NEWS | A posição do New Order (e a nossa) sobre o processo movido por Peter Hook

JS46392250A matéria publicada ontem no Manchester Evening News – e repercutida na mídia em geral ao longo do dia – sobre a versão de Peter Hook e de seus advogados a respeito da ação movida nos tribunais pelo baixista contra seus ex-companheiros de New Order não ficou sem resposta. Ontem mesmo, em seu site oficial, a banda publicou uma breve nota deixando claro que o que Hook e seus defensores chamam de “apropriação indébita”, seria, na verdade, a tentativa do baixista de abocanhar uma fatia maior do que a banda passou arrecadar com o trabalho feito sem ele, uma vez que “Hooky” continuaria recebendo integralmente royalties referentes ao catálogo anterior do New Order. Vejam a nota, com tradução exclusiva do nosso blog:


NA SEQUÊNCIA DOS DIVERSOS RELATOS NA MÍDIA
Segunda-feira, 30 de novembro de 2015, 21:41

Obviamente, a banda está desapontada com a maneira particular com a qual Peter está prosseguindo com sua reivindicação. Os relatos [na mídia] até agora assumem uma série de coisas fora de contexto. Por exemplo, Peter ainda recebe sua cota integral de direitos autorais relativos ao catálogo. Esta disputa se refere apenas à parcela da renda que ele recebe de nosso trabalho sem ele desde 2011.

Não temos muito mais a dizer a não ser que nada foi decidido pelo Tribunal de Justiça sobre os outros fatos que ele têm o direito de prosseguir reivindicando, de maneira que este assunto ainda está em processo.

Seguimos em frente, nos concentrando na turnê e na promoção de nosso novo álbum.


Segundo o site Entertainment Weekly, em matéria publicada ontem após a divulgação da nota do New Order, o juiz que vem tratando do caso, David Cooke, teria dito a Hook que ele poderia prosseguir com o processo se assim desejar, mas que recomenda um acordo amigável com a banda por fora dos tribunais. Em declaração dada a Rolling Stone (ontem também), Peter Hook disse o seguinte: “Naturalmente, eu estou satisfeito com a decisão tomada sobre o meu pedido à Suprema Corte de Londres na semana passada. É em meu favor e justifica a postura que eu tomei. O juiz destacou uma série de pontos importantes ao dar seu julgamento e rejeitou diversos argumentos dos réus. Os custos de ambas as partes, neste caso, são muito importantes. Eu fiquei obviamente muito satisfeito com o juiz ordenando os réus a pagarem os meus. Estou muito feliz com o resultado e é um bom agouro para o futuro. Sou grato à minha equipe jurídica pelo trabalho duro empreendido para alcançar essa decisão”.

O que me desaponta como fã nem é tanto a disputa em si. O maior problema é a hipocrisia do Sr. Hook. Eu o admiro como músico. Como artista, já nem tanto quanto antes (afinal, há anos que ele se limita a esses shows que celebram o catálogo do Joy Division e do New Order, sem apostar em nada novo do ponto de vista criativo). Como ser humano, acho que já não restou muita coisa para admirar. Porque é fácil falar coisas do tipo “isso que está aí não é New Order, é uma outra coisa fingindo ser o New Order” e, ao mesmo tempo, afirmar ter direito de tirar proveito financeiro de algo que ele diz não ser o que ele teria ajudado a construir ao longo de quase três décadas. É contraditório. Afinal, como eu escrevi no post de ontem, do jeito em que as coisas estão, para ele o Bernard pode até chamar a banda de Joy Division novamente… desde que pague a Hook uma “justa” quantia para isso. Porque se o New Order, que teria sido “enterrado” com a morte de Rob Gretton (palavras dele), pode ter sua permissão para continuar existindo às custas de 12,5% de participação nos ganhos atuais dos outros sobre shows e merchandising, porque não o Joy Division, extinto com o enforcamento do Ian Curtis?

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NEWS | MEN publica detalhes sobre litígio envolvendo Peter Hook e New Order

560b6-new-order-left-to-right-g-007O site do jornal Manchester Evening News publicou hoje uma longa matéria revelando detalhes sobre o processo movido nos tribunais pelo baixista Peter Hook contra seus ex-colegas de New Order. De acordo com o texto, de autoria de James Brewster, o músico (também conhecido como “Hooky”) teria perdido cerca de £ 2,3 milhões devido a “táticas desleais” cometidas por Bernard Sumner (voz, guitarra), Gillian Gilbert (teclado, guitarra) e Stephen Morris (bateria, teclado) – sem contar, obviamente, as despesas com o processo. De acordo com o advogado do ex-New Order, Mark Wyeth, tais “manobras” comerciais e financeiras teriam ocorrido de maneira clandestina até finalmente se tornarem conhecidas. Em 2011, Sumner e Morris criaram uma nova empresa – a New Order Ltd. – para licenciar o uso do nome da banda até 2021. Além de ter ocorrido sem o conhecimento prévio de Peter Hook (pelo menos é essa a versão sustentada pelo advogado que representa a sua causa), a criação da New Order Ltd. gerou, em quatro anos, uma renda de aproximadamente £ 7,8 milhões. Os demais integrantes se defendem: alegam que o baixista recebe uma justa participação na divisão dos royalties e que sua campanha para processá-los não vai dar em nada, a não ser ameaçar todos eles com contas “potencialmente desastrosas” com advogados que rondariam a casa de £ 1 milhão.

Atualmente, pela New Order Ltd. Peter Hook tem direito a uma participação de 1,25% em divisão de royalties. Todavia, ele reivindica 12,5%, o que incluiria receber quantias pelos shows que a banda vem fazendo atualmente e pelo merchandising. Em outras palavras, ele quer embolsar dinheiro até mesmo de uma camiseta do novo álbum, Music Complete. Em 1992, no rastro do fim da Factory Records, a banda criou a empresa Vitalturn Company Ltd. para administrar todos os direitos envolvendo o nome New Order, sendo que Hook é co-proprietário de 25% da companhia, enquanto os demais detém os 75% restantes. Ainda hoje, a Vitalturn recebe um depósito anual da ordem de £ 1 milhão de royalties pelo catálogo do New Order. Porém, com a criação da nova empresa pelos antigos companheiros e o deslocamento do licenciamento da marca para as mãos da nova companhia, Hooky começou a ver seus lucros caírem enquanto os dos demais não parava de crescer. No jargão legal, seria um caso de apropriação indébita. Nas palavras do advogado do baixista, “foi como se George Harrison e Ringo Starr se reunissem na casa de um deles em uma noite de sexta-feira para agir em conjunto e alienar Paul McCartney da sua participação nos Beatles”. O músico acredita que, vencendo o processo, estaria restaurando os “bens desviados” da Vitalturn.

Inicialmente, as intenções de Peter Hook eram ou impedir que o trio Sumner-Morris-Gilbert prosseguisse como New Order, ou, então, poder retornar ao grupo. Entretanto, o juiz que vem tratando do caso, David Cooke, rejeitou tais motivações. No caso de um suposto retorno ao New Order, o juiz Cooke sentenciou que uma eventual volta de Hook ocorreria “a despeito dos réus, que estão prosseguindo de modo bem sucedido com suas carreiras com o uso do nome [New Order], enquanto ele [Peter Hook] não está mais autorizado a participar” e que “os réus não o convidariam para tocar com eles no futuro”. Em virtude desse fato, Hook teria optado em “obter alguma vantagem do Sr. Sumner e do resto da banda”. Leia-se: dinheiro. Mas tudo isso não era, afinal, para “restaurar os bens desviados da Vitalturn”?

Ou seja, com tudo às claras agora, chega ao fim o baile de máscaras: todo o discurso de Peter Hook sobre respeito ao legado do New Order acabou de cair por terra. Isso quer dizer o seguinte: por ele, Sumner pode até chamar a banda de Joy Division agora, se quiser… Desde que lhe pague um bom dinheiro por isso.

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