REVIEW | Avaliamos o relançamento de “Singles”

new-order-singlesLá pelos idos de1986/1987, o falecido “Mr. Manchester”, Tony Wilson, na época repórter e apresentador da Granada TV e chefe da gravadora Factory Records, comprou um Jaguar novo em folha e equipado com um CD player. Para saciar a sua vontade de poder ouvir todos os singles do New Order enquanto dirigia seu novo (e caro) “brinquedo”, a banda e seu selo conceberam o álbum Substance (agosto de 1987), o ducentésimo lançamento da Factory (FACT 200). O coneito por trás do disco (duplo) era o seguinte: reunir em um mesmo título todos os singles de 12” que o New Order havia lançado, desde o primeiro – “Ceremony”, de 1981 – até o mais recente – “True Faith”, de julho de 1987. Foi um grande sucesso: cerca de 2 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos.

Embora tenha álbuns em diversas listas de “Melhores Discos de Todos os Tempos” – Low Life (1985) e Technique (1989) são os que mais frequentemente aparecem -, o New Order se notabiizou mesmo pelos grandes singles de 12” gravou, sendo que alguns deles não faziam parte de um LP até Substance aparecer. Inclusive, a banda detém o recorde do formato: “Blue Monday” é, até hoje, o single de doze polegadas mais vendido de todos os tempos. Mas por que a escolha dos 12”? Na década de 1980 esse formato (o mesmo diâmetro de um long play) alcançou uma popularidade até então inédita, sobretudo porque possibilitava o lançamento de versões estendidas (acima de 5 minutos) ou remixadas das músicas de trabalho, o que contribuiu para sua larga utilização pelos DJs nos clubs. Os finais alongados ou demoradas passagens instrumentais facilitavam a vida daqueles que queriam fazer experimentos com as “carrapetas” enquanto o público suava na pista de dança. A musica do New Order parecia ter sido feita sob medida para esse formato.

Mas o bom e velho disco compacto, de sete polegadas, não tinha sido abandonado ainda. Devido ao seu menor diâmetro, os artistas daquela época frequentemente o utilizavam para lançar versões editadas e mais curtas de suas músicas para facilitar a veiculação nas rádios. Em torno de 3’30” e 4’00″ (aproximadamente), essas versões eram conhecidas como 7” Mix (“mixagem para sete polegadas”), 7” Edit (“editada para sete polegadas”) ou Radio Edit (“editada para rádio”) e também eram usadas nos vídeos promocionais. Com o surgimento do CD, a prática de lançar faixas editadas para os meios de comunicação não foi deixada de lado. Por isso, quase vinte anos mais tarde (2005), quando anunciaram que seria lançada uma nova coletânea de singles (e atualizada com tudo o que foi lançado de 1987 em diante), mas dessa vez com as versões editadas, os fãs pularam de alegria: uma parte nada insignificante desse material não havia sido lançada em formato digital ainda.

Singles foi criado como um contraponto ou complemento à proposta de Substance. Enquanto um disco era dedicado aos 12” e suas versões estendidas, o outro se concentrava nos compactos ou versões curtas lançadas em CD. A ideia era genial. Mas na época em que foi lançado, Singles não entregou o que vendeu. Diversas faixas eram, na verdade, album versions ou edits novos feitos exclusivamente para a coletânea. Em 2008, quando saíram as edições remasterizadas e expandidas dos álbums do New Order do período Factory, muita gente pensou “agora vai!” – mas, novamente, muita coisa ficou de fora, o que deixou os fãs frustrados. Melhor dizendo: irritados.

Mas Singles está de volta. A coletânea acaba de ser relançada – não apenas em CD duplo, seu formato original, como também na forma de um lindo (e dispendioso) box set de quatro vinis de 180 gramas. O press realease tenta justificar o relançamento: “Uma década após seu primeiro lançamento, Singles foi refinado para se transformar em uma digna representação da história da banda. O renomado Frank Arkwright remasterizou o material em Abbey Road a partir de cópias de alta qualidade das masters. Além da adição de ‘’I’ll Stay With You”, de Lost Sirens (2013), inclui os single edits e mixagens corretas de “Nineteen63”, “Run 2”, “Bizarre Love Triangle”, “True Faith”, “Confusion” e “Perfect Kiss”. O resultado é uma atualização da versão anterior do álbum”.

Fora a inclusão de “I’ll Stay With You”, algo sem propósito se considerarmos de que se trata de uma música que nunca foi lançada em single, a versão remasterizada e atualizada de Singles certamente vai arrancar um sorriso de satisfação até do fã mais exigente. Para começar, o trabalho feito por Frank Arkwright, que já havia remasterizado o material do Joy Division, é irrepreensível – está anos luz à frente do som demasiado alto e irritantemente estridente das Collector’s Editions dos álbuns do período 1981-1989. O outro ponto forte é a apresentação da caixa com os quatro LPs (vide fotos): aqui Peter Saville reinterpretou sua própria criação com um indefectível toque de luxo e requinte. Aliás, parece que o designer ultimamente vem dando o seu melhor no formato box set – vide as versões “encaixotadas” do álbum Music Complete.

Se há algum “defeito” a ser mencionado em Singles é que, mais uma vez, nem todas as versões das faixas estão corretas. Os edits de “Confusion” e “The Perfect Kiss”, por exemplo, não são os originais encontrados nos vinis de 7” lançados na Inglaterra na década de 1980; “Blue Monday”, como na edição anterior, aparece em sua apoteótica versão de pouco mais de sete minutos (a gravação editada fora rejeitada pela banda e até o presente momento continua existindo apenas em um raríssimo compacto promocional lançado no Japão em 1983); todavia, agora temos “Run 2” finalmente em formato digital.

Para quem deseja completar o catálogo do New Order em CD, pode se dizer que Singles chega quase lá, o que já é o suficiente para ser recomendado. Com relação ao box set de quatro LPs, fica a pergunta: vale o quanto pesa? A resposta é sim: é aquele tipo de item engrandece e embeleza uma boa coleção. E essa nova edição parece ser um bom prenúncio de que finalmente teremos, em um futuro próximo, “a” caixa do New Order (o baterista Stephen Morris disse em entrevistas recentes que a banda está preparando o que virá a ser o seu box set “definitivo” da banda). Depois do balde de água fria que foi o cancelamento de Recycle e o fiasco dos álbuns remasterizados e expandidos em CD, fica a esperança de que os fãs serão, enfim, recompensados pela longa espera!

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NEWS | Julho e setembro: os lançamentos que virão por aí

N.O.+Singles

“New Order: Singles” estará de volta turbinadão

Fãs, prepare your cash! O lançamento oficial, há três dias, de um digital single remix exclusivo de “People on the High Line” no site Beatport, foi só um aperitivo. Não demorou muito tempo para o New Order anunciar a data na qual pretende soltar a versão física do single, o quarto saído do álbum Music Completedia 29 de julho. Definida pela revista virtual The Quietus como “o encontro do Chic com o Kraftwerk em uma pista de dança”, a faixa “People on the High Line” terá seu vídeo oficial escolhido em um concurso promovido pelo site Genero.tv – o prêmio para o vencedor será de US$ 8.000.

Outro lançamento anunciado esta semana é a reedição da coletânea Singles, de 2005, em dois formatos: CD duplo e box set de 4 LPs de 180 gramas. Na verdade, o relançamento de Singles tinha sido programado para o ano passado, mas acabou sendo suspenso por razões inexplicáveis. Dessa vez, parece que sai para valer. A Warner o promete para o dia 09 de setembro – e a Amazon britânica já abriu pré-venda. De acordo com a gravadora, Singles será relançado devido à alta taxa de compressão das faixas na edição original, gerando a necessidade de uma remasterização, e também para que as versões de determinadas músicas fossem substituídas. É o caso, por exemplo, de “Run”: pela primeira vez teremos, em vez da album version, a verdadeira “Run 2 (Edit)”, até hoje inédita em CD. “I’ll Stay With You”, de Lost Sirens (2013), será incluída como bonus track.

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NEWS | 35 anos da morte de Ian Curtis: vinis do Joy Division serão relançados

npf68iA exploração comercial em torno do Joy Division parece não ter mais fim. Se Peter Hook pelo menos teve a dignidade de fazer do show e CD triplo ao vivo So This Is Permanence uma forma de levantar fundos para duas causas – o tratamento da epilepsia e a reforma/conservação de igrejas históricas -, a Warner, detentora oficial do catálogo da banda, resolveu aproveitar o mote dos 35 anos da morte de Ian Curtis (a poesia e a voz do JD) à sua tradicional maneira:  dando um jeito de ganhar o dinheiro dos fãs com aquilo que eles já têm. A gravadora anunciou esta semana, através do site oficial do New Order, que relançará os álbuns do Joy Division no formato LP e prensados em vinil de 180g.

Na verdade, trata-se de um re-relançamento. Em 2007, quando saíram em CD as versões expandidas e remasterizadas de Unknown Pleasures (1979), Closer (1980) e Still (1981), a Warner, através de sua subsidiária especializada em edições especiais para colecionadores, a Rhino Records, também pôs no mercado os mesmos títulos em LPs de 180g, usando as mesmas fitas masters novas e resgatando os projetos gráficos originais das primeiras edições da Factory. Essas mesmas reedições chegaram a ser vendidas juntas em um inusitado (e polêmico) box set, limitado em 3.000 cópias, chamado In Memory, no qual toda a parte gráfica das capas (imagens, fotos, logotipos, molduras, tracklists, créditos etc) foi subtraída, deixando as embalagens “em branco”, sem preenchimento (para sugerir a ideia de “vazio”, “silêncio” ou “ausência”), o que irritou muita gente que, por sua vez, acabou trocando a caixa pelos vinis vendidos separadamente.

Pois bem, são essas edições em vinil de 2007 que serão relançadas agora, ou mais especificamente no dia 29 de junho (Unknown Pleasures e Closer). A novidade desta vez é a inclusão de Substance (1988) no pacote. Mas a compilação que veio na trilha do álbum homônimo do New Order de 1987 virá turbinada: em vez de álbum simples, como na versão original, Substance será transformado em um LP duplo que trará as faixas-bonus do appendix da versão em CD, além de “As You Said” (lado B do flexi-disc “Komakino”) e a “versão Pennine” de “Love Will Tear Us Apart”. Nada que já não tenha sido lançado, é verdade, mas a ideia de um Substance em vinil lotado de extras deixará muito fã com água na boca e a Warner sabe disso, é claro. Vale mencionar que as faixas do disco são as que foram remasterizadas em 2010 para a caixa de singles +/- (lê-se “Plus / Minus”).

O (re)lançamento de Substance está marcado para o dia 24 de julho juntamente com o de Still. Todos os quatro discos já estão disponíveis para pré-venda na lojinha virtual do Joy Division no site Stereo Boutique.

 

NEWS | Amazon anuncia lançamentos por aí

electronic_vinyl-480x479Quem andou espiando o site da Amazon inglesa procurando por itens relacionados ao New Order certamente já deve estar sabendo dos lançamentos que estão sendo anunciados para pré-venda pela mega rede de comércio on line. Um deles, que foi ao ar já há alguns dias, é o relançamento em vinil do álbum de estreia do Electronic, primeiro projeto solo do vocalista / guitarrista do New Order, Bernard Sumner, ao lado do idolatrado ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr. Lançado originalmente em 1991, o álbum, intitulado tão simplesmente Electronic, seguia uma fórmula parecida com a do New Order: um amálgama entre rock e ritmos eletrônicos dançantes, com uma forte pegada pop. Parte do seu sucesso se deve ao estouro, no ano anterior, do single “Getting Away With It” (com participação de Neil Tennant, dos Pet Shop Boys), que originalmente não fazia parte do disco. A nova edição será prensada em vinil de 180 gramas, trará o mesmo áudio remasterizado da versão deluxe (CD duplo) de 2013 e incluirá “Getting Away With It” como faixa bônus. Segundo a Amazon, o lançamento está previsto para o dia 18 de maio.

Já o outro lançamento é o esperado livro de memórias sobre o New Order escrito pelo ex-baixista Peter Hook. A data anunciada pela Amazon UK é dia 10 de setembro de 2015 e o título do livro seria New Order: Coming Up and Coming Down (em uma tradução livre, seria algo como “New Order: Chegando Lá e Desmoronando”). Dois detalhes curiosos: (1) durante meses, o próprio Peter Hook andou dizendo em diversas entrevistas que o livro se chamaria Power, Corruption and Lies: Inside New Order, o que seria mais interessante, já que seu livro anterior, sobre o Joy Division, se chama Unknown Pleasures: Inside Joy Division (mas essa pode ser outra “viagem” da Amazon, pois na pré-venda do livro do Bernard Sumner, Chapter and Verse, o anunciaram inicialmente como Divided Joy); (2) não deixa de ser “supreendente” que o lançamento do livro poderá vir a coincidir com o lançamento do primeiro álbum do New Order SEM Peter Hook, o que seria uma ótima jogada de marketing (do autor, é claro) – o novo disco da banda sem seu baixista original pode fazer com que muita gente compre o livro do cara que caiu fora para saber mais das tretas que conduziram à separação.

Então, fãs, está na hora de contar as moedinhas, mexer nas economias… Ainda mais com o dólar do jeito que está (isso para não falar na situação atual da Aduana do Brasil e dos Correios)…