Erol Alkan’s Extended Rework)
Singularity (JS Zeiter Dub)

CD MAXI SINGLE
Singularity (Single Edit)
Singularity (Extended Mix)
Singularity (Erol Alkan’s Stripped Remix)
Singularity (Mark Reeder Duality Remix)
Singularity (JS Zeiter Remix)
Tutti Frutti (Tom Rowland’s Remix)

DOWNLOAD (VIA CODE WITHIN THE 12″)
Singularity (Single Edit)
Singularity (Extended Mix)
Singularity (Erol Alkan’s Extended Rework)
Singularity (Erol Alkan’s Stripped Remix)
Singularity (Mark Reeder Duality Remix)
Singularity (Mark Reeder Individual Remix)
Singularity (JS Zeiter Remix)
Singularity (Liars Remix)
Tutti Frutti (Tom Rowland’s Remix)

VÍDEO:

New Order – Singularity (Official Video) from Mute on Vimeo.

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NEWS | “Singularity” será o novo single

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A capa do single “Singularity”, segundo a Amazon.

Assinantes da newsletter da Mute Records foram avisados nos últimos dias de que novidades sobre o terceiro single do New Order saído do álbum Music Complete viriam “em breve”. Mas, pelo visto, o site da Amazon norteamericana resolveu se antecipar – e já está anunciando para a pré-venda o vinil de 12 polegadas de “Singularity”, o sucessor de “Tutti Frutti”. A data oficial de lançamento, de acordo com a Amazon, será dia 18 de março – quase dois anos depois da canção ter sido apresentada ao vivo pela primeira vez em uma edição chilena do festival Lollapalooza.

“Singularity” foi escrita e produzida pelo New Order em parceria com Tom Rowlands, dos Chemical Brothers. Possivelmente, o novo single deverá seguir o mesmo conceito de marketing dos anteriores: antes do lançamento em formatos físicos (CD e vinil de 12″ colorido), certamente  ele deverá sair via streaming e digital music download nos próximos dias. Por enquanto, o tracklist divulgado pela Amazon é o do vinil, que inclui remixes de Erol Alkan e Mark Reeder.

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NEWS | Documentário sobre cena cultural da antiga Berlim Ocidental tem Joy Division na trilha sonora

“A cidade murada tornou-se o caldeirão criativo para as culturas subterrânea e pop. Antes da Cortina de Ferro cair, tudo e qualquer coisa pareciam possíveis. B-MOVIE é uma colagem em ritmo acelerado de imagens até hoje inéditas em filme ou na TV de uma época frenética, mas criativa, começando com o punk e terminando com a Love Parade, em uma cidade onde os dias são curtos e as noites são infinitas. Não era sobre sucesso a longo prazo, mas sobre viver o momento – o aqui e o agora”.

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Esta é a breve sinopse do documentário alemão dirigido por Jörg A. Hoppe, Klaus Maeck e Heiko Lange, intitulado, B-Movie: Lust & Sound in West Berlin 1979-1989 (trad.: “Filme B: Luxúria e Som em Berlim Ocidental 1979-1989”). Lançado este mês em vários festivais de cinema europeu (após sua premiére na mostra Panorama no Festival de Berlim, em fevereiro), o filme, que mescla imagens de arquivo com outras reconstituídas, disseca a alma vanguardista da vida boêmia do que outrora foi conhecido como o “lado ocidental” de Berlim (eram os tempos da Guerra Fria, das “duas Alemanhas”, a “Ocidental”, capitalista, e a “Oriental”, comunista), uma síntese de vida noturna (bares, danceterias, “inferninhos” etc), produção musical, moda e artes plásticas, constituindo em um encontro improvável entre as culturas punk e pop. Dessa cena surgiram espaços/clubes que se tornaram lendários, como SO36 (que, em valor histórico e importância, equivale ao CBGB de Nova Iorque). Esse ambiente exótico e criativo atraiu muitos “imigrantes” que vieram absorver um pouco dessa atmosfera: Iggy Pop, David Bowie, Nick Cave e, também, Joy Division e New Order.

O “roteiro” do documentário se baseia nas memórias de um desses imigrantes – no caso, um imigrante para valer mesmo, no sentido estrito. Estamos falando de Mark Reeder, músico, produtor musical e DJ com origem em Manchester (Inglaterra) e que se mudou para Berlim nos anos 1980, tendo se naturalizado alemão logo em seguida. No final da década de 1970, Reeder, ao lado Mick Hucknall (Simply Red), integrou a banda Frantic Elevators; além disso, era amigo pessoal de Bernard Sumner (Joy Division / New Order). Após mudar-se para Berlim, tornou-se representante da Factory Records na Alemanha, formou a banda Shark Vegas (que abriu shows de uma turnê alemã do New Order e teve o single “You Hurt Me” produzido por Sumner) e, mais tarde, criou o selo/gravadora de música eletrônica Mastermind For Success (MFS).

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A trilha sonora de B-Movie também não poderia ser mais “germânica”, ainda que nem todos os artistas sejam de origem alemã: Einstürzende Neubaten, Edgar Froese (do Tangerine Dream), Die Toten Hosen, Anne Clark (poetisa que declama seus poemas acompanhada de arranjos musicais eletrônicos), Sex Pistols, Nick Cave, Westbam (que já gravou o single “She Wants” com Bernard Sumner) e Joy Division.

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