REVIEW | Single: “People on the High Line”

2016-06-imute553-webPara começar, “People on the High Line” talvez não tenha sido a melhor escolha. Mas quem se importa quando se trata do quarto single? E provavelmente este será o último saído de Music Complete – com ele, a caixinha que vinha de brinde com “Restless” (o primeiro) para colecionar todos os CDs singles derivados do álbum fica, enfim, cheia. Mas o problema com “People on the High Line” não é que ela seja uma faixa ruim… muito pelo contrário! Digamos que ela é uma daquelas gratas surpresas do disco, além de ser a apoteose de Tom Chapman, o substituto de Peter Hook na função de baixista. Porém, é uma canção que se aprecia bem mais no contexto de uma coleção variada de músicas do que como um single. Nesse aspecto, “Plastic” talvez funcionaria melhor.

Mesmo assim, a versão editada, assinada por Richard X, é um gol de placa – tanto quanto foi sua versão extended para as edições Deluxe Vinyl Box Set e Complete Music, que reaparece no single. Mas de um modo geral, “People on the High Line” é, dos quatro singles extraídos de Music Complete, o que possui os remixes mais fracos. O pior deles, de longe, é o do produtor australiano Carmelo Bianchetti, também conhecido por “Late Nite Tuff Guy” ou “LNTG”. Apesar da boa intenção de colocar em destaque a guitarra funky de Phil Cunningham, seu remix é tedioso, chato. Já o do DJ alemão Claptone vem ganhando bastante publicidade desde antes dos formatos físicos serem lançados, haja vista que foi o primeiro remix a ser mostrado ao público (e o único, além do extended mix, a fazer parte do vinil de 12″). Mas não é essa Coca-Cola toda, não. Quer dizer, não é ruim – mas também está longe de merecer tanto destaque.

O mais interessante é o remix feito pelo coletivo italiano Planet Funk – responsável, anos atrás, por uma excelente remixagem de “Waiting for the Sirens’ Call” que o próprio New Order aproveitou para recriar a canção ao vivo para a atual turnê. Usando como linha vocal principal um canal de voz harmônico que na gravação original praticamente não é percebido, e no qual o timbre de Bernard Sumner soa um tom abaixo, o pessoal do Planet Funk levou a música a um novo e diferente território. Naturalmente, teve gente por aí que não gostou. Mas o grande barato quando o assunto são remixes é a absoluta falta de unanimidade – e opiniões extremadas do tipo “ame-o” ou “deixe-o”.

Um dos remixes da banda britânica Hybrid, o “Armchair Remix”, também propõe uma atmosfera que difere do clima de balada que impregna a faixa. Sem batidas ou grooves, essa versão soa mais flutuante e etérea. A outra contribuição do trio, “Hybrid Remix”, é diferente: o salão de baile volta à cena e o resultado obtido rivaliza apenas com a recriação da turma do Planet Funk. Na opinião do blog, são as duas melhores versões.

O tracklist completo do mais novo lançamento está disponível, a princípio, na edição em CD (que, na mesma linha dos anteriores, vem em uma capinha fina de papelão). Todavia, aqueles que adquirirem o vinil de 12” (branco), que traz dois remixes, um de cada lado do disco (ok, já dissemos isso!), receberão um código para baixar tudo em MP3 (outra estratégia empregada nos singles antecedentes). Aliás, tanto a Mute Records quanto o New Order vêm dando conta muito bem da promoção do álbum Music Complete e de seus singles: “People on the High Line”, mesmo sem um vídeo promocional (ainda), alcançou o primeiro lugar do UK Physical Singles Chart, seguindo a mesma trilha de “Singularity” (o single anterior).

Falta ainda vir ao mercado a edição shaped picture disc de 7”, cujo lançamento está previsto para o dia 07 de setembro. Mas quando sair, estaremos aqui para avaliar em comentar!

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REVIEW | Avaliamos a caixa “B-Box: Lust & Sound In West Berlin”

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Unboxing the B-Box

Fazia um bom tempo que não se publicava aqui no blog um video review, mas o lançamento da caixa B-Box, um item luxuoso (e de tiragem limitada) que propõe uma verdadeira imersão no universo do fime/documentário B-Movie: Lust & Sound in West Berlin 1978-1989, parecia ser um ótimo motivo para ficar em frente a câmera e apertar o “REC”. Dirigido por Jörg A. Hoppe, Klaus Maeck, Heiko Lange e Miriam Dehne, o filme é um registro do cenário musical e cultural de vanguarda da antiga Berlim Ocidental ao longo da década de 1980 e que procura revelar o que despertou o fascínio de gente como David Bowie, Iggy Pop ou Nick Cave, que gravaram trabalhos importantes e inspiradores enquanto estiveram por aquelas bandas, como LowThe IdiotTender Prey. O filme foi construído a partir do que foi capturado pela câmera de Mark Reeder, músico e produtor que deixou Manchester (Inglaterra) em 1978 para ir a Berlim encontrar seus ídolos do krautrock (como Edgar Froese, do Tangerine Dream) e que por lá acabou ficando. Além de se tornar o representante da Factory Records na então Alemanha Ocidental, tornando-se doravante o responsável por divulgar o Joy Division e o A Certain Ratio, Reeder trabalhou com nomes locais como Blixa Bargeld (Einstürzende Neubauten, Nick Cave & The Bad Seeds),  Die Toten Hosen e Malaria!, e teve suas próprias bandas (Die Unbekannten e Shark Vegas). A caixa é uma experiência completa através de diferentes mídias: o filme, a trilha sonora, livro… Maiores detalhes no vídeo e, também, na galeria de fotos. Já sobre a relação entre Reeder/B-Movie e o Joy Division ou o New Order, é só dar uma conferida em um post que fizemos anteriormente.



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REVIEW | Livro: “The ‘Blue Monday’ Diaries”, de Michael Butterworth

livro

Michael Butterworth: testemunha da criação de um clássico

“Outros artistas vêm fazendo música sintetizada sequenciada há alguns anos, mas esta é talvez a primeira vez  que uma banda de rock  usa essas técnicas no coração de sua música. Eles estão experimentando muitas coisas que lhes são novas – novas, inclusive, para o engenheiro de som”.

O fragmento acima vai de encontro do que sempre pensei à respeito do New Order: apesar de ser contemporâneo de grupos que também faziam um tipo de música sintetizada, como Depeche Mode, Ultravox, OMD ou Yazoo, o (outrora) quarteto oriundo de Manchester, que nasceu forjado no seio de uma tragédia, é outra coisa. É uma banda híbrida – encontro entre o rock, a música eletrônica e a “profana” disco music. Ouçam atentamente Power, Corruption & Lies, o segundo álbum do New Order, lançado em 1983: nele Bernard Sumner (voz e guitarra), Gillian Gilbert (teclado e guitarra), Peter Hook (baixo) e Stephen Morris (bateria e teclado) não apenas deram forma definitiva ao seu som, como também criaram algo que, de fato, pouco se assemelhava ao que os outros estavam fazendo. Não soava como Construction Time Again, ou You and Me Both, por exemplo.

Aliás, o autor da citação que introduz este texto teve o privilégio de acompanhar de perto, como uma “mosca na parede”, o dia-a-dia das gravações de Power, Corruption & Lies e, também, do que viria a ser o single de 12 polegadas mais vendido de todos os tempos: “Blue Monday”. Michael Butterworth (Manchester, b. 1947), conhecido na Inglaterra pelos seus contos e romances de ficção científica, e, também, como um dos fundadores da editora e distribuidora de livros Savoy, foi o cara certo no lugar e na hora certos. Ele foi testemunha ocular do momento em que o New Order se convertia, enfim, naquela banda – conexão entre o rock e a música dance, e situada na fronteira entre o pop e o avant garde. Seu “diário de bordo” de tudo o que rolou no Britannia Row Studios, em Londres, ficou registrado em quatro cadernos. Recentemente redescobertos, serviram de base para um item doravante obrigatório para os fãs: The Blue Monday Diaries: In the Studio With New Order (Plexus, 189 páginas).

Antes de mais nada, Butterworth procura explicar para o leitor que por trás da história do seu diário sobre o New Order trabalhando em estúdio existem alguns precedentes – o que o obriga a recuar no tempo até a década de 1970, em Manchester. O que muita gente não sabe é que existia na cidade um circuito de livrarias alternativas que tinha uma estreita relação com a cena musical local. Canções do Joy Division, primeira encarnação do New Order, e de outras bandas “do pedaço”, como The Fall e A Certain Ratio costumavam “frequentar” os alto falantes do sistemas de som interno das lojas de livros. Stephen Morris e o finado Ian Curtis eram clientes dessas livrarias antes mesmo do Joy Division existir. Foi nesse contexto que o autor teve o primeiro contato com a banda. Mais tarde, quando já tinham se transformado em New Order, não foi difícil convencer o grupo e seu empresário, Rob Gretton, a aceitá-lo como companhia no estúdio para a realização de um projeto: um livro sobre o New Order (o que acabou não acontecendo naquela época por desistência dos editores).

Algo marcante em The Blue Monday Diaries é, sem dúvida, a minúcia e a riqueza de detalhes. Todavia, o afã do autor de transcrever para o livro absolutamente tudo o que foi registrado em seus cadernos, inclusive as mais irrelevantes observações, faz com que ele caia em redundâncias indubitavelmente descartáveis. Por exemplo, incontáveis vezes Butterworth se detém em informações dispensáveis, como o que os membros da banda estão vestindo, de que cor, se tem estampa (e como ela é) etc. Ele também descreve quase todas as idas com a banda ao estúdio pela manhã: a que horas, quem estava na direção do carro, qual percurso fizeram e se pararam em algum lugar antes; Michael também sempre relata inúmeras vezes a volta do estúdio para o apartamento alugado em Londres e, a cada vez, informa ao leitor quem foi para cama primeiro, a que horas, quem ficou acordado até mais tarde e por aí vai. E mais: cada momento que alguem da banda ou Rob colocava um baseado, um comprimido de speed (anfetamina) ou um tablete de LSD na boca foi devidamente narrado no livro. Por fim, outra repetição irritante eram as constantes comparações que Butterworth insistia em fazer entre o mercado editorial e a indústria musical.

Mas fora essa lista de “mais do mesmo”, sobra algo bom? A resposta é sim. Aprende-se bastante sobre o modus operandi da banda naqueles tempos – tanto no que diz respeito ao processo criativo (como escreviam as músicas e as letras) quanto com relação à produção em estúdio (não se esqueçam que Butterworth documentou o momento em que o New Order já estava produzindo seus próprios discos). Como qualquer outra banda, suas músicas nasciam em uma sala de ensaios e a partir de jams (improvisos), que eram gravadas; no meio do “caos”, encontravam cinco segundos que lhes pareciam interessantes e resolviam desenvolver algo mais elaborado a partir daí, mas sem uma letra; com a música pronta, os sequenciadores, drum machines, isto é, toda a parte techno, entravam depois, no estúdio. Tudo o que iria ser feito em um dia de gravação era previamente decidido de forma consensual e democrática. As letras via de regra vinham no final.

Outro ponto a favor do livro é a maneira como ele ilumina melhor o papel ou as qualidades individuais de cada um dos membros. Bernard Sumner, por exemplo, é o principal arranjador da banda e, junto com Stephen Morris, está sempre às voltas com a “domesticação” dos instrumentos eletrônicos. Mas é particularmente interessante o modo como Butterworth descreve Gillian Gilbert – justo ela que, atualmente, tem sido alvo de ataques ferozes do baixista Peter Hook, hoje fora da banda (ele insiste em dizer que Gillian nunca trouxe alguma contribuição para o New Order). Observando-a trabalhar em um overdub para a faixa “Ecstasy”, o autor escreveu:

“Ela começa a tocar uma animada linha de baixo no Moog [Source], que é corrigida na fita multicanal por Mark. Na maior parte do tempo ela está perfeita e intencionalmente imóvel, de pernas cruzadas, enquanto seus dedos tocam com entusiasmo. Ela se mantém no ritmo e o persegue, bordando-o com padrões compactos e curtos que me fazem lembrar saltos em um jogo de amarelinha. Ela é amorosa, carinhosa e, de repente, vejo porque Rob queria que ela fizesse parte do grupo. Se eu fosse aquela batida [da música], eu ficaria feliz em ser pego por ela”.

Mas se existe um grande mérito nesse livro, mais do que ser um making of de um grande single e de um belíssimo álbum, é o de servir como documento de como era fazer música eletrônica há 34 anos. Hoje com um laptop, um software e alguns plug ins, se pode produzir um álbum inteiro de pop eletrônico sem sequer precisar da infraestrutura de um grande estúdio de gravação, o que era impossível em 1982/1983. The Blue Monday Diaries mostra a luta de Barney, Stephen, Gillian e Peter para conseguir dominar o que hoje equivaleria ao Homem de Neanderthal para a espécie humana, só que com nomes estranhos que pareciam saídos de antigos filmes sci-fi: Sequential Circuits Prophet V, Powertran ETI 1024 Custom Built Sequencer, E-Mu Systems Emulator… São comuns no livro os relatos de problemas de mal funcionamento de toda essa parafernália e, igualmente, de como era difícil manipulá-los. Mas é claro que, com o passar dos anos, o New Order acompanhou as viradas da tecnologia musical. Durante muito tempo eles levaram para os palcos parte do equipamento usado em estúdio, como os sequenciadores. Atualmente eles usam gravadores hard disk multipista, o que significa que os sequenciadores foram aposentados, pelo menos para uso nos shows.

The Blue Monday Diaries só não leva uma nota dez porque Butteworth é bastante chegado em divagações – dentre elas, destacam-se aquelas nas quais o autor procura convencer o leitor de supostas conexões existentes entre a música do New Order (e a do Joy Division também) com a ficção científica, seu habitat natural. Além disso, a Savoy, sua antiga empresa do ramo editorial (e que também chegou a se aventurar pela indústria musical), ganhou espaço muito além do merecido no livro. Em alguns momentos, cheguei a me perguntar se estava a ler sobre New Order/”Blue Monday”/PC&L ou sobre Butterworth/Savoy/mercado literário/sci-fi. Em todo caso, pelas qualidades já citadas, é uma obra recomendável e que pode ser considerada um warm up para o livro de memórias sobre o New Order que Peter Hook dever lançar ainda este ano – e que deve acrescentar mais detalhes sobre as gravações, de “Blue Monday”, Power, Corruption & Lies e de outras faixas e álbuns.

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REVIEW | Show do New Order no Radio City recebe elogios do New York Times

O recente concerto de abertura da mini-turnê americana do New Order, ocorrido no Radio City Music Hall, Nova Iorque, no último dia 10 de março, mereceu atenção de um dos mais importantes jornais dos Estados Unidos: o New York Times. Jon Pareles, o mesmo jornalista e crítico musical que em 1989 escreveu o famoso artigo “New Order keeps marching on its own mystery”, citado por Peter Saville no documentário New Order Story com o equivocado título “How cold is coldness?”, assinou uma elogiosa resenha sobre o show. O título original, isto é, o que saiu na edição impressa do jornal, era “Ainda uma máquina hipnótica de emoções reprimidas”, mas houve uma ligeira alteração na sua publicação on line, que é a versão que serviu de base para a tradução que apresentamos a seguir.


NEW ORDER: AINDA UMA MÁQUINA DE EMOÇÕES REPRIMIDAS
por Jon Pareles, 11 de março de 2016

O New Order começou em 1980 em meio a crises de ordem política e pessoal, mas reagindo bem contra ambas. A banda foi formada por integrantes do Joy Division depois que, tristemente, seu vocalista e líder, Ian Curtis, cometeu suicídio. Enquanto isso, a Grã-Bretanha estava mergulhada em uma profunda depressão que trouxe desemprego e transtornos trabalhistas. Por instinto, a banda respondeu com uma música organizada, sistemática e aparentemente imperturbável, mesmo que suas letras continuassem sombrias. O New Order prosseguiu com o minimalismo punk-rock, mas deixou de lado o ruído e a dissonância para acrescentar incansáveis e flutuantes batidas programadas de baterias eletrônicas, cobertas por guitarras rock e pela dance music eletrônica, e de uma maneira que, desde então, inspiraria imitadores.

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Crédito foto: Brooklyn Vegan.

A banda fez os fãs se lembrarem de suas origens quando realizou um show com ingressos esgotados na quinta-feira (10/03) no Radio City Music Hall. Tudo começou com “Singularity”, de seu álbum de 2015, Music Complete, a primeira coleção de músicas inéditas em uma década; a canção confessa, “Para os amigos que não estão aqui… Nós derramamos nossas lágrimas”, assim como o vídeo que acompanha a performance, que exibe cidades sombrias, a agitação da juventude e a moda provocadora da era punk. Em seguida, tocaram uma música que o Joy Division escreveu antes da morte de Curtis, mas que se tornou o primeiro single do New Order: “Ceremony”. A banda encerrou o concerto – como excederam o tempo previsto, tiveram que cortar do set o final programado, que era “Blue Monday” – com a obra-prima do Joy Division, “Love Will Tear Us Apart”, enquanto o telão proclamava: “Joy Division Para Sempre”.

Entretanto, na maior parte do show o New Order esteve fora da sombra do Joy Division. A identidade que o New Order construiu para si mesmo substituiu as escuras trincheiras do Joy Division com padrões intrincados: a mistura de batidas eletrônicas com a incansável percussão ao vivo de Stephen Morris, linhas de baixo que emergem como fortes contrapontos melódicos (muitas  delas criadas por Peter Hook, que deixou o New Order em 2007; seu substituto é Tom Chapman), e uma complaexa malha de guitarras e teclados. Seu set de duas horas transitou entre guitarras oscilantes, canções com raízes punk e sons eletrônicos, mas inclinou-se mais para a pista de dança.

Mais próximo da dance music do que do rock, o New Order não oferece solos de guitarra; suas passagens instrumentais simplesmente destacam os componentes individuais do mecanismo que impulsiona as canções. Enquanto isso, os telões, os efeitos estroboscópicos e as luzes que percorreram todas as paredes e o teto do interior do Radio City também deram ao concerto uma atmosfera club.

As constantes mudanças tecnológicas na dance music e a pressão dos próprios imitadores da banda mantiveram o New Order atento. A banda atualiza continuamente o núcleo rítmico das músicas do auge de sua carreira nos anos 1980 e que representam os pontos altos de seus concertos. Em “Temptation”, por exemplo, ecoaram os violoncelos de “Street Hassle”, de Lou Reed, em sua introdução. E o grupo abraça sua própria longevidade e todos os estilos que abordou ao longo dos anos, desde o som disco de “Tutti Frutti” a uma homenagem ao Kraftwerk – tanto no telão quanto na música – em “Plastic”, também de Music Complete, uma canção cínica sobre ser famoso e artificial.

Existe uma constância no som do New Order que se torna hipnótica ou simplesmente mecânica; em alguns momentos, a afluência de imagens dos vídeos no telão estava conduzindo o show tanto quanto a música. Mas quando o grupo retorna à pulsante e dançante tríade de favoritas dos anos 1980 – “The Perfect Kiss”, “True Faith” e “Temptation” – tudo ficou em sincronia, da iluminação aos sintetizadores, além dos vocais de Bernard Sumner. Por alguns instantes, ele deixou de lado sua maneira contida de cantar para gritar sobre o paredão eletrônico, assumindo o entusiasmo que o New Order esconde tão cuidadosamente.


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REVIEW | Nossa avaliação sobre o “Deluxe Vinyl Box Set” de “Music Complete”

pictureLançado como produto exclusivo da loja on line do New Order, a edição “Deluxe Vinyl Box Set” de Music Complete foi disponibilizada para a pré-venda em junho junto com a edição standard do álbum, mas só seria enviada para seus compradores no começo de novembro, dizia o site da banda. Para reduzir a ansiedade da espera, a Warner Marketplace, a verdadeira empresa por trás da store virtual do grupo, começou a despachar as caixas com os oito discos de vinil – o álbum Music Complete em LP duplo transparente acompanhado de seis bolachas de 12″ coloridas com versões estendidas das faixas – no dia 30 de outubro. Até aí, tudo bem. O problema é que, sem qualquer aviso prévio, os discos foram enviados via serviço de courier expresso ao invés de correio comum, que foi a modalidade de envio pela qual todos pagaram originalmente no pre-order. Resultado: o box set chegou bem mais rápido na casa de todo mundo, mas junto com ele veio uma conta que, além dos tributos aduaneiros (já esperados), incluía as despesas do serviço de entrega rápida programada que ninguem pediu (esta sim uma desagradável surpresa). Na prática, isso tudo somado praticamente equivalia ao valor de outra caixa. E, evidentemente, se você não pagasse a conta, tampouco o entregador te deixaria ficar com seu box set.

Sem Título

Deixando para lá essa inesperada despesa – e o fato de que a minha cópia do box não estava entre as duzentas autografadas pela banda que seriam aleatoriamente distribuídas entre os destinatários/compradores – me restava então curtir essa luxuosa edição de encher os olhos e, obviamente, preparar mais uma vídeo-resenha para os que acompanham este blog. Algumas pessoas parecem que não ficaram satisfeitas com a apresentação da caixa – e no vídeo eu explico as razões para isso, assim como tento mostrar que o conceito proposto pelo designer Peter Saville para a caixa é simplesmente magistral. O fato é que boa parte do vídeo, como vocês verão, trata justamente do projeto gráfico. Ainda assim, quem quiser ver a “Deluxe Vinyl Box Set” nos seus mínimos detalhes, sugiro que assistam ao vídeo que incorporei ao post logo após ao meu: “New Order Music Complete Box Set – Unboxing”, feito pelo Videoaktiver. Os comentários sobre as versões extended das 11 faixas do álbum eu deixei mais para o final. Espero que gostem de mais esse vídeo.

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REVIEW | “So This Is Permanence” (Peter Hook’s The Light) / “St. Anthony” (Mike Garry & Joe Duddell)

SothisispermenanceÉ com um relativo atraso que trazemos hoje para os leitores do blog nossos video reviews de dois lançamentos relevantes para o fã clube de Joy Division e New Order: o CD triplo ao vivo So This Is Permanence”, que apresenta Peter Hook, mais uma vez ao lado do grupo The Light, tocando todo o repertório do JD em um único show na Christ Chruch, em Macclesfield (Grande Manchester); e o single St. Anthony: An Ode to Anthony H. Wilson, parceria entre o poeta Mike Garry e o maestro Joe Duddell, ambos de Manchester, em uma homenagem a Tony Wilson que recria o clássico “Your Silent Face”, do New Order. Em comum entre os dois lançamentos, o lado beneficente (os discos arrecadam fundos para entidades). Enfim, esperamos que gostem que nossos novos reviews.

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REVIEW | “Music Complete” japanese limited edition

R-7507771-1442921701-5540.jpegEnquanto a store virtual europeia do New Order não libera a edição Deluxe Vinyl Box Set de Music Complete (o que só vai acontecer no dia 06 de novembro), já temos em mãos uma edição limitada do novo álbum vinda da longínqua terra de National Kid e Ultraman. Trata-se de um pack ou bundle que inclui o CD Music Complete, mais um adesivo com a arte da capa do disco e uma camiseta exclusiva feita pelo badalado designer de moda japonês Kazuki Kuraishi (The Fourness). Vale mencionar que essa edição limitada é exclusiva das lojas Amazon Japan, HMV Japan e Tower Records. Como de costume, nosso blog analisou essa edição em detalhes. Na torcida para que gostem de novo vídeo.

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REVIEW | “Music Complete” em detalhes (a nossa resenha)

Packshot-RGBApós a falência da Factory Records, sua mítica gravadora, e com a assinatura de um contrato com um tradicional selo de Londres, o New Order havia se tornado pouco mais que uma ainda constante menção à sua enorme influência sobre o indie pop e a cena eletrônica. A lendária banda de Manchester, no norte da Inglaterra, até gravou bons discos (poucos na sua totalidade), mas passou a maior parte dos anos 1990 e 2000 ora recolhida em longos períodos sabáticos, ora competindo com sua própria história com o revival em torno do Joy Division. Foram décadas muito diferentes daquela em que seus álbuns e singles eram talk of the town – a de oitenta.

Republic, de 1993, tinha um single poderoso – o hoje clássico “Regret” – mas foi um álbum com um enorme potencial desperdiçado: o vocalista e guitarrista Bernard Sumner admitiu certa vez que “eu acho que o álbum é um saco sem fundo… eu acho que há faixas muito boas nele e algumas medíocres também… é o que eu realmente penso”. Já com Get Ready, lançado oito anos depois, a banda voltou com novo gás e redescobriu um velho instrumento – a guitarra elétrica. E foi com um retorno aos temas de guitarras, sem deixar de lado totalmente a eletrônica que os consagrou, que o New Order entrou no século XXI soando renovado. Foi também seu último disco com a formação clássica – pouco antes de sua finalização, a tecladista Gillian Gilbert se desligou do grupo para tratar de assuntos familiares.

Todavia, com Waiting for the Sirens’ Call (2005) e sua sequência, Lost Sirens (2013), a percepção geral era de que a banda estava perdendo seu fôlego criativo. Pouco inspirados (é importante que se diga que Lost Sirens é uma coleção de “sobras” do disco anterior), seus dois últimos lançamentos de material inédito não chegavam a ser ruins, mas mostravam um New Order esgotado, sem muito o que dizer, e tentando repetir, mas sem o mesmo viço, a fórmula testada (e com melhores resultados) em Get Ready.

Eis que agora, dez anos depois de terem finalizado o material que faria parte de Waiting for the Sirens’ Call e Lost Sirens, o New Order retorna à cena com um novo álbum, intitulado Music Complete. Lançado por outra lendária etiqueta independente, a Mute Records de Daniel Miller (Depeche Mode, Erasure, Goldfrapp e Laibach), o décimo LP de estúdio da banda veio para responder algumas perguntas – a mais importante delas é: passados 35 anos desde que os membros remanescentes do Joy Division venceram o trauma do suicídio do vocalista e letrista Ian Curtis para se tornarem “a banda independente mais importante do planeta”, o New Order seria capaz de encarnar de novo um processo de superação?

Sem Peter Hook, o carismático baixista de estilo único, inconfundível, que se tornou parte da identidade sonora da banda (ele deixou o New Order em 2007 e vem travando com os ex-colegas batalhas verborrágicas e jurídicas desde então), o vocalista/guitarrista Bernard Sumner e o baterista Stephen Morris, os únicos membros restantes da formação original, saíram em busca de reforços. Gillian Gilbert, hoje esposa de Morris, foi trazida de volta para os teclados. Para o baixo, convocaram Tom Chapman, do Rubberbear, mas que excursionou com o Bad Lieutenant (um projeto de Bernard Sumner). Fechando a formação atual, Phil Cunningham, guitarrista e tecladista, egresso do Marion, e que já colaborou com o Electronic (outro projeto de Sumner) e com o próprio New Order enquanto Gillian esteve ausente.

Na teoria, com Sumner, Gilbert e Morris já seria New Order o bastante. Mas é em campo que o time tem que demonstrar que dá conta do desfalque e, nesse sentido, o grupo, ao contrário do público, parece ter encarado a saída de Hook como um desafio positivo ou instigação. Quando perguntado sobre a experiência de não contar mais com aquele som de baixo, Barney Sumner respondeu: “É uma experiência libertadora (…) Não quero denegrir nada do que nós fizemos com ele e suas contribuições no Joy Division e no New Order. É brilhante, sem dúvida, mas por outro lado nos deixa livre para fazermos qualquer outra coisa que quisermos”.

Music Complete, felizmente, não é qualquer outra coisa. Se de um lado não encontramos ao longo de seus 65 minutos aquelas linhas de baixo “agudas” e melódicas que ajudaram a fazer a fama do New Order, de outro vemos a banda novamente em boa forma graças ao reencontro com à música eletrônica que tanto ajudou a difundir. Ainda que o primeiro single, “Restless”, seja um tema de guitarras, porém mais à moda de faixas de Technique (1989) como “All the Way” e “Guilty Partner”, estamos falando de um disco bem pop e farto de sintetizadores, como nos velhos tempos.

Mas o New Order fez mais do que despertar o lado eletrônico-festeiro que andou adormecido por tanto tempo: aproveitou a saída de Hook para reunir um time de apoio para dar um brilho extra em Music Complete. Dentre os convidados está Tom Rowlands, dos Chemical Brothers, que co-escreveu e produziu duas faixas de alta voltagem: “Singularity”, que põe em equilíbrio guitarra-baixo-bateria e sintetizadores afiados, e “Unlearn This Hatred”, mais voltada para as pistas. O disco traz também Elly Jackson, do La Roux, que empresta sua voz a três músicas. Na primeira delas, “Plastic”, temos ecos de Giorgio Moroder / Donna Summer adereçados com sons de raios que parecem saídos de “Antenna” do Kraftwerk. É o aceno do New Order às suas antigas influências.

As outras duas faixas nas quais Jackson contribui sua voz são “Tutti Frutti” e “People on the High Line”. Na primeira, temos uma amostra da combinação de ritmos eletrônicos e das cordas escritas e conduzidas por Joe Duddell, além de uma voz eletronicamente processada (que fala italiano!) que nos remete a “Fine Time”, também de Technique; a segunda, uma das melhores e mais surpreendentes do álbum, o New Order flerta com o som negro, soa funky, apresenta guitarras swingadas e um baixo insano (de longe o melhor momento de Tom Chapman no disco).

Outra participação ilustre é a do Padrinho do Punk – Iggy “Stooge” Pop. Talvez o New Order seja um dos raros casos em que uma banda tenha conseguido ter como convidado em um disco um de seus grandes ídolos. Em “Stray Dog”, o Iguana apenas “declama”, com seu habitual barítono cavernoso, um sombrio poema escrito por Sumner. E encerrando a lista de convidados ilustres, temos Brandon Flowers, o frontman do The Killers, em mais um dueto com Sumner: “Superheated” (os dois já dividiram o microfone tanto em shows do New Order quanto em shows dos Killers). Nessa faixa, que tem uma batida que lembra “Someone Like You” (canção de Get Ready), a banda parece ter encontrado o que seria, talvez, o meio termo entre criador e criatura (N.O. e Killers) através do que é, sem dúvida, a canção mais açucarada e pop de todo o álbum. Além disso ela leva a assinatura do produtor Stuart Price.

Enquanto nas parcerias o New Order resolveu bancar, na maior parte das vezes, o “saidinho”, deixando para trás a zona de conforto em que havia ficado nos discos anteriores, nas faixas em que a banda resolveu bancar tudo sozinha ela optou por apresentar algo mais familiar para os fãs: a excelente “Academic”, por exemplo, soa como outro daqueles temas rock de Technique; “Nothing But a Fool”, outra ótima canção, volta mais atrás e nos dá a impressão de que estamos ouvindo algo que remete a Power, Corruption and Lies (1983) ou Low Life (1985); “The Game” é pura síntese rock/eletrônica, daquelas que o New Order sempre produziu em larga escala.

Grande parte das resenhas alhures vem usando como parâmetro para este Music Complete o já citado Technique (como nós mesmos, de certa forma, o fizemos). Para os críticos lá de fora, o novo rebento do New Order seria o melhor desde sua obra-prima de 1989. Admitir isso seria, quem sabe, cometer uma injustiça com Get Ready, que é um disco consistente, com ótimas canções. O mais sensato, talvez, seria dizer que Music Complete é, sim, um belo e diversificado álbum pop e que teria o que faltou a Republic: um repertório mais equilibrado. E, sobretudo, que existe vida após Peter Hook.

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NEWS | Uncut (sobre “Music Complete”): “o melhor álbum do New Order desde ‘Technique'”

neworder351-370x215Acabaram de sair nas três principais revistas sobre música e cultura pop inglesas da atualidade – Uncut, Q e MoJo – as primeiras resenhas sobre o álbum Music Complete, o décimo da carreira do New Order (se contarmos o LP de sobras de estúdio Lost Sirens, de 2013). Como de praxe, a imprensa sempre tem acesso ao novo trabalho antes dele chegar as lojas (o que, no caso de Music Complete, só ocorrerá daqui a um mês). As três publicações foram unânimes: esse seria o melhor disco do New Order em mais de uma década. A Q foi ainda mais generosa e ofereceu aos fãs um especial de 21 páginas (!!!) que traça toda a trajetória da banda, além de falar do novo rebento, para qual deu quatro estrelas (de cinco). Essa também foi a nota dada pela MoJo, que escreveu “nono álbum [N.T.: a revista não está contando com Lost Sirens] reivindica o status de ícone”. Por sua vez, a Uncut deu nota 7/10 e disse enfaticamente: “facilmente o melhor álbum do New Order desde Technique e o mais diversificado de todos”.

Fonte: Dry 201 Message Pub / NewOrderOnLine.com.

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REVIEW | Avaliamos “The Many Faces of Joy Division”

71ZEKOvDmkL._SL1200_E a exumação dos restos mortais de Ian Curtis e o Joy Division continua… Alguns posts atrás noticiamos o lançamento desse CD triplo The Many Faces of Joy Division, uma caixinha que tem como proposta apresentar a lendária banda britânica sob outros ângulos: de “versões alternativas” de estúdio produzidas pelo não menos cultuado Martin “Zero” Hannett, até a moderna releitura ao vivo do álbum Unknown Pleasures feita pelo seu ex-baixista, Peter Hook, na companhia de seu novo grupo (The Light), passando ainda pelas suas influências (Sex Pistols, Iggy Pop, Velvet Underground).

Entretanto, cuidado! Se você resolver comprar esse CD sem ver antes nosso vídeo, vai acabar levando gato em vez de lebre. Dê “play” e saiba por que…