REVIEW | “AfterParty” (ShadowParty remix EP)

027ede03106bab00c49dd3a889b5b371No embalo de uma mini-turnê compreendida entre os dias 08 e 15 de setembro, o ShadowParty, banda / projeto paralelo de integrantes do New Order (Phil Cunningham e Tom Chapman) e do Devo (Josh Hager e Jeff Friedl), lançou recentemente nos formatos streaming e digital download um EP chamado AfterParty que contém remixes de duas faixas de seu álbum de estreia lançado em julho deste ano: “Reverse the Curse” e “Present Tense”.

O lançamento foi puxado por uma premiére do remix que Gillian Gilbert e Stephen Morris, do New Order, fizeram para “Reverse the Curse” assinando como The Other Two (projeto paralelo de Gilbert e Morris nascido nos anos 1990). A divulgação em primeira mão do remix do The Other Two foi feita pela Clash Magazine em seu site na última sexta-feira, dia 07 de setembro. Recentemente, a dupla falou de sua colaboração com o ShadowParty em entrevista concedida durante o Festival N6, em Portmeirion.

Em uma primeira e apressada audição, o remix não impressionou muito, não. Todavia, a remistura do The Other Two cresce a cada nova tentativa. Mas quem acertou a mão mesmo em “Reverse the Curse” foi o A Certain Ratio – em vez de um remix propriamente dito, a banda gravou um arranjo totalmente novo, com destaque para a bateria cheia de swing de Donald “Dojo” Johnson. O problema é que quando entram os vocais de Denise Johnson (irmã de Donald, vocalista do ACR e convidada especial no álbum do ShadowParty) parece que estamos ouvindo, na verdade, um novo (e ótimo) single do A Certain Ratio.

Já o último dos três remixes de “Reverse the Curse” é de autoria de Derek Miller, produtor e DJ conhecido também pela alcunha Outernationale – e que já lançou um bom EP de regravações e remixes de músicas do Joy Division chamado Atmosphere lançado pela Haçienda Records (gravadora de propriedade de Peter Hook) e que conta com Paul Haig (ex-Josef K) nos vocais. Mas voltando ao remix… a releitura de Miller / Outernationale é tão recomendável quanto seu EP-tributo ao JD.

Sobre os dois remixes de “Present Tense” em AfterParty… O primeiro, que atende pelo nome “Stereotype Remix”, é feito sob medida para embalos de sábado à noite, sendo, portanto, o mais dançante entre todos do EP. Todavia, é o remix mais “comum” e no qual transbordam os clichês das pistas. A outra versão, que atende por “Beg, Steal or Borrow Remix”, segue uma linha muito próxima, mas tem um clima  mais “viajante” e, por essa razão, oferece uma perspectiva um pouco melhor.

O saldo geral é bastante positivo. Não é nada com pinta de alta rotação no smartphone, entretanto AfterParty nos arranca mais sorrisos de aprovação do que o álbum epônimo de estreia. O que em outras palavras quer dizer que, neste caso, os remixes funcionam melhor que as versões originais. Vale destacar que não há previsão de lançamento do EP em um versão física. Talvez nem precise.

Ouça o EP completo no Spotify.

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REVIEW | “Music Complete: Remix EP”

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Mais do mesmo… Music Complete: Remix EP

No último dia 07 de abril o New Order divulgou através de suas redes sociais o lançamento de um novo EP com remixes de cinco faixas de seu último trabalho de estúdio, o álbum Music Complete. Sob o título Music Complete: Remix EP, o novo título foi disponibilizado apenas no formato streaming (Spotify e You Tube) e digital music download para clientes da Apple Store. O “disco” teria sido lançado como parte da campanha de divulgacão da próxima tour pelos Estados Unidos, que começará no dia 13 de abril, em Nova Iorque, e que contará também com uma participação no festival Coachella. Não há informações sobre algum eventual lançamento em formato físico do EP (e nosso “radar” não detectou ainda a existência de algum CD promo exclusivo).

Em sua divulgação direta via Twitter e Instagram, os fãs são informados que Music Complete: Remix EP contém remixes “raros e inéditos”, mas há um pouco de “exagero” nisso. De inédito, “People on the High Line (Purple Disco Machine Remix)”, com sua pegada house, assinado pela dupla alemã Purple Disco Machine, e “Academic (Mark Reeder’s Akademix)”, do produtor Mark Reeder, um amigo e colaborador de longa data do New Order. Os três remixes restantes não são necessariamente “raros”, como veremos a seguir.

“The Game (Mark Reeder Spielt Mit Version)”, também produzido por Reeder, já havia sido lançado no ano passado em sua forma editada na coletânea A Symbol of Cosmic Order, da gravadora dinamarquesa Stella Polaris (existem rumores de que os remixes do Mark Reeder nesse novo EP podem reaparecer em uma nova coletânea do produtor em breve). Por sua vez, “Tutti Frutti (Takkyu Ishino Remix)” já era conhecido por ter sido incluído na versão japonesa do vinil de 12″ e, também, na caixa Wrapping Cloth ‘Furoshiki’ Box Set de Music Complete (também lançada exclusivamente no Japão e comentada aqui no blog). “Restless (Agoria Dub)”, de Sébastien Devaud, além de também fazer parte da mesma caixa editada na Terra do Sol Nascente, chegou a ser disponibilizada pelo site DirrtyRemixes.

De um modo geral, os remixes escolhidos para compor o EP são muito bons – com exceção, talvez, de “People on the High Line”. Todavia, a questão é: qual o senso de propósito desse lançamento? De 2015 para cá temos visto um bocado de remixes de Music Complete por aí, para todos os gostos, bolsos e formatos. Seria muito mais interessante, por exemplo, que o anunciado disco ao vivo NOMC15 viesse acompanhado de um respectivo DVD ou Blu-Ray, por exemplo, ou que os concertos na Opera House de Sidney com a Australian Chamber Orchestra ganhassem um lançamento caprichado. Será que realmente um EP de remixes lançado via streaming vai ajudar a vender mais ingressos de uma meia dúzia de shows nos EUA?

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