HISTÓRIA | “Technique” comemora 30 anos

techniqueEm uma entrevista concedida a Ian Harrison em 2008 para o livreto de uma edição remasterizada em CD de Technique, o hoje ex-baixista do New Order, Peter Hook, disse que o disco foi “uma disputa por poder entre eu e os sequenciadores… e eu resistia bravamente, porque eu ainda queria que nós fossemos uma banda de rock”. A declaração tem que ser entendida em seu devido contexto: o vocalista e guitarrista Bernard Sumner, também em entrevista a Harrison, explicou que “nós ficamos conhecidos por esse som eletrônico dançante e teria sido loucura de nossa parte parar de fazê-lo… era o espírito daquela época”.

O “espírito daquela época” ao qual Sumner se referiu era o que, com o tempo, ficou conhecido como “O Segundo Verão do Amor”: a dance music (em especial a vertente conhecida como acid house) havia tomado de assalto os dois lados do Atlântico em 1988 e foi um dos pilares de uma nova subcultura urbana marcada pelo hedonismo, pelo consumo nada moderado de LSD e ecstasy, um colorido berrante e o apogeu tanto de casas noturnas como 500 Club (também conhecido como “The Five”), Shoom e The Future, como também de festas ilegais (muitas delas em armazéns abandonados). Esse foi o caldo primordial que deu origem às raves e aos clubbers.

O New Order já estava metido nisso antes mesmo de começar a gravar Technique naquele mesmo ano. Ao lado de sua gravadora, a Factory Records, a banda era proprietária de um desses hoje lendários nightclubs: o Haçienda. Após alguns anos funcionando na base do “tranco”, o Haçienda enfim emplacou entre o finzinho da década de 1980 e o começo dos anos 1990. Nessa época tinha gente que chegava a viajar mais de duas horas de carro até Manchester para suar na sua pista de dança. O lugar também ficou famoso pelas brigas entre gangues e pelos tiroteios, mas isso (assim como sua atrapalhada administração) é uma outra história… O fato é que o Haçienda foi um dos grandes responsáveis por difundir o som acid house pela Europa, já que o gênero havia surgido originalmente nos Estados Unidos – e de quebra o clube ajudou a catalisar uma cena derivada que ficou conhecida como Madchester: bandas de rock alternativo que misturavam o pop psicodélico dos anos 1960 com batidas eletrônicas dançantes (Stone Roses, Inspiral Carpets, Happy Mondays etc).

O New Order era, então, uma espécie de “padrinho” dessa nova cena. Embalados por toda essa efervescência (e por uma aversão aos estúdios “sombrios e horríveis” de Londres, nos dizeres de Hook), seus integrantes fizeram as malas e foram para a ensolarada Ibiza, na Espanha, para gravar o que seria seu novo álbum. O estúdio Mediterranean, onde deram início às gravações, nem era tão bom assim. Mas tinha uma piscina e um bar aberto 24 horas. Porém, ao contrário do que diz a mitologia que rodeia Technique, o LP não foi totalmente gravado em Ibiza. Na verdade, o New Order produziu muito pouco enquanto esteve lá. Isso porque parte da estadia foi gasta nas discotecas locais em noitadas regadas a balearic beat, álcool e drogas. “Nunca nos divertimos tanto”, disse o mesmo Peter Hook à MTV europeia em 1993.

Uma vez que a atmosfera de Ibiza não era propícia à concentração e não combinava com uma rotina de trabalho duro em estúdio, o New Order se viu obrigado a voltar para a Inglaterra para terminar o seu rebento. As gravações prosseguiram então no estúdio Real World, de propriedade de Peter Gabriel, e que ficava em Wiltshire. Mas o estrago já estava feito: o novo material continha influências do acid house e do balearic beat. O grupo que um dia foi o sombrio Joy Division acabou por fazer de Technique seu disco mais “ensolarado” até então. Tal como diz a letra de “Dream Attack”, escrita por Bernard Sumnner (como todas as outras do LP), “Nada neste mundo se compara à música que eu ouvi quando acordei hoje de manhã… Ela pôs o sol em minha vida, cortou meu coração com uma faca… Foi como nenhuma outra manhã”.

O primeiro single, “Fine Time”, foi lançado ainda em 1988 e exatamente quando a banda estava de passagem pelo Brasil. Inclusive, os brasileiros foram os primeiros a ouvir, ao vivo, faixas do disco que ainda sequer havia sido lançado na Inglaterra. “Fine Time” teve um desempenho apenas razoável na parada britânica ao alcançar o décimo primeiro lugar. Mas com o lançamento do álbum em janeiro do ano seguinte e do segundo single, “Round and Round”, em fevereiro, Technique acabou indo parar no topo da parada inglesa. Era o primeiro disco do New Order a conseguir esse feito.

Aplaudido tanto pela crítica quanto pelo público, Technique se transformou na obra-prima do New Order; é o trabalho mais bem acabado da banda e se tornou, também, parâmetro de comparação com tudo o que veio depois. Veio a ser, inclusive, o último álbum totalmente produzido pelo grupo. O disco também figura em diversos rankings, como o dos “40 Melhores Álbuns dos Anos 80”, da Q Magazine, ou dos “500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos” do New Musical Express.

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O deus Dionísio (Baco para os romanos) representado como um menino

A capa, com suas cores fogosas, foi produzida pelo designer Peter Saville em parceria com o fotógrafo Trevor Key e mostra a estátua de um querubim. O artista gráfico o encontrou em uma feira de antiguidades e o alugou para que Key pudesse fazer a foto. Segundo Saville, o querubim evocava uma “imagem dionisíaca” (Dionísio, para os gregos, ou Baco, para os romanos, era o deus das festas campestres, do vinho, da libido e da fecundidade) que representava apropriadamente o hedonismo movido a drogas do “Segundo Verão do Amor”. Saville também costuma relatar uma bizarra coincidência envolvendo a capa criada para Technique: uma de suas inspirações nesse trabalho foram as serigrafias de Andy Warhol, porém antes de ver a capa pronta Rob Gretton, empresário da banda (falecido 1999), disse ao designer que o álbum se chamaria Peter Saville’s New Order em referência a The Velvet Underground and Nico Produced by Andy Warhol, LP de estreia do Velvet Underground que teve tanto o disco quanto a capa produzidos pelo maior expoente da pop art. Todavia, a banda acabou mudando o título do long play sacando uma palavra do verso “You’ve got love technique” (trad.: “você tem a técnica do amor”), de “Fine Time”.

 

No Brasil o álbum foi lançado alguns meses mais tarde, puxado pelo sucesso estrondoso de “Round and Round” nas rádios. Algumas das emissoras de pop/rock daqui chegaram a sortear entre os ouvintes cópias promocionais de Technique que possuíam um encarte extra exclusivo em forma de LP que continha as letras das músicas em inglês e em português. Essas cópias hoje são verdadeiras peças de colecionador e são muito procuradas por fãs gringos da banda.

A turnê de Technique se estendeu entre os meses de janeiro e agosto de 1989, com destaque para nada menos que 35 datas só nos EUA, compreendidas entre abril e julho. Mas foi justamente durante essa temporada em solo norteamericano, especificamente horas antes do concerto no Irvine Meadows Amphitheatre (em Irvine, Califórnia), que ocorreu a famosa reunião da banda com Tony Wilson, chefe da Factory, na qual a banda não somente tomou conhecimento do tamanho do buraco financeiro da gravadora (que financiava sua participação no Haçienda com a receita da venda dos discos do New Order), como também foi comunicada sobre a intenção de Bernard Sumner de “dar um tempo” para cuidar de um projeto solo (o Electronic, ao lado do ex-Smith Johnny Marr). O próximo álbum, Republic, só viria quatro anos depois.

O que aconteceu nesse intervalo todo mundo sabe: após um inédito primeiro lugar na parada de singles do Reino Unido com o tema oficial da seleção inglesa de futebol no Mundial de 1990 (“World in Motion”), o grupo se desmembrou em projetos paralelos de menor expressão (além do Electronic de Sumner, vieram o Revenge de Peter Hook e o The Other Two do casal Gillian Gilbert e Stephen Morris), a Factory faliu e o Haçienda virou um ralo por onde escoava rios de dinheiro. Em outras palavras: os excessos e o desbunde do final da década de 1980 haviam se transformado em ressaca. Mas quando se coloca Technique para ouvir, é impossível não ter a sensação de que a festa afinal foi muito, muito boa. É um disco que ainda hoje soa moderno e original – e ele pode ser considerado a imagem invertida de Unknown Pleasures, que eles haviam lançado ainda como Joy Division dez anos antes. Não seria a dor e o êxtase os dois lados da mesma moeda?

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REVIEW | Peter Hook & The Light ao vivo no Audio Club, SP (10.10.2018)

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Foto: Yuri Murakami (Music Drops)

Num bar bem próximo ao Audio Club, em São Paulo, algumas horas antes do show do Peter Hook & The Light, um grupo de fãs que dividia uma mesa havia chegado a uma melancólica conclusão: que fazer ininterruptas turnês pelo mundo tocando os velhos sucessos em palcos minúsculos e para pequenas audiências era algo um tanto quanto deprimente para quem havia feito parte de uma banda que outrora foi sinônimo de vanguarda.

Provavelmente muitas pessoas pelo mundo afora compartilham esse mesmo sentimento. Mas basta Peter Hook entrar em cena e começar a palhetar seu baixo (sempre colocado à altura dos joelhos) para esse lamento desaparecer. Como já dissemos aqui no blog em ocasiões anteriores, Hook conhece bem as armas que tem e sabe usá-las com destreza. Ele tem carisma e presença de palco, o que faz com que boa parte da plateia nem se incomode tanto com o fato de que seus vocais são sofríveis e que, ainda por cima, ele não consegue tocar baixo e cantar ao mesmo tempo (coube a Yves Altana a tarefa de dar aquele par extra de mãos nas quatro cordas). Além disso, ao contrário da versão atual de sua ex-banda, ele oferece ao público porções bem mais generosas de clássicos do Joy Division, para o delírio de uma nova geração de fãs que surgiu no rastro do revival em torno do grupo nas últimas décadas. E de quebra suas turnês vêm percorrendo quase a totalidade do extenso catálogo que ele ajudou a construir ao longo de trinta anos. Em outras palavras: Hook é o sujeito que costuma entrar em campo com o jogo já ganho.

Mas no palco do Audio o que se viu ao longo de duas horas e meia de performance foi uma apresentação com vários altos e baixos. Comecemos pela sonorização: no set de abertura, totalmente dedicado ao Joy Division, o som estava tinindo e “no talo”; mas foi só entrar no repertório do New Order, mais eletrônico e cheio de camadas, que os problemas aqui e ali começaram a aparecer. Embora os baixos elétricos de Hook e Altana soassem bem potentes, os grooves eletrônicos de certas faixas eram praticamente inaudíveis. Em “Fine Time” e “All the Way”, por exemplo, algumas linhas de teclado também soavam muito baixas. Uma bela versão de “Run” foi lamentavelmente prejudicada em seus instantes finais por um apagão (literalmente falando) no sintetizador do tecladista Martin Rebelski. No bis – estelar – as coisas pareciam mais bem equilibradas novamente nesse aspecto, para sorte do público (que, diga-se de passagem, não lotou a casa).

Com relação à parte musical, havia chegado a vez de Peter Hook revisitar em solo brasileiro os álbuns Technique (1989) e Republic (1993). De um lado, um disco que muitos consideram a obra-prima do New Order e que veio a ser o último lançado pela banda na gravadora Factory; de outro, um LP bem sucedido comercialmente, puxado por um single poderoso, mas que contém um repertório bastante irregular em termos de qualidade.  Ao vivo, Hook e sua banda até que se esforçaram para oferecer à plateia uma versão de Technique digna do seu sucesso e de sua importânciamas poucos foram os momentos de brilho no bloco dedicado ao álbum. Dentre eles, “Round and Round”, “Vanishing Point” e “Dream Attack”.

Curiosamente, o disco mais fraco – Republic – ganhou do The Light uma interpretação mais competente que seu badalado antecessor. Entretanto muitos nem perceberam. Durante o bloco de canções do disco muita gente saiu da pista e foi para o bar ou simplesmente ficou perambulando pela casa, tirando selfies e jogando conversa fora. Uma versão pouco animada do clássico “Regret” (que abriu essa terceira parte do show) pode ter plantado uma semente de dúvida no público. Todavia, quem não arredou o pé curtiu boas e bem executadas versões de “World”, “Spooky”, “Young Offender”, “Liar” e “Times Change”. A decepção foi “Avalanche”, faixa que encerra Republic: em vez de tocada ao vivo, teve sua versão original de estúdio lançada no P.A. para servir de pausa para respirar antes da apoteótica encore.

No bis, “Hooky” e o The Light voltaram ao palco com sangue nos olhos. “Blue Monday”, mesmo com seu groove soando baixo, fez a pista lotar novamente. E o que rolou em seguida foi um bailão daqueles: “Ceremony”, “Temptation”, “True Faith” e, como gran finale, “Love Will Tear Us Apart”.

Considerando os resultados desiguais entre as canções dos álbuns tocados na íntegra (desta tour e, também, das outras anteriores), o ideal seria que Peter Hook e seus colegas do The Light fizessem um show só de canções escolhidas a dedo, como costumam fazer no set abertura dedicado ao Joy Division e nas encores. Isso resultaria num concerto bem mais equilibrado e sem o risco de ter a pista esvaziada em alguns momentos. Afinal, convenhamos: será que o público estaria mesmo interessado em ouvir, na próxima turnê, o disco Waiting for the Sirens’ Call da primeira à última faixa?

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REVIEW | “New Order’s Technique & Republic Live in London” (Peter Hook and The Light)

largeAcaba de sair pelo selo Live Here Now (e através da plataforma direct to fan Pledge Music) uma amostra do que está para vir na quarta-feira próxima, dia 10 de outubro, no palco do Audio, em São Paulo: New Order’s Technique & Republic Live in London, o novo CD (triplo) de Peter Hook e seus fiéis escudeiros do The Light, e cujo repertório cobre, na íntegra, os dois LP’s de sua ex-banda que atingiram o topo da parada de álbuns na Inglaterra em 1989 e 1993, respectivamente, além de um set só de músicas de outro antigo grupo seu, um certo Joy Division.

O disco e a subjacente turnê que já está percorrendo a América Latina (Hook toca amanhã em Buenos Aires) representam mais uma etapa do projeto iniciado pelo baixista em 2010, que é o de tocar ao vivo todos os álbuns e singles já lançados pelo Joy Division e pelo New Order e em ordem cronológica. Agora chegou a vez de Technique Republic, além de compactos como “World in Motion”. O show que acabou de sair em CD foi gravado no Electric Ballroom, em Candem Town (arredores de Londres) no dia 28 de setembro deste ano. Como de costume, a qualidade da gravação produzida pela equipe da Live Here Now é impecável – e se mantém dentro do atual “conceito” de registros ao vivo que soam quase como se fossem gravações de estúdio. Entretanto, o som excessivamente limpo, destituído daquela “sujeira” natural típica de um concerto ao vivo – os urros da plateia, reverberações, ecos etc. – pode às vezes colocar em relevo aquilo que seria preferível não se ouvir direito, que pode ser um grave sem muita potência (um dos grandes males de quase todos os discos ao vivo do The Light) ou os vocais sofríveis de Peter Hook.

Com relação a esse segundo quesito, vale dizer que até não foi uma má ideia convocar o guitarrista David Potts para dar um reforço extra em muitas músicas – e, convenhamos, tal estratégia foi a salvação em algumas faixas. Mas na maioria das vezes o intento não logra êxito e Potts, cujo timbre vocal é mais semelhante ao de Bernard Sumner (vocalista e guitarrista do New Order) que o de Hook, não consegue resolver a parada. “Regret” sem a voz (ainda que sem brilho e já bastante cansada) de Sumner definitivamente não funciona. O baixista parece não ter feito direito os seus cálculos e desconsiderou que Technique Republic talvez sejam os discos do New Order cujas as músicas mais teriam sido especialmente projetadas para se adequarem ao tom de Bernard (uma preocupação virtualmente inexistente em LP’s anteriores). E uma vez que a banda optou por não mexer muito nos arranjos, temos aquela incômoda sensação de que alguem está tentando fazer peças quadradas passarem através de buracos redondos.

Com relação aos aspectos estritamente musicais, temos altos e baixos ao longo do disco. Mas tais oscilações pouco têm a ver com as recentes mudanças na formação do The Light. Nos teclados, a vaga de Andy Poole (que estava na banda desde 2010) foi preenchida por Martin Rebelski (ex-Doves); no segundo baixo, Yves Altana substitui Jack Bates, filho de Hook, que por ora está a prestar serviços ao Smashing Pumpkins. O set de abertura do show, composto só de músicas do Joy Division, desce redondo – sendo esse o material mais exaustivamente tocado por Peter Hook e o The Light ao longo desses últimos oito anos (fora o extra de que o timbre grave da voz do baixista se encaixa melhor no repertório do JD), não existem ressalvas a serem feitas aqui. Ao todo são três pedradas punk (“No Love Lost”, “Warsaw” e “Leaders of Men”), “Digital” e seu interminável refrão, a soturna “Autosuggestion” e a clássica “Transmission”. Um começo de show desses faz “Fine Time”, de Technique, parecer um anticlímax, sobretudo porque a versão do The Light nos faz ter a estranha sensação de que falta algo… Stephen Morris, talvez? Ou Bernard Sumner emulando Barry White com a ajuda do vocoder?

“Fine Time” realmente soa aqui como prenúncio da destruição de um álbum clássico, mas a sequência formada por “All the Way”, “Loveless” e “Round and Round” consegue apagar temporariamente a má impressão inicial, com destaque para a última. Infelizmente, o crescendo é interrompido por fracas versões de “Guilty Partner” e “Run”. Todavia, Hook e sua banda conseguem se recuperar com boas execuções de “Mr. Disco”, “Vanishing Point” e “Dream Attack”. Apesar de uma competente sequência final, a versão para os palcos da maior obra-prima do New Order passa longe da apoteose que o público espera.

Por incrível que pareça, Republic, considerado um disco inferior e desequilibrado, se saiu melhor nesse registro ao vivo que seu gabaritado antecessor. Como dissemos anteriormente, esqueça a versão do The Light para “Regret”. Por outro lado, os ouvintes se surpreenderão com ótimas interpretações de singles como “World” e “Spooky”, ou de faixas menos badaladas como “Young Offender” e “Times Change” (o único rap já gravado pelo New Order); “Liar” surpreendentemente soa aqui muito melhor que a gravação original; já “Ruined in a Day”, que ganhou um belíssimo arranjo que mesclou partes de versão original com trechos do (excelente) remix feito pela dupla K-Klass em 1993, perdeu alguns pontos por causa de uma constrangedora atuação de Hook como vocalista (para variar…); e misteriosamente a performance de Republic se encerra com uma decente execução de “Special”, já que inexplicavelmente o tema instrumental “Avalanche”, que conclui a versão de estúdio do álbum, ficou de fora do tracklist (a presente resenha foi feita a partir de uma versão para download adquirida oficialmente no site da Pledge Music).

Já as músicas do bis – aquelas escolhidas a dedo para todo mundo cantar junto – não ficaram fora do disco, é claro: “World in Motion”, “Blue Monday”, “Temptation” e “Love Will Tear Us Apart” (Joy Division) fazem o gran finale. Com uma sequência dessas quase é possível esquecer os tropeços encontrados aqui e ali ao longo desse New Order’s Technique & Republic Live in London. Para os fãs mais viscerais é um item que muito provavelmente não poderá faltar na coleção. Já para os não tão obcecados assim, é certo de que não deve suscitar grande procura. Afinal, para o público médio interessa muito mais ver Peter Hook em ação no palco – com toda a força de seu carisma –  do que ouvi-lo em um CD ao vivo. E ele saciará essa nossa necessidade mais uma vez na quarta-feira. Até lá.

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NEWS | Peter Hook em “queima de estoque”

IMG_4616Pelo visto, a venda de ingressos para o show do Peter Hook (ao lado sua atual banda, o The Light) no próximo dia 10 de outubro, em São Paulo, não vai de vento em popa. A Ticket 360, empresa responsável pela bilheteria, lançou uma inusitada promoção dias atrás: na compra de um ingresso, o cliente leva mais um de graça para presentear um amigo. Não, você não leu errado… É isso mesmo: leve dois, pague um.

Descontando o fato de que será a quinta vez de Peter Hook no Brasil em sete anos, pode se dizer que o ex-baixista do Joy Division e do New Order teve um pouco de azar desta vez. Seu show foi programado bem no meio de uma sequência de concertos de vários contemporâneos seus por aqui: o Killing Joke tocou em São Paulo na último domingo; Peter Murphy e David J. celebrarão os 40 anos do Bauhaus três dias antes do show do Hooky, também em Sampa; Morrissey e o próprio New Order chegam em novembro. Ainda por cima há rumores sobre um retorno do Cure ao país. Com o dólar alto, economia em crise e tantos nomes que compartilham entre si o mesmo público, Peter Hook acabou indo para o fim da fila. Os fãs têm que cruzar os dedos para não se repetir aqui o que aconteceu no Chile em 2016: o show do The Light acabou cancelado, muito provavelmente devido à baixa procura por ingressos (culpa, talvez, do New Order, que se apresentou na mesma semana – e no mesmo teatro – em que o baixista estava escalado para tocar).

Peter Hook trará ao Brasil uma nova turnê que estreia hoje na Inglaterra e na qual se dedicará a tocar, na íntegra, os álbuns Technique (1989) e Republic (1993). Segundo o site Pledge Music, o show de daqui há dois dias, no Koko (Candem, Grande Londres) será gravado e lançado em CD triplo pela Live Here Now. O disco será vendido apenas via plataforma direct to fan pela Pledge Music, a exemplo de lançamentos anteriores do The Light. Certamente publicaremos resenhas tanto do disco quanto do show (se houver) aqui no blog.

Quem quiser ouvir uma amostra do que vem por aí, no You Tube dá para conferir “Regret” e “Run” in session no programa de Marc Riley na BBC-6 e que foi ao ar em 19 de março deste ano.

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NEWS | Trazendo as boas novas! Peter Hook volta ao Brasil e integrantes do New Order criam novo projeto paralelo

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Olá, pessoal!

Depois de uma longa pausa, eis que estamos de volta para dar aos leitores do blog as últimas novidades sobre a nossa banda favorita e tudo o mais que a ela estiver relacionado. Antes disso, faz-se necessário pedir desculpas aos que por aqui acompanham todos os passos de nossos heróis. O tempo dedicado aos posts ficou mais escasso depois que começaram as responsabilidades de pai de primeira viagem, isso sem falar na correria do trabalho. Com o tempo que sobra a gente tenta, na medida do possível, manter o blog minimamente atualizado, ainda que os intervalos entre os posts se tornem maiores.

Mas agora vamos ao que interessa… Comecemos pelas últimas do Peter Hook e sua banda-tributo The Light. Eles estão neste exato momento em mais uma hercúlea maratona de shows pela América do Norte dando prosseguimento à tour no qual apresentam ao vivo as duas coletâneas intituladas Substance – a do New Order, lançada em 1987, e a do Joy Division, editada no ano seguinte. Durante a viagem, anunciaram os shows que farão em outubro deste ano em Buenos Aires e em São Paulo, onde tocarão os discos Technique (1989) e Republic (1993), os dois únicos álbuns do New Order que chegaram ao primeiro lugar na parada britânica. Os concertos terão um set de abertura dedicado ao Joy Division, o que já era de se esperar. Uma prévia dessa nova turnê rolou março deste ano no programa de Marc Riley na BBC 6, no qual Peter Hook e o The Light tocaram “Regret” e “Run”. Nas entrevistas que vem dando à imprensa durante a excursão pela América do Norte, o baixista diz que continua escrevendo material inédito e que existe uma pressão do guitarrista do The Light, David Potts, para reativarem em algum momento o projeto Monaco, que criaram juntos na década de 1990. Além disso, Hook confirmou que vem trabalhando com Wolfgang Flür, ex-Kraftwerk, mas não entra em detalhes sobre essa parceria.

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Peter Hook voltará ao Brasil em outubro

No entanto, ficamos devendo ao leitor um review do último CD do Peter Hook & The Light, Live at Camden Roundhouse, lançado em dezembro do ano passado… Foi mal, pessoal…

Já o New Order… recentemente o grupo esteve em Turim, na Itália, para apresentar uma versão mais longa do concerto originalmente concebido para o Festival Internacional de Manchester no ano passado. A banda subiu ao palco no Officini Grandi Riparazioni no último dia 05 com o time de doze tecladistas extras da Northern School of Music, o maestro Joe Duddell e os efeitos de luz do artista visual Liam Gillick. Mais uma vez canções que há muito tempo não eram tocadas ao vivo, como “Dream Attack”, “Vanishing Point”, “All Day Long”, “Ultraviolence” e “Sub-Culture” fizeram a alegria dos fãs das antigas, muitos vindos de outras partes da Europa só para testemunhar esse momento (o set list completo pode ser visualizado AQUI). A banda levará esse show para Viena como parte do Wiener Festwochen nos dias 12 e 13 deste mês. Depois, o New Order fará um show “normal” no Incuya Music Festival, Cleveland (EUA), em agosto. E isso é tudo que a banda tem programado para este ano e talvez não vá muito além disso…

Ou não… Um post recente do Tom Chapman, atual baixista do New Order, em sua página no Instagram deixou muita gente de orelha em pé e bigodes arrepiados. Na postagem ele aparece em uma foto ao lado do guitarrista/tecladista Phil Cunningham acompanhada da legenda “filmando o documentário sobre o New Order em Manchester”. Documentário? Como assim? Bom, a verdade é que só os desavisados e aqueles que tem memória curta não sabem exatamente do que se trata. Em 2013, o produtor musical e DJ Arthur Baker concedeu uma entrevista a Gregor Muir para o site do Institute of Contemporary Arts de Londres na qual dizia estar produzindo um documentário sobre a banda com a direção de Don Letts. Como não se falou mais nada a respeito disso de lá para cá, muita gente parece ter se esquecido da história. Vale lembrar que Bernard Sumner e Stephen Morris apareceram no filme anteriormente produzido por Baker, o elogiado 808, um documentário dirigido por Alexander Dunn sobre a legendária drum machine Roland TR-808 e seu impacto sobre a música popular. Bom, mas para quando é o novo doc do New Order? Ninguem sabe ainda e excetuando a entrevista do Muir com o Baker e o post do Tom Chapman, não se encontra mais nada a respeito disso na internet.

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E falando na dupla Chapman/Cunningham… bom, a essa altura do campeonato já não é mais possível chamá-los de “os novos integrantes do New Order”. Phil Cunningham está com a banda desde 2002 (dezesseis anos) e Tom Chapman desde 2011 (sete anos). Então, não seria equivocado chamar o novo grupo do qual fazem parte, o ShadowParty, de “projeto paralelo ao New Order” como eram o Electronic do Bernard Sumner, o The Other Two do casal Gillian Gilbert e Stephen Morris, ou o Revenge de Peter Hook. Por uma estranha coincidência, o ShadowParty é formado por músicos que não faziam parte das formações originais/clássicas das bandas nas quais tocam “oficialmente”. Cunningham e Chapman estão com o New Order; ja os outros dois membros do novo time, Josh Hager e Jeff Friedl, tocam guitarra/teclados e bateria respectivamente no Devo. O quarteto acaba de lançar o seu primeiro single, o agradável “Celebrate”, e o album de estreia está previsto para sair em julho deste ano, pela Mute Records (o atual selo do New Order). As conexões com o New Order não param por aí. O maestro Joe Duddell, que assinou os arranjos de cordas do último CD da banda, Music Complete, e que vem regendo a “orquestra” de tecladistas que andou acompanhando o New Order ao vivo, foi um dos colaboradores no début do ShadowParty; Denise Johnson, que já fez backing vocals para o Electronic e o próprio New Order, também faz participação especial. O som? Pela descrição no site da Mute (e pelo o que se ouve em “Celebrate”) trata-se de um blend eletrônica-guitarras-cordas. Tomara que venha um bom álbum por aí para a gente resenhar aqui no blog.

Para encerrar por hoje: Barry Harris, que se autoproclama o “primeiro DJ do mundo a compor, produzir e tocar um hit no Top 5 internacional”, mas que ficou famoso mesmo na década de 1980 quando integrou a dupla canadense de synth pop Kon Kan (que já se apresentou no Brasil e emplacou por aqui os sucessos “I Beg You Pardon” e “Harry Houdini”), disponibilizou recentemente em sua página no Soundcloud um remix de “Bizarre Love Triangle” (graaaaaande novidade…). Já perdeu a conta de quantos remixes de “Bizarre Love Triangle” você já ouviu? Nós também! Em todo caso, segue o player para quem quiser conferir.

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MY STUFF | “Engraved steel keyrings”

DSCN0823_FotorComo as coisas eram mais difíceis na década de 1980… Singles e EPs do Joy Division e do New Order somente nas lojas que vendiam discos importados (como a hoje extinta Modern Sound, em Copacabana), onde se pagavam verdadeiras fortunas; ou através daqueles poucos amigos ou “conhecidos” que viajavam para o exterior. O mesmo valia para as camisetas: hoje é moleza ver por aí a garotada vestida de Unknown Pleasures, mas naquela época só dava mesmo era camiseta do Iron Maiden e olhe lá. Se bem que, outro dia, vi uma NÃO OFICIAL (ou seja, não licenciada) em uma loja de um shopping de um bairro nobre aqui do Rio custando mais de R$ 100. Bom, mas pelo menos você hoje pode encontrar uma camiseta do Joy Division num shopping – mas, felizmente, existem outras piratas (bem legais) mais baratas por aí. E a internet tornou mais fácil o acesso ao material musical (físico ou digitalizado, pago ou “gratuito”).

E não apenas isso… Tecnologias novas e cada vez mais baratas / acessíveis vêm popularizando uma série de produtos e serviços que vem ajudando fãs dos mais variados artistas e das mais diversas mídias a ter uma coleção sem limites de quinquilharias personalizadas (ok, estamos aumentando a quantidade de lixo no mundo, mas o indivíduo alcunhado de “fã”, seja lá do que ou de quem, não prima muito por essa qualidade conhecida como “bom senso”). Graças, por exemplo, a invenção de impressoras com cabeçotes de impressão de ponta de diamante, pode-se imprimir, gravando microssulcos imperceptíveis ao olhar e insensíveis ao tato, imagens detalhadas, em alta definição, sobre aço inoxidável. Foi com essa técnica que criei, com uma ajuda de minha esposa, esse chaveiro personalizado do álbum Technique (1989), do New Order. Ah, antes que alguem pergunte: não estão à venda. Um eu fiz para mim mesmo; o outro é para dar de presente.