NEWS | Trazendo as boas novas! Peter Hook volta ao Brasil e integrantes do New Order criam novo projeto paralelo

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Olá, pessoal!

Depois de uma longa pausa, eis que estamos de volta para dar aos leitores do blog as últimas novidades sobre a nossa banda favorita e tudo o mais que a ela estiver relacionado. Antes disso, faz-se necessário pedir desculpas aos que por aqui acompanham todos os passos de nossos heróis. O tempo dedicado aos posts ficou mais escasso depois que começaram as responsabilidades de pai de primeira viagem, isso sem falar na correria do trabalho. Com o tempo que sobra a gente tenta, na medida do possível, manter o blog minimamente atualizado, ainda que os intervalos entre os posts se tornem maiores.

Mas agora vamos ao que interessa… Comecemos pelas últimas do Peter Hook e sua banda-tributo The Light. Eles estão neste exato momento em mais uma hercúlea maratona de shows pela América do Norte dando prosseguimento à tour no qual apresentam ao vivo as duas coletâneas intituladas Substance – a do New Order, lançada em 1987, e a do Joy Division, editada no ano seguinte. Durante a viagem, anunciaram os shows que farão em outubro deste ano em Buenos Aires e em São Paulo, onde tocarão os discos Technique (1989) e Republic (1993), os dois únicos álbuns do New Order que chegaram ao primeiro lugar na parada britânica. Os concertos terão um set de abertura dedicado ao Joy Division, o que já era de se esperar. Uma prévia dessa nova turnê rolou março deste ano no programa de Marc Riley na BBC 6, no qual Peter Hook e o The Light tocaram “Regret” e “Run”. Nas entrevistas que vem dando à imprensa durante a excursão pela América do Norte, o baixista diz que continua escrevendo material inédito e que existe uma pressão do guitarrista do The Light, David Potts, para reativarem em algum momento o projeto Monaco, que criaram juntos na década de 1990. Além disso, Hook confirmou que vem trabalhando com Wolfgang Flür, ex-Kraftwerk, mas não entra em detalhes sobre essa parceria.

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Peter Hook voltará ao Brasil em outubro

No entanto, ficamos devendo ao leitor um review do último CD do Peter Hook & The Light, Live at Camden Roundhouse, lançado em dezembro do ano passado… Foi mal, pessoal…

Já o New Order… recentemente o grupo esteve em Turim, na Itália, para apresentar uma versão mais longa do concerto originalmente concebido para o Festival Internacional de Manchester no ano passado. A banda subiu ao palco no Officini Grandi Riparazioni no último dia 05 com o time de doze tecladistas extras da Northern School of Music, o maestro Joe Duddell e os efeitos de luz do artista visual Liam Gillick. Mais uma vez canções que há muito tempo não eram tocadas ao vivo, como “Dream Attack”, “Vanishing Point”, “All Day Long”, “Ultraviolence” e “Sub-Culture” fizeram a alegria dos fãs das antigas, muitos vindos de outras partes da Europa só para testemunhar esse momento (o set list completo pode ser visualizado AQUI). A banda levará esse show para Viena como parte do Wiener Festwochen nos dias 12 e 13 deste mês. Depois, o New Order fará um show “normal” no Incuya Music Festival, Cleveland (EUA), em agosto. E isso é tudo que a banda tem programado para este ano e talvez não vá muito além disso…

Ou não… Um post recente do Tom Chapman, atual baixista do New Order, em sua página no Instagram deixou muita gente de orelha em pé e bigodes arrepiados. Na postagem ele aparece em uma foto ao lado do guitarrista/tecladista Phil Cunningham acompanhada da legenda “filmando o documentário sobre o New Order em Manchester”. Documentário? Como assim? Bom, a verdade é que só os desavisados e aqueles que tem memória curta não sabem exatamente do que se trata. Em 2013, o produtor musical e DJ Arthur Baker concedeu uma entrevista a Gregor Muir para o site do Institute of Contemporary Arts de Londres na qual dizia estar produzindo um documentário sobre a banda com a direção de Don Letts. Como não se falou mais nada a respeito disso de lá para cá, muita gente parece ter se esquecido da história. Vale lembrar que Bernard Sumner e Stephen Morris apareceram no filme anteriormente produzido por Baker, o elogiado 808, um documentário dirigido por Alexander Dunn sobre a legendária drum machine Roland TR-808 e seu impacto sobre a música popular. Bom, mas para quando é o novo doc do New Order? Ninguem sabe ainda e excetuando a entrevista do Muir com o Baker e o post do Tom Chapman, não se encontra mais nada a respeito disso na internet.

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E falando na dupla Chapman/Cunningham… bom, a essa altura do campeonato já não é mais possível chamá-los de “os novos integrantes do New Order”. Phil Cunningham está com a banda desde 2002 (dezesseis anos) e Tom Chapman desde 2011 (sete anos). Então, não seria equivocado chamar o novo grupo do qual fazem parte, o ShadowParty, de “projeto paralelo ao New Order” como eram o Electronic do Bernard Sumner, o The Other Two do casal Gillian Gilbert e Stephen Morris, ou o Revenge de Peter Hook. Por uma estranha coincidência, o ShadowParty é formado por músicos que não faziam parte das formações originais/clássicas das bandas nas quais tocam “oficialmente”. Cunningham e Chapman estão com o New Order; ja os outros dois membros do novo time, Josh Hager e Jeff Friedl, tocam guitarra/teclados e bateria respectivamente no Devo. O quarteto acaba de lançar o seu primeiro single, o agradável “Celebrate”, e o album de estreia está previsto para sair em julho deste ano, pela Mute Records (o atual selo do New Order). As conexões com o New Order não param por aí. O maestro Joe Duddell, que assinou os arranjos de cordas do último CD da banda, Music Complete, e que vem regendo a “orquestra” de tecladistas que andou acompanhando o New Order ao vivo, foi um dos colaboradores no début do ShadowParty; Denise Johnson, que já fez backing vocals para o Electronic e o próprio New Order, também faz participação especial. O som? Pela descrição no site da Mute (e pelo o que se ouve em “Celebrate”) trata-se de um blend eletrônica-guitarras-cordas. Tomara que venha um bom álbum por aí para a gente resenhar aqui no blog.

Para encerrar por hoje: Barry Harris, que se autoproclama o “primeiro DJ do mundo a compor, produzir e tocar um hit no Top 5 internacional”, mas que ficou famoso mesmo na década de 1980 quando integrou a dupla canadense de synth pop Kon Kan (que já se apresentou no Brasil e emplacou por aqui os sucessos “I Beg You Pardon” e “Harry Houdini”), disponibilizou recentemente em sua página no Soundcloud um remix de “Bizarre Love Triangle” (graaaaaande novidade…). Já perdeu a conta de quantos remixes de “Bizarre Love Triangle” você já ouviu? Nós também! Em todo caso, segue o player para quem quiser conferir.

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NEWS | New Order no próximo número da Electronic Sound

issue-29-VINYLO New Order será matéria de capa da próxima edição da revista Electronic Soundque, como o próprio nome sugere, é especializada em música eletrônica. Com texto de Stephen Dalton e fotos de Kevin Cummins, o número deste mês trará também um bate-papo com o vocalista e guitarrista Bernard Sumner sobre o legado da banda e, também, sobre o novo disco ao vivo que também será lançado este mês – NOMC15. Mas não pára por aí: a revista oferecerá um “mimo” para os fãs, um disco promocional white label de 7″, prensado em vinil transparente, com um remix de “Academic” assinado pelo produtor Mark Reeder. No Lado B, haverá uma faixa de autoria do próprio Reeder chamada “Mauerstatd”. O remix de “Academic”, intitulado “Mark Reeder Akademixxx”, já havia aparecido recentemente em Music Complete: Remix EP, um extended play lançado apenas nos formatos digital downloadstreaming; “Mauerstadt”, por sua vez, é conhecida da trilha-sonora do filme B-Movie: Lust and Sound in West Berlin 1979-1989. Em todo caso, se trata de mais um belo item colecionável para saciar a sede de lançamentos dos fãs.

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REVIEW | “Music Complete: Remix EP”

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Mais do mesmo… Music Complete: Remix EP

No último dia 07 de abril o New Order divulgou através de suas redes sociais o lançamento de um novo EP com remixes de cinco faixas de seu último trabalho de estúdio, o álbum Music Complete. Sob o título Music Complete: Remix EP, o novo título foi disponibilizado apenas no formato streaming (Spotify e You Tube) e digital music download para clientes da Apple Store. O “disco” teria sido lançado como parte da campanha de divulgacão da próxima tour pelos Estados Unidos, que começará no dia 13 de abril, em Nova Iorque, e que contará também com uma participação no festival Coachella. Não há informações sobre algum eventual lançamento em formato físico do EP (e nosso “radar” não detectou ainda a existência de algum CD promo exclusivo).

Em sua divulgação direta via Twitter e Instagram, os fãs são informados que Music Complete: Remix EP contém remixes “raros e inéditos”, mas há um pouco de “exagero” nisso. De inédito, “People on the High Line (Purple Disco Machine Remix)”, com sua pegada house, assinado pela dupla alemã Purple Disco Machine, e “Academic (Mark Reeder’s Akademix)”, do produtor Mark Reeder, um amigo e colaborador de longa data do New Order. Os três remixes restantes não são necessariamente “raros”, como veremos a seguir.

“The Game (Mark Reeder Spielt Mit Version)”, também produzido por Reeder, já havia sido lançado no ano passado em sua forma editada na coletânea A Symbol of Cosmic Order, da gravadora dinamarquesa Stella Polaris (existem rumores de que os remixes do Mark Reeder nesse novo EP podem reaparecer em uma nova coletânea do produtor em breve). Por sua vez, “Tutti Frutti (Takkyu Ishino Remix)” já era conhecido por ter sido incluído na versão japonesa do vinil de 12″ e, também, na caixa Wrapping Cloth ‘Furoshiki’ Box Set de Music Complete (também lançada exclusivamente no Japão e comentada aqui no blog). “Restless (Agoria Dub)”, de Sébastien Devaud, além de também fazer parte da mesma caixa editada na Terra do Sol Nascente, chegou a ser disponibilizada pelo site DirrtyRemixes.

De um modo geral, os remixes escolhidos para compor o EP são muito bons – com exceção, talvez, de “People on the High Line”. Todavia, a questão é: qual o senso de propósito desse lançamento? De 2015 para cá temos visto um bocado de remixes de Music Complete por aí, para todos os gostos, bolsos e formatos. Seria muito mais interessante, por exemplo, que o anunciado disco ao vivo NOMC15 viesse acompanhado de um respectivo DVD ou Blu-Ray, por exemplo, ou que os concertos na Opera House de Sidney com a Australian Chamber Orchestra ganhassem um lançamento caprichado. Será que realmente um EP de remixes lançado via streaming vai ajudar a vender mais ingressos de uma meia dúzia de shows nos EUA?

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REVIEW | “New Order Presents Be Music”

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New Order “mijando” no penico dos outros…

O ano de 1982 representou uma espécie de ponto de inflexão para o New Order. Após uma excursão pelos Estados Unidos no ano anterior, a banda deu início à virada em direção à dance music que a transformou em um dos grupos mais importantes e influentes de sua geração. De volta à Inglaterra, o New Order gravou a pulsante “Temptation” (faixa que marcou a ruptura definitiva com o Joy Division, sua encarnação anterior) e abriu uma casa noturna em Manchester  – a mítica Haçienda – tendo como parceira no empreendimento a sua própria gravadora – a não menos mítica Factory Records. Também foi em 1982 que seus integrantes começaram a se lançar em novas aventuras produzindo e remixando discos e faixas de outros artistas dance, muitos deles companheiros na Factory. À medida em que adquiriam novos equipamentos (sequenciadores, samplers, baterias eletrônicas), originalmente para explorar em seus próprios discos as possibilidades abertas pelas novas tecnologias musicais, Sumner, Hook, Gilbert e Morris passavam a compartilhar seus brinquedos e o know how obtido com as bandas que estavam produzindo. Era uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que fertilizavam o trabalho de outros músicos, as experiências realizadas nos quintais alheios serviam de laboratório para o que viriam a fazer em suas próprias gravações.

Nessas aventuras “fora de casa”, os membros do New Order mantiveram suas “identidades secretas” individuais preservadas atrás de uma marca: Be Music. Originalmente, Be Music era o nome da editora musical criada pela banda e seu empresário, Rob Gretton (1953-1999), para o licenciamento do seu catálogo e para o recebimento de royalties e direitos autorais. Todavia, Gretton teve a ideia de transformar a Be Music em algo maior e mais ambicioso. O falecido ex-manager do New Order queria que a banda fosse vista publicamente como uma entidade única – o objetivo era fortalecer a unidade do grupo e evitar que um ou mais membros fizessem um nome fora do New Order… e lucrassem com isso. Quando Peter Hook produziu, em fevereiro de 1982, uma faixa dos Stockholm Monsters chamada “Death Is Slowly Coming”, o crédito foi para a “entidade” em vez de para o baixista. Resumindo: nada de marketing pessoal ou luzes de holofotes sobre um integrante específico – naquela época eles eram radicalmente avessos a qualquer tipo de autopromoção, idolatria ou à ideia de uma eventual personalidade dominante na banda. Claro, isso tudo foi antes de Electronic, The Other Two, Revenge etc…

A Factory Benelux, filial belga da Factory Records que sobreviveu ao colapso de sua matriz, numa louvável iniciativa reuniu no recém-lançado New Order Presents Be Music o extenso material produzido e remixado por integrantes do NO entre 1982 e 2015. Editado em dois formatos (LP duplo e box set com três CDs), a nova compilação, no entanto, não foi a primeira dedicada às produções da Be Music. Em 2003, a LTM Recordings (gravadora administrada pelo britânico James Nice, o mesmo sujeito que atualmente também é o manda-chuva da Factory Benelux) lançou Cool As Ice: The Be Music Productions. No ano seguinte, a LTM editou uma sequência para a compilação anterior que se chamou Twice As Nice e que incluía, também remixes e produções assinadas por Arthur Baker, Donald “DoJo” Johnson (A Certain Ratio) e Mark Kamins. Pois então: uma parte de New Order Presents Be Music já havia sido reunida em compilações específicas antes. Esse é o caso, por exemplo, de “Looking From a Hilltop (Megamix)” do Section 25; “Cool As Ice”, de 52nd Street; “Love Tempo”, do Quando Quango; e “Fate/Hate”, de Nyam Nyam.

Mas por abranger um período mais extenso e não se concentrar apenas nas produções feitas para grupos do cast da Factory, New Order Presents Be Music é, até o momento, a compilação mais completa e atualizada sobre Be Music. Além disso, todas as faixas que fazem parte da coletânea foram remasterizadas especialmente para o projeto. E mesmo não sendo um álbum do New Order propriamente dito, de uma certa forma é quase como se fosse. Em primeiro lugar, algumas faixas foram escritas e gravadas pelos próprios integrantes da banda, como no caso de “Theme”, uma criação de Peter Hook usada como tema de abertura dos shows do grupo Lavolta Lakota; “Inside”, originalmente lado A de um EP ultralimitado (500 cópias) que Gillian Gilbert e Stephen Morris lançaram em 2011 com uma trilha sonora produzida especialmente para uma exposição do designer Peter Saville na galeria francesa Frac Champagne-Ardenne; e “Video 5-8-6”, uma canção de 22 minutos do próprio New Order tocada na noite de inauguração da Haçienda e a partir da qual nasceram algumas das faixas do álbum Power, Corruption and Lies (1983). Para ficar ainda mais com cara de disco do New Order, a capa, texturizada em ambos formatos, foi criada por Matthew Johnson para o Peter Saville Studio – todavia, não há indicações de que Saville tenha trabalhado como diretor de arte dessa vez.

O maior problema de New Order Presents Be Music são as diferenças entre as edições em CD e em vinil. Para começar: a versão digital possui 36 faixas, contra apenas 12 do LP! Além disso, o box set vem acompanhado de um livreto de 48 páginas com informações detalhadas e fotos das capas dos singles compilados. Em plena era do naufrágio do CD e da guinada de 360o do vinil, a versão long play bem que poderia ter recebido um tratamento melhor para agradar o fã clube do formato. Sem falar que a “mutilação” operada pela Factory Benelux no bolachão preto sacrificou algumas pérolas como “You Hurt Me” (do Shark Vegas), na qual Bernard Sumner também contribuiu como músico convidado; “Motherland” (do obscuro The Royal Family and the Poor); “Telstar” (cover do clássico instrumental dos Tornadoes assinado pelo Ad Infinitum); “Tell Me” (da banda de synthpop Life, da qual fazia parte Andy Robinson, ex-programador e técnico de teclados do New Order, e agora empresário do grupo); e “Knew Noise” (Section 25), lado B do single “Girls Don’t Count” produzido em 1979 por Ian Curtis e Rob Gretton, mas creditado à Fractured Music (uma espécie de embrião da Be Music).

O material mais recente produzido e/ou remixado pelos integrantes do New Order, por sua vez, forma um conjunto mais irregular. Além disso, se resume basicamente a contribuições do Stephen Morris ou do The Other Two (dupla formada por ele e a tecladista Gillian Gilbert). As colaborações com o Factory Floor, Helen Marnie (vocalista do Ladytron) e Tim Burgess (dos Charlatans) são, digamos assim, “ok”. Já o remix de “Daggers”, do Fujiya & Miyagi é pura bobagem descartável.

Também é de se estranhar a ausência das duas faixas gravadas e lançadas pelo New Order, mas sob o rótulo Be Music, em um flexi disc promocional distribuído de brinde para os frequentadores da Haçienda em sua primeira véspera de Natal, em 1982. “Ode to Joy” (um cover bizarro de “Ode an die Freunde”, de Beethoven) e “Rocking Carol” (uma tradicional canção natalina tcheca) foram recentemente incluídas na reedição da coletânea Ghosts of Christmas Past: Remake (da gravadora Les Disques du Crépuscule, hoje também sob o comando de James Nice) e apesar de fazer total sentido a inclusão delas numa compilação de bandas alternativas tocando/cantando canções natalinas, elas tinham que estar em New Order Presents Be Music também.

O saldo, todavia, é positivo. O novo álbum, de um modo geral, atinge o objetivo de apresentar ao ouvinte uma visão panorâmica de um lado pouco conhecido, mas ainda assim relevante, do New Order. Presents Be Music nos mostra que a influência de uma banda não se mede apenas pelo impacto de seus próprios discos. Seja como sócios de uma das danceterias mais famosas da Europa nos anos oitenta e noventa, seja como produtores e remixers, os membros do New Order ajudaram, de diversas maneiras, a traçar as coordenadas que definiriam a direção seguida pela música popular – alternativa ou mainstream – nos últimos anos.

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NOTA: Foi uma longa pausa de dezembro do ano passado até aqui… De lá para cá, passei por uma trabalhosa mudança e uma inesperada internação… Mas agora parece que as coisas estão voltando para os trilhos – incluindo o blog! Vejo vocês no próximo post. Um abraço.

NEWS | FBN anuncia nova compilação de faixas produzidas e remixadas pelos membros do New Order

fbn60Enquanto estamos na contagem regressiva para os shows do New Order e do Peter Hook & The Light no Brasil, o site da Factory Benelux – originalmente uma licenciada da Factory Records para os mercados de Bélgica, Holanda e Luxemburgo que sobreviveu ao naufrágio da sua matriz inglesa  – anunciou recentemente o seu próximo lançamento, a compilação New Order Presents Be Music.

Para quem está por fora: “Be Music” era a editora musical criada pelo New Order no começo da década de 1980 não apenas para o recebimento dos royalties sobre o seu catálogo mas também para servir de “assinatura” toda vez em que seus integrantes estivessem envolvidos em trabalhos fora da banda como produtores ou remixers.

Ao longo dos anos oitenta, Bernard Sumner, Peter Hook, Gillian Gilbert e Stephen Morris produziram vários artistas do cast da gravadora Factory Records, como Section 25, 52nd Street, Quando Quango, Royal Family & The Poor, entre outros. A LTM Recordings, que pertence ao atual comandante da Factory Benelux, James Nice, já havia editado duas coletâneas dedicadas às produções da Be Music: Cool As Ice (2003) e Twice As Nice (2004). Mas New Order Presents Be Music promete ser mais completa. Em um box set de três CDs (ou em LP duplo), a nova compilação, que será lançada em fevereiro do ano que vem, incluirá também remixes mais recentes, produzidos em sua maior parte por Stephen Morris, feitos para nomes como Factory Floor, A Certain Ratio e Section 25. De lambuja, será incluído “Knew Noise”, faixa do Section 25 produzida por Ian Curtis e Rob Gretton.

Segundo a Factory Benelux, a capa (ver foto) será produzida por Matt Robertson em associação com o Peter Saville Studio.

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REVIEW | Fritz von Runte remixa “Music Complete”

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DJ Fritz Von Runte remixou Music Complete

Uma das grandes novidades desta semana foi o lançamento de um novo pack de remixes do último álbum do New Order. Intitulado Music Remixed, essa nova versão do (excelente) disco lançado pela banda há um ano é assinada pelo DJ Fritz von Runte e está disponível para download gratuito. Não se trata de aventura mambembe. Ao contrário, por exemplo, de uma versão fake de Music Complete só com versões radio edit (encurtadas) que vazou na internet pouquíssimo tempo depois do CD ter sido lançado, Music Remixed tem pinta de ser um “produto autorizado”. Ritz von Runte literalmente recriou/reinterpretou todas as músicas – e ficou tão bem feito que soa como ele tivesse tido acesso a cópias das fitas multitrack originais. Entretanto, em suas mídias sociais, o New Order não se pronunciou sobre o “lançamento”.

Mas antes de compartilharmos com o leitor do blog nossas impressões sobre Music Remixed, falaremos um pouco sobre Fritz von Runte. Ele é DJ/produtor há vinte anos e iniciou sua carreira no Rio de Janeiro. Hoje ele está radicado em Manchester (coincidência?) e já provocu algum barulho quando lançou, em 2011, um álbum só de remixes de David Bowie chamado Bowie 2001 e no qual recheou as músicas com samples saídos do clássico de Stanley Kubrick 2001: Uma Odisseia no Espaço. No ano anterior, ele lançou pela gravadora 24 Hour Service Station um EP chamado Fritz von Runte versus Freebass Redesign, no qual apresenta seus remixes para quatro faixas do Freebass, o fracassado power trio de baixistas capitaneado por Peter Hook.

Ao sair à procura de Music Remixed, não espere por algo parecido com Complete Music, o álbum oficial de remixes de Music Complete lançado pela Mute em maio deste ano. Fritz von Runte fez juz à sua reputação e optou por recriar de modo drástico todas as músicas, conservando poucas partes das versões originais (sem contar os vocais, evidentemente). Até mesmo o título das músicas ele mudou. Mas o resultado, como é de se esperar em discos só de remixes, é irregular – é impossível gostar de Music Remixed por inteiro. Mas, como já se esperava, ele tem (sim!) seus bons momentos.

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Capa de Music Remixed

O remix de “Tutti Frutti”, intitulado “Synthetic Fun”, é um exemplo. A versão de von Runte faz a canção voltar no tempo até os anos oitenta e ficar com um clima meio post disco. De alguma forma fez sentido. “Stray Dog”, o “poema musicado” com a participação de Iggy Pop, passou a se chamar “Bachelor in Paradise” e, aqui, surpreende ainda mais: a voz do ex-Stooge, que parece saída das sombras, se encaixou com perfeição com a batida e o groove – e o que passamos a ter é um rap meio esquisitão, mas delicioso. Já “Academic”, ou melhor, “Hip, Hot and 21”, é o momento “épico” do disco: é o remix mais longo (13’12”) e ambicioso do pacote. Ele transita entre o ambient e o trip hop. Mas consigo imaginar os fãs ardorosos da canção chamarem a reinvenção proposta por Fritz de “sacrilégio”. Na verdade, diríamos que é um dos pontos altos de Music Remixed ao lado de “Here Comes the Hard Pack”, a robótica releitura de “Unlearn This Hatred” (colaboração entre o New Order e Tom Rowlands, dos Chemical Brothers).

Na categoria “dão para o gasto”, temos “Perfect Timing” (“Restless”), “Play Safe, Lose Out” (“Nothing But a Fool”), “Homeless Vehicle” (“The Game”) e “This Was Tomorrow” (“Singularity”). Esqueçam “Nine Swimming Pools” (“Superheated”) e “Tasteful Rubbish Is Still Rubbish” (“People On the High Line”). E no quesito “quase lá”, ficamos com “I Love Plastic” (“Plastic”).

O problema geral com Music Remixed, contudo, é que ele não consegue acompanhar “em alma” o álbum original. Apesar da melancolia sempre presente em todos os discos do New Order, com Music Complete a banda voltou para a balada e para as pistas – sua habitual maneira de exorcisar demônios. O resultado é um CD mais eletrônico que os três anteriores e, também, mais pop, mais upbeat. Por outro lado, na releitura de Fritz Von Runte, predomina um som mais lento, uma espécie de downtempo “cansado”. Apesar de algumas sacadas legais aqui e ali, como um todo Music Remixed parece ir para um lugar diferente: o lounge.

Uma pequena amostra em vídeo desse trabalho – “Synthetic Fun” / “Tutti Frutti” – pode ser conferida no You Tube, vejam a seguir:

 

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REVIEW | Single: “People on the High Line”

2016-06-imute553-webPara começar, “People on the High Line” talvez não tenha sido a melhor escolha. Mas quem se importa quando se trata do quarto single? E provavelmente este será o último saído de Music Complete – com ele, a caixinha que vinha de brinde com “Restless” (o primeiro) para colecionar todos os CDs singles derivados do álbum fica, enfim, cheia. Mas o problema com “People on the High Line” não é que ela seja uma faixa ruim… muito pelo contrário! Digamos que ela é uma daquelas gratas surpresas do disco, além de ser a apoteose de Tom Chapman, o substituto de Peter Hook na função de baixista. Porém, é uma canção que se aprecia bem mais no contexto de uma coleção variada de músicas do que como um single. Nesse aspecto, “Plastic” talvez funcionaria melhor.

Mesmo assim, a versão editada, assinada por Richard X, é um gol de placa – tanto quanto foi sua versão extended para as edições Deluxe Vinyl Box Set e Complete Music, que reaparece no single. Mas de um modo geral, “People on the High Line” é, dos quatro singles extraídos de Music Complete, o que possui os remixes mais fracos. O pior deles, de longe, é o do produtor australiano Carmelo Bianchetti, também conhecido por “Late Nite Tuff Guy” ou “LNTG”. Apesar da boa intenção de colocar em destaque a guitarra funky de Phil Cunningham, seu remix é tedioso, chato. Já o do DJ alemão Claptone vem ganhando bastante publicidade desde antes dos formatos físicos serem lançados, haja vista que foi o primeiro remix a ser mostrado ao público (e o único, além do extended mix, a fazer parte do vinil de 12″). Mas não é essa Coca-Cola toda, não. Quer dizer, não é ruim – mas também está longe de merecer tanto destaque.

O mais interessante é o remix feito pelo coletivo italiano Planet Funk – responsável, anos atrás, por uma excelente remixagem de “Waiting for the Sirens’ Call” que o próprio New Order aproveitou para recriar a canção ao vivo para a atual turnê. Usando como linha vocal principal um canal de voz harmônico que na gravação original praticamente não é percebido, e no qual o timbre de Bernard Sumner soa um tom abaixo, o pessoal do Planet Funk levou a música a um novo e diferente território. Naturalmente, teve gente por aí que não gostou. Mas o grande barato quando o assunto são remixes é a absoluta falta de unanimidade – e opiniões extremadas do tipo “ame-o” ou “deixe-o”.

Um dos remixes da banda britânica Hybrid, o “Armchair Remix”, também propõe uma atmosfera que difere do clima de balada que impregna a faixa. Sem batidas ou grooves, essa versão soa mais flutuante e etérea. A outra contribuição do trio, “Hybrid Remix”, é diferente: o salão de baile volta à cena e o resultado obtido rivaliza apenas com a recriação da turma do Planet Funk. Na opinião do blog, são as duas melhores versões.

O tracklist completo do mais novo lançamento está disponível, a princípio, na edição em CD (que, na mesma linha dos anteriores, vem em uma capinha fina de papelão). Todavia, aqueles que adquirirem o vinil de 12” (branco), que traz dois remixes, um de cada lado do disco (ok, já dissemos isso!), receberão um código para baixar tudo em MP3 (outra estratégia empregada nos singles antecedentes). Aliás, tanto a Mute Records quanto o New Order vêm dando conta muito bem da promoção do álbum Music Complete e de seus singles: “People on the High Line”, mesmo sem um vídeo promocional (ainda), alcançou o primeiro lugar do UK Physical Singles Chart, seguindo a mesma trilha de “Singularity” (o single anterior).

Falta ainda vir ao mercado a edição shaped picture disc de 7”, cujo lançamento está previsto para o dia 07 de setembro. Mas quando sair, estaremos aqui para avaliar em comentar!

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