NEWS | Encaixotando Joy Division e New Order

Como se já não bastasse a edição definitiva de Movement e o álbum ao vivo So It Goes.., o ano de 2019 ficará conhecido como aquele dedicado ao lançamento de materiais do New Order e do Joy Division em luxuosos box sets. Na verdade, essa é a tendência atual do mercado – enquanto o downloadstreaming sao voltados para o público médio, as edições premium limitadas (e caras) destinam-se à satisfação de fãs e colecionadores. Além das duas caixas citadas, listamos aqui outros quatro combos encaixotados que podem interessar os amantes dessas duas bandas. Então vambora…

STUMM433 (Vários Artistas, Mute Records): Parte da série comemorativa de 40 anos do selo Mute iniciada no ano passado, trata-se de uma caixa de cinco CDs trazendo artistas antigos e atuais da gravadora (dentre eles, o New Order) interpretando, cada um à sua maneira, a música/experimento 4’33” (lê-se “quatro minutos e trinta e três segundos”) do compositor de vanguarda John Cage (1912-1992). Apresentada ao piano pela primeira vez em 1952, consiste em quatro minutos e meio de silêncio – ou quase. Nenhuma nota musical é tocada, o que conta são os sons e ruídos aleatórios do ambiente – o “som do silêncio” – fazendo com que a cada “execução” o resultado final seja sempre diferente. O projeto da Mute é deveras extravagante, afinal são cinco discos inteiros de “silêncio”… entretanto, parte da renda obtida com as vendas da caixa será doada para a British Tinnitus Association, uma entidade dedicada à prevenção, tratamento e difusão de informações sobre uma doença conhecida em português como tinido (ou acufeno). Trata-se da mesma doença da qual sofreu, por anos, o baterista Craig Gill, do Inspiral Carpets, que suicidou-se em 2016 (ele sofria de uma depressão decorrente do tinido). Dentre os demais intérpretes da “canção” temos, além do New Order , bandas como  Depeche Mode, A Certain Ratio, Cabaret Voltaire, Erasure, Nitzer Ebb, The Normal, The Afghan Whigs, Laibach e muitas outras. Link para pré-venda: http://mute.com/mute/stumm433-pre-order-now 

Exclusive Mockups for Branding and Packaging Design

ALWAYS NOW (Section 25, Factory Benelux): Lançado originalmente pela Factory Records em 1981, o álbum de estreia do Section 25 acaba de ganhar pela Factory Benelux (uma espécie de sucursal belga da Factory que sobreviveu à falência da matriz) uma edição remasterizada com uma caminhão de extras. É uma caixa com cinco LPs, sendo que as primeiras mil cópias foram produzidas com vinis coloridos (preto, transparente, cinza, amarelo e vermelho). Um dos discos contém uma preciosa jam da banda ao lado do New Order, gravada ao vivo na Universidade de Reading (Inglaterra) no dia 8 de maio de 1981. O box pode ser adquirido diretamente no site da Factory Benelux: https://www.factorybenelux.com/always_now_fbn3_045.html

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USE HEARING PROTECTION: FACTORY RECORDS 1978-1979 (Vários Artistas, Rhino Records): Com lançamento anunciado para outubro deste ano, essa lindíssima caixa trará edições facsimile dos dez primeiros itens/produtos lançados pela Factory Records, do icônico poster da primeira “Noite da Factory” no Russel Club, em Manchester (FAC-1), até o LP de estreia do Joy Division, Unknown Pleasures (FAC-10), passando ainda pelo EP duplo A Factory Sample (que contém as faixas “Digital” e “Glass”, do Joy Division, além de canções do Cabaret Voltaire, do Durutti Column e do comediante John Dowie), os singles “Electricity” (OMD) e “All Night Party” (A Certain Ratio), outros dois posteres, um DVD e um livro de 60 páginas. Como bônus, esse box set promete um single de 12″ dos Tiller Boys (planejado, mas nunca lançado) e dois CDs recheados de entrevistas do Joy Division. A caixa é uma exclusividade da Rhino UK (o que quer dizer que ela só poderá ser encomendada na store virtual da gravadora) e sua edição é limitada em 4.000 cópias. O preço é salgadíssimo: £ 180 (aproximadamente R$ 856). Link da pré-venda: http://store.rhino.co.uk/uk/use-hearing-protection-factory-records-1978-79-limited-edition-box.html

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FACTORY RECORDS: COMMUNICATIONS 1978-92 (Vários Artistas, Rhino Records): A Rhino UK também promete para novembro desse ano uma segunda caixa, dessa vez com oito LPs contendo material de vários artistas do cast da Factory e abrangendo os 14 anos de vida da gravadora. A tiragem é limitada em apenas 500 unidades, mas o preço é um pouco mais “amigável”: £ 127 (cerca de R$ 605). Esse box foi originalmente lançado no formato CD em 2009 e continha quatro discos e um belíssimo livreto (além disso, a Rhino lançou em edições passadas do Record Store Day dois samplers em vinil de 10″ com gravações que não faziam parte da caixa). Em Communications 1978-92 o New Order contribui com oito faixas, o Joy Division com quatro, o Electronic (projeto solo do vocalista/guitarrista Bernard Sumner), o Revenge (do agora ex-baixista Peter Hook) e o The Other Two (duo formado pelo casal Stephen Morris / Gillian Gilbert) com uma cada um. Todas em versões de estúdio que o público já está careca de ouvir. No mais, versões originais de bandas como OMD, A Certain Ratio, Section 25, James, Happy Mondays, Durutti Column, The Wake, 52nd Street e muitos outros. A quem interessar possa: http://store.rhino.co.uk/uk/factory/factory-communications-1978-92-limited-edition-silver-8lp.html/

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REVIEW | “AfterParty” (ShadowParty remix EP)

027ede03106bab00c49dd3a889b5b371No embalo de uma mini-turnê compreendida entre os dias 08 e 15 de setembro, o ShadowParty, banda / projeto paralelo de integrantes do New Order (Phil Cunningham e Tom Chapman) e do Devo (Josh Hager e Jeff Friedl), lançou recentemente nos formatos streaming e digital download um EP chamado AfterParty que contém remixes de duas faixas de seu álbum de estreia lançado em julho deste ano: “Reverse the Curse” e “Present Tense”.

O lançamento foi puxado por uma premiére do remix que Gillian Gilbert e Stephen Morris, do New Order, fizeram para “Reverse the Curse” assinando como The Other Two (projeto paralelo de Gilbert e Morris nascido nos anos 1990). A divulgação em primeira mão do remix do The Other Two foi feita pela Clash Magazine em seu site na última sexta-feira, dia 07 de setembro. Recentemente, a dupla falou de sua colaboração com o ShadowParty em entrevista concedida durante o Festival N6, em Portmeirion.

Em uma primeira e apressada audição, o remix não impressionou muito, não. Todavia, a remistura do The Other Two cresce a cada nova tentativa. Mas quem acertou a mão mesmo em “Reverse the Curse” foi o A Certain Ratio – em vez de um remix propriamente dito, a banda gravou um arranjo totalmente novo, com destaque para a bateria cheia de swing de Donald “Dojo” Johnson. O problema é que quando entram os vocais de Denise Johnson (irmã de Donald, vocalista do ACR e convidada especial no álbum do ShadowParty) parece que estamos ouvindo, na verdade, um novo (e ótimo) single do A Certain Ratio.

Já o último dos três remixes de “Reverse the Curse” é de autoria de Derek Miller, produtor e DJ conhecido também pela alcunha Outernationale – e que já lançou um bom EP de regravações e remixes de músicas do Joy Division chamado Atmosphere lançado pela Haçienda Records (gravadora de propriedade de Peter Hook) e que conta com Paul Haig (ex-Josef K) nos vocais. Mas voltando ao remix… a releitura de Miller / Outernationale é tão recomendável quanto seu EP-tributo ao JD.

Sobre os dois remixes de “Present Tense” em AfterParty… O primeiro, que atende pelo nome “Stereotype Remix”, é feito sob medida para embalos de sábado à noite, sendo, portanto, o mais dançante entre todos do EP. Todavia, é o remix mais “comum” e no qual transbordam os clichês das pistas. A outra versão, que atende por “Beg, Steal or Borrow Remix”, segue uma linha muito próxima, mas tem um clima  mais “viajante” e, por essa razão, oferece uma perspectiva um pouco melhor.

O saldo geral é bastante positivo. Não é nada com pinta de alta rotação no smartphone, entretanto AfterParty nos arranca mais sorrisos de aprovação do que o álbum epônimo de estreia. O que em outras palavras quer dizer que, neste caso, os remixes funcionam melhor que as versões originais. Vale destacar que não há previsão de lançamento do EP em um versão física. Talvez nem precise.

Ouça o EP completo no Spotify.

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REVIEW |CD de estreia do ShadowParty (New Order + Devo)

SharedImage-81403O que acontece quando bandas veteranas e bem sucedidas resolvem dar um break nas suas atividades? A resposta é simples: seus integrantes continuam produzindo música e fazendo shows em projetos solo ou em parceria com outros músicos.

É bem esse o caso dessa turma que se juntou para formar um novo grupo. Phil Cunningham (guitarra, teclados) e Tom Chapman (baixo), ambos do New Order, resolveram unir forças com Josh Hager (guitarra, teclados) e Jeff Friedl (bateria), que tocam no Devo. Dessa união nasceu o ShadowParty. Em comum entre as duas duplas está o fato de serem incorporações recentes em suas respectivas bandas (se bem que, no caso de Cunningham, lá se vão dezessete anos com o New Order, primeiro como músico contratado e, depois, como membro efetivo).

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Se você espera que o som do ShadowParty seja uma mistura de New Order com Devo, é melhor deixar para lá tal expectativa. Se por um lado a banda compartilha com essas formações das antigas o gosto pela mistura entre rock e música eletrônica, cabe dizer que o ShadowParty, musicalmente falando, está mais para o N.O. do que para o Devo. Aliás, a sombra do New Order paira sobre o auto-intitulado álbum de estreia de diversas maneiras. O disco (cuja versão em vinil tem uma “capa-raspadinha” que esconde uma mensagem em código) acaba de ser lançada pela Mute Records, atual etiqueta do combo de Manchester. E não para por aí: na lista de convidados especiais, temos a cantora Denise Johnson (A Certain Ratio, Primal Scream) e o maestro e arranjador Joe Duddell, e ambos ostentam currículos como colaboradores do New Order.

Outra presença ilustre no disco – e que nada tem a ver com o New Order desta vez – é o guitarrista Nick McCabe, ex-The Verve. Cabe aqui deixar bem claro que McCabe não faz parte oficialmente do ShadowParty, entretanto a imprensa gringa vem escrevendo sobre eles como se fossem um “supergrupo” formado por músicos do Devo, do New Order e, também, do Verve, o que, além de incorreto, parece coisa de jornalismo marrom.

E o disco? É bom? A mesma imprensa lá de fora vem fazendo elogios ao álbum. De nossa parte aqui do blog, o que temos a dizer é: não está com essa bola toda, não. É um disco bastante irregular e desequilibrado. As faixas “Celebrate” e “Present Tense” até foram escolhas acertadas para singles, mas fora essas duas é bem difícil pinçar uma terceira que cumpra bem esse papel. Há bons momentos aqui e ali, como em “Reverse the Curve”, “Vowel Movement” e “The Valley”; medianos como “Sooner or Later”; descartáveis como “Truth” e “Taking Over”; e sonolentos como “Marigold” e “Even So”.

Mas, no geral, a estreia do ShadowParty pode ser classificada como “esquecível”. É um daqueles álbuns que você ouve umas três ou quatro vezes no máximo e depois deixa para lá. Até vale alguma coisa como um descompromissado exercício de férias para o quarteto, mas não é nada que deva de fato ser levado a sério – pelo menos não em termos de uma carreira duradoura. Se bem que, no caso de Chapman e Cunningham, as férias nem estão sendo tão longas assim. Neste mês o New Order está excursionando pelos EUA e em novembro eles aterrissam de novo na América do Sul.

 

NEWS | Trazendo as boas novas! Peter Hook volta ao Brasil e integrantes do New Order criam novo projeto paralelo

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Olá, pessoal!

Depois de uma longa pausa, eis que estamos de volta para dar aos leitores do blog as últimas novidades sobre a nossa banda favorita e tudo o mais que a ela estiver relacionado. Antes disso, faz-se necessário pedir desculpas aos que por aqui acompanham todos os passos de nossos heróis. O tempo dedicado aos posts ficou mais escasso depois que começaram as responsabilidades de pai de primeira viagem, isso sem falar na correria do trabalho. Com o tempo que sobra a gente tenta, na medida do possível, manter o blog minimamente atualizado, ainda que os intervalos entre os posts se tornem maiores.

Mas agora vamos ao que interessa… Comecemos pelas últimas do Peter Hook e sua banda-tributo The Light. Eles estão neste exato momento em mais uma hercúlea maratona de shows pela América do Norte dando prosseguimento à tour no qual apresentam ao vivo as duas coletâneas intituladas Substance – a do New Order, lançada em 1987, e a do Joy Division, editada no ano seguinte. Durante a viagem, anunciaram os shows que farão em outubro deste ano em Buenos Aires e em São Paulo, onde tocarão os discos Technique (1989) e Republic (1993), os dois únicos álbuns do New Order que chegaram ao primeiro lugar na parada britânica. Os concertos terão um set de abertura dedicado ao Joy Division, o que já era de se esperar. Uma prévia dessa nova turnê rolou março deste ano no programa de Marc Riley na BBC 6, no qual Peter Hook e o The Light tocaram “Regret” e “Run”. Nas entrevistas que vem dando à imprensa durante a excursão pela América do Norte, o baixista diz que continua escrevendo material inédito e que existe uma pressão do guitarrista do The Light, David Potts, para reativarem em algum momento o projeto Monaco, que criaram juntos na década de 1990. Além disso, Hook confirmou que vem trabalhando com Wolfgang Flür, ex-Kraftwerk, mas não entra em detalhes sobre essa parceria.

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Peter Hook voltará ao Brasil em outubro

No entanto, ficamos devendo ao leitor um review do último CD do Peter Hook & The Light, Live at Camden Roundhouse, lançado em dezembro do ano passado… Foi mal, pessoal…

Já o New Order… recentemente o grupo esteve em Turim, na Itália, para apresentar uma versão mais longa do concerto originalmente concebido para o Festival Internacional de Manchester no ano passado. A banda subiu ao palco no Officini Grandi Riparazioni no último dia 05 com o time de doze tecladistas extras da Northern School of Music, o maestro Joe Duddell e os efeitos de luz do artista visual Liam Gillick. Mais uma vez canções que há muito tempo não eram tocadas ao vivo, como “Dream Attack”, “Vanishing Point”, “All Day Long”, “Ultraviolence” e “Sub-Culture” fizeram a alegria dos fãs das antigas, muitos vindos de outras partes da Europa só para testemunhar esse momento (o set list completo pode ser visualizado AQUI). A banda levará esse show para Viena como parte do Wiener Festwochen nos dias 12 e 13 deste mês. Depois, o New Order fará um show “normal” no Incuya Music Festival, Cleveland (EUA), em agosto. E isso é tudo que a banda tem programado para este ano e talvez não vá muito além disso…

Ou não… Um post recente do Tom Chapman, atual baixista do New Order, em sua página no Instagram deixou muita gente de orelha em pé e bigodes arrepiados. Na postagem ele aparece em uma foto ao lado do guitarrista/tecladista Phil Cunningham acompanhada da legenda “filmando o documentário sobre o New Order em Manchester”. Documentário? Como assim? Bom, a verdade é que só os desavisados e aqueles que tem memória curta não sabem exatamente do que se trata. Em 2013, o produtor musical e DJ Arthur Baker concedeu uma entrevista a Gregor Muir para o site do Institute of Contemporary Arts de Londres na qual dizia estar produzindo um documentário sobre a banda com a direção de Don Letts. Como não se falou mais nada a respeito disso de lá para cá, muita gente parece ter se esquecido da história. Vale lembrar que Bernard Sumner e Stephen Morris apareceram no filme anteriormente produzido por Baker, o elogiado 808, um documentário dirigido por Alexander Dunn sobre a legendária drum machine Roland TR-808 e seu impacto sobre a música popular. Bom, mas para quando é o novo doc do New Order? Ninguem sabe ainda e excetuando a entrevista do Muir com o Baker e o post do Tom Chapman, não se encontra mais nada a respeito disso na internet.

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E falando na dupla Chapman/Cunningham… bom, a essa altura do campeonato já não é mais possível chamá-los de “os novos integrantes do New Order”. Phil Cunningham está com a banda desde 2002 (dezesseis anos) e Tom Chapman desde 2011 (sete anos). Então, não seria equivocado chamar o novo grupo do qual fazem parte, o ShadowParty, de “projeto paralelo ao New Order” como eram o Electronic do Bernard Sumner, o The Other Two do casal Gillian Gilbert e Stephen Morris, ou o Revenge de Peter Hook. Por uma estranha coincidência, o ShadowParty é formado por músicos que não faziam parte das formações originais/clássicas das bandas nas quais tocam “oficialmente”. Cunningham e Chapman estão com o New Order; ja os outros dois membros do novo time, Josh Hager e Jeff Friedl, tocam guitarra/teclados e bateria respectivamente no Devo. O quarteto acaba de lançar o seu primeiro single, o agradável “Celebrate”, e o album de estreia está previsto para sair em julho deste ano, pela Mute Records (o atual selo do New Order). As conexões com o New Order não param por aí. O maestro Joe Duddell, que assinou os arranjos de cordas do último CD da banda, Music Complete, e que vem regendo a “orquestra” de tecladistas que andou acompanhando o New Order ao vivo, foi um dos colaboradores no début do ShadowParty; Denise Johnson, que já fez backing vocals para o Electronic e o próprio New Order, também faz participação especial. O som? Pela descrição no site da Mute (e pelo o que se ouve em “Celebrate”) trata-se de um blend eletrônica-guitarras-cordas. Tomara que venha um bom álbum por aí para a gente resenhar aqui no blog.

Para encerrar por hoje: Barry Harris, que se autoproclama o “primeiro DJ do mundo a compor, produzir e tocar um hit no Top 5 internacional”, mas que ficou famoso mesmo na década de 1980 quando integrou a dupla canadense de synth pop Kon Kan (que já se apresentou no Brasil e emplacou por aqui os sucessos “I Beg You Pardon” e “Harry Houdini”), disponibilizou recentemente em sua página no Soundcloud um remix de “Bizarre Love Triangle” (graaaaaande novidade…). Já perdeu a conta de quantos remixes de “Bizarre Love Triangle” você já ouviu? Nós também! Em todo caso, segue o player para quem quiser conferir.

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REVIEW | “People on the High Line” (7″ shaped picture disc)

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“People on the High Line”: agora em versão shaped picture disc de 7″

Se tem uma coisa da qual fã nenhum do New Order pode reclamar é da maneira como a Mute Records vem promovendo o álbum Music Complete, lançado no ano passado. A gravadora comandada por Daniel Miller empregou distintas estratégias promocionais nessa empreitada: os snippets do Twitter com trechinhos das músicas (e que funcionavam como teasers do CD), diversas versões do disco para diferentes gostos e bolsos (inclusive um mega-luxuoso box set de oito discos de vinil coloridos!), quatro singles, lançamento de faixas avulsas em formato digital aberto para o público bolar seus próprios remixes, concurso para vídeo promocional com prêmio em dinheiro… A última novidade é um shaped picture disc de sete polegadas do mais recente single, “People on the High Line”.

Lançado no dia 14 de outubro, ou seja, pouco mais de um mês depois que os outros formatos físicos saíram, o shaped picture disc de “People on the High Line” veio a ser o primeiro e, até este momento, único lançamento do gênero da carreira do New Order. O disquinho foi cortado tendo como molde a figura usada na capa da edição em vinil de 12″, que remete a um motivo da tapeçaria TudorEsse mesmo motivo, além daquele usado na capa da versão em CD, apareceram primeiro no etched vinyl da caixa Music Complete: Deluxe Vinyl Box Set. Aliás, vale relembrar que o conceito por trás do artwork do último LP teve inspiração Tudor: do enxaimel à tapeçaria.

Voltando ao picture disc… trata-se de uma edição limitada em 2.000 cópias numeradas. O humilde autor deste blog ficou surpreso por ter se tornado proprietário de uma das cinquenta primeiras cópias: a que chegou na minha caixa de correio veio com o número 45. Foi um golpe de sorte, uma vez que ao encomendar o disco na pré-venda não era possível escolher o número da cópia. Recebi comments de seguidores do Instagram do blog que me disseram que compraram os seus em lojas físicas (na Inglaterra) bem no dia do lançamento e obtiveram números como 1.225 ou 1.605. O exemplar que aparece no site dedicado ao designer Peter Saville – e que ilustra o comecinho deste post – é o de número 311. Como eu disse, tive sorte.

Esse shaped picture disc de “People on the High Line” é a única edição a trazer as versões edit da mixagem original (e, por essa razão, é a que foi usada no vídeo promocional) e do “Claptone Remix” (aproveitada em um vídeo promocional oficial alternativo). Mas o disco inclui um código para que se possa baixar um “pacote” de remixes: os dois do vinil e outros cinco, totalizando sete. Ponto a favor, é claro. Até porque, como é de praxe em picture discs, o som não chega a ser lá essas coisas – e dá para notar um discreto “chiado”. Em geral, esses discos são bonitos, mas ordinários…

Porém, como item de colecionador, ele faz bonito. E há de se convir que Peter Saville e seu parceiro, Paul Hetherington, realmente vêm caprichando nos artworks de Music Complete e seus singles.

Até este momento, não há qualquer indício de que teremos um quinto single saído de Music Complete, álbum cujo “ciclo” aparenta estar chegando ao fim. Para quem curte e coleciona, valeu a pena: além do álbum ser bom, ele originou vários itens bem legais de se ter.

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NEWS | “People on the High Line” para todos os gostos

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Capa do 12″ de “People on the High Line”.

Foram divulgados mais detalhes sobre o próximo single do New Order, “People on the High Line” (29/07), o quarto saído do décimo e mais recente álbum da banda, Music Complete (Mute Records, 2015). Em primeiro lugar, soltaram os tracklists do vinil de 12″ (que dessa vez terá a cor branca) e do CD (que trará outro ícone na capa, vide foto ao lado); além disso, no dia 09 de setembro será lançado em edição limitada (2.000 cópias) um picture disc cortado no formato do ícone que será usado na capa do 12″ e do digital single download (imagem ainda não divulgada). Esse disquinho terá, no lado A, a versão “Richard X Video Mix”, e, no lado B, o “Claptone Radio Edit”. Não há informações ainda a respeito desses mixes serem incluídos no pacote de downloads.

Enquanto isso, o site DirrtyRemixes.com fez a gentileza de disponibilizar de graça três remixes de “People on the High Line” para os fãs irem se aquecendo: “Richard X Extended Mix”, “Richard X Radio Edit” e “Claptone Remix” (sim, o próprio, aquele que havia saído dias atrás como digital single download exclusivo, porém pago, no site Beatport). O “Extended Mix” de Richard X não é novidade – é o mesmo do Deluxe Vinyl Box Set e do CD duplo Complete Music; já sua “contraparte”, a versão edit, a princípio só sairia no dia 29 deste mês com o lançamento do CD single. Os downloads podem ser feitos AQUI. Agradecemos o amigo Felipe, do New Order Brasil, pela dica!

PEOPLE ON THE HIGH LINE / Tracklist (oficial):

VINIL 12″ BRANCO
Lado A: Claptone 12″ Remix
Lado B: Extended Mix

CD SINGLE
01. Richard X Radio Edit
02. Claptone Remix
03. LNTG Can’t Get Any Higher Remix
04. Planet Funk Remix
05. Extended Mix
06. Hybrid Remix
07. Hybrid Armchair Mix

LIMITED SHAPED 7″ PICTURE DISC (somente 09/09)
Lado A: Richard X Video Mix
Lado B: Claptone Radio Edit

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REVIEW | Avaliamos “Complete Music” (New Order)

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Capa de “Complete Music”

Quando o New Order anunciou o lançamento de Music Complete, seu décimo álbum de estúdio, ninguem esperava grande coisa. Seu antecessor, Lost Sirens, de 2012, uma espécie de mini-LP produzido a partir de sobras de estúdio do já por si só pouco inspirado Waiting for the Sirens’ Call (2005), parecia ser a pá de cal que faltava para encerrar o enterro de uma banda que, além de ter perdido um dos seus principais integrantes, não fazia mais nada além de passar o chapéu em shows tão lotados de fãs nostálgicos quanto de grandes sucessos. Apesar da notícia da assinatura do contrato com a legendária gravadora Mute ter causado algum burburinho – principalmente depois que uma declaração mal interpretada obrigou James “LCD Soundsystem” Murphy a desmentir em nota rumores de que o grupo iria para a DFA Records -, ninguem esperava não mais que uma grande faixa apenas, três ou quatro canções “ok” e o restante só de fillers.

Mas, supreendentemente, o New Order fez bem mais que isso. Mesmo com um grande desfalque (o baixista Peter Hook, apartado desde 2007), a banda fez um disco nada menos que impecável e digno da reputação construída ao longo do mais de três décadas. Depois de uma trinca de álbuns mais orgânicos, baseados em guitarras, o New Order estava de volta com o batidão pop-dançante-eletrônico que ajudou a popularizar. Todavia, Music Complete, lançado em setembro do ano passado, não foi feito apenas para se dançar. O disco era um exemplo da rica paleta sons do New Order.

Uma das versões de Music Complete era uma edição limitada em vinil com oito discos coloridos que continha, além do álbum em sua versão original, todas as suas onze faixas com outra mixagem que as deixavam mais longas – em alguns casos até com o dobro da duração. Chamados de extended mixes, esses remixes eram um mimo exclusivo para fãs mais capitalizados e ávidos por itens de colecionador. Mas supostamente pensando no público médio, a Mute Records resolveu reunir essas versões extended em um CD duplo, batizado de Complete Music.

É interessante observar que, de acordo com o formato, esse material pode adquirir um sentindo completamente diferente. Como parte de uma edição limitada, os remixes de um álbum inteiro distribuídos por vários discos de vinil dentro de uma caixa são um autêntico “bônus de luxo”; mas quando transformados em um “álbum independente”, o que se tem é uma “versão alternativa” do disco original e que, de certa forma, concorre com ele. O problema é que, especificamente nesse caso, Complete Music leva uma desvantagem: ele nasceu de um CD irrepreensível. E remixes, como sabemos, são empreendimentos de risco – podem tanto elevar uma obra a um outro nível como destruí-la completamente. É como pisar em ovos.

Felizmente, a proposta por trás das versões estendidas das canções de Music Complete nem era tanto a de reinterpretá-las, que é o que a maioria dos remixers faz hoje em dia. A ideia era basicamente alongar as faixas. Pense, por exemplo, nos extended mixes de “The Perfect Kiss”, “Bizarre Love Triangle” e “True Faith”. A intenção era recriar aquele tipo de remix de oito ou nove minutos dos singles do New Order na década de 1980. Porém, em Complete Music, temos resultados variados. Em geral, em boa parte ele não chega a superar o seu progenitor (“Restless”, “Unlearn This Heatred”, “Singularity”, “Tutti Frutti”, “Academy”); todavia, ele também nos oferece algumas recriações dignas das originais – faixas pouco badaladas, como “The Game” e “Stray Dog” (esta com a voz de Iggy Pop soando ainda mais profunda e calorosa), são boas surpresas. “People on the High Line”, por sua vez, ganhou músculos extras em seus grooves, além de cowbells adicionais. Mas o ponto alto, sem dúvidas, é “Plastic”: evocando seus mais antigos inspiradores (Moroder, Kraftwerk), o remix é uma autêntica trip com direito a bumbo “no talo” e vocoders. É tarefa ingrata escolher qual o melhor – o mix original ou o extended.

Quem pensou que Complete Music era uma jogada de marketing para vender as faixas bônus da caixa de vinis para um outro perfil de público, certamente subestimou o tino para negócios de Daniel Miller, o dono da Mute. O CD traz, no lugar dos extended mixes originais de “Nothing But a Fool” e “Superheated”, versões ineditas dessas faixas, rotuladas como extended mix 2. Trata-se de uma isca para fisgar, também, quem já havia comprado o box set. A estratégia foi além: de lambuja, quando se adquire o Complete Music o fã recebe um código para baixar o disco com os mixes originais. Deu tão certo que Music Complete voltou para o Top 20 da parada britânica de álbuns. No ano passado, ele atingiu o segundo lugar.

A capa do novo CD também é, de certa forma, um remix do projeto gráfico de Music Complete. Basicamente, o conceito e a arte são os mesmos, mas agora traduzidos em uma embalagem de papelão que imita uma capa de LP em miniatura, além de apresentar uma paleta de cores mais diversificada e vibrante.

Complete Music não é o que se pode chamar de item indispensável. Na verdade, é um disco absolutamente supérfluo e que nada acrescenta à discografia da banda, inclusive como conceito (o New Order já havia lançado discos de remixes e versões extended antes). É um item feito sob medida para saciar a sede e a extravagância dos completists, sempre ávidos a não deixar buracos em suas coleções. A verdade é que Music Complete, na sua versão original, simplesmente se basta por méritos próprios. O New Order provou, quando ninguem mais esperava, que ainda tinha lenha para queimar e fez uma boa fogueira. Complete Music tem um que de exibicionismo – algo do tipo “vejam agora que podemos fazer com esse fogo”, e, com ele, ao invés de produzir calor ou de preparar alimentos, acenderam fogos de artifício. Bonito, sem dúvida. Mas não passa de pirotecnia.

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