REVIEW | New Order ao vivo no MIF/2017 (live streaming)

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Foto: reprodução (instagram.com/neworderofficial)

A quarentena decorrente da pandemia do novo coronavírus gerou uma espécie de “surto secundário”: a explosão de uma gama de atrações liberadas na internet por meio das lives e dos streamings. E no meio de tanto conteúdo disponibilizado de hora em hora para públicos de todos os perfis e preferências, os fãs do New Order não foram esquecidos. Ao longo desta semana a banda anunciou em suas redes sociais que hoje, às 19:30 do horário britânico (15:30 aqui no Brasil), um show do grupo seria exibido via streaming no You Tube.

O concerto em questão era uma das cinco noites da “residência” que a banda fez nos antigos estúdios da emissora de televisão Granada durante a edição de 2017 do Manchester International Festival, um evento que, aliás, os homenageou naquele ano. Os shows dessa curta temporada diferiam daqueles de uma turnê “regular” do New Order: eles subiram ao palco com uma “orquestra de sintetizadores” formada por doze jovens tecladistas estudantes da Royal Northern College of Music regidos pelo maestro Joe Duddell e com projeções e efeitos de iluminação criados pelo artista visual Liam Gillick. Esse ambicioso projeto gerou dois produtos: um documentário sobre a produção, intitulado Decades (exclusivo do canal SKY Arts UK), e um belíssimo disco ao vivo.

Muitos fãs ficaram animados com a possibilidade de ver (e não apenas ouvir) um desses shows na íntegra. Mas a expectativa se transformou em leve frustração quando, na verdade, o canal do MIF exibiu uma versão incompleta do concerto que já estava hospedada no You Tube desde 2017. Aliás, o vídeo em questão ainda estava disponível no canal até poucos instantes antes de sua reexibição no live streaming. Além de começar com uma entrevista com Liam Gillick, o show teve toda a sequência inicial e a encore cortados. Ao todo, tivemos o vislumbre de apenas seis músicas: “Shellshock”, “Guilt is a Useless Emotion”, “Sub-Culture”, “Bizarre Love Triangle”, “Vanishing Point” e “Plastic”. Se não era o que muita gente esperava, foi no mínimo divertido ver os comentários dos internautas, que variavam entre a indignação e perguntas sobre se aquele show estava “acontecendo ao vivo de verdade” (sim, muita gente realmente achou que o New Order mandou às favas o lockdown e fez um show aberto ao público, vê se pode…).

Controvérsias à parte, quem não havia visto esse vídeo antes pôde conferir uma apresentação muito diferente e original em pelo menos três aspectos. Em primeiro lugar, todas as partes que nas versões originais (ou mesmo nos shows habituais) eram “tocadas” por máquinas (sequencers, baterias eletrônicas e samplers) foram executadas ao vivo (isto é, manualmente) pelo reforço dos doze tecladistas. Em segundo, o palco continha uma grande estrutura ao fundo que abrigava os músicos da “orquestra” e sobre a qual Gillick projetava formas geométricas em movimento e que aludiam o estilo minimalista que sempre caracterizou a comunicação visual do grupo. E para arrematar: o repertório consistia basicamente em canções menos conhecidas, lados B ou temas que não eram tocados ao vivo há muitos anos.

Na opinião deste que escreve, o vídeo editado pelos produtores do evento até que consegue satisfazer a curiosidade de quem não sabia exatamente do que se tratava – ou que sabia mas nunca tinha visto. É claro que aqueles que não estavam tão a par assim da proposta enviaram centenas de mensagens perguntando por “Blue Monday” ou “Regret”. De qualquer modo, a breve amostra de 37 minutos infelizmente deixou aquele famoso gosto de quero mais na nossa boca, apesar de que algumas tomadas, certos ângulos e a edição de imagens tenham deixado a desejar. Certamente, o material exibido hoje está longe de ser digno de um lançamento em DVD ou BluRay. Um consolo pelo menos para quem achou que o streaming de hoje era “só mais do mesmo”: duas lives, uma durante e outra depois da exibição. Na primeira o guitarrista/tecladista Phil Cunningham e o baixista Tom Chapman respondiam pelo Twitter perguntas de fãs sobre o show; na segunda, Liam Gillick, Peter Saville (ex-designer das capas dos discos do New Order) e o DJ Dave Haslam bateram um papo entre si e com os internautas. Menos mal.

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REVIEW | ∑(No, 12k, Lg, 17Mif) New Order + Liam Gillick: So It Goes..

DD45102A-FF63-48E4-A5C9-2FABB462DDE0Uma olhadela protocolar no tracklist do mais novo disco ao vivo do New Order, o quase impronunciável ∑(No, 12k, Lg, 17Mif) New Order + Liam Gillick: So It Goes.. (que doravante chamaremos apenas de So It Goes..), pode fazer qualquer um pensar que não se trata de um lançamento para não iniciados ou para aqueles que só conhecem a banda pelos grandes sucessos. Mas será que é isso mesmo? Examinemos um pouco mais de perto antes de chegarmos a conclusões precipitadas.

So It Goes.. é o registro da “residência” de cinco noites nos antigos estúdios da emissora de TV Granada durante o Manchester International Festival (MIF) de 2017, realizado entre os dias 04 e 21 de julho daquele ano. O New Order era um dos homenageados do festival (com direito a uma exposição dedicada ao seu legado intitulada True Faith) e para as suas apresentações ao vivo naquele que foi o cenário de sua primeira aparição na televisão (ainda como Joy Division, em 1978) a banda se juntou ao artista visual local Liam Gillick (que tem obras expostas no MoMA de Nova Iorque) e a uma “orquestra” de sintetizadores formada por doze jovens alunos da Royal Northern College of Music com o objetivo de transformar aqueles concertos em uma experiência singular. O New Order e seu time auxiliar de músicos tocariam em uma espécie de palco-instalação que interagiria às luzes e às projeções criadas por Gillick.

Mas as surpresas iam além… o New Order apresentaria um repertório baseado apenas em canções que há anos não eram tocadas ao vivo e que incluía, também, lados B. Ou seja, nada de hits (a única excessão seria “Bizarre Love Triangle”). Além disso, em vez de sequencers samplers, todas as partes programadas outrora executadas no palco com a ajuda de máquinas seriam tocadas ao vivo com o auxílio da orquestra de tecladistas da RNCM, sob regência do maestro Joe Duddell.

O empreendimento recebeu elogios rasgados da imprensa europeia e ainda gerou um documentário chamado Decades, produzido pela Sky Arts, e que se concentra justamente no processo de criação do show apresentado no MIF 2017. O disco que acaba de sair contém, na íntegra, o concerto do dia 13 de julho de 2017, além de incluir canções pinçadas das performances dos dias 06 e 15/07 como faixas bônus. Lançado pela Mute Records, So It Goes.. pode ser encontrado nos formatos CD duplo, box set com três LPs (edição limitada), digital downloadstreaming. O belíssimo projeto gráfico faz valer a pena o investimento nas edições físicas, principalmente o box set. Não há previsão de lançamento no Brasil.

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De volta ao tracklist, aqui temos o New Order percorrendo todas as suas fases: do Joy Division ao seu último disco de estúdio, Music Complete, de 2015. Algumas versões ao vivo não são menos que emocionantes. É o caso, por exemplo de “Disorder” (tocada com absoluta perfeição), “Dream Attack” (uma das melhores faixas de Technique, de 1989), “Sub-Culture” (talvez a mais bela recriação de um arranjo já operada pela banda) e “In a Lonely Place” (lado B do single de estreia do New Order). Tudo maravilhosamente bem tocado e, principalmente, bem gravado. Mesmo canções pouco badaladas de seu catálogo, como “Ultraviolence” ou “All Day Long”, ou temas do pouco inspirado disco Waiting for the Sirens’ Call (2005), como “Who’s Joe” e “Guilt Is a Useless Emotion”, ganharam um novo frescor em So It Goes… O set termina melancólico, porém belo, com versões cheias de alma de “Your Silent Face” e “Decades”. A três faixas-bônus são caprichos, verdadeiros mimos para os fãs: “Elegia”, “Heart and Soul” e uma versão surpreendentemente fantástica “Behind Closed Doors”, b-side de “Crystal” (2001) e talvez a única música dentre as de So It Goes.. que jamais havia sido tocada ao vivo pelo New Order antes (*).

Talvez o único ponto “negativo” do disco seja a voz de Bernard Sumner. Sempre faltou brilho em seus vocais, mas a idade (Sumner tem 63 anos) bateu à sua porta e sua voz hoje soa bastante cansada, às vezes até um pouco fora do tom em algumas músicas. Mas aí já seria exigir demais de quem nunca se destacou no manejo do microfone, ainda que tenha assumido o posto que outrora pertenceu ao mítico Ian Curtis.

So It Goes.. é, de longe, o melhor disco ao vivo do New Order, mesmo sem pérolas como “Ceremony”, “Blue Monday”, “True Faith” ou “Regret”. É um disco que mostra que a banda possui um repertório consistente para além dos grandes êxitos – e que ganhou uma roupagem atraente o bastante para despertar o interesse de quem não conhece profundamente a banda. Para os fãs de longa data, o álbum é um presente, quase um agradecimento por tantos anos de apaixonada e fiel devoção. Em entrevistas recentes, seus integrantes afirmaram que não há planos para um novo álbum de inéditas em vista e que, por enquanto, prosseguirão apenas fazendo shows. Todavia, se por acaso o seu catálogo terminasse por aqui, So It Goes.. seria (por que não?) um belíssimo canto do cisne.

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(*) Na verdade, “Times Change”, faixa que abre o CD, também nunca foi tocada ao vivo antes… entretanto, tanto essa (em versão instrumental) quanto “Elegia” aqui são tocadas apenas pelos músicos da “orquestra de sintetizadores”, sem participação da banda.

 

 

 

NEWS | Bernard Sumner fala sobre como serão os shows do New Order no Festival Internacional de Manchester, em junho e julho

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Foto: Divulgação MIF 2017.

O blog traz hoje uma uma tradução livre de uma matéria publicada no site do jornal Manchester Evening News no dia 09 de março deste ano e que cobriu o evento de lançamento do Festival Internacional de Manchester 2017 no Mayfield Depot. Nesse evento, o vocalista e guitarrista do New Order, Bernard Sumner, falou um pouco sobre como serão os shows que a banda fará no festival com a colaboração do maestro e arranjador Joe Duddell, do artista visual Liam Gillick e de uma “orquestra” de 12 sintetizadores tocados por alunos da Royal Northern College of Music.



NEW ORDER FALA SOBRE EMOÇÃO NOS SHOWS QUE ACONTECERÃO NOS ANTIGOS ESTÚDIOS DA TV GRANADA NO MIF DE 2017
Bernard Sumner, do New Order, falou no lançamento do MIF 2017 e explicou o quão emocionante será para a banda tocar nos velhos estúdios da TV Granada

Bernard Sumner, a estrela do New Order, falou sobre a emoção de tocar nos tão ansiosamente aguardados shows que o grupo fará no Festival Internacional de Manchester nos antigos estúdios da TV Granada.

A banda de Manchester recriará algumas de suas canções mais antigas apoiada por uma “orquestra” de doze sintetizadores para o que pode vir a ser um dos ingressos mais procurados do MIF [N.T.: sigla em inglês do festival].

Ontem, ao falar no lançamento do festival no antigo Mayfield Depot, o vocalista disse que esses shows terão grande repercussão devido às ligações que a banda possui com a TV Granada, que foi onde o chefe da Factory Records, Anthony Wilson, trabalhou.

Foi nos velhos estúdios da emissora que o grupo, então como Joy Division, estreou na TV em 1978, no programa Granada Reports.

Após a trágica morte do vocalista Ian Curtis, em 1980, a banda passou a se chamar New Order e se tornou uma das mais aclamadas e influentes dos últimos quarenta anos.

Bernard disse: “Estamos ansiosos para tocar nos velhos estúdios da TV Granada porque a nossa primeira chance do tocar na televisão foi no programa do Tony Wilson, que se eu não me engano era o Granada Reports, no qual apresentamos ‘Shadowplay’, do Joy Division. Essa foi a nossa estreia na televisão, então a Granada está em nossos corações e, claro, tem a relação com Tony, que mais tarde se tornou o chefe da nossa gravadora, a Factory”.

“No começo, achávamos que o Mayfield Depot tinha um grande potencial como local para esses shows, mas depois que vimos os estúdios da TV Granada achamos que faria mais sentido tocar lá. Daria um toque especial”, completou Bernard.

Os cinco concertos que o New Order fará no festival foram intitulados de So It Goes…, uma referência a um programa de TV apresentado por Wilson nos anos 1970 na emissora.

A banda se apresentará no palco 1 dos estúdios em junho e julho acompanhados por doze músicos do Royal Northern College of Music e dos efeitos visuais criados pelo artista Liam Gillick.

O New Order reduziu seu catálogo a um set list com cerca de doze músicas, mas Sumner disse que bastaram apenas dois dias para repassar seu antigo material.

“Nós estamos por aí faz um tempo… e fizemos um monte de músicas”, disse ele. “Mas o Festival Internacional de Manchester queria que fizéssemos algo que fosse diferente do nosso set habitual. Foi assim que surgiu a ideia de tocar músicas que normalmente não costumamos tocar e que pegaríamos essas canções, dividiríamos em suas micro partes, como cacos de um espelho em pedaços, e usaríamos os músicos da Royal Northern College of Music. E esses componentes foram arranjados pelo Joe Duddell.

“Haverá doze músicos tocando sintetizadores. Nós vamos desconstruir as músicas e o Joe irá reconstruí-las para que os alunos [da Royal Northern College of Music] possam tocá-las melhor do que nós!”

Sobre como serão os shows, Bernard faz mistério – embora tenha revelado que “Blue Monday” não fará parte do set.

Ele disse: “Liam Gillick é amigo de Peter Saville, e como Peter sempre esteve bastante envolvido com a gente, ele veio com umas ideias fantásticas. Vai ser um set bem interessante, mas eu não posso dizer nada mais além disso.

“O aspecto técnico é o que há de mais difícil. Mas bastaram dois ensaios para tudo funcionar”.

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