NEWS | Novidades em meio à pandemia

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New Order em São Paulo (2014). Foto de Jéssica Mangaba/VEJA.

Fãs do Joy Division e do New Order não têm do que reclamar: mesmo com as medidas de isolamento recomendadas pelos órgãos de saúde por causa da pandemia do vírus SARS-CoV-2, muitas novidades das duas bandas estão vindo à tona em meio às liveslistening partiesposts do Twitter. Temos um pouco de tudo: relançamentos, tesouros guardados e até uma música “nova” a caminho. Mas, como diria aquele famoso estripador inglês, vamos por partes!

Peter Hook, ex-baixista do New Order, vem fazendo lives todas as semanas, durante as quais responde perguntas de internautas e solta algumas novidades. Dentre elas, duas notícias – uma má e outra boa. A má é que ele e seus ex-colegas de banda teriam entrado em desacordo mais uma vez e, por causa disso, a Definitive Edition do álbum Power, Corruption and Lies poderá ter seu lançamento atrasado… e por tempo indeterminado. A boa é que as as gravações resultantes das audições que Hook fez para ingressar no Killing Joke nos anos noventa poderão em breve ver a luz do dia sob forma de um EP, que será creditado como Killing Division. Apesar do nome de gosto duvidoso, o baixista disse que a escolha se deu pelo fato do material soar como uma verdadeiro cruzamento entre o Joy Division e o Killing Joke. É esperar para ver…

Por outro lado, Stephen Morris, baterista ainda em atividade com o New Order, respondeu a pergunta de um fã no Twitter sobre o lançamento da versão encaixotada de Power, Corruption and Lies. Contrariando a fala de Peter Hook, ele disse que existe possibilidade do box set sair antes do Natal deste ano, talvez em outubro. Em resposta a outro fã, que lhe perguntou sobre a segunda parte de seu livro de memórias – Record Play Pause –, que cobriria o período com o New Order, disse que também estava planejado para sair em outubro, mas tendo em vista que as versões digital e em brochura da primeira parte estão atrasadas, ele acredita que a publicação do volume dois pode ser empurrada para o ano que vem. Mas ele mantém esperanças de que saia ainda em 2020… “com alguma sorte”, ele completa.

Porém, a grande notícia da quarentena foi dada pelo vocalista Bernard Sumner em recente entrevista concedida ao site do jornal The Times. Segundo o frontman do New Order, ele estaria aproveitando o lockdown para trabalhar na mixagem de uma sobra de estúdio do último álbum da banda, Music Complete (2015). A faixa se chama “Be a Rebel”. Infelizmente, Sumner não revelou quando ou de que maneira essa faixa será lançada, ou mesmo se virão outras no rastro dela. Sem dúvidas, para os fãs mais fiéis isso é muito mais excitante do que a nova edição comemorativa de 40 anos do lançamento do álbum Closer, do Joy Division – que não traz nada de novo a não ser o fato de que virá prensada desta vez em um vinil transparente. Em todo caso, no esteio da nova reedição de Closer três singles de 12″ do Joy Division fora de catálogo há tempos serão relançados: “Transmission”, “Atmosphere” e “Love Will Tear Us Apart”. Tudo isso vai sair ainda este mês, no dia 17.

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REVIEW | Peter Hook & The Light ao vivo no Audio Club, SP (10.10.2018)

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Foto: Yuri Murakami (Music Drops)

Num bar bem próximo ao Audio Club, em São Paulo, algumas horas antes do show do Peter Hook & The Light, um grupo de fãs que dividia uma mesa havia chegado a uma melancólica conclusão: que fazer ininterruptas turnês pelo mundo tocando os velhos sucessos em palcos minúsculos e para pequenas audiências era algo um tanto quanto deprimente para quem havia feito parte de uma banda que outrora foi sinônimo de vanguarda.

Provavelmente muitas pessoas pelo mundo afora compartilham esse mesmo sentimento. Mas basta Peter Hook entrar em cena e começar a palhetar seu baixo (sempre colocado à altura dos joelhos) para esse lamento desaparecer. Como já dissemos aqui no blog em ocasiões anteriores, Hook conhece bem as armas que tem e sabe usá-las com destreza. Ele tem carisma e presença de palco, o que faz com que boa parte da plateia nem se incomode tanto com o fato de que seus vocais são sofríveis e que, ainda por cima, ele não consegue tocar baixo e cantar ao mesmo tempo (coube a Yves Altana a tarefa de dar aquele par extra de mãos nas quatro cordas). Além disso, ao contrário da versão atual de sua ex-banda, ele oferece ao público porções bem mais generosas de clássicos do Joy Division, para o delírio de uma nova geração de fãs que surgiu no rastro do revival em torno do grupo nas últimas décadas. E de quebra suas turnês vêm percorrendo quase a totalidade do extenso catálogo que ele ajudou a construir ao longo de trinta anos. Em outras palavras: Hook é o sujeito que costuma entrar em campo com o jogo já ganho.

Mas no palco do Audio o que se viu ao longo de duas horas e meia de performance foi uma apresentação com vários altos e baixos. Comecemos pela sonorização: no set de abertura, totalmente dedicado ao Joy Division, o som estava tinindo e “no talo”; mas foi só entrar no repertório do New Order, mais eletrônico e cheio de camadas, que os problemas aqui e ali começaram a aparecer. Embora os baixos elétricos de Hook e Altana soassem bem potentes, os grooves eletrônicos de certas faixas eram praticamente inaudíveis. Em “Fine Time” e “All the Way”, por exemplo, algumas linhas de teclado também soavam muito baixas. Uma bela versão de “Run” foi lamentavelmente prejudicada em seus instantes finais por um apagão (literalmente falando) no sintetizador do tecladista Martin Rebelski. No bis – estelar – as coisas pareciam mais bem equilibradas novamente nesse aspecto, para sorte do público (que, diga-se de passagem, não lotou a casa).

Com relação à parte musical, havia chegado a vez de Peter Hook revisitar em solo brasileiro os álbuns Technique (1989) e Republic (1993). De um lado, um disco que muitos consideram a obra-prima do New Order e que veio a ser o último lançado pela banda na gravadora Factory; de outro, um LP bem sucedido comercialmente, puxado por um single poderoso, mas que contém um repertório bastante irregular em termos de qualidade.  Ao vivo, Hook e sua banda até que se esforçaram para oferecer à plateia uma versão de Technique digna do seu sucesso e de sua importânciamas poucos foram os momentos de brilho no bloco dedicado ao álbum. Dentre eles, “Round and Round”, “Vanishing Point” e “Dream Attack”.

Curiosamente, o disco mais fraco – Republic – ganhou do The Light uma interpretação mais competente que seu badalado antecessor. Entretanto muitos nem perceberam. Durante o bloco de canções do disco muita gente saiu da pista e foi para o bar ou simplesmente ficou perambulando pela casa, tirando selfies e jogando conversa fora. Uma versão pouco animada do clássico “Regret” (que abriu essa terceira parte do show) pode ter plantado uma semente de dúvida no público. Todavia, quem não arredou o pé curtiu boas e bem executadas versões de “World”, “Spooky”, “Young Offender”, “Liar” e “Times Change”. A decepção foi “Avalanche”, faixa que encerra Republic: em vez de tocada ao vivo, teve sua versão original de estúdio lançada no P.A. para servir de pausa para respirar antes da apoteótica encore.

No bis, “Hooky” e o The Light voltaram ao palco com sangue nos olhos. “Blue Monday”, mesmo com seu groove soando baixo, fez a pista lotar novamente. E o que rolou em seguida foi um bailão daqueles: “Ceremony”, “Temptation”, “True Faith” e, como gran finale, “Love Will Tear Us Apart”.

Considerando os resultados desiguais entre as canções dos álbuns tocados na íntegra (desta tour e, também, das outras anteriores), o ideal seria que Peter Hook e seus colegas do The Light fizessem um show só de canções escolhidas a dedo, como costumam fazer no set abertura dedicado ao Joy Division e nas encores. Isso resultaria num concerto bem mais equilibrado e sem o risco de ter a pista esvaziada em alguns momentos. Afinal, convenhamos: será que o público estaria mesmo interessado em ouvir, na próxima turnê, o disco Waiting for the Sirens’ Call da primeira à última faixa?

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REVIEW | “New Order’s Technique & Republic Live in London” (Peter Hook and The Light)

largeAcaba de sair pelo selo Live Here Now (e através da plataforma direct to fan Pledge Music) uma amostra do que está para vir na quarta-feira próxima, dia 10 de outubro, no palco do Audio, em São Paulo: New Order’s Technique & Republic Live in London, o novo CD (triplo) de Peter Hook e seus fiéis escudeiros do The Light, e cujo repertório cobre, na íntegra, os dois LP’s de sua ex-banda que atingiram o topo da parada de álbuns na Inglaterra em 1989 e 1993, respectivamente, além de um set só de músicas de outro antigo grupo seu, um certo Joy Division.

O disco e a subjacente turnê que já está percorrendo a América Latina (Hook toca amanhã em Buenos Aires) representam mais uma etapa do projeto iniciado pelo baixista em 2010, que é o de tocar ao vivo todos os álbuns e singles já lançados pelo Joy Division e pelo New Order e em ordem cronológica. Agora chegou a vez de Technique Republic, além de compactos como “World in Motion”. O show que acabou de sair em CD foi gravado no Electric Ballroom, em Candem Town (arredores de Londres) no dia 28 de setembro deste ano. Como de costume, a qualidade da gravação produzida pela equipe da Live Here Now é impecável – e se mantém dentro do atual “conceito” de registros ao vivo que soam quase como se fossem gravações de estúdio. Entretanto, o som excessivamente limpo, destituído daquela “sujeira” natural típica de um concerto ao vivo – os urros da plateia, reverberações, ecos etc. – pode às vezes colocar em relevo aquilo que seria preferível não se ouvir direito, que pode ser um grave sem muita potência (um dos grandes males de quase todos os discos ao vivo do The Light) ou os vocais sofríveis de Peter Hook.

Com relação a esse segundo quesito, vale dizer que até não foi uma má ideia convocar o guitarrista David Potts para dar um reforço extra em muitas músicas – e, convenhamos, tal estratégia foi a salvação em algumas faixas. Mas na maioria das vezes o intento não logra êxito e Potts, cujo timbre vocal é mais semelhante ao de Bernard Sumner (vocalista e guitarrista do New Order) que o de Hook, não consegue resolver a parada. “Regret” sem a voz (ainda que sem brilho e já bastante cansada) de Sumner definitivamente não funciona. O baixista parece não ter feito direito os seus cálculos e desconsiderou que Technique Republic talvez sejam os discos do New Order cujas as músicas mais teriam sido especialmente projetadas para se adequarem ao tom de Bernard (uma preocupação virtualmente inexistente em LP’s anteriores). E uma vez que a banda optou por não mexer muito nos arranjos, temos aquela incômoda sensação de que alguem está tentando fazer peças quadradas passarem através de buracos redondos.

Com relação aos aspectos estritamente musicais, temos altos e baixos ao longo do disco. Mas tais oscilações pouco têm a ver com as recentes mudanças na formação do The Light. Nos teclados, a vaga de Andy Poole (que estava na banda desde 2010) foi preenchida por Martin Rebelski (ex-Doves); no segundo baixo, Yves Altana substitui Jack Bates, filho de Hook, que por ora está a prestar serviços ao Smashing Pumpkins. O set de abertura do show, composto só de músicas do Joy Division, desce redondo – sendo esse o material mais exaustivamente tocado por Peter Hook e o The Light ao longo desses últimos oito anos (fora o extra de que o timbre grave da voz do baixista se encaixa melhor no repertório do JD), não existem ressalvas a serem feitas aqui. Ao todo são três pedradas punk (“No Love Lost”, “Warsaw” e “Leaders of Men”), “Digital” e seu interminável refrão, a soturna “Autosuggestion” e a clássica “Transmission”. Um começo de show desses faz “Fine Time”, de Technique, parecer um anticlímax, sobretudo porque a versão do The Light nos faz ter a estranha sensação de que falta algo… Stephen Morris, talvez? Ou Bernard Sumner emulando Barry White com a ajuda do vocoder?

“Fine Time” realmente soa aqui como prenúncio da destruição de um álbum clássico, mas a sequência formada por “All the Way”, “Loveless” e “Round and Round” consegue apagar temporariamente a má impressão inicial, com destaque para a última. Infelizmente, o crescendo é interrompido por fracas versões de “Guilty Partner” e “Run”. Todavia, Hook e sua banda conseguem se recuperar com boas execuções de “Mr. Disco”, “Vanishing Point” e “Dream Attack”. Apesar de uma competente sequência final, a versão para os palcos da maior obra-prima do New Order passa longe da apoteose que o público espera.

Por incrível que pareça, Republic, considerado um disco inferior e desequilibrado, se saiu melhor nesse registro ao vivo que seu gabaritado antecessor. Como dissemos anteriormente, esqueça a versão do The Light para “Regret”. Por outro lado, os ouvintes se surpreenderão com ótimas interpretações de singles como “World” e “Spooky”, ou de faixas menos badaladas como “Young Offender” e “Times Change” (o único rap já gravado pelo New Order); “Liar” surpreendentemente soa aqui muito melhor que a gravação original; já “Ruined in a Day”, que ganhou um belíssimo arranjo que mesclou partes de versão original com trechos do (excelente) remix feito pela dupla K-Klass em 1993, perdeu alguns pontos por causa de uma constrangedora atuação de Hook como vocalista (para variar…); e misteriosamente a performance de Republic se encerra com uma decente execução de “Special”, já que inexplicavelmente o tema instrumental “Avalanche”, que conclui a versão de estúdio do álbum, ficou de fora do tracklist (a presente resenha foi feita a partir de uma versão para download adquirida oficialmente no site da Pledge Music).

Já as músicas do bis – aquelas escolhidas a dedo para todo mundo cantar junto – não ficaram fora do disco, é claro: “World in Motion”, “Blue Monday”, “Temptation” e “Love Will Tear Us Apart” (Joy Division) fazem o gran finale. Com uma sequência dessas quase é possível esquecer os tropeços encontrados aqui e ali ao longo desse New Order’s Technique & Republic Live in London. Para os fãs mais viscerais é um item que muito provavelmente não poderá faltar na coleção. Já para os não tão obcecados assim, é certo de que não deve suscitar grande procura. Afinal, para o público médio interessa muito mais ver Peter Hook em ação no palco – com toda a força de seu carisma –  do que ouvi-lo em um CD ao vivo. E ele saciará essa nossa necessidade mais uma vez na quarta-feira. Até lá.

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NEWS | Peter Hook em “queima de estoque”

IMG_4616Pelo visto, a venda de ingressos para o show do Peter Hook (ao lado sua atual banda, o The Light) no próximo dia 10 de outubro, em São Paulo, não vai de vento em popa. A Ticket 360, empresa responsável pela bilheteria, lançou uma inusitada promoção dias atrás: na compra de um ingresso, o cliente leva mais um de graça para presentear um amigo. Não, você não leu errado… É isso mesmo: leve dois, pague um.

Descontando o fato de que será a quinta vez de Peter Hook no Brasil em sete anos, pode se dizer que o ex-baixista do Joy Division e do New Order teve um pouco de azar desta vez. Seu show foi programado bem no meio de uma sequência de concertos de vários contemporâneos seus por aqui: o Killing Joke tocou em São Paulo na último domingo; Peter Murphy e David J. celebrarão os 40 anos do Bauhaus três dias antes do show do Hooky, também em Sampa; Morrissey e o próprio New Order chegam em novembro. Ainda por cima há rumores sobre um retorno do Cure ao país. Com o dólar alto, economia em crise e tantos nomes que compartilham entre si o mesmo público, Peter Hook acabou indo para o fim da fila. Os fãs têm que cruzar os dedos para não se repetir aqui o que aconteceu no Chile em 2016: o show do The Light acabou cancelado, muito provavelmente devido à baixa procura por ingressos (culpa, talvez, do New Order, que se apresentou na mesma semana – e no mesmo teatro – em que o baixista estava escalado para tocar).

Peter Hook trará ao Brasil uma nova turnê que estreia hoje na Inglaterra e na qual se dedicará a tocar, na íntegra, os álbuns Technique (1989) e Republic (1993). Segundo o site Pledge Music, o show de daqui há dois dias, no Koko (Candem, Grande Londres) será gravado e lançado em CD triplo pela Live Here Now. O disco será vendido apenas via plataforma direct to fan pela Pledge Music, a exemplo de lançamentos anteriores do The Light. Certamente publicaremos resenhas tanto do disco quanto do show (se houver) aqui no blog.

Quem quiser ouvir uma amostra do que vem por aí, no You Tube dá para conferir “Regret” e “Run” in session no programa de Marc Riley na BBC-6 e que foi ao ar em 19 de março deste ano.

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NEWS | Trazendo as boas novas! Peter Hook volta ao Brasil e integrantes do New Order criam novo projeto paralelo

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Olá, pessoal!

Depois de uma longa pausa, eis que estamos de volta para dar aos leitores do blog as últimas novidades sobre a nossa banda favorita e tudo o mais que a ela estiver relacionado. Antes disso, faz-se necessário pedir desculpas aos que por aqui acompanham todos os passos de nossos heróis. O tempo dedicado aos posts ficou mais escasso depois que começaram as responsabilidades de pai de primeira viagem, isso sem falar na correria do trabalho. Com o tempo que sobra a gente tenta, na medida do possível, manter o blog minimamente atualizado, ainda que os intervalos entre os posts se tornem maiores.

Mas agora vamos ao que interessa… Comecemos pelas últimas do Peter Hook e sua banda-tributo The Light. Eles estão neste exato momento em mais uma hercúlea maratona de shows pela América do Norte dando prosseguimento à tour no qual apresentam ao vivo as duas coletâneas intituladas Substance – a do New Order, lançada em 1987, e a do Joy Division, editada no ano seguinte. Durante a viagem, anunciaram os shows que farão em outubro deste ano em Buenos Aires e em São Paulo, onde tocarão os discos Technique (1989) e Republic (1993), os dois únicos álbuns do New Order que chegaram ao primeiro lugar na parada britânica. Os concertos terão um set de abertura dedicado ao Joy Division, o que já era de se esperar. Uma prévia dessa nova turnê rolou março deste ano no programa de Marc Riley na BBC 6, no qual Peter Hook e o The Light tocaram “Regret” e “Run”. Nas entrevistas que vem dando à imprensa durante a excursão pela América do Norte, o baixista diz que continua escrevendo material inédito e que existe uma pressão do guitarrista do The Light, David Potts, para reativarem em algum momento o projeto Monaco, que criaram juntos na década de 1990. Além disso, Hook confirmou que vem trabalhando com Wolfgang Flür, ex-Kraftwerk, mas não entra em detalhes sobre essa parceria.

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Peter Hook voltará ao Brasil em outubro

No entanto, ficamos devendo ao leitor um review do último CD do Peter Hook & The Light, Live at Camden Roundhouse, lançado em dezembro do ano passado… Foi mal, pessoal…

Já o New Order… recentemente o grupo esteve em Turim, na Itália, para apresentar uma versão mais longa do concerto originalmente concebido para o Festival Internacional de Manchester no ano passado. A banda subiu ao palco no Officini Grandi Riparazioni no último dia 05 com o time de doze tecladistas extras da Northern School of Music, o maestro Joe Duddell e os efeitos de luz do artista visual Liam Gillick. Mais uma vez canções que há muito tempo não eram tocadas ao vivo, como “Dream Attack”, “Vanishing Point”, “All Day Long”, “Ultraviolence” e “Sub-Culture” fizeram a alegria dos fãs das antigas, muitos vindos de outras partes da Europa só para testemunhar esse momento (o set list completo pode ser visualizado AQUI). A banda levará esse show para Viena como parte do Wiener Festwochen nos dias 12 e 13 deste mês. Depois, o New Order fará um show “normal” no Incuya Music Festival, Cleveland (EUA), em agosto. E isso é tudo que a banda tem programado para este ano e talvez não vá muito além disso…

Ou não… Um post recente do Tom Chapman, atual baixista do New Order, em sua página no Instagram deixou muita gente de orelha em pé e bigodes arrepiados. Na postagem ele aparece em uma foto ao lado do guitarrista/tecladista Phil Cunningham acompanhada da legenda “filmando o documentário sobre o New Order em Manchester”. Documentário? Como assim? Bom, a verdade é que só os desavisados e aqueles que tem memória curta não sabem exatamente do que se trata. Em 2013, o produtor musical e DJ Arthur Baker concedeu uma entrevista a Gregor Muir para o site do Institute of Contemporary Arts de Londres na qual dizia estar produzindo um documentário sobre a banda com a direção de Don Letts. Como não se falou mais nada a respeito disso de lá para cá, muita gente parece ter se esquecido da história. Vale lembrar que Bernard Sumner e Stephen Morris apareceram no filme anteriormente produzido por Baker, o elogiado 808, um documentário dirigido por Alexander Dunn sobre a legendária drum machine Roland TR-808 e seu impacto sobre a música popular. Bom, mas para quando é o novo doc do New Order? Ninguem sabe ainda e excetuando a entrevista do Muir com o Baker e o post do Tom Chapman, não se encontra mais nada a respeito disso na internet.

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E falando na dupla Chapman/Cunningham… bom, a essa altura do campeonato já não é mais possível chamá-los de “os novos integrantes do New Order”. Phil Cunningham está com a banda desde 2002 (dezesseis anos) e Tom Chapman desde 2011 (sete anos). Então, não seria equivocado chamar o novo grupo do qual fazem parte, o ShadowParty, de “projeto paralelo ao New Order” como eram o Electronic do Bernard Sumner, o The Other Two do casal Gillian Gilbert e Stephen Morris, ou o Revenge de Peter Hook. Por uma estranha coincidência, o ShadowParty é formado por músicos que não faziam parte das formações originais/clássicas das bandas nas quais tocam “oficialmente”. Cunningham e Chapman estão com o New Order; ja os outros dois membros do novo time, Josh Hager e Jeff Friedl, tocam guitarra/teclados e bateria respectivamente no Devo. O quarteto acaba de lançar o seu primeiro single, o agradável “Celebrate”, e o album de estreia está previsto para sair em julho deste ano, pela Mute Records (o atual selo do New Order). As conexões com o New Order não param por aí. O maestro Joe Duddell, que assinou os arranjos de cordas do último CD da banda, Music Complete, e que vem regendo a “orquestra” de tecladistas que andou acompanhando o New Order ao vivo, foi um dos colaboradores no début do ShadowParty; Denise Johnson, que já fez backing vocals para o Electronic e o próprio New Order, também faz participação especial. O som? Pela descrição no site da Mute (e pelo o que se ouve em “Celebrate”) trata-se de um blend eletrônica-guitarras-cordas. Tomara que venha um bom álbum por aí para a gente resenhar aqui no blog.

Para encerrar por hoje: Barry Harris, que se autoproclama o “primeiro DJ do mundo a compor, produzir e tocar um hit no Top 5 internacional”, mas que ficou famoso mesmo na década de 1980 quando integrou a dupla canadense de synth pop Kon Kan (que já se apresentou no Brasil e emplacou por aqui os sucessos “I Beg You Pardon” e “Harry Houdini”), disponibilizou recentemente em sua página no Soundcloud um remix de “Bizarre Love Triangle” (graaaaaande novidade…). Já perdeu a conta de quantos remixes de “Bizarre Love Triangle” você já ouviu? Nós também! Em todo caso, segue o player para quem quiser conferir.

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NEWS | Peter Hook: turnê do disco “Technique” vem aí!

81oxfiolvsl-_sl1425_Peter Hook bem que tenta fazer um “clima de mistério”, mas do jeito que ele vem dando bandeira parece que o público já conseguiu matar a charada: na quarta-feira da semana passada ele usou sua conta no Instagram para avisar aos fãs para que se preparassem para o anúncio em breve de uma “grande turnê”. O aviso trazia apenas a foto de um grande fundo azul. Alguns posts depois, o fundo azul reapareceria, todavia agora incluindo partes de uma imagem tingida com cores fogosas e psicodélicas, uma delas acompanhada do seguinte texto: “fiquem ligados no anúncio de uma turnê muito especial pelo Reino Unido na terça-feira [amanhã, 06/02], às 10:00 PM”. Vários seguidores decifraram o “enigma”: “As cores… tem que ser Technique, disse /dwaller1409; velho conhecido nosso, /elazaromoses deixou um trechinho de “Round and Round” nos comments (“The picture you see…”); “Por favor, que seja Technique, escreveu /simondownling70.

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Mas a “pista definitiva” de que uma nova turnê dedicada ao álbum mais aclamado do New Order veio bem antes, em uma publicação do Ken Evans, membro de uma banda australiana chamada Tycho Brahe – Evans é responsável pela recriação das partes programadas do repertório do New Order para os shows de Hooky e o seu The Light. Em um post de 09 de setembro do ano passado, Evans publicou na página do Facebook de sua banda um vídeo de pouco mais de um minuto no qual exibia uma backing track de “Mr. Disco”. A legenda do post dizia o seguinte: “Trabalhando em mais uma backing track para Peter Hook & The Light”. O post por si só já serviria de prova cabal de que Peter Hook estaria finalmente preparando a tour que sucederá a bem sucedida maratona de shows nos quais ele e o The Light apresentaram ao vivo e na íntegra as coletâneas Substance do New Order e do Joy Division. O vídeo pode ser visto AQUI.

Fica a torcida para que Hooky retorne ao Brasil mais uma vez trazendo na bagagem essa grande novidade!

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NEWS | Tem mais do mesmo vindo por aí…

IMG_2606O ex-baixista do New Order, Peter Hook, anunciou recentemente em suas redes sociais que estará a caminho pelo selo Live Here Now um novo CD ao vivo do The Light com os álbuns Unknown Pleasures e Closer, ambos do Joy Division, tocados na íntegra. Para quem já perdeu a conta, com esse “novo” disco serão sete itens no catálogo do The Light com o mesmo repertório. O futuro rebento será gravado em Londres, no Roundhouse, dia 18 deste mês (os ingressos já se encontram esgotados), e a pré-venda na plataforma Pledge Music já está disponível. A única diferença com relação aos lançamentos anteriores é que o novo CD, que será triplo, trará algumas músicas do New Order de lambuja.

IMG_2607Falando em New Order… o álbum ao vivo NOMC15, lançado em meados deste ano com exclusividade pela Live Here Now / Pledge Music, acaba de ser “relançado” e disponibilizado nas melhores lojas (físicas e virtuais) do ramo na Europa, nos EUA e no Japão. Quem se adiantou e comprou o disco na pré-venda no site da Pledge Music levou para casa um CD duplo embalado em uma caixinha digipak ou um LP triplo prensado em vinil transparente (ou os dois juntos em um combo que incluía também camiseta e pôster). As atuais reedições, para a tristeza dos mais atrasados, estão disponíveis apenas em vinil comum preto (LP) e em estojo de acrílico simples (CD). O tracklist, no entanto, é rigorosamente o mesmo.

NEWS | Batalha judicial entre o New Order e Peter Hook chega ao fim

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Peter Hook vs. Bernard Sumner & Cia.

A luta que os membros remanescentes do New Order vinha travando nos tribunais com o icônico ex-baixista Peter Hook parece finalmente ter chegado ao fim. A banda divulgou hoje um comunicado em sua página oficial no qual afirma ter chegado a um acordo com Hook. O comunicado diz o seguinte:

NEW ORDER ANUNCIA UM ACORDO COMPLETO E DEFINITIVO COM O EX-BAIXISTA PETER HOOK

Quarta-feira, 20 de setembro de 2017, às 11:20.

New Order anunciou que hoje um acordo completo e final foi alcançado após uma longa disputa judicial com seu ex-baixista Peter Hook.

A disputa nos tribunais se baseou nos usos, por parte de Hook, de vários ativos do New Order e do Joy Division em merchandising e na promoção dos shows de sua atual banda, bem como com relação à quantia em dinheiro que ele recebe pelo uso do nome New Order pelos seus ex-colegas desde 2011.

Os nomes Joy Division e New Order significam muito para os fãs e a banda sentia que era importante proteger seu legado.

Com a resolução dessas questões, Bernard, Stephen e Gillian podem prosseguir fazendo o que fazem de melhor, que é produzir música e tocar ao vivo.

Vamos relembrar qual foi o motivo de todo esse “rolo” nos tribunais: em 2011, quando Bernard Sumner, Gillian Gilbert e Stephen Morris decidiram prosseguir com a banda sem Peter Hook, os três  transferiram os direitos de licenciamento da marca/nome “New Order” para uma nova empresa da qual o baixista não teria participação, a New Order Limited; a nova companhia repassava 5% de todo o faturamento para a Vitalturn, empresa que anteriormente detinha os direitos de licenciamento e na qual cada um deles – incluindo Peter Hook – tinha 25% de participação. Com a mudança, Hook passou a receber, na prática,  apenas 1,25% de tudo que passou a ser arrecadado pelo “novo” New Order em turnês. A ação na justiça era para receber dez vezes mais do que isso. Devido ao impasse que se formou eaos elevados custos do processo, o juiz que arbitrou a causa recomendou o famoso “acordo amigável” fora dos tribunais. Ainda assim, o juiz reconheceu vários dos argumentos apresentados pela defesa de Hook e determinou que os outros três cobrissem todos as despesas judiciais do baixista.

Para os fãs, nada muda na prática… continuaremos tendo New Order sem Peter Hook e Peter Hook sem New Order…

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REVIEW | Avaliamos os novos discos ao vivo de Peter Hook & The Light

Peter_Hook_Digi-600x425Peter Hook deve gostar muito de ouvir o tilintar das caixas registradoras… afinal, que razão ele teria para pegar três shows seus com o The Light (seu atual grupo) e lançá-los distribuídos em seis CDs (dois álbuns duplos e dois simples), ou ainda em nove discos de vinil (avulsos)? Não, caro leitor, você não leu errado: são meia dúzia de discos laser e uma novena de LPs.

A última vez que me lembro de ter visto algo assim foi quando a New State Recordings lançou, em 2006, uma coleção de doze singles de vinil contendo remixes clássicos e recentes de faixas do New Order. Conheço gente que até hoje não conseguiu completar a coleção devido à dificuldade para se conseguir os doze discos juntos. Quem ficou babando pelos novos lançamentos do The Light vem passando por um perrengue parecido. Eu explico…

Quando Hook anunciou o lançamento, foi dito que as versões em vinil dos álbuns Unknown Pleasures Live in Leeds, Closer Live in Manchester, Movement Live in Dublin e Power, Corruption and Lies Live in Dublin seriam edições limitadas produzidas exclusivamente para o Record Store Day 2017 (ocorrido no último dia 22 de abril). Só que muita gente se queixou de que não havia uma loja sequer entre as inscritas no evento que possuísse em estoque os nove discos (coloridos, faltou dizer). Resultado: mesmo quem estava disposto a abrir a carteira e fazer tamanha extravagância acabou não obtendo êxito. Até este momento não sei ao certo o que dizer sobre essa bizarra estratégia comercial.

Entretanto, como as edições em CDs já chegaram em nossas mãos, foi possível fazer uma avaliação dos novos lançamentos para o blog. Será que valem a pena? Bom, leiam as análises individuais de cada álbum e tirem suas próprias conclusões!

Unknown Pleasures Tour 2012 – Live in Leeds (☆☆☆): Este registro do show realizado dia 29 de novembro de 2012 no The Cockpit, uma popular casa noturna que fechou suas portas em 2014, é o terceiro lançamento oficial de uma versão ao vivo completa do álbum Unknown Pleasures (isso se não colocarmos na conta o CD triplo So This Is Permanence, que apresenta Peter Hook e o The Light interpretando em uma única noite todo o repertório gravado pelo Joy Division). No mínimo isso revela o quanto o disco é estimado pelo baixista. Todavia, se eu tiver que escolher a melhor das três versões ao vivo de Unknown Pleasures, fico com Live in Australia, de 2011. De interessante em Live in Leeds é o fato de Hook nos brindar com um set mais longo e que inclui uma seleção mais variada de faixas de outros períodos do Joy Division, abrangendo desde a fase punk com “The Drawback” e “Warsaw” até canções de Closer. Todavia, essas faixas reaparecem em versões melhores no disco Closer Tour 2011: Live in Manchester (a exceção talvez seja “Atrocity Exhibition”…).  Aqui, de uma maneira geral, falta um pouco de punch. Na ocasião em que o show no The Cockpit foi gravado, Nat Wason ainda era o guitarrista do The Light. Destaques: “Disorder”, “New Dawn Fades”, “Shadowplay”, “Interzone”, “Atrocity Exhibition”, “Something Must Break”.

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Unknown Pleasures Live in Leeds

Closer Tour 2011 – Live in Manchester (☆☆☆☆): também com Nat Wason na guitarra, aqui temos o The Light apresentando uma razoável versão da obra-prima do Joy Division no FAC 251 The Factory, um clube do qual Peter Hook é sócio e que fica no prédio que outrora sediava o quartel-general da Factory Records. Tal como Live in Leeds, é um CD duplo – o que quer dizer que além do álbum Closer tocado na íntegra temos diversas outras faixas do Joy Division. “From Safety to Where…?” transformou-se de cara em uma das minhas favoritas. Mas vamos com calma! Até chegarmos nela temos ainda que passar por uma ótima versão da instrumental “Incubation” (que abre o disco), além de “Dead Souls” (apenas “ok”) e “Autosuggestion” (em versão superior a aquela apresentada no ano passado aqui no Brasil). Dentre as canções de Closer, destacamos “Atrocity Exhibition”, “Colony” (interpretada na voz arrepiante de Rowetta, dos Happy Mondays) e “The Eternal”. Cabe aqui mencionarmos uma certa dificuldade do baterista Paul Kehoe de emular o estilo “rápido, porém lento” de Stephen Morris no Joy Division – o que ficou evidente, por exemplo, na arrastada interpretação de “Passover” e numa versão “sem-sangue-nos-olhos” de “Novelty”. Por sua vez, “Decades”, minha faixa favorita de Closer, não chegou aos pés da apoteótica versão que o New Order vem apresentando em seus shows. No balanço geral, é um disco melhor que Unknown Pleasures Live in Leeds. Vale a pena também por “These Days”,  “Warsaw” e pelos vocais guturais de Hook em “Transmission”.

Movement Tour 2013 – Live in Dublin (☆☆☆☆): Inexplicavelmente, esse show gravado no dia 22 de novembro de 2013 no The Academy, em Dublin, foi dividido em dois CDs simples, cada um deles trazendo uma interpretação completa de um álbum do New Order. Este, com foco em Movement (primeiro LP da banda), abre com uma seleção de sete faixas do Joy Division. Talvez a intenção de Hook tenha sido evidenciar a ligação, em termos musicais, entre o JD e o som do New Order em seu álbum de estreia. Em Movement Live in Dublin, temos versões ainda melhores de “Incubation”, “Autosuggestion” e “The Drawback”, mas a falta de brilho em canções como “Passover” e “Wilderness” se repete. Só que desta vez o guitarrista não é mais Nat Wason, mas, sim, um velho companheiro de Hook: David Potts (ex-Revenge e ex-Monaco). Fãs mais ardorosos do rancoroso baixista que me perdoem, mas ainda não nasceu uma versão de “Ceremony” feita pelo The Light que realmente me agrade – e o mesmo digo para a clássica “Dreams Never End”. Entretanto, as interpretações de “Procession” e “Cries and Whispers” são dignas de elogios e aplausos, assim como quase toda releitura de Movement, com destaque para “Truth”, “Senses”, “Chosen Time” e “Doubts Even Here”.

Power, Corruption and Lies Tour 2013 – Live in Dublin (☆☆☆☆): Aqui temos a continuação do show cuja primeira parte foi incluída no CD anterior. Com exceção de “Love Will Tear Us Apart”, que encerra o disco, o resto é puro New Order. O álbum começa com uma versão espectacular e arrebatadora de “Everything’s Gone Green” – single originalmente lançado em 1981, logo após Movement, e que é considerado por Peter Hook (e, também, pelos seus ex-colegas de banda) o primeiro lampejo do som clássico do N.O. Sem muita enrolação, o disco segue com “Age of Consent”, faixa que dá início à interpretação do The Light para Power, Corruption and Lies. Apesar de ortodoxas, isto é, com arranjos muito próximos aos da gravações originais de estúdio, as versões ao vivo desse Live in Dublin possuem um incontestável frescor, o que faz desse CD o melhor entre os quatro. Todavia, um dos raros pontos fracos aqui são os vocais de Hook. A voz do baixista até que se ajusta um pouco melhor ao repertório do Joy Division ou ao material inicial do New Order. Mas não é o caso, por exemplo, de “Leave Me Alone”, “True Faith” (todavia impecável na parte instrumental) e “Temptation”. O disco inclui ainda um registro de “Blue Monday” que é bastante representativo de uma das grandes “falhas” desse pacote lançamentos ao vivo: a falta de um grave mais “cheio” e poderoso. Cabem aqui menções honrosas para “The Village” e “Ultraviolence”.

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Closer Live in Manchester (no alto), Movement Live in Dublin (esquerda) e Power, Corruption and Lies Live in Dublin (à direita).

Os discos vêm embalados em bonitos estojos tipo digipak cujas artes recriam ou reciclam, com muito bom gosto, os projetos gráficos dos álbuns originais. Entretanto, surpreende o fato de que nenhum deles traz encartes / libretos com fotos dos shows ou textos. Também é de se estranhar que não existem créditos para o artista gráfico (ou escritório de design) responsável pela parte visual, o que sugere que as capas podem ter sido produzidas pelo departamento de arte da própria gravadora (Westworld Recordings). Esse “desleixo” é algo a se lamentar, principalmente porque as capas ficaram realmente muito boas.

Depois de incontáveis coletâneas de gravações de estúdio, agora chegou a vez do mercado ficar abarrotado de álbuns ao vivo com o material do Joy Division e do New Order – não podemos nos esquecer que no mês que vem chega NOMC15, registro de um show da turnê do disco Music Complete feito em Londres em 2015. E o New Order já tem outros três discos ao vivo oficiais em seu catálogo: BBC Radio One Live in Concert (1992), Live at the London Troxy (2012) e Live at Bestival (2013). Pelo visto, se depender de Peter Hook os fãs de ambas as bandas terão discos ao vivo para mais umas duas gerações.

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NOTA: É com profundo pesar e tristeza que publico este post, já que ontem mais uma vez a loucura e o desprezo pela liberdade e pela vida ganharam as manchetes. Manchester chora as vítimas da insensatez, da ignorância e da falta de escrúpulos daqueles que querem impor aos outros, através da violência e do medo, sua enviesada e distorcida visão de mundo. Minhas condolências às famílias dos mortos no ataque à Manchester Arena. E registro aqui minha torcida pela recuperação dos feridos. Foi a música que primeiro me conectou a Manchester; agora, o que me conecta à cidade é a solidariedade e a empatia.

REVIEW | Peter Hook & The Light ao vivo no Cine Jóia, São Paulo (06.12.2016)

capaSe eu tivesse que explicar como é um show do Peter Hook & The Light para uma pessoa que nunca os viu ao vivo, eu o descreveria da seguinte maneira: trata-se de uma ótima banda cover de New Order e Joy Division, com Hook à frente balançando o braço, fazendo caras, bocas e poses para o público e para os fotógrafos e regendo o coro da plateia. Ah, e de vez em quando ele toca baixo, só para variar.

Isso quer dizer que o show é meia boca? Não, muito pelo contrário! A combinação entre os catálogos do Joy Division e do New Order, que resistiram com excelência à passagem do tempo, e os inquestionáveis carisma e presença de palco de Peter Hook, sempre asseguram noites memoráveis. E se o repertório do concerto for baseado em duas coletâneas de sucesso das duas bandas, ambas intituladas Substance, as chances de alguem voltar para a casa decepcionado caem drasticamente para quase zero. Arrisque perguntar como foi o show para quem esteve no Cine Joia (São Paulo) na última terça-feira. Todo mundo voltou para casa feliz e satisfeito.

Mas a experiência acumulada em shows do Peter Hook & The Light (já são quatro no currículo) me fez chegar a uma drástica conclusão: as pessoas vão aos concertos muito mais para ver Hook do que para ouvir o The Light, que nada mais é do que uma banda de tributo cujo líder, meio que numa função de mestre de cerimônias, é ninguem menos que um dos homenageados. Façamos uma comparação com o show do New Order da quinta-feira da semana passada, no Espaço das Américas (também na capital paulista): o público que lotou a casa de espetáculos na Barra Funda deu mostras de que se importa pouco com a ausência de Peter Hook e que nem liga para a notória baixa interação do grupo com a audiência (ainda assim, os gritos para Gillian Gibert provaram que a tecladista possui algum tipo de carisma espôntaneo, mesmo permanecendo praticamente imóvel no palco durante todo o show). A música, nesse caso, parece falar mais alto.

Peter Hook, por sua vez, tem uma grande autoconsciência dos seus talentos sobre um palco e de seu “charme” – e, como era de se esperar, soube tirar proveito deles em seu favor. Ele sabe o que o público espera dele e dá exatamente aquilo o que ele quer, ainda que o verdadeiro baixista da banda seja Jack Bates, seu filho, e não ele. Hook escolhe a dedo as partes das músicas em que ele põe a mão no baixo (uma introdução, ou um solo), com direito a poses, para o delírio da galera, sempre com a câmera dos smartphones a postos. Na retaguarda, o The Light tocou de maneira competente, porém um tanto “ortodoxa”, canções que todo mundo sabia cantar. Os arranjos eram, de um modo geral, muito próximos aos das gravações originais – e isso era um verdadeiro paradoxo, haja vista que o New Order ao vivo, com Hook, não tinha o hábito de soar muito semelhante aos discos. Isso reforçou a aura de “banda cover” do The Light.

O público parecia não se importar com nada disso, é claro. Nem mesmo com a péssima sonorização do show. A acústica do Cine Joia se voltou contra a banda: quando a plateia cantava com mais entusiasmo, a casa se transformava em uma caixa de ressonância que amplificava o barulho do público, a ponto de fazê-lo ficar mais alto que o som do The Light. Além disso, os teclados e as programações eletrônicas de Andy Poole estavam muito baixos, o que diminuía especialmente o punch das canções do New Order. Durante “Blue Monday” mal se ouvia a sua memorável linha de baixo.

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Foto: Lucas Guarnieri (Rolling Stone Brasil)

Mesmo assim, a resposta da audiência ao material do New Order foi intensa. Os destaques certamente foram “Ceremony”, “Temptation”, a já citada “Blue Monday” e “Perfect Kiss” (cantada pelo guitarrista David Potts). “Confusion” (com o arranjo da versão regravada pelo New Order em 1987 e não o original produzido por Arthur Baker em 1983) e “State of the Nation” receberam uma reação mais morna. “Bizarre Love Triangle” e “True Faith”, pelo contrário, levaram o público à catarse. A primeira parte do set terminou com o lado B mais lado A de todos os tempos: “1963”. Foi aprovada com louvor.

Após uma pausa de aproximadamente dez minutos, Peter Hook e banda retornaram ao palco para  homenagear o Joy Division. Tal como na primeira parte, o The Light combinou canções de Substance com lados B. As exceções foram “Disorder” e “Shadowplay”, ambas de Unknown Pleasures (1979), e que foram tocadas ainda no começo desse bloco. “Shadowplay”, em particular, não pôs o Cine Joia abaixo por um milagre. Já a primeira foi interrompida por um “acidente de percurso” com o baterista Paul Kehoe (um dos pedais do instrumento pareceu ter se desmontado) e, após a resolução do problema, a música foi reiniciada.

Como o material do Joy Division não tinha muita eletrônica, havia mais espaço para improvisar, o que fez com que a segunda parte do show fosse musicalmente mais interessante. Além disso, a voz de Hook se adapta melhor às músicas do Joy. A aprovação do público, por sua vez, foi extrema, graças em grande parte às hordas de fãs “modinha” do Joy Division e suas previsíveis camisetas de Unknown Plasures (o “uniforme” ajuda a identificar facilmente esse espécime que vem frequentando quase todos os shows de bandas oitentistas e alternativas nos últimos anos).

Com “Warsaw”, que abriu a sequência de canções do Substance do Joy Division, fomos transportados no tempo para a era de ouro do punk rock inglês, com direito a mosh e stage diving na plateia; “Digital” também foi um dos pontos altos com o público berrando “Day in, day out! Day in, day out!” com toda a força; “Autosuggestion” foi um daqueles momentos de pausa para recuperar o fôlego e, nessa hora, muita gente foi para o bar buscar uma cerveja; durante “Incubation”, quem descansou um pouco foi o próprio Peter Hook, que saiu brevemente de cena enquanto o The Light mandava ver; “Atmosphere” foi dedicada às vítimas do desastre aéreo que matou a equipe de futebol da Chapecoense, sagrando-se em definitivo como “Marcha Fúnebre do Rock”.

O desfecho não foi nenhuma surpresa, é claro: era a vez da esperada “Love Will Tear Us Apart”. Apesar da letra tratar de um casamento fracassado e em tom de pesar, o sentimento e o clima eram de regozijo e felicidade. Foi a apoteose de Peter Hook e sua banda – e do público também. Entretanto, o gran finale continha uma ironia: embora fosse uma celebração do “sério”, “incorrompido” e “sagrado” Joy Division, “Love Will Tear Us Apart”, principalmente ao vivo, soa escancaradamente pop e acena para (o que veio a ser) o “profano” New Order. Os tais fãs “modinha” vestidos de Unknown Pleasures, que habitualmente desdenham do New Order, ainda não foram espertos o bastante para sacar isso.

Aproveito o post para agradecer aos produtores responsáveis por trazerem Peter Hook ao Brasil por terem me ajudado a conseguir um autógrafo com dedicatória no meu exemplar do livro, Substance: Inside New Order.

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Meu exemplar autografado do último livro de memórias de Peter Hook

SET LIST:
In a Lonely Place
Procession
Cries and Whispers
Ceremony
Everything’s Gone Green
Temptation
Blue Monday
Confusion
Thieves Like Us
The Perfect Kiss
Sub-Culture
Shellshock
State of the Nation
Bizarre Love Triangle
True Faith
1963
No Love Lost
Disorder
Shadowplay
Komakino
These Days
Warsaw
Leaders of Men
Digital
Autosuggestion
Transmission
She’s Lost Control
Incubation
Dead Souls
Atmosphere
Love Will Tear Us Apart

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