NEWS | Um passarinho me contou…

IMG_1333Não se trata de uma informação oficial, mas veio de uma fonte segura – o que é o bastante para deixar os fãs animados. Um contato mais do que confiável do blog teria conversado com um membro do road crew do New Order na semana passada durante o Riot Fest, em Chicago, evento no qual a banda se apresentou, e ele teria dito que está nos planos de Sumner, Gilbert, Morris, Cunningham e Chapman para 2018 uma excursão pela Europa com o espetáculo que produziram especialmente para o Festival Internacional de Manchester este ano. Para quem não sabe do que se trata, foram cinco apresentações nas quais o New Order foi acompanhado no palco por uma “orquestra” de doze sintetizadores tocados por jovens músicos da Northern College of Music regidos pelo maestro Joe Duddell e que contou também com cenografia e efeitos visuais assinados pelo conceituado artista multimídia Liam Gillick. Nesses shows, realizados nos antigos estúdios da TV Granada (Manchester), o grupo substituiu o manjado set recheado de hits por um repertório concentrado em canções que a banda não tocava ao vivo há anos.

Esses shows receberam aclamação tanto da crítica quanto do público e ganharam bastante destaque na imprensa europeia. Algumas faixas apresentadas nesses concertos foram integradas ao set da mais recente passagem do New Order pelos Estados Unidos. O contato do blog nos disse ainda que cidades como Berlim e Viena estão na mira da banda para essa tour europeia no ano que vem. A seguir apresentamos, por álbum, a relação das músicas que foram tocadas este ano durante o Festival Internacional de Manchester e que poderão fazer parte desses tão ansiosamente aguardados shows em 2018:

Power, Corruption & Lies (1983): “Ultraviolence” e “Your Silent Face”.
Low Life (1985): “Elegia” e “Sub-Culture”.
Brotherhood (1986): “Bizarre Love Triangle” e “All Day Long”.
Substance (1987): “Shellshock”.
Technique (1989): “Vanishing Point” e “Dream Attack”.
Republic (1993): “Times Change” (versão instrumental).
Get Ready (2001): “Behind Closed Doors” (lado-B do single “Crystal”).
Waiting for the Sirens’ Call (2005): “Who’s Joe” e “Guilt is a Useless Emotion”.
Music Complete (2015): “Plastic”
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Joy Division: “Disorder”, “Decades” e “Heart and Soul”.

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NEWS | Cheiro de Brasil no ar: New Order voltará à América do Sul em dezembro

NewOrderPara2Eis que agora é oficial: ontem e hoje foram anunciados dois concertos do New Order aqui na América do Sul. O primeiro será em Santiago (Chile), no Teatro Caupolicán, no dia 04 de dezembro; o segundo será na edição colombiana do festival Sónar, no centro de convenções Corferias, em Bogotá, três dias depois. Com isso, aumentam as chances de outros países da região entrarem no circuito, como Argentina e, é claro, o Brasil. Todavia, os fãs do continente têm motivos para se desesperar com a falência à vista: a vinda do New Order coincide com a turnê de Peter Hook e o seu The Light pela América do Sul. Para se ter uma ideia, “Hooky” se apresentará no mesmo Teatro Caupolicán no dia 07 de dezembro; e entre os dias 01 e 06/12 ele estará aqui em Terra Brasilis para se apresentar no Rio, em Porto Alegre e em São Paulo. As chances de uma eventual data no Brasil cair bem entre os shows no Chile e Bogotá é grande, pois o mais lógico seria o New Order finalizar a tour na Colômbia e de lá retornar para a Europa. Mas nada foi divulgado ainda com relação ao retorno da banda por estas praças. Dedos cruzados!

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NEWS | Boas e más notícias…

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Peter Hook voltará ao Brasil com seu The Light este ano

Após uma pausa para férias, nosso blog volta com todo o gás trazendo as últimas novidades. A primeira é a confirmação da vinda de Peter Hook, ex-baixista do Joy Division e do New Order, à América do Sul este ano. Com a banda The Light, “Hooky” trará em dezembro seu mais recente e bem sucedido show, Performing the albums ‘Substance’ by Joy Division and New Order, para o Brasil, além de Argentina, Chile e Uruguai. Por aqui, serão três concertos: Teatro Rival, no Rio de Janeiro (01/12); Bar Opinião, em Porto Alegre (03/12); e Cine Jóia, São Paulo (06/12). Até momento, a venda de ingressos está disponível apenas para a apresentação no Cine Jóia. E os cariocas poderão comemorar finalmente, já que desde 2011, com Perform Joy Division’s ‘Unknown Pleasures’ (com o qual pôs o Circo Voador abaixo), que Peter Hook não toca na Cidade Maravilhosa.

A má notícia é para quem esperava que o New Order também confirmasse sua vinda à América do Sul em 2016. Fontes seguras do blog estiveram pessoalmente em contato com o management da banda após apresentação no Flow Festival, Finlândia, no dia 14 último e confirmaram que estava em curso, sim, negociações para uma turnê sulamericana que aconteceria em novembro (conforme chegamos a publicar). Entretanto, o New Order abortou por ora os planos de vir tocar por aqui, em princípio porque queriam diminuir o ritmo das viagens nesse momento. De acordo com as fontes, essa decisão foi da banda e a contragosto do management, que disse ainda: “talvez no ano que vem”.

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RELATO | Atrás do New Order em Lima

no15O show do New Order em Paris em novembro do ano passado, sobre o qual já relatei em outros posts, não foi o primeiro que “caiu no meu colo” durante uma viagem por motivos profissionais. Isso já havia acontecido em abril de 2013, quando essa mesma formação do New Order (Bernard Sumner, Gillian Gilbert, Stephen Morris, Phil Cunningham e Tom Chapman) voltou à América do Sul para duas apresentações: uma em Lima, Peru, e outra em Bogotá, Colômbia (esta última como atração do festival Estereo Picnic). Eu participaria de um encontro / congresso latinoamericano de profissionais da minha área em Lima e o calendário do evento coincidiu com a data da apresentação do New Order na Explanada Sur do Estadio Monumental, na capital peruana. Só que, ao contrário de Paris, eu tive companhia brasileira nesse show. Parcerias de outros carnavais do grupo New Order Brasil tambem estavam de passagens e ingressos comprados para curtir o show em Lima: Ricardo, Marcelo, Andréa, Robertão e Luis Sobrinho. Belo time.

Exceto eu, todos se hospedaram na região de Miraflores. Eu era o único no Centro Histórico, mas me instalei lá por questões de praticidade: o congresso no qual estava inscrito aconteceria em espaços espalhados por diversos pontos da parte antiga da cidade, então era mais cômodo me estabelecer nessa área do que ficar em um lugar mais afastado. Mas foi uma ótima escolha por outros motivos também, como hospedagem mais barata, proximidade com diversos pontos de interesse turístico (a Plaza Mayor, a Casona da Universidade de San Marcos, a Catedral e outras igrejas do período colonial, balcones restaurados e conservados, museus, um polo gastronômico etc) e um ponto de venda e resgate de ingressos da Teleticket a cinco minutos a pé do meu hotel, dentro de um grande supermercado. Inclusive, quando estive lá para buscar meu bilhete, reparei que o quisque era todo coberto por pôsteres de shows de diversos artistas, locais e internacionais – o que me fez perguntar à atendende se não haveria algum do show do New Order sobrando para me dar. Infelizmente, não havia nenhum (não havia sequer um fixado no quiosque), mas a moça achou em uma gaveta dois flyers (os últimos) que gentimente me ofereceu no lugar do pôster.

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Flyers oficiais do show em Lima

Na noite do show, fui me encontrar com Ricardo, Marcelo e Robertão no hotel em que estavam hospedados, em Miraflores. De lá pegaríamos um táxi para o Estadio Monumental, que ficava bem longe ali. Andrea estava lá desde o começo da tarde, pois queria garantir para si um excelente lugar (na grade, em frente ao palco, é claro). Luis Sobrinho apareceria por lá depois. Só nos veríamos todos já no interior do setor “Blue Monday” (o de preço mais salgado, mas era o que compreendia as primeiras fileiras da pista). Quando nos encontramos lá dentro, Andréa já havia conseguido demarcar seu “território” no gargarejo. Em uma rápida conversa, nos disse que dentre as poucas coisas que havia conseguido discernir enquanto ouvia a passagem de som do lado de fora, teve a impressão de ter escutado “World” (se a tocaram ou não no soundcheck, não fez diferença, pois também não a tocaram no show). Enquanto o público ia chegando, bem devagar, demos uma sacada no lugar. Era estranho uma banda se apresentar do lado de fora de um estádio de futebol em vez do lado de dentro!

No dia anterior, os Killers tinham tocado no Monumental, mas “literalmente falando”. Já a Explanada Sur del Estadio Monumental, onde o New Order tocaria naquela noite, é um espaço aberto ao lado do estádio que não pertence ao complexo esportivo (ao contrário de uma área de estacionamento que também é usada para shows e eventos e com a qual costuma ser confundida muitas vezes). Na Explanada Sur já se apresentaram nomes como Guns N’ Roses, Placebo, The Cranberries, David Guetta e Aerosmith. Não sei ao certo qual a capacidade máxima do lugar, nem quantas pessoas estiveram no show do New Order, mas o fato é que a Explanada demorou bastante a ficar cheia (convenhamos que o trânsito lá fora não ajudava nem um pouco) e o concerto, que deveria ter começado às 21:00, teve início com uma hora de atraso. Enquanto esperávamos, eu matei minha fome com uma espécie de choripán peruano, acompanhado de uma garrafa de Inca Cola. Ainda antes do show começar, fui reconhecido por um grupo de chilenos que faziam parte do fórum em espanhol do NOOL (New Order On Line), que eu também frequentava – e eles acabaram se juntando a nós. Foi muito legal ter a companhia deles.

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New Order Brasil em Lima!

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NOOLers brasileiros e chilenos

Às 22:00 o show finalmente começou. Foi aí que me dei conta de que o lugar, enfim, havia ficado cheio. Esse foi o segundo show que eu assisti com a formação atual do New Order – o primeiro foi em São Paulo, no Sambódromo do Anhembi, em 2011, pouquíssimas semanas depois da banda voltar à ativa reformulada. A apresentação em Lima, ao contrário da de São Paulo, desceu redonda. O time estava mais entrosado, o som era melhor e a plateia estava com aquela empolgação típica de primeira vez (o New Order nunca havia tocado lá). Ninguem parecia se importar com a ausência de um certo Peter Hook. Mas para nós, que tínhamos visto o grupo outras vezes, o concerto teve outros aspectos interessantes. Eles tocaram “Touched by the Hand of God” (com um novo arranjo), que não era apresentada ao vivo desde 2002; também foi o début ao vivo de “I’ll Stay With You”, faixa de Lost Sirens. Pela reação (explosiva!) do público, os pontos altos foram “Regret”, “Ceremony” e “Bizarre Love Triangle”, cantadas a plenos pulmões. Porém, nada foi tão curioso, pelo menos para os meus olhos, do que ver os peruanos pogando (fazendo a famosa “roda punk”) em “The Perfect Kiss” e “Temptation”!

O melhor da noite, no entanto, foi o after gig. Depois que o show acabou nós não fomos embora…Quer dizer, pelo menos não todos nós. Eu, Marcello, Andréa e Robertão ficamos. Os demais se foram junto com a multidão. Quando a Explanada Sur já estava bem vazia, nós nos misturamos com a turma do staff (afinal, além da entourage, um show envolve um grupo imenso de prestadores de serviços locais) e, sem sermos notados, fomos parar na grande área atrás do palco. Marcello e eu montamos guarda no que parecia ser um dos acessos ao backstage – nos pareceu ser um lugar estratégico para nos posicionarmos, pois havia acabado de estacionar uma van ali bem em frente e, em seguida, uns caras montaram uma espécie de corredor até o veículo com aquelas grades de organizar fila, com direito a “leão de chácara” para fazer a segurança. Nos ocorreu que em breve a banda poderia passar por esse corredor para entrar na van. Enquanto isso, Andréa e Robertão adotaram outra estratégia e se enfiaram por uma espécie de beco – e desapareceram nas sombras! Enquanto esperávamos próximo à van, a única figura “conhecida” que nos deu o ar da graça foi a engenheira de som, Dian Barton. Para não perder a oportunidade, nós a convidamos para tirar uma foto conosco e, em seguida, perguntamos se a banda ainda estava no camarim e se ela poderia quebrar um galho e dar um jeito da gente entrar… A resposta foi algo como um diplomático, mas pouco convincente “Eh… fiquem aqui que eu vou ver com a Rebecca [Boulton, do management da banda]”.

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Com a sound engineer Dian Barton, no backstage

É claro que ela nos deixou lá em pé comendo mosca, até que Andréa reapareceu no meio das sombras daquele beco dizendo “Psiu! Psiu! Aí é a maior furada, venham comigo!”. Nós a seguimos no ato por dentro de um corredorzinho estreito, mas curto. Quando saímos dele, voilá! Estávamos no backstage! “Enquanto vocês estavam lá a gente conseguiu chegar até aqui e encontramos o Andy. Eles nos ofereceu água e cerveja e ficou conversando com a gente. Disse que logo logo vem alguem da banda vir aqui falar conosco”, disse Andréa. O “Andy” em questão é o Andy Robinson, o outro empresário do New Order. Andréa já havia conversado com ele um dia antes, na coletiva de imprensa. Minutos depois, quem aparece para dar uma palavrinha com a gente? A “bateria eletrônica humana”: Stephen Morris (o único, aliás, a sair do camarim). Pura simpatia. Com muita paciência, humildade e carisma, conversou com todos nós e nos deu autógrafos (ele assinou o canhoto do meu ingresso e um lote imenso de encartes de CDs do Robertão). Ele não ficou muito tempo – logo chegaram uns caras que entraram no camarim com caixas e mais caixas de pizza. Stephen foi atrás e nenhum outro New Order saiu de lá depois. Mas já estava de bom tamanho. O show tinha sido ótimo, tivemos a sorte de ver e conversar com Stephen Morris e ainda saímos de lá com uma informação preciosa que Andréa colheu com o Andy Robinson: o horário do voo da banda para Bogotá no dia seguinte.

Somente Marcello, eu e Robertão estivemos de plantão no aeroporto para vê-los. Não sei se era um esquema especial para aquele dia (por causa do New Order), mas somente quem tinha viagem marcada para aquela data poderia entrar no salão de check in. Tivemos que contar com a cara-de-pau do Marcello, que mostrou para o funcionário do aeroporto a reserva dele, que na verdade era para o dia seguinte, e como se fosse para nós três, só que contando para que o sujeito não pegasse o papel para ler. Felizmente, obtivemos sucesso e entramos. Também não demorou muito para que a banda aparecesse. Abordamos primeiro o Bernard Sumner (enquanto isso os demais passaram batidos em direção ao guichê da companhia aérea). Barney também foi gente finíssima. Mas eles estavam já meio atrasados, então nada de muita conversa, nem autógrafos – somente fotos. “Agora tenho que correr para o check in, pessoal. Um abraço!”. Mesmo assim, fomos atrás porque como os demais se adiantaram, talvez conseguíssimos falar com mais alguem. E esse alguem foi Gillian Gilbert, vencedora do troféu Doçura-Fofura. Nessa altura, Steve já estava quase no salão de embarque de tanta pressa! Mas Gillian foi simpática, paciente e posou para fotos conosco com toda a simplicidade e humildade que existe no mundo. Infelizmente, não foi desta vez que demos uma moral para o Phil Cunningham e o Tom Chapman. Ficou para o ano seguinte.

As histórias dos shows do New Order pela América do Sul em 2014 merecem, pelo menos, uns dois posts! Aos poucos, com calma, vou colocando tudo “no papel” para publicar – com direito a fotos, é claro. Por hora, dexarei vocês curtindo um pouco da repercussão dos shows do New Order em Lima na imprensa local.

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REVIEW | Show do New Order no Radio City recebe elogios do New York Times

O recente concerto de abertura da mini-turnê americana do New Order, ocorrido no Radio City Music Hall, Nova Iorque, no último dia 10 de março, mereceu atenção de um dos mais importantes jornais dos Estados Unidos: o New York Times. Jon Pareles, o mesmo jornalista e crítico musical que em 1989 escreveu o famoso artigo “New Order keeps marching on its own mystery”, citado por Peter Saville no documentário New Order Story com o equivocado título “How cold is coldness?”, assinou uma elogiosa resenha sobre o show. O título original, isto é, o que saiu na edição impressa do jornal, era “Ainda uma máquina hipnótica de emoções reprimidas”, mas houve uma ligeira alteração na sua publicação on line, que é a versão que serviu de base para a tradução que apresentamos a seguir.


NEW ORDER: AINDA UMA MÁQUINA DE EMOÇÕES REPRIMIDAS
por Jon Pareles, 11 de março de 2016

O New Order começou em 1980 em meio a crises de ordem política e pessoal, mas reagindo bem contra ambas. A banda foi formada por integrantes do Joy Division depois que, tristemente, seu vocalista e líder, Ian Curtis, cometeu suicídio. Enquanto isso, a Grã-Bretanha estava mergulhada em uma profunda depressão que trouxe desemprego e transtornos trabalhistas. Por instinto, a banda respondeu com uma música organizada, sistemática e aparentemente imperturbável, mesmo que suas letras continuassem sombrias. O New Order prosseguiu com o minimalismo punk-rock, mas deixou de lado o ruído e a dissonância para acrescentar incansáveis e flutuantes batidas programadas de baterias eletrônicas, cobertas por guitarras rock e pela dance music eletrônica, e de uma maneira que, desde então, inspiraria imitadores.

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Crédito foto: Brooklyn Vegan.

A banda fez os fãs se lembrarem de suas origens quando realizou um show com ingressos esgotados na quinta-feira (10/03) no Radio City Music Hall. Tudo começou com “Singularity”, de seu álbum de 2015, Music Complete, a primeira coleção de músicas inéditas em uma década; a canção confessa, “Para os amigos que não estão aqui… Nós derramamos nossas lágrimas”, assim como o vídeo que acompanha a performance, que exibe cidades sombrias, a agitação da juventude e a moda provocadora da era punk. Em seguida, tocaram uma música que o Joy Division escreveu antes da morte de Curtis, mas que se tornou o primeiro single do New Order: “Ceremony”. A banda encerrou o concerto – como excederam o tempo previsto, tiveram que cortar do set o final programado, que era “Blue Monday” – com a obra-prima do Joy Division, “Love Will Tear Us Apart”, enquanto o telão proclamava: “Joy Division Para Sempre”.

Entretanto, na maior parte do show o New Order esteve fora da sombra do Joy Division. A identidade que o New Order construiu para si mesmo substituiu as escuras trincheiras do Joy Division com padrões intrincados: a mistura de batidas eletrônicas com a incansável percussão ao vivo de Stephen Morris, linhas de baixo que emergem como fortes contrapontos melódicos (muitas  delas criadas por Peter Hook, que deixou o New Order em 2007; seu substituto é Tom Chapman), e uma complaexa malha de guitarras e teclados. Seu set de duas horas transitou entre guitarras oscilantes, canções com raízes punk e sons eletrônicos, mas inclinou-se mais para a pista de dança.

Mais próximo da dance music do que do rock, o New Order não oferece solos de guitarra; suas passagens instrumentais simplesmente destacam os componentes individuais do mecanismo que impulsiona as canções. Enquanto isso, os telões, os efeitos estroboscópicos e as luzes que percorreram todas as paredes e o teto do interior do Radio City também deram ao concerto uma atmosfera club.

As constantes mudanças tecnológicas na dance music e a pressão dos próprios imitadores da banda mantiveram o New Order atento. A banda atualiza continuamente o núcleo rítmico das músicas do auge de sua carreira nos anos 1980 e que representam os pontos altos de seus concertos. Em “Temptation”, por exemplo, ecoaram os violoncelos de “Street Hassle”, de Lou Reed, em sua introdução. E o grupo abraça sua própria longevidade e todos os estilos que abordou ao longo dos anos, desde o som disco de “Tutti Frutti” a uma homenagem ao Kraftwerk – tanto no telão quanto na música – em “Plastic”, também de Music Complete, uma canção cínica sobre ser famoso e artificial.

Existe uma constância no som do New Order que se torna hipnótica ou simplesmente mecânica; em alguns momentos, a afluência de imagens dos vídeos no telão estava conduzindo o show tanto quanto a música. Mas quando o grupo retorna à pulsante e dançante tríade de favoritas dos anos 1980 – “The Perfect Kiss”, “True Faith” e “Temptation” – tudo ficou em sincronia, da iluminação aos sintetizadores, além dos vocais de Bernard Sumner. Por alguns instantes, ele deixou de lado sua maneira contida de cantar para gritar sobre o paredão eletrônico, assumindo o entusiasmo que o New Order esconde tão cuidadosamente.


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NEWS | Pílulas (11 de março de 2016)

Trago hoje mais algumas novidades em pequenas doses para os fãs e admiradores do New Order. Desta vez, falaremos do começo da mini-turnê da banda pelos Estados Unidos, de uma exposição, no Rio de Janeiro, de pôsteres originais de bandas pós-punk e new wave (incluindo Joy Division e New Order) e de uma má notícia para os completists. Então vamos lá…

  • O New Order abriu ontem sua turnê de um mês pelos Estados Unidos com uma apresentação em Nova Iorque. O show foi no luxuoso e reverenciado Radio City Music Hall, um ícone da cidade. O concerto surpreendeu em alguns aspectos: em termos visuais, os telões e a iluminação interagiram bem com a arquitetura da sala de espetáculos, proporcionando ao público uma experiência estética talvez inédita em toda carreira do New Order; no que diz respeito à parte musical, além da excelente “Academic”, que foi tocada pela primeira vez (seria uma pista de que esse poderá vir a ser o quarto single saído do álbum Music Complete), “Blue Monday”, clássico dos clássicos, ficou de fora (algo que não acontecia há anos). Fora essas mudanças, o repertório não foge muito daquele que vem sendo tocado desde o começo da turnê de divulgação de Music Complete. Eis o set list completo: Singularity; Ceremony; Academic; Crystal; 5-8-6; Restless; Your Silent Face; Tutti Frutti; People On the High Line; Bizarre Love Triangle; Waiting for the Sirens’Call; Plastic; The Perfect Kiss; True Faith; Temptation; Atmosphere (encore); Love Will Tear Us Apart (encore).
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New Order no Radio City Music Hall, Nova Iorque

  • De um ícone de Nova Iorque para um ícone da Zona Norte Carioca, o bom e velho Cine Imperator, no bairro do Méier, hoje transformado em centro cultural com sala de espetáculos, sala de exposições, cinema e um bistrô (meia boca). Lá está rolando a exposição “80/80: Oitenta Posters dos Anos Oitenta”, uma mostra de pôsteres promocionais originais de bandas de pós-punk e new wave que fazem parte da coleção particular de uma verdadeira entidade da música alternativa no Rio de Janeiro e que teve um papel fundamental na minha “educação musical” e na de muita gente também: o DJ José Roberto Mahr, o criador e apresentador do antológico programa de rádio “Novas Tendências”. A curadoria, isto é, a escolha dos oitenta pôsteres, ficou a cargo de Alessandro Alr, responsável pelo projeto Maldita 3.0 – Rádio Fluminense. Eu estive lá para conferir – e procurar por pôsteres do New Order e do Joy Division. Os encontrei, é claro. Mas encontrei também Siouxsie & The Banshees, The Jesus and Mary Chain, PiL, Front 242, Depeche Mode, Smiths, Talking Heads, Bigod, Nitzer Ebb, The Jam, Echo & The Bunnymen, Cure, Finis Africae, Cocteau Twins e muitos outros. Foi uma volta no tempo. Fãs de A-Ha, Pet Shop Boys e Dire Straits, não se dêem o trabalho de ir, ok?
  • A má notícia é que a edição japonesa do vinil de 12″ do single “Tutti Frutti”, que traria no lado B um remix do Takkyu Ishino, teve seu lançamento adiado em mais alguns dias. A promessa é que ainda saia este mês, mas a nova data, divulgada pela Amazon japonesa aos clientes que o compraram na pré-venda, é dia 30 de março. O jeito, caros colecionadores, é esperar.

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MEMÓRIA | Registros do New Order no Brasil em 1988

bizz-junhode1988neworderMe lembro com nitidez como se fosse hoje. Dentre os diversos assuntos que naturalmente poderiam emergir entre os primeiros colocados de uma fila para se assistir ao show do New Order no Vivo Rio, no dia 16 de novembro de 2006, uma antiga – e até mesmo meio esquecida – “lenda urbana” ressuscitou: a extinta emissora de TV Manchete, cuja sede ficava ali bem perto do local do concerto, teria exibido um especial com a apresentação do New Order no ginásio do Maracanãzinho, ocorrida no dia 25 de novembro de 1988. Todavia, por motivos “desconhecidos” ou “inexplicáveis”, o canal o teria feito sem chamadas na sua programação e em uma faixa de horário pouco frequentada por expectadores, a do “corujão” (depois da meia noite). Isso explicaria duas coisas: em primeiro lugar, porque tão pouca gente teria visto o especial (e esses “sortudos” juram até a morte que viram); em segundo, porque dentre os poucos afortunados que decidiram ficar acordados até mais tarde nesse dia, aqueles abastados que naquela época já dispunham de aparelhos de videocassette não estariam devidamente preparados para fazer um registro do show.

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A favor da lenda urbana está o fato da Rede Manchete ter gravado os shows de The Cure – também no Maracanãzinho, dia 28 de março de 1987 – e Echo & The Bunnymen – Canecão, dia 11 de maio de 1987 -, tendo, em seguida, exibido especiais de ambos (mas em horário nobre e com chamada na programação). Contra a lenda, algumas questões sem resposta: por que a Manchete teria optado, dessa vez, por exibir o show “de surpresa” e, sobretudo, em um horário de baixíssima audiência? Essa teria sido mesmo a causa de ninguem ter conseguido gravar o show? Se o concerto do New Order tivesse sido mesmo mostrado na TV, ainda que sem aviso e em um horário para “insones”, não é estranho o fato de não ter sido gravado por ninguem e, anos depois, ter ido parar no You Tube, como os especiais do Cure e do Echo? A prova dos nove está no acervo de 5.500 fitas da Manchete, hoje nas mãos da Fundação Padre Anchieta / TV Cultura – que já digitalizou quase a totalidade do material, mas que só poderá fazer uso dele a partir de 2053, quando essas gravações finalmente se tornarão de domínio público.

O mais curioso é que essa história voltou à baila em uma época bem diferente – em 2006 o You Tube já estava aí propagando, em comunhão com o acesso cada vez mais amplo às câmeras digitais, o conceito de broadcast yourself (algo como “faça você mesmo sua rádio/teledifusão”). Além disso, canais de internet que passaram a transmitir os shows via live streaming acabaram tendo seus vídeos capturados com a proliferação de programinhas e aplicativos destinados a esse fim. Em outras palavras, no século XXI tornou-se bem mais fácil produzir, disseminar e/ou reunir registros dos shows de seus artistas favoritos. Eu mesmo tenho gravações em áudio e vídeo digitais, de alta qualidade e proveniente de excelentes fontes, de todas as passagens do New Order pela América do Sul de 2006 para cá. Mas em 1988, particularmente no Brasil, já seria muita sorte conseguir entrar em um show com uma câmera fotográfica (algo que hoje está incorporado a qualquer telefone celular), quem dirá com um walkman ou um gravador de cassette. Mas houve quem tivesse conseguido essa proeza…

Imaginem a surpresa que foi quando, um belo dia, caiu em minhas mãos (e faz um bom bocado de anos isso), a gravação do show do New Order no ginásio do Gigantinho, em Porto Alegre, no dia 28 de novembro de 1988. Quando eu vi, mal pude acreditar. Apesar da qualidade rudimentar da gravação (e, também, da digitalização, que passava longe dos 320kbps), o registro era autêntico: não somente a ordem das músicas obedecia à do set list do concerto, como se podia ouvir o vocalista/guitarrista Bernard Sumner agradecendo as palmas e os urros da plateia com “obrigado”. No vídeo abaixo lhes apresento uma perfomance de “Sub-Culture” extraída da referida gravação e que confirma o que estou dizendo. Todavia, não existem informações sobre quem apertou o “REC” naquela noite, há 27 anos, nem sobre quem disseminou isso. De qualquer forma, foi um favorzaço feito, em especial, para os fãs do Brasil.

As suspeitas sobre a autoria dessa gravação recaem sobre uma figura que ficou muito conhecida entre os fãs de baladas eletrônicas nos anos oitenta e noventa – o DJ e radialista José Roberto Mahr, o homem por trás do famoso programa de rádio “Novas Tendências”, além de notório fã do New Order. Reza a lenda de que ele teria registrado todos os shows da passagem da banda pelo Brasil naquele ano – incluindo filmagens. Essa história já me foi confirmada por duas fontes diferentes: uma delas é um certo DJ da noite indie carioca (que, inclusive, disse já ter visto as fitas na casa do próprio Mahr) e a outra é uma figura já bastante conhecida entre fãs brasileiros do New Order desde os tempos dos canais de discussão no extinto mIRC e que atendia costumeiramente pelo nickname “Denial_1963” (nada de nomes sem a autorização dos citados, certo?). Isso por si só não prova que o registro de Porto Alegre ’88 que caiu na rede é de autoria de J. R. Mahr. Entretanto, em uma edição de seu programa (transmitido pela Rádio Cidade FM), ainda em 1988, ele tocou metade do set do terceiro show da banda no Ginásio do Ibirapuera (03 de dezembro), tendo prometido aos ouvintes tocar o restante do show no programa da semana seguinte, o que acabou não acontecendo. Nosso codinome “Denial_1963” havia gravado em cassete o programa com a primeira parte e, na segunda metade da década de 1990, transformou sua velha e gasta fitinha em um CD-R. Os arquivos digitalizados foram parar, depois, na rede. O vídeo a seguir mostra “Touched by the Hand of God” (finalizada com mais um “obrigado” de Sumner) – notem que a gravação é ainda mais precária, mas é um tesouro (a data do show mostrada no vídeo, no entanto, está incorreta). Anos mais tarde, “Denial_1963” teria “esbarrado” com Mahr por aí e lhe perguntado por que a segunda metade do show não tinha sido tocada no programa. A resposta recebida foi a que a qualidade do registro era muito ruim e “constrangedora”.

O fato é que, além do lendário, porém até hoje não comprovado, “especial da Manchete” e, também, das gravações piratas supracitadas, a turnê brasileira do New Order em 1988 gerou pelo menos um registro oficial que foi lançado em disco. Trata-se de um cover (excelente) de “Sister Ray”, do Velvet Underground, que fez parte do set da primeira noite do grupo no Ibirapuera, dia 01 de dezembro de ’88 (ver próximo vídeo). A faixa foi lançada no LP Like a Girl, I Want to Keep You Coming, uma coletânea de 1989 produzida pelo coletivo Giorno Poetry Systems (John Giorno, William Burroughs, Brion Gysin, Allen Ginsberg, John Cage) através de seu selo homônimo e que misturava música alternativa (Debbie Harry, David Byrne, Rollins Band, New Order) e poesia. A qualidade de som dessa versão de “Sister Ray” é soundboard, isto é, profissional, e segundo os créditos no disco, foi gravada em DATdigital audio tape – por “Oz” (Keith “Oz” McCormick, engenheiro de som e técnico de P.A. da banda naquela época). Naquela turnê, a revista Bizz levantou uma lista do equipamento trazido pelo New Order para o Brasil, o que incluía “quatro gravadores multipista digitais” que seriam usados pelo grupo para “registro pessoal”. Naturalmente, a Bizz cometeu um equívoco: os gravadores digitais multitrack só surgiriam no mercado em 1992 (os chamados ADAT – Alesis Digital Audiotape), enquanto que os gravadores DAT da Sony (que eram os que foram usados aqui) eram 2-track (dois canais). Bem, o fato é que o New Order tem seu próprio registro dos shows, mas infelizmente esse material deve estar sendo colonizado por fungos em algum depósito, haja vista que, de 1988 para cá, mais nada além de “Sister Ray” veio a ver a luz do dia.

Bom, esses são os registros que se têm conhecimento da passagem do New Order pelo solo brasileiro há quase trinta anos. Dentre lendas urbanas e fitas ameaçadas de morte pela ação do tempo, o que está ao alcance dos fãs até o momento é, em termos de quantidade (e de qualidade também), mixaria se compararmos com a chuva de streamingstorrents e de vídeos no You Tube de shows recentes à disposição hoje. Mas essa facilidade dos dias atuais torna as precárias e cacofônicas gravações das velhas fitinhas verdadeiros tesouros inestimáveis para os fãs.

Bem, só que o problema com os tesouros é que eles não costumam ser compartilhados…

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REVIEW | Show: New Order, Casino de Paris, 04/11/2015

IMG_0483O que levou o New Order a escolher Paris como ponto de partida para a sua mini-turnê europeia que inaugura os trabalhos de divulgação (no palco) de seu mais recente trabalho – o até agora (muito) bem recebido Music Complete – é um segredo reservado somente à banda e seu management. Todavia, o que importa para o escritor deste blog é que uma feliz coincidência, ou golpe de sorte, me colocou no lugar e na hora certos. Uma viagem a trabalho me deu a oportunidade de realizar um velho “fetiche”: mesmo já tendo visto o New Order oito vezes, com e sem Peter Hook, dentro e fora do Brasil, eu nunca assisti a um show do grupo em solo europeu. Bem, o grande sonho mesmo era ver os caras “jogando em casa”, em Manchester, mas quem aqui está em condições de esnobar um show em Paris?

Chamar o presente texto de review seria muita presunção. Ele não preenche os devidos requisitos para isso – para início de conversa, nem tem a imparcialidade necessária. Contudo, já vi muita gente por aí escrever sobre discos e shows sem qualquer conhecimento sobre aquilo que está a avaliar para o público. E muitas vezes o ego do crítico é tão grande que ele assume posições indevidas e vai a um espetáculo acreditando que os músicos em um palco estão ali suando sob os holofotes para satisfazer a eles (os críticos), como em uma audição particular, e não ao público que pagou para vê-los. Não sou crítico profissional, mas acho que mesmo tratando de uma matéria sobre a qual sou deveras suspeito, se eu simplesmente me limitar a dizer o que achei bom e o que eu achei ruim, acho que vou parecer bem menos picareta que muito “crítico de música” por profissão.

Comecemos pelo venue. O Casino de Paris, localizado na Rue de Clichy, num ponto entre as estações de metrô Liège e Saint Lazare, tem a companhia de teatros e cafés, o que confere um ar boêmio ideal para um show. Quando eu cheguei, exatamente às 20:00, muitos grupos faziam seus warm ups nesses templos de boa bebida (vinho e pints) e sanduíches na baguette. Nem fiquei muito tempo do lado de fora. Logo no hall de entrada, já se podia ouvir o som do show de abertura (a banda era o Hot Vestry, cuja tecladista, Tilly, é filha de Stephen Morris e Gillian Gilbert). Quando finalmente acessei a pista, percebi que estava a assistir os minutos finais da apresentação do HV. Os instantes finais desse show e, também da apresentação do DJ Tintin serviram para duas coisas: para que eu arrumasse um bom lugar (nem precisava ser no gargarejo, já passei dessa fase) e para olhar melhor o interior da casa. O Casino de Paris é bem menor do que aparenta nas fotos espalhadas pela internet. Em alguns momentos, cheguei a pensar que era do tamanho do Circo Voador (Rio de Janeiro) ou até mesmo menor. Segundo a Wikipedia, a capacidade do fosse (pista) é de 1.800 pessoas. A capacidade total atual do Circo, a título de comparação, é de 2.800. Achei pouco para o New Order.

Outro problema: o palco era muito baixo. Aliás, um problemão em termos de visibilidade dependendo de onde se está na pista, ou da sua estatura. É bem verdade que eu prefiro shows indoor, mas custava acreditar que bandas como Coldplay e New Order haviam sido escaladas para tocar ali – com todo respeito ao valor histórico e à riqueza arquitetônica do lugar.

Bom, mas o Casino deixou uma impressão positiva em um aspecto importante: excelente acústica. Essa qualidade ficou evidente em todas as apresentações da noite: Hot Vestry, DJ Tintin e, salve salve, New Order. A outra coisa boa é que a casa estava lotada pelo menos – era um concerto sold out, isto é, com todos os ingressos vendidos (e tinha gente do lado de fora caçando ingresso de tudo quanto era jeito, pois chegaram até a me perguntar se eu tinha um sobrando para vender). Ficou evidente que o New Order precisava de um lugar mais espaçoso, por melhor que o Casino de Paris pudesse ser.

Mas como o que importa mesmo é o jogo com a bola rolando, vamos ao show. Confesso que fui esperando mais do mesmo: a banda entrando em cena ao som de alguma trilha de spaghetti western de Ennio Morricone, “Elegia” (de Low Life) como intro “substituta” para “Crystal” (que tem sido a opener dos shows há anos), depois “Regret”… Como reprises da Sessão da Tarde. Só que não. Pelo menos não desta vez. Ou pelo menos não será mais assim ao longo dessa nova turnê. Após uma intro diferente, que não consegui identificar, o New Order subiu ao palco sem muita conversa e escolheu como cartão de visitas um dos grandes temas de sua mais recente safra: “Singularity”.

Aposta alta, eu diria. Mas saíram ganhando. Funcionou muito bem como canção de abertura e, olhando a reação do público ao redor, tive a impressão que eu não fui o único a aprovar a escolha. Fora a execução, perfeita, o som estava tinindo, “brilhante”… E no lugar do vídeo chinfrim que havia sido produzido para a faixa quando ela foi incorporada ao set list no ano passado – antes de Music Complete ver a luz do dia – eles usaram imagens editadas de B-Movie: Lust & Sound in West Berlin 1979-1989, do trio Jörg A. Hoppe, Klaus Maeck e Heiko Lange. As cenas do filme pareciam dialogar muito bem com versos do tipo “We’re working for a wage / I’m living for today / On a giant piece of dirt / Spinning in the universe”. Aliás, falando em vídeo, outra mudança: em vez de um único telão de led ao fundo, este agora é complementado por telas laterais dispostas diagonalmente (ver foto), o que resulta em um efeito cênico bem mais belo e atraente.

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No esteio de “Singularity” tivemos uma sequência de velhos números “infalíveis”, todos executados com a mais absoluta perfeição: “Ceremony” (será sempre um dos pontos altos do show), “Crystal” (caiu do topo do set list, mas não ficou má nessa posição), “Age of Consent” (que Tom Chapman, o substituto de Peter Hook, toca com igual maestria, e que fique registrado isso) e a versão de “5-8-6” turbinada com uma mãozinha do DJ e produtor Stuart Price (que retornou ao repertório de shows do New Order em 2011 para nunca mais sair). A surpresa aqui foi terem puxado “5-8-6” mais para a “primeira parte” do show, na qual tradicionalmente predominam os temas mais rock. É, parece que a banda anda inclinada a quebrar algumas de suas próprias regras novamente

Após esse bloco de clássicos, eles retornaram ao Music Complete com “Restless”. Eu adoro essa música, mas tal como na apresentação em Maida Vale para o BBC 6 Live há algumas semanas, existem algumas coisas nela que, pelo menos no meu ponto de vista, fazem com que ela entre no famoso hall das “Grandes Canções de Estúdio do New Order Que Não Soam Bem Ao Vivo”. No começo, parecia meio lenta e arrastada… Levou tempo para ela entrar no mesmo pique do disco, com aquela “pegada” ligeira. Mas chegou lá. Porém, não gosto das guitarras. É legal, em termos visuais, ver o Phil Cunningham empunhando uma linda Gretsch, mas eu ainda prefiro o dedilhado no violão da versão original. As guitarras elétricas, com seus acordes “chá-com-pão” banais, encobriam o baixo de Tom Chapman e as lindíssimas frases de teclado de Gillian Gilbert. Tome um 6,5 e olhe lá!

Mas vejam como são as coisas. Para quem achou, antes do show começar, que o máximo que poderia haver de surpresa era o New Order tocar músicas do novo disco, quem poderia imaginar que eles desenterrariam um lado B de 1984?! Meu queixo quase foi ao chão quando ouvi Tom Chapman tocar em seu baixo Rickenbacker a introdução de “Lonesome Tonight” (vi Peter Hook, o autor original do riff, tocar essa com o The Light, mas confesso que não me emocionou tanto quanto desta vez que vi com New Order… e com o Tom em seu lugar). Tudo conspirou para sair perfeito: até mesmo Bernard Sumner, afeito a lambanças em músicas que estão há muito tempo sem tocar, não desafinou, não errou a letra, nem errou nas suas partes de guitarra. Valeu, Barney.

Aliás, eu preciso dizer algo à respeito de Sumner. Achei a atitude de palco dele diferente da que havia me acostumado a ver nos shows que o New Order realizou na América do Sul. Pelas bandas daqui (ops, de lá, ato falho, esqueci que estou nas Zoropa), muito populismo: na Argentina, “We love the beef!”; no Chile, “We love the wine!”; no Brasil, “We love caipirinha! But not the traffic jam!”. Fora os sorrisinhos e as piadinhas troll. O Barney que eu vi aqui em Paris fazia um tipo mais sério e frio, sem muita comunicação com a plateia.

Quando finalmente soltaram “Your Silent Face”, para um bom entendedor uma música basta. Para quem nunca reparou, aqui vai um “segredo”: ela é aquela música “calma” que cria uma espécie de “pausa” para a plateia recuperar as suas baterias, porque, depois dela, costuma ser a hora do ballroom, do batidão. Não deu outra: o New Order colocou na pista a dobradinha mais dançante de Music Complete: “Tutti Frutti” e “People on the High Line”. Na primeira, Sumner finalmente cometeu o primeiro grande erro da noite entrando um pouco tarde com a voz, se desencontrando em seguida com os vocais pré-gravados de Elly “La Roux” Jackson. Mas pouco depois ele conseguiu encaixar a voz e a letra nos lugares certos e a música transcorreu até o fim sem mais nenhum problema – e acompanhada por um vídeo cheio de imagens com cores berrantes que irremediavelmente remetiam ao álbum Technique (1989). Aqui cabe dizer uma coisa: “Tutti Frutti” não é a minha favorita do novo LP, mas não tem como não reconhecer que a faixa se encaminha para a sua canonização junto a outros clássicos do repertório da banda. Não é exagero. Era só olhar ao redor para perceber o quanto o público realmente ama essa canção.

Já em “People on the High Line”, outra que teve que trazer Elly Jackson em versão virtual / sampleada, foi perfeição da primeira à última nota. O destaque vai, sem dúvida nenhuma, para a “cozinha”: Stephen Morris e Tom Chapman. O que se ouve no disco soa ainda melhor ao vivo. Mas nessa hora foi impossível não pensar em Peter Hook. Não, não pensamentos do tipo “ah, que falta que ele faz”. Foi algo do tipo “vendo Morris e Chapman tão bem entrosados assim parecem que eles tocam tanto tempo juntos quanto Morris e Hook tocaram”. Foi tão bom, mas tão bom, que eu gostaria que o Daft Punk tivesse assistido essa versão de “People on the High Line” só para convidar Tom Chapman e Stephen Morris para tocarem no seu próximo disco.

Meus olhos testemunharam uma ampla aprovação das músicas novas no show. Mas vejam que detalhe curioso: haviam se passado dez músicas e nenhuma do Joy Division havia sido tocada – e eles já estavam no bloco de faixas mais dance. Eu mal podia acreditar no que eu estava presenciando… Da mesma forma como mal pude acreditar com o que eles fizeram com “Bizarre Love Triangle”: tocaram-na com um novo arranjo, com base no remix feito por Richard X em 2005. Pode parecer “heresia”, mas o fato é que soou muito melhor ao vivo que a já desgastada e sem brilho versão que vinha sendo tocada, com pouquíssimas modificações, desde 1998. A mesma ousadia valeu para a faixa seguinte, “Waiting for the Sirens’ Call”. Enquanto a versão original foi estruturada sobre uma base de guitarra-baixo-bateria, tendo os teclados e os sintetizadores apenas como “ornamentos”, no Casino de Paris a banda apresentou-a com nova roupagem se apropriando do remix “Planet Funk”. Ninguem no local parecia incomodado com mais esse “sacrilégio”. Pelo contrário, tive a sensação nítida de que a banda ganhou pontos com isso.

E aí veio a quinta e última música de Music Complete da noite: “Plastic”. Uma música que eu acho ótima. O problema é que, após o enorme impacto da sequência “Tutti Frutti”, “People On the High Line”, e os remakes/remixes de “Bizarre Love Triangle” e “Waiting for the Sirens’Call”, ela não arrancou oh!‘s e ah!‘s de ninguem. Uma pena, porque também foi tocada com absoluta precisão. Talvez o melhor lugar para ela seja mais para o início do show.

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Daí para frente… Agora sim, tudo mais do mesmo. “The Perfect Kiss”, “True Faith” e, encerrando o set, “Temptation”. Em “True Faith”, fora uns synths extras na introdução e uma “paradinha” no terço final da música, é o mesmo arranjo apresentado desde 2011, com base nos remixes do Shep Pettibone e do Paul Oakenfold. Já em “Temptation”, a banda toda se perdeu no começo, os instrumentos se desencontraram e o constrangimento se instalou nos rostos de toda a banda, mas depois todo mundo “se entendeu” de novo e faixa seguiu seu rumo – apoteótico, como sempre. A pausa antes da encore foi uma das mais curtas que eu já vi. Ela começou com “Blue Monday” – a pérola que faltou no bloco dance. E depois, é claro, não podia ser diferente: o espaço do Joy Division permaneceu garantido e o show terminou com “Atmosphere” e “Love Will Tear Us Apart” (esta última com os graves reverberando e estourando, foi a única “derrapada” no som, que esteve sempre impecável).

Fiquei feliz de ver o New Order com um show diferente daquele que vinha apresentando desde 2011. O repertório mostra que a banda conseguiu um equilíbrio bem razoável entre o material novo, os antigos sucessos (alguns com nova roupagem), um pouco de Joy Division para agradar quem faz questão e até “raridades” de seu catálogo. É claro que, ao longo dos próximos meses, esse set list a seguir pode sofrer alterações, mas como fã eu já vejo que essa lista aí já daria um bonito disco ou DVD ao vivo. Mas, falando especificamente do concerto em Paris, dos que eu vi, esse seguramente está entre os três melhores.

SET LIST:
Singularity
Ceremony
Crystal
Age of Consent
5-8-6
Restless
Lonesome Tonight
Your Silent Face
Tutti Frutti
People On the High Line
Bizarre Love Triangle (Richard X Remix)
Waiting for the Sirens’ Call (Planet Funk Remix)
Plastic
The Perfect Kiss
True Faith
Temptation
Blue Monday (encore)
Atmosphere (encore)
Love Will Tear Us Apart (encore)

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NEWS | Shows do New Order em novembro já têm ingressos esgotados em três cidades

electronic-beats-presents-new-order-live-in-berlin_video_2012-11-940x626Parece que Peter Hook vem fazendo menos falta do que muita gente imagina – ou gostaria. Mal o New Order anunciou as primeiras datas da turnê de divulgação do seu próximo álbum, Music Complete (com lançamento programado para setembro), três shows já estão com ingressos esgotados: no Ancienne Belgique, em Bruxelas, no OBrixton Academy, em Londres, e no Olympia, em Liverpool, respectivamente nos dias 6, 16 e 21 de novembro. Por causa da grande procura, uma data extra no Brixton Academy (17/11) foi incluída. A venda dos ingressos para os shows na Europa, que inclui passagens também por Paris, Estocolmo, Berlim e Glasgow, começou oficialmente na última sexta-feira para o público em geral, mas os assinantes da mailing list da banda no site da Mute Records tiveram o privilégio de participar de uma pré-venda dois dias antes, na quarta-feira. Esses fãs podiam, inclusive, comprar um pacote especial que incluía ingresso, o álbum Music Complete na versão “Deluxe Vinyl Box Set”, além de camiseta e impressos oficiais da turnê.