NEWS | New Order anuncia turnê conjunta com os Pet Shop Boys

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Poster oficial da The Unity Tour

A grande notícia desta semana foi o anúncio de uma turnê conjunta do New Order e dos Pet Shop Boys pela América do Norte em setembro deste ano. A novidade já percorreu os quatro cantos do mundo e os detalhes sobre datas e locais podem ser encontrados nos sites oficiais e nas redes sociais das respectivas bandas. Por isso, preferimos aqui sintetizar as expectativas dos fãs em torno da The Unity Tour (título da turnê) em três “perguntinhas inocentes”. Então vamos a elas…

Como são as duas bandas ao vivo?
No palco os Pet Shop Boys apostam em apresentações teatrais, com cenários, trocas de figurino, além de bailarinos e números de dança. O vocalista Neil Tennant tem presença de palco, mas ele não faz o tipo Mick Jagger. Já o tecladista Chris Lowe fica lá na dele, paradão, executando as músicas. O New Order, por sua vez, é mais low profile ao vivo. No passado suas atuações costumavam ser irregulares e, ainda por cima, a banda teimava em não tocar seus hits (dentre eles “Blue Monday”). Mas o grupo mudou bastante faz um bom tempo. O carisma de Peter Hook (que deixou o New Order em 2007) faz falta, mas a força de seu catálogo e uma mãozinha dos efeitos visuais (um recurso outrora ignorado) vêm garantindo ingressos esgotados e críticas positivas em geral. Um ponto fraco são os vocais de Bernard Sumner.

É possível que as duas bandas se juntem no palco?
O que se sabe até agora é que o New Order e os Pet Shop Boys se alternarão no posto de headliner ao longo da turnê, mas o mero anúncio da The Unity Tour criou expectativas com relação a um eventual “bloco Electronic” (projeto paralelo de Sumner ao lado do ex-Smiths Johnny Marr e que contou com a colaboração de Tennant e Lowe no álbum de estreia). Se isso acontecer (e não descartamos que aconteça, pois Bernard já subiu ao palco em um show de Marr para tocarem juntos o maior hit do projeto, o single “Getting Away With It”), é mais provável que ocorra durante a performance dos PSB e não da do New Order. Parece haver um tipo de acordo – não se sabe se tácito ou explícito – dentro do N.O. com relação à não se incluir no set e nas encores músicas dos projetos paralelos de seus integrantes.

Essa tour pode vir ao Brasil?
Todo mundo torce por isso. Os Pet Shop Boys já estiveram aqui sete vezes; já o New Order seis. Trocando em miúdos: ambas as bandas têm muita consciência do tamanho do mercado na América Latina e, nos últimos anos, tornaram os intervalos entre as vindas ao continente cada vez menores (de 2014 para cá o New Order veio a cada dois anos, para ficar num exemplo). Então, sonhar com a The Unity Tour por essas bandas não parece delírio, principalmente se sua passagem pela América do Norte for bem sucedida (e há grandes chances disso acontecer). Convenhamos: essa turnê é uma jogada de marketing esplêndida. Considerando que tocarão nos EUA e no Canadá em setembro (com uma data apenas no comecinho de outubro) e que as duas bandas não têm por enquanto shows agendados logo em seguida, ainda há possibilidade, por questões logísticas, de se incluir datas na América do Sul na sequência. Mas, por enquanto, não passa de chute ou palpite desse que lhes escreve.

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25 ANOS | Estreia do Electronic comemora aniversário

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Primeiro LP do Electronic: 25 anos

“Que eu me lembre, o momento mais triste da minha vida, descontando questões de família, foi quando nos reunimos em um quarto de hotel em Los Angeles antes de um show no Irvine Meadows. Conversávamos sobre a Factory, pois a gravadora estava passando por problemas financeiros, quando Bernard anunciou que ele estava saindo para fazer suas coisas sozinho. Foi um choque para mim. Eu não esperava por isso. Eu não esperava não haver mais o New Order” (Peter Hook, extraído do livro True Faith: An Armchair Guide to New Order, Joy Division and Side Projects, de Dave Thompson, Helter Skelter Pub., 2005).

E foi isso mesmo: no finzinho dos anos 1980 o vocalista e guitarrista Bernard Sumner foi o primeiro membro do New Order a se ejetar da banda para ter uma carreira paralela. O parceiro escolhido nessa empreitada foi Johnny Marr, o cultuado ex-guitarrista do Smiths (com quem, aliás, Peter Hook havia tentado trabalhar também). Os dois se conheceram em 1984, durante a gravação de “Atom Rock”, single do grupo Quando Quango, produzido por Sumner e que contava com a participação de Marr como guitarrista convidado. A dupla começou a compor seu material por volta de 1988, mas apenas no final do ano seguinte, após a divulgação do álbum Technique, do New Order, e de Mind Bomb, LP do The The no qual Johnny havia tocado, que os dois, já batizados como Electronic, soltaram no mercado seu primeiro compacto: “Getting Away With It”.

Lançado pela Factory Records, “Getting Away With It” (FAC 257), que contou com a participação de Neil Tennant, dos Pet Shop Boys (e que também co-escreveu a música), chegou ao 12o lugar na parada inglesa. Segundo o New Musical Express na época: “É o mais completo disco pop da semana, por uma margem infinita… Uma adorável melodia derivada de uma canção gentilmente reforçada por uma obtusa e apaixonada espirituosidade. O disco consegue ser muito mais que a soma de suas partes e teimosamente recusa-se a desistir de sua dose de mistério”. No ano seguinte, Sumner/Marr, acompanhados do tecladista Andy Robinson (que era o técnico de teclados e programador de MIDI do New Order; atualmente, substitui Rob Gretton no papel de empresário da banda), do percussionista Kesta Martinez e do baterista Donald “DoJo” Johnson (A Certain Ratio), fazem sua estreia nos palcos abrindo shows para o Depeche Mode em sua turnê World Violation Tour.

O album de estreia, intitulado pura e simplesmente Electronic, sairia há exatos 25 anos, também pela Factory Records (FAC 290). Ao contrário do que muitos pensavam, não soava como uma “mistura de New Order com The Smiths”. Na verdade, naquela época, o Electronic ainda se parecia mais com o primeiro do que com o segundo. De acordo com o falastrão Peter Hook “As pessoas diziam que o Electronic soava como o New Order sem o baixo, o que deixava o Bernard doido!”. Isso era verdade. Ou, como Sumner disse, com suas próprias palavras, em sua autobiografia Chapter and Verse (2014, Bantam Press): “Ainda que eu estivesse entusiasmado com o fato de que nesse álbum Johnny tinha a ambição de aprender a mexer com música eletrônica, me animava que ele prosseguisse tocando sua guitarra de maneira genial. Me lembro de ter dito a ele no estúdio ‘Johnny, se você não tocar a porra dessa guitarra nesse disco, vão dizer que a culpa é toda minha’; e ele respondeu ‘Ok, ok, Bernard… Mas para que serve mesmo esse botão?’.  Johnny é um músico progressista, de mente aberta, e queria experimentar coisas novas. Mesmo sendo um dos melhores guitarristas da Inglaterra, ele enxergava a música eletrônica como sendo o futuro”.

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Tenho até hoje o vinil que comprei em 1991, na extinta Mesbla

O blend resultante da fusão entre rock e música eletrônica certamente aproximou o som do LP de estreia do Electronic da identidade musical do New Order. Todavia, o envolvimento dos Pet Shop Boys (Neil Tennant e Chris Lowe) também contribuiu para que faixas como “The Patience of a Saint” soassem, segundo palavras do crítico musical carioca Tom Leão, como um “PSB esquisito”. Nesse caso, parece que estamos ouvindo um outtake de Behaviour, disco que os “Rapazes da Loja de Bichos de Estimação” lançaram meses depois de Electronic e que contou com uma mãozinha de Marr. Em todo caso, ainda que o primeiro dos três discos lançados pelo duo Sumner/Marr não superasse em nada o que o New Order já tivesse feito, nem trouxesse uma pitada sequer de The Smiths, ele foi um inquestionável sucesso: alcançou o segundo lugar na parada inglesa de álbuns e o primeiro na parada americana da Billboard Heatseekers (uma parada da revista Billboard dedicada a artistas novos ou em crescimento). O álbum vendeu mais de um milhão de cópias no mundo todo e recebeu resenhas positivas das principais revistas sobre música e cultura pop. Foi um dos “Discos do Ano” de 1991 para a Melody Maker e para o New Musical Express.

O disco saiu no Brasil, mas com relação a isso existe uma curiosidade. Enquanto que na Inglaterra o álbum foi lançado sem “Getting Away With It” (prática, aliás, comum naqueles tempos, isto é, singles que não eram incluídos nos LPs), aqui a faixa, que tocou nas rádios e na MTV, foi introduzida no vinil pela gravadora brasileira. Entretanto, acabaram deixando de fora da edição nacional a excelente faixa “Gangster”, presente apenas no CD. Todos os singles de Electronic tiveram seus vídeos exibidos no Brasil: “Get the Message”, “Feel Every Beat” e as duas versões para “Getting Away WIth It”. Nenhum deles entrou nas paradas brasileiras, nem nas rádios, nem no Disk MTV. Todavia, figuraram no Top 10 Europa, que a MTV Brasil exibia em sua programação.

Apesar de hoje em dia soar meio datado em termos musicais ou em matéria de timbres e texturas (o que, na verdade, é algo meio relativo se prestarmos bem a atenção no som das bandas eletrônicas e híbridas de hoje em dia), mais ou menos como ouvir nos dias de hoje um LP de disco music de quarenta anos atrás, Electronic se tornou, com o passar do tempo, um clássico dos anos 1990. Ele é um daqueles discos que parece soar melhor e mais brilhante hoje do que há vinte e cinco anos. Os relançamentos, primeiro em uma versão expandida em CD duplo (2013) e, depois, em vinil de 180 gramas (2014), só contribuem para manter sua longevidade e o interesse do público. Ainda é o melhor álbum feito por um integrante do New Order fora da banda titular. Os demais, o ex-baixista Peter Hook, o baterista Stephen Morris e a tecladista Gillian Gilbert, até fizeram coisas legais e que merecem uma revisão com um pouco mais de boa vontade (Revenge, Monaco, The Other Two) – mas nada que tenha chegado ao mesmo nível da estreia do Electronic.

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Minha primeira edição em CD (alemã) autografada: não foi comprada no eBay!

Para terminar, disponibilizamos a seguir, o scan de uma matéria no “Segundo Caderno” do jornal O Globo, escrita por Tom Leão, sobre o lançamento do nosso disco-aniversariante, em setembro de 1991 (quando o álbum já tinha saído lá fora). Só lamento dizer a ele que a sentença com a qual terminou seu texto, felizmente, não se concretizou…

Matéria Segundo Caderno

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