NEWS | “Substance” no Méier

FullSizeRenderCalma, minha gente… não se trata de Peter Hook aterrissando na Zona Norte Carioca para apresentar a clássica coletânea de singles do New Order ao vivo com seu The Light. Na verdade, trata-se de mais uma edição do projeto Rock on the Roof, idealizado pelo produtor Alessandro Alr e realizado no terraço do antigo Cinema Imperator, agora conhecido como Centro Cultural João Nogueira, no Méier. A proposta de Rock on the Roof é unir música e debate: cada edição gira em torno de um álbum clássico do rock e consiste primeiramente em uma audição na íntegra da obra seguido de um debate com a participação de um convidado. Após edições dedicadas a bandas de estilos e épocas tão distintos como The Who, Arctic Monkeys, Massive Attack e Paralamas do Sucesso, agora chegou a vez do New Order e seu celebrado álbum duplo de 1987. O convidado para participar do bate-papo sobre o disco é o DJ Wilson Power, velho conhecido das noites rock do Rio de Janeiro. A audição vai rolar no próximo sábado, dia 03/02, às 19:00. Cabe comentar que Closer, do Joy Division, já fez parte da programação do evento algum tempo atrás. O evento é gratuito, mas sujeito à lotação do espaço.

Cine Imperator / Centro Cultural João Nogueira
Rua Dias da Cruz, 170, Méier (Rio de Janeiro)
(021) 2597-3897
contato@imperator.art.br

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REVIEW | Coletânea “Substance” celebra 30 anos hoje

cd-duplo-ingles-new-order-substance-importado-D_NQ_NP_468511-MLB20589450448_022016-FQuão relevante pode ser uma coletânea no âmbito da obra de um artista ou até mesmo para além dela? Pode um disco que reúne material já lançado por um cantor ou banda ter um significado e uma importância tão grandes – ou maiores até – que a de álbum de canções inéditas?

Há quem despreze os discos compilatórios – e existem razões para isso. Na maioria das vezes eles representam uma maneira fácil das gravadoras amealharem um bocado de dinheiro resumindo em um único título uma carreira de sucesso. É uma forma de vender um artista para um outro perfil de publico – o que só tem interesse por grandes sucessos – ou de fazer os fãs mais fiéis comprarem novamente aquilo que eles já possuem.

Todavia, algumas coletâneas conseguem algo mais do que arrecadar milhões. Querem um exemplo? Legend, que reúne os grandes êxitos de Bob Marley & The Wailers, se transformou em algo muito maior que o “o disco de reggae mais vendido de todos os tempos”. Ele está na lista dos 500 Maiores Álbuns da revista Rolling Stone, que é nada menos que o maior guia de cultura pop da face da Terra. Além disso, ele introduziu milhares pessoas à música de Marley e, muito provavelmente, ao próprio universo do reggae. Tudo isso faz dele um disco essencial – aquele item que deveria se fazer obrigatório em qualquer discoteca que se preze.

Nessa mesma lista dos 500 Maiores Álbuns da História da Rolling Stone encontramos uma outra super-coletânea. Lançado há exatos trinta anos, Substance, álbum duplo que reúne todos os singles de doze polegadas do New Order lançados entre 1981 e 1987, é outro exemplo de uma compilação que foi além das vendagens milionárias. Páginas dedicadas ao disco foram publicadas não somente nas tradicionais revistas e tabloides sobre música, mas também na Playboy e até mesmo no influente Village Voice. O Album Guide, também publicado pela Rolling Stone, o descreve como “puro prazer”, além de considerá-lo “um guia para o pop da década de 1980”. Para Thomas Erlewine, do site AllMusic.com, Substance “é o trabalho mais bem-sucedido e inovador do New Order uma vez que expandiu a noção do que uma banda de rock’n roll, e particularmente uma banda de rock indie, pode fazer”. Em 1989, o LP foi incluído na famosa Enciclopédia da Música Popular editada por Collin Larkin. Não é pouca coisa.

Muito do êxito de Substance tem a ver com a própria reputação que o New Order construiu em torno de seus singles de doze polegadas. Para o crítico musical Robert Christgau, o disco “apresenta a disciplina e a química de uma banda cujo estilo musical é potencializado pelas mixagens em seus 12 polegadas”. Há quem diga que uma das idiossincrasias do grupo é o fato do New Order nunca ter feito um grande álbum (algo do qual eu e muita gente por aí discorda), mas que, em contrapartida, teria produzido em série singles arrebatadores do calibre de “Temptation”, “Confusion”, “Blue Monday”, “Bizarre Love Triangle”, “True Faith”, entre outros.

Mas parte do que tornou Substance um disco de forte apelo foi o fato de que todo o material incluído nele não havia sido lançado em um long play antes. Nos primeiros anos, o New Order tinha por hábito não incluir os singles nos seus álbuns. Por essa razão, canções como “Ceremony”, “Everything’s Gone Green”, “Thieves Like Us” e a já citada “Blue Monday” apareceram pela primeira vez em um disco cheio somente quando do lançamento de Substance. Isso representa dois terços do álbum. O outro terço é constituído por faixas que até saíram em outros discos de estúdio, a exemplo de “The Perfect Kiss” e “Bizarre Love Triangle”, mas aqui elas aparecem em versões remixadas e/ou estendidas até então disponíveis exclusivamente nos singles de doze polegadas.

Mesmo assim, para que tudo coubesse em dois bolachões foi preciso passar a tesoura em algumas músicas. “Shellshock” e “Sub-Culture” foram editadas; na versão em CD foram limados 40 segundos da apoteótica sequência final de “The Perfect Kiss”; “Temptation” e “Confusion” foram inteiramente regravadas especialmente para o disco. Nada disso, no entanto, diminuiu o brilho da coletânea que, só nos Estados Unidos, vendeu mais de dois milhões de cópias.

Outro grande mérito de Substance é do retratar com precisão o processo de transição musical operado pela banda – da sonoridade sombria e depressiva dos primeiros anos (e que mantinha o New Order mais na linha de sua encarnação anterior, o Joy Division) ao batidão eletrônico. O disco tem algo para diferentes gostos, do pós-punk ao electrofunk.

A ideia de lançar Substance, como era de se esperar, partiu do chefe da gravadora da banda na época, a Factory Records. Tony Wilson, que também era repórter e apresentador de TV na emissora Granada, de Manchester, havia comprado um novo e caro brinquedo: um Jaguar equipado com um CD player, uma novidade para a época. Tony pensou: “e se eu pudesse ouvir todos os singles do New Order de uma só vez no meu carro?”. Assim nasceu Substance. Segundo o agora ex-baixista Peter Hook: “nós fizemos Substance porque Tony queria ouvir todos os singles do New Order em seu carro… o que foi uma ótima razão se considerarmos o sucesso desse disco”.

A aposta no álbum foi tão grande que a Factory produziu uma edição promocional com capa em formato gatefold diferente da original e limitada em mil cópias numeradas para distribuir de graça para os funcionários da gravadora e os amigos mais chegados. Além disso, havia diferenças entre as edições de Substance lançadas na Inglaterra: em CD os dois LP’s aparecem juntos em um único disco, ao mesmo tempo em que traz um segundo compact disc só com lados B; na versão britânica do cassete foram incluídos faixas extras como “Dub-Vulture”, “Shellcock”, “I Don’t Care” e “True Dub” (esta última somente em uma edição ultralimitada). Substance também foi transformado em uma coletânea de vídeos lançada nos formatos VHS e videolaser (somente no Japão) em 1989, mesmo ano em que a gravadora DG Discos editou oficialmente na Argentina o obscuro Substance II, que nada mais era que o disco de lados B da edição em CD transformado em vinil duplo. Tanto o The Gatefold Substance quanto Substance II e as edições em cassete inglesas são hoje valiosas peças de colecionador.

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Para todos os gostos… De cima para baixo, da esquerda para a direita: Substance (o original), Substance II (só lados B, lançado na Argentina) e The Gatefold Substance (promo).

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The Gatefold Substance

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Substance II

A capa de Substance, criada por Peter Saville (para variar), também tem sua própria história. Em meados da década de 1980, Saville havia se lançado na tarefa de recriar/reimaginar a utopia modernista. Sentindo que a arte e o design estavam, naquela altura, à beira de um novo momento, ele concluiu que o futuro de ambos seria mais orgânico e menos linear. Com relação a esse aspecto peculiar das artes visuais, o designer começou a se interessar pela geometria da natureza. Em parceria com o fotógrafo Trevor Key, Saville passou a se dedicar à produção de uma série de imagens contemporâneas a partir da natureza, ou como o próprio artista gráfico descreveu, “de flores para a decoração do lobby da IBM no ano 2000”. Assim nasceram diversos estudos feitos com base em formas naturais que eram fotografadas e recoloridas através de uma técnica chamada dichromat. Desse modo nasceram as capas de singles como “True Faith” (1987) e “Touched by the Hand of God” (1988), além, é claro, do projeto gráfico para Substance – cada um dos vinis vinha guardado em uma capa individual (a do LP 1 traz uma flor, enquanto a do LP 2 é ilustrada por um coral), com ambas abrigadas no interior de uma capa maior onde se lê apenas o nome da banda, o título do disco e o ano com tipografia em alto relevo negra.

O New Order apresentou Substance ao vivo na íntegra (isto é, exatamente as mesmas faixas do disco e na mesma ordem) uma única vez. Foi no Irvine Meadows, Califórnia, dia 12 de setembro de 1987. Atualmente, o briguento Peter Hook e seu novo grupo, o The Light, vêm rodando o mundo em uma turnê no qual executam não apenas o álbum do New Order, como também o irmão homônimo e mais novo dedicado ao Joy Division. Esse show passou aqui pelo Brasil em dezembro do ano passado (e eu, obviamente, marquei presença).

Dando uma lida nos comentários na conta do blog no Instagram, o post sobre o trigésimo aniversário de Substance trouxe hoje declarações como: “foi o álbum em que tudo começou para mim”, “foi o meu primeiro disco do New Order”, “uma das melhores coletâneas”, “foi crucial na minha adolescência” e “há trinta anos esse disco mudou muitas vidas para sempre, incluindo a minha”. Todas essas frases traduzem o exato sentimento que o autor deste blog tem com relação a esse álbum. Ele também foi a minha porta de entrada no som do New Order e ajudou a me guiar para todo o resto: Joy Division, Manchester, Nova Iorque, Haçienda etc. Ele é meu desert island record. É por causa de Substance que hoje me dedico a escrever com paixão sobre essa turma que veio lá do noroeste da Inglaterra…

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REVIEW | Tudo sobre “Substance: Inside New Order”, de Peter Hook

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Stephen Morris, que terá as memórias de sua carreira como baterista do Joy Division e do New Order lançada em 2018 pela editora Constable, disse o seguinte em uma entrevista recentemente publicada ao Irish Times: “Quando você escreve uma autobiografia, é comum promover-se como um heroi – a não ser que você seja brutalmente honesto”. Morris está certo. Também não é difícil encontrar aqueles autores que se colocam no papel de “pobre vítima” – este seria o caso, por exemplo, de Deborah Curtis em seu livro Touching From a Distance, biografia do seu finado marido, Ian Curtis, a eterna voz do Joy Division. O tom impresso por Deborah nas páginas de seu livro é a da viúva apartada e alienada pela política “namoradas e esposas ficam de fora” supostamente praticada pela banda.

O mais recente livro de memórias de Peter Hook, ex-baixista do New Order (e que também fundou o Joy Division), não chega a ser um caso de autoindulgência. Capítulo final de uma trilogia que se iniciou com The Haçienda: How Not to Run a Club (2010, 368 páginas) e, em seguida, passou por Unknown Pleasures: Inside Joy Division (2013, 252 páginas), o novo volume, intitulado Substance: Inside New Order (Simon & Schuster, 768 páginas!), se dedica a escrutinar nos mínimos detalhes a história do New Order, dando ao leitor livre acesso à “privacidade” da banda de uma maneira que somente um ex-integrante sem papas na língua, como é o caso de Hook, poderia fazer.

Entretanto, não é porque o músico não se coloca no papel de heroi, ou de vítima, que ele não destila alguma dose de veneno endereçado diretamente aos seus ex-colegas, hoje desafetos. Segundo Hook, o guitarrista e vocalista Bernard Sumner, por exemplo, é um “babaca” (adjetivo usado sem qualquer economia ao longo do livro) mau humorado que não gosta de ser contrariado (tudo tinha que ser feito sempre da maneira como ele queria) e que, com o tempo, tornou-se um “ditador” que pôs fim à democracia que existia dentro do grupo; Steve Morris, por sua vez, é retratado como um tipo “estranho” ou “esquisitão”, dono de uma personalidade excêntrica.

Já a tecladista Gillian Gilbert… bem, para Peter Hook ela seria menos do que nada. De acordo com o baixista, ela pouco teria contribuído musicalmente com a banda e, na verdade, seu papel no New Order se limitava a tocar nos teclados e na guitarra o que tinha sido escrito por Sumner. Hook vai além: diz que ele e Bernard sempre nutriram o desejo de “convidá-la a se retirar”, mas nunca tiveram coragem de fazê-lo por ela ser a companheira de Morris. Com base nessa constrangedora situação, Hook aconselha: “jamais tenha um casal na banda”.

É importante sublinhar que Substance: Inside New Order, vai, é claro, além do rancor que o autor guarda de seus ex-parceiros. Peter Hook brinda os fãs com detalhes e histórias sobre as gravações dos álbuns da banda, além de comentários sobre cada faixa; conta causos sobre as turnês, o que inclui inúmeros relatos sobre tumultos e motins nos shows (a frase mais ouvida pela banda era “vocês jamais voltarão a tocar aqui de novo”); satisfaz os leitores mais nerds com explicações e minúcias sobre os instrumentos e equipamentos usados pelo New Order ao longo de sua carreira; e escancara até mesmo segredos sobre sua vida pessoal e íntima, como a relação conturbada com a atriz cômica britânica Caroline Aherne, falecida em julho deste ano.

Substance é uma autêntica (e verdadeira, até que se prove o contrário) história de sexo, drogas e rock’n roll: aventuras com groupies, o consumo (excessivo) de substâncias legais e ilegais, além de histórias por trás das músicas, marcam ponto em quantidades generosas no novo livro de Peter Hook. É uma obra de fõlego em ambos os sentidos: tanto para Hook, que se lançou na hercúlea tarefa de contar a história do New Order da maneira mais completa e rica possível, quanto para os leitores, que terão pela frente uma exaustiva jornada de leitura.

E talvez o maior problema do livro seja justamente esse: no afã de escancarar a “intimidade” da banda em todas as suas facetas, dos momentos divertidos/engraçados às tensões e conflitos, Hook talvez tenha exagerado um pouco na mão e preencheu pelo menos 1/3 (ou mais até) de sua magnus opus literária com muitos casos irrevelantes, de problemas na aduana devido a erros no preenchimento das declarações dos equipamentos ao susto por causa de uma aranha (“do tamanho da minha mão”, diz o baixista) no quarto de engenheiro de som Mike Johnson em um hotel na Austrália. O livro está repleto de histórias assim, o que pode tornar a leitura mais cansativa. No começo o leitor até se diverte, mas à media em que histórias desse tipo se sucedem ocupando grandes espaços da narrativa entre os episódios e acontecimentos de maior significância é impossível não se sentir um pouco entediado. Algo do tipo “ok, Hooky, outra boa história, engraçada mesmo, mas já passei da metade do livro e… quando é que você finalmente vai falar de acid house e Technique?”. Mais ou menos por aí.

Uma outra “falha” detectada é o fato dele não ter entrado em muitos detalhes sobre como eles foram influenciados pela cena club de Nova Iorque no comecinho da década de 1980. Nesse sentido, a autobiografia de Bernard Sumner, Chapter and Verse: New Order, Joy Division and Me (Bantam Press, 2014, 313 páginas), tão criticada publicamente por Hook, é bem mais esclarecedora. Afinal, esse foi um momento-chave na trajetória da banda – e que ajuda a entender como o New Order teria saído das sombras do Joy Division. Hook não aprofunda – pelo menos não tanto quanto Sumner – sobre o impacto que casas noturnas como Paradise Garage, Fun House e Danceteria provocaram no grupo e em sua música.

Mas uma grande qualidade de Substance é que o livro é recheado de fotos do acervo pessoal de Peter Hook. Existem três seções de fotografias coloridas que mostram Hook com o New Order, com amigos e colaboradores, com os músicos de seus projetos solo (Revenge, Monaco e The Light), com os filhos e a atual esposa etc. Há imagens no corpo do texto também (em preto e branco), sendo que algumas delas são pôsteres e ingressos de shows e anúncios de sintetizadores.

Resumindo: é impossível uma obra de tamanha magnitude não conter alguns “pecados” aqui e ali; todavia, não restam dúvidas de que Substance é, até o presente momento, a obra mais completa (em termos de volume de informações) sobre o New Order. No entanto, ela representa um ponto de vista, ou melhor, a história tal como teria sido vivida e experimentada por Peter Hook. Como disse Stephen Morris na mesma entrevista citada no primeiro parágrafo, [uma biografia] é apenas o ponto de vista de uma pessoa… Quando se olha para trás não dá para ser objetivo sobre o passado, porque sua opinião é sempre colorida pela sua experiência”. É importante ter isso em mente quando ler não apenas o livro de Hook, mas qualquer outra (auto)biografia. 

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NEWS | Boas e más notícias…

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Peter Hook voltará ao Brasil com seu The Light este ano

Após uma pausa para férias, nosso blog volta com todo o gás trazendo as últimas novidades. A primeira é a confirmação da vinda de Peter Hook, ex-baixista do Joy Division e do New Order, à América do Sul este ano. Com a banda The Light, “Hooky” trará em dezembro seu mais recente e bem sucedido show, Performing the albums ‘Substance’ by Joy Division and New Order, para o Brasil, além de Argentina, Chile e Uruguai. Por aqui, serão três concertos: Teatro Rival, no Rio de Janeiro (01/12); Bar Opinião, em Porto Alegre (03/12); e Cine Jóia, São Paulo (06/12). Até momento, a venda de ingressos está disponível apenas para a apresentação no Cine Jóia. E os cariocas poderão comemorar finalmente, já que desde 2011, com Perform Joy Division’s ‘Unknown Pleasures’ (com o qual pôs o Circo Voador abaixo), que Peter Hook não toca na Cidade Maravilhosa.

A má notícia é para quem esperava que o New Order também confirmasse sua vinda à América do Sul em 2016. Fontes seguras do blog estiveram pessoalmente em contato com o management da banda após apresentação no Flow Festival, Finlândia, no dia 14 último e confirmaram que estava em curso, sim, negociações para uma turnê sulamericana que aconteceria em novembro (conforme chegamos a publicar). Entretanto, o New Order abortou por ora os planos de vir tocar por aqui, em princípio porque queriam diminuir o ritmo das viagens nesse momento. De acordo com as fontes, essa decisão foi da banda e a contragosto do management, que disse ainda: “talvez no ano que vem”.

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NEWS | Peter Hook anunciará datas para a América do Sul

Light-Logo-300x300A novidade foi divulgada ontem: em sua conta no Twitter, o ex-baixista do Joy Division e do New Order, Peter Hook, publicou um post com a hashtag “#Substance2016” e no qual disse que nos próximos dias seriam divulgadas as datas de uma turnê pela a América do Sul. Em suas próprias palavras: “Nós temos algumas novas datas da turnê para anunciar em breve – dessa vez na América do Sul!”. A hashtag “#Substance2016” nos dá a entender de que ele deverá trazer para estas bandas seu show mais recente, no qual toca, na íntegra, os álbuns/coletâneas Substance do New Order e do Joy Division, lançados, respectivamente, em 1987 e 1988.

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Peter Hook já esteve aqui no Brasil com sua banda-tributo The Light em outras três ocasiões: na primeira, em 2011, tocou o álbum Unknown Pleasures (1979), do Joy Division; na segunda, dois anos depois, após um rápido set de canções do JD, apresentou os LPs MovementPower, Corruption and Lies, do New Order, entremeados por todos os singles lançados pela banda entre 1981 e 1983, incluindo “Blue Monday”; na terceira, em 2014, ele “homenageou” o New Order mais uma vez tocando os discos Low Life (1985) e Brotherhood (1986), além de singles como “Thieves Like Us”, “Shellshock” e “True Faith”. O The Light é formado, além de “Hooky”, por seu filho, Jack Bates (baixo), Andy Poole (teclados) e dois antigos colegas dos tempos do Monaco (projeto paralelo ao New Order nos anos 1990), David Potts (guitarra e vocais) e Paul Kehoe (bateria).

PETER HOOK & THE LIGHT / Discografia (somente formato físico):

  • Perform Unknown Pleasures Live at Goodwood (2010)
  • 1102 | 2011 (EP, 2011)
  • Unknown Pleasures Live in Australia (2011)
  • Joy Division’s Unknown Pleasures and Closer Live at Hebden Bridge (2015)
  • New Order’s Movement and Power, Corruption and Lies Live at Hebden Bridge (2015)
  • New Order’s Low Life and Brotherhood Live at Hebden Bridge (2015)
  • So This Is Permanence

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NEWS | Livro de Peter Hook sobre o New Order sai em outubro deste ano

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Peter Hook promete “a verdade” sobre o New Order

Agora é oficial: o tão aguardado livro do (ex-)baixista Peter Hook sobre o New Order já tem a sua data de lançamento marcada. Intitulado Substance: Inside New Order, vai sair na Inglaterra, pela editora Simon & Schuster no dia 06 de outubro. A edição de capa dura terá 928 páginas (!!!) e o preço sugerido pelo editor será de aproximadamente £20 (cerca de R$ 86 pelo câmbio de hoje). “Hooky” promete um livro mais “verdadeiro” que Chapter and Verse, autobiografia do vocalista e guitarrista Bernard Sumner publicada pela Bantam Press em 2014. Em entrevista concedida ao site Skiddle.com e divulgada anteontem, o baixista disse:

“Fiquei bastante surpreso com o livro do Barney porque, na minha opinião, ele disse um monte de mentiras e eu até o tinha em má conta com algumas coisas, mas não por ser mentiroso. E isso me deixou chocado. Quando eu li o livro fiquei surpreso porque ele conseguiu despachar trinta anos de New Order em cem páginas. Olhei para o glossário e vi que eu estava em 66 delas, sendo chamado de lixo [N.T.: isso, absolutamente, NÃO É VERDADE]. Meu novo livro é sobre a história do New Order. Ele [o livro] diz a verdade e eu acho que as pessoas que leram os livros do Joy Division e do Haçienda tirarão suas próprias conclusões. Eu nunca fui acusado ou chamado de mentiroso a respeito de qualquer coisa a ver com isso. Eu simplesmente disse a verdade sobre o que aconteceu. O livro sobre o New Order, que vai sair em breve, vai fazer exatamente o mesmo. Logo, as pessoas serão capazes de tirar suas próprias conclusões e pensar por si mesmas”.

Substance: Inside New Order, que já teve o título cogitado para Power, Corruption and Lies, já se encontra disponível para pré-venda em diversos sites, como o da Amazon inglesa, mas na loja virtual Recordstore pode ser encomendada uma edição limitada que virá assinada pelo próprio Peter Hook – a exemplo do que foi feito com os livros anteriores, The Haçienda: How to Not Run a Club (2010) e Unknown Pleasures: Inside Joy Division (2013). Abaixo, o blog oferece a tradução do press release oficial do livro.


Dois álbuns aclamados e uma iminente turnê pela América do Norte – o Joy Division tinha o mundo aos seus pés. Então, na véspera desse passeio e do início do que certamente poderia ter sido uma história de sucesso internacional, o conturbado vocalista da banda, Ian Curtis, se matou.

“Nós realmente não pensamos sobre isso depois. Simplesmente aconteceu. Um dia estávamos no Joy Division, então nosso vocalista se matou e em seguida, quando nos reunimos novamente, éramos uma nova banda…” (Peter Hook)

Essa banda era o New Order. Seu som característico – uma inovadora fusão de pós-punk e electro – abriu caminho para a explosão da dance music nos anos oitenta e deu-lhes a fama de ser uma das bandas mais influentes de sua geração. Apesar do sucesso, a banda sempre foi um choque entre o visionário e o volátil e suas relações eram repletas de tensões.

Conhecido por não conhecer tabus, Peter Hook conta de modo abrangente toda a história do grupo, repleta de ultrajantes anedotas e incluindo cada set list, itinerário de turnê e detalhes sobre cada equipamento eletrônico usado para forjar o som que mudou o rumo da música popular.

O autor: Peter Hook nasceu em Salford, em 1956. Ele foi membro fundador do Joy Division e do New Order e agora excursiona tocando a música de ambos os grupos com sua banda ‘Peter Hook and The Light’. Ele também é DJ e promove o concerto The Haçienda Classical pelo mundo. Peter vive em Cheshire com sua esposa, Rebecca, e os filhos, Heather, Jack e Jessica, e seus cães de estimação, Wilma e Bo.

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DISCOS | “Que ‘Substance’ preto é esse?”

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Substance II: não é lenda urbana

No dia 27 de março, postei uma foto no perfil deste blog no Instagram que continha os álbuns do New Order em vinil, de Movement (1981) a Music Complete (2015). Dentre as coletâneas, apenas Substance (1987) estava representada. Todavia, algumas pessoas notaram que bem ao lado do famoso álbum duplo de capa branca, havia um “outro” Substance, só que com as cores invertidas, como se fosse um “negativo”. O usuário @childerico não resistiu e perguntou, “na lata”: “Epa!!! Que Substance preto é esse???”. Diante da curiosidade – e perplexidade – desse e de outros followers, resolvi fazer, dois dias depois, um post exclusivo sobre esse disco. Meu objetivo era justamente intrigar mais pessoas.

O LP em questão se chama Substance II. E, realmente, pouca gente ouviu falar dele ou já pôs os olhos nesse vinil. O sucesso foi enorme. Foi o post com o maior número de “curtidas” desde que o nosso Instagram foi ao ar. “Never seen it before!” [trad.: “Nunca vi esse antes!”] foi o comentário mais comum. A follower @beccas_vinyl escreveu assim: “Thanks for showing me something new today”. [trad.: “Obrigado por me mostrar algo novo hoje”] Mas apesar do espanto da maioria, é claro que há quem conheça o “irmão” do Substance “branco”: além dos colecionadores de raridades do New Order espalhados pelo mundo, temos também os… argentinos! Sim, nuestros hermanos. Na verdade, estamos falando de um disco que foi lançado única e exclusivamente na Argentina. Mas por que apenas os argentinos foram presenteados com uma “sequência” ou “parte II” da celebrada coletânea de singles de uma das mais importantes e influentes bandas mancunianas?

Bem, em primeiro lugar, Substance II não é propriamente um “outro” Substance. Ficou confuso? Expliquemos: na verdade, trata-se de um vinil duplo que reúne os mesmos b-sides que foram incluídos no “disco 2” da versão em CD de Substance. Em 1989, ano em que o Substance II foi lançado na Argentina, o compact disc já marcava sua presença nos mercados europeu, japonês e norteamericano, mas não na América Latina (o boom do formato no continente só aconteceria em meados da década de 1990). Foi quando a DG Discos, gravadora argentina que detinha os direitos sobre o catálogo do New Order no país, teve uma sacada que faltou à BMG Ariola aqui no Brasil: lançar o disco de lados B em outro LP duplo que complementasse o álbum de lados A. Também foi uma grande ideia a “capa negativa”, isto é, com a inversão das cores da capa original, além do “II” no lugar do “1987”. Todavia o álbum não tinha encartes (os vinis vinham abrigados em envelopes de papel couché pretos recortados no centro para que os selos, de cor vermelha, ficassem visíveis) e a foto do coral manipulada com a técnica do dichromat feita pelo Trevor Key, usada no encarte que guardava o LP 1 do Substance original, foi empregada na contracapa. Não há créditos para o autor do remix do projeto gráfico criado originalmente por Peter Saville, mas provavelmente deve ter sido obra do departamento de arte da própria DG Discos.

Aliás, cabem aqui algumas palavras sobre a DG. A gravadora porteña pertence à DG Producciones, empresa de produção de espetáculos de propriedade do produtor e representante artístico local Daniel Grinsbank, um sujeito que está no ramo da música há muitos anos e de muitas maneiras: ele já foi DJ (tinha um programa de rock na emissora de rádio Del Pueblo), manager e foi o responsável pelo famoso show gratuito dos Stones no Rio de Janeiro em 2006! Com a DG Discos, além de LPs do New Order, lançou no mercado argentino o fino da bossa do pós-punk: Victorialand (Cocteau Twins), Friends (The Bolshoi), In the Flat Field (Bauhaus), Express (Love and Rockets), Spleen and Ideal (Dead Can Dance), o disco homônimo dos Throwing Muses, entre outros.

A primeira vez que eu ouvi falar no Substance II foi justamente em 1989, com 12 anos de idade. A TV da sala (da casa de meus pais) estava ligada no programa Vibração, que era apresentado pelo skatista Cesinha Chaves, e exibido numa Rede Record ainda não comandada pelo “bispo” Edir Macedo. Eu curtia muito o programa – foi através dele que eu vi pela primeira vez clipes do New Order. Pois então… na ocasião eu não peguei todos os detalhes, só me recordo do Cesinha falar do Substance II e das “cores invertidas” da capa. Fiquei pensando que se tratava de um lançamento para breve no Brasil. Me empolguei. Mas o tempo foi passando e nada desse disco por estas bandas. Foi quando me passou pela cabeça que poderia ter saído apenas “lá fora”, mas eu nem cogitava a possibilidade de ser uma edição exclusivamente argentina… Com o passar dos anos, o disco tinha virado uma “lenda urbana” para mim (alguns amigos me diziam que o Substance II  era invenção da minha cabeça). Foi a chegada da internet que me fez descobrir que o álbum de fato existia – além de todo o resto que expliquei aqui. Mas daí até eu conseguir pôr minhas mãos em uma cópia foi um longo caminho.

Porém, desde que isso aconteceu, ofertas por ele começaram a vir de todos os lados…

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MEMÓRIA | 1986/1987: o New Order conquista os EUA (e o mundo)

8e0704ba4bb4328098d54e41f6dd8309“Foi um show sensacional. Eu estava mais ou menos na quarta fileira, do mesmo lado onde Peter Hook estava no palco. Acho que me lembro de Bernard vestindo um short e uma camiseta da Adidas. Mais de uma vez vi garotas correndo e subindo ao palco para abraçá-lo”.

O trecho acima, publicado no site New Order On Line, faz parte de um breve relato de Tim Treat sobre o show do New Order no Poplar Creek Music Theatre, Chicago (EUA), no dia 16 de agosto de 1987. A cena descrita por Tim mostra o quanto a banda, naquela altura, já se encontrava bem distante no tempo e no espaço da atmosfera que cercava os concertos de sua primeira encarnação. A título de compração, o contraste entre essa apresentação e o famoso – porém infame – show do Joy Division no Derby Hall, em Bury (Inglaterra), no dia 08 de abril de 1980. Em vez de um anfieatro com capacidade para 20 mil pessoas, no qual já haviam tocado estrelas de primeira grandeza do rock/pop como Peter Frampton, B.B. King, Liza Minelli e Tina Turner, o Derby Hall era um antigo edifício vitoriano neoclássico com pouco mais de 500 lugares; além disso, o show do Joy Division ficou marcado por um grande tumulto, com direito a garrafas atiradas no palco e pancadaria generalizada. O episódio está bem representado no filme Control, de Anton Corbijn.

O show em Chicago, bem como toda turnê do New Order pelos Estados Unidos naquele ano, simbolizavam uma conquista: o sucesso comercial aliado à independência. A banda finalmente havia alcançado o sucesso que parecia reservado ao Joy Division, mas que fora adiado graças ao suicídio de seu vocalista e, também, timoneiro: Ian Curtis. Muitos talvez não saibam, mas naquela época, o último terço da década de 1980, não existia ainda o revival em torno do Joy Division; seu nome ainda não desfrutava do reconhecimento nem do sucesso com os quais foi laureado tardiamente. Foi como New Order que os sobreviventes do fim trágico operado por Curtis – Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris – conseguiram “chegar lá”. Naqueles tempos poucas eram a bandas que detinham o sucesso de público e, ao mesmo tempo, os aplausos da crítica.

O ano de 1987 foi, portanto, especial para o New Order. O grupo havia conquistado um dos maiores – e mais difíceis – mercados da música pop mundial: o norteamericano. Curiosamente, foi nos Estados Unidos (mais especificamente em Nova Iorque), bem no comecinho da década de oitenta, que o New Order encontrou a “tábua de salvação” que lhes libertou das sombras de Ian Curtis e do Joy Division. Já mais abertos às experimentações com sintetizadores e percussão eletrônica, resultado do período de estágio com o produtor Martin Hannett, o homem por trás das inovações sonoras presentes nos dois LPs do Joy Division – Unknown Pleasures e Closer -, Sumner, Morris e Hook, além de Gillian Gilbert (convidada a juntar-se ao trio poucos meses após a reestreia como New Order), incorporaram à sua música os beats e os grooves do pop eletrônico negro. Quando voltaram para a Inglaterra, já não eram mais os mesmos.

Em sua terra natal, produziram, em seguida, uma sucessão de singles de doze polegadas de grande êxito, como “Temptation”, “Blue Monday”, “Thieves Like Us” e “The Perfect Kiss”, bem como álbuns que, naquela época, tinham ares de novidade (Power, Corruption and Lies e Low Life), embora ninguem tivesse ideia precisa (pelo menos não naquele tempo) do quanto esses discos estavam antecipando o futuro do pop. Mas a “Conquista da América” começou a ser pavimentada mesmo em 1986, cinco anos depois das primeiras incursões pelos clubs de Nova Iorque. O filme Pretty in Pink, de John Hughes, lançado em fevereiro daquele ano, além de ter sido um sucesso estrondoso de bilheteria, ajudou a popularizar a música do New Order, já que trazia em sua trilha sonora três canções da banda (mas apenas “Shellshock” foi incluída no LP). Meses mais tarde, em novembro, o single “Bizarre Love Triangle”, o único saído do álbum Brotherhood, tomou de assalto as paradas de sucessos nos EUA: entrou no Top 10 na parada oficial de singles e ocupou a quarta posição na parada de Dance Club Songs da revista Billboard. Nada mal para uma música que, na Inglaterra, havia atingido o primeiro lugar tão somente na parada independente (na parada oficial não chegou sequer ao Top 50, vejam só).

Mas o New Order tomou de vez a América para si em agosto de 1987, quandos os singles da banda apareceram reunidos em um álbum duplo intitulado Substance. Dos doze singles incluídos no LP, nove não faziam parte de nenhum outro álbum já lançado pelo grupo; os demais, por outro lado, eram remixes expandidos em vez de album versions. O disco fez um enorme sucesso nos dois lados do Atlântico, mas foi nos Estados Unidos onde ele alcançou sua maior marca, ultrapassando 1 milhão de cópias vendidas. O impacto de Substance sobre o mercado norteamericano foi algo sem precedentes – de uma hora para outra resenhistas de influentes publicações estadudinenses, do The Village Voice à Playboy, estavam dedicando linhas ao disco e à banda. Também foi em 1987 que os LPs do New Order, de Power, Corruption and Lies a Substance, começaram a ser distribuídos no mercado brasileiro pela WEA (no ano seguinte a banda estaria aqui pela primeira vez para uma série de shows).


Fotos: New Order nos EUA com Echo & The Bunnymen (1987)

O lançamento de Substance nos EUA foi o estopim de uma turnê norteamericana ao lado do Echo & The Bunnymen (outra importante banda britânica da década de 1980) e o glam gothic Gene Loves Jezebel. A excursão começou em Minneapolis, no dia 13 de agosto de 1987, e terminou Berkeley, Califórnia, no mês seguinte. Foram lançados, para fins de divulgação da turnê, dois discos promocionais: um flexi disc de dez polegadas que trazia um remix de “State of the Nation” e um set de três vinis de doze polegadas (cada um dedicado a uma das bandas), com o qual o New Order contribuiu com “True Faith”. Ambos os discos são hoje peças de colecionador.

A turnê foi um sucesso de público e os shows foram, na sua grande maioria, realizados em grandes espaços, como o já citado Poplar Creek, e também em outros famosos anfiteatros norteamericanos, como o Red Rocks, em Denver (Colorado), e o Irvine Meadows, na Califórnia. E anos mais tarde a revista Rolling Stone, em seu Album Guide (2004), afirmaria que Substance, ao lado de Purple Rain de Prince e Immaculate Colection de Madonna, seria um “guia para a música popular da década de 1980”. O LP acabou indo parar na Enciclopédia de Música Popular de Colin Larkin em 1989.

Nada mal para uma banda que já foi recebida no palco com garrafadas apenas sete anos antes, não é?

REVIEW | Avaliamos o novo “Substance” do Joy Division (2xLP 180g + CD)

substancelpAs novas edições em vinis de 180 gramas com áudio remasterizado dos álbuns do Joy Division deram as caras nas lojas (lá fora) no finzinho do mês passado. Até aí, mais do mesmo: Unknown Pleasures (1979), Closer (1980) e Still (1981) já haviam sido reeditados em LP circa 2007A novidade desta vez foi a inclusão de Substance (1988) no pacote. E mais: o disco, uma coletânea de singles, foi transformado em álbum duplo. No video review abaixo, comentamos o “novo” rebento, também relançado em CD.

Errata do vídeo: ao contrário do que foi dito no video review, a faixa “Autosuggestion” sempre foi a #4 (e nunca esteve em outro lugar senão esse).


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iTUNES | Turbinando um clássico

Sem Título2Minha porta de entrada no som do New Order foi o álbum duplo Substance, de 1987, que ouvi pela primeira vez quando eu tinha onze anos de idade. Sou grato até hoje ao meu primo Paulo Roberto (ou simplesmente “Beto” entre os familiares) que não somente me concedeu a chance da primeira audição como também me deixou levar o disco emprestado para casa no mesmo dia. Lembro-me bem que quando eu descobri que o Beto possuía uma cópia “daquele disco duplo de capa branca” que tinha “Blue Monday”, a música que havia feito um “estrago irreparável” na minha vida, não consegui ter paz de espírito enquanto não ouvisse aquele álbum de cabo a rabo. Acabei desenvolvendo uma forte ligação afetiva com esse LP (se tivesse que escolher um único disco para levar comigo para uma ilha deserta, não tenho dúvidas de que seria esse). Eu até me lembro que, naquela época, finalzinho dos anos 80 e comecinho dos 90, ter um Substance em sua discoteca era quase um símbolo de status.

Substance foi um dos maiores sucessos comerciais do New Order. Só nos EUA foram vendidas mais de um milhão de cópias, o que para uma banda independente era um grande feito. Mas o que tornou esse disco tão especial? Bom, vamos lá… Embora a banda tivesse lançado bons álbuns, sua especialidade mesmo eram os singles, principalmente os de 12 polegadas (mesmo diâmetro de um long play). O New Order produziu alguns durante a década de 1980 que se tornaram verdadeiros arrasa-quarteirão. A proposta de Substance era a de reunir, em um álbum duplo, todos os 12″ lançados, desde o primeiro – “Ceremony” – até o o último (na época) – “True Faith”. Algumas das faixas nunca haviam aparecido em um álbum antes, enquanto outras eram versões estendidas ou remixadas, mas, sobretudo, exclusivas do formato single. Ou pelo menos até aquele momento.

Todavia, Substance, como compilação, não foi 100% fiel ao material que reunia. Em razão das limitações do formato LP, faixas como “Sub-Culture” e “Shellshock” tiveram que ser editadas. Além disso, a banda substituiu as gravações originais de “Temptation” e “Confusion” por versões novas, regravadas. Na versão em CD, foram subtraídos 40 segundos de “The Perfect Kiss”, também por causa do limite de espaço. Todavia, na edição digital enquanto os dois vinis ocupavam um disco inteiro, um segundo disco reunia os b-sides, em sua grande maioria dub versions (remixes que continham apenas alguns trechos dos vocais e uma série de efeitos sonoros). Mesmo assim, algumas coisas ficaram de fora.

Longe de mim criticar ou contestar a perfeição. Substance é maravilhoso do jeito que é. Mas sempre pensei comigo: se não existissem as restrições impostas pelas limitações dos formatos LP e CD, como Substance poderia ser? Com o auxílio do iTunes e, evidentemente, com os meus conhecimentos sobre a banda, criei uma versão alternativa para essa obra-prima, que batizei de Substance: Unlimited Edition. O Unlimited (ilimitado) é mais no sentido de que agora não haveria mais nada que pudesse impedir, por exemplo, que uma faixa “x” ou “y” pudesse ser incluída com sua duração original, ou que fosse possível produzir um álbum com quantas músicas fossem necessárias. Para dar uma cara de “clássico turbinado”, inverti as cores da capa. Agora temos um Substance “sinistro”, como se diz (ou se dizia) aqui no Rio, e a capa preta vem a calhar.

Para começar, Substance agora é um álbum triplo, que totaliza 48 faixas. O “Disc 1” é uma versão expandida do LP duplo original. De início, pus duas faixas que anteriormente tinham sido incluídas no disco de b-sides da versão em compact disc: “Procession” e “Murder”. A primeira, embora originalmente tenha batizado um compacto, foi incluída também no lado A do EP 1981-1982 – também conhecido como Factus 8 – e por isso foi “promovida” ao “Disc 1″; e a segunda nunca foi lado B de single algum, pelo contrário, é a canção que batiza um 12” lançado pela Factory Benelux em 1984. Também decidi substituir as regravações de “Temptation” e “Confusion” pelos mixes originais. Todavia, os remakes não foram descartados: foram transladados para o fim do disco um como faixas-bônus. “Sub-Culture” e “Shellshock” agora aparecem completas, com suas durações originais (7’26” e 9’41”, respectivamente, em vez de 4’47” e 6’27”). Finalmente, “1963” também recebeu uma promoção e saiu do CD#2 do Substance original para se transformar em bonus track de minha Unlimited Edition. Na sua origem, “1963” é o lado B de “True Faith”, mas esse pode ser considerado como um daqueles famosos casos de single de “duplo lado A”, como “Strawberry Fields Forever” / “Penny Lane”, dos Beatles. Faz tanto sentido que, nos anos 90, com o New Order em uma nova gravadora, as duas músicas foram relançadas em singles separados.

O “Disc 2” corresponde a uma versão revista e ampliada do disco de lados B da versão em CD. Se por um lado “Procession”, “Murder” e “1963” migraram para o “Disc1”, por outro o “Disc 2” traz uma série de novidades. Agora estão presentes os dois b-sides de “Everything’s Gone Green” – “Cries and Whispers” (que não fazia parte do álbum original) e “Mesh”. E com “Hurt” aparecendo em sua versão integral, com 8’13”, temos o Factus 8 completo na minha Unlimited Edition. Remixes “dub” que ficaram de fora do CD#2 original puderam entrar sem problemas: “Dub-Vulture”, “Shellcock”, “I Don’t Care” (também conhecida como “Bizarre Dub Triangle”) e “True Dub” (também creditada como “Alternate Faith Dub”), sendo que este último escolhi para substituir “1963” como lado B de “True Faith”, ao lado da faixa-bônus “Evil Dust”. O “Disc 2” finaliza com uma segunda bonus track, “Confusion Dub 1987”, versão instrumental da regravação de “Confusion” contida no Substance original e no “Disc 1” da Unlimited Edition.

A cereja do bolo vem no “Disc 3”. Muito antes dessa coisa de bandas saírem em turnê tocando na íntegra seus álbuns clássicos, o New Order já havia executado ao vivo o álbum Substance (o LP duplo original, é claro) inteiro, tocando as faixas na ordem exata. Isso foi no Irvine Meadows, Califórnia (EUA), no dia 12 de setembro de 1987. Pus o show completo no terceiro disco da minha versão alternativa, incluindo as músicas que não fazem parte do álbum e que estão na encore: duas do Joy Division – “Atmosphere” e “Love Will Tear Us Apart” – e uma do Velvet Underground – “Sister Ray”. Nem todas as versões ao vivo nesse show são fiéis às do disco. “Thieves Like Us”, por exemplo, foi tocada numa versão mais curta; em “Bizarre Love Triangle” a banda optou pelo arranjo original e que pode ser conferido no álbum Brotherhood (1986); o mesmo ocorreu com “Sub-Culture”, aqui mais próxima da versão de Low Life (1985) que a de Substance. Em todo caso, apesar da fonte da gravação não ser profissional, tem-se a impressão de um grande show, com uma resposta muito acalorada do público. E temos a banda, em um rápido momento de descontração no palco, dando uma canja de poucos segundos de “The Passenger” (instrumental apenas), de Iggy Pop!

A imagem abaixo é uma captura de tela do meu iTunes na qual o leitor poderá ter uma visão completa do meu Substance: Unlimited Edition. Confessa, vai… ficou poderoso, não é?


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